A difícil democracia em Moçambique

O Conselho Constitucional validou e confirmou, hoje, terça-feira, no Centro de Conferências Internacional Joaquim Chissano, em Maputo, Filipe Jacinto Nyusi e o seu partido Frelimo como vencedores das eleições gerais realizadas a 15 de Outubro.
Moçambique viveu nas últimas semanas  um período de muita incerteza e expectativa sobre o pronunciamento do Conselho Constitucional. A democracia estava em risco pois a oposição vem reiteradamente negando aceitar os resultados das eleições e ameaçando realizar atos de desobediência civil.
FRELIMO, RENAMO e MDM foram os principais concorrentes às eleições presidenciais, legislativas e provinciais no dia 15 de outubro em Moçambique. À sucessão do Presidente Armando Guebuza concorreram Felipe Nyusi pela FRELIMO, Afonso Dhlakama pela RENAMO e Daviz Simango pelo MDM.
Eleições realizadas, tiveram os seguinte resultados:
Nyusi 57%  da FRELIMO
Dhlakama 36,6%  – da RENAMO
Daviz 6,4% MDM
Assembleia da República:
FRELIMO: 55,58% – 144 Deputados.
RENAMO: 32,95% – 89 Deputados.
MDM : 8,4% – 17 Deputados
Com esses resultados da vitória da Frelimo esperava-se que o país retomaria sua vida, mas em democracia nada parece ser só o resultado das eleições. A Resistência Nacional Moçambicana Renamo não se convenceu da derrota e alegou que houve fraude. Em qualquer democracia se recorre à Comissões Eleitorais, às delegações estrangeiras de observadores externos e se aguarda os ´pronunciamentos
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicana considerou “improcedente” o pedido da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para anular as eleições gerais. Nove membros da CNE votaram contra o pedido da Renamo, oito votaram a favor.
  As missões internacionais de observação eleitoral consideraram que as eleições gerais em Moçambique foram “livres, justas e transparentes”
União Europeia enviou cerca de 200 pessoas para Moçambique, entre funcionários e observadores. A missão de observação da União Europeia alegou que teve gente em todas as províncias
“Foi ótimo! Muito bom mesmo! O segredo da votação foi assegurado! O material de voto estava pronto a ser usado! As votações começaram a tempo e horas, com uma ou outra exceção, aqui e acolá, mas de um modo geral foram muito pontuais! E no final de tudo vimos um procedimento muito organizado, num ambiente muito calmo, nas 46 assembleias de voto que nós visitámos durante o período de votação.” Disse  a chefe da missão, a jovem euro-deputada Judith Sargentini, uma holandesa pertencente ao partido ecologista “os Verdes”.
Com tudo isso a oposição não aceitou os resultados e recorreu à Conselho Constitucional, e pediu a invalidação das eleições.
Invalidar os resultados eleitorais era a solução, porque demonstrava um Conselho Constitucional técnico, profissional e com prestígio, além de um modelo de democracia para África e para o mundo e uma aprendizagem para governos eleitos com fraude”, disse o líder da Renamo.
 Na mesa de negociação foi oferecido ao líder da oposição, Afonso Dhlakama, o Estatuto de líder da oposição, que foi aprovado no Parlamento, uma medida de exceção com vários privilégios que custará aos cofres públicos o valor de 2,2 milhões de dólares por ano.
O líder da oposição fala em Governo de Gestão com a participação da oposição no Governo do país, o que o Partido do Governo se nega a realizar. Com a deliberação de hoje do Conselho Constitucional validando as eleições fica-se na expectativa de que a Renamo recorra à manifestações violentas.
Enfim a Renamo diz que não aceita os resultados, alegando que o processo eleitoral foi ferido de muitas irregularidades; por isso, promete criar um Governo de Gestão que vai apresentar em Janeiro de 2015

Itamaraty:  poucas perspectivas para o futuro

Analistas de política externa brasileira, ao serem perguntados sobre as perspectivas para o 2° mandato da Dilma, apresentaram as seguintes preocupações.

Há uma constatação de que a presidenta no seu primeiro mandato mostrou um desinteresse por política externa, e há desafios para o em relação à América Latina, potências mundiais como China e EUA, a região do Oriente Médio, as negociações da Organização Mundial do Comércio- OMC, o Mercosul e a África.

Em relação à América Latina, espera-se que o Brasil seja mais assertivo, para resgatar o Mercosul. Como disse o presidente do Uruguai, Mujica:

“Queremos nos integrar na América Latina, mas praticamos o protecionismo entre nós; é um tiro no pé. Nós presidentes fazemos muitas reuniões, mas não sai nada delas. O que sai muitas vezes não respeitamos.”

Há um certo protecionismo que impede que a integração ocorra com mais celeridade. Para além disso, não há uma discussão sobre como poderia haver uma coordenação macroeconômica. No caso de não se conseguir a revitalização do Bloco, que se busque negociações à margem dele. A grande crítica é imagem de paralisação, como se o mundo pudesse esperar uma definição do Brasil.

E o diálogo com a China são muitas dúvidas, um desejo de aproximar-se acompanhado de um certo temor. Atrair os investimentos ou mantê-los longe? Atrair seus produtos baratos ou barrá-los na entrada? Ao mesmo tempo, a preocupação de garantir o mercados de alguns produtos: milho, soja, carnes, minério de ferro e aviões da Embraer. O quadro mostra, segundo os analistas, falta de uma estratégia para o Brasil trabalhar com a China.

Com os EUA os analistas são unanimes em pedir que haja uma reaproximação com o governo americano, pois há uma intensa aproximação em diversas áreas como o turismo, cooperação cientifica, intercâmbio educacional e realização de negócios. A grande demanda é o fim dos vistos e a dupla tributação.

Há uma demanda no Oriente Médio para que o Brasil se aproxime mais do Egito e formalize uma parceria estratégica com a Arábia Saudita, utilizando como porta de entrada o Líbano. Os programas de redução da pobreza brasileiros, como o Bolsa Família e os programas de tecnologia da Embrapa apresentam-se como uma boa plataforma para se aproximar dos países do Oriente Médio.

África no universo de problemas da política externa acaba sendo uma síntese dos problemas que o Brasil enfrenta na elaboração de sua política externa. O Brasil terá que ser mais assertivo, assumir um papel de protagonista que não vem exercendo na região. Falta uma estratégia e um investimento maior que vai desde uma presença maior da Presidenta até mesmo o reconhecimento de que a eleição de um brasileiro para o cargo de diretor da OMC contou essencialmente com os votos dos africanos. Votos estes que nos próximos anos será cada vez mais difícil contar com eles.

Tribunal Penal Internacional está atento ao julgamento de ex primeira dama da Costa do Marfim.    

A democracia nos países africanos não caminha em linha reta, há momentos de sobressaltos e recuos. A Costa do Marfim, país com uma economia dependente da produção do cacau, sofreu um revés nas eleições de 2010 e 2011, onde morreram mais de 3 mil pessoas.

Simone Gbagbo, ex primeira dama começou a ser julgada na Costa do Marfim. Chegou ao Tribunal por volta das 11h00, hora local, rodeada de fortes medidas de segurança.

Gbagbo, de 65 anos, é suspeita de estar envolvida na onda de violência pós-eleitoral que abalou o país. Entre outros crimes, é acusada de genocídio e atentado contra a segurança do Estado.

O julgamento é o primeiro teste de ferro para o poder judiciário do país, que se recusa a transferir para Haia a mulher do antigo chefe de Estado, Laurent Gbagbo. O Tribunal Penal Internacional (TPI) acompanha atentamente o processo.

Além da antiga primeira-dama, entre civis e soldados, outras 82 pessoas respondem na justiça por crimes cometidos entre 2010 e 2011.

O ex presidente, por sua vez, está à espera de ser julgado pelo TPI por crimes contra a humanidade. Foi o primeiro ex presidente a ser levado a julgamento no Tribunal penal Internacional, que tem sido atacado e acusado por presidentes africanos, de não se manifestar com o mesmo rigor, em relação ao comportamento de líderes de outros continentes.

Não se trata de mais um julgamento, embora seja muito importante por ser uma antiga primeira dama. Avalia-se a capacidade dos tribunais da Costa do Marfim se seriam suficientemente neutros e imparciais, ou estariam sujeitos à pressão política.

As eleições dramáticas e democráticas para o Senado na Libéria

A Libéria está localizada na África Ocidental. Limita-se com Serra Leoa (a Noroeste), Guiné (ao Norte), Costa do Marfim (a Leste) e com o Oceano Atlântico (ao Sul e a Oeste).

Adquirida no século XIX por uma Organização dos Estados Unidos que pretendia assentar na África os negros livres ou libertos da escravidão estadunidense, a Libéria foi formada por ex-escravos, haja vista que seu nome significa “país dos libertos”. Sua independência foi obtida no dia 26 de julho de 1847. De todas as nações africanas, somente a Libéria e a Etiópia não foram colônias de países europeus.

A Libéria viveu um período tumultuado de guerras civis de 1989 a 2003. Sofreu embargo econômico de 2001 a 2007 por contrabandear diamantes da Serra Leoa. E agora é um dos países que foi atingido pela epidemia de ebola.

País pobre, sofre um dos piores momentos de sua existência, com mais de 3000 mortos e milhares de órfãos. Estava programada a realização da eleição para Senado no mês de outubro, que acabou sendo adiada para dezembro. No último final de semana ocorreram as eleições para Senado, por sinal foi bem recebida no cenário internacional.

Como realizar eleições convivendo com uma epidemia de ebola, que está assustando o mundo, mas faz parte do dia a dia desse país?!  Sente-se um esforço para retomar a normalidade do país com a realização das eleições.

A Comissão de Consolidação da Paz da ONU parabenizou o governo e o povo da Libéria pela realização pacífica das eleições no último dia 20 de dezembro.

A realização das eleições é uma demonstração de que o país precisa reagir diante dessa tragédia, e o mundo precisa reconhecer esse esforço monumental.

Luanda acordou com um aumento de 20 % no preço da gasolina

Luandenses acordaram hoje surpresos pelo segundo aumento do preço da gasolina em menos de 3 meses. A gasolina que custava Kz 75 (R$ 1,96) passou para 90 (R$ 2,35) e o óleo que era Kz 50 (R$ 1,31) passa a ser comercializado agora a Kz 60 (R$ 1,57) o litro.

A gasolina em Angola é subsidiada, o que permitiu que o consumidor pudesse ter uma das gasolinas mais baratas do mundo. O governo, pressionado pelas contas públicas e o aumento do déficit interno, constatou que esse ano  teve a despesa do país ligada aos subsídios dos combustíveis acima de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), representando metade das despesas em Saúde e Educação.

Angola é um país onde a economia depende da exportação do petróleo, assim como Nigéria, Gabão, Rússia, Irã e outros países que estão sofrendo com a queda do preço no mercado mundial, provocado pelo excesso de ofertas.

Com a queda de quase 50% do preço do petróleo, provocada pelo excesso de oferta no mercado internacional, o impacto nas contas públicas é enorme.

Devido à baixa do petróleo, o orçamento geral do Estado (OGE) de Angola para 2015 entrou, em outubro, no Parlamento, com um déficit de 7,6 %, à razão de US$ 81 o barril. Mas de lá para cá, o preço do barril caiu mais de US$ 20, o que pressupõe um buraco maior do que o previsto no OGE para 2015, aprovado no princípio deste mês pelo Parlamento com receitas de 4,184 trilhões de kwanzas, menos 11,80% do que as deste ano, despesas de 5,215 trilhões de kwanzas e um déficit de 1,031 trilhões de kwanzas.

Para financiar o déficit, o Executivo prevê contratar mais de nove bilhões de dólares, principalmente com financiamento externo, embora seja certo que vai contrair dívida interna, mas com a condição de a pagar a seguir para não inviabilizar os fornecedores e, com isso, o crescimento e o emprego.

Em setembro deste ano, Naoyuki Shinohara , diretor adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a subvenção aos combustíveis em Angola supera um terço da despesa em investimentos públicos e 16 vezes mais que a soma de todas as despesas do país com programas de segurança social. Shinohara acredita que a racionalização dos subsídios aos combustíveis produz recursos para expandir a rede de segurança social e reforçar a posição fiscal a médio prazo.

As mulheres africanas são principais interessadas nas alterações climáticas do mundo.

Os jornais de hoje dia 26 de dezembro de 2014 anunciam que o  Banco Mundial no dia 24, publicou um comunicado de apoio financeiro no valor de 40,9 milhões de euros para o combate às mudanças climáticas em Moçambique, através da implementação de reformas em vários setores da economia.

“Esta operação visa melhorar a capacidade de resistência do país aos efeitos das alterações climáticas, através da implementação de reformas em vários sectores da economia”.

A questão das alterações climáticas é um dos problemas que tem levado os Governos a discutirem os modelos de desenvolvimento, que predominam no continente africano. Moçambique é um bom exemplo pois está com uma intensa exploração dos recursos minerais, com muitas cobranças por parte da sociedade civil sobre  o impacto ambiental, e um aumento das desigualdades sociais.

Moçambique é um exemplo dos que os países africanos estão passando neste momento de crescimento econômico, com base na exploração dos recursos minerais e florestais de seus países, convivendo com altas taxas de desigualdades sociais.

África contribui com 4% para o fenômeno da emissão de gases com efeito de estufa, o continente africano é um dos mais vulneráveis às alterações climáticas com um impacto negativo sobre a sua agricultura (95% da sua agricultura é uma agricultura pluvial), a sua segurança alimentar, a sua economia, e a saúde das suas populações. As populações que vivem a 100 quilómetros das costas marítimas estão expostas aos riscos de inundações costeiras associadas à elevação do nível das águas do mar. A estimativa dos custos das alterações climáticas eleva-se a entre 5 a 10% do respetivo PIB.

Numa economia agrícola, as mulheres desempenham um papel central, nomeadamente no que toca a gestão da biodiversidade e a segurança alimentar. Em particular, as mulheres africanas estão envolvidas em 70% das atividades agrícolas; e 80% dos pequenos agricultores são mulheres a quem cabem os custos de abastecimento de água e lenha.

As mulheres dispõem de menos capacidades e oportunidades para enfrentar os impactos das alterações climáticas ou para participar nas negociações sobre as questões relativas à atenuação dessas alterações.

Esta agricultura é extensamente dependente das variabilidades da pluviometria, da erosão dos solos. Acresce que, de um modo geral, as mulheres que dispõem de poucos recursos financeiros são também as que possuem as terras menos férteis e de menores dimensões. Muito embora o papel reprodutivo destas mulheres tenha permanecido intacto, as alterações climáticas tornaram mais complexo e pesado o seu papel produtivo. As catástrofes climáticas provocam as chamadas migrações climáticas e contribuem para a separação das famílias, o que coloca as mulheres numa posição ainda mais vulnerável.

A questão ambiental precisa estar articulada com as demandas socioeconômicas e de gênero. Em países em desenvolvimento incorporar as mulheres no debate da economia ainda é um desafio.

Interrogar-se sobre as alterações climáticas e compreender a sua complexidade implica igualmente analisar como conceber e promover estratégias de adaptação junto das populações africanas, as quais se confrontam com constrangimentos múltiplos e apenas dispõem de fracas capacidades de adaptação.

A vitória dos mineiros na indicação da Ministra da Secretaria de Políticas Públicas para a Igualdade Racial

A indicação da Professora Dra. Nilma Lino Gomes é uma vitória ao trabalho e competência política dos mineiros e dos negros que ocupam cargo no Ministério da Educação. A equipe do Ministério da Educação realizou um trabalho político silencioso e competente. Com as bênçãos do Ministro da Casa Civil. A Professora Nilma vai deixar a Reitoria da Unilab, após anunciar a criação de um Hospital na região e da criação do curso de Medicina, sem sombra de dúvida um sinal de competência política.

A escolha de Nilma para um Ministério com a presença de aliados políticos de peso capazes de conter o ímpeto conservador do Congresso e o ano difícil na economia é uma vitória. Os movimentos sociais não influenciaram na escolha dos Ministros, embora trabalhassem na sua maioria pela permanência de Dilma no comando do Governo.

O desempenho dos candidatos negros nas eleições para deputados federais apresentou um declínio em diversos estados como São Paulo, com a não eleição da deputada Janete Pietá e o cantor Netinho; no Rio de Janeiro, Edson Santos, que havia ocupado o cargo de Ministro da SEPPIR; na Bahia o deputado Luiz Alberto, que tem sua origem no movimento negro.

Com uma representação tão reduzida no Congresso fica difícil imaginar que os negros tenham capacidade de influenciar na escolha dos Ministros. A sociedade também não se incomoda se há ou não ministros negros no Governo. Setores da sociedade, localizados na população negra, esperam que haja o reconhecimento de que mais negros possam vir a ocupar cargos no primeiro escalão. Dilma tem sido pragmática, quer governar com controle do Congresso, mas os negros não têm deputados suficientes para se fazerem ouvir nessa composição.

A indicação da Professora de Minas Gerais, Nilma Melo, mostra que o Governador de Minas Gerais deve ter sido ouvido, e a sua saída da Reitoria da Unilab abre um lugar para nomeação para o Ministro da Educação no seu Estado do Ceará.

Mas, ao olhar para os Ministros indicados para o 2º mandato da Presidenta Dilma, vislumbra-se um cenário difícil para as políticas voltadas para a população negra. Um Ministério conservador, um Congresso não menos conservador. Podemos esperar um cenário de dificuldades e de recuos nas políticas para os quilombolas e para o avanço dos programas de ações afirmativas. Desejar boa sorte a Nilma será pouco. Há que se fazer muita política na Esplanada e no Congresso.

Nigéria, Argélia, Gabão, Angola e Gana sofrem com a queda do preço do petróleo

Os preços do petróleo caíram perto de 45% este ano, o maior declínio anual desde 2008.

O preço do petróleo, assim como o das demais commodities (matérias primas), tem apresentado tendência à queda, afetando países exportadores de petróleo como Angola, Gabão, Gana e Nigéria

Nos países exportadores de petróleo o impacto geral é negativo, mas mesmo entre estes mercados deve ocorrer diferenciação, destaca o FMI, porque uns dependem mais das receitas do produto do que outros.

O petróleo é o principal recurso financeiro da Argélia, que decorre de 95% de sua renda estrangeira. Se a queda dos preços continua, a Argélia pode acabar incapaz de honrar seus compromissos financeiros.

Uma simulação do Fundo Monetário Internacional (FMI) sinaliza que a forte queda dos preços do petróleo pode fazer a economia mundial crescer mais em 2015 e 2016, de acordo com um estudo divulgado nesta segunda-feira (22). O Produto Interno Bruto (PIB) do mundo pode se expandir de 0,3% a 0,7% a mais no ano que vem, quando comparado a um cenário em que o barril da commodity não estivesse em queda. Para 2016, o PIB pode crescer de 0,4% a 0,8% a mais.

No geral, os economistas do FMI afirmam que os importadores de petróleo, sobretudo entre os emergentes, vão se beneficiar dos menores gastos com importações do produto, que deve ajudar a melhorar as contas externas, gerar maior renda disponível para as famílias e menor custo com insumos. Já os exportadores terão menos receitas com as vendas externas, o que vai colocar pressão nas contas externas e fiscais.

Os países  exportadores de petróleo terão acelerar a diversificação da economia, uma opção que em muitos países africanos dependentes do petróleo. em atrofiado outros setores que seriam de grande valia, como a agricultura industrializada, o sector mineiro e os transportes. O dinheiro que vem das receitas do petróleo deveria ser usado em políticas de investimento, de modo a que a economia do país se diversifique e produza o suficiente, mas não é isso que tem acontecido

A democracia avança na África, com as eleições da Tunísia.

A Tunísia ficou conhecida como o país que iniciou a grande mobilização  de renovação que recebeu o nome de Primavera Árabe, que levou o  pais a grandes manifestações e a um período de transição democrática e derrotou o ditador Zine Abdine Ben Ali. Em menos de três anos , os líderes da Tunísia conseguiram articular  inimigos e adversários políticos para elaborar e adotar a Constituição mais progressista do mundo árabe.

Uma Constituição, que consagrou  a liberdade de religião e a igualdade de direitos de mulheres e de homens, foi escrita por uma assembleia composta por representantes de grupos islamitas, liberais e de esquerda e é considerado um marco histórico que abriu a porta à modernidade e pode inspirar o restante do mundo árabe.

O fim da Constituição é transformar a Tunísia numa democracia representativa, cujas leis não se baseiem na lei islâmica, ao contrário da maioria dos outros países árabes. É ainda um tributo à capacidade de diálogo e de compromisso dos representantes dos diferentes grupos sociais da Tunísia.

A primeira eleição presidencial livre da Tunísia, desde a independência da França em 1956, aconteceu no domingo passado. O antigo primeiro-ministro, Beji Caid Esebsi, venceu as eleições presidenciais  com 55,68 por cento dos votos, contra 44,32 do Presidente cessante Moncef Marzuki.

Essebsi, 88 anos , um ex-funcionário na administração do antigo sistema monopartidário do ditador  Ben Ali,  se reinventou como um tecnocrata  e fundou o partido  Nidaa Tounes (Chamada para a Tunísia). Partido fundado em 2012,  que ganhou a maioria de  assentos na eleição parlamentar ocorrida em 2014, soube articular com as reações à mobilização ocorrida há 4 anos.

Beji Caid Essebsi  lançou a sua “chamada para a Tunísia” como uma resposta pós- revolucionária depois do período de violência que ameaçava as liberdades públicas e individuais e a segurança do cidadãos.  Foi fundado oficialmente em 16 de junho de 2012 e é descrito  como um partido moderno,  social-democrata , partido da esquerda moderada.

O país viveu os últimos três anos em crise política, econômica e social, tendo de enfrentar desemprego elevado, protestos, atentados terroristas e assassinatos políticos.

Diversas delegações e entidades da sociedade civil acompanharam  o desenrolar do processo eleitoral  e indicaram que foi uma vitória da democracia, com poucos incidentes.

A revista Economist decidiu escolher a Tunísia como “país do ano”, a “brilhante exceção” ao “derramamento de sangue por grupos extremistas” em que se afundaram os outros países das revoltas árabes. “A sua economia está em apuros e a sua política é frágil, mas o pragmatismo e a moderação da Tunísia alimentam a esperança numa região delicada e num mundo repleto de perturbações”.

A eleição ocorrida para presidente no final de semana consagra o processo de transição democrática no continente africano.

Protesto contra o presidente do Gabão

O Gabão recentemente foi homenageado como um dos países que recebeu o reconhecimento da FAO pelo progresso na luta contra a  fome. Um pais que “superou grandes desafios em difíceis condições econômicas globais e ambientes políticos.  Demonstrou a vontade e mobilizou os meios”, disse Graziano da Silva,  diretor da FAO, abordando os ganhadores do prêmio.

País que abriga um dos polos de discussão sobre desenvolvimento africano. o Gabão realiza o Fórum New York da Africa, levando dirigentes de governos, sociedade civil e especialistas que  elaboraram cenários sobre o futuro do continente. Esse ano, no mês de maio, em sua capital,  Libreville,  realizou-se o 3 º Fórum. Com todas essas iniciativas , o Gabão enfrenta uma instabilidade que é uma oposição que acusa o Presidente de manipular o jogo partidário e ter proibido e  colocado na ilegalidade  o partido   União Nacional (UN), que liderava a oposição.

No sábado, dia 20, a oposição ao governo do Gabão realizou uma  manifestação contra o presidente Ali Bongo Ondimba. O evento preocupa pela  reação do governo gabonense, que respondeu ao ato com violência, gerando feridos e mortes, embora não confirmado.

“Ali, fora! 50 anos é muito tempo!”, Gritava a multidão. O presidente Ali Bongo Ondimba tomou as rédeas do país desde a morte de seu pai Omar, em 2009, no poder desde 1967. Essa tem sido a palavra de ordem da oposição.

Gabão conquistou a independência da França em 1960. Omar Bongo Ondimba tornou-se presidente em 1967 e solidificou a aderência do Partido Democrático Gabonês (PDG) ao poder. Em 1990, os protestos provocados por dificuldades econômicas levaram a eleições legislativas multipartidárias. Bongo e o PDG governante manteve o poder nos anos seguintes, através de uma série de eleições contestadas pela oposição.

O Partido Democrático Gabonês (PDG)  está no poder há mais 47 anos e um dos últimos remanescentes de monolitismo político na África.  O Multipartidarismo no país abriga mais de 50 partidos , sendo que 40 fazem parte da coligação que apoia o governo.

Com a noticia da repressão sobre a manifestação da oposição, desperta atenção sobre a fragilidade da democracia gabonesa, que não consegue lidar com manifestações populares. Embora reconheça-se que tem havido progressos na economia do pais, mas a um custo elevado do forçado silenciamento  da oposição.