A democracia avança na África, com as eleições da Tunísia.

A Tunísia ficou conhecida como o país que iniciou a grande mobilização  de renovação que recebeu o nome de Primavera Árabe, que levou o  pais a grandes manifestações e a um período de transição democrática e derrotou o ditador Zine Abdine Ben Ali. Em menos de três anos , os líderes da Tunísia conseguiram articular  inimigos e adversários políticos para elaborar e adotar a Constituição mais progressista do mundo árabe.

Uma Constituição, que consagrou  a liberdade de religião e a igualdade de direitos de mulheres e de homens, foi escrita por uma assembleia composta por representantes de grupos islamitas, liberais e de esquerda e é considerado um marco histórico que abriu a porta à modernidade e pode inspirar o restante do mundo árabe.

O fim da Constituição é transformar a Tunísia numa democracia representativa, cujas leis não se baseiem na lei islâmica, ao contrário da maioria dos outros países árabes. É ainda um tributo à capacidade de diálogo e de compromisso dos representantes dos diferentes grupos sociais da Tunísia.

A primeira eleição presidencial livre da Tunísia, desde a independência da França em 1956, aconteceu no domingo passado. O antigo primeiro-ministro, Beji Caid Esebsi, venceu as eleições presidenciais  com 55,68 por cento dos votos, contra 44,32 do Presidente cessante Moncef Marzuki.

Essebsi, 88 anos , um ex-funcionário na administração do antigo sistema monopartidário do ditador  Ben Ali,  se reinventou como um tecnocrata  e fundou o partido  Nidaa Tounes (Chamada para a Tunísia). Partido fundado em 2012,  que ganhou a maioria de  assentos na eleição parlamentar ocorrida em 2014, soube articular com as reações à mobilização ocorrida há 4 anos.

Beji Caid Essebsi  lançou a sua “chamada para a Tunísia” como uma resposta pós- revolucionária depois do período de violência que ameaçava as liberdades públicas e individuais e a segurança do cidadãos.  Foi fundado oficialmente em 16 de junho de 2012 e é descrito  como um partido moderno,  social-democrata , partido da esquerda moderada.

O país viveu os últimos três anos em crise política, econômica e social, tendo de enfrentar desemprego elevado, protestos, atentados terroristas e assassinatos políticos.

Diversas delegações e entidades da sociedade civil acompanharam  o desenrolar do processo eleitoral  e indicaram que foi uma vitória da democracia, com poucos incidentes.

A revista Economist decidiu escolher a Tunísia como “país do ano”, a “brilhante exceção” ao “derramamento de sangue por grupos extremistas” em que se afundaram os outros países das revoltas árabes. “A sua economia está em apuros e a sua política é frágil, mas o pragmatismo e a moderação da Tunísia alimentam a esperança numa região delicada e num mundo repleto de perturbações”.

A eleição ocorrida para presidente no final de semana consagra o processo de transição democrática no continente africano.

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