As mulheres africanas são principais interessadas nas alterações climáticas do mundo.

Os jornais de hoje dia 26 de dezembro de 2014 anunciam que o  Banco Mundial no dia 24, publicou um comunicado de apoio financeiro no valor de 40,9 milhões de euros para o combate às mudanças climáticas em Moçambique, através da implementação de reformas em vários setores da economia.

“Esta operação visa melhorar a capacidade de resistência do país aos efeitos das alterações climáticas, através da implementação de reformas em vários sectores da economia”.

A questão das alterações climáticas é um dos problemas que tem levado os Governos a discutirem os modelos de desenvolvimento, que predominam no continente africano. Moçambique é um bom exemplo pois está com uma intensa exploração dos recursos minerais, com muitas cobranças por parte da sociedade civil sobre  o impacto ambiental, e um aumento das desigualdades sociais.

Moçambique é um exemplo dos que os países africanos estão passando neste momento de crescimento econômico, com base na exploração dos recursos minerais e florestais de seus países, convivendo com altas taxas de desigualdades sociais.

África contribui com 4% para o fenômeno da emissão de gases com efeito de estufa, o continente africano é um dos mais vulneráveis às alterações climáticas com um impacto negativo sobre a sua agricultura (95% da sua agricultura é uma agricultura pluvial), a sua segurança alimentar, a sua economia, e a saúde das suas populações. As populações que vivem a 100 quilómetros das costas marítimas estão expostas aos riscos de inundações costeiras associadas à elevação do nível das águas do mar. A estimativa dos custos das alterações climáticas eleva-se a entre 5 a 10% do respetivo PIB.

Numa economia agrícola, as mulheres desempenham um papel central, nomeadamente no que toca a gestão da biodiversidade e a segurança alimentar. Em particular, as mulheres africanas estão envolvidas em 70% das atividades agrícolas; e 80% dos pequenos agricultores são mulheres a quem cabem os custos de abastecimento de água e lenha.

As mulheres dispõem de menos capacidades e oportunidades para enfrentar os impactos das alterações climáticas ou para participar nas negociações sobre as questões relativas à atenuação dessas alterações.

Esta agricultura é extensamente dependente das variabilidades da pluviometria, da erosão dos solos. Acresce que, de um modo geral, as mulheres que dispõem de poucos recursos financeiros são também as que possuem as terras menos férteis e de menores dimensões. Muito embora o papel reprodutivo destas mulheres tenha permanecido intacto, as alterações climáticas tornaram mais complexo e pesado o seu papel produtivo. As catástrofes climáticas provocam as chamadas migrações climáticas e contribuem para a separação das famílias, o que coloca as mulheres numa posição ainda mais vulnerável.

A questão ambiental precisa estar articulada com as demandas socioeconômicas e de gênero. Em países em desenvolvimento incorporar as mulheres no debate da economia ainda é um desafio.

Interrogar-se sobre as alterações climáticas e compreender a sua complexidade implica igualmente analisar como conceber e promover estratégias de adaptação junto das populações africanas, as quais se confrontam com constrangimentos múltiplos e apenas dispõem de fracas capacidades de adaptação.

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