Itamaraty:  poucas perspectivas para o futuro

Analistas de política externa brasileira, ao serem perguntados sobre as perspectivas para o 2° mandato da Dilma, apresentaram as seguintes preocupações.

Há uma constatação de que a presidenta no seu primeiro mandato mostrou um desinteresse por política externa, e há desafios para o em relação à América Latina, potências mundiais como China e EUA, a região do Oriente Médio, as negociações da Organização Mundial do Comércio- OMC, o Mercosul e a África.

Em relação à América Latina, espera-se que o Brasil seja mais assertivo, para resgatar o Mercosul. Como disse o presidente do Uruguai, Mujica:

“Queremos nos integrar na América Latina, mas praticamos o protecionismo entre nós; é um tiro no pé. Nós presidentes fazemos muitas reuniões, mas não sai nada delas. O que sai muitas vezes não respeitamos.”

Há um certo protecionismo que impede que a integração ocorra com mais celeridade. Para além disso, não há uma discussão sobre como poderia haver uma coordenação macroeconômica. No caso de não se conseguir a revitalização do Bloco, que se busque negociações à margem dele. A grande crítica é imagem de paralisação, como se o mundo pudesse esperar uma definição do Brasil.

E o diálogo com a China são muitas dúvidas, um desejo de aproximar-se acompanhado de um certo temor. Atrair os investimentos ou mantê-los longe? Atrair seus produtos baratos ou barrá-los na entrada? Ao mesmo tempo, a preocupação de garantir o mercados de alguns produtos: milho, soja, carnes, minério de ferro e aviões da Embraer. O quadro mostra, segundo os analistas, falta de uma estratégia para o Brasil trabalhar com a China.

Com os EUA os analistas são unanimes em pedir que haja uma reaproximação com o governo americano, pois há uma intensa aproximação em diversas áreas como o turismo, cooperação cientifica, intercâmbio educacional e realização de negócios. A grande demanda é o fim dos vistos e a dupla tributação.

Há uma demanda no Oriente Médio para que o Brasil se aproxime mais do Egito e formalize uma parceria estratégica com a Arábia Saudita, utilizando como porta de entrada o Líbano. Os programas de redução da pobreza brasileiros, como o Bolsa Família e os programas de tecnologia da Embrapa apresentam-se como uma boa plataforma para se aproximar dos países do Oriente Médio.

África no universo de problemas da política externa acaba sendo uma síntese dos problemas que o Brasil enfrenta na elaboração de sua política externa. O Brasil terá que ser mais assertivo, assumir um papel de protagonista que não vem exercendo na região. Falta uma estratégia e um investimento maior que vai desde uma presença maior da Presidenta até mesmo o reconhecimento de que a eleição de um brasileiro para o cargo de diretor da OMC contou essencialmente com os votos dos africanos. Votos estes que nos próximos anos será cada vez mais difícil contar com eles.

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