A hipocrisia das criticas ao carnaval vitorioso da Beija Flor

000000000000000000000000000000

Desde a escolha do tema enredo do carnaval da Beija Flor, Guiné Equatorial, começaram as críticas, que foram aumentando de intensidade na semana do carnaval e depois do desfile.

Homenagear países não é novidade –  Bolívia, Japão, Moçambique, Suíça, Cuba, Itália, Holanda, Portugal, França e poderemos desfilar diversos temas relativos ao continente africano.

Mas ao desfilar com a temática de um país africano surgiram diversos arrazoados sobre a Guiné Equatorial, com posições de censura e confusões sobre a que Guiné estavam se referindo. Alguns comentaristas confundiam com Guiné Bissau e com Guiné. Para muitos, a Africa ainda é vista como um um único país. E os nomes e a localização ajudam na confusão para compreender do que está se falando.

Ao assistir ao enredo sobre Guiné Equatorial, percebe-se que é um enredo da negritude, que se encaixa de forma genérica na imagem de uma Africa mítica, não  uma Africa contemporânea, com seus avanços e problemas. Um discurso que caminha para exaltação da natureza, e, nas palavras dos diretores da Escola, a exaltação da cultura e da alma africana. Uma mistura de símbolos e valores de diversas regiões da Africa.

Há trechos no samba enredo que mostram esta generalidade e lugar comum de se ver a Africa

O invasor singrou o mar,
Partiu em busca de riquezas
E encontrou nesse lugar
Novas índias, outras realezas
Destino trocado, tratado se faz
Marejam os olhos dos ancestrais

Pelo verso a imagem serve para praticamente todos os países africanos da Costa Ocidental, não se percebe nada que distinga Guiné Equatorial. E para falar da imagem da Africa recorre-se inevitavelmente à escravidão.

Nego canta, nego clama liberdade
Sinfonia das marés saudade
Um africano rei que não perdeu a fé
Era meu irmão, filho da guiné

Formosa divina ilha testemunha dos grilhões
Eu vi a escravidão erguer nações
Mas a negritude se congraça
A chama da igualdade não se apaga
Olha a morena na roda e vem sambar
Na ginga do balelé, cores no ar
Dessa mistura, eu faço o carnaval,
canta Guiné Equatorial
Criança, levanta a cabeça e vai embora
O mar que trouxe a dor riqueza aflora
Tem uma família agora
Quem beija essa flor não chora

Bela poesia, inegavelmente um belo samba, e ao ver a Escola se perguntaria, por que de tanta crítica ao enredo. O espanto surge sobre dois aspectos que foram ressaltados nas duras críticas.

O primeiro é que Guiné Equatorial vive um regime de ditadura, e o segundo é que o presidente do país teria doado 10 milhões de reais para a Escola de Samba. Essa informação foi desmentida pelo Governo de Guiné Equatorial que soltou um comunicado.

“A iniciativa da homenagem não partiu do governo da Guiné Equatorial, nem da presidência. Trata-se de uma iniciativa que surgiu das empresas brasileiras que operam na Guiné Equatorial, conjuntamente com a escola Beija-Flor”.

O texto critica quem “se interessa em manter este estereótipo colonial da África, de pandemias e guerras, incapaz de resolver seus problemas, necessitada de ajuda para sua subsistência e corrupta”, e menciona em especial o jornal norte-americano The Wall Street Journal e a agência de notícias norte-americana Associated Press.

O financiamento das escola de samba por empresas e por vias lícitas e ilícitas é  uma prática pouco comentada e pouco discutida. O carnaval do Rio não sobreviveria só com a ajuda  do Estado. Há muita hipocrisia, pouca transparência sobre quanto se gasta e como se gasta no carnaval. Agora, tomar o Carnaval da Beija Flor sobre Guiné Equatorial como modelo de corrupção e exaltação à ditadura é hipocrisia.

One thought on “A hipocrisia das criticas ao carnaval vitorioso da Beija Flor

  1. Reblogged this on Mamapress and commented:
    Desde a escolha do tema enredo do carnaval da Beija Flor, Guiné Equatorial, começaram as críticas, que foram aumentando de intensidade na semana do carnaval e depois do desfile.

    Homenagear países não é novidade – Bolívia, Japão, Moçambique, Suíça, Cuba, Itália, Holanda, Portugal, França e poderemos desfilar diversos temas relativos ao continente africano.

    Mas ao desfilar com a temática de um país africano surgiram diversos arrazoados sobre a Guiné Equatorial, com posições de censura e confusões sobre a que Guiné estavam se referindo. Alguns comentaristas confundiam com Guiné Bissau e com Guiné. Para muitos, a Africa ainda é vista como um um único país. E os nomes e a localização ajudam na confusão para compreender do que está se falando.

    Ao assistir ao enredo sobre Guiné Equatorial, percebe-se que é um enredo da negritude, que se encaixa de forma genérica na imagem de uma Africa mítica, não uma Africa contemporânea, com seus avanços e problemas. Um discurso que caminha para exaltação da natureza, e, nas palavras dos diretores da Escola, a exaltação da cultura e da alma africana. Uma mistura de símbolos e valores de diversas regiões da Africa.

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s