A escassez de gasolina no maior produtor de petróleo da África

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Uma refinaria de petróleo, de 23 bilhões de dólares, foi planejada para ser construída pela China State Construction Engineering Corporation em três estados da Nigéria: Lagos, Kogi e Bayelsa, mas não saiu do papel, depois de 5 anos.
O projeto foi previsto para produzir 750 mil barris de derivados por dia. Atualmente, a produção diária  de derivados de petróleo é de 445.000 barris de derivados   para conter a onda de produtos refinados importados para o país. Concebido em 2010, o projeto foi previsto para  iniciar as operações em 2015.
O petróleo da Nigéria, extraído fundamentalmente do Delta do rio Níger, é um óleo leve de alta qualidade, com baixo teor de enxofre e baixo custo de refino. As reservas estão estimadas em 37,5 bilhões de barris. O país é o maior parceiro comercial dos EUA na região da África Subsaariana, e as exportações de petróleo da Nigéria representam 11% das importações dos EUA.
 Em mais de 50 anos, milhares de quilômetros de oleodutos foram espalhados pelos pântanos. Apesar da região contribuir com quase 80% da receita do governo, ela pouco se beneficia. A expectativa de vida na região é a mais baixa da Nigéria. Existe um alto grau de corrupção das autoridades governamentais e dos  chefes tradicionais da região do Delta.
Os preços da gasolina e do diesel são altamente subsidiados na Nigéria. Esse é um dos  benefícios que os nigerianos têm recebido ao longo de anos das grandes reservas de petróleo do país. Esses subsídios significam que as refinarias operam com pouco lucro, um fator importante que têm afetado os novos investimentos e a manutenção das instalações existentes no país.
Os subsídios também promoveram um próspero mercado negro de gasolina na Nigéria e de outros combustíveis em países vizinhos, como o Benin. O que se pergunta é por que a Nigéria ainda importa gasolina? Por que não se constroem mais refinarias de petróleo ?
Uma  das resposta é a difícil concorrência entre as  refinarias,  comerciantes  estrangeiros de petróleo e importadores de petróleo.
Os governos africanos querem mais refinarias de petróleo para reduzir suas importações de combustível e valorizar mais o petróleo bruto do próprio continente.  Mas os investidores dos quais os governos tanto necessitam, ganham mais mantendo a dependência dos países às importações de derivados de petróleo. Para muitos distribuidores, é mais barato importar o combustível das refinarias da Índia ou do Golfo dos EUA, e até mesmo da China, do que de fontes muitas vezes não confiáveis, de antigas plantas locais.  Operadores do mercado de combustível boicotam compras de plantas, culpando os custos e a qualidade, e aumentam suas importações de empresas como Gulf Energy e Total.  Segundo o Ecobank, na última década, apenas 7 de 90 projetos de refino da África foram concluídos.
A Nigéria tem um déficit no fornecimento de produtos derivados petrolíferos, dos quais a maioria é  importado. O consumo atual de gasolina é estimado em 35 milhões de litros por dia, enquanto que o de querosene é de 10 milhões de litros por dia. A fim de suprir o déficit na oferta, a Nigéria gasta atualmente entre US $ 12 e US $ 15 bilhões anuais. O desejo do governo é de conter as importações, investindo na capacidade de refino.
 Outro grande problema da Nigéria é o comércio ilegal de petróleo,  uma prática comum de  sustento de milhares de nigerianos. Os métodos são arcaicos e muitos perigosos, pois são roubados das tubulações  das empresas multinacionais que trabalham no país. Depois de recolhido, o material é vendido ainda bruto, ou é refinado “manualmente” e contrabandeado para os países vizinhos. Os danos à saúde e ao meio ambiente são devastadores na região do Delta.
O que mais impressiona é abrir os jornais nigerianos e observar que há falta de gasolina no mercado, provocado pela falta de pagamento dos subsídios aos importadores e pelo clima de transição para um governo eleito em que uma das suas principais bandeiras foi o combate à corrupção.
O continente aguarda a posse do presidente Muhammadu Buhari, que pode representar um novo momento para o continente. Muitos dos seus conselheiros têm insistido em muitas reformas no campo social com inspiração nos programas sociais do governo brasileiro. Enquanto não toma posse, os nigerianos enfrentam a escassez de petróleo.

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