O ISOLAMENTO DIPLOMÁTICO DO BURUNDI

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As eleições parlamentares e comunais estão ocorrendo no Burundi contra a opinião pública internacional. O Presidente do Burundi ignorou os apelos dos EUA, da ONU, da União Africana e da Bélgica para adiar o processo eleitoral.

Cerca de mais de 125.000 pessoas deixaram o território de Burundi, com medo dos confrontos, tiroteios e da ação dos grupos paramilitares. Desde 1993, uma guerra civil – entre as forças de segurança dominadas pela etnia Tutsi e aliados, e os grupos armados de oposição da etnia Hutu – assolou o Burundi. Em agosto de 2000, assinou-se o Acordo de Paz e Reconciliação de Arusha. O instrumento compõe-se de cinco Protocolos, cada um voltado para um tema específico, entre os quais boa governança, reconstrução econômica e segurança.

Em 2002, foi proposto um acordo de paz mediado por Nelson Mandela, que mencionava explicitamente a proteção às crianças. Porém, muitos grupos assinaram o acordo com restrições, e os três principais grupos armados (o Conselho Nacional de Defesa da Democracia (CNDD); as Forças de Defesa da Democracia (FDD) e a Frente Nacional de Libertação (FNL), que possui uma subdivisão chamada Juventude Patriótica Hutu, se recusaram a ratificá-lo.

A Constituição, aprovada em plebiscito em fevereiro de 2005, estabeleceu que no governo e na Assembleia deve haver 60% de hutus e 40% de tutsis, e no Senado uma divisão igual a 50%.

Em 2005, o Conselho Nacional pela Defesa da Democracia (CNDD), partido formado pelo principal grupo rebelde hutu do Burundi e que lutou durante uma década contra o Exército, venceu as eleições legislativas realizadas no país. Ele é liderado por Pierre Nkurunziza , que participou das eleições também em 2010.

Nas eleições ocorrida em 2010 diversos observadores da União Europeia (UE) e do Parlamento da Bélgica, de quem o Burundi foi colônia, trabalharam junto com os enviados da União Africana (UA) e da Comunidade da África Oriental para vigiar a votação.

As eleições foram boicotadas pelos principais partidos da oposição, por considerarem que o governista Conselho Nacional em Defesa da Democracia-Forças em Defesa da Democracia (CNDD-FDD) manipularam as eleições municipais de maio de 2010. Os analistas afirmaram que o boicote da oposição ajudou a formar um Governo de partido único do CNDD-FDD, após ganhar as presidenciais, as legislativas e as municipais, já que os representantes municipais elegem os membros do Senado.

As eleições de 2015, no Burundi, repetem o cenário ocorrido em 2010, com uma diferença importante:  os organismos intergovernamentais condenaram o processo eleitoral e se recusaram a enviar observadores.

O ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Didier Reynders, considerou domingo, em Bruxelas, ilegal o terceiro mandato que o Presidente burundês cessante, Pierre Nkurunziza, quer obter. Este pronunciamento do diplomata belga seguiu-se à fuga para Bélgica, do presidente da Assembleia Nacional do Burundi, Pie Ntavyohanyuma, que se encontra desde domingo último em Bruxelas.

A União Africana (UA) descartou sua participação como observadora nas eleições legislativas e comunais, alegando que não há condições para a realização de um processo “crível” – afirmou a presidente da Comissão da organização, Nkosazana Dlamini-Zuma.

“Constatando que as condições exigidas não estão reunidas para a realização de eleições livres, regulares, transparentes e críveis, no respeito das respectivas disposições da Carta africana da democracia, das eleições e da governança, a Comissão da UA não observará as eleições comunais e legislativas previstas para esta segunda-feira, 29 de junho de 2015, no Burundi“, declarou a presidente, no comunicado divulgado neste domingo à noite.

Com este quadro, provavelmente as eleições apresentarão um resultado semelhante o ocorrido nas eleições de 2005, só que, agora, a opinião internacional não legitimou o processo eleitoral, e mantém uma recomendação para que o presidente Pierre Nkurunziza respeite a Constituição e não concorra novamente às eleições.

Um país com 10 milhões de habitantes, com economia toda baseada na agricultura e dependente de ajuda externa, deverá passar por um período de crise e de descrédito internacional.

Fonte: https://minionu15anoscpar2007.wordpress.com/2014/05/06/dossie-burundi/

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