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A queda do preço do petróleo e o acordo nuclear do Irã preocupam a economia da Nigéria

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A economia da Nigéria vive momentos delicados com a queda do preço do petróleo, com o desvio e roubo de seus recursos, a produção de xisto pelos EUA, que teve como consequência a suspensão da importação de petróleo por esse país.

A Nigéria é o maior produtor de petróleo da Africa, o 13º na classificação geral, inferior á produção dos países do Oriente Médio, e até mesmo da Noruega. A queda nos preços do petróleo tornou difícil para o governo da Nigéria equilibrar o seu orçamento. O petróleo responde por cerca de 90% das exportações da Nigéria e cerca de 75% de sua receita orçamentária, segundo o relatório recente do Banco Mundial.

O Fundo Monetário Internacional prevê que as exportações de petróleo da Nigéria estejam avaliado em 52.bilhões de dólares este ano, abaixo dos 88.bilhões dólares de 2014. Nos últimos meses, a Nigéria tem informado que as cargas de petróleo bruto, que normalmente são vendidas um mês antes da entrega, está sem compradores.

A Nigéria perdeu negócios em seu principal mercado os EUA. A viagem do Presidente da Nigéria aos EUA, tem como ponto principal da pauta a luta contra o terrorismo, mas com certeza o comércio de petróleo também é alvo de negociação.

Para completar o conjunto de problemas que a Nigéria tem , o recente acordo para conter o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas terá um grande impacto, pois Irã voltará a vender petróleo no mercado global.

.O acordo coloca limites estritos sobre as atividades nucleares do Irã por pelo menos uma década. Em troca, as sanções que cortavam as exportações de petróleo do quinto maior produtor da Opep será levantada e bilhões de dólares em ativos congelados serão desbloqueados.

Com esse cenário o ano de 2016 pode ser pior do que o ano de 2015 para a economia nigeriana. O presidente Buhari vai precisar de ajuda externa para equilibrar o orçamento.

http://www.ngrguardiannews.com/…/crude-oil-business-challe…/

Washington - EUA, 29/06/2015. Presidenta Dilma Rousseff acompanhada do 
Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama visitam o memorial de Martin Luther King. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Obama e Dilma assinam acordos contemplando negros

Washington - EUA, 29/06/2015. Presidenta Dilma Rousseff acompanhada do  Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama visitam o memorial de Martin Luther King. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Washington – EUA, 29/06/2015. Presidenta Dilma Rousseff acompanhada do
Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama visitam o memorial de Martin Luther King. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A Presidenta Dilma Rousseff esteve em visita oficial aos Estados Unidos, entre os  dias 27 e  30 de junho, e assinou dois memorandos com o Presidente Obama, que mencionam explicitamente os negros brasileiros e americanos em áreas como direitos humanos e incentivo a micro e pequenas empresas.
O tema não foi explorado pela mídia brasileira nem tampouco mencionado nas páginas do Governo Federal.

Ao se examinar os memorandos que estão no site do Ministério da Relações Exteriores, encontramos o seguinte:

1- MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA RELATIVO AO ESTABELECIMENTO DE UM GRUPO DE TRABALHO SOBRE OS DIREITOS HUMANOS GLOBAIS

“3. As Partes darão atenção especial a temas como o combate à discriminação em todas suas formas, inclusive por razões de gênero, raça, idade, origem nacional, deficiência, orientação sexual e identidade de gênero, a promoção das liberdades fundamentais e a proteção da sociedade civil.”
2-MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA PARA PROMOVER O CRESCIMENTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

“REITERANDO os entendimentos mútuos nos termos do Plano de Ação Conjunta entre o Governo dos Estados Unidos da América e o o Governo da República Federativa do Brasil para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade no intuito de fomentar oportunidades econômicas para comunidades historicamente marginalizadas, tais como afro-americanos e afro-brasileiros, bem como indígenas brasileiros e americanos;”

Seção I – Princípios Gerais e Atividades

1. Os Participantes têm por objetivo fortalecer sua parceria e colaboração em atividades destinadas a promover a criação e crescimento de MPE mediante o apoio a: (i) Rede de Pequenas Empresas das Américas (SBNA); (ii) Plano de Ação Conjunta entre os Estados Unidos e o Brasil para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade; e (iv) outra cooperação relevante.

Com esses dois memorandos, a relação Brasil e Estados Unidos ganha dois instrumentos importantes para alavancar as relações e apoiar a população negra brasileira e americana.

O problema é como tornar conhecidos esses documentos e como fazê-los serem aplicáveis. A experiência desses Acordos tem sido muito pobre e limitada, diante do potencial que podem ter e não conseguem ser aplicados. Ficam na intenção. Não existe monitoramento nem tampouco mecanismos de acompanhamento.

A luta do movimento negro brasileiro faz história nas politicas das relações exteriores brasileiras. A existência dos dois memorandos não foi objeto de nenhuma discussão pela mídia brasileira. Um silêncio que não se explica.

A mais poderosa nação do mundo assina dois memorandos com o Brasil, em que dá atenção especial aos negros brasileiros e absolutamente não há nenhuma repercussão. Tem alguma coisa errada nesse processo.

Alguns irão dizer: mas são apenas dois memorandos! O que deveríamos discutir é como avançar a partir dessa iniciativa, que considero relevante para o destino dos negros brasileiros.
Fonte:http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10389:atos-assinados-por-ocasiao-da-visita-da-presidenta-dilma-rousseff-aos-estados-unidos-washington-30-de-junho-de-2015&catid=42&Itemid=280&lang=pt-BR

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40 anos da Independência de São Tomé e Príncipe

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São Tomé e Príncipe comemora hoje 40 anos de independência

A República de São Tomé e Príncipe assinala hoje, 12 de Julho, o 40º aniversário da proclamação, em 1975, da sua independência do regime colonial português, fruto de vários anos de luta armada.

Em 1960, um grupo de nacionalista passou a opor-se ao domínio colonial português, para reivindicar a independência do arquipélago e, por conseguinte, vários outros ganhos como trabalho dignificante e vida condigna para os santomenses.

Este grupo, em 1972, deu origem ao Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), até que, em 1975, após cerca de 500 anos de controlo de Portugal, o arquipélago é descolonizado e Pinto da Costa torna-se no primeiro presidente do país.

Após a independência, foi implantado um regime socialista de partido único sob a alçada do MLSTP. Dez anos após (1985), dá-se início a abertura económica do país. Em 1990, adopta-se uma nova Constituição, que institui o multipartidarismo.

No ano seguinte, as eleições legislativas apresentam o Partido de Convergência Democrática – Grupo de Reflexão (PCD-GR) como grande vencedor, ao conquistar a maioria das cadeiras no parlamento.

A eleição para presidente contou com a participação de Miguel Trovoada, ex-primeiro-ministro do país que estava exilado desde 1978. Trovoada foi eleito para o cargo.

Nas eleições parlamentares de 1998, o MLSTP incorpora no seu nome PSD (Partido Social Democrata) e conquista a maioria no Parlamento, o que tornou possível ao partido indicar o primeiro-ministro.

O país é um Estado insular localizado no Golfo da Guiné, composto por duas ilhas principais (São Tomé e Príncipe) e várias ilhotas, num total de 964 km², com cerca de 160 mil habitantes.

Não tem fronteiras terrestres, mas situa-se relativamente próximo das costas do Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria.

As ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram desabitadas até 1470, quando os navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar as descobriram. Foi, então, uma colónia de Portugal desde o século XV até à sua independência.

A cana-de-açúcar foi introduzida nas ilhas no século XV, mas a concorrência brasileira e as constantes rebeliões locais levaram a cultura agrícola ao declínio no século XVI. Assim sendo, a decadência açucareira tornou as ilhas entrepostos de escravos.

Numa das várias revoltas internas nas ilhas, um escravo chamado Amador, considerado herói nacional, controlou cerca de dois terços da ilha de São Tomé.

A agricultura só foi estimulada no arquipélago no século XIX, com o cultivo de cacau e café. Durante estes dois séculos do Ciclo do Cacau, criaram-se estruturas administrativas complexas. Elas compunham-se de vários serviços públicos, tendo à sua frente um chefe de serviço.

As decisões tomadas por este tinham de ser sancionadas pelo governador da Colónia, que para legislar auxiliava-se de um Conselho de Governo e de uma Assembleia Legislativa.

Durante muito tempo, o governador foi o comandante-chefe das forças armadas, até que com a luta armada nos outros territórios sob o seu domínio, se criou um Comando Independente. Fora da sua alçada encontrava-se a Direcção Geral de Segurança (DGS).

O governador deslocava-se periodicamente a Lisboa, para informar ao governo colonial e dele trazer instruções.

Na Ilha do Príncipe, em representação do Governo havia o administrador do Concelho com largas atribuições. A colónia achava-se dividida em dois concelhos, o de São Tomé e o do Príncipe, e em várias freguesias.

A Ilha de São Tomé, cuja capital é a cidade de São Tomé, tem uma população estimada em 133.600 habitantes (2004) numa área de 859 km².

A Ilha de Príncipe, cuja capital é Santo António, é a menor, com uma área de 142 km² e uma população estimada em 5.400 habitantes (2004). Desde 29 de Abril de 1995 que a ilha do Príncipe constitui uma região autónoma.

O ilhéu das Rolas fica a poucos metros a sul da ilha de São Tomé e apresenta a particularidade de ser atravessado pela linha do Equador.

São Tomé e Príncipe tem um clima do tipo equatorial, quente e húmido, com temperaturas médias anuais que variam entre os 22°C e os 30°C.

É um país com uma multiplicidade de microclimas, definidos, principalmente, em função da pluviosidade, da temperatura e da localização. A temperatura varia em função da altitude.

O país tem apostado no turismo para o seu desenvolvimento, mas a recente descoberta de jazidas de petróleo nas suas águas abriu novas perspectivas para o futuro.

A actividade pesqueira continua a ser uma das principais da economia do país. O país continua também a manter estreitas relações bilaterais com Portugal.

Do total da população de São Tomé e Príncipe, cerca de 131 mil vivem em São Tomé e seis mil no Príncipe. Todos eles descendentes de vários grupos étnicos que emigraram para as ilhas desde 1485.

Quase todos pertencem às igrejas Católica Romana, Evangélica, Nazarena, Congregação Cristã ou Adventista do Sétimo Dia, que, por sua vez, mantém laços estreitos com as igrejas em Portugal.

A grande maioria do povo santomense fala português (95 porcento).

Manuel Pinto da Costa é o atual Presidente da República. Antes deste mandato, foi o primeiro Presidente do país e governou de 12 de Julho de 1975 a 03 de Abril de 1991.

São Tomé e Príncipe é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2015/6/28/Sao-Tome-Principe-comemora-hoje-anos-independencia,f756a8ed-a7fa-45ef-a069-b15ef51cf476.html

“Falta Coesão Nacional” para São Tomé e Príncipe dignificar 12 de Julho de 1975

Uma palestra sobre o tema “Independência, Cultura e Desenvolvimento”, realizada terça – feira na Roça Agostinho Neto, deu arranque as celebrações do 40º aniversário da independência nacional. Fernanda Pontífice, reitora da Universidade Lusíada de São Tomé, foi a oradora.

Palestrante percorreu os caminhos que conduziram São Tomé e Príncipe a independência a 12 de Julho de 1975, revelou o estado em que se encontra o país independente, e dentre outras conclusões apontou a falta de coesão nacional, como um dos principais factores da estagnação e do atraso do país nos últimos 40 anos.

«Uma grande frustração pelo facto de muitos sonhos não concretizados, esperanças frustradas. Há um sentimento de frustração quando nós nos confrontamos com o estado de miséria e pobreza, não só a pobreza monetária, mas sim a pobreza espiritual que grassa por uma boa parte da nossa população», declarou Fernanda Pontífice, que também participou nos movimentos juvenis que em 1974, contribuíram para a independência nacional.

Durante a palestra, as autoridades políticas e governamentais, assim como o público presente em Agostinho Neto, percebeu que a falta de coesão nacional, como factor perturbador da caminhada do país para o progresso, é um problema muito antigo. É anterior a independência nacional.

O livro do doutor Guadalupe Ceita, recentemente publicado, deu subsídios ao debate. Mesmo no seio dos nacionalistas que na diáspora organizavam a luta política ara a independência nacional, havia falta de coesão. «Houve problemas na luta pela independência Houve falhas que até hoje estamos pagar, devido a falta de coesão nacional. Houve toda aquela luta para a independência nacional, mas de acordo ao livro de Guadalupe Ceita mesmo lá na diáspora faltou alguma coesão e o que constatamos hoje é que sem essa coesão não conseguiremos hoje conquistar a independência total. Temos a independência política mas falta a independência económica e por falta de coesão não conseguimos fazer com que o país descola-se para atingir o desenvolvimento», desabafou a vice – presidente da Assembleia Nacional, Maria das Neves, uma das autoridades presentes no evento.

O mais alto representante da ilha do Príncipe, também usou da palavra para suplicar pela unidade e coesão nacional. «A União Nacional, a Coesão Nacional entre todos. Porquê que eu tenho que excluir alguém porque ele é do outro partido? Porquê que eu excluo um colega porque eu quero subir na vida a todo o custo? São valores que fomos perdendo. Julgo que estamos num momento que deve servir para uma reflexão profunda entre todos nós», afirmou José Cassandra, Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe.

O Presidente da Assembleia Nacional, José Diogo, também usou da palavra para enaltecer o bom trabalho da palestrante.

O primeiro evento de celebração dos 40 anos da independência nacional, diagnosticou os problemas que entravam São Tomé e Príncipe. Um barco que ao que tudo indica jamais sairá das águas turbulentas que provocam a estagnação e o atraso, enquanto os marinheiros insistirem na divisão.

Abel Veiga

http://www.telanon.info/politica/2015/07/02/19565/falta-coesao-nacional-para-stp-dignificar-12-de-julho-de-1975/

Independência de São Tomé e Príncipe  : Ato Central começa esta manhã na Praça da Independência

A meia-noite foi ateada a chama da Pátria, que percorreu cerca de 10 quilómetros do distrito de Mé-Zochi até a Praça da Independência. O Presidente da República Manuel Pinto da Costa, lançou a tocha de fogo no marco da independência nacional.

Membros do Governo, marcaram presença assim como as entidades estrangeiras convidadas para a festa maior do país, com destaque para o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, o ministro da administração territorial de Angola, Bomito de Sousa, o ministro do ordenamento do Território da Argélia, Amar Ghoul.

O acto central desta manhã conta pela primeira vez, com a presença de minist2ares do Gabão e da Guiné Equatorial que vão desfilar junto com as forças armadas de São Tomé e Príncipe.

Forças vivas da nação, nomeadamente agricultores, pescadores artesanais e outras, também tomarão parte no desfile.

O discurso do Presidente da República Manuel Pinto da Costa, será o ponto alto da cerimónia. Um momento histórico para o país. O mesmo homem que a 12 de julho de 1975, proferiu o discurso da independência, volta 40 anos depois a ser o principal orador na mesma praça.

Abel Veiga

http://www.telanon.info/politica/2015/07/12/19638/independencia-acto-central-comeca-esta-manha-na-praca-da-independencia/

EUA realçam valores da democracia em STP

Numa declaração tornada pública em alusão a independência de São Tomé e Príncipe, o Secretário de Estado dos Estado Unidos de América,  John Kerry, enaltece o compromisso de São Tomé e Príncipe para com os valores democráticos e liberdades fundamentais.

Os Estados Unidos de América, consideram São Tomé e Príncipe como defensor de questões relacionadas com o meio ambiente e a segurança. O Secretário de Estado em nome do Presidente Barack Obama, diz que a administração norte americana tem a sorte de ter um parceiro tão valioso no Golfo da Guiné,… São Tomé e Príncipe.

O Golfo da Guiné, região em que São Tomé e Príncipe se localiza no seu coração, é considerado pela administração norte americana como importante para a segurança dos oceanos assim como para o desenvolvimento energético.

Na mensagem subscrita por John Kerry, os Estados Unidos de América desejam ao povo de São Tomé e Príncipe prosperidade e progresso por ocasião da celebração do trigésimo nono aniversário da independência nacional. Os Estados Unidos manifestam também o desejo de fortalecer a a parceria com São Tomé e Príncipe nos próximos anos.

O leitor deve clicar no link seguinte, para ler na íntegra a mensagem do Governo dos Estados Unidos de América ao povo e ao Estado são-tomense.

40 anos/São Tomé e Príncipe: Pinto da Costa preside a festa em nome do consenso nacional

São Tomé, 12 jul (Lusa) – O chefe de Estado são-tomense, Manuel Pinto da Costa, preside hoje às celebrações oficiais dos 40 anos da independência de São Tomé e Príncipe, que terá como palco a Praça da Independência, no centro da capital.

O programa das celebrações inclui também o discurso de Ekineyde Santos, presidente da Câmara de Água Grande, a maior autarquia do país, e os desfiles das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe (FASTP), mas também de contingentes militares da Guiné Equatorial e do Gabão.

No seu discurso, Pinto da Costa deverá abordar aquela que tem sido uma das suas prioridades políticas: o consenso político e coesão social. Este foi, aliás, o lema escolhido para assinalar a mais importante data do país, que teve há nove meses eleições legislativas e autárquicas que deram a vitória, por maioria esmagadora, à Ação Democrática Independente (ADI), do primeiro-ministro Patrice Trovoada, adversário político de Pinto da Costa.

http://visao.sapo.pt/40-anossao-tome-e-principe-pinto-da-co…

Banco Mundial pede mais diversificação económica a São Tomé e Príncipe

O Banco Mundial considera que São Tomé e Príncipe deve capitalizar as riquezas naturais para potenciar o desenvolvimento e diversificação da economia e apela à diminuição das divergências políticas que impediram qualquer governo desde 1990 de chegar ao fim.

O crescimento da economia, que deve rondar os 4% neste e no próximo ano, beneficia de uma notável redução no nível de inflação

(DR)

«São Tomé e Príncipe tem consideráveis oportunidades para diversificar a sua economia através do turismo, pescas e hidroenergia, bem como da produção de petróleo», escrevem os peritos do Banco Mundial na última análise ao país.

No relatório, afirmam que os desafios do arquipélago «resultam principalmente da sua localização isolada, o seu limitado mercado interno, uma economia pouco diversificada, degradação ambiental e mudança climática, frequentes alterações no governo, bem como a gestão de receitas de um incipiente — e ainda incerto — setor petrolífero».

O crescimento da economia, que deve rondar os 4% neste e no próximo ano, beneficia de uma notável redução no nível de inflação, que foi descendo de 26%, em 2008, para 6% este ano, e também dos indicadores positivos na área do desenvolvimento humano.

O arquipélado, apesar de estar em 144º dos 286 países analisados pelo Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD, está «acima da média dos países da África Subsariana e com indicadores em consistente melhoria», nomeadamente na educação e na saúde, tendo reduzido a taxa de incidência do VIH(SIDA para 1,5% e garantido uma taxa de 97% na conclusão do ensino primário.

Ainda assim, São Tomé e Príncipe é um Estado Frágil, uma classificação que resulta da «vulnerabilidade económica e a insularidade do país, e a sua vulnerabilidade a choques imprevisíveis, como a escassez alimentar e as mudanças climáticas», escrevem os analistas do Banco Mundial, que notam também uma excessiva tensão política.

«STP tem vivido relativamente isento de conflitos e violência política, desde que realizou as suas primeiras eleições multipartidárias em 1991; no entanto, as lutas políticas internas têm causado repetidas alterações nos governos e dois golpes de estado falhados, em 1995 e 2003», dizem, sugerindo que «a principal fonte de tensões políticas será provavelmente a desconfortável coabitação entre o governo de Patrice Trovoada e a presidência de Manuel Pinto da Costa, um independente, mas que foi anteriormente líder do MLSTP PSD (que agora se encontra na oposição)».

Estas tensões, consideram, não vão impedir o país de funcionar, mas é provável que a implementação de programas económicas seja atrasada, havendo também riscos significativos para a estabilidade social que resultam da «grande dependência de importações de bens essenciais», a que se juntam os «constantes cortes de energia, fraca prestação de serviços sociais básicos e recorrentes alegações de irregularidades no sector público».

http://www.africa21online.com/artigo.php?a=15074&e=Economia

São Tomé e Príncipe: Nasce uma indústria musical, mas a música ainda não paga contas

“A música não faz parte do currículo escolar e não desenvolveu muito depois de 1975,” diz o artista Guilherme

No arquipélago, está a nascer uma indústria musical depois de anos de estagnação, mas os artistas ainda não podem viver da sua produção. A afirmação é de Guilherme de Carvalho, cantor e pintor.

“A música não faz parte do currículo escolar e não desenvolveu muito depois de 1975”, diz o cantor, que lamenta o facto de nalgum momento a arte ter sido considerada pelos políticos como “algo para vadios”.

Esse tratamento marginal influenciou a queda da criatividade, mas com as mudanças que o país viveu, a partir do ano 2000, a música começou a reconquistar o espaço na sociedade.

Foi nessa fase que o país teve o primeiro estúdio móvel usando computadores e facilitando a gravação de muitos jovens.

O cantor, que é igualmente presidente da Associação de Músicos e Compositores de São Tomé e Príncipe, diz em entrevista à VOA, que mesmo com os bons ventos, “ainda é escusando dizer que vive-se de música” no país.

http://www.voaportugues.com/content/sao-tome-e-principe-nasce-uma-industria-musical-mas-a-musica-ainda-nao-paga-contas/2856831.html

Naide Gomes quer abrir escola de atletismo em São Tomé e Príncipe

A ex-atleta portuguesa Naide Gomes, nascida em São Tomé e Príncipe, disse à Lusa que pretende abrir uma escola de atletismo no país de origem para ensinar aos jovens tudo o que aprendeu.

“Faz parte dos meus sonhos, quem sabe, um dia poder também abrir uma “escolinha” de atletismo “Naide Gomes” em São Tomé e Príncipe e poder ensinar aos miúdos aquilo que aprendi ao longo da minha carreira, que não foi pouco”, disse numa entrevista à Lusa.

A ex-atleta de 35 anos despediu-se no passado dia 26 de Março da carreira no atletismo, em que se destacou na disciplina de salto em comprimento.

http://www.sabado.pt/desporto/detalhe/naide_gomes_quer_abrir_escola_de_atletismo_em_sao_tome_e_principe.html

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40 anos de independência

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Lilica Boal, a eterna diretora da Escola-Piloto do PAIGC

Escolhida por Amílcar Cabral para dirigir, em Conacri, a escola que preparava os filhos dos combatentes para a independência, Maria da Luz “Lilica” Boal agradece hoje “a sorte” de ter participado na luta de libertação.

Maria da Luz “Lilica” Boal 1cnasceu em 1934 no Tarrafal de Santiago, dois anos antes de o Governo português criar a Colónia Penal naquele concelho cabo-verdiano para encarcerar os presos políticos que se opunham ao regime.

Foi durante os tempos de aluna universitária na capital portuguesa, Lisboa, onde frequentava a Casa dos Estudantes do Império, que passou a identificar-se cada vez mais com os ideais da libertação.

Em 1961, ano em que começou o conflito armado em Angola, um grupo de estudantes africanos das então colônias portuguesas fugiu de Portugal, rumo à luta pela independência. Entre eles estava Lilica Boal, então com 26 anos e mãe de uma bebé de 17 meses.

Depois de passar pelo Gana e pelo Senegal, onde tratava os feridos de guerra que aí chegavam por Ziguinchor, na fronteira, Lilica Boal assumiu a direção da Escola-Piloto do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), inaugurada em 1965, em Conacri, para acolher os filhos combatentes e os órfãos de guerra. A professora era também responsável pela elaboração dos manuais escolares.

DW África: Em junho de 1961, ano do início do conflito armado em Angola, integrou um grupo de estudantes africanos que fugiu de Portugal para continuar a luta pela independência noutros destinos. Recorda-se dessa travessia?

Lilica Boal (LB): Recordo-me muito bem. Nessa altura estava a preparar a minha tese para a licenciatura em História e Filosofia. Frequentava muito a Casa dos Estudantes do Império e, a partir daí, organizou-se essa saída de um grupo de estudantes dos diferentes países, mas mais de Angola, que se queriam juntar aos movimentos de libertação.

Saímos de Lisboa para o Porto e, no dia seguinte, muito cedo, partimos em direção à fronteira espanhola. Mas, em Espanha, a polícia já estava à nossa espera. Fomos chamados para a polícia e cada um ia fazendo a sua declaração. Entretanto, terá havido uma intervenção da Igreja Protestante, porque depois ficámos instalados numa igreja do Conselho Ecuménico das Igrejas. Portugal já tinha pedido a Espanha para nos mandar de volta. [Mas] fomos libertados em Espanha e seguimos para Paris.

Entretanto, houve comunicação com outros países de África, com o Gana. E aí [o Presidente] Kwame Nkrumah prontificou-se a mandar um avião para nos ir buscar à Alemanha. Chegados ao Gana fomos alojados num liceu. Era um grupo de cerca de 50 jovens estudantes. Tivemos oportunidade de contactar vários dirigentes dos outros países [como os angolanos Viriato Cruz e Lúcio Lara]. Foi aí que eu me encontrei, pela primeira vez, com Amílcar Cabral que, por acaso, conhecia muito bem a minha família do Tarrafal.

DW África: Como foi esse primeiro encontro com Amílcar Cabral?

LB: Foi muito bom. Ele era uma pessoa de uma simplicidade extraordinária, um grande pedagogo. Falando com ele uma pessoa sentia-se muito mais livre e convicta daquilo que poderíamos fazer. Ele perguntava a cada um o que é que queria fazer a partir daí. Eu estava casada com um estudante angolano de medicina, o Manuel Boal, que foi no grupo de angolanos que foram para a frente no Congo-Kinshasa, para a criação de uma frente de saúde para apoiar os feridos de guerra de Angola.

Eu tinha um bebé de 17 meses. Naquele contexto, não quisemos trazer a bebé. Não sabíamos para onde íamos, o que é que ia acontecer. Foi realmente o momento mais duro, ter que separar-me da bebé. Então mandei a minha filha para a minha mãe, que vivia no Tarrafal, e nós fomos.

Do Gana fomos para Conacri, onde estava a base do PAIGC. E de lá eu preferi ir para o Senegal para poder ter contacto com a família. Fiquei integrada no PAIGC, a trabalhar no “bureau” do partido.

Lilica Boal fala com saudades dos tempos em que era diretora da Escola-Piloto em Conacri

DW África: E no Senegal trabalhava na mobilização de cabo-verdianos para o PAIGC?

LB: Sim. Muitas vezes, o Pedro Pires e eu saíamos naqueles autocarros para contactar a comunidade cabo-verdiana. Não falávamos com muitas pessoas, mas, mesmo assim, discutíamos a situação do país naquele momento e aquela onda de independências que estávamos a viver – no Senegal, na Guiné-Conacri, no Gana, na Costa do Marfim. Discutíamos a possibilidade de também nós conseguirmos lutar para conseguir a independência de Cabo Verde.

Mas, no “bureau”, eu também trabalhava na administração de finanças e contactava com os feridos de guerra que vinham do norte da Guiné-Bissau, através de Ziguinchor. Tínhamos um lar dos combatentes, onde eles ficavam alojados. E, estando aí, em contacto com a minha filha – porque mais tarde a minha mãe conseguiu ir até ao Senegal levar-ma, mas nessa altura ela já tinha cinco anos – eu fazia esse trabalho de educação no Senegal e em Conacri.

A Escola-Piloto foi criada depois do Congresso de Cassacá [em 1964]. No entanto, como eu estava preocupada com o problema da minha filha, só em 1969 assumi a direção da Escola-Piloto em Conacri.

DW África: Que era uma escola fundada por Amílcar Cabral a pensar na formação de quadros que viriam a conduzir os destinos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde quando estes fossem independentes.

Lilica Boal recorda Amílcar Cabral como um grande pedagogo

Lilica Boal recorda Amílcar Cabral como “um grande pedagogo”

LB: Uma das grandes decisões desse congresso foi realmente a criação de uma escola que pudesse receber os órfãos de guerra e os filhos dos combatentes com o objetivo de dar uma formação já virada para a criação do tal “homem novo” de que falava Amílcar Cabral.

DW África: E o que era mais importante ensinar aos alunos?

LB: Ensinávamos Português e depois introduzimos também o Francês e o Inglês. Íamos até à sexta classe, mas os alunos mais avançados tiveram realmente muitas facilidades quando foram estudar para o estrangeiro. Porque nós conseguimos bolsas para a formação deles a partir da sexta classe. Mandámos alunos para Cuba, para a então União Soviética, para a Alemanha Democrática, para a Checoslováquia. E dávamos também História, a nossa História. Os manuais que nós elaborávamos eram virados para a Geografia e a História da Guiné e Cabo Verde.

DW África: Em apenas dez anos, o PAIGC formou mais quadros do que o regime colonial em 500 anos. A “arma da teoria” era tão ou mais importante que a luta armada?

LB: Sim, a preocupação de Cabral era essa. Ele dizia-me mesmo: “Se eu pudesse, fazia uma luta só com livros, sem armas.” Era a melhor maneira de preparar os quadros para o futuro. E, dentro da escola, havia realmente uma relação estreita entre professores e alunos, de respeito mútuo. Isso continuou até hoje. Quando encontro um antigo aluno da Escola-Piloto é sempre um momento gratificante.

DW África: As zonas libertadas foram visitadas por vários grupos, por exemplo de jovens. Como foram as reações a esta sociedade sui generis, a este modelo único que encontraram na Guiné?

LB: Ficavam encantadas. Nas zonas libertadas, a comunidade era unida e recebia bem os visitantes. As pessoas eram de uma gentileza fora de série. Quando eu me levantava de manhã já havia um balde de água ao sol para aquecer para eu não tomar banho com água fria. Foram coisas que me marcaram.

Lilica Boal durante a visita de uma delegação soviética à Escola-Piloto do PAIGC em Conacri, em 1965

DW África: Há algum episódio durante a luta de libertação nacional que a tenha marcado em especial?

LB: Há um que conto sempre porque me marcou. Naquela saída de Paris para a Alemanha íamos em autocarros. E nós saímos de Portugal apenas com um saquinho de cinco quilos. Na altura, como era uma saída clandestina, não tínhamos a hora exata da saída de autocarro. Então, eu saí para ver umas montras. Quando voltei, os camaradas já estavam no autocarro. E eu procuro o meu saco. “Onde é que está o meu saco?” Disseram-me: “O Pedro [Pires] é que levou”. Porque o camarada Pires, pensando que uma senhora precisa mais de um saco do que um homem, deixou o saco dele e levou o meu. Para mim, isso é a prova do altruísmo do Pires que me marcou.

DW África: E como foi o dia em que soube da Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974? Como é que recebeu essa notícia?

LB: Foi uma coisa que parecia pólvora. Quando soubemos dessa revolução, eu entrava numa sala de aula e dizia: “revolução em Portugal!” Era como se tivéssemos acendido um fósforo. Toda a sala se levantava! Passei de turma em turma a informar dessa revolução. Eu sinceramente não estava à espera daquilo naquele momento e certamente os alunos também não.

Isso foi uma das coisas que me marcou. Outra foi quando, após esse período, os militares começaram a deitar abaixo aviões portugueses. Cada vez que tínhamos informação de aviões que tinham ido abaixo, eu ia também às salas de aula e os alunos pintavam logo um avião e uma maca com feridos de guerra a serem transportados.

Outro momento que me marcou foi quando a Titina Silá [guerrilheira do PAIGC], que vinha de Ziguinchor para vir assistir às cerimónias fúnebres de Amílcar Cabral, morreu ao atravessar o rio. Quando me contaram que a Titina tinha morrido eu não queria acreditar.

DW África: E quase 40 anos depois da proclamação da independência de Cabo Verde a luta valeu a pena?

LB: Se valeu! Porque eu que conheci um Cabo Verde em que eu, para fazer o liceu, tive de ir a São Vicente, porque não havia um único liceu em Santiago. Agora eu vou ao Tarrafal e vejo o liceu com todas as condições que tem agora, vejo os jovens frequentando o liceu, com uniforme, com uma cantina.

Tive muita sorte. Primeiro, pela oportunidade de ter participado nessa caminhada. E, segundo, por ter chegado ao fim com vida para ver o que estou a ver agora. Valeu a pena.

http://www.dw.com/…/lilica-boal-a-eterna-diretor…/a-17678843

Cronologia 1415-1961: Da conquista de Ceuta ao início da luta armada contra a colonização

Da conquista de Ceuta ao início da luta armada 1961-1969: Início da Guerra Colonial e viragem no destino das colónias1970-1974: Da intensificação da luta armada à Revolução dos Cravos1974-2002: Das independências ao fim das guerras civis

A História da colonização portuguesa em África começou a escrever-se há quase 600 anos com a conquista de Ceuta. Acompanhe-nos nesta “viagem cronológica” por um longo período que deixou marcas profundas no continente.

http://www.dw.com/pt/cronologia-1415-1961-da-conquista-de-ceuta-ao-in%C3%ADcio-da-luta-armada-contra-a-coloniza%C3%A7%C3%A3o/a-17262821

Cronologia 1961-1969: Início da Guerra Colonial e viragem no destino das colónias

O apego de Portugal pelas suas colónias durou séculos, mas a partir de 1961 eclode a Guerra do Ultramar. Os movimentos a favor da independência dos territórios ultramarinos acabariam por ganhar força.

Fevereiro de 1961

Início da Guerra Colonial

A 4 de fevereiro, o Movimento Popular e Libertação de Angola (MPLA), que era apoiado pela União Soviética e por Cuba, atacou a prisão de São Paulo, em Luanda, e uma esquadra da polícia. Foram mortos sete polícias. E no norte do território, a UPA (União das Populações de Angola), que se dedica sobretudo à guerrilha rural, desencadeou vários ataques contra a população branca. Angola foi a primeira colónia onde se iniciou a luta armada organizada contra o domínio português.

http://www.dw.com/pt/cronologia-1961-1969-in%C3%ADcio-da-guerra-colonial-e-viragem-no-destino-das-col%C3%B3nias/a-17280932

Cronologia 1970-1974: Da intensificação da luta armada à Revolução dos Cravos

Da conquista de Ceuta ao início da luta armada 1961-1969: Início da Guerra Colonial e viragem no destino das colónias1970-1974: Da intensificação da luta armada à Revolução dos Cravos1974-2002: Das independências ao fim das guerras civisEspecial: 40 anos 25 de Abril e de independência

A partir de 1970, a luta armada dos independentistas intensifica-se. O regime do Estado Novo, a mais antiga ditadura europeia, acabaria por ser deposto a 25 de abril de 1974, abrindo caminho para a descolonização.

http://www.dw.com/pt/cronologia-1970-1974-da-intensifica%C3%A7%C3%A3o-da-luta-armada-%C3%A0-revolu%C3%A7%C3%A3o-dos-cravos/a-17280935

Cronologia 1974-2002: Das independências ao fim da guerra em Moçambique e Angola

Da conquista de Ceuta ao início da luta armada 1961-1969: Início da Guerra Colonial e viragem no destino das colónias1970-1974: Da intensificação da luta armada à Revolução dos Cravos1974-2002: Das independências ao fim das guerras civisEspecial: 40 anos 25 de Abril e de independência

Depois da Revolução dos Cravos, sucedem-se as independências das colónias portuguesas. Logo em 1975, os movimentos angolanos iniciam um conflito armado pelo controlo do país. A guerra civil dura até o ano de 2002.

http://www.dw.com/pt/cronologia-1974-2002-das-independ%C3%AAncias-ao-fim-da-guerra-em-mo%C3%A7ambique-e-angola/a-17280940

Cabo Verde

“Fui um negociador astuto”, considera Pedro Pires

Em 1974, Pedro Pires liderou a delegação que negociou com Portugal o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau e depois de Cabo Verde. O PAIGC era o movimento de libertação “legítimo”, sublinha o antigo Presidente.

http://www.dw.com/pt/fui-um-negociador-astuto-considera-pedro-pires/a-17736994

“A independência é um património de todos”, lembra Carlos Reis

O ex-combatente Carlos Reis ensinou na Escola-Piloto do PAIGC. E estava em Conacri aquando da invasão portuguesa, em 1970, e da morte de Cabral, dois momentos marcantes na vida do antigo ministro da Educação.

Carlos Reis juntou-se à luta de libertação nacional quando era ainda estudante. O antigo combatente e histórico do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAICG) foi o primeiro quadro do partido a trocar Conacri por São Vicente, onde chegou no início de maio de 1974.

http://www.dw.com/pt/a-independ%C3%AAncia-%C3%A9-um-patrim%C3%B3nio-de-todos-lembra-carlos-reis/a-17759483

Pedro Martins, o prisioneiro mais jovem do Tarrafal

Tinha 16 anos quando ingressou nas fileiras clandestinas do PAIGC. Três anos depois, era o mais jovem preso político no campo do Tarrafal, onde foi torturado. É libertado a 1 de maio de 1974, sob aclamação da população.

http://www.dw.com/pt/pedro-martins-o-prisioneiro-mais-jovem-do-tarrafal/a-17758515

“Estávamos todos cansados da guerra”, lembra Corsino Tolentino

Ex-combatente do PAIGC e responsável pela mobilização de emigrantes cabo-verdianos na Bélgica, na Holanda e na França, Corsino Tolentino dirigiu a primeira missão do Governo de Cabo Verde independente a Portugal.

http://www.dw.com/pt/est%C3%A1vamos-todos-cansados-da-guerra-lembra-corsino-tolentino/a-17759520

Guiné Bissau

Rádio Libertação: “Fala o PAIGC”

Criada em 1967, a Rádio Libertação foi crucial para difundir os ideais do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Amélia Araújo, locutora das emissões em português, era a voz mais conhecida.

http://www.dw.com/pt/r%C3%A1dio-liberta%C3%A7%C3%A3o-fala-o-paigc/a-17886415

Moçambique

“A liberdade faz-se com o coração”, diz Óscar Monteiro

Monteiro estudou Direito em Portugal e agiu pela FRELIMO na clandestinidade. Representou o movimento na Argélia, participou nas negociações dos Acordos de Lusaka e integrou o Governo de transição em Moçambique.

http://www.dw.com/pt/a-liberdade-faz-se-com-o-cora%C3%A7%C3%A3o-diz-%C3%B3scar-monteiro/a-17549928

Não foi só o homem que libertou Moçambique”, diz Geraldina Mwitu

Geraldina Mwitu combateu ao lado de homens durante a luta armada no seu país. Recebeu, tal como eles, treino político e militar e viveu nas bases da FRELIMO, a Frente de Libertação de Moçambique.

Era ainda muito jovem quando começou a dar aulas nas bases da FRELIMO. Depois de deixar a sua terra-natal, Mueda, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, Geraldina Mwitu ensinou português a crianças órfãs e crianças cujos pais estavam na frente de combate.

“Eu não tenho a minha versão da morte de Mondlane, mas a versão”, diz Sérgio Vieira

Responsável por elaborar um relatório sobre as circunstâncias da morte de Eduardo Mondlane, Sérgio Vieira diz ter a versão do assassinato, em 1969, do então presidente da Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO.

http://www.dw.com/pt/eu-n%C3%A3o-tenho-a-minha-vers%C3%A3o-da-morte-de-mondlane-mas-a-vers%C3%A3o-diz-s%C3%A9rgio-vieira/a-17550713

Vicente Berenguer Llopis, “o padre branco de coração negro”

Mudou-se para Moçambique em 1967. Ia pregar o Evangelho, mas a sua missão acabou por ir mais longe: o missionário espanhol apostou na educação como forma de combater a pobreza e denunciou o Massacre de Wiriyamu.

http://www.dw.com/pt/vicente-berenguer-llopis-o-padre-branco-de-cora%C3%A7%C3%A3o-negro/a-17551410

São Tomé e Príncipe

Massacre de Batepá despertou Leonel Mário d’Alva para a luta independentista

Primeiro-ministro do Governo de transição investido em 1974, Leonel Mário d’Alva foi um dos fundadores do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe. O massacre de 1953 impulsionou a criação da organização política.

http://www.dw.com/pt/massacre-de-batep%C3%A1-despertou-leonel-m%C3%A1rio-dalva-para-a-luta-independentista/a-17940249

Guadalupe de Ceita lamenta não ter podido transformar São Tomé

Guadalupe de Ceita, um dos sobreviventes da luta pela independência nacional, abraçou a causa ainda jovem. O médico formado em Portugal tinha o sonho de transformar São Tomé e Príncipe num país onde desse gosto viver.

http://www.dw.com/pt/guadalupe-de-ceita-lamenta-n%C3%A3o-ter-podido-transformar-s%C3%A3o-tom%C3%A9/a-18008000

São Tomé e Príncipe: O nascimento de uma nação

A 12 de Julho de 1975, o primeiro presidente da Assembleia Nacional Nuno Xavier proclamou a criação do Estado de São Tomé e Príncipe, que no próximo domingo completa 40 anos.

Na série especial sobre os 40 anos das Independências da VOA, abordamos neste primeiro capítulo as origens pela luta pela autodeterminação da antiga colónia portuguesa, “que começou fora do país porque devido à exiguidade territorial São Tomé e Príncipe não podia acolher uma guerrilha”, como lembra Miguel Trovoada, um dos fundadores do Movimento de Libertação  de São Tomé e Príncipe(MPLSTP) e criador da bandeira do país.

http://www.voaportugues.com/content/sao-tome-e-principe-o-nascimento-de-uma-nacao/2850877.html

Sonho de José Fret Lau Chong era ver São Tomé livre da exploração

Foi a violação dos direitos humanos perpetrada pelos colonos portugueses nas ilhas são-tomenses durante a exploração das roças de cacau e de café que levou José Fret Lau Chong a abraçar a luta pela independência.

http://www.dw.com/pt/sonho-de-jos%C3%A9-fret-lau-chong-era-ver-s%C3%A3o-tom%C3%A9-livre-da-explora%C3%A7%C3%A3o/a-17940074

“Há novos colonos em São Tomé” diz Filinto Costa Alegre

Filinto Costa Alegre, um dos fundadores da Associação Cívica Pró-MLSTP, define-se como “um combatente da liberdade”. Foi este o espírito que o motivou a querer servir o país e a libertá-lo do jugo colonial português.

http://www.dw.com/pt/h%C3%A1-novos-colonos-em-s%C3%A3o-tom%C3%A9-diz-filinto-costa-alegre/a-17948870

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A reaproximação entre Angola e França

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Essa semana o presidente da França realizou uma visita importante a Angola, dinamizando as relações político diplomáticas entre os dois países, depois de um longo período de tensão e desentendimentos.

As relações político-diplomáticas e de cooperação entre Angola e França tiveram início em 17 de fevereiro de 1976, ano em que Paris reconheceu a independência de Angola, culminando com a assinatura, em 26 de julho de 1982, do Acordo Geral de Cooperação, que marcou o início das relações formais de cooperação entre os dois países.

A França é o país europeu que tem uma política, cultural, econômica e histórica na África. O Reino Unido e outros países europeus que colonizaram os povos de África, depois das respectivas independências, tiveram um corte com as novas administrações, mas a França criou um mecanismo de assessoria administrativa e econômica que permitiu a continuidade da sua presença nas 14 ex-colônias. O desenvolvimento político e social da África criou altos e baixos para o domínio francês no continente. Até o início da década de 90, a maior parte das políticas do bloco ocidental na África eram coordenadas pela França.

Mas o fim da Guerra Fria trouxe para os Estados africanos a economia de mercado e o multipartidarismo. A inserção no sistema internacional mais plural deu aos Estados africanos uma maior diversidade de parcerias, sobretudo com a entrada dos EUA no mercado africano, no que respeita à exploração de recursos. Com isso, a presença francesa foi afetada, de tal modo que até 1990 havia cerca de nove mil cooperantes franceses em África e o número baixou para cinco mil em 1995. Houve uma grande retração da política externa francesa, inclusive ao nível da defesa e segurança. Paris chegou mesmo a retirar-se da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o regresso foi feito apenas com o Presidente Sarkozy.

A presença francesa na África é tradicional e existe uma grande ligação cultural. Largas centenas de africanos expressam-se em francês, e não só nos países africanos de expressão francesa. Existe um número considerável de quadros e profissionais africanos que receberam a sua formação nas escolas francesas.  Mas, apesar desta tradição francesa na África, a verdade é que a China ganhou terreno, fruto de um maior pragmatismo no seu relacionamento com os Estados africanos.

Em Angola, a França está presente, sobretudo no setor petrolífero. A Total é um dos parceiros principais da Sonangol, a empresa estatal petrolífera. Entrou no mercado angolano antes da independência, mas as tensões da política externa francesa provocaram desequilíbrios no relacionamento. Tendo em atenção as potencialidades da França nos setores da agroindústria, prestação de serviços e ensino, Angola almeja outros patamares na cooperação para além do setor petrolífero. O presidente José Eduardo dos Santos apontou como prioridades: a reabertura do Instituto para o Desenvolvimento francês, o setor da agroindústria e a formação de quadros angolanos.

O novo ambiente político entre os dois países vai ser aproveitado pelos empresários para intensificar as parcerias. O exemplo da Total é significativo, porque conseguiu atravessar toda a história de Angola, apesar das tensões políticas. No caso da França, as vantagens da cooperação com Angola são complementares, comparativas e também competitivas.

Angola deve intensificar a diplomacia econômica e divulgar as potencialidades existentes no mercado angolano, incluindo a legislação de proteção do investimento estrangeiro. Um bom ambiente de negócios é essencial para captar o investimento direto estrangeiro. A inserção de Angola na SADC e na CEEAC é também uma mais-valia para o investidor. Na perspectiva do continente avançar para a União Aduaneira, o território angolano oferece um mercado muito maior. A França, que tem pouca implantação na África Austral, pode encontrar em Angola o ponto de partida.

Há uma mudança na estratégia francesa para África, já que a preferência recai antes, quase sempre, para as suas ex-colônias. Os atuais parceiros estratégicos da França na África são a Nigéria e a África do Sul. Mas o investimento em Angola é diferente, porque a experiência da indústria francesa ocupa um lugar pioneiro e tem-se um futuro com perspectivas promissoras.

Caso Angolagate e a França

Em 2000, as relações entre Angola e França conheceram constrangimentos de várias ordens, o chamado caso Angolagate, com as autoridades judiciais francesas indiciando o governo angolano num caso relativo à venda de armas russas a Luanda por intermédio dos empresários Pierre Falcone e Arkadi Gaydamak.

“Angolagate”, também conhecido como o caso Mitterrand-Pasqua, remonta a 1992, quando José Eduardo dos Santos apercebeu-se da desvantagem militar diante da UNITA de Jonas Savimbi apoiado pela África do Sul .Diante deste quadro, o presidente angolano optou por quebrar o embargo imposto pelas Organizações das Nações Unidas a que estava sujeito e adquiriu mais de quatrocentos carros de combate, aproximadamente cento e cinquenta mil obuses, mais de cem mil minas, cerca de uma dezena de helicópteros, meia dúzia de navios de guerra, entre outros armamentos originários do antigo bloco soviético.

O valor destas aquisições ficou pelos setecentos e noventa milhões de dólares, feitos através da empresa francesa Brenco. Seu presidente, o empresário Pierre Falcone, e o político israelita Arkadi Gaydamak foram as peças chave em toda esta missão e foram levados ao banco dos réus. Ao todo, 40 outros acusados, alguns dos quais membros do alto escalão da política francesa, foram julgados.

A justiça francesa condenou à prisão os cinco principais responsáveis pelo tráfico de armas para Angola. O Angolagate levou 42 pessoas ao tribunal e, entre os condenados, aparece Jean-Christophe Mitterrand, filho do falecido presidente francês François Mitterand. O antigo ministro do Interior francês, Charles Pasqua, também foi condenado a um ano de prisão pela participação no caso de tráfico de armas para Angola.

As maiores penas, porém, recaíram sobre os dois homens-chave do escândalo: o empresário Pierre Falcone e seu sócio israelense de origem russa, Arcado Gaydamak, ambos condenados a seis anos.

Angola rejeitou as acusações de tráfico ilegal de armas e fraude fiscal, afirmando que o material era legal, não era de origem francesa e não transitou pela França. O caso prejudicou as relações entre Luanda e Paris por mais de 10 anos, só retomadas em 2013.

A retomada das negociações entre Angola e França em 2013

Em 31 de outubro de 2013, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, visitou Angola e se reuniu com as autoridades do governo angolano. Após uma reunião com o presidente José Eduardo dos Santos, no Palácio da Cidade Alta, o chefe da diplomacia francesa falou sobre a necessidade de se abandonar o estágio de letargia em que se encontra a cooperação entre os dois países.

O diplomata francês disse que o desejo do presidente Hollande era que a sua visita a Angola desse um novo impulso à relação entre Angola e França, que pudesse conhecer em 2014 um novo marco com a visita oficial do chefe de Estado angolano a Paris, a convite de François Hollande.

Frederico Baptista, especialista em relações internacionais, professor universitário, ouvido pelo jornal Voz da Rússia, achava que o caso Angolagate manchou a confiança que existia entre os dois países, que “esse diferindo precisava ser resolvido por meios diplomáticos”, sublinhando que a vinda do ministro das Relações Exteriores da França a Angola visava incrementar as relações após o arrefecimento registrado.

O acadêmico acreditava que a França perdia terreno no que toca à sua petrolífera Total, que anteriormente era uma das empresas de exploração de petróleo em Angola

O escritor e jornalista, Vasco da Gama, em 2013, lembrou que o caso Angolagate, no seu ponto de vista, trouxe problemas nas transações comerciais tanto para o empresariado francês tanto para o empresariado angolano.

A nova “lua de mel” franco-angolana: visita de José Eduardo dos Santos à França

A visita oficial (menos de 48 horas) do Presidente angolano à capital francesa aconteceu depois que o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, deslocou-se para Luanda e a seguir à conclusão, favorável a Angola, em 2011, do processo judicial em Paris sobre o “Angolagate”.

Apesar dos fortes litígios políticos, jurídicos e diplomáticos que se verificaram entre ambos os países nos últimos anos, França manteve sempre, através da empresa Total, a maior fatia na exploração de petróleo angolano. A Total produzia, mais de 600 mil barris de petróleo por dia e pode passar a mais de 800 mil, em 2016, com a exploração de um novo projeto em Kaombo.

Jose Eduardo dos Santos realizou, em 28 e 29 de abril de 2014, depois de vinte anos, a sua terceira visita à França com o objetivo de dar “um passo importante no sentido da normalização das relações entre os dois Estados”. Ele manteve um encontro e almoço oficial com o seu homólogo francês, François Hollande, no Palácio do Eliseu, e se reuniu com meia centena de empresários franceses de diferentes setores de atividade.

A delegação governamental que acompanhou o Presidente angolano incluiu ministros e secretários da Presidência da República.

O tom das discussões foi de apaziguamento; um comunicado do Eliseu indicou que, para além de pretenderem dar um novo impulso às relações Franco-Angolanas, o Presidente francês e o seu homólogo angolano evocaram juntos questões de paz e segurança em África. No final do seu encontro, José Eduardo dos Santos e François Hollande lançaram um apelo à comunidade internacional, para que a República Centro-Africana pudesse beneficiar-se de um apoio suficiente para fazer frente à crise humanitária.

Os dois presidentes também abordaram a situação da República Democrática do Congo cujos “progressos” saudaram, Angola assumindo desde o início de 2014 e por dois anos a presidência rotativa da Conferência dos Países dos Grandes Lagos. Da ementa das conversações discutiu-se a candidatura de Angola a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, um cargo que já chegou a ocupar em 2002.

José Eduardo participou de um Fórum Empresarial, onde foi discutida a presença francesa em Angola, que estava essencialmente nas áreas de hidrocarboneto, indústria agroalimentar, bancos e construção civil, e a sua presença noutros domínios, nomeadamente das infraestruturas, era considerada tímida, como realçou o presidente angolano.

Os dois Chefes de Estado felicitaram a boa cooperação no domínio do ensino superior, da investigação científica e formação em gestão. A França destinou 35 bolsas de estudos por ano a alunos angolanos para licenciaturas, mestrados e doutoramentos, em particular na área das engenharias.

A visita de François Hollande a Angola

A França é o sexto fornecedor de Angola, estando apenas atrás dos EUA, Portugal, China, Brasil e África do Sul. A França é ainda o terceiro maior investidor em Angola, tendo investido nos últimos anos mais de dez milhões de euros.

As relações de cooperação entre Angola e França ganharam um novo rumo, depois da visita oficial do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, à França, em abril de 2014. Nessa visita, os Chefes de Estado decidiram criar um grupo de trabalho para se ocupar dos assuntos econômicos, coordenado pelos ministros das Relações Exteriores de Angola e dos Negócios Estrangeiros da França. Identificaram sete áreas prioritárias de cooperação, com destaque para a Agricultura e a Indústria Agroalimentar, Planejamento Urbano, Transportes, Energia e Água, Construção de Infraestruturas, Comunicações e Geologias e Minas.

François Hollande visitou Angola nos dias 2 e 3 de julho de 2015, com a realização de Acordos e a participação do Fórum empresarial Angola e  França com seguinte temática:

Como as empresas francesas podem contribuir para superar os desafios da cidade sustentável em Angola;

Produção energética e os desafios ambientais globais; e

Diversificação industrial e agrícola de Angola.

Angola dedica especial atenção na construção de infraestruturas necessárias para assegurar o crescimento e o desenvolvimento econômico e social do país, bem como na formação de quadros nacionais, em diversos domínios do conhecimento, capazes de garantir a realização do tão desejado desenvolvimento.

Para os angolanos, o desenvolvimento do país também passa necessariamente pelo envolvimento de empresas públicas e privadas, e as parcerias que as mesmas podem estabelecer entre si.

 

 

Acordos de Cooperação entre Angola e França

José Eduardo dos Santos considerou esta visita de Estado como “um marco indelével nas relações entre Angola e França, abrindo caminho para a criação de uma parceria mais consolidada e alargada”.

François Hollande disse que a sua visita se enquadrava no reforço das relações entre a França e Angola, que em tempos passados “não foram muito fáceis”. A afirmação de Hollande registra e confirma que no passado existia um clima de tensão entre os dois países.

Angola tem interesse que os empresários franceses e angolanos invistam em Luanda, mas também nas províncias do interior do país, onde poderão obter incentivos fiscais significativos.

Empresários franceses e representantes angolanos assinaram em Luanda cartas de intenção de encomendas de Angola a França de pelo menos 220 milhões de euros em construção naval e infraestruturas.

Em seu discurso François Hollande disse que: “A França confia no futuro econômico angolano. Sentimo-nos impressionados com o potencial de Angola”. Hollande registrou a necessidade de diversificar a cooperação econômica entre os dois países, “que ainda se cinge muito ao petróleo”.

Hollande anunciou que os dois países vão lançar um novo programa de cooperação com vista a diversificar a economia angolana, afetada desde 2014 pela crise da queda da cotação do barril de petróleo no mercado internacional.

O estadista francês apontou como sectores de intervenção o turismo, a hotelaria, infraestruturas e construção.

A formação profissional é outra área em que a França pretende ajudar Angola a ultrapassar as dificuldades com quadros especializados.

O presidente francês considerou um sinal de confiança a aposta de empresas franceses no mercado nacional, quando a economia angolana atravessa dificuldades devido à baixa do preço do petróleo.

“Sei que não é fácil, faltam condições, para a escolarização das crianças, de segurança pessoal, problemas de aprovisionamento, eu sei tudo isso, devem fazer esse esforço, fazer esse esforço aqui, ao serviço das empresas que representam, de Angola e da França”, encorajou François Hollande os seus compatriotas, numa mensagem de cerca de 15 minutos.

O ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti, quando intervinha na cerimónia de abertura do Fórum Econômico Angola–França: O Executivo angolano está empenhado na busca de sinergias, no âmbito do processo da diversificação da economia. Angola gostaria de contar com os parceiros internacionais, nomeadamente o governo e a classe empresarial francesa, para a materialização deste objetivo, através da realização de investimentos diretos em diversas áreas do país”.

A cadeia de hotéis francesa Accor vai gerir 50 unidades hoteleiras em Angola do grupo angolano AAA, criará cerca de três mil postos de trabalho nos próximos anos, enquanto a petrolífera francesa Total e a angolana Sonangol assinaram nessa sexta-feira, 3, em Luanda, um acordo que permite acelerar as atividades de exploração dos recursos petrolíferos em Angola. A cooperação na área do petróleo deverá atingir o valor de dois bilhões e quinhentos milhões de euros

Uma das cartas de intenção assinadas envolveu a Ecoceane, empresa francesa especializada na construção de embarcações de combate à poluição marítima, e a angolana LTP Energias. As duas empresas vão formar um consórcio prevendo o fornecimento de nove embarcações antipoluição a petrolíferas que operam em Angola, com um orçamento estimado em 50 milhões de dólares (45 milhões de euros).

Um terceiro acordo visa a modernização, até 2022, do Instituto Nacional de Meteorologia de Angola (Inamet), através de uma parceria com o instituto público Météo Française Internationale (MFI) e a empresa angolana LTP Energia.

Para o jornalista e analista Rui Neumann, que se encontra em Paris, a visita de François Hollande pretende reforçar e abrir caminho a investimentos franceses.

“É bom não esquecer que o grupo Total é a primeira empresa de França e é o primeiro operador petrolífero em Angola, de onde extrai 15 por cento da sua produção mundial, representante 40 por cento dos recursos do país, por isso o Françoise Hollande não pode fechar os olhos”, afirma Neumann, que destaca também um maior entendimento entre as duas partes na área de segurança regional.

As empresas petrolíferas de Angola (SONANGOL) e de França (TOTAL) rubricaram, em Luanda, um acordo para o reforço da parceria nos vários domínios, incluindo na produção e exploração conjunta de blocos em Angola e no estrangeiro.

O tratado foi assinado pelo presidente do Conselho de Administração da SONANGOL, Francisco de Lemos, e pelo diretor-geral da TOTAL, Patrick Pouyanné, na presença do Chefe de Estado Francês, François Hollande, e do ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti.

O acordo prevê também ações nos domínios da assistência técnica e formação de quadros, pesquisa, exploração e produção de óleo.

O diretor-geral da Total disse que tornou-se engenheiro de petróleo em Angola e está impressionado em como os angolanos conseguiram responder às necessidades de desenvolvimento do país.

No âmbito do acordo envolvendo as duas petrolíferas está prevista ainda a distribuição em Angola de sistemas de iluminação e candeeiros solares, através do projeto “Awango by Total”, bem como o interesse de criar no futuro uma fábrica de produção de gás liquefeito.

Para facilitar a mobilidade entre os dois países, entrou em vigor o Acordo de Facilitação de Vistos de Permanência para Profissionais e Estagiários, bem como o Acordo sobre a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos, um importante instrumento para “o incremento dos investimentos franceses em Angola”, adiantou José Eduardo dos Santos.

O Presidente francês anunciou ainda que a transportadora aérea Air France vai avançar com um terceiro voo semanal entre Paris e Luanda.

Papel de Angola na manutenção da paz na região dos Grandes Lagos

 

François Hollande manifestou interesse em fornecer material de Defesa para Angola, participando de novos editais. A França tem interesse em vender caças Raffale. A Rússia tem sido o fornecedor tradicional de armamento para os angolanos, a China também tem interesse na disputa de fornecimento de material bélico. Nesse campo a disputa dos franceses encontra países com muita influência e tradição na área.

No campo das relações políticas, o chefe de Estado francês  também frisou o papel importante de Angola para a estabilidade da região, sublinhando o apoio e o papel do país africano nos problemas da República Centro-Africana e República Democrática do Congo.

Referências Bibliográficas

Angola e França complementam-se em termos económicos

Agencia Angola Press[online], 3 de julho de 2015. Disponível no site: < http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2015/6/27/Angola-Franca-complementam-termos-economicos,1f798f93-e94a-48f5-9940-31ef8d2c8712.html> Acesso em 4 de julho de 2015

Angola e França inscrevem nova etapa nas relações de cooperação

Rádio Voz da Rússia [online] 7 de novembro de 2013, disponível no site: http://br.sputniknews.com/portuguese.ruvr.ru/2013_11_07/angola-e-franca-inscrevem-uma-nova-etapa-nas-relacoes-de-cooperacao-9593/. Acesso em 4 de julho de 2015.

Angola: Poucos reagem à reabertura do escândalo Angolagate. Global Voices [online] 13 de outubro de 2008. Disponível em

http://pt.globalvoicesonline.org/2008/10/13/angola-poucos-reagem-a-reabertura-do-escandalo-angolagate/ Acesso em 4 de julho de 2015.

Angola e França vão reforçar a cooperação na área do petróleo. – RTP Notícias [online]. 4 de julho de 2015. Disponível no site: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=841869&tm=7&layout=122&visual=61>. Acesso em 4 de julho de 2015.

Angolagate: Antigo ministro condenado acusa Estado francês. DN Globo [online] 29 de outubro de 2009. Disponível no site : http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1403721&seccao=Europa. Acesso em 4 de julho de 2015

Angolagate encerrado na Suíça.- Rede Angola [online] 8 de fevereiro de 2014. Disponível em http://www.redeangola.info/angolate-encerrado-na-suica/ Acesso em 4 de julho de 2015.

Angolagate: Filho do ex-presidente francês François Mitterrand é condenado. Reportagem de 28 de outubro de 2009. Disponível no site: http://www1.rfi.fr/actubr/articles/118/article_14847.asp. Acesso em 4 de julho de 2015.

Cooperação agrícola com França para ajudar à diversificação. Rede de Angola. [online] 4 de julho de 2015 . Disponível no site: http://www.redeangola.info/angola-e-franca-reiteram-interesse-em-ampliar-cooperacao/. Acesso em 4 de julho de 2015

França disputa contratos militares angolanos com China e Rússia. África monitor [online] 6 de julho de 2015. Disponível no site: < http://www.africamonitor.net/pt/seguran%C3%A7a-defesa/franca-vendasdefesangola015/> Acesso em 6 de julho de 2015.

França e Angola fecham negócios. Jornal Voz da América [online] 4 de julho de 2015. Disponível no site:

http://www.voaportugues.com/content/franca-e-angola-fecham-negocios/2847909.html, Acesso em 4 de julho de 2015

França com novas intenções de compra por Angola de pelo menos 220 ME. Jornal Sapo [online] 3 de julho de 2015. Disponível no site:

http://www.sapo.pt/noticias/franca-com-novas-intencoes-de-compra-por_55967b24aed071eb739ab9ec. Acesso em 4 de julho de 2015

França: Visita do Presidente José Eduardo dos Santos foi excepcional. Agencia Angola Press. 30 de abril de 2014. Disponivel no site http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2014/3/18/Franca-Visita-Presidente-Jose-Eduardo-dos-Santos-foi-excepcional,fbd2ee67-1e94-4bf9-9b78-c554bd125d95.html. Acesso em 4 de julho de 2015

França reforça presença em Angola com visita de José Eduardo dos Santos. Expresso.[online] 27 de abril de 2015.

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Franceses vão gerir rede de 50 hotéis em Angola criando 3.000 empregos. Angonoticias 3 de julho de 2015. Disponível no site: http://www.angonoticias.com/Artigos/item/47458/franceses-vao-gerir-rede-de-50-hoteis-em-angola-criando-3000-empregos

Acesso em 4 de julho de 2015.

José Eduardo dos Santos chega hoje a França para visita oficial

Angonoticias, 28 de abril de 2014. Disponivel no site http://www.angonoticias.com/Artigos/item/42370/jose-eduardo-dos-santos-chega-hoje-a-franca-para-visita-oficial, Acesso em 4 de julho de 2015

José Eduardo dos Santos terça-feira em Paris. DN Globo. 28 de abril de 2014.Disponível em http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3833408&seccao=CPLP. Acesso em 4 de julho de 2015

Presidente de Angola em visita oficial em França. RFI [online]

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Van-Dunem, Belarmino. A tradição francesa e as relações com Angola . Jornal de Angola [online] , 6 de julho de 2015Disponível no site: http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/a_tradicao_francesa_e_as_relacoes_com_angola . Acesso em 6 de julho de 2015.

Visita de Estado. Hollande diz que Angola trabalha para a paz e progresso da região. Expresso [online], 3 de julho de 2015. Disponível no site:< http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-07-03-Visita-de-Estado.-Hollande-diz-que-Angola-trabalha-para-a-paz-e-progresso-da-regiao> . Acesso em 4 de julho de 2015.

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Entrevista com o escritor queniano Ngugi wa Thing’o

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“Eu daria um Nobel a Jorge Amado, porque ele deu a mim o seu Brasil

Ngugi wa Thing’o, de 77 anos, está pela primeira vez em sua vida na América do Sul por ocasião da 13ª Festa Literária de Paraty. O escritor queniano, uma das maiores referências da África em literatura que está sempre às portas de um prêmio Nobel, tem uma história de luta pela libertação de seu país. Na década de 60, quando a colonização do continente africano estava em cheque, terminando na queda de vários governos, ele lutou pela emancipação do Quênia das mãos dos britânicos ao lado de jovens intelectuais que, como ele, eram recém-saídos da universidade.

Em paralelo ao seu trabalho permanente em teatro, escreveu um primeiro romance, Weep not, child, em 1964. Mas foi com Um grão de trigo – lançado três anos depois, e só publicado no Brasil pela Alfaguara no final de 2014 – que ele alcançou reconhecimento mundial.

O livro tornou-se um clássico da literatura africana do século passado e, lançado pouco depois da independência do Quênia, fala dos conflitos entre colonizadores e nativos nesse contexto específico. Assim como Sonhos em tempos de guerra, de 2010, o primeiro número de sua ainda inacabada trilogia de memórias, e outro título a ser lançado no país por ocasião da Flip – desta vez, pela Biblioteca Azul.

Segundo Ngugi [lê-se gugui], o tema da colonização, que permeia toda sua obra, também é responsável por sua vinda ao Brasil, que “tantas semelhanças” guarda com sua terra natal. É leitor entusiasmado de Jorge Amado, autor brasileiro a quem ele entregaria um prêmio Nobel, e diz que a questão da disputa pela terra, presente na obra do baiano, o leva de volta ao Quênia, assim como o tema da escravidão. “Quando estou em Paraty, banhada pelas águas do oceano Atlântico, estou de frente para a África, especialmente para Angola. Muitos africanos vieram para cá contra a sua vontade, para participar da construção de cidades como essa. Mesmo andando nessas ruas de pedra, estou muito consciente dessa história de sangue”, diz.

Pergunta. Qual é a importância de estar na Flip hoje e visitar o Brasil pela primeira vez?

Resposta. Estou muito feliz de estar aqui. Já tinha escutado falar do evento e vim a convite da minha editora, que está publicando dois dos meus livros em português. O Brasil tem uma grande presença de africanos e é um país importante para nós. Está sempre presente em nossas mentes. Li Jorge Amado – Gabriela, cravo e canela – e tenho uma proximidade com alguns intelectuais do país através do meu trabalho em teatro comunitário no Quênia, em que fui muito impactado pelo trabalho de Paulo Freire, que escreveu Pedagogia do oprimido. Outro brasileiro que me impactou muito, também no teatro, é Augusto Boal. Eu estava preso em 1977 e, na prisão, usava o trabalho dele. Também fomos parte, os dois, do conselho de uma revista teatral chamada Drama Magazine, mas nunca o conheci em pessoa. Estou muito animado. E estou curioso de ver como a questão do negro é vista aqui.

P. O escritor cubano Leonardo Padura, que também está nesta Flip, acredita que um escritor deve antes de tudo escrever bem e depois, se for o caso, falar de política. O que você acha?

R. Faço das palavras dele as minhas. Seja o que for que um escritor faça ou pense, ele precisa primeiro saber escrever bem. Um escritor não é um historiador, nem um cientista político, nem um economista. É um artista. Dito isso, as condições econômicas e políticas e também as práticas sociais impactam no trabalho do artista. Ninguém pode escapar disso. Como escritor, estou interessado na qualidade da vida humana, em como acontece a distribuição da riqueza e também no impacto das relações. Como africano, me interessam também as questões de raça, a condição da raça negra, como ela é afetada, sua visibilidade. Na África e especialmente no Quênia, há uma distância cada vez maior entre ricos e pobres – cresce a concentração de renda à medida que o continente vai se desenvolvendo. Olho para o mundo, como escritor, e vejo um grupo bem pequeno, em geral de países do Ocidente, que são ricos, e uma enorme maioria de países pobres. Mas esses ricos dependem muito dos recursos dos pobres, especialmente da África. Quando visito um país, sempre presto atenção em quantos mendigos e sem-tetos há na rua e também na população carcerária. É aí que você mede o nível de desenvolvimento de um lugar. Nos Estados Unidos, por exemplo, você tem dois milhões de pessoas encarceradas. São quatro Islândias na prisão! A riqueza não se mede pela quantidade de milionários de um país.

P. Você já foi muitas vezes apontado como um forte candidato ao prêmio Nobel. Que importância isso tem para você?

R. Claro que fico muito lisonjeado e feliz que o meu trabalho possa valer um Nobel. Mas meu verdadeiro Nobel é quando alguém me diz como um livro o impactou, como aquela situação que descrevo é de alguma maneira semelhante ao que ele vive ou viveu. Isso me diz que vale a pena todo o esforço de escrever. Se alguém puder sentir mais esperança na possibilidade do mundo mudar, sinto que a minha imaginação vale a pena. Se meu trabalho serve para imaginar um mundo melhor, não aceitar a derrota, pensar que é possível de fato abolir a pobreza do mundo, sinto que já ganhei meu Nobel.

P. No Brasil, há quem acredite que nenhum autor tenha ganhado o Nobel em grande parte porque o português não é um idioma muito falado no mundo.

R. Verdade, mas é preciso lembrar que o Nobel é um prêmio dado uma vez ao ano. O verdadeiro prêmio é aquela conexão que se cria entre o escritor e um leitor em especial. No Brasil, eu daria o Nobel a Jorge Amado, porque ele deu a mim o seu Brasil, ou seja, conseguiu me transmitir ao menos o Brasil dele, que é o que um escritor deve fazer.

P. Você começou escrevendo livros em inglês nos anos 50 e depois assumiu seu idioma natal, o gikuyu, na década de 1970. O que significa, para você, escrever em sua própria língua?

R. Escrevi em inglês meus primeiros quatro romances, inclusive Um grão de trigo. Quando fui preso, em 1977, foi porque escrevi uma peça de teatro em gikuyu. Por isso, tomei a decisão política, de resistência, de escrever sempre no meu idioma original. No livro A mente colonizada, eu falo dessa questão. As línguas pra mim são muito importantes e acho que ninguém deveria perder a sua língua materna. Se vou para o Japão, gosto de escutar japonês; se estou no Brasil, o português. Por que não acontece o mesmo com as línguas africanas, quando estou na África? É por isso que fiz essa mudança. Não há contradição em manter sua própria língua e adquirir novas. É mais poder. Não estamos tirando nada. A perda de qualquer idioma no mundo, ainda que pequeno, é uma grande perda para a cultura da humanidade.

P. Muitos escritores preferem se afastar de sua história pessoal para imaginar histórias distantes de suas vidas. Você mergulha em cheio na sua própria vida para escrever. Isso é difícil?

R. De fato, muito da minha história pessoal e principalmente da história do meu país faz parte do meu trabalho. O Quênia é um país que foi colonizado pela Inglaterra, assim como o Brasil foi por Portugal. Em Jorge Amado, li sobre a questão agrária, dos latifúndios aqui, e ela é muito parecida à realidade que vivi: a terra sendo tirada de pessoas comuns, que têm direito a ela. Eu uso isso no livro Um grão de trigo. Falo de homens e mulheres que foram às armas para lutar por terra, porque sentiram que era possível. Por outro lado, acho que imaginar tudo é mais difícil na hora de escrever, ainda que nem sempre a fantasia seja completamente inventada. Fantasias fazem parte do nosso ser social – e elas são fascinantes. A fantasia e a arte ajudam na expansão da nossa imaginação. São produto dela, mas a alimentam de volta. Assim como o corpo precisa de comida e água, a alma precisa de espiritualidade e a imaginação, desse alimento.

P. Como foi crescer com quatro mães e um pai?

R. Onde nós vivíamos, havia quatro cabanas dispostas em um semicírculo, uma para cada esposa do meu pai, e essa área comum era onde todas as noites contávamos muitas histórias. Do ponto de vista das crianças – não estou falando das mães – era fantástico. Depois minha mãe se separou, e eu passei a viver só com uma mãe e nenhum pai. Ambas as experiências foram felizes. Li um livro recentemente em que o autor tinha nove irmãos, e aplicava a teoria dos conjuntos e semiconjuntos para calcular a quantidade de combinações que havia entre eles. No meu caso, são 25 irmãos. Imagine quantas possibilidades…

http://brasil.elpais.com/…/03/cultura/1435952470_967603.html