BRASIL AMPLIA LINHA DE CRÉDITO PARA ANGOLA

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Ivair Augusto Alves dos Santos

O Brasil anunciou interesse em ampliar o crédito financeiro a Angola. O país africano passa por um período crítico pela queda do preço do petróleo. O intercâmbio comercial entre os dois países está avaliado em cerca de 2.2 bilhões de dólares. O Brasil exporta para Angola fundamentalmente bens alimentares, caminhões e outros produtos, enquanto Angola exporta petróleo.

O embaixador do Brasil em Angola, Norton Rapesta, informou que foi assinado um Acordo para elevar em US$ 52 milhões uma linha de crédito de US$ 500 milhões, que já é operacional, e destinada a fomentar a criação de pequenas e médias empresas.

“Angola paga os financiamentos contraídos no mercado brasileiro de forma exemplar, principalmente com remessas de petróleo bruto”, disse Norton Rapesta, citado pelo Jornal de Angola. 

Angola pode ser a nova fronteira agrícola do Brasil, tendo em conta a capacidade empresarial e tecnológica que o seu país detém, aproveitando-se as terras férteis de Angola, e existem vários produtos que o Brasil pode cultivar em Angola, em parceria com o empresariado nacional, como o algodão, trigo, soja e tantos outros.

O embaixador defendeu ainda a redução dos custos do transporte marítimo como uma medida para ampliar as relações comerciais entre os dois países.

Estamos a avaliar, com os responsáveis das Alfândegas, formas para reduzir os altos custos do frete, com o objetivo de estimular a vinda de mais navios brasileiros a Angola”, acrescentou.

Apesar do momento difícil que os angolanos estão vivendo, o anúncio de crédito mostra uma confiança na economia angolana e no regime político, que tem recebido muitas críticas por violação de direitos humanos.

Um grupo de jovens que decidiu protestar foi acusado de organizar uma tentativa de golpe de Estado. A prisão, tortura e repressão à liberdade de expressão tem colocado o país no universo de países que violam os direitos humanos.

A pobreza, desigualdade social, desemprego da juventude, excesso de dependência da economia da produção e exportação do petróleo e baixa industrialização são alguns dos enormes desafios que os angolanos precisam equacionar.

A maneira como se trabalha os direitos humanos no país mostra o distanciamento do que se tem a fazer em respeito à cidadania dos angolanos e como o modus operandi do período unipartidário e da guerra civil deixaram marcas que não foram superadas nesses 40 anos de independência.

Parece que o Brasil decidiu ser pragmático e não reconhecer, nem manifestar-se sobre a violação dos direitos humanos existente no país.

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