Investimento chinês sobe em África

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25 de Fevereiro, 2016

O nível de investimentos da China em África deve manter-se elevado nos próximos tempos, mesmo na actual conjuntura de abrandamento económico, previram ontem analistas  sul-africanos.

Gabriel Ouko, director da Deloitte Consulting para Projectos de Infra-estruturas e de Capital, afirmou à agência noticiosa Xinhua, que a economia chinesa tende para a estabilização, o que “vai promover o comércio e os investimentos” em África.
“A China é o maior mercado para produtos originários sobretudo de África”, sublinhou o analista, citado pela agência.
Mark Smith, director da Deloitte East Africa para Infra-estruturas e Projectos de Capital, disse à agência noticiosa chinesa que o actual abrandamento económico na China não afecta o estatuto do país como o maior parceiro de financiamento e de comércio com África.
Em Dezembro de 2015, durante a Cimeira China-África de Joanesburgo, o Presidente chinês Xi Jinping anunciou a consignação de dez mil milhões de dólares de capital adicional ao Fundo China-África para o Desenvolvimento, de dez mil milhões de dólares para o lançamento do Fundo de Cooperação Industrial China-África e  de seis mil milhões de dólares para o fundo do Banco de Desenvolvimento da China para as pequenas e médias empresas africanas.
A investigadora da Universidade de Londres Lucy Corkin, que  analisa  as linhas de crédito disponibilizadas pela  China a Angola, afirmou em entrevista à revista “The Diplomat” que uma leitura atenta ao Plano de Acção de Joanesburgo (2016-2018) e a declarações do Presidente chinês, Xi Jinping, parecem indicar a intenção de aplicar fundos ao desenvolvimento de infra-estruturas, “pedra angular das relações entre a China e África”, mas também ao desenvolvimento de capacidade industrial e de projectos agrícolas no continente.
“O lançamento do Fundo de Cooperação Industrial China-África representa a formalização de uma tendência, lentamente a ganhar ritmo, embora a partir de uma base baixa, de as empresas chinesas estabelecerem bases de montagem e produção em África, à medida que os custos operacionais aumentam em províncias orientais industrializadas da China”, adiantou Corkin, autora de “A Gestão de Angola das Linhas de Crédito da China” (2013).
O relatório 2015 “Africa Construction Trends”, divulgado na semana passada, revela que a China tem eclipsado os doadores tradicionais ocidentais, tornando-se líder no financiamento de projectos de infra-estruturas do continente e que os países africanos vão beneficiar de investimentos chineses em áreas estratégicas como infra-estruturas, agricultura, turismo e produção de energia.
“A questão da desaceleração económica na China é mais uma questão de percepção do que de realidade. A China está a crescer a uma média de seis a sete por cento e os investimentos do país em África e no resto do mundo ainda são elevados”, diz o relatório.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/investimentos/investimento_chines_sobe_em_africa

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