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Angola:‘Lúcio Lara é exemplo de humildade’

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O secretário do Bureau Político para a Informação do MPLA, Mário António, considerou ontem, em Luanda, o malogrado nacionalista Lúcio Lara, falecido no Sábado, aos 87 anos, vítima de prolongada doença, como uma figura incontornável da luta pela emancipação e pela independência nacional.

O político garantiu ainda que Lara deu o seu ‘contributo inestimável para a nossa história recente e dando um exemplo de humildade e de entrega total à causa patriótica do povo angolano’. Em declarações exclusivas a OPAÍS, Mário António realçou que ao seu partido e aos angolanos “resta-nos honrar a sua memória e transmitir às novas gerações o seu exemplo”.

“Nós estamos seguros que o MPLA realizará plenamente a sua tarefa”, acrescentou. Até ao momento ainda não se conhece a data em que o antigo secretário-geral do MPLA será sepultado. Uma fonte familiar explicou que, tendo em conta a dimensão política do malogrado, ‘as exéquias não dependem exclusivamente dos seus familiares’. Algumas informações apontam que os restos mortais de Lúcio Lara poderão ser sepultados apenas depois da conclusão do 6º Congresso da Organização da Mulher Angolana (OMA), que começa a 2 e termina a 5 de Março. O MPLA espera prestar uma grande homenagem ao seu antigo homem-forte nesta altura, razão pela qual não pretende que as energias estejam dispersas.

Questionado sobre o assunto, Mário António recorreu ao comunicado do Bureau Político do MPLA: “oportunamente serão divulgadas datas e actividades que decorrerão no âmbito das exéquias fúnebres do camarada Lúcio Lara. Neste momento, não posso adiantar nada”.

“Reserva moral do MPLA”

O general na reserva Mbeto Traça considerou que “o país perdeu um grande homem” ao referirse à morte do nacionalista Lúcio Lara. Contactado por OPAÍS a tecer alguns comentários sobre o infausto acontecimento, o antigo combatente disse que Lúcio Lara foi um dos principais artífices da luta de libertação nacional e que a sua morte constitui um grande vazio. “

O camarada Lúcio Lara foi um dos principais artífices desta nossa luta de libertação, desde a fundação do MPLA até ao longo de toda a sua vida”, disse, indicando que “ foi um camarada que exerceu múltiplas funções no MPLA com grande competência, com grande dedicação e era de facto a reserva moral do MPLA”. Influente membro do MPLA, Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara desempenhou inúmeras funções, de entre as quais de secretário da Organização e dos Quadros e mais tarde as de secretário-geral.

Artífice da luta pela independência

Em nota divulgada pelo Bureau Político do Comité Central MPLA, o partido dos “camaradas” considera Lúcio Lara, “um artífice da luta pela independência de Angola”. O BP do MPLA refere a “profunda comoção” causada pela morte deste nacionalista e realça a “inestimável participação” de Lúcio Lara em prol da autodeterminação dos angolanos.

“Nascido aos 9 de Abril de 1929, o camarada Lúcio Lara foi um artífice da luta pela Independência de Angola, ao lado do primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, e outros eminentes nacionalistas, tendo inscrito o seu nome com letras de ouro na nossa história recente, pela sua inestimável participação na árdua caminhada em prol da Liberdade, da Autodeterminação e da Independência Nacional”- lê-se no comunicado.

Pelo infausto acontecimento, o Bureau Político do Comité Central do MPLA “inclina-se perante a memória deste ilustre combatente da pátria angolana” e endereça condolências à família enlutada, em nome dos seus militantes, simpatizantes e amigos. O comunicado refere também que o Programa das Exéquias Fúnebres será divulgado oportunamente.

Mário António: ‘Lúcio Lara é exemplo de humildade’

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Angola:A perda de um grande combatente

História política do nacionalista angolano Lúcio Lara.

Luicio Lara com Agostinho Neto em Luanda, em 1978.A história política do nacionalista angolano Lúcio Lara “Tchiweka”, desde os primórdios da luta anticolonial até à independência, em 1975, preenche uma fotobiografia que será lançada em Lisboa no dia 04 de fevereiro.(ACOMPANHA TEXTO) STR/LUSA

 

Angola acaba de registar a perda de um grande combatente pela liberdade do seu povo. Morreu ontem em Luanda, por doença, aos 86 anos de idade, Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara.

 

Também conhecido por Tchiweka, pseudónimo de guerra escolhido em homenagem à terra da sua mãe, uma aldeia situada no Huambo, a morte de Lúcio Lara é a partida de uma das principais figuras da luta pela independência do país do jugo colonial.
Lúcio Lara foi o exemplo de jovens que, na década de 40 do século XX, abraçaram os ideais de liberdade e de progresso e, determinados, formaram um amplo movimento de libertação nacional com o objectivo de quebrar as algemas da repressão e devolver ao povo angolano o sonho de independência que a implantação do colonialismo havia roubado.
A repressão colonial fascista fez emergir uma geração de angolanos que procurou, dentro e fora do país, criar as condições para que o processo de luta anti-colonial ganhasse uma outra dinâmica e reconhecimento a nível africano e internacional.
É neste contexto que Lúcio Lara se destaca como um dos impulsionadores de todo o processo de organização política que veio a desenvolver-se, tendo como ponto de partida a Casa dos Estudantes do Império, em Coimbra, onde se encontrava a estudar e onde deu início à actividade política, em 1949. Com Agostinho Neto, Humberto Machado, Zito Van-Dúnem, e outros nacionalistas, Lara fazia também parte do Clube Marítimo Africano, em Lisboa, importante ponto de encontro para troca de informações, de documentos e de coordenação da luta clandestina contra o poder colonial.
Quando a PIDE (polícia secreta portuguesa) desencadeia uma vaga de perseguições e detenções, entre 1950 e 1959, Lúcio Lara refugia-se na Alemanha. É seguindo, depois,  a rota Tunes (Tunísia), Rabat (Marrocos) e Conacry (Guiné Conacry) que faz o regresso ao continente. A partir desta última capital, enceta um intenso trabalho político que, em conjunto com Agostinho Neto e demais nacionalistas, o vai guindar à posição de co-fundador do Movimento Popular de Libertação de Angola.
A participação na luta de libertação nacional, a entrega total à causa do povo angolano, o empenho para tornar Angola um país uno e indivisível, fizeram de Lúcio Lara uma figura incontornável no seio do MPLA.
A luta gloriosa levada a cabo ao longo de 14 anos de guerrilha em Angola, que se espalhou praticamente por todo o país, a par das guerras de libertação que teve de enfrentar nas outras ex-colónias, levaram o poder colonial a claudicar. O golpe de Estado que em 25 de Abril de 1974 pôs fim à ditadura colonial fascista em Portugal foi o corolário de todo esse longo processo de desarticulação da máquina que Salazar havia montado.
Como resultado, a 8 de Novembro de 1974 Lúcio Lara aterrava em Luanda à frente da primeira delegação do MPLA que se deslocou à capital angolana depois do derrube da ditadura em Portugal.  Viria então preparar o regresso de Agostinho Neto, que teria lugar em Fevereiro de 1975.
Foi Lúcio Lara quem empossou Agostinho Neto como primeiro Presidente de Angola, e foi também Lúcio Lara quem deu posse ao Presidente José Eduardo dos Santos, depois do desaparecimento físico do fundador da nação.
Falar de Lúcio Lara é tão somente falar de um dos grandes vultos da política angolana que, ao lado de Agostinho Neto, marcou de forma inapagável um dos mais ricos períodos da história da luta pela autodeterminação do povo angolano e pela afirmação de Angola como país soberano no concerto das nações.
Com a sua morte, parte o último fundador até então vivo do Movimento Popular de Libertação de Angola.
Não é este texto, como é óbvio, suficiente para traduzir a dimensão política de um homem da envergadura de Lúcio Lara.
Os grandes homens podem partir, mas as suas obras ficam para a eternidade como testemunho da sua grandeza, da sua estatura política, cultural, moral e cívica invulgares. Angola agradece por tudo quanto Lúcio Lara foi capaz de fazer para engrandecer o país e tornar os angolanos cidadãos dignos no mundo, sem vergonha da sua própria identidade.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/a_palavra_do_director/a_perda_de_um_grande_combatente

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Morte de Lúcio Lara deixa vazio na classe política -diz Missão diplomática angolana na Suécia

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Luanda – A Missão Diplomática da República de Angola no Reino da Suécia, Países Nórdicos e Estados Bálticos considera que a morte do nacionalista e dirigente histórico do Mpla, Lúcio Lara, ocorrida no dia 27 deste mês, por doença, deixa um vazio na classe política, parlamentar, universitária e, em particular, da sociedade angolana.

No comunicado assinado pelo embaixador da referida missão diplomática, Isaías Jaime Vilinga, e enviado no domingo, à Angop, indica-se que Angola perde um dos seus grandes filhos, um patriota e combatente da luta pela independência e soberania nacional.

“ Nessa hora de dor e luto, gostaríamos destacar a figura de Lúcio Lara, como um insigne defensor dos ideais da liberdade e progresso dos povos de África e do mundo, cuja vida esteve intimamente ligada a História de Angola, na segunda metade do século XX”, assevera-se.

Por este infausto acontecimento, o embaixador e os funcionários da missão diplomática na Suécia, inclinam-se perante a memória do nacionalista e apresentam sentidas condolências à família, ao Bureau Político, ao Comité Central do MPLA e Associação Tchiweka.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2016/1/9/Morte-Lucio-Lara-deixa-vazio-classe-politica-diz-Missao-diplomatica-angolana-Suecia,bc17c2e7-779c-4bf1-b4f8-405dfef359b2.html

Lúcio Lara foi um artífice da luta pela independência – MPLA

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O Bureau Político do Comité Central MPLA considera Lúcio Lara, que morreu este sábado em Luanda, por doença, “um artífice da luta pela independência de Angola”.

Num comunicado a que os órgãos de comunicação social tiveram acesso, o BP do MPLA refere a “profunda comoção” causada pela morte deste nacionalista e realça a “inestimável participação” de Lúcio Lara em prol da autodeterminação dos angolanos.

“Nascido aos 9 de Abril de 1929, o camarada Lúcio Lara foi um artífice da luta pela Independência de Angola, ao lado do primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, e outros eminentes nacionalistas, tendo inscrito o seu nome com letras de ouro na nossa história recente, pela sua inestimável participação na árdua caminhada em prol da Liberdade, da Autodeterminação e da Independência Nacional”- lê-se no comunicado.

Pelo infausto acontecimento, o Bureau Político do Comité Central do MPLA “inclina-se perante a memória deste ilustre combatente da pátria angolana” e endereça as condolências à família enlutada em nome dos seus militantes, simpatizantes e amigos.

O nacionalista angolano Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara, dirigente histórico do MPLA, morreu este sábado, em Luanda, aos 86 anos, por doença.

TPA/LD

http://tpa.sapo.ao/noticias/politica/lucio-lara-foi-um-artifice-da-luta-pela-independencia-mpla

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Lucio Lara: Angola perdeu uma referência do nacionalismo

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Filomeno Manaças, Kumuenho da Rosa e Bernardino Manje |
29 de Fevereiro, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

O nome de Lúcio Lara, ou o Comandante Tchiweka, cognome de guerra adoptado durante a luta de guerrilha contra o colonialismo português em homenagem ao seu avô materno, está associado aos momentos altos e também aos mais difíceis da história de Angola e do MPLA, em particular, disse o político Roberto de Almeida.

 

Reagindo à notícia da morte do ex-deputado, fundador e antigo Secretário-Geral do MPLA, o nacionalista Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara, na noite de sábado, 27, por doença, aos 86 anos, o número dois do partido maioritário lembrou do dia da chegada a Luanda da primeira delegação do MPLA, após os acordos de Alvor, chefiada precisamente pelo Comandante Tchiweka. “A imagem que retenho dele é a do combatente que chega a Luanda em 8 de Novembro de 1974 que ainda na carlinga do avião segurou no megafone para exortar os milhares de militantes que acorreram ao aeroporto para que se afastassem e fosse aberta a porta do avião”, recordou.
Para Roberto de Almeida a chegada da comitiva do MPLA com Lúcio Lara à testa seria o “primeiro grande referendo” sobre qual o movimento que detinha, na verdade, as rédeas da luta de libertação nacional em Angola. “Este momento (apenas) foi ultrapassado em 4 de Fevereiro de 1975, com a chegada do camarada Presidente António Agostinho Neto”, recordou o político, comparando a moldura humana que invadiu a pista para ver de perto os “irmãos cambutas”, como eram chamados os guerrilheiros do MPLA.


O vice-presidente do MPLA considerou Lúcio Lara como um dos “principais pilares do nacionalismo angolano”, que inclusive abandonou os estudos e a família para dedicar-se inteiramente à causa da libertação de Angola.“O camarada Lúcio Lara está na base do nacionalismo angolano e toda a sua vida foi dedicada à luta pela Independência, na direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola. Foi um dirigente dedicado que se sacrificou bastante, renunciando a muita coisa para se entregar totalmente à luta pela Independência”, frisou.
Outro facto destacado pelo vice-presidente do MPLA é a ligação entre Lúcio Lara e o Presidente António Agostinho Neto. Acompanhou-o em praticamente todos os momentos da sua vida, além de contribuir juntamente com outros dirigentes das então colónias portuguesas em África, como Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Pedro Pires e outros, numa solidariedade e camaradagem que acabou por resultar nas independências de Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. “São algumas das lembranças que tenho sobre Lúcio Lara, cuja morte lamentamos profundamente”, disse Roberto de Almeida, que endereçou condolências a todos os familiares do malogrado, em especial aos seus filhos, Paulo, Vanda e Bruno, e a todos os militantes do MPLA.
Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, atual Secretário-Geral do MPLA, considerou Lúcio Lara um dos ícones na luta contra o regime colonial português, com lugar de destaque na génese da história do MPLA, e que deixa um importante e valioso legado para as atuais e futuras gerações de angolanos. Dino Matrosse também realçou o facto de Lúcio Lara ter estado sempre ao lado do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto.
“O camarada Lúcio Lara chegou a abandonar os estudos por causa da luta em prol dos angolano. Com a sua morte, ele deixa um legado: a continuação da luta em prol do desenvolvimento do país e pela unidade de todo o povo angolano”, disse. O deputado André Mendes de Carvalho, do partido CASA-CE, também lamentou a morte de Lúcio Lara, embora, como disse, o facto de ter estado durante longo período doente em estado grave era de prever que falecesse a qualquer altura. O também deputado afirmou que Lúcio Lara é um exemplo a seguir, pois dedicou todo o seu vigor em prol de Angola. “Não fui subordinado directo mas um inferior hierárquico dele. Ficamos com uma sensação de vazio pelo exemplo que deixou”, disse o político, para quem Lúcio Lara, apesar de fazer falta com a sua morte, “merece este descanso” por tudo o que fez pelo país.
André Mendes de Carvalho lembrou que o seu pai, o igualmente nacionalista e escritor Agostinho Mendes de Carvalho (Uanhenga Xitu) – também falecido -, foi um grande amigo de Lúcio Lara, ao ponto de frequentar a casa daquele. “É uma grande perda mas fica o seu exemplo. Vamos tentar seguir o seu exemplo”, disse André Mendes de Carvalho, que endereçou mensagens de condolências à família enlutada.
O presidente do PRS, Eduardo Kuangana, afirmou que o país acaba de perder mais um grande quadro e aproveitou a ocasião para endereçar uma mensagem de condolências à família enlutada e ao Bureau Político do MPLA.
O político defendeu que os jovens devem seguir o legado de Lúcio Lara, pois a geração de Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi, signatários dos Acordos de Alvor, está a desaparecer. “É uma perda, não só para o MPLA, mas para Angola e África”, defendeu Kuangana, ao lembrar que Lúcio Lara, ao lado dos líderes dos três movimentos de libertação nacional, foi um dos precursores da Independência Nacional.
A mesma opinião é partilhada pelo porta-voz da presidência da FNLA, Laiz Eduardo, para quem a morte de Lúcio Lara fecha o “ciclo dos nacionalistas da primeira hora”. Lara, sublinhou, “foi um dos que desbravaram o caminho” que conduziu o país à Independência Nacional. Tal como Kuangana, o dirigente da FNLA considera que a morte de Lúcio Lara não é apenas uma perda para o MPLA, mas para toda a Nação angolana. “Lúcio Lara dedicou toda a sua vida ao país. Por isso, o país todo deve render homenagem a este ilustre filho de Angola”, defendeu Laiz Eduardo, para quem a juventude angolana deve seguir o seu exemplo.

Regresso a Luanda

Presente nos momentos mais importantes da História de Angola, além de ter dado posse ao Presidente António Agostinho Neto e, depois, ao Presidente José Eduardo dos Santos, Lúcio Lara chefiou a  primeira delegação do MPLA que a 8 de Novembro de 1974, foi entusiasticamente recebida pela população, no aeroporto de Luanda, então designado de Belas. Transportada por um avião da Zambia Airways, a delegação era ansiosamente aguardada por uma multidão de gente.
O Jornal de Angola traz hoje a primeira página do seu antecessor, A província de Angola, edição de 9 de Novembro de 1974, e excertos da reportagem a propósito desse acontecimento que paralisou Luanda, com a mobilização de uma multidão que só seria superada com a chegada de Agostinho Neto, em Fevereiro de 1975, e comícios posteriores do MPLA:
“… compara-se com cerca de 100.000 pessoas que enchiam por completo o aeroporto, a aerogare, o largo fronteiriço, as zonas adjacentes, as zonas de segurança, , a placa. Gente que realmente vibrava, que realmente aparecia ali porque ia ver a delegação do MPLA, chegada de Lusaka e Brazzaville, longamente esperada, longamente ansiada. (…) A chegada do avião estava prevista para as 10 horas. Mas houve atraso e o “BAC III” da “Zambia Airways” acabaria por chegar só a uma da tarde. Mas ninguém arredou pé. Antes pelo contrário, cada hora que passava trazia mais gente para o aeroporto.  (…) O “BAC III” fez-se à pista, aterrou, rolou, entrou na placa. Mas ainda os grandes reactores não tinham parado de silvar e já a multidão, perdendo por completo toda e qualquer possibilidade de controle, rompia as barreiras e irrompia pela placa. Em dois minutos, o avião estava semi-submerso por populares e a escada, como um cacho de gente. Impossível sair. Gritos constantes MPLA!, MPLA!…”
E continuando: “Em vão se pedia às pessoas que se afastassem, em vão se procurava fazer cordões capazes de afastar um pouco a multidão. A porta do avião assomavam caras conhecidas e os gritos, as chamadas, multiplicavam-se. Rocha! Mingas! Monstro! Lara! – ouvia-se gritar”
“De repente, Lúcio Lara – que tinha estado à janela da cabine de pilotagem tentando (em vão…) com um megafone, afastar as pessoas das proximidades mais directas do acesso à aeronave -, arrancou pela escada, meteu-se a meio da imensa mole de gente, tentando “arrastar” consigo os populares, para deixar o caminho livre à restante delegação. Também essa tentativa foi gorada. Era gente a mais…”
“Lúcio Lara foi levado em ombros, como um toureiro num fim de tarde épico… E a multidão continuou a pé firme.”  Com Lúcio Lara vieram nesse voo Lopo do Nascimento, Carlos Rocha Dilolwa, Ludi Kissassunda, Saidi Mingas, Manuel Tuta “Batalha de Angola”, Jacob Caetano “Monstro Imortal”, Pedro Maria Tonha “Pedalé”, Henrique Santos “Onambwe”, Valódia, Bento Ribeiro “Kabulo”, Pascoal Luvualo, Ambrósio Lukoki, Pedro Gomes, Maria Mambo Café, Sílvia de Almeida, Ruth Neto, Luzia Inglês, entre outros.

Uma vida em prol da liberdade 

Lúcio Lara, de seu nome completo Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara, ou Tchiweka, nasceu no ano de 1929 no Huambo (Nova Lisboa), de pai português e de mãe angolana natural do Bailundo e neta dum soba do Libolo (hoje situado no Cuanza Sul).
No próximo dia 29 de Abril completaria 87 anos. Fez os estudos primários e parte dos secundários no Huambo e terminou o liceu no Lubango (Sá da Bandeira). Em 1947 seguiu para Portugal para os estudos universitários (Ciências Físico-Químicas). Foi ali que se embrenhou na luta nacionalista, juntamente com Agostinho Neto, Mário de Andrade, Amílcar Cabral, e outras figuras  nacionalistas das colónias  portuguesas, numa dinâmica que iria desembocar na formação de organizações  comuns, nomeadamente o MAC (Movimento Anti-Colonial) em 1957, a FRAIN (Frente Revolucionária  Africana  para a Independência Nacional ) em 1960 e a CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias  Portuguesas) em 1961. Com Mário de Andrade, Viriato da Cruz, Eduardo Macedo dos Santos, Hugo de Menezes, Matias Miguéis participou da estruturação do MPLA em 1960, e na decisão da passagem à luta armada. Durante a Luta de Libertação Nacional, ocupou lugares de responsabilidade político-militar nas Frentes Norte e Leste, tendo pertencido às estruturas directivas do MPLA desde o primeiro Comité Director de 1960, as direcções seguintes, o Bureau Político e Comité Central desde 1974 (Conferência Inter-regional de Militantes), até à sua paulatina retirada, que culminou com a saída definitiva da vida política, em 2003.
Foi também Primeiro Secretário da Assembleia do Povo a partir de 1981 e deputado eleito para a Assembleia Nacional em 1982. A nível internacional foi presidente da Agência Pan-Africana de Informação (PANA), em 1978. Toda a vida política de Lúcio Lara se confunde com a história e os meandros da trajectória do MPLA, de Movimento de Libertação a Partido no Poder, e numa longa relação de amizade, fidelidade política e estreita colaboração com Agostinho Neto, tendo sido considerado nos círculos políticos  nacionais e internacionais  como o braço  direito do Primeiro  Presidente de Angola até ao falecimento  deste, em 1979.
Como nacionalista africano, Lúcio Lara lidou com figuras emblemáticas do Pan-Africanismo, assim como da intelectualidade africana, entre eles Kwame NKrumah, Franz Fanon, George Padmore, Felix-Roland Moumié, Ruben Um Nyobe, Cheikh Anta Diop, Sembéne Ousmane e outros.
Nesse longo e muitas vezes difícil percurso, sempre contou, no espírito dos princípios que ele defendia, com a firmeza política e moral de Ruth Lara, sua esposa, e companheira de todas as lutas, falecida em 2000. Figura emblemática e bem conhecida da luta de Libertação Nacional em Angola, Lúcio Lara constituiu o símbolo de uma espécie, já rara, de militantismo e de entrega a um ideal político, numa vida inteira dedicada à luta por uma Angola e uma África livres e dignas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/angola_perdeu_uma_referencia_do_nacionalismo_1

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Preços do arroz,açucar,fuba e peixe vão ser vigiados em Angola

 

Preços do arroz,açucar,fuba e peixe vão ser vigiados

Há produtos e serviços que vão passar a ter preço fixado. Outros, como os produtos básicos alimentares e serviços essenciais de transporte, vão ter os respectivos preços vigiados.

Mais de 30 produtos vão ter o preço vigiado, de acordo com o Decreto Executivo 62/16. O diploma publica a lista dos bens e serviços abrangidos pelo Regime de Preços Ficos e Vigiados.

O LPG (vulgo gás de cozinha), o petróleo iluminante, água canalizada, energia eléctrica e as tarifas do transporte público colectivo urbano de passageiros, passam a ter preço fixo.

Entre os produtos e serviços com preço vigiado constam o açúcar, o arroz, a carne, o peixe, a farinha de trigo, o feijão, a fuba de milho, fuba de mandioca, leite, massa alimentar, óleo de palma, sabão em barra, sal, batata, batata-doce, tomate, cebola, cenoura, pimento, repolho, alho, alface, mandioca, pão, banana, banana-pão, laranja. Para além destes encontramos também as tarifas de passagem aérea de passageiros e carga, tarifas de transporte rodoviário, marítimo e ferroviário de passageiros e de carga e as tarifas portuárias, aeroportuárias, transporte, permilagem e armazenamento de produtos inseridos nesta lista.

A lista, nos termos do Decreto Executivo do Ministério das Finanças, passa a ser publicada anualmente e resulta, de acordo com um comunicado do Ministério das Finanças, de uma deliberação do Conselho Nacional de Preços, organismo do qual fazem parte o Ministro das Finanças, que o preside; os ministros da Economia, Comércio, Agricultura, Pescas e do Planeamento e do Desenvolvimento Territorial.

A taxa de inflação homóloga na Província de Luanda, que é a que serve de referência à política monetária, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística esta Quarta- feira, subiu para 17,34%, o que traduz um aumento superior a três pontos percentuais relativamente à observada em Dezembro e de 9,9 pontos percentuais relativamente à observada em igual período do ano anterior.

Preços do arroz,açucar,fuba e peixe vão ser vigiados

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SONANGOL PERDE MAIS DE USD 1 BILHÃO EM DOIS ANOS

 

SONANGOL PERDE MAIS DE USD 1 BILIÃO EM DOIS ANOS

Para mitigar o impacto do actual momento económico e financeiro, a Sonangol garante reforçar as medidas de controlo das suas despesas. No ano passado, a receita total da concessionária nacional foi de Kz 2,2 Bilhões, uma queda de 34% em comparação com 2014.

Numa altura em que os preços do barril do petróleo no mercado internacional se mantêm na “casa” dos USD 33, a Sonangol, que esta semana, celebra os seus 40 anos de actividade, divulgou os seus resultados e anunciou que terá um “2016 bastante difícil”. Para manter o plano estratégico definido para o presente ano económico, a Sonangol vê-se obrigada a rever os seus projectos de investimentos e a livrar-se de “activos e negócios não nucleares”. A informação foi avançada, esta Quarta-feira pela concessionária nacional num comunicado.

A Sonangol, sublinha o documento, “espera um crescimento da produção petrolífera que por certo será acompanhada por uma substancial redução do preço do petróleo bruto”, o que faz antever que “os resultados e o desempenho financeiro da empresa continuarão sob forte pressão”. Para lidar com este cenário difícil, a Sonangol diz que vai manter as medidas do ano passado “para a redução do custeio e que serão reforçadas em 2016, a revisão de alguns projectos de investimentos e o recurso à opção de descontinuidade de activos e negócios não nucleares”.

A receita da empresa pública registrou uma queda de 34 % e os lucros recuaram 45%. “Os resultados e o desempenho financeiro da empresa continuarão sob forte pressão”, lê-se na nota. Para mitigar o impacto, a Sonangol garante que vai “reforçar” este ano as medidas de controlo da despesa iniciadas no ano passado, para além de outras iniciativas, com o objectivo de manter “as condições de equilíbrio financeiro e para explorar a necessária margem para continuar a investir”.

“A receita total da Sonangol em 2015 foi de Kz 2,2 bilhões, cerca de 34% inferior à receita total de 2014” e o EBITDA (resultado operacional) “reduziu-se em 45%”, de acordo com o comunicado. No documento, a Sonangol diz que produziu 649,5 milhões de barris em 2015, o que representa uma média de 1,77 milhões de barris por dia, o que traduz um aumento de 6% face à produção do ano passado.

O acréscimo é explicado “principalmente pela entrada em produção de novos campos no bloco 14 (Lianzi), bloco 15 (Satélites – Kizomba II) e bloco 17 (MPP Rosa e Dália 1A), assim como pelo consistente desempenho operacional nos blocos 17, 18 e 31”. Na apresentação dos resultados a petrolífera informou igualmente que “a produção de gás natural decresceu em 8%, fixando-se em 507.293 TM (toneladas métricas), num ano em que a unidade industrial de gás natural líquido na cidade do Soyo se manteve paralisada”. Exportou 223,5 milhões de barris, “que ao preço médio de USD 50 por barril permitiu uma arrecadação bruta de USD 11,1 mil milhões, o que representou uma diminuição de 54% em relação a 2014”.

Sonangol perde mais de USD 1,12 mil milhões e Angola exporta a USD 37,6 o barril

Este vai ser mesmo um ano muito difícil para a Sonangol. Em Janeiro, a receita da concessionária reduziu-se em Kz 178,3 bilhões, o equivalente a USD 1,12 bilhões ao câmbio corrente, relativamente à receita apurada em igual mês de 2014. O confronto com Janeiro de 2015 também não é brilhante: menos Kz 26,4 bilhões, o equivalente a cerca de USD 167 milhões.

Também a receita petrolífera total deu um tombo em dois anos. Na comparação de Janeiro de 2014 com Janeiro deste ano regista uma redução de Kz 222,6 bilhões, o equivalente a USD 1,4 bilhões. A responsabilidade cabe, como não podia deixar de ser à quebra no preço médio do barril exportado, que passou de USD 42,17 no último mês de Dezembro para USD 37,665 em Janeiro de 2016.

Em Janeiro, o volume de exportação até aumentou relativamente a Dezembro, situando-se em 54,7 milhões de barris. Só num mês de 2014 este valor foi superado. Em 2015 por três meses se atingiu a fasquia de 54 milhões de barris e só em Setembro se atingiu um volume de exportação superior a 55 milhões de barris.

Executivo dá “luz verde” a petrolífera nacional para pesquisar no Bloco 48/16

A Sonangol vai usufruir dos direitos mineiros para prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos líquidos e gasosos na área do Bloco 48/16, no offshore angolano. O Decreto Presidencial que dá respaldo legal a essa concessão foi aprovado na quarta-feira desta semana, pelo Executivo angolano, durante a 2ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

http://opais.co.ao/sonangol-perde-mais-de-usd-1-biliao-em-dois-anos/

“Sou uma mulher ambiciosa, lutadora e persistente acima de tudo”

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Fundadora e CEO da Super Fashionn, ganhou recentemente o Prémio Victória Garcia pela organização dos Angola Fashion Awards. Ao Expansão, fala da moda e da força de vontade para ultrapassar as situações mais difíceis.

A sua vida nem sempre foi fácil. A morte prematura do seu pai fê-la ter de começar cedo a ajudar em casa. Como foi esta fase?

A minha família é grande. Sou a última filha e cresci com todo o amor e carinho possíveis. O meu pai teve um AVC e, com 13 anos, tive de cuidar dele, que mal podia andar. Quando morreu, foi o fim de tudo para mim. Faltou-nos tudo: protecção, amor, comida e o chefe de família. Foi a pior fase da minha vida. A minha mãe teve de voltar a trabalhar como empregada de limpeza para nos sustentar, cheguei a ficar sem sapatos para ir à escola, e ficava com fome até esperar que a minha irmã nos levasse comida. Lembro-me de ir várias vezes trabalhar pela minha mãe, que sempre teve a saúde muito débil. E ainda bem, pois foi assim que aprendi, cedo, que para ganharmos o pão temos de trabalhar.

Quando, aos 17 anos, começou a viajar para o Brasil para trazer roupa, sonhava que viria a ter uma revista de moda e lojas de roupa?

Após tudo o que passei na vida, de uma coisa tive a certeza: pobreza extrema nunca mais haveria de querer. Ter fome e não ter comida, querer ir à escola e não ter sapatos, são momentos que jamais hei-de esquecer, por isso escolhi vencer. Quando decidi ir ao Brasil, sempre disse que um dia havia de trabalhar, ter dinheiro e cuidar da minha mãe – quando o meu pai andou doente sempre me disse que devia cuidar bem dela, e até hoje trato de honrar esse compromisso. Tinha a certeza de que seria empresária, só não sabia que seria a partir daquela primeira viagem.

É uma mulher lutadora?

Considero-me uma mulher ambiciosa, lutadora e persistente acima de tudo, porque não basta apenas sermos lutadoras. Às vezes as lutadoras desistem quando se encontram débeis. Já os persistentes nunca desistem. Foi Miss Cabinda em 2003. Este título ajudou-a a singrar no mundo da moda? Esse título chegou para completar o que já era, foi a ‘cereja no topo do bolo’. Já tinha bom gosto e vontade de ser empresária. Ser Miss não só me deu capacidade financeira para alavancar o negócio como me deu popularidade para torná-lo mais rentável, e permitiu-me fazer uma das licenciaturas em Contabilidade. Ser miss foi, sem dúvida, a ‘chave’ para tudo na minha vida, aliando a minha inteligência e a minha vontade de vencer, porque beleza, por si só, de nada serve.

A moda angolana está mais internacional?

Está a ser conhecida e reconhecida a nível internacional. Estilistas como Nadir Tati ou Carla Silva estão presentes nos eventos internacionais a dar a cara por Angola. Na vertente ‘modelo’, foi uma explosão – temos hoje três modelos renovadas, e uma delas, a Maria Borges, é favorita de vários criadores, como Givenchy, Moschino, e está presente nas semanas de moda mais emblemáticas do mundo. Tivemos este ano a Amilna Estêvão, que foi a ‘modelo-sensação’, o novo rosto preferido por todos os fotógrafos e estilistas, foi o rosto da Semana da Moda em Nova Iorque. Tive o privilégio de estar no corpo de jurados que a elegeu no Elite Model Angola e hoje digo que é uma honra muito grande ver essas meninas levarem o nome de Angola ao mundo da moda, e ver o País reconhecido nesse sector. É gratificante. Como surgiu a ideia de ter a sua própria revista? Surgiu da minha paixão pela moda. Depois de ter as lojas, as clientes perguntavam como se podiam vestir neste ou naquele evento. Queriam vestir-se igual a mim, mas não tinham a percepção de como acertar na indumentária em todas as ocasiões. Devido a muitas solicitações, e como não conseguia responder a todas devido ao factor tempo e disponibilidade, pensei criar uma revista, onde podia explicar-lhes como combinar roupas, usar novas tendências com o que já tinham. A primeira revista que me veio à mente, mediante as minhas necessidades, foi a Vogue – e decidi pedir sua representação para Angola, o que na altura foi negado devido à ausência das marcas. Foi então que decidi a fazer uma revista ‘Vogue’ à moda angolana. Queria que se chamasse Super, porque o conceito era ser uma supermulher. No registo, o nome foi recusado, alegando que devia acrescentar algo. E acrescentei ‘Moda’: Super Moda. Mas como sempre pensei internacionalizá-la, dei o nome em inglês e ficou Super Fashion, na altura com apenas um ‘n’, hoje com ‘nn’ – Fashionn.

Como tenta atrair o público angolano e o português?

A forma como tenho atraído o público angolano é por ser uma revista dinâmica, ousada e sempre em cima das últimas tendências de moda. Mostramos às angolanas que estão a par das tendências internacionais e não ficam a dever a qualquer mulher. Quanto ao público português, como sabemos há uma união pelos laços históricos entre os dois países, e a Super Fashionn torna-se num único veículo, com uma edição nas bancas em Portugal e Angola. Os anunciantes ganham, pois têm interesses em duas cidades, o que facilita ao investidor português que queira entrar no mercado de Angola para divulgar os seus serviços. Em Portugal, a Super Fashionn também serve para esclarecer a ideia deturpada de várias pessoas que não conhecem Angola têm do nosso País. Hoje, vêem que temos glamour, conhecemos o melhor do mundo e somos trendy, sofisticadas como qualquer mulher ocidental.

Os angolanos gostam muito de marcas de luxo, mas em Angola ainda não há muitas. O que falta para que comecem a investir aqui?

As marcas internacionais têm políticas que devem ser respeitadas, até para salvaguardar o seu bom-nome. Verificámos este ano uma alteração na Pauta Aduaneira para artigos supérfluos, ‘de luxo’. A percentagem que é paga para desalfandegar esses produtos é alta, o que torna inviável a aplicabilidade da margem exigida por essas marcas para equipararem as vendas perante outros mercados. Várias marcas tentaram entrar cá, mas, ao verificarem que a margem seria muito alta e os que produtos acabariam por encarecer, viram que o investimento não seria rentável.

A actual crise afecta o sector da moda? Tem notado isso nas suas lojas Bibi?

Tem afectado todos os sectores, é visível aos olhos de todos, e a moda é aquele sector que é sempre o mais afectado, porque nunca é a prioridade, quando devia ser o inverso. Quando houve recessão, o único sector que teve contínuo crescimento foi o da moda, tivemos um aumento de 4% na taxa de novos criadores internacionais. Em Angola isto não acontece por não ser ainda um país industrializado. As prioridades são sempre os bens de primeira necessidade – alimentação e medicamentos –, mas, mesmo nestes sectores, sentimos que também há dificuldades, chegamos a ver prateleiras vazias nos supermercados. No sector da moda foi um caos, tivemos lojas a fechar, redução de trabalhadores, dificuldade em ter divisas para importar mercadorias. No meu caso, tenho feito compras seis vezes por ano, este ano fiz apenas duas. As vendas caíram a 55%, tive de reduzir o número de funcionários, readaptar conceitos de loja… não foi um ano fácil, e não está a ser fácil.

Como pensa que o Governo poderá dar a volta a esta crise?

Angola tem outros recursos além do petróleo… O Governo tem adoptado medidas penso que correctas para descentralizar a nossa economia da dependência do petróleo. Angola é um país belo em recursos naturais, penso que o Governo deve investir no turismo. A nossa fauna e flora transcendem uma beleza capaz de atrair qualquer turista internacional. O turismo foi um sector que não mereceu atenção, e temos exemplos de países que não constavam no ‘mapa’ mundial do turismo e hoje são os destinos mais visitados. Temos a Tailândia, o Dubai, que investiram em infra-estruturas e atracções turistas. E há o sector da agricultura, que definitivamente devia ser impulsionado desde há anos. O Governo, perante a crise, tem vindo a tomar medidas como bonificação de créditos e programas para incentivar os investidores.

Recebeu recentemente o Prémio Victória Garcia pela organização do Angola Fashion Awards. O que significa este galardão?

Receber o prémio vanguarda da moda a que decidiram atribuir o nome de Victória Garcia é uma honra, é ver o reconhecimento pelo que a Super Fashionn tem feito no mercado da moda em Angola, e tudo isso graças à minha equipa coesa e apaixonada pelo trabalho.

Amante da moda

Chama-se Beatriz Pemba da Conceição Franck, é natural de Cabinda e nasceu a 9 de Março de 1982. Fundadora e CEO da Super Fashionn e das lojas Bibi, diz-se ambiciosa, lutadora e persistente. Gosta de ouvir música, dançar, ler e escrever, e tem como lema “Amem-se verdadeiramente, só assim sabemos o que é certo! Transformem os sonhos em realidade”.

http://expansao.co.ao/artigo/61559/-sou-uma-mulher-ambiciosa-lutadora-e-persistente-acima-de-tudo-?seccao=8

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Emprego no Estado ou grande empresa e um ‘canudo’ são os trampolins sociais em Angola

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São as classes médias que se constituem como vanguarda da transformação cultural. Elas aspiram a outros planos na pirâmide, ao mesmo tempo que são fonte de aspiração para os grupos mais abaixo.

 

Os trampolins de ascensão social em Angola vistos como os mais garantidos e, por isso, os mais ambicionados são a estabilidade da situação profissional e as habilitações acadêmicas, conclui o estudo do Observatório Angola sobre as classes médias do País e o mapa dos seus consumos, a que o Expansão teve acesso em exclusivo. Hierarquicamente mapeamos, primeiro o “ter emprego a tempo inteiro”, segundo o “ser funcionário público”, terceiro o “trabalhar numa grande empresa” e, finalmente, o “ter habilitações acadêmicas superiores” ou, no limite, formação profissional, explica José Octávio Serra Van-Dúnem, consultor sénior do projeto focado na compreensão das dinâmicas sociais e de mercado, procurando identificar os processos de formação de classes médias e os modos como elas podem evoluir qualitativa e quantitativamente. E o mundo dos negócios não é um bom elevador social?

“Claro que ter um bom negócio também pode ser um importante gerador de rendimentos, mas definitivamente não surgiu como o predominante”, explica o sociólogo e CEO da Logos Holi Consulting.

 

http://expansao.co.ao/artigo/61542/emprego-no-estado-ou-grande-empresa-e-um-canudo-sao-os-trampolins-sociais?seccao=5

 Supermercados asseguram produtos para seis meses