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OMS apoia combate à febre-amarela em Angola que precisa de 18 milhões de dose da vacina

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A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde elogiou ontem os esforços das autoridades angolanas no sentido de controlar o surto de febre-amarela. Margaret Chan prometeu apoio técnico e financeiro para acelerar a redução de casos mortais devido à doença.

Ontem, depois de uma audiência com o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, a directora-geral da OMS reconheceu os progressos registados por Angola, desde a primeira vez que visitou o país em 2008.
Nesta visita a Angola, a convite do Governo angolano, a número um da OMS visitou alguns centros de vacinação e o Hospital Geral de Luanda, onde pôde constatar melhorias significativas que se reflectem na redução do número de casos mortais.
“Felicitamos o Governo por este esforço”, disse Chan, antes de exortar as autoridades sanitárias a prosseguirem com o mesmo empenho a campanha de vacinação que está em curso em Luanda. “A campanha continua e cerca de 87 por cento da população já foi vacinada”, realçou Chan.
A diretora-geral da OMS disse ter recebido garantias do Presidente José Eduardo dos Santos de mais apoio ao sector da saúde, quer em termos financeiros quer em pessoal. Margaret Chan encorajou as autoridades a prosseguirem com o mesmo empenho e lançou ela própria um repto às empresas para que se associem nessa luta para acabar com a febre-amarela.
Chan referiu-se ao ecossistema angolano, em que os mosquitos que são vectores da febre-amarela devem ser combatidos com medidas rigorosas de controlo ambiental, dos resíduos e de saneamento público. “Muitos tipos de mosquitos que são vectores dessas epidemias são controláveis, daí que se impõe a tomada de medidas no sentido de reduzir o número de insectos com papel ativo na propagação da doença”, afirmou.
Mas o êxito dessa campanha, referiu, impõe o envolvimento de todos, particularmente das famílias. “Quero fazer um apelo especial às famílias, para que percebam que dois terços dos mosquitos vectores da febre-amarela e também da malária reproduzem-se em casa. Daí a necessidade de um engajamento sério de todas as famílias para acabarem com essa doença.”
Dados do Ministério da Saúde indicam que foram registados em 16 províncias perto de 1.600 casos de febre-amarela, com uma mortalidade de cerca de 14 por cento. A OMS mobilizou 65 técnicos, vindos tanto do escritório regional como da sede, que participam nos esforços empreendidos pelo Governo angolano para combater a febre-amarela.

Acompanhada da directora regional da OMS, Matshidiso Moeti, Margaret Chan está em Angola desde domingo, a convite do Governo angolano, para analisar e apoiar a resposta à epidemia da febre-amarela, que afeta o país desde  Dezembro do ano passado. A visita serve também para acompanhamento dos progressos e desafios na área da saúde em Angola.

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O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, que também acompanhou a directora-geral da OMS na audiência com o Presidente da República, disse que a província de Luanda está à beira de completar a campanha de vacinação contra a febre-amarela e existem perspectivas de se estender a campanha para outras províncias tão cedo quanto possível.
“Fizemos a encomenda de vacina anti-amarílica e já chegou uma parte, cerca de três milhões de doses”, disse o ministro, antes de confirmar o pedido feito à OMS no sentido de facilitar a compra dessa vacina no exterior para que chegue a Angola o mais cedo possível.

Momento difícil

O coordenador residente e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) disse ontem em Luanda que situações difíceis, como a que Angola atravessa devido ao surto de febre-amarela e malária, são “oportunidades para os aliados internacionais demostrarem a sua amizade e compromisso”.
“Nós, os parceiros internacionais, estamos a dizer que acreditamos neste país, apoiamos o seu Governo e defendemos a sua população”, declarou Paolo Balladelli, antes de reconhecer a “determinação e os esforços” do Governo angolano para controlar as duas epidemias, incluindo o compromisso para a aquisição das vacinas, operacionalizar a logística e integrar todos os sectores da vida pública.
Balladelli interveio num encontro alargado em que participaram os ministros das Relações Exteriores e da Saúde e membros do corpo diplomático acreditado em Angola. No encontro estiveram presentes os representantes da OMS, da UNICEF e de outras agências do sistema das Nações Unidas. Paolo Balladelli disse que a presença em Luanda das autoridades de saúde mais importantes a de África e mundial, a fim de analisar e apoiar a resposta do país ao surto de febre-amarela, atesta o compromisso da OMS e do sistema das Nações Unidas de apoiar Angola.
“Neste período difícil para a economia angolana, marcado pela queda do preço do petróleo a nível internacional, que levou à necessidade de controlar o orçamento, manifestamos a nossa satisfação por ver que sectores sociais e em particular o da saúde estão a ser geridos de forma a proteger a população angolana”, frisou.Balladelli defendeu que nesta fase de intensificação da resposta nas províncias, vai ser preciso que os governadores estejam “muito comprometidos e operativos para uma resposta satisfatória no combate à epidemia”.
O representante do PNUD referiu que para materializar estes esforços é preciso que a negociação para compra da vacina ao nível internacional seja rápida, já que a vacina é a “arma número um”, num processo que envolve investigação epidemiológica, mobilização social e controlo do vector através do saneamento básico e o tratamento do lixo.
Balladelli apelou também para a necessidade de se “insistir na mobilização de recursos financeiros nacionais e internacionais” que ajudem a acelerar a resposta contra a febre-amarela e a malária. Garantiu que, depois de um encontro ontem à tarde, o Fundo Global, o Banco Mundial e o sector privado estão empenhados em mobilizar apoios para Angola. O encontro decorreu no Ministério das Relações Exteriores e visou esclarecer sobre o quadro actual da doenç, além de juntar sinergias para enfrentar a situação. Para o combate à febre-amarela, as autoridades angolanas têm contado com o apoio técnico da OMS, da UNICEF, do PNUD, da OCHA com o fundo para as emergências, e de outras agências das Nações Unidas, do CDC dos Estados Unidos, da Cooperação Cubana, do MSF-Espanha, entre outros parceiros. A situação também mobilizou o apoio de países como a China e Coreia do Sul.

Milhões de vacinas

Para a completa imunização de toda a população contra o surto da febre-amarela que assola o país desde Dezembro do ano passado, vai ser necessária uma quantidade adicional de 18 milhões de doses de vacina da doença, declarou  o ministro da Saúde.
Para o efeito, o Executivo já se preparou financeiramente para comprar as vacinas necessárias. “A vacina não está disponível nas quantidades necessárias no mercado internacional e precisamos de ajuda de parceiros para que os fabricantes produzam e disponibilizem o mais rápido possível”, disse o ministro.
Luís Gomes Sambo disse que as determinantes do actual quadro epidemiológico passam pela alta densidade do vector que transmite a febre-amarela, as condições de higiene e saneamento no país e também da determinante relacionada com a cobertura vacinal contra a febre-amarela, que afecta nacionais e estrangeiros. Muitos dos casos estão relacionados com pessoas que não foram vacinadas.
Explicou que o Executivo elaborou um Plano de Resposta contra a febre-amarela, que contém cinco pontos. O primeiro tem a ver com a investigação epidemiológica e laboratorial, o segundo com a vacinação com a qual se pretende imunizar toda a população. Com sete milhões de doses disponibilizadas, foi possível fazer uma cobertura vacinal de 88 por cento da população em Luanda.
A terceira componente está relacionada com a luta antivectorial. “Se conseguíssemos eliminar em 90 por cento a população de mosquitos, controlávamos rapidamente a situação. Estamos a reactivar as brigadas de vacinação e de luta anti-vectorial que devem trabalhar a nível dos municípios”, assegurou, agradecendo o apoio das organizações internacionais, principalmente a ONU.
A quarta componente tem a ver com o tratamento de casos e a quinta está relacionada com a comunicação, que deve jogar o papel de informar as pessoas para que percebam o modo como é transmitida a doença.
Sem avançar dados, o ministro falou igualmente do quadro epidemiológico do paludismo, e disse que o país registou um número excessivo de casos nos primeiros dois meses deste ano em comparação com os dois primeiros do ano passado. “A partir de um estudo realizado, chegou-se à conclusão que se trata de uma epidemia de paludismo que tem atingido crianças com idade inferior a cinco anos, adolescentes e jovens com um índice de mortalidade considerável”, referiu, informando que o Executivo continua a adquirir meios adicionais para evitar que a epidemia continue.
Gomes Sambo disse ser preciso combinar o tratamento com a melhoria das condições do meio ambiente, e falou na criação de uma plataforma multissectorial para mobilizar recursos nacionais e assim executar os planos de respostas necessários.

Reforçar a vigilância

A diretora geral da OMS falou da necessidade de as famílias redobrarem a prevenção e combate ao mosquito, destacando que o fundamental é reforçar a vigilância e diagnóstico como via para evitar que a doença saia do controlo das autoridades. Sobre a necessidade de vacinas, Margaret Chan assegurou que os quatro fabricantes da vacina da febre-amarela estão disponíveis para aumentar a produção.
A diretora regional da OMS disse que o país é o primeiro beneficiário com 300 mil dólares do Fundo para Emergências de Saúde Pública criado pela Organização,  canalizado para  primeira campanha de vacinação.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/oms_apoia_combate_a_febre-amarela

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