A discriminação aos albinos

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Roger Godwin |
15 de Junho, 2016

As Nações Unidas, através do seu secretário-geral Ban Ki-moon, acabam de reforçar os apelos internacionais que têm vindo a ser feitos por diferentes organizações no sentido de ser colocado um ponto final à discriminação que alguns países ainda fazem em relação aos albinos.

Este apelo, que também poder ser interpretado como uma “suave condenação” dos países que teimam em ameaçar o bem-estar, a saúde e até a vida das pessoas albinas, surge numa altura em que este problema volta a estar na ordem do dia com a divulgação de numerosos casos de violência ocorridos recentemente na Tanzânia e no Malawi.
Na sua declaração, o secretário-geral da ONU recorda que a organização a que pertence divulgou muito recentemente uma série de programas especialmente destinados às pessoas albinas que, se forem devidamente cumpridos, lhes permitirá participar plenamente na vida social dos seus países.
Acontece que, infelizmente, muitos países africanos têm boicotado os esforços das Nações Unidas, fechando os olhos a todo o tipo de crimes que são cometidos contra os albinos, muitos deles motivados por questões culturais e de tradições enraizadas em populações menos esclarecidas.
Inserida no programa alusivo ao Dia Internacional de Sensibilização para o Albinismno, a declaração de Ban Ki-moon acaba por ser uma denúncia contra flagrantes violações dos direitos humanos em todo o mundo, mas que encontram em África um eco muito maior por serem as que são mais facilmente expostos através da propagação pela imprensa internacional.
Mas na verdade a questão da perseguição e da discriminação às pessoas albinas não é apenas um problema africano, uma vez que está espalhado um pouco por todo o mundo.
Isso mesmo reconhece, implicitamente, o próprio secretário-geral das Nações Unidas quando afirma que o albinismo sempre foi objecto de mistificações que derivam de crenças e mitos completamente errados e que nada têm a ver com o sexo, raça ou condição social das vítimas.
Na realidade, nalguns países ainda subsiste a ideia de que certas poções ou muletas fabricadas a partir de partes do corpo de albinos possuem poderes mágicos, o que provocoumúltiplos casos de uma enorme procura mundial por esses produtos estranhos.
Essa procura, que não se restringe apenas ao continente africano, esteve na origem de diversos casos de rapto e de homicídios de albinos, havendo até conhecimento de situações de exumação dos seus corpos em determinados cemitérios.
O que o secretário-geral das Nações Unidas não disse é que toda essa longa história de discriminação e estigmatização fez com que as pessoas albinas, na sua esmagadora maioria, estejam actualmente a viver numa pobreza extrema, pornão terem acesso a serviços básicos, como emprego, habitação, saúde e educação.
Estranhamente, quando a nível mundial se fala da “Agenda 2030”, destinada a promover o desenvolvimento duradoiro das populações, são referidos vários níveis e classes de população mas os albinos, mais uma vez, parece terem ficado do lado de fora.
Talvez a pensar nisso e na necessidade urgente de serem dados passos concretos para reverter a situação, as Nações Unidas acabam de nomear a nigeriana Ikponwosa Ero para tratar especificamente dos direitos das pessoas albinas.
Esta perita internacional, também ela albina, na sua primeira intervenção deu como exemplo o que se passa com os seus pais albinos que vivem no Malawi, diariamente atormentados pelo medo de poderem ser as próximas vítimas da discriminação.
Se em África ainda existe a preocupação de pelo menos olhar para o problema e tentar encontrar soluções exequíveis, noutros continentes a situação é absolutamente diferente.
Nalguns países europeus, por exemplo, a discriminação em relação às pessoas albinas é de tal ordem que muitas delas ficam anos sem sequer sair de casa com receio de serem agredidas.
Nos Estados Unidos, até muito recentemente, havia Estados onde as pessoas albinas eram tratadas como animais e exibidas em circos para gáudio das crianças que desde pequenas foram ensinadas a considerá-las como uma aberração da natureza.
É por demais evidente que algo de muito substancial terá que ser feito, a nível internacional, para que a situação se altere de um modo muito significativo. O problema está por demais identificado, as soluções para o combater já foram aprovadas, faltando apenas a sua aplicação.
E é na sua aplicação que reside a grande questão que separa o que são os interesses dos diferentes intervenientes com poder para fazerem cumprir a lei. Enquanto as Nações Unidas continuarem apenas a “apelar” e a “sensibilizar” os países para a questão das pessoas albinas, muito pouco se avançará para a defesa real e concreta da sua vida e da sua dignidade.
Aquilo que deveria ser feito, sem apelo nem agravo, era chamar as coisas pelos seus nomes e apontar o dedo aos países que teimam em ser cúmplices de uma das mais vergonhosas formas de violação dos direitos humanos.
Enquanto subsistir o “pudor” em denunciar claramente o que se passa – e onde se passa – nada acontecerá que possa garantir aos albinos a defesa da sua honra e da sua vida, o bem mais precioso que tentam proteger.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/mundo_africano/a_discriminacao_aos_albinos

Lumenni Bombo dá exemplo de superação e recebe elogios no Angola Fashion Week

Por: Iraneth da Cruz
A jovem modelo, Lumenni Bombo, é uma das muitas pessoas que conseguiram enfrentar e ultrapassar os obstáculos e seguir de cabeça erguida após um grave acidente que quase lhe levou a vida. Orgulho da família e de muitos amigos, ela representa um grande exemplo de superação.

 

Na Semana da Moda, durante o Angola Fashion Week, onde todos os olhos estavam virados para muitas modelos e colecções, Lumenni foi, sem sobra de dúvidas, um dos destaques na Passarella da moda. Corpo esbelto, cheia de atitude e brilho no olhar, com a sua presença conseguiu chamar a atenção de todos os convidados.

Como não passou despercebida o actor angolano, Sílvio Nascimento, não deixou de felicitar a jovem, ao escrever no seu instagram o seguinte: “Dedico esse texto a ti, Lumenni Bombo, para que sirvas de exemplo, força, determinação e superação num mundo em que muitos desistem de si mesmos. És mais do que vencedora… És uma diva”.

“E por último e muito importante: Não contes os teus sonhos gigantes para pessoas pequenas de espírito, porque elas são a maioria e vão fazer-te acreditar que os teus sonhos são tão pequenos quanto o tamanho deles. Que Deus te proteja e guarde para suportar e saber digerir de forma coerente e lúcida essa nova fase da vida, pois ela é maior do que tu ou eu possamos imaginar”, escreveu Sílvio.

Ao ver o texto de Sílvio Nascimento, o músico C4 Pedro partilhou-o com os seus seguidores do instagram e escreveu: “Esta foto merece ser partilhada, o que poderia inspirar muita gente”.

 

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Vejam entrevista com Luiz Eduardo Soares, sobre as politicas fracassadas de segurança publica no Brasil

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Luiz Eduardo Soares alerta: prisões em massa e violência policial fracassaram no combate ao crime. É hora de uma polícia cidadã e de acabar com a “guerra às drogas”

Entrevista a Débora Fogliatto, no Sul21

O antropólogo, cientista político e especialista em segurança pública Luiz Eduardo Soares é um dos mais notáveis defensores da necessidade de se desmilitarizar a Polícia no Brasil. O coautor dos livros Elite da Tropa 1 e 2 (Que deram origem aos filmes Tropa de Elite) defende uma reforma que em sua avaliação não é simples, mas necessária, para que a polícia brasileira seja menos letal e, ao mesmo tempo, cumpra melhor seu papel. Esta questão está intimamente relacionada à superlotação das prisões e à sua falência em recuperar os criminosos, segundo ele.

Carioca, Soares veio a Porto Alegre para participar do evento “Porto Alegre sem medo – Construindo uma cidade mais segura“, promovido pela pré-candidata à prefeitura pelo PSOL, Luciana Genro, que aconteceu em 21/6 na Assembleia Legislativa. Em entrevista exclusiva ao Sul21, ele fala sobre a questão da desmilitarização da polícia, a necessidade de haver uma carreira única para os policiais e o papel que os municípios podem ter para melhorar a segurança pública. “A ideologia que rege as instituições militares policiais é a da guerra. Cumpre-se um mandado da sociedade para eliminar, liquidar fisicamente os inimigos, o que é absolutamente incompatível à atividade de uma polícia”, afirma. Confira a entrevista completa:

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O senhor defende a desmilitarização da polícia como uma possível solução para a violência policial. De que forma isso beneficiaria a sociedade e mudaria a forma como as polícias agem?  

Não necessariamente mudaria, mas é um pré-requisito para que mude. É uma condição necessária, mas não suficiente. Se pensarmos no Brasil, nós temos 56 mil homicídios dolosos por ano, dos quais só 8% são investigados. E a partir daí muita gente deduz que seja o país da impunidade, quando temos a quarta população carcerária do mundo, a que mais cresce desde 2002. Então isso pode parecer um enigma, mas é simples de desvendar. Há uma polícia, que é a mais numerosa, que está nas ruas todos os dias, durante as 24 horas. E essa polícia é proibida de investigar, é a Polícia Militar. Então a polícia que não pode investigar é instada, é provocada a produzir. E qual é a produtividade da PM, como ela define essa efetividade enquanto instituição? Prendendo. E apreendendo armas e drogas. Se ela não pode investigar, está proibida constitucionalmente de fazê-lo, ela é pressionada pelos governos, mídia e população a fazer prisões em flagrante. E quais os crimes passíveis de prisão em flagrante? Os que são acessíveis aos cinco sentidos. Isso significa um filtro seletivo que faz com que a ideia de aplicação da lei seja absolutamente distorcida.

Qual lei é instrumentalmente mais útil para o trabalho da PM? É a lei de drogas, porque é possível identificar os aviõezinhos, aqueles rapazes em geral que se dedicam à comercialização das substâncias ilícitas. E portanto, você encontra nos territórios mais pobres, mais vulneráveis, nas periferias, vilas e favelas, a presença policial que vai à caça de seus presos prediletos: os presos possíveis. Que não por acaso são negros, pobres e jovens, que estão entupidos as penitenciárias, sendo induzidos a buscar um vínculo com uma organização criminosa. Em geral, quando são presos eles não apresentam vínculos sólidos com organizações criminosas, não portam armas e não cometeram violências. Então você está prendendo varejistas do comércio de substâncias ilícitas, entupindo as prisões e arruinando a vida desses jovens por um preço muito alto. Isso tudo por conta de um casamento perverso entre o modelo policial e a lei de drogas.

A lei de drogas também precisaria ser mudada, então?

É, eu estou focalizando num aspecto que é importante, mas não é o único. Porque então pode-se dizer que se deve conceder à Polícia Militar a possibilidade de investigar também. Mas como seria possível para agentes que são organizados hierarquicamente, que seguem o comando superior sem pestanejar – porque a disciplina militar exige isso – aplicar a lei civil, se responsabilizar por investigações? Parece incompatível a natureza militar com esse tipo de prática.

Qual é a melhor forma de organização? É uma pergunta que não pode ser respondida, depende da instituição. A organização adapta uma certa entidade ao cumprimento de suas finalidades. Então começamos identificando o objetivo. O Exército, que é o modelo copiado pela PM, se organiza para cumprir sua tarefa, que é garantir a soberania do território, recorrendo inclusive a recursos bélicos quando necessário. Por isso, se centraliza de forma muito rigorosa, com uma hierarquia vertical muito rígida, porque o seu método de ação para cumprir sua finalidade se define pelo pronto-emprego, que é a capacidade de deslocar grandes contingentes humanos de forma eficiente e rápida. Portanto, se justifica, ainda que tenha havido muitas mudanças, com sofisticação, meios eletrônicos, os exércitos estão mais organizados. Mas de qualquer forma, compreende-se plenamente o formato. Uma polícia só deveria imitar essa estrutura do exército se a finalidade fosse a mesma. Mas não é essa a finalidade. A polícia tem como finalidade a garantia de direitos, prover meios para que se pratique a garantia de direitos. E se é assim, como vai se organizar como se fosse um exército? Claro que há confrontos que são bélicos, mas esses momentos correspondem a um número muito reduzido diante da complexidade e da magnitude das tarefas que se impõem às polícias militares do Brasil. Você não vai organizar uma instituição inteira para atender 1% da necessidade. Poderia ter unidades formadas especificamente para essa finalidade.

E por isso a polícia é tão letal?

Sim, isso nos conduz à questão do comportamento. A violência policial letal é uma tragédia nacional, a polícia do Brasil é uma das que mais matam no mundo, pelo menos entre os países que fornecem essas informações. E os dados são subestimados. No Rio de Janeiro, que talvez seja um dos estados com melhor registro desses fatos, tivemos entre 2003 e 2015, 11.343 mortes provocadas por ações policiais. Policiais muitas vezes morrem também, a situação de enfrentamento bélico é negativa também para eles. A ideologia que rege as instituições militares policiais é a da guerra. E se cumpre um mandado da sociedade para eliminar, liquidar fisicamente os inimigos, o que é absolutamente incompatível à atividade de uma polícia, porque não há inimigos, há cidadãos que são suspeitos ou que estão colocando em risco a vida de terceiros e devem ser contidos a partir da escala das ameaças. Isso nada tem a ver com a guerra propriamente dita, ainda que ações sejam similares. Quando toda a polícia é treinada para eliminar um inimigo, o suspeito passa a ser alvo de um ataque de destruição. Isso é escandaloso. Claro que seria possível tentar mudar essa cultura corporativa tão violenta e tão brutal mesmo sem a mudança estrutural, mas seria muito difícil. Não valeria a pena todo o empenho cujos resultados seriam improváveis mantendo um sistema organizacional que de qualquer forma é incongruente e incompatível às necessidades constitucionais.

A atitude das Polícias Militares em relação às repressões de movimentos sociais também segue essa lógica da guerra?

Sim, tem a ver com a estrutura organizacional, com a militarização. Até porque os policiais na ponta são máquinas de reprodução das ordens superiores, não são agentes treinados para refletir e tomar decisões com alguma dose de autonomia, o que seria o ideal. Eles são instruídos para obliterar o pensamento e agir como máquinas que obedecem e cumprem ordens. Por isso vemos cenas terríveis, tristes, em que jovens, pobres, frequentemente negros, entram em confronto com outros jovens, pobres, frequentemente negros, oriundos dos mesmos territórios vulneráveis, alguns uniformizados. Quando não haveria nenhuma razão para que se matassem mutuamente, sobretudo no campo dos movimentos sociais.

Ao mesmo tempo, o senhor mencionou os homicídios que são poucas vezes desvendados. A Polícia Civil também precisaria passar por uma reforma?

TEXTO-MEIOSim, e essa própria distinção entre civil e militar é parte do problema. Toda polícia, como em qualquer parte do mundo, deveria cumprir todas as atribuições. A Polícia Civil enfrenta problemas enormes e é muito deficiente no cumprimento do seu mandato constitucional. Oito por cento de crimes resolvidos significa 92% de impunidade. Qualquer instituição que se proponha a cumprir um objetivo e não consiga em 92% dos casos diria que é preciso parar e começar de novo. Isso não é culpa de uma pessoa, é um problema estrutural. Assim como a brutalidade da Polícia Militar, não é necessariamente passível de atribuição a um ou outro indivíduo, já tem um padrão que vai se reproduzindo independente da vontade do próprio corpo profissional. Portanto, temos, na área da investigação, problemas na relação com a perícia, problemas organizativos, de investimentos, há o problema do inquérito policial, que é burocratizado, não flui. Então temos um desastre, uma falência desse modelo. Prendemos muitíssimo, temos mais de 700 mil presos no Brasil, dos quais só 12% cumprem penas por homicídio, 2/3 estão lá por crimes contra o patrimônio. Não é preciso dizer que, num país racista como o nosso, a maioria é negra, além de jovem e do sexo masculino. Prendemos muito e mal, arruinamos vidas de jovens e abdicamos de controlar a violência letal. E pior, o Estado acaba por reproduzi-la com seus braços institucionais. Então o Estado é parte do problema, assim como as polícias, independente das vontades individuais.

E ainda por cima, há muitos presos que aguardam julgamento dentre os que lotam as prisões, certo?

Exato. Eram 40% até dois anos atrás e houve um esforço muito grande do CNJ, houve uma queda expressiva, embora ainda seja um grande número. Mas a diferença é de classe, o que no caso brasileiro acaba sendo também de cor. Porque quem tem advogado não fica preso, salvo exceções. E as defensorias públicas não existem em número suficiente para atender essa massa de suspeitos, réus, inclusive porque há mais de 300 mil mandados de prisão esperando cumprimento no Brasil.

Existem projetos de lei já pensando em mudar essa questão das polícias militarizadas?

Há dezenas de PECs (propostas de emenda à constitucional) circulando ou tramitando no Congresso Nacional sobre a polícia. Mas, a respeito da desmilitarização, eu acho que são poucas. A mais elaborada, do meu ponto de vista, seria a PEC 51/2013, de autoria do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), de cuja elaboração eu até participei. Ela resulta de conversas com profissionais, pessoas das corporações, diálogos e experiências diversas. Não há proposta perfeita, mas essa é talvez a que pode ir mais longe, de forma sistêmica, com o mínimo de resistência. É um meio-termo entre o avanço e a capacidade de agregação. Os pontos principais são a desmilitarização e a realização do ciclo completo com atribuição de todas as instituições policiais. Com a desmilitarização, a PM deixaria de existir e a nova polícia iria investigar, mas de outro modo. A carreira única é outra grande bandeira de agentes e oficiais da Polícia Civil, Federal e de boa parte dos trabalhadores da Polícia Militar [incluída na PEC]. Há alguma resistência na cúpula das instituições, mas, particularmente na Polícia Civil, os oficiais são mais abertos em relação a isso.

Porque hoje, na prática, temos quatro polícias. A Civil se divide em delegados e agentes. Basicamente os agentes, embora tenham várias funções, não podem ascender até se tornarem delegados, que é uma função de comando. E, na Polícia Militar, há os oficiais e praças, são duas entradas diferentes, o que acaba formando castas que viram problemas internos. Esse tipo de arranjo não estimula a coesão interna e barra o acesso às posições superiores de muitos profissionais que poderiam ascender com base no mérito, no tempo de experiência. Quem entra como praça, precisaria fazer um novo concurso para conseguir chegar às posições mais altas. E não se leva em conta na prova a experiência prévia.

Importante também falar que isso não é suficiente. Essas mudanças todas são, a meu juízo e segundo avaliação da maioria dos envolvidos nessa área, indispensáveis, mas não são suficientes, porque podemos ter estruturas organizacionais muito melhores, mais suscetíveis a controles externos, mais permeáveis a políticas de transparência, mais indutoras de políticas de segurança e mais capazes de respeitarem direitos humanos. Mas as estruturas por si mesmas, ainda que facilitem, não garantem que políticas de segurança aplicadas sejam adequadas. Isso depende de autorização política, da formação, do governo do Estado, e depende da autorização popular. A brutalidade policial não existiria sem autorização social.

Sobre essa autorização social, percebe-se que o discurso do “bandido bom é bandido morto” se acentua conforme a violência aumenta. A mudança teria que vir a nível cultural também?

Sem dúvida. Só que devemos pensar nisso tudo como uma realidade pluridimensional, com muitas camadas diferentes. Se nós agirmos em todas as dimensões, cujas temporalidades são muito diferentes, vamos contribuir para que esse processo estabeleça uma química interna e gere um agregado mais favorável. A mudança da sensibilidade da cultura acontece sem que a gente possa controlar, mas se a gente investir em uma educação com sensibilidade para os direitos humanos, vamos estimular esse resultado, embora não possamos garantir. Se a mídia e as linguagens de comunicação incorporassem um pouco mais esses valores, isso ajudaria. Se as escolas constituíssem força de valorização dessas atitudes, avançaríamos numa direção mais positiva. São processos que precisam existir paralelamente. Isoladamente, essas medidas não são suficientes, mas são imprescindíveis e devemos investir em cada uma delas de acordo com as possibilidades e com as resistências que enfrentamos. Esses são processos muito complexos, não podemos resolver em um só momento todos os problemas.

Nesse sentido, o que se pode fazer no âmbito municipal para tornar as cidades mais seguras?

Pergunta fácil essa, né? (Rindo). Na nossa Constituição, no artigo 144, que organiza a segurança pública, os municípios não têm nenhum lugar. Há uma menção rápida de que podem ter uma guarda civil, que podem cuidar dos patrimônios municipais, como parques. E isso inclusive é uma contradição com todo o desenho da Constituição brasileira, que em 1988 estimulou a participação do município como ente federado importante, no cumprimento das grandes políticas sociais, como educação, saúde e assistência. Há uma tripartição de funções e de destinação de recursos, há uma composição articulada no SUS, mesmo na educação, nunca vi esse modelo sendo criticado, foi até modelo de conquista. Isso não se aplica à segurança pública, o município não tem função nesse sentido. A União tem a Polícia Federal, a Rodoviária Federal e ponto final. Isso é muito pouco diante das responsabilidades que poderiam ser atribuídas. Todas as responsabilidades caem nos ombros dos estados. E os municípios não têm responsabilidades do ponto de vista de segurança pública. Não há politica nacional, orientação sobre o que devem ser as guardas municipais. A segurança municipal é uma grande possibilidade da reinvenção da segurança pública no Brasil, a despeito de todos os limites.

A partir de investimentos em assistência social, por exemplo?

Falar em assistência é muito genérico. Para que haja resultados, é preciso que haja diagnóstico. A gente tem que observar cada situação em cada bairro, território, entender que processos estão em curso. Isso exige pesquisa, escuta e diálogo com a comunidade. Por exemplo, por que em determinado lugar as pessoas se armam para vender substancias ilícitas, por que acontece esse crescimento? Temos que descobrir que tipos de trajetória estão tendo esses jovens, quais as características desse processo. Se entender em cada região o porquê de acontecer um crescimento desse tipo de formação armada, pode-se atuar sobre os dispositivos geradores desses processos. O que se obtém no tráfico é reconhecimento, valorização, acesso a recursos simbólicos e financeiros. Isso são condições para que a autoestima se fortaleça, mesmo que essas generalizações sejam complicadas. Jovens que são invisíveis, que não são reconhecidos, vivem um esmagamento da autoestima, enfrentam problemas em casa, familiares, comunitários e vagando pelas ruas se sentem desprezados ou desprezíveis. Quando lhes é oferecida uma arma para que ingressem em um grupo poderoso, percebem que isso é uma espécie de passaporte para a visibilidade e o pertencimento. E a experiência do pertencimento é muito gratificante. Isso tudo explica em parte porque se está disposto inclusive a arriscar a própria vida ingressando ali muitas vezes por pagamentos diminutos. Em geral, o recurso material não é a principal razão.

Se esse diagnóstico foi razoavelmente preciso, podemos extrair que, ao invés de montar uma máquina de guerra e invadir esse território para liquidar essas pessoas, com as implicações desastrosas que estamos cansados de ver, você pode montar um processo paralelo que seja capaz de oferecer a esses jovens o mesmo que o tráfico oferece, com o sinal invertido: reconhecimento, valorização, pertencimento e possibilidade de redefinição dos seus horizontes de vida. Se você monta um dispositivo capaz de competir com essas outras fontes de recrutamento, você pode recrutar aqueles que estão vulneráveis a irem para o tráfico.

Guiné-Bissau: doadores congelam ajuda econômica prometida

– AFP

26/06/2016 14:30
O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou nesta quinta-feira o novo governo da Guiné-Bissau de que os principais parceiros financeiros do país vão congelar as ajudas prometidas para 2016.

«Os parceiros que antigamente davam apoio orçamental comunicaram-nos que não vão dar apoios este ano, o que complica a situação fiscal do governo», afirmou Félix Fisher, chefe da missão do FMI para a Guiné-Bissau e citado pelo Portal África 21.

Questionado sobre as razões do recuo, aquele responsável disse desconhecê-las, remetendo a pergunta para os parceiros internacionais.

A informação foi revelada nesta quinta-feira à imprensa, no mesmo dia em que a equipa de Fisher iniciou uma visita de sete dias a Bissau para um primeiro contacto com o novo governo bissauguineense, com o objetivo de estabelecer uma agenda de trabalhos e acompanhar e analisar as medidas propostas pelo ministério da Economia e das Finanças para fazer face às dificuldades orçamentais.

«O importante agora é fechar o buraco orçamental através de cortes nas despesas e captação de mais receitas», sugeriu o responsável do FMI, que, no entanto, prevê «uma situação fiscal complicada» para o novo governo bissauguineense de Baciro Dja.

Félix Fisher não quis comentar se existe uma «má gestão» nas finanças públicas do país, mas alertou para a necessidade de haver avanços ao nível do comité de tesouraria, o que, disse, implicará «um monitoramento mais apertado» por parte do FMI àquele departamento.

Entre outros assuntos, a missão do FMI irá abordar com o novo governo bissauguineense o contrato de resgate aos bancos comerciais do país, celebrado pelo Executivo demitido e posteriormente anulado. O FMI quer saber quais as medidas que o novo governo pretende tomar para minimizar os custos da rescisão do contrato com os bancos comerciais.

Os representantes das principais organizações internacionais na Guiné-Bissau, incluindo Nações Unidas, União Europeia, União Africana, CEDEAO e CPLP, têm alertado para o facto de o desembolso dos fundos anunciados na mesa de doadores de 2015 – cerca de 1,2 milhões de dólares – depender da criação de condições de estabilidade no país.

A falta de entendimento político fez com que nos últimos 11 meses o país já tenha tido quatro governos.

http://pt.radiovaticana.va/news/2016/06/26/guin%C3%A9-bissau_doadores_congelam_ajuda_econ%C3%B3mica_prometida/1240260

Angola o sonho de tornar-se um centro de criação de economia verde no século XXI

 

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O director Executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), Achim Steiner, que veio a Angola a propósito do 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, que Luanda acolheu, diz que a sua esperança é que Angola “se torne num centro de criação de economia verde neste século XXI e de uma visão africana que conduza à qualidade de vida sem pôr em causa os recursos naturais”.

Em entrevista ao Jornal de Angola, Achim Steiner afirmou: “Vamos dizer ao mundo  o que Angola já está a fazer a nível ambiental, incluindo o combate ao tráfico ilegal da fauna e da flora”. Achim Steiner elogiou a existência da escola de formação de fiscais, que considera “um outro exemplo do trabalho do Executivo para reforçar a capacidade do país de se defender contra este tipo de actividades.
Na entrevista, Achim Steiner revela que o PNUA, em colaboração com a Interpol, estima  que  o valor de comércio ilegal e actividades criminosa resultou em mais de 270 mil milhões de dólares, usado para financiar conflitos que dividem nações e as colocam umas contra as outras.

Jornal de Angola – Hoje os problemas ambientais afectam em grande medida os países em todo mundo, sendo por isso um problema global. Está em Angola há alguns dias, como avalia as políticas ambientais realizadas pelo Executivo angolano?

Achim Steiner – Neste momento, Angola verte toda a sua atenção para a recuperação económica. As acções do Executivo tem estado voltadas para a recuperação económica, mas o interessante é que tem uma prioridade sobre os temas ambientais, um aspecto que tem assumido um papel manifestamente activo nos últimos anos, com grande realce para os temas da caça furtiva ou ilegal, a questão da protecção da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável que são objectivos que fazem parte dos acordos de Nova Iorque e de Paris sobre as mudanças climáticas. Olho para Angola e vejo que estes temas são hoje questões que dizem muito ao Governo. Ouvi a ministra do Ambiente a falar e notei que a questão ambiental, além de ser importante para Angola, vejo que também está preocupada com os seus vizinhos.

Jornal de Angola – O que representa para Angola a sua visita e que sinal podemos tirar disso, já que é responsável de um organismo das Nações Unidas especializado e com uma assinalável importância em questões ambientais?

Achim Steiner – A minha visita tem como objectivo principal comemorar o Dia Mundial do Ambiente que as Nações Unidas organizam em cada 5 de Junho. Nós, no sistema das Nações Unidas, estamos muito orgulhosos por Angola ter acolhido este dia. É a primeira vez na história de 44 anos do Programa das Nações Unidas que Angola convidou o mundo para ver, testemunhar e perceber o que é falar de Ambiente nesta nação extraordinária. Decidimos, por isso, com o Governo de Angola, fazer do país a sede desta celebração, porque queremos que o mundo compreenda, ou se quisermos, perceba cada vez mais, o que o país tem estado a fazer em prol do Ambiente e pela protecção da biodiversidade, bem como a necessidade de travar a comercialização ilegal dos produtos da fauna e da flora selvagem.

Jornal de Angola – Em que consistiu a sua visita?

Achim Steiner – Estive no Cuando Cubango, onde visitei a escola de formação de fiscais. Este é um outro exemplo do trabalho do Executivo para reforçar a capacidade do país se defender contra o comércio ilegal de espécies da fauna e da flora angolana. Mas também vejo que há uma gestão mais activa dos recursos naturais e da biodiversidade do país. Conheço Angola desde o ano de 1991, pois trabalhei na elaboração do primeiro relatório sobre a situação ambiental no país depois dos conflitos armados. O que apreendi naquela altura é que se estava diante de uma das nações mais ricas do mundo. Há poucas nações neste planeta que além de um território enorme, tenham também dentro de si riqueza natural, desde as suas florestas, água, fauna e recursos naturais, sejam combustíveis fosseis ou metais preciosos. Tudo isso, define a riqueza desta nação.

Jornal de Angola – Sente que cada vez mais os esforços do Executivo em prol do Ambiente encontram terreno fértil?

Achim Steiner –  O que observo hoje, passados estes anos, é um progresso impressionante e de desenvolvimento do país, mas também verifico que é sempre um momento importante para reflectir, pensar na protecção do patrimônio natural dos países, porque constituem o fundamento para o desenvolvimento económico do futuro. Ter falado sobre o Ambiente   aqui é algo de grande significado, porque nos próximos anos, uma nação como Angola, as decisões determinantes, vão definir se olharemos para trás nos últimos 20 ou 100 anos ou então na última década. O que decidirmos fazer hoje vai definir se teremos mais hectares de floresta coberta ou se teremos extinção de espécies inteiras, ou ainda, se teremos conseguido utilizar a água, ecossistemas e recursos de uma maneira mais sustentável.

Jornal de Angola – O combate à caça furtiva é agora uma questão que começa a comprometer cada vez mais os países em todo o mundo, fundamentalmente os africanos. Acha que há um compromisso suficiente para se estancar este mal?

Achim Steiner –  Nós temos múltiplos papéis no que toca às políticas de combate ao tráfico de animais ou de elefantes e rinocerontes que são mortos por criminosos para extracção do marfim e chifres para fins de comércio. Nós temos um papel no que toca à governação internacional por via da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora (CITES), uma lei internacional para o comércio dos produtos selvagens. Angola é membro dessa comissão, por isso tem obrigações e responsabilidades a nível nacional e internacional para ajudar a reforçar esta convenção que visa a proteção das espécies ameaçadas dentro do país, uma vez que regista uma grande atividade de caça furtiva, além de constituir rota de trânsito para os países da região que utilizam os portos e aeroportos angolanos para a exportação ilegal. Mas as decisões que vão ser tomadas por nações como Angola nos próximos anos vão determinar o nível de vida e a biodiversidade global que os nossos netos vão herdar.

Jornal de Angola – Que outro papel tem o Programa das Nações Unidas quanto a esta questão, cada vez mais preocupante e que dilacera a vida da fauna e da flora?

Achim Steiner – Outro papel do PNUA consiste em trabalhar com as autoridades angolanas, contando com as tecnologias ambientais de última geração para conferir maior capacidade ao país para que seja capaz de dizer stop ao comércio ilegal, que vai ameaçando a estabilidade da biodiversidade dos países. Outro papel que desempenhamos passa pela experiência de muitos países. A questão que se coloca, em função dessa experiência, é como a comunidade local tem oportunidade para a sobrevivência e ao mesmo tempo proteger a natureza diante das necessidades? Esta é uma pergunta do desenvolvimento económico e social. Mas, a natureza, os parques nacionais e até do ecoturismo, são muito importantes para o futuro das comunidades. Pretendemos trabalhar com o Ministério do Ambiente e as demais entidades de Angola, pois aí está um grande potencial para o ecoturismo.

Jornal de Angola – Fala da necessidade de migrarmos para as chamadas economias verdes?

Achim Steiner –  A nível de África, o turismo tem um peso que representa sete a oito por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Penso que nos próximos anos o turismo vai continuar a representar um potencial enorme para Angola, porque é uma forma de utilizar os recursos naturais sem os destruir. Essa é uma opção que deve ser parte da estratégia nacional para os próximos anos. Angola é um país muito afortunado. A economia angolana continua a depender dos seus recursos petrolíferos, mas o seu futuro como nação e as infra-estruturas para energia, agricultura, turismo e indústria vai para além desta era de simplesmente buscar o petróleo e vendê-lo para o mercado Internacional. A nossa esperança é que Angola se torne num centro da criação da economia no século XXI e de uma visão africana que proteja os recursos naturais que conduza a uma economia verde que permita uma qualidade de vida com serviços de saúde e serviços de transportes sem pôr em causa os recursos naturais. Encontramos vários exemplos ao redor do mundo de como é que isto já está a ser feito. Não acontece de um dia para outro, mas torna-se possível quando existir vontade. Vamos falar ao mundo sobre o que Angola já está a fazer incluindo o combate ao tráfico ilegal da fauna e da flora.

Jornal de Angola – Estamos no bom caminho no que respeita à protecção e preservação da biodiversidade no país?

Achim Steiner –  Penso que Angola tem uma vantagem. É um país enorme e tem muitos recursos como florestas, zonas costeiras e vida selvagem. Mas as pesquisas nos mostram, que de mais a mais, temos desafios pela frente. A destruição do habitat dos animais, provocada pela caça furtiva e o comércio ilegal, têm também um impacto sobre a biodiversidade desse país, mas com as leis, as políticas adoptadas e a fiscalização do sistema de parques nacionais e a protecção da natureza, penso que Angola deu um grande avanço e um grande exemplo. Angola ao acolher o Dia Mundial do Ambiente, demostra ao mundo que também faz muito neste aspecto e vai fazer ainda mais nos anos vindouros, quanto a necessidade de ter uma cultura ecológica e consciência de protecção ambiental, mas também defesa ao patrimônio mundial.

Jornal de Angola – Dá a impressão de que há cada vez mais discursos políticos sobre a necessidade de protecção ambiental, mas na prática faz-se muito pouco ou quase nada.

Achim Steiner – Todos os países têm o mesmo desafio. A economia do século XX é uma economia de extracção e tem sido, de alguma forma, o paradigma do desenvolvimento, que diz economia, economia e economia. E nós pensamos que a natureza ou a infra-estrutura ecológica não é importante porque a pobreza e os problemas do quotidiano são os mais importantes. Neste século XXI, com as mudanças climáticas, que agridem a biodiversidade e seguida da poluição, mostram estarmos numa situação em que cada país tem políticas e objectivos com vista à preservação do Ambiente, mas a efectivação não é feita de uma forma adequada e isso acontece em todos os países.

Jornal de Angola – Sente que Angola está  empenhada em ultrapassar essa barreira que ainda amarra muitos países no continente africano e no mundo?

Achim Steiner –  Penso que este é o grande objectivo do Ministério do Ambiente e do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, mudar essa realidade. Felicito o Executivo e o povo angolano pela hospitalidade e pela realização de eventos muitos interessantes. Acho que todo o mundo, nesta data, tem os olhos em Angola e com certeza aprenderam uma coisa nova. Este é o objectivo que nos trouxe ao país e a razão de se celebrar o Dia Mundial do Ambiente tão activamente é que a história do Ambiente nos últimos 100 anos não tem sido feliz. Somos muito mais países e as nossas economias cresceram e precisamos de mais energia, mobilidade, habitação, alimentação e transporte, num mundo onde tínhamos apenas mil milhões de pessoas. Vivemos no século XXI e somos sete mil milhões de pessoas. A população africana vai nos próximos 40 anos passar para os dois mil milhões. Temos de repensar como manter as infra-estruturas ecológicas.

Jornal de Angola – A caça furtiva é uma grande ameaça à estabilidade da biodiversidade e até da vida das comunidades humanas?

Achim Steiner – Okavango, que é agora uma referência mundial, não existia se Angola não o preservasse. A  fauna que está sob ataque da caça furtiva e outras actividades ilegais não matam apenas elefantes e rinocerontes mas   roubam os recursos mais preciosos destas nações. O PNUA publicou para a Interpol um novo relatório sobre crimes ambientais. Não é apenas a caça ilegal mas também o comércio ilegal de madeira, pesca ilegal e as práticas criminosas , como actividade “offshore”. Com a Interpol estimamos globalmente que o valor de comércio ilegal e actividades criminosas resultou em mais de 270 mil milhões de dólares. Esse dinheiro é usado para financiar conflitos que dividem nações e as colocam umas contra as outras. Decidimos nos dedicar à luta contra o comércio ilegal da fauna e flora porque isso é um crime que compromete as nações e as comunidades e é produto que financia um dos grandes males neste planeta, a guerra.

O que a Coreia do Sul faz em Angola e o Brasil deixa de fazer

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A Coreia do Sul é um dos países asiáticos que tem  uma politica oficial cada vez mais ativa em Angola  em contraste com a política vacilante brasileira, que nos últimos anos dá sinais de recuo na politica oficial.

A Coréia do Sul  discute os programas de reintegração socioeconômica e produtiva dos antigos combatentes e  veteranos angolanos  em que o Governo sul-coreano está interessado em ajudar com a sua experiência, sobretudo na materialização de diversos projetos, através de uma linha de crédito.

A Coréia esta oferecendo linhas de crédito para os angolanos, e está organizando mais uma visita ministerial para trocar experiências na área de formação de micro empresários e fazendeiros.

Quando vemos a presença do coreanos, não é uma experiência isolada , os chineses dão uma aula de pragmatismo com a  atuação do Fundo de Desenvolvimento África-China, Lu Qingcheng, de deu  garantias de financiamento a doze projetos já identificados e aprovados pelo Executivo angolano, para apoiar na reinserção dos antigos combatentes e respectivas famílias.
Entre os projetos apresentados, destaque para os da agricultura, construção de habitações em zonas rurais, criação de centros de formação, reabilitação de centros de reabilitação física, assistência a projetos ligados a tecnologias de informação e outros de carácter social. Os homens de negócios chineses apresentam ao angolanos  propostas e mostram-se disponíveis em cooperar com Angola, sobretudo em projetos ligados a reintegração social dos antigos combatentes.

Quando vemos  as iniciativas dos coreanos e chineses e   pensamos nos interesses dos brasileiros, a distância é muito grande pois os discursos oficiais não se dão conta da autal realidade cotidiana em países como Angola

Angola Fashion Week

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Com um cuidado aumentado para os detalhes, como os amarrados e sugestões de chapéus, o segundo dia da Angola Fashion Week decorreu ontem, tendo como grande destaque o desfile da By D.S, que utilizou imagens de várias telas do artista plástico Guilherme Mampuya na sua coleção.

A estilista da marca, Deybe Simão expôs ao Rede Angolaque o objectivo da proposta, inovadora em solo nacional, é apresentar o que consideram como “a verdadeira estampa angolana”.

“As pessoas têm noção que a estampa angolana é apenas aquilo que encontramos nos panos, mas não”, disse, acrescentando: “considero que a angolan print é toda criatividade cultural que possa ser expressada em forma de estampa. Por isso, decidimos utilizar o conceito moda artporque a arte tem um lugar muito bonito na nossa sociedade, mas é ainda pouco explorada”.

A escolha das obras de Mampuya foram, segundo a estilista, uma forma de considerar o trabalho do artista plástico modernista. “A minha marca é um jeito novo de fazer moda africana sem perder a identidade e as pinturas dele definem exactamente o que queríamos, muita identidade e muita força”, elogia.

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Deybe Simão diz que a parte mais difícil foi escolher qual obra de Mampuya que iria utilizar: “Fui a uma exposição e vi vinte quadros dele, mas tive que escolher com muita dor porque queria todos, mas escolhi apenas cinco. Usei um quadro alegre, um quente, um terra e um preto e branco. Acho que defini todas a cores que precisava em diferentes momentos”, disse, para depois destacar: “É a primeira vez que uma marca angolana faz algo assim e espero que as pessoas tenham se identificado”, comentou sobre a segunda colecção da marca das irmãs Deybe e Deth Simão.

O artista, que também desfilou para apresentar o trabalho, diz que a oportunidade “mostra como as artes estão a funcionar agora”.

“Devido a situação de conflito, as artes plásticas estiveram um período um pouco paradas, mas à medida que as coisas estão mudando, o país está a se desenvolver, essa mentalidade de usar a pintura em outras áreas está a crescer mesmo”, falou, entre sorrisos.

Destaque também mereceu a apresentação de Allex Kangala, a mais aguardada pelo público masculino. O estilista, que recentemente teve sua loja demolida, este ano trouxe mais cores e menos peças, sem deixar de lado o seu ponto forte que é roupa social masculina. O estilista Didi também participou na apresentação.

Como no primeiro dia, a top model Maria Borges abriu o desfile da Angola Fashion School, que apostou novamente nos tons castanhos. Marisa Gonçalves e Denison Luz também garantiram o sucesso da apresentação denominada “Tuabixila” (chegamos, em kimbundu), “para mudar o mundo”, como afirmaram.

Lenny Niemeyer e a Asuen Suetam apresentaram as novas tendências de moda praia para as angolanas, em desfiles que tiveram como destaques novamente Maria Borges, Sharam Diniz e Débora Montenegro.

“São cores muito suaves, muito inspiradas na cultura nipónica, no zen, verde água, azul turquesa, cores muito relacionadas com a água”, adiantou Mônica Soares, gestora da Lenny Niemeyer, a tendência para a moda praia 2017.

A Boutique Irina’s by Irina Mirandela trouxe para a passerelle duas de suas principais clientes, Serafina Sanches e Cilana Manjenje, do grupo Afrikanas.

Gersy Pegado assinou a coleção da marca Leticia’s que apresentou peças para o público feminino de variadas faixas etárias e pesos. Os penteados também tiveram destaque no desfile da antiga integrante das Gingas do Maculusso.

A Wiltic apresentou uma colecção exclusiva com vestidos de noiva, com destaque para a modelo Emma Diogo, a Miss Angola 2015, Whtinney Shikongo e a Miss Angola 2016, Luísa Baptista.

Os tecidos africanos foram o forte do desfile da Cleópatra Tchitchi em peças que passeavam entre o moderno e o tradicional. A marca ousou ainda na proposta de adereços para a cabeça.

Manzvat Nankhova trouxe peças femininas e masculinas, já a Wan Kiamy abusou dos tons pastéis tendo como destaque a top model Sharam Diniz. Já a atracção musical ficou a cargo de Laton, dos Kalibrados.

A grande expectativa para hoje, último dia do evento, é a presença na passerelle da modelo e apresentadora brasileira Ana Hickmann.

PALANCA NEGRA GIGANTE É TEMA DO ANGOLA FASHION WEEK 2016

Este ano, a beleza e a raridade da Palanca Negra Gigante vão “deslizar” na passarela do maior evento de moda angolana em África, o “Angola Fashion Week”.

 

O fato de se tratar de uma subespécie invulgar de antílope que apenas pode ser encontrada em Angola, mais especificamente na Província de Malanje, contribuiu para que a Palanca Negra Gigante fosse o tema desta edição.

De acordo ao site oficial, trata-se de “Um tema mágico, repleto de glamour, e que irá desfilar, sem sombra de dúvida, com toda a sua excelência na passarela do Angola Fashion Week”.

A Palanca Negra Gigante revela-se como um dos maiores símbolos de Angola representando, através de toda a sua imponência e fortes atributos, nomeadamente a vivacidade, a velocidade e a beleza. Durante muito tempo pensou-se que a mesma estaria extinta mas, no ano de 2005 em pleno Parque Nacional de Cangandala, foram captadas algumas fotografias que vieram comprovar o contrário.

Além de toda a excentricidade da espécie, desfiles e participações de figuras de renome, para os dias 23, 24 e 25 de Junho, a organização promete levar várias surpresas ao Centro Cultural Paz Flor, em Luanda.

Tudo sobre o AFW2016 http://www.angolafashionweek.com/

http://lifestyle.sapo.ao/moda-e-beleza/novidades-moda-e-beleza/artigos/palanca-negra-gigante-e-tema-do-angola-fashion-week-2016

Imagem de menina negra isolada na pré-escola revolta mãe

Mulher usou o Facebook para denunciar racismo implícito na imagem. Ela recebeu foto e foi correndo buscar a pequena

África do Sul – A mãe Mosinyi Wanatsha ficou revoltada ao receber da escola de sua filha uma foto em que a menina negra aparece isolada do grupo de colegas de classe, que são todos brancos, durante um lanche. Ela denunciou o racismo contra Nishani,de 1 ano e sete meses, no Facebook nesta quarta-feira e disse que apesar de imigrante e já ter morado em três continentes, nunca viveu nada parecido. O caso ocorreu na província de Gauteng, na África do Sul.

Foto de menina negra excluída revoltou mãe

Foto: Reprodução Facebook

“Embora cada país tenha seus desafios, nada te prepara o suficiente para uma experiência tão horrível como a que foi retratada nessafoto. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Para mim, essa falou palavras mais horríveis e prejudiciais do que já experimentei em meus 34 anos de vida e nos três continentes em que já residi”, escreveu ela.

Após receber a foto, ela foi correndo ao local para buscar a pequena. Após protestar na página da escola, Mosinyi ainda teve sua publicação deletada, o que provocou ainda mais revolta.

Em resposta ao post de Mosiny, o diretor do colégio disse que “não foi racismo.” Ele publicou uma imagem da menina sendo cuidada por uma professora, também negra, no entanto.

Segundo ele, havia apenas oito crianças no dia da aula e outra menina estava junto com Nishani, mas como não parava de chorar umaprofessora a tirou do local. “Isso ocorreu no momento da foto”, justificou. Nada disso convenceu a mãe, especialmente porque o texto foi publicado em uma página para outros pais e não se dirigia a ela.

 

http://odia.ig.com.br/mundoeciencia/2016-06-24/imagem-de-menina-negra-isolada-na-pre-escola-revolta-mae.html