Celebrar a Mulher Africana com uma Guerreira Zulu

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É assim todos os anos quando o calendário marca 31 de Julho. Comemoramos o Dia da Mulher Africana. Instituída em 1962, durante a Conferência das Mulheres Africanas realizada em Dar-Es-Salam, na Tanzânia, a efeméride assinala também a criação da Organização Panafricana das Mulheres. Surgida no fervor da luta contra o colonialismo, enunciava entre os objectivos primordiais contribuir para o encurtar das desigualdades entre seres nascidos à partida com os mesmos direitos. Esse pressuposto incluía promover a emancipação da mulher no quadro de um futuro onde não coubesse nenhum tipo de discriminação. Passados 54 anos, os países africanos alcançaram a independência política, mas não lograram a resolução de problemas conotados com o universo feminino. Alcançar o tão almejado equilíbrio no gênero constitui um grande desafio para as lideranças políticas e sociedades africanas modo geral.
É inevitável a reflexão em torno das multifacetadas realidades da mulher. Ao longo da semana finda, os noticiários incluíram a data comemorativa no alinhamento como resultado das inúmeras actividades promovidas para não deixar passa a data em branco. As programações partidárias exaltaram a efeméride que mereceu destaque temporário na agenda das grandes questões nacionais. A temática relacionada à mulher continua na ordem do dia. Questões prementes como a erradicação da pobreza, o empoderamento feminino e a adopção de políticas exequíveis fazem parte da pauta que discute igualmente a mutilação genital, a poligamia e a dignificação da mulher num continente onde factores culturais por vezes contribuem para promover e acentuar as diferenças.
Nos dias que correm dificilmente algum político poderá almejar o poder em África sem incluir na moção de estratégia o item mulher, ainda que se trate de mero discurso eleitoralista de um machista encapuzado. Jogam a favor das mudanças o número cada vez maior de lideranças no feminino. Depois de Ellen Johnson-Sirleaf, que em 2005 fez história ao ser a primeira mulher eleita para presidir um país africano, e de Joyce Banda que assumiu a presidência do Malawi a seguir à morte do chefe de Estado, outra mulher pôde assumir a chefia de um estado em África. Ninguém menos do que Nkosazana Dlamini-Zuma, a ainda presidente da União Africana. Com a renhida escolha da sul-africana para o organismo que substituiu a Organização de Unidade Africana (OUA), em 2012, o continente africano deu um passo gigantesco na busca pela igualdade de género e inserção das mulheres nas complexas estruturas do poder em África.
Médica de formação, Nkosazana Dlamini Zuma, que foi ministra da Saúde no governo de Nelson Mandela, entre 1994 e 1998, tendo posteriormente assumido a pasta das Relações Exteriores na equipa governamental liderada por Thabo Mbeki e Kgalema Molanthe, acumulou enorme capital político ao longo dos anos. O facto de não ter concorrido a um segundo mandato na União Africana tem sido interpretado como um sinal que vem reforçar os rumores segundo os quais pretende concorrer à presidência do ANC como primeiro passo para disputar o cadeirão presidencial da África do Sul. Nkosazana Dlamini Zuma, ex-mulher do actual presidente sul-africano, Jacob Zuma, com quem tem quatro filhos, é bem vista no seu país onde deu provas inequívocas de liderança. Muito embora não tenha resolvido problemas prementes a que se propôs ultrapassar, com realce para a o reforço da unificação do continente profundamente marcado por crises políticas, disputas territoriais e conflitos da dimensão do Sudão do Sul, vai deixar a União Africana melhor do que encontrou. Eventualmente controversa, mas descrita como honesta, ponderada e discreta, Dlamini-Zuma congrega dentre outros méritos a aplaudida reestruturação do sistema de saúde da África do Sul, ao qual se soma o intenso trabalho nas hostes do ANC.
Essa mulher poderá ser presidente da nação mais poderosa de África. Algo absolutamente inimaginável quando Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma nasceu, em Janeiro de 1949, na província de Natal, na África do Sul. A perspectiva transformadora faz valer todas as lutas. Dá sustentabilidade à comemoração de datas similares ao Dia da Mulher Africana. Por ela, podemos não falar neste 31 de Julho de mulheres da estatura da ambientalista queniana Wangari Maathai, a primeira africana a receber o Nobel da Paz, Leymah Gbowee, laureada em 2011 com o Prémio Nobel da Paz ao lado estadista liberiana ou de Nadine Gordimer, escritora sul-africana, Nobel da literatura em 1991. Artistas, académicas, profissionais que se vêm afirmando em diferentes áreas de conhecimento ou simplesmente as sobreviventes que escrevem a história do continente estão representadas no sonho de transformação pela trajectória da guerreira zulu chamada Nkosazana Clarice Dlamini-Zuma.

http://www.redeangola.info/…/celebrar-mulher-africana-com-…/

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