Um Congresso, em Angola, mais difícil que o que aparenta

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Um Congresso mais difícil que o que aparenta
Os estatutos terão sido mais mexidos, o voto electrónico foi mais demorado que o esperado. Dos Santos continua presidente do partido e o novo Bureau Político sai da reunião de Terça-feira
 
O MPLA corre hoje as cortinas sobre o seu VII Congresso. Aparentemente correu tudo bem, mas não foi assim tão fácil. O alargamento do seu Comité Central e as várias mexidas nos estatutos são apenas alguns sinais. Quando se esperava que o Comité Central fosse renovado em quarenta e cinco por cento, ficou-se com muito menos. O que resultou foi um alargamento do órgão de 311 para 363 membros, com a entrada de jovens, mulheres e alguns veteranos, velhos combatentes.
 
Há uma aparente contradição entre a entrada de “velhos” e o sentido da renovação, mas o lema sempre foi o da renovação na continuidade. Além disso, a aparente inexperiência política de alguns dos jovens que passam a integrar o Comité Central tem de ser equilibrada com a experiência dos mais velhos. Há uma matriz a preservar e há o sentido de serviço ao partido e aos angolanos que alguns dos jovens estão longe de entender.
 
O discurso de José Eduardo dos Santos no Congresso foi revelador. Falou da corrupção, da pressa no enriquecimento, no enriquecimento ilícito e do merecimento que se deve ter para se chegar aos órgãos de decisão do partido. Há que moralizar o partido, quereria dizer, e poupá-lo ao papel de trampolim para quem quer chegar de forma fácil ao dinheiro e ao poder. E mais, Dos Santos disse que é hora de deixar de parte os bons projectos que não são executados. Ele sabe que ao eleitorado vale mais uma pequena obra que mil projectos bonitos no papel.
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O que dirá no encerramento
 
No fim do Congresso, marcado para hoje, espera-se de José Eduardo dos Santos um discurso que revele o que MPLA pretende para o futuro, provavelmente mais de encontro à sua condição de homem que se prepara para abandonar a vida política activa, como anunciou em meados do ano, e que quer ser lembrado como um bom patriota.
 
Sobre a sua saída, Dos Santos deverá dizer quase nada, a não ser que o descubramos nas entrelinhas. Este assunto deverá ficar para o próximo ano, numa mais do que provável Conferência Nacional, ou num Congresso Extraordinário, que deverá relançar o partido para as eleições. Será depois disso que se conhecerá a lista para o Parlamento, o seu número um e o seu número dois. Avançar agora seria colocálos desnecessáriamente na linha de fogo dos opositores, ainda que o próximo cabeça de lista se chame José Eduardo dos Santos, entretanto reeleito neste VII Congresso presidente do MPLA para mais um mandato de cinco anos.
 
Assim, e olhando para a linha discursiva de Eduardo dos Santos nos últimos tempos e as suas grandes preocupações, é de prever que o presidente do partido fale hoje da mulher, por exemplo: a mulher rural, a zungueira, ou seja as mulheres mais vulneráveis deverão entrar no discurso de Dos Santos, não apenas num piscar de olho para o voto, mas porque elas são, de facto, o pilar mais importante na construção da sociedade angolana.
 
Aos jovens, deverá apelar à busca do mérito, da transição geracional que precisa de uma juventude comprometida com as causa públicas e com Angola. A família deverá igualmente ter lugar no discurso de encerramento do Congresso, este é um tema caro ao presidente do MPLA.
 
Depois, já em jeito de pré-campanha e para galvanizar o partido, deverá falar dos grande êxitos da governação, como os grandes projectos eléctricos (Laúca e Ciclo combinado do Soyo), das novas centralidades (o Kilamba já tem cinco anos e ganhou vida própria), dos caminhos de ferro, portos, aeroportos e outras infraestruturas. “Ide e evangelizai” Os dez pontos da Moção de Estatégia que apresentou ao partido para os próximos cinco anos deverão funcionar como os dez mandamentos de toda a acção do MPLA nos próximos tempos (a área da Justiça tem uma força grande no documento).
 
Deles sairão as linhas do programa eleitoral e do programa de Governo no próximo ano. É com base neste enunciado que os militantes serão instruídos a passar a palavra e a mobilizar o enunciado, numa acção quase de evangelização, de semeadura de fé, se olharmos para o momento económico difícil que o país enfrenta
 
Entrada na era electrónica
 
O Presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos (candidato único) e o novo Comité Central foram ontem eleitos por voto electrónico dos mais de dois mil delegados ao VII Congresso. José Eduardo dos Santos foi reeleito presidente do partido com 99,6% dos votos, num conjunto de mais de 2560. A lista candidata ao Comité Central obteve um pouco mais de 98% dos votos. A votação foi lenta, justificada pelo número de eleitores, apesar de estarem ao dispor cerca de dez urnas. Um comunicado de Imprensa distribuído no final do dia adiantava, no entanto, que o novo Comité Central terá a sua primeira reunião na Terça-feira, 23 de Agosto (estava inicialmente prevista para a tarde de ontem), e vai eleger o vice-presidente do partido, o secretário- geral e o novo Bureau Político do Comité Central que, por sua vez, elegerá o Secretariado do Bureau Político.
 
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