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Direitos Humanos no ensino superior em Angola

mapa de Angola

O ensino dos direitos humanos nas universidades propicia mudanças de atitudes que favorecem relações calorosas e respeitosas, afirmou ontem o secretário de Estado dos Direitos Humanos, António Bento Bembe.

 

Ao discursar na abertura das primeiras jornadas científicas de direitos humanos, organizadas pela Universidade Óscar Ribas, em parceria com o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, Bento Bembe defendeu o início da implementação dos Direitos Humanos nos planos curriculares das universidades angolanas.
Acrescentou que a educação em direitos humanos faz parte da formação integral dos estudantes do ensino superior, pois a mesma permite-lhes alcançar um equilíbrio entre o desenvolvimento intelectual e o desenvolvimento moral. “A reflexão, diálogo e debate colaboram na formação integral dos estudantes”, afirmou o secretário de Estado, apontando como acções a empreender, a promoção de pesquisas, a nível nacional e local, com o envolvimento de instituições de ensino superior públicas e privadas.
Bento Bembe defendeu ensinar e projectar os valores universais para a sociedade, para que as pessoas sejam capazes de analisar e criticar os comportamentos que não promovem a dignidade humana.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/direitos_humanos_no_ensino_superior_1

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São Tomé e Príncipe: entre investimentos e endividamento


São Tomé e Príncipe: Governo do Príncipe pode declarar estado de calamidade

São Tomé e Príncipe: Governo do Príncipe pode declarar estado de calamidade

FMI diz que endividamento deve parar.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) terminou nesta terça-feira, 27, a segunda avaliação da situação macroeconómica em São Tomé e Príncipe e concluiu que o desempenho do Governo do arquipélago é satisfatório, mas advertiu que deve respeitar o saldo fiscal primário interno e o nível das reservas internacionais liquidas.

Para os técnicos do FMI, esses dois critérios de desempenho macroeconómicos não foram cumpridos devido a antecipação de algumas despesas internas primárias durante o período pré-eleitoral e aos atrasos nos desembolsos do financiamento externo.

Por isso, recomendou um maior rigor no endividamento do país.

Para os economistas Adelino Castelo David e Zeferino de Ceita a posição do FMI é compreensível não obstante a necessidade de criar infraestruturas para promover o crescimento económico.

David e Ceita fazem uma análise idêntica da situação e dizem que o FMI pretende afastar São Tomé e Príncipe de dívidas que não geram riqueza.

O chefe da missão do FMI, Max Well Opoku-Afari, reconhece que São Tomé e Príncipe precisa de investimentos para construir infraestruturas mas explica que é necessário encontrar mecanismos de financiamento que não endividam ainda mais o país.

http://www.voaportugues.com/a/especialistas-advertem-sao-tome-e-principe-endividamento/3528698.html

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Retoma do apoio do FMI seria “balão de oxigênio muito forte” para a Guiné-Bissau Marcelo

fmi-e-guineRebelo de Sousa com o presidente da Guiné Bissau, José Mário Vaz (C), e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Lopes da Rosa. (Foto: NUNO VEIGA/

Em 2015, o fundo decidiu entregar 22 milhões de euros à Guiné de forma faseada em três anos mas este ano não houve transferências

O ministro da Economia e Finanças da Guiné-Bissau, Henrique Horta, considerou hoje que a retoma do apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) seria “um balão de oxigênio muito forte” que o país esperar agarrar em dezembro. “Seria um balão de oxigênio muito forte para o país”, por motivar também “a retoma da confiança dos parceiros e dos apoios internacionais” de que a Guiné-Bissau “carece muito”, referiu o governante. –

Veja mais em: https://www.dinheirovivo.pt/economia/retoma-do-apoio-do-fmi-seria-balao-oxigenio-forte-guine-bissau/#sthash.RtzWJmBa.dpuf

poluicao

Angola é o país lusófono com maior mortalidade associada à poluição do ar

Angola é o país lusófono – e um dos oito países africanos – com maior mortalidade associada à poluição atmosférica, com 50 pessoas em cada 100 mil a morrerem devido à exposição a ar de má qualidade

JAWAD JALALI/EPA

 

Os dados constam do relatório “Poluição do ar ambiente: Uma avaliação Global da Exposição e do peso da doença”, hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que conclui que três milhões de pessoas morrem todos os anos por causas associadas à poluição do ar exterior e que 92% da população mundial respira ar poluído.

Com recurso a um novo modelo de avaliação da qualidade do ar, a OMS confirma que mais de nove em cada dez humanos vivem em locais onde a qualidade do ar exterior excede os limites definidos.

A OMS define como limite uma concentração anual média de 10 microgramas por metro cúbico de partículas finas (PM2,5), valor que, segundo o relatório, é excedido em todos os países lusófonos exceto Portugal (nove) e Brasil (10). Nesta tabela, o país lusófono mais mal classificado é Cabo Verde, que apresenta uma concentração média de 36 microgramas de partículas finas por cada metro cúbico, quando se tem em conta as medições em ambiente rural e urbano.

A Guiné Equatorial apresenta uma concentração média anual de 33 microgramas de partículas finas por metro cúbico, a Guiné-Bissau 27, Moçambique 17, Timor-Leste 15 e São Tomé e Príncipe 13.

Quando consideradas apenas as medições em ambiente urbano, Angola é o país lusófono com piores resultados, apresentando uma concentração média anual de 42 microgramas de partículas finas por metro cúbico de ar, valor que desce para 27 quando se tem em conta as zonas rurais e urbanas.

Os números têm por base medições através de satélite, modelos de transporte aéreo e estações de medição da poluição atmosférica em mais de 3.000 localidades, tanto rurais como urbanas, e o estudo foi desenvolvido pela OMS em colaboração com a Universidade de Bath, no Reino Unido. O relatório faz também uma avaliação do impacto da exposição ao ar poluído na saúde, tendo em conta dados do ano 2012.

A nível global, os autores concluem que três milhões de mortes anuais estão associadas à poluição atmosférica, nomeadamente doenças respiratórias agudas, doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro do pulmão, doença isquémica do coração e acidente vascular cerebral. Entre os países lusófonos, Angola é o país com mais mortes associadas à poluição atmosférica – 51 por cada 100 mil habitantes.

Quando comparado com os restantes países africanos, apenas sete têm uma taxa superior: Mali (60), Burkina Faso (58), Níger (57), Eritreia (56), e Benim, Chade e República Democrática do Congo (52).

A Guiné Equatorial apresenta uma taxa de 50 mortes associadas à poluição do ar exterior em cada 100 mil habitantes, a Guiné-Bissau 47, Cabo Verde 37, Timor Leste 31, São Tomé e Príncipe 26, Brasil 14 e Portugal sete.

Segundo o relatório, as partículas poluentes consistem numa mistura complexa de partículas sólidas e líquidas de substâncias orgânicas e inorgânicas em suspensão no ar. A maioria dos seus componentes são sulfatos, nitratos, amónia, cloreto de sódio, negro de carbono e pó mineral, entre outros. As partículas iguais ou menores do que 10 micrómetros de diâmetro são particularmente perigosas porque podem penetrar e instalar-se nos pulmões.

http://observador.pt/2016/09/27/angola-e-o-pais-lusofono-com-maior-mortalidade-associada-a-poluicao-do-ar/

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Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem 81,2 ME de operações em curso na Guiné-Bissau

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O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem 81,2 milhões de euros de operações em curso na Guiné-Bissau, em projetos nacionais do sector público e projetos regionais, anunciou hoje em comunicado.

“A carteira de ativos doméstica inclui nove operações” para um total de compromissos líquidos de 50,6 milhões de euros, “enquanto uma outra conta inclui duas operações multinacionais” no valor de 30,5 milhões de euros, de acordo com o documento.

Os dados surgem depois encontros entre dirigentes do BAD e do governo guineense, realizados em setembro.

“O nível de autorizações do Banco [para operações financeiras] é uma ilustração da forte parceria forjada entre a Guiné Bissau e o Banco Africano de Desenvolvimento ao longo de mais de quatro décadas de cooperação”, destacou o BAD.

De acordo com o banco, o desempenho operacional na execução de projetos melhorou e a duração média dos trabalhos apoiados em território guineense baixou de 6,6 para quatro anos.

As autoridades e o BAD vão criar “um controlo regular e aprofundado com base na descentralização dos serviços do escritório regional do BAD, em Dakar, que desde 2005 tem dado um suporte mais forte a operações de proximidade com os parceiros da Guiné-Bissau”, concluiu o BAD.

http://24.sapo.pt/noticias/internacional/artigo/banco-africano-de-desenvolvimento-bad-tem-81-2-me-de-operacoes-em-curso-na-guine-bissau_21313589.html

 

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Guiné-Bissau, “a luta continua” 43 anos depois


Cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau

Cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau

Presidente da República defende formação de Governo de unidade nacional.

A Guiné-Bissau assinalou neste sábado, 24, os 43 anos da independência nacional, numa cerimónia presidida pelo Chefe de Estado, mas sem a presença dos presidentes do Parlamento e do PAIGC, partido da independência e o mais votado nas eleições de 2014.

Na presença de milhares de guineenses, em Bissau, José Mário Vaz defendeu a formação de um Governo de unidade nacional e, para tal, apelou a todos os signatarios do acordo a serem capazes de honrar a sua palavra”.

Apesar de dizer que a implementação do mesmo não será o remédio santo para curar todos os males da Guiné-Bissau, Vaz chamou-a de uma “plataforma de concenso para apaziguar as tensões politicas no intuito de restaurar a estabilidade governativa até o fim da presente legislatura”

José Mário Vaz, Presidente da República

José Mário Vaz, Presidente da República

“Cabe a cada um de nós responder a esta questão esssencial, sobretudo quando estão em causa os nossos próprios interesses”, sublinhou o Presidente, perguntando: “O que fazemos no dia-a-dia enquanto sociedade para combater males como a impunidade, a corrupção ou o favoritismo, a indisciplina, a intriga, a inveja, ociocidade e outros vicios contrários ao interesse nacional e a inspiração de instabilidade e bem-estar de todo um povo?”

Na sua intervenção, José Mário Vaz fez um balanço dos dois anos do seu mandato, durante o qual, destacou, não houve assassinatos políticos, e classificou a crise actual de politico-institucional, que deve encontrar resposta junto dos tribunais.

Na cerimónia estiveram presidentes o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Paulo Sanhã, o presidente do Tribunal de Contas, Dionísio Cassamá, o primeiro-ministro Baciro Djá, membros do Executivo, chefias militares e representantes do corpo diplomático acreditado em Bissau.

Nino Vieira e Amílcar Cabral

Nino Vieira e Amílcar Cabral

Os grandes ausentes e que reflectem a divisão do país 43 anos depois da proclamação da Independência Nacional, a 24 de Setembro de 1973, nas matas de Gabu, foram o presidente do PAIGC Domingos Simões Pereira e o presidente do Parlamento, também pertencente ao partido da independência, Cipriano Cassamá.

Acordo e novo Governo

A Guiné-Bissau passou por diversas crises, mas, como se diz nas ruas, “a luta continua”.

Depois de mais um golpe militar em 2012, que levou o país a mais uma etapa de violência e desgoverno, o país realizou eleições gerais em Abril de 2014, mas um ano e três meses depois uma crise no seio do partido no poder, o PAIGC, em particular entre o Presidente da República, José Mário Vaz, e o então primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, abriu uma nova crise política.

Pereira viria a ser demitido em Agosto de 2015 por Vaz, abrindo caminho à nomeação de três primeiros-ministros e a formação do Governo actual, liderado por Baciro Djá, deputado pelo PAIGC e expulso do Parlamento com mais 14 colegas, e com o apoio do PRS, segundo partido mais votado.

Há duas semanas, as partes envolvidas assinaram um acordo de entendimento, com a mediação da CEDEAO, mas não há novos desenvolvimentos.

O documento prevê a constituição de um Governo inclusivo para assegurar, nos próximos dois anos, a reforma da Constituição, a lei eleitoral e a modernização dos sectores da defesa e segurança, justiça e administração publica.

http://www.voaportugues.com/a/guine-bissau-independencia-43-anos/3523996.html

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A história do homem que foi empalhado e exibido como um animal

No início do século 19, era “moda” entre os europeus recolher animais de vários lugares do mundo, levá-los para casa e colocá-los em exposição.

 
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“Uma cerca de arame decorativa nas cores nacionais – azul, branco e preto – marca a sepultura de um dos mais famosos – e menos invejados – filhos de Botswana: “El Negro”.

Seu local de descanso em um parque público na cidade de Gaborone, sob um tronco de árvore e algumas pedras, faz lembrar o túmulo de um soldado desconhecido.

el-negrocUma placa de metal diz:

El Negro

Morreu em 1830

Filho da África

Trazido para a Europa morto

Levado de volta a solo africano

Outubro de 2000

O escritor holandês Frank Westerman descobriu o homem em um museu espanhol há 30 anos e decidiu investigar a história por trás dele. :

Um comerciante francês levou para casa o corpo de um guerreiro africano.

Sua fama vem de suas viagens póstumas – que duraram até 170 anos – como as para exibições em museus na França e na Espanha. Gerações de europeus ficaram boquiabertos com o corpo seminu, que havia sido empalhado por um taxidermista. Ali ele ficou, sem nome, exibido como um troféu.

De volta a 1983, como estudante universitário na Holanda, eu acidentalmente acabei “cruzando” com ele em uma viagem de carona para a Espanha. Eu havia passado uma noite na região de Banyoles, uma hora ao norte de Barcelona. A entrada do Museu Nacional de História de Darder era coincidentemente na porta ao lado.

“Ele é real, você sabia?”, uma garota de colégio gritou para mim.

“Quem é real?”

“El Negro!”, a voz dela ecoou pela praça, acompanhada de roncos e risadas de seus amigos.

No instante seguinte, uma senhora apareceu saindo de um salão com um casaco sobre os ombros. Ela abriu o museu, me vendeu um ingresso e apontou na direção da Sala de Répteis.

“É ali”, ordenou. “Aí vá passando pelas salas no sentido horário”.

Quando eu estava no caminho para o Quarto Humano, um anexo do Quarto dos Mamíferos, passei uma parede de escalada com macacos e esqueletos de gorilas – e, de repente, comecei a tremer. Estava ali, o Negro de Banyoles, empalhado. Uma lança na mão direita, um escudo na esquerda. Curvando-se devagar, ombros levantados. Seminu, apenas com uma tanga laranja.

El Negro era um homem adulto, pele e ossos que mal chegavam a um cotovelo. Ele estava mantido em um recipiente de vidro no meio do carpete.

Ele era um ser humano, mas sendo exibido como qualquer outra amostra de animais selvagens. A história ditou que o taxidermista era um europeu branco e, seu objeto, um negro africano.

O reverso era inimaginável.

Ao ver essa cena, meu rosto corou e senti as raízes do meu cabelo formigarem – simplesmente por causa de uma sensação difusa de vergonha.

Senhora Lola não tinha uma explicação. Ela nem tinha um catálogo ou um livro com a história daquele homem. Me deu um cartão postal que dizia apenas “El Negro” e que trazia atrás “Museu Darder – Banyoles. Bechuana”.

“Bechuana?”, eu questionei.

Senhora Lola continuou olhando para mim. “Os cartões custam 40 pesetas cada”, ela disse.

Comprei dois.el-negrodcartao-postal
Vinte anos depois, decidi escrever um livro sobre a extraordinária jornada de El Negro de Botswana (Bechuana) até Banyoles e de volta de novo.

História
A história começa com Jules Verreaux, comerciante francês que, em 1831, testemunhou o enterro de um guerreiro no interior da África, ao norte da Cidade do Cabo, e depois retornou à noite – “não sem correr risco de morte” – para escavar até o corpo e roubar a pele, o crânio e alguns ossos.

Com a ajuda de um fio de metal que funcionava como a espinha, pedaços de madeira que funcionavam como membros, e enrolando tudo isso em jornais, Verreaux preparou e preservou as partes do corpo roubadas.
Depois, ele colocou o corpo em um navio para Paris junto com outros corpos de animais conservados. Em 1831, o corpo do africano apareceu em uma exposição na Rua Saint Fiacre, número 3.

Em reportagem, o jornal Le Constitutionnel elogiou o “corajoso Jules Verreaux, que deve ter encarado perigos entre nativos que são tão selvagens quanto negros”. Esse texto deu o tom e, de repente, o “índivíduo do povo de Botswana” atraía mais atenção do que as girafas, hienas ou avestruzes.

“Ele é pequeno em postura, tem pele preta e sua cabeça está coberta por uma lã de cabelos crespos”, dizia o jornal.

Mais de meio século depois, o “Botswano” apareceu na Espanha. À margem da exibição mundial em Barcelona em 1888, o veterinário espanhol Francisco Darder apresentou o homem em um catálogo como “O Botsuano”, com um desenho em que ele é visto usando uma ráfia (como uma folha de palmeira) e segurando uma lança e um escudo.

Até o século 20, já tendo sido levado a Banyoles, uma cidade pequena ao pé dos Pirineus, as origens do homem haviam sido majoritariamente esquecidas, até que ele ficou conhecido como simplesmente “El Negro”.

Em algum momento, a tanga laranja “reveladora” que Jules Verreaux havia colocado nele foi substituída por curadores católicos romanos do Museu de Banyoles, que o vestiram com uma saia laranja muito mais “recatada”. Sua pele também ganhou um polimento de sapato para fazer com que ele parecesse ainda mais negro do que era.

De pé em sua “caixa” de exibição, levemente curvado e com um olhar penetrante, El Negro incorporava de uma forma mais pungente e angustiante, os aspectos mais obscuros do passado colonial europeu. Ele confrontava visitantes de frente com teorias de “racismo científico” – a classificação das pessoas como inferiores ou superiores baseado em medidas de crânio e outros pressupostos falsos.

Conforme o século 20 avançava, El Negro se tornou mais um anacronismo. Não só houve aumento de culpa e consciência sobre o fato de que seu corpo e túmulo haviam sido violados, como ficou clara a ideia de que ele, como um artefato europeu do século 19, refletia ideias que haviam se tornado universalmente insustentáveis.

Tudo começou a mudar em 1992, quando um médico espanhol de origem haitiana sugeriu, em uma carta para o jornal El País , que El Negro deveria ser retirado do museu. Os Jogos Olímpicos estavam vindo para Barcelona naquele ano e que o lago de Banyoles era um dos locais de competição. Com certeza, escreveu Alphonse Arcelin, atletas e espectadores que visitassem o museu local poderiam se sentir ofendidos com a visão de um homem negro empalhado.

O pedido de Arcelin foi apoiado por nomes importantes, como o do pastor americano Jesse Jackson, e o jogador de basquete Magic Johnson. O ganês Kofi Annan, então secretário-geral assistente da ONU, condenou a exibição dizendo que ela era “repulsiva” e “barbaramente insensível”.

Mas, devido à resistência forte do povo catalão, que abraçou El Negro como “um tesouro nacional”, foi preciso esperar até março de 1997 para El Negro desaparecer de vista do público. Ele foi armazenado e, três anos depois, em 2000, começou sua jornada final de volta para casa.

Volta à África
Seguindo longas consultas com a Organização para a Unidade da África, a Espanha concordou em repatriar os restos humanos para Botswana para um novo enterro cerimonial em solo africano. O primeiro passo da repatriação foi uma viagem à noite em um caminhão para Madri.

Uma vez na capital, seu corpo empalhado foi “desmontado” e desprovido de tudo de “não humano” que havia sido adicionado, como seus olhos de vidro. El Negro foi “desfeito”, como se tudo o que Jules Verraux havia feito para conservar seu corpo por 170 anos tivesse sido rebobinado.

Sua pele, porém, estava dura e rachou. Por causa disso e por causa do tratamento com polimento de sapato, eles decidiram mantê-la na Espanha. De acordo com uma reportagem de jornal, ela foi deixada no Museu De Antropologia de Madri.

Assim, o caixão que ia para Botswana tinha apenas o crânio, além de alguns ossos de braços e pernas. Os restos do guerreiro de Botswana ficaram expostos na capital Gaborone, onde cerca de 10 mil pessoas passaram por ele para prestar as últimas homenagens. No dia seguinte, 5 de outubro de 2000, ele foi enterrado em uma área cercada no Parque Tsholofelo.

Foi um enterro cristão. “No espírito de Jesus Cristo”, o padre disse com a mão na Bíblia, “que também sofreu”. Um toldo, apoiado por dois postes, protegeu os convidados de honra do sol.

“Nós estamos preparados para perdoar”, disse o então ministro das Relações Exteriores Mompati Merafhe para o público. “Mas não podemos esquecer os crimes do passado, para que não corramos o risco de repeti-los.”

Houve bênçãos, cantos e danças.

Depois disso, o túmulo foi esquecido por muitos anos e o gramado ao redor dele foi usado como campo de futebol. Mais recentemente, porém, o governo de Botswana restaurou o local, transformou-o em uma área de visitação e colocou várias placas explicando a importância dele.

Mas, em 2016, ainda não se sabe quem esse “filho da África” era, qual era seu nome ou exatamente de onde ele veio.

Uma autópsia feita em um hospital catalão em 1995, no entanto, trouxe algumas informações. O homem que se tornou mundialmente conhecido como El Negro viveu cerca de 27 anos. Ele tinha cerca de 1,35m e 1,4m e provavelmente morreu de pneumonia.”

https://noticias.terra.com.br/mundo/a-historia-do-homem-que-foi-empalhado-e-exibido-como-um-animal,4e4689ffc6185f5b8445af2b620eed0elxb9mh1s.html

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Deputados cabo-verdianos apoiam reforma do Parlamento da CEDEAO

cabo_verde-mapaO Presidente do Parlamento da Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO), o senegalês Moustapha Cisse Lo, defendeu, durante o seu discurso de abertura da sessão ordinária daquele plenário, «uma reforma profunda da instituição, que passe pela transição de um Parlamento Consultivo para um Parlamento Legislativo».Os parlamentares de Cabo Verde olham com boas perspectivas, a ideia de uma «reforma profunda» avançada pelo presidente do Parlamento da sub-região, e prometem «tudo fazer» para sensibilizar as autoridades do arquipélago em abraçar esta vontade do presidente de Parlamento da CEDEAO, que conta, para já, com apoio da Nigéria e Serra Leoa.

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Obama inaugura museu de história afro-americana em Washington

 

Museu Afro-americano inaugurado neste sábado (24) em Washington (Foto: Pablo Martinez Monsivais / AP)

 

 

O presidente Barack Obama inaugurou neste sábado o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington. Na cerimônia de inauguração, cortou a fita e inaugurou o museu de 37 mil metros quadrados revestido em bronze, diante de milhares de pessoas.

 

“Além da suntuosidade do edifício, o que torna esta ocasião tão especial é a rica história que ele abriga”, disse Obama durante a cerimônia, da qual participaram personalidades como o cantor Stevie Wonder e a apresentadora de TV Oprah Winfrey.

 

“A história afro-americana não está separada da nossa grande história americana. Não é a parte inferior da história americana. É parte central da história americana”, expressou.

 

 

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama inaugura museu afro-americano em Washington (Foto: Zach Gibson / AFP)

 

 

O museu foi concebido originalmente em 1915, quando veteranos da guerra civil americana buscavam uma maneira de homenagear a experiência dos afro-americanos no conflito.

 

A construção foi finalmente aprovada numa lei assinada pelo ex-presidente George W. Bush em 2003. O prédio tem uma localização privilegiada, próxima à Casa Branca e ao Monumento de Washington, e abriga 34 mil objetos, tendo sido quase a metade deles doados.

 

Tensão racial

 

A inauguração acontece em um contexto de forte tensão racial, enquanto cresce a indignação no país diante da morte de negros por policiais. O caso mais recente gerou protestos em Charlotte, Carolina do Norte (sudeste).

 

Este é o primeiro museu nacional dedicado a documentar as verdades incômodas envolvendo a opressão sistemática sofrida pelos negros no país, ao mesmo tempo em que homenageia o papel da cultura afro-americana.

 

“Uma visão clara da história pode nos incomodar (…) mas é, precisamente, a partir deste incômodo que aprendemos e crescemos, e aproveitamos o poder coletivo para tornar esta nação perfeita”.

 

Eleito em meio a uma onda de otimismo, em 2008, Obama prometeu unificação, reiterando que não era presidente dos negros, e sim de todos os americanos. Mas seu mandato termina e as pesquisas mostram que a ampla maioria dos americanos vêem as relações inter-raciais como “em geral, ruins”.

 

Os tiroteios recentes em que negros foram mortos pelas polícias de Tulsa (Oklahoma, sudoeste) e Charlotte (Carolina do Norte, sudeste) voltaram a expor os problemas raciais do país.

 

 

Stevie Wonder se apresenta na inauguração do Museu Afro-Americano, em Washington (Foto: Yuri Gripas / Reuters)

 

 

“Mesmo diante de dificuldades inimagináveis, os Estados Unidos avançaram. E este museu contextualiza os debates do nosso tempo.”

 

“Talvez possa ajudar um visitante branco a compreender o sofrimento e a indignação dos manifestantes em lugares como Ferguson e Charlotte”, assinalou.

 

O museu mostra “que este país, nascido da mudança, este país, nascido de uma revolução, este país, nosso, do povo, este país pode ser melhor”, disse o presidente.

 

http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=315156&codDep=24

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Mais de um milhão de pessoas fogem do Sudão do Sul devido a conflitos


Mais de um milhão de sudaneses do sul refugiarem-se em países vizinhos devido à violência no seu país, segundo um balanço elaborado esta semana pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) que foi hoje divulgado.

“O número de refugiados do Sudão do Sul que estão em países vizinhos ultrapassou a marca de um milhão esta semana, incluindo as 185.000 pessoas que fugiram do país desde o início da nova onda de violência em Juba, capital do país, a 08 de julho”, disse um porta-voz da ACNUR em Genebra.

O Sudão do Sul agora junta-se aos outros três países que tem mais de um milhão de refugiados, nomeadamente a Síria, o Afeganistão e a Somália, de acordo com o ACNUR.

Além disso, cerca de 1,61 milhões de sul-sudaneses saíram de suas casas para buscar refúgio em outras regiões do país.

O Sudão do Sul tem sido devastado por uma guerra civil desde dezembro de 2013 e uma nova onda de violência eclodiu em julho.

A maioria dos novos refugiados registados pelo ACNUR tem cruzado a fronteira para o Uganda. Também estão a refugiar-se na Etiópia, no Quénia, na República Democrática do Congo (RDC) e na República Centro-Africana.

O Sudão do Sul tornou-se independente em julho de 2011 depois da divisão do Sudão em dois países, após 25 anos de guerra civil.

Entretanto, o Sudão do Sul mergulhou novamente numa guerra civil em dezembro de 2013, um conflito que já causou dezenas de milhares de mortos e ficou marcado por atrocidades, incluindo massacres de caráter étnico.

Além disso, cerca de cinco milhões de sudaneses do sul, ou mais de um terço da população, está a passar por uma situação de insegurança alimentar “sem precedentes”, segundo a ONU.

 

 

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/654502/mais-de-um-milhao-de-pessoas-fogem-do-sudao-do-sul-devido-a-conflitos