Jean Ping, lider da oposição, recusa fazer parte do governo do Gabão

por Eleazar Van-Dúnem |

Fotografia: AFP

O primeiro-ministro do Gabão, Emmanuel Ngondet, anunciou na noite de domingo um “Governo de abertura” com dirigentes políticos da oposição, mas sem o candidato derrotado nas presidenciais, Jean Ping,

 

que mesmo após a confirmação pelo Tribunal Constitucional do resultado da eleição continua a não reconhecer a vitória do Presidente cessante e apela “à resistência popular” dos gaboneses, “em nome da democracia”.
O novo Governo, que segundo o primeiro-ministro gabonês cumpre a promessa de “um  gabinete de abertura” feita pelo Presidente Ali Bongo Ondimba após a confirmação da sua vitória nas mais recentes eleições presidenciais realizadas no país, tem 40 membros, pouco mais de 30 por cento mulheres, anunciou Emmanuel Issoze Ngondet numa conferência de imprensa realizada no Palácio Presidencial.
Entre os opositores incluídos no chamado “Gabinete de abertura” – criado pelo primeiro-ministro, alegadamente para reconciliar os gaboneses após a violência pós-eleitoral que abalou o país –  o dirigente político mais proeminente é o candidato derrotado nas eleições presidenciais com 0,59 por cento dos votos, Bruno Ben Moubamba, que agora é vice-primeiro-ministro e ministro do Urbanismo, Habitação Social e Alojamento. Estelle Ondo, vice-presidente do partido União Nacional, é o ministro da Economia Florestal, Pescas e Ambiente.
Na quinta-feira, o recém-nomeado primeiro-ministro Emmanuel Ngondet anunciara a composição de um “Governo de abertura largamente ­aberto às forças vivas da nação”.  Até então ministro gabonês dos Negócios Estrangeiros, Emmanuel Issoze Ngondet foi nomeado Primeiro-ministro em substituição de Daniel Ona Ondo, no dia a seguir à cerimónia de tomada de posse do ­Presidente Ali Bongo Ondimba, 57 anos, para um segundo mandato como Chefe de Estado.
Em 24 de Setembro, após a validação da sua reeleição, o presidente gabonês, Ali Bongo Ondimba, fez um apelo por um “diálogo político” com “todas as lideranças políticas, incluindo os candidatos derrotados na eleição de 27 de Agosto”, num pronunciamento transmitido pela televisão.
O Tribunal Constitucional validou a reeleição de Ali Bongo Ondimba, mas indeferiu o pedido do candidato Jean Ping, que reivindicava a contagem dos votos na província de Haut-Ogooué, onde a missão de observação da União Europeia afirma ter  detectado “uma evidente anomalia”.
Segundo os dados da Comissão Eleitoral do Gabão, Ali Bongo Ondimba teve 95 por cento dos votos num índice de 99 por cento de participação na província de Haut-Ogooué, sua terra natal, quando no resto do país o índice de participação foi de 53 por cento.
O resultado permitiu ao Chefe de Estado cessante ter vantagem em todo o país, com pelo menos cinco mil votos, dados que foram rejeitados pelo candidato derrotado.
No seu acórdão, o Tribunal Constitucional alterou os resultados da eleição presidencial de 27 de Agosto, mas sublinhou que o Presidente cessante mantinha a vantagem e a vitória com 50,7 por cento dos votos, contra 47,2 por cento do seu adversário e antigo presidente da Comissão Africana, Jean Ping.
No final de Agosto, o anúncio da reeleição do Presidente cessante provocou uma violenta crise no país, com sangrentos confrontos e saques.

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