Dalcídio Jurandir: Banzo de Negro

(Lamento Negro ou Cantiga dos Negros Cativos)- 1937
Letra: Dalcidio Jurandir
Música: Gentil Puget

Negro é Oxum
Vem vindo lá do mar,
Vem vindo em porão
Em cima do mar,
Ah! Em cimado mae!
No mar, ê ô
No mar, ê ô ê ô ê ô…
Vem o veleiro da Costa
Negro bantu vem de longe
Veio em cima do mar
Veio em cima do mar
No mar, ê ô
Ah! No mar ê ô
Iemanjá nossa mãe tá no fundo mar
Nossa mãe tá no fundo do mar
No mar, no mar ê ô
No mar ê ô
Chora o banzo, Sinhô
Nas ondas do mar
Pai de Santo, Pai de Santo ô
Iemanjá oh! Iemanjá.
Eh! Negro Orixá
Lá na Costa chegou,
Vem falando Nagô
Negro Orixá,
Ah! Negro Orixá
No mar, ê ô
No mar ê ô ê ô ê ô…
Nosso choro foi o banzo
Nossa casa foi senzala
Nossa esperança Zumbi
Só nos resta o Orixá.

“Todo meu romance distribuído, provavelmente, em dez volumes, é feito, da maior parte, da gente mais comum, tão ninguém, que é a minha criaturada grande de Marajó, Ilhas e Baixo Amazonas.Fui menino de beira de rio, do meio do campo, banhista de igarapé. Passei a juventude no subúrbio de Belém, entre amigos, nunca intelectuais, nos salões da melhor linhagem que são os clubinhos de gente da estiva e das oficinas, das doces e brabinhas namoradas que trabalhavam na fábrica.  Um bom intelectual de cátedra alta diria:  são as minhas essências, as minhas virtualidades.  Eu digo tão simplesmente:  é a farinha d’agua dos meus bijus (sic).  Sou um também daqueles de lá,  sempre fiz questão de não arredar pé de minha origem e para isso, ou melhor, para enterrar o pé mais fundo, pude encontrar uma filiação ideológica que me dá razão.  A esse pessoal miúdo que tento representar nos meus romances chamo de aristocracia de pé no chão”.

Dalcídio Jurandir

(Folha do Norte, 23 de outubro de 1960)

Dalcídio Jurandir Ramos Pereira nasceu em Ponta de Pedras, ilha do Marajo, Pará, 10 de janeiro de 1909, faleceu em 16 de junho de 1979, na cidade do Rio de Janeiro onde viveu maior parte de sua vida. Filho de Alfredo Pereira e Margarida Ramos.

 

É considerado um dos maiores escritores da Amazonia.

 

Dalcídio estudou em Belém, até 1927.

 

Em 1928 partiu para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor, na revista Fon-Fon. Em 1931 retornou para Belém. Foi nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado.

 

Escreveu para vários jornais e revistas:  O Radical,  Diretrizes, Diário de Notícias, Correio da Manhã,  Tribuna Popular, O Jornal ,  O Cruzeiro e A Classe Operária. No semanário Para Todos, trabalha como redator, sob a direção de Jorge Amado.

 

Militante comunista, foi preso em 1936, permanecendo dois meses no cárcere, conseguindo a custo, levar consigo o Dom Quixote, de Cervantes. Em 1937 foi preso novamente, e ficou quatro meses retido, retornando somente em 1939 para o Marajó, como inspetor escolar.Em 1940, vai a Santarém, Baixo Amazonas, para exercer as funções de secertário da Delegacia de Recenseamento.

 

Obtém o primeiro lugar com o livro Chove nos Campos de Cachoeira no concurso literário instituido pelo jornal Dom Casmurro e pela Editora Vecchi, concorrendo com quase uma centena de escritores.   Faziam parte da comissão julgadora: Jorge Amado,  Álvaro Moreyra, Oswaldo de Andrade e Raquel de Queiroz.

 

Em 1950, foi repórter da Imprensa Popular.   Nos anos seguintes viajou à União Soviética, Chile.  Publicou o restante de sua obra, inclusive em outros idiomas.

 

Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis,  pelo conjunto de sua obra.
Em 2001, concorreu com outras personalidades ao título de “Paraense do Século”. No mesmo ano, em novembro, foi realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.
Em 2008, o Governo do Estado do Pará instituiu o Prêmio de Literatura Dalcídio Jurandir.
Em 2009 comemorar-se-á o Centenário do escritor e estão sendo realizadas campanhas para que até lá todos os seus livros sejam novamente publicados.

OBRAS

Série Extremo-Norte
• Chove nos Campos de Cachoeira  – 1941
• Marajó  –  1947
• Três Casas e um Rio –  1958
• Belém do Grão Pará  –  1960
• Passagem dos Inocentes  –  1963
• Primeira Manhã   –  1963
• Ponte do Galo  –  1971
• Os Habitantes  –  1976
• Chão dos Lobos  –  1976
• Ribanceira  –  1978

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