Produção de trigo na África do Sul muda o quadro de importações

trigo.jpgAs importações de trigo por parte da África do Sul deverão cair após uma recuperação na safra, com rendimentos “quase recordes”.

O Serviço de Análise Global de Safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê a safra 2016/17 para o país em 1,88 milhões de toneladas.

Este número representa um crescimento de 436.000 toneladas em relação ao último ano, decorrência de fortes rendimentos e de uma área plantada em crescimento. Desta forma, esta é a maior safra do país nos últimos cinco anos.

Aumento dos rendimentos

A produtividade da safra está estimada em 3,69 toneladas por hectare, o que o USDA atribui a “chuvas favoráveis e rendimentos quase recordes” na região do Cabo Ocidental, onde é cultivado mais de 90% do trigo.

Essa região é responsável por 57% da produção total de trigo na África do Sul.

Apesar das chuvas e do rendimento favoráveis, no entanto, a quantidade não indica uma colheita recorde.

Queda nas importações

Com um aumento na produção, embasado em estimativas locais da África do Sul, o fator também deve pesar sobre as importações.

As importações totais de trigo do país devem ficar em 1,5 milhões de toneladas nesta safra, sendo que no ano passado foram importadas 2 milhões de toneladas. De acordo com o USDA, este é o número mais baixo dos últimos 7 anos para as importações.

Tradução: Izadora Pimenta

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/graos/186337-aumento-na-producao-de-trigo-da-africa-do-sul-deve-diminuir-importacoes-do-cereal-pelo-pais.html#.WJEWltQrI_4

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A história do Apartheid na Namíbia é desconhecido dos brasileiros

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José Ribeiro |
31 de Janeiro, 2017

Fotografia: Arquivo Nacional da Namíbia

Em Janeiro de 1904 foi desencadeado o primeiro genocídio em África. No início do século XX, dezenas de milhares de pessoas foram assassinadas por tropas alemãs no então território do Sudoeste Africano, hoje Namíbia, vizinha de Angola.

 

Entre 1904 e 1908, quando a região estava sob colonização da Alemanha, os militares realizaram uma campanha implacável de extermínio de duas etnias locais, os Herero e os Nama. De um total de cerca de 100 mil integrantes dos dois grupos, estima-se que pelo menos 80 mil homens, mulheres e crianças foram mortos por balas, canhões, fome ou sede. O estupro em massa de mulheres foi sistemático.
Em 12 de Janeiro de 1904, os herero, sob a liderança de Samuel Maharero, organizaram uma revolta contra o domínio colonial alemão. Em Agosto, o general alemão Lothar von Trotha derrotou os herero na batalha de Waterberg e dirigiu-os para o deserto de Omaheke, onde a maioria deles morreu de sede. Em Outubro, os nama também pegaram em armas contra os alemães e foram tratados de forma semelhante. No total, entre 24.000 e 65.000 herero  e 10.000 nama morreram.
Em 1985, as Nações Unidas reconheceram a tentativa da Alemanha de exterminar os povos herero e nama do Sudoeste de África como uma das primeiras tentativas de genocídio no século XX. O governo alemão pediu desculpas pelos eventos em 2004. Nada mais.
Após a Primeira Guerra Mundial, em 1920, a Liga das Nações transferiu a administração do protectorado do Império Alemão para a África do Sul, que impôs a sua política de apartheid a partir de 1948. As exigências levantadas por líderes africanos levaram a ONU a assumir a responsabilidade directa sobre o território.
Além de ocupar a Namíbia, o regime racista instalado na África do Sul lançou, a partir de 1975, uma guerra contra Angola, que pediu a ajuda de Cuba para responder ao ataque. Em 23 de Março de 1989, a SADF foi derrotada pelas FAPLA na Batalha do Cuito Cuanavale, que teve como epicentro o Triângulo do Tumpo. No ano seguinte, em 21 de Marco de 1990, a Namíbia obteve a independência da África do Sul.
Os responsáveis pelos genocídios e pelas guerras na Namíbia e em Angola querem aparecer hoje como os campeões da liberdade e da democracia. Os antigos genocidas, esclavagistas e colonialistas transformam as vítimas africanas em culpados e os repressores europeus em democratas. Alguns deles escondem-se entre as fraldas dos partidos de “esquerda” e dos impérios mediáticos e recorrem ao insulto. Numa versão falsa e racista, propagam que foram os cubanos quem derrotou as SADF no Cuito Cuanavale e não as FAPLA. O seu alvo de vingança são os generais e líderes africanos que não vacilaram quando foi necessário enfrentar a poderosa máquina de guerra de Pretória e conseguiram libertar o continente do regime de apartheid, abrindo o caminho para a verdadeira democracia e o desenvolvimento dos povos africanos.
No final de cada mês, o Arquivo Histórico relembra como foi possível chegar à independência da Namíbia, 15 meses depois de terem sido assinados os Acordos de Nova Iorque entre Angola, Cuba e África do Sul a 22 de Dezembro de 1988. Baseamo-nos em factos que constam de obras, nacionais e estrangeiras, que estão ao alcance dos investigadores históricos e interessados, e ainda da experiência vivida em reportagem dentro e fora de Angola.

Dois níveis de actuação

O mês de Janeiro de 1990, no prosseguimento do “Day After” dos Acordos de Nova Iorque e dos 15 Meses que Levaram à Independência da Namíbia, continuou a polarizar as mentes dos diversos intervenientes à volta de dois processos distintos mas profundamente interligados: o percurso da Namíbia rumo à proclamação da independência e o processo de reformas que visava transformar a África do Sul num Estado democrático e plurirracial. Ambos os processos foram sequenciais à incontestada vitória das FAPLA sobre as SADF e as tropas da UNITA na Batalha do Cuito Cuanavale, travada no Triângulo do Tumpo a 23 de Março de 1988.
Paralelamente aos processos em curso na Namíbia e na África do Sul, em Janeiro de 1990 as FAPLA continuavam engajadas em operações militares para desmantelar definitivamente a UNITA, sobretudo no sudeste do país, na direção Cuito Cuanavale–Mavinga-Jamba, para a extensão da administração do Estado a esta parcela do território nacional.
Na Namíbia, depois de em Novembro de 1989 ter sido criada a Comissão Constitucional, presidida por Hage Geingob, que tinha a nobre missão de coordenar a elaboração da Nova Constituição para a República da Namíbia com base nos Princípios Constitucionais propostos pelo Grupo de Contacto do Ocidente em 1982, a Comissão indicou um painel composto por três advogados sul-africanos, activistas da luta contra o apartheid, nomeadamente, Arthur Chaskalson, o professor Gerhard Erasmus e Marinus Wiechers, para elaborarem o Projecto de Constituição e submetê-lo à Comissão Constitucional na primeira quinzena de Janeiro de 1990.
No início de Janeiro de 1990 o painel apresentou o projecto constitucional aos especialistas da Comissão Constitucional, composta por 12 membros representando os partidos políticos com assento na Assembleia Constituinte, para escrutínio, discussão e preparação final do projecto constitucional.
A 16 de Janeiro de 1990 a Comissão Constitucional reuniu-se com os membros do painel, à porta fechada, para analisar o projecto constitucional. As discussões decorreram numa atmosfera cordial, sendo que as contribuições dos membros da Comissão Constitucional se circunscreveram a alterações de ordem técnica e ao melhoramento do texto. Entre as poucas rectificações feitas, destacou-se o ponto em que o projecto constitucional propunha que o Presidente da República deveria ter assento no Parlamento. Depois de algumas discussões, a Comissão Constitucional decidiu que o Chefe de Estado não deveria ser membro da Assembleia Constituinte.
Uma vez ultrapassada esta questão, a 22 de Janeiro 1990 a Comissão Constitucional aprovou por unanimidade o texto integral do projecto constitucional e submeteu-o à Assembleia Constituinte para deliberação e aprovação.  Em função do consenso registado nos debates da Comissão Constitucional, a 29 de Janeiro de 1990, pouco menos de uma semana depois de ter recebido o projecto da Comissão Constitucional, a Assembleia Constituinte determinou oficialmente o dia 21 de Março de 1990 como a data da proclamação da independência da Namíbia.
Esta data simbólica foi proposta pela SWAPO em memória do massacre de Sharpeville ocorrido a 21 de Março de 1960 na província de Gauteng (África do Sul) quando cerca de 20 mil manifestantes se reuniram em Sharpeville para protestarem contra a Lei do Passe, que, na época, obrigava os negros a usarem um cartão que indicava os locais onde era permitida a sua circulação. Obedecendo às leis do apartheid, o regime de segregação racial que vigorou de 1948 a 1994, a polícia sul-africana disparou contra a multidão desarmada provocando 69 mortos e 186 feridos.
flag_map_of_namibia_swapoCom a independência da Namíbia, a revisão do modelo de governação política era algo importante. Antes mesmo de ser empossado, Nahas Angula, indigitado como primeiro ministro da Educação, Desporto, Cultura e Juventude da Namíbia, estava consciente dos problemas que o governo namibiano herdaria. A ideologia e as políticas do apartheid durante a administração sul-africana provocaram desigualdades dramáticas no que diz respeito aos serviços de educação prestados aos vários grupos sociais.
Segundo Klaus Dierks, na sua obras “Chronology of Namibian History – From Pre-Historical Times to Independent Namibia”, até Janeiro de 1990 a educação na Namíbia era caracterizada pela desigualdade e a fragmentação. Havia escolas para “brancos” e para “negros”. Nas escolas para brancos havia 1 professor para 13 alunos, havia livros, boas instalações e material didáctico suficiente. Nas escolas para negros, havia 1 professor para 37 alunos e muitas vezes as turmas chegavam a ter mais de 50 alunos. Os livros e o material didáctico eram escassos.
“Esta situação prejudicava e limitava grandemente a população negra, já que entre os mesmos, a alta taxa de desistência e de reprovação era muito elevada e proporcionava um acesso diferenciado ao emprego e, consequentemente, aos salários”, escreve Klaus Dierks no seu livro.
Por isso, em Janeiro, Nahas Angula, o ministro da Educação nomeado após a vitória da SWAPO nas eleições de Novembro de 1989 e que tomaria posse após a proclamação da independência da Namíbia, a 21 de Março de 1990, estava informado dos desafios que o aguardavam.
Ainda em Janeiro, Angula publicou um documento “The national integrated education system for emergent Namibia: Draft proposal for education reform and renewal” (sistema nacional de educação integrado para a emergente Namíbia: proposta do projecto de reforma e renovação da educação), que apresentava os objectivos da educação nacional, propunha uma estrutura para o novo sistema de educação nacional, sugeria o conteúdo possível da educação geral a vários níveis e delineava a estrutura administrativa e organizacional do sistema de educação nacional proposto para uma Namíbia independente, submetendo-o à consulta pública. O documento apelava à sociedade namibiana para apresentar propostas para melhorar o projecto e para participar activamente no processo de reforma e renovação da educação na Namíbia. Após a independência, este documento serviu de base ao processo de reforma.

Pressão sobre a África do Sul

Em 1990, a decisão da comunidade internacional de continuar a defender a manutenção das sanções impostas contra África do Sul representava um golpe duro para a já muito enfraquecida economia sul-africana e garantia a continuidade do isolamento da África do Sul do resto do mundo.
Para reverter a situação, o regime de Pretória empreendeu uma série de acções diplomáticas visando recrutar novos parceiros. A 3 de Janeiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, “Pik” Botha, em visita oficial à Hungria, encontrou-se com o seu homólogo húngaro, Gyula Horn, com a pretensão de estabelecer relações económicas, políticas e diplomáticas, naquela que foi a primeira visita de um alto funcionário sul-africano a um país do Pacto de Varsóvia.
Segundo disse “Pik” Botha na altura, o seu governo pretendia atrair os países da Europa Oriental para a África do Sul a fim de aliviar a escassez de mão-de-obra qualificada. Os dois países, Hungria e África do Sul, manifestaram interesse em estabelecer gradualmente relações oficiais.
A situação económica dos sul-africanos no interior da RSA agudizava-se e o desespero era tal que, ignorando a “ameaça vermelha”, o presidente Frederick De Klerk orientou o seu ministro “Pik” Botha a tentar a aproximação com um país do bloco socialista. Esta visita levou o secretário-geral do ANC, Alfred Nzo, a apelar, a 7 de Janeiro de 1990, à realização de manifestações diante de todas as embaixadas húngaras espalhadas pelo mundo.
Por ocasião do 78º aniversário da fundação do ANC, celebrado a 8 de Janeiro de 1990, e em virtude do processo de reformas que visavam pôr fim ao sistema de apartheid, iniciado com a chegada ao poder de Frederick De Klerk a 6 de Setembro de 1989, o ANC emitiu uma declaração em que reafirmava a sua disposição em assinar um acordo político com o governo sul-africano para pôr fim ao apartheid, desde que as pré-condições apresentadas por Mandela em documento, durante o encontro que teve com De Klerk a 13 de Dezembro de 1989, fossem atendidas.
Segundo o documento, as condições que obrigaram o ANC a pegar em armas continuavam inalteradas. O ANC continuava a ser uma organização ilegal, o Estado de Emergência continuava em vigor e toda uma série de leis repressivas continuavam a ser aplicadas pelo governo racista sul-africano. O movimento de libertação considerava assim que a luta armada continuava a ser uma componente crítica e decisiva da estratégia do ANC.
Ciente da importância que tiveram os Acordos de Nova Iorque assinados em 1988, como  consequência da vitória retumbante das FAPLA sobre as SADF e as tropas da UNITA na Batalha do Cuito Cuanavale, na declaração o ANC felicitou o povo namibiano pela vitória que estava prestes a celebrar e enfatizou que a mesma era de grande importância para a transformação democrática na África do Sul, uma vez que iriam acelerar ainda mais as fronteiras da liberdade. Assim, em função dos desafios que ainda tinha pela frente, o ANC proclamou o ano de 1990 como o “Ano da Acção Popular por uma África do Sul Democrática”.

Condições para negociar

Na reunião do NEC do ANC de Janeiro de 1990, realizada em Lusaka, o Comité Nacional Executivo do ANC marca avanços importantes. Pela primeira vez desde que o ANC foi considerado uma organização ilegal e banida de toda actividade política na África do Sul, em 1964, aquele órgão de direcção conseguia reunir 35 membros do NEC, 8 presos políticos recém-libertados, liderados por Walter Sisulo, e por representantes do Mass Democratic Movement, encabeçados por Cyril Ramaphosa, do Sindicato Nacional dos Mineiros, e Chris Dlamini, do Congresso dos Sindicatos Sul-africanos (Cosatu).
No encontro de Lusaka, o NEC analisou a estratégia de luta a ser adoptada pelo ANC, numa altura em que se criavam as condições para o início das negociações com o governo de Pretória. Os dirigentes do ANC debateram as acções que deviam ser empreendidas para, no mais curto espaço de tempo, acabar com o apartheid e transformar a África do Sul num país unido, democrático e não racial.
Nessa altura, Nelson Mandela ainda estava preso. O NEC exigiu a libertação imediata e incondicional de Mandela e de outros prisioneiros políticos, o fim dos actos de repressão perpetrados pelo regime de apartheid e o levantamento das sanções impostas ao ANC e a outros movimentos de luta contra o regime de segregação.

Herdeiros do apartheid

Passavam 12 meses da assinatura dos Acordos de Nova Iorque. Nesses momentos, a parte angolana e a parte cubana cumpriam as suas obrigações atinentes ao acordo de Nova Iorque. Os dois países trabalhavam arduamente para a paz e a estabilidade na região, mas a remoção dos “factores externos” do conflito angolano ainda estava longe de ser uma realidade, porquanto os EUA e a África do Sul teimosamente recusavam-se a cessar o apoio que prestavam à UNITA, atropelando a letra e o espírito dos acordos.
Estando em curso o processo de retirada das tropas cubanas do território angolano, a UNITA, apoiada pelos EUA e pela África do Sul, acreditava que tinha a oportunidade para chegar ao poder. Jonas Savimbi e seus seguidores, aliados do apartheid, consideravam que o governo angolano perderia o seu suporte de sobrevivência. Daí a sua crença cega na ideia“Se o Cubano sai, o MPLA cai”. A história veio provar quem tinha razão. O MPLA, com fortes raizes no povo de Cabinda ao Cunene, conduziu com grande sucesso um processo de democratização, de paz e de estabilidade, único no mundo, e venceu as eleições.


A UNITA insistiu na via da guerra

“Depois da assinatura dos Acordos de Nova Iorque, esperava-se que houvesse progressos significativos na pacificação interna de Angola. Para além de garantir a independência da Namíbia,  a libertação de Nelson Mandela, a criação de condições para o fim do apartheid na África do Sul, os acordos, particularmente para os angolanos, significavam a remoção  dos ‘factores externos’ do conflito que desde 1975 assolava o povo angolano. Porém, os ‘factores externos’ do conflito não se extinguiram, porquanto a África do Sul e os EUA continuaram a apoiar clandestinamente a UNITA, convictos de que as FAPLA  não sobreviveriam sem o apoio cubano”, comenta hoje para o Jornal de Angola um general das FAA que se vem dedicando ao estudo da História Militar e questões da defesa.
“Este factor, a remoção dos ‘factores externos’”, sublinha o militar, “era de suma importância para resolver a questão da guerra em Angola, como enfatizou o Presidente José Eduardo dos Santos no seu discurso proferido três dias depois da assinatura dos Acordos. ‘Os acordos concluídos criam mecanismos e garantias de protecção e defesa do país contra as agressões externas. Mas o inimigo interno, embora esteja mais enfraquecido, ainda não desarmou. Continua a sua acção criminosa contra as populações e contra os interesses do Estado e não deixou de ser o instrumento do imperialismo, e da África do Sul em particular, para desestabilizar o nosso país e impedir o seu desenvolvimento económico e social. Assim, o combate contra o inimigo interno continua também. Será necessário dar-lhe as respostas adequadas, quer no plano político quer no plano militar, até que compreenda que já não há qualquer justificação para a continuação de uma guerra inútil e sem perspectivas, pois tanto na nossa região como à escala universal a tendência geral é favorável à paz e ao desenvolvimento’. Estas foram as palavras dirigidas pelo Presidente e Comandante-em-Chefe das FAPLA à nossa delegação que foi a Nova Iorque”, sublinhou o general.
Que significado teve isso? “Com estas palavras, o Presidente reafirmou a vontade patriótica de continuar a defender a soberania nacional, que continuava com a antiga pretensão. Em Janeiro de 1990, no contexto da aplicação dos Acordos, é notório que, apesar da Namíbia avançar rumo à independência, a África do Sul ter em curso o processo de reformas para a implantação de um Estado democrático e pluri-racial, a retirada dos cubanos do território angolano estar a decorrer conforme postulado nos Acordos de Nova Iorque, os ‘factores externos’ do conflito interno não desarmavam”, respondeu o oficial.
“No terreno” – acrescenta  – “os sul-africanos, cujo apoio à UNITA deveria ter cessado em 1988, não podendo estar presentes fisicamente, assumiram o compromisso de apetrechar e preparar as unidades militares da UNITA para que estas pudessem enfrentar as investidas das FAPLA. A técnica blindada capturada às FAPLA nos combates do Lomba em 1987 foi reparada e entregue às forças da UNITA, depois de  um treinamento intensivo. Na verdade, a razão das intervenções sul-africanas assentava na manutenção e na sobrevivência da UNITA, já que estas, por si só, não eram capazes de travar as FAPLA”.
E os norte-americanos, que mediaram os acordos de Nova Iorque, o que faziam? “Os norte-americanos estavam bastante preocupados com o avanço, para eles perigoso, das acções militares do Governo contra o território controlado pela UNITA no Sudeste de Angola. A equipa de Chester Crocker, que se apoiava nas teorias militares de Jim Woods, do Pentágono, e do coronel Schneider, da Defence Intelligence Agency (DIA), reconhecia que a ofensiva das FAPLA era séria e perigosa. A ausência eficiente e actualizada da artilharia sul-africana, que tinha sido muito valiosa para travar a ofensiva de 1987 do nosso Governo, tornou a UNITA vulnerável aos carros de combate e a uma superior composição das tropas das FAPLA. Diante desta situação, Woods e os seus colegas prometeram ajudar a encontrar os abastecimentos e transportes necessários, de forma rápida. A estratégia de Jim Woods funcionou e rapidamente foram fornecidas armas anti-tanque à UNITA.”
“Com isso”, recorda o oficial general, “estava claro que os EUA e a África do Sul, mesmo depois da assinatura dos Acordos de Nova Iorque, continuavam a apoiar a UNITA e a alimentar a guerra em Angola. Perante isso, o Comandante-em-Chefe das FAPLA, o Presidente José Eduardo dos Santos, adoptou as seguintes posições. Por um lado, mandou realizar operações para mostrar ao mundo que as FAPLA eram superiores às FALA. Nos países ocidentais corria a ideia de que havia paridade entre as FAPLA e a UNITA. Impunha-se demonstrar que as FAPLA eram superiores às FALA, como foi demonstrado na Batalha do Cuito Cuanavale. Por outro, ordenou que se realizasse uma operação para desmantelar a retaguarda da UNITA e tomar Mavinga. A operação devia conseguir demonstrar ao Congresso dos EUA que a UNITA era um instrumento inviável, o que abriria caminho para a cooperação entre os EUA e o Governo angolano. Esta operação teria ainda por objectivo recolher os apoios de alguns Chefes de Estado africanos, principalmente Houphouet Boigny, o Rei Hassan II e Mobutu, para deixarem de apoiar Savimbi na desestabilização do Norte de Angola”.
De acordo com a estratégia definida, “a vitória das FAPLA, primeiro contra os redutos da UNITA situados em Mavinga seria uma arma política e diplomática do Governo para combater os “factores externos” do conflito angolano que teimavam em não desarmar, pois não só demonstraria que as FAPLA eram superiores às FALA, como também vulgarizaria a atoarda bombástica da UNITA de que ‘Se o Cubano sai, o MPLA cai’. A verdade é que foram precisos mais 12 anos de luta militar e diplomática, passando por vários processos, desde os Acordos de Bicesse (31/05/1991), Acordos de Lusaka (20/11/1996), Acordos de Libreville (Março de 1996), Acordos de Paz do Luena (Março 2002) e o Acordo de Paz de 4 de Abril de 2002, para que o povo angolano pudesse almejar a tão aguardada paz, cuja conquista teve um preço que é importante contar aos meninos à volta da fogueira, para que saibam como se ganha uma bandeira e para que saibam, igualmente, o que custou a liberdade, parafraseando a canção com letra de Manuel Rui Monteiro e múica de Ruy Mingas ‘Os Meninos do Huambo’”.
“Nunca é demais afirmar”, conclui o general, “que este feito heróico  teve um timoneiro, o Comandante-em-Chefe das FAPLA, José Eduardo dos Santos, que nos momentos mais difíceis soube enfrentar e vencer as agressões do maior Exército a Sul do Sahara, as SADF, e a subversão da UNITA, apoiada por potências ocidentais e por países africanos. O Presidente José Eduardo dos Santos deu o seu maior contributo ao Povo Angolano, a preservação da Integridade Territorial e da Soberania Nacional de Angola”.

Sanções aos infractores na Califórnia

1 de Janeiro de 1990 – O Estado da Califórnia adopta sanções mais severas contra o regime racista de Pretória, forçando as empresas que têm negócios com clientes da África do Sul a manifestarem-se. Qualquer incumprimento desta orientação custaria ao infractor um valor superior a 10.000 dólares.
(Fonte: “Beeld”, 4 de Janeiro de 1990)

3-4 de Janeiro de 1990 –
O ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, “Pik” Botha, realiza uma visita oficial à Hungria. Ele encontra-se com o seu homólogo húngaro, Gyula Horn. Esta é a primeira visita de um alto funcionário sul-africano a um país do Pacto de Varsóvia. O senhor Horn afirma que o diálogo com a África do Sul continuaria, mas “no quadro da sua rejeição do apartheid”.
(“Africa Research Bulletin: Political Series”, 15 de Fevereiro de 1990; “SA Barometer”, 2 de Fevereiro de 1990)

4 de Janeiro de 1990
– O activista desportivo Peter Hain visitou a África do Sul, secretamente, para prevenir contra a planeada excursão da equipa de críquete da Inglaterra à RSA. O Departamento dos Assuntos Internos afirmou que Hain entrou no país de forma ilegal com um nome falso.
(“SA Barometer”, 2 de Fevereiro de 1991)

5 de Janeiro de 1990
– O ANC declara que o governo húngaro deu garantias de que a visita do ministro sul-africano dos Negócios Estrangeiros, “Pik” Botha, não aconteceria.
(“SA Barometer”, 2 de Fevereiro de 1990)

7 de Janeiro de 1990
– O secretário-geral do ANC, Alfred Nzo, apela para a realização de manifestações em todas as embaixadas húngaras espalhadas pelo mundo, em protesto contra a tentativa desse país de estabelecer ligações com a África do Sul.
(“Africa Research Bulletin: Political Series”, 15 de Fevereiro de 1990)

15 de Janeiro de 1990
– A África do Sul adere ao Protocolo de Montreal relativo às Substâncias que empobrecem a Camada de Ozono, no dia 16 de Setembro de 1987, entrando em vigor no dia 15 de Abril de 1990.
(“South African Yearbook of International Law”, vol. 15, 1989/90)

19 de Janeiro de 1990
– Frederick Chien, ministro dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, inicia uma visita oficial à África do Sul.
(“Beeld”, 17 de Janeiro de 1990)

19 de Janeiro de 1990
– A equipa não-oficial inglesa de críquete chega ao Aeroporto Jan Smuts, Joanesburgo, num clima de manifestações de grupos anti-apartheid e apelos do Comité Anti-Exclusão para deixar a África do Sul.
(“Africa Research Bulletin: Political Series”, 15 de Fevereiro de 1990)

22 de Janeiro de 1990 –
Os Presidentes de Angola, do Botswana, de Moçambique, da Tanzânia, da Zâmbia e do Zimbabwe encontram-se com os líderes do ANC, em Lusaka. Isto na sequência de uma reunião entre oito veteranos líderes do ANC e a sua liderança externa.
(“Africa Research Bulletin: Political Series”, 15 de Fevereiro de 1990)

22 de Janeiro de 1990
– O secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos para os Assuntos Africanos, Herman Cohen, encontra-se com o Presidente da RSA, Frederick Willem De Klerk, para discutir as medidas de reforma na África do SUL.
(“SA Barometer”, 2 de Fevereiro de 1990)

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/o_apartheid_mutilou_o_povo_e_a_educacao_na_namibia

Maputo está com longas filas nos postos de combustível

Alguns postos de abastecimento de combustível fecharam, noutros há filas longas. Autoridades garantem que está tudo sob controle, mas analistas temem que a situação se repita.

default(Foto de arquivo)

Há dias que falta combustível na capital moçambicana, Maputo, além de outras cidades.

“A situação é crítica. Passei em mais de dez bombas e não há combustível. Não sei como vão ser os próximos dias”, diz Carlos Bernardo, um automobilista.

As autoridades garantem que não há “crise” de combustível, justificando a escassez apenas com uma “rotura” de stocks temporária.

“Houve alguma falha de logística em termos de recepção do combustível [importado], o que originou a quebra da cadeia de distribuição”, disse o Director Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Moisés Paulino. “Neste momento, o Governo está a fazer a reposição de stocks nos postos que tiveram essa rotura, em coordenação com as empresas distribuidoras de combustíveis e as gasolineiras.”

Paulino adiantou que já chegou combustível aos terminais oceânicos de Maputo, Beira e Nacala, no sul, centro e norte do país respetivamente, esperando-se que a situação comece a voltar à normalidade ainda esta segunda-feira (30.01).

defaultAutomobilistas estão preocupados com os próximos dias, autoridades garantem que está tudo sob controlo

E a crise económica?

Muitos associam, no entanto, a falta de combustível à atual crise económica e financeira no país, na sequência da retirada da ajuda dos parceiros internacionais ao Orçamento do Estado moçambicano desde o ano passado, após a descoberta de dívidas não declaradas pelo Governo. O Fundo Monetário Internacional também suspendeu um empréstimo que concedeu a Moçambique.

“Se o país enfrenta escassez de divisas, naturalmente que não está em condições de comprar combustível quando precisa dele”, comenta o analista Fernando Gonçalves.

Gonçalves admite que o país possa registar crises cíclicas de combustível enquanto não resolver a atual situação: “Vamos ter estas quebras, apesar de o Governo ter vindo dizer que é apenas um problema logístico, que seria resolvido imediatamente”, diz Gonçalves.

Mas Moisés Paulino nega que haja qualquer ligação entre a falta de combustível e a atual situação econômico-financeira.

“Não tem nada a ver com a crise financeira, porque o Governo faz questão de prover serviços básicos, apesar da existência desta crise “, afirmou o Director Nacional de Combustíveis. “O combustível é um serviço básico que tem que existir, à semelhança da água, energia e pão. É importante para sairmos da situação financeira não boa em que nos encontramos.”

Moisés Paulino negou, igualmente, que a falta de combustível esteja relacionada com um eventual aumento dos preços.

http://www.dw.com/pt-002/falta-combust%C3%ADvel-em-maputo/a-37338679

ANC da África do Sul lamenta a readmissão do Marrocos à União Africana

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Maputo, 31 Jan (AIM) – O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na vizinha África do Sul, considera “lamentável” a decisão da União Africana (UA) de readmitir o Reino de Marrocos àquela organização continental.

A decisão foi tomada durante a 28ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), um evento de dois dias, em curso na cidade de Adis Abeba, capital etíope.

O regresso do Marrocos, que havia deixado a organização continental em 1984 para marcar o seu desacordo sobre a questão do Saara Ocidental, contou com o voto de 39 dos 54 países membros da UA.

Contudo, num comunicado divulgado hoje no seu portal da internet, o ANC considera que “Esta decisão representa um retrocesso significativo para a causa do povo saharawi e a sua busca pela autodeterminação e independência no Sahara Ocidental. O Sahara Ocidental é um dos últimos postos coloniais de África.

O ANC explica que goza de laços fraternais de longa data com a Frente Popular para a Libertação de Saguia el-Hamra e Rio de Oro (POLISÁRIO) e com a República Árabe Saharawi Democrática (RASD).

O ANC nota que esta decisão abre o caminho para o Reino de Marrocos tomar o seu lugar no seio da comunidade das nações e desfrutar os benefícios da adesão UA, enquanto o povo saharawi continuar a sofrer sob uma injusta ocupação de sua terra ancestral.

“Ao readmitir o Marrocos, a UA está tacitamente a apoiar a ocupação de longa data do Sahara Ocidental. Até à data, Marrocos não cumpriu com as sucessivas resoluções da ONU sobre a questão do Sara Ocidental, sobretudo para a realização de um referendo sobre a autodeterminação”, afirma o ANC.

Frisa que a maioria dos países que contestou o regresso do Marrocos é liderada por antigos movimentos de libertação, entre os quais a África do Sul, o Zimbabwe, a Namíbia, Moçambique, bem como o Botswana e Argélia.

O ANC conclui afirmando que respeita a decisão da UA, mas espera que nos próximos meses a UA não permita que a questão da independência do Sara Ocidental seja esquecida por conveniência política.
(AIM)
SG/LE
http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11462631012017121555.html

“O país que recebeu escravos, decidiu proibir a entrada de refugiados”

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A presidente da Comissão da União Africana (UA), Nkosazana Dlamini-Zuma, lamentou hoje que “o mesmo país que recebeu como escravos” muitos africanos, em referência aos Estados Unidos, tenha agora proibido a entrada de refugiados deste continente.

Dlamini-Zuma denunciou a política de imigração do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra cidadãos de sete países de maioria muçulmana, que qualificou como “um dos maiores desafios à união e solidariedade” de África, durante a uma intervenção na cimeira anual da UA, que hoje começou na capital da Etiópia.

“O mesmo país que recebeu como escravos muita da nossa gente durante o comércio transatlântico de escravos decidiu agora proibir a entrada de refugiados de alguns dos nossos países. O que é que vamos fazer em relação a isto?”, perguntou a presidente da Comissão da UA aos chefes de Estado presentes no evento.

Numa das suas últimas intervenções como dirigente executiva da organização, que hoje elege a sua sucessora, Dlamini-Zuma reconheceu que estes são tempos “muito turbulentos” para o continente.

Na mesma linha de argumento, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, presente na cimeira, recordou que os países africanos acolhem a maior população de refugiados do mundo.

“As fronteiras africanas continuam abertas para todos os refugiados que necessitam de proteção, enquanto as fronteiras em muitos outros países, incluindo nas zonas mais desenvolvidas do mundo, estão a ser fechadas”, afirmou Guterres, que recebeu os aplausos do plenário.

Donald Trump assinou na passada sexta-feira um decreto polémico que suspende a entrada nos Estados Unidos a todos os refugiados durante 120 dias, assim como a concessão de vistos durante 90 dias a sete países de maioria muçulmana — Líbia, Sudão, Somália, Síria, Iraque, Iémen e Irão — até que se estabeleçam novos mecanismos de segurança.

Fonte: Notícias ao minuto/BA

http://tpa.sapo.ao/noticias/internacional/o-pais-que-recebeu-escravos-decidiu-proibir-a-entrada-de-refugiados

Crianças angolanas voltam à escola, iniciou o ano letivo

 

Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

O ano letivo no ensino geral é aberto hoje em todo o país. As aulas têm início já amanhã. O novo ano lectivo vai terminar a 15 de Dezembro deste ano, de acordo com o calendário elaborado pelo Ministério da Educação.

 

O ano lectivo 2017 está dividido em três trimestres. O primeiro começa a 1 de Fevereiro e termina a 19 de Maio, o que corresponde a um período de 16 semanas, das quais 14 lectivas. A 22 de Maio ­arranca o segundo trimestre, que vai até ao dia 25 de Agosto, com 14 semanas, das quais 12 lectivas. O terceiro trimestre começa a 28 de Agosto e termina a 15 Dezembro, tendo 16 semanas, das quais 12 lectivas, correspondentes a 58 dias.
A província de Luanda precisa de mais 917 salas de aula e 60.000 carteiras, revelou, ao Jornal de Angola, o diretor do Gabinete Provincial de Educação. André Soma informou que, para o presente ano lectivo, 104 novas salas entram em funcionamento em Luanda, província que matriculou mais de 155.000 novos alunos nas classes de entrada.
À semelhança da província de Luanda, outras províncias também recebem este ano lectivo centenas de novos alunos e novas salas, embora não em números registados no anos anteriores, devido à crise financeira resultante da quebra do preço do petróleo no mercado internacional. O número de crianças que entram para o sistema de ensino começou a registar um subida exponencial depois do alcance da paz em Angola, há 15 anos. O processo de reconstrução nacional revitaliza a rede escolar, através da construção de novas escolas e da reabilitação das que foram destruídas pela guerra. Em Luanda, a cerimónia de abertura do ano lectivo vai decorrer no Cine Atlântico, devendo ser presidida pelo director do Gabinete Provincial de Luanda da Educação, André Soma.

 Novo presidente da Comissão da União Africana é do Tchad

Djamena – O tchadiano Moussa Faki Mahamat, eleito nesta segunda-feira, em Addis Abeba, à presidência da Comissão da União Africana, é desde 2008, o chefe da diplomacia do seu país, aliado ao Ocidente na luta anti-jihadista, e um fiel do presidente Idriss Déby Itno, noticiou a AFP.

ADDIS ABEBA: CIMEIRA DA UNIÃO AFRICANA

Aos 56 anos, este antigo Primeiro-ministro e atual ministro tchadiano dos Negócios Estrangeiros seguiu todos os dossiers estratégicos nos quais o seu país está engajado:
Líbia, Mali, Sudão do Sul e República Centro-Africana (RCA), até a intervenção atual no Sahel e na bacia do lago Tchad.

a sua eleição à frente do executivo da UA poderá satisfazer a França e os Estados Unidos, que apoiam o Tchad e o seu regime de ferro na luta contra o grupo islamita nigeriano Boko Haram e outras entidades armadas no Sahel.

A capital, Djamena, acolhe por outro lado, o Estado-maior da força francesa Barkhane.

O novo presidente da Comissão da União africana, que sonha um continente “onde o som de armas” seria sufocado pelos “hinos da cultura e do rugido das fábricas”, sonha colocar “o desenvolvimento e a segurança” entre suas prioridades.

Poliglota (francês, árabe, inglês), tendo estudado em Brazzaville e Paris, pretende “tornar a UA menos burocrática, menos litigiosa também … A livre circulação de pessoas e bens deve se tornar efectiva. Construção de estradas, caminhos de ferro, criar as pontes entre nós”, confidenciou ao semanário Jeune Afrique antes da eleição.

Cabelos grisalhos, Moussa Faki é por outro lado, um fiel do presidente tchadiano Idriss Déby Itno. Os dois homens são oriundos da etnia zaghawa e o primeiro  ocupou vários cargos de relevo nos governos sucessivos do segundo, os mais importantes foram os postos de Primeiro-ministro e de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Déby coloca um homem de confiança para dirigir o executivo continental, no mesmo dia em que cedeu a presidência rotativa da UA, que ocupava desde há um ano, para o seu homologo guinense Alpha Condé.

O candidato vencedor é do bloco regional da África Central, que é considerado como parente pobre do continente devido ao seu fraco crescimento económico e suas alternâncias politicas quase impossíveis.

No seu próprio país, a reeleição em Abril de 2016 do presidente Déby, na primeira volta com 60 por cento suscitou uma contestação, enquanto que a situação financeira é catastrófica devido ao colapso nas receitas petrolíferas.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/5/Tchad-Novo-presidente-Comissao-Uniao-Africana-primeira-pessoa,3253de55-521f-4fdd-b806-2f851cf4e989.html