Gâmbia: Presidente da Comissão eleitoral foge para o Senegal e a crise se agrava

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Dakar (Senegal) – O presidente da Comissão eleitoral independente (CEI), Alieu Momarr Njie, fugiu da Gâmbia para o Senegal, num exílio forçado, tendo em conta as ameaças que recebeu desde que declarou Adama Barrow, vencedor do escrutíno presidencial de 01 de Dezembro de 2016, noticiou esta quarta-feira a imprensa local, citando fontes familiares.

Desde 13 de Dezembro, as forças de segurança gambianas bloquearam o aceso à CEI que proclamou Adama Barrow, rival de Yahya Jammeh, vencedor da presidencial de 01 de Dezembro com 19 mil votos de avanço.

Segundo a Reuters, que cita os membros da família de Alieu Nomarr Njie, as autoridades haviam solicitando todos os funcionários da comissão a abandonar o país, tendo o seu presidente manifestado a sua inquietação pela sua segurança.

A 28 de Dezembro, o chefe do Estado cessante ordenou finalmente por decreto a reabertura da CEI, explicando que a comissão foi encerrada com base em informações segundo as quais as suas instalações seriam incendiadas.

A agência de notícias africana Panapress denunciou que o Governo gambiano lançou uma repressão massiva contra os membros da oposição, detendo alguns, e encerrou uma estação de rádio independente, a rádio FM Tanraga.

Segundo a fonte, o opositor Daba Muhammed Kuyateh foi detido no domingo, na sua residência em Bakoteh, e está actualmente encerrado na sede da Agência Nacional de Inteligência (NIA).
A repressão segue-se à afixação de cartazes nas ruas de Banjul, a capital, e a impressão em camisolas das palavras
“GambiaHasDecided” (A Gâmbia Já Decidiu), por membros da oposição, refere a Panapress e acrescenta que a Agência Nacional de Inteligência ameaçou deter a equipa de campanha #GambiaHasDecided e os seus simpatizantes.

A informação foi confirmada por fontes na cidade comercial de Serrekunda, onde testemunhas revelaram que elementos das Forças Armadas retiraram todos os cartazes e perseguiram jovens nas suas casas.
No primeiro dia do ano, o presidente cessante e candidato derrotado nas últimas presidenciais, Yahya Jammeh, que após reconhecer a derrota, deu o dito pelo não dito e agora recusa entregar o poder, acusou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de fazer-lhe “uma declaração de guerra” ao prometer “engajar todos os meios para o afastar do poder”.

Yahya Jammeh excluiu participar em diálogo da CEDEAO devido ao que considera “parcialidade” desta organização regional da África Ocidental e reiterou o pedido de anulação das eleições presidenciais realizadas em 1 de Dezembro.

O Presidente cessante e candidato derrotado reclama uma nova votação e já afirmou que continua à governar até o Tribunal Supremo se pronunciar sobre o seu recurso, que deve ser examinado em 10 de Janeiro, nove dias antes de expirar o seu mandato, à luz da Constituição.

Além da CEDEAO, a União Africana e Nações Unidas têm apelado a Yahya Jammeh para aceitar a derrota e abandonar o poder.
O enviado da ONU para a África Ocidental apela ao Presidente cessante a “respeitar o veredicto das urnas e garantir a segurança do Presidente eleito, Adama Barrow, e de todos os cidadãos gambianos”.

Yahya Jammeh afirmou que a intervenção de potências estrangeiras não vai mudar a sua decisão e advertiu que não vai tolerar nenhuma manifestação nas ruas e, numa decisão considerada por analistas como uma tentativa de assegurar a lealdade da hierarquia militar, promoveu pelo menos 250 oficiais subalternos e superiores.

O Chefe de Estado cessante da Gâmbia impediu a aterragem, no aeroporto de Banjul, de um avião que transportava uma delegação da CEDEAO. A organização integrada por 15 Estados africanos enviou em 13 de Dezembro à capital gambiana, Banjul, uma missão de Chefes de Estado integrada pela liberiana Ellen Johnson Sirleaf e o nigeriano Muhammadu Buhari, presidente em exercício da organização, para convencer, sem sucesso, Yahya Jammeh a ceder o poder.

Após o fracasso da mediação regional, a CEDEAO admite, caso falhe a “diplomacia preventiva”, tomar “decisões mais drásticas”, entre as quais a opção militar para a “possível solução” da crise.

O fim da crise pós-eleitoral gambiana continua incerta, numa altua em que o presidente eleito deve ser investido a 19 de Janeiro. Yahya Jammeh, no poder desde há 22 anos, contesta os resultados da eleição.

Por esse facto, o seu partido recorreu ao Tribunal supremo, cujo recurso será exminado a 10 de Janeiro.


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