Nigéria: Ex-presidente Jonathan citado por juízes italianos em escândalo de corrupção

Lagos – Os procuradores italianos investigam um escândalo que envolve o ex-presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, e a sua ministra dos petróleos, suspeitos de terem sido subornados para concluir um contrato de 1,3 biliões de dólares com as gigantes petrolíferas ENI e Shell.

 

GOODLUCK JONATHAN, ANTIGO PRESIDENTE DA NIGÉRIA

FOTO: PIUS UTOMI EKPEI

Segundo os documentos judiciais consultados pela AFP, a procuradoria de Milão leva a cabo uma investigação preliminar contra 11 pessoas, incluindo os dirigentes das duas maiores petrolíferas e as respectivas companhias.

Jonathan reagiu, na terça-feira, afirmando que não foi “acusado, indiciado ou julgado por ter recebido dinheiro de maneira corrupta” no quadro deste caso.

Goodluck Jonathan, que deixou o cargo em Maio de 2015, e Diezani Alison-Madueke, sua antiga ministra dos Petróleos que foi a primeira mulher a presidir
a OPEP, não figuram na lista dos 11.

No entanto, ambos teriam desempenhado um papel central no caso que permitiu à ENI e à Shell obter a concessão de um bloco petrolífero offshore na Nigéria por 1,3 biliões de dólares em 2011.

Nenhuma acusação formal foi intentada e as partes dispõem geralmente de 20 dias para responder o relatório da investigação preliminar antes de qualquer procedimento judicial.

O director-geral da ENI, Claudio Descalzi, e o seu antecessor, Paolo Scaroni, reuniram-se “pessoalmente” com Jonathan para tratar da transacção que envolveu também antigos agentes britânicos da inteligência que trabalhavam como conselheiros da Shell, segundo a procuradoria italiana.

Os procuradores suspeitam que os líderes da ENI e da Shell colaboraram com o empresário nigeriano Dan Etete, que foi ministro dos Petróleos no governo de Sani Abacha de 1995 a 1998.

A Malabu, companhia pertencente a Dan Etete, foi “fraudulentamente detentora” do bloco OPL 245, segundo os registos judiciais.

Após negociações em Milão e em Abuja, o bloco foi comprado ilegalmente pelas gigantes petrolíferas “sem concurso público” e com “isenção total e incondicional de todas as taxas nacionais”, prosseguiram os procuradores.

Um total de 801.5 milhões de dólares foi transferido para as contas da empresa Malabu, dos quais 466 milhões foram convertidos na moeda nacional nigeriana e utilizados para remunerar os funcionários do governo, incluindo Jonathan e Alison-Madueke, segundo ainda a procuradoria italiana.

Outro montante de 54 milhões de dólares foi retirado por um homem, Abubakar Aliyu, qualificado no documento de “agente” mandatado por Jonathan.

Os procuradores consideram também que os destinatários serviram-se do dinheiro para gastos extravagantes: “bens imobiliários, aviões, veículos blindados, entre outros”.

A ex-ministra Alison-Madueke foi detida em 2015 pela agência britânica contra o crime organizado (National Crime Agency) por corrupção e branqueamento de capital, acusação que ela sempre negou.

Goodluck Jonathan não cessou de afirmar que o seu governo não foi corrompido e contestou as afirmações do seu sucessor Muhammadu Buhari segundo as quais herdou cofres “praticamente vazios”.

Buhari obteve uma vitória inédita para um líder da oposição na história da Nigéria, ao bater Jonathan nas eleições presidenciais de Março de 2015.

O estadista foi eleito principalmente pela sua promessa de combate à corrupção endémica, afirmando que haviam sido roubadas somas “astronómicas” de dinheiro público.

Desde o início do seu mandato, as autoridades realizaram uma onda de detenções de altos funcionários da administração de Jonathan por corrupção, mas até ao momento poucos foram condenados.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/2/Nigeria-presidente-Jonathan-citado-por-juizes-italianos-escandalo-corrupcao,a1d413b9-4933-471c-a9f0-996c7a5f36da.html

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