Brasil volta a ter superávit no comércio com a África

 

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Brasília –  Em 2016, o Brasil registrou um superávit de US$ 3,231 bilhões no intercâmbio comercial com os países africanos, interrompendo um ciclo de seis anos de deficits expressivos nas trocas com o continente. O saldo foi o resultado de exportações no total de US$ 7,832 bilhões e importações no montante de US$ 4,601 bilhões.

O superávit foi alcançado graças a uma fortíssima redução (-47,5%) nas importações de produtos africanos, num ano em que as vendas brasileiras para os países africanos também se reduziram, mas em um rítmo bem menos acelerado, de 4,51%, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Entre  2010 e 2016, o fluxo de comércio Brasil-África gerou para os africanos um saldo de US$ 21,580 bilhões, devido principalmente às importações de petróleo junto à Nigéria. Com a queda desses embarques e à contração dos preços internacionais da commodity, as receitas obtidas pelos países africanos decresceram de forma acelerada. Assim, o saldo que atingiu o ápice em 2014 ao somar US$ 7,359 bilhões caiu para US$ 562 milhões em 2015 e transformou-se em superávit brasileiro no ano passado.

Em 2016, a África foi o destino final de 4,5% de todo o volume exportado pelo Brasil enquanto os países do continente tiveram uma participação de 3,34% nas importações globais brasileiras.

No período, a pauta exportadora brasileira foi liderada pelos produtos manufaturados, com uma participação de  40,9% e um total de US$ 32 bilhões, com uma queda de 2,7% comparativamente com o ano anterior. Os produtos básicos geraram uma receita de US$ 2,27 bilhões, inferior em 24,5% ao volume embarcado em 2015 e participação de 28,9% nas exportações. Por outro lado, os bens semimanufaturados responderam por 29,9% do volume  embarcado e com uma alta de 24,3% totalizaram US$  2,35 bilhões.

As commodities agrícolas lideraram a pauta exportadora brasileira para os países africanos, com destaque para o açúcar de cana, com uma fatia de 26% das exportações e receita no total de US$ 2,02 bilhões (alta de 35% comparativamente com 2015). A seguir vieram açúcar de cana refinado (US$ 966 milhões e participação de 12% nas exportações), carne bovina (US$ 638 milhões, correspondentes a 8,2% do volume exportado) e carne de frango (embarques no montante de US$ 464 milhões e participação de 5,9%).

Do lado africano, mesmo em forte queda, o petróleo foi o principal item exportado para o Brasil, respondendo por 36% do volume total e gerando uma receita no valor de US$ 1,66 bilhão. Outros destaques da pauta foram as naftas (US$ 1,11 bilhão e fatia de 24% nas exportações), adubos fertilizantes (US$ 369 mihões e participação de 8,0%) e gás natural (receita no total de US$ 300 milhões e participação de 6,5%).

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Moçambicanos devem ser inteligentes e aprender com os turcos a fazer negócios com pouco dinheiro

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Tayyip Erdogan exorta autoridades moçambicanas a aprender a gerir a informação e recursos humanos existentes
 
O Presidente da República, Filipe Nyusi, e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, participaram, ontem, no Fórum Empresarial Moçambique-Turquia, evento que durou um dia e juntou, na capital do país, 150 empresários turcos e 650 moçambicanos, com o objectivo de discutir negócios.
 
Filipe Nyusi disse, na ocasião, que os negócios firmados entre os empresários dos dois países devem reflectir-se no aumento do emprego no país. “A nossa presença neste fórum empresarial é uma demonstração inequívoca do quão valorizamos a parceria com o empresariado para o alcance dos nossos objectivos de desenvolvimento e criação do bem-estar de todos”, realçou Filipe Nyusi.
 
Por sua vez, o estadista turco alertou que os moçambicanos devem ser inteligentes, para tirarem o máximo proveito da exploração dos recursos naturais, uma das principais riquezas do país. “Vocês podem aprender como fazer negócios sem ter muito dinheiro nos vossos bolsos. Nós, da Turquia, não tínhamos muito dinheiro, mas temos a nossa inteligência, a nossa sabedoria, por isso, crescemos bastante. Vocês devem saber gerir a vossa informação e gerir os recursos humanos de que dispõem”, disse Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.
 
Os empresários, por sua vez, representados pelas confederações empresariais dos dois países, manifestaram interesse em cooperar, mas querem que os governos dos dois países criem mais facilidades. “Na interacção entre os empresários, foi constante a preocupação de uma mais fácil movimentação de homens de negócios entre Moçambique e Turquia, tendo-se sugerido aos dois governos avançarem para a supressão de vistos entre os nossos países”, disse Rogério Manuel, presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
 
O reforço da cooperação empresarial, com destaque para a exploração dos recursos minerais, foi uma das principais razões que levaram o presidente da Turquia a visitar Moçambique. Recep Tayyip Erdogan partiu ainda ontem de regresso ao seu país.
 

Prof. moçambicano afirma que a visita de Erdogan visava convencer Nyusi a ‘entregar inimigos’ da Turquia”,

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Uache defende que Erdogan veio ao país em busca de ajuda para neutralizar seus opositores

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Paulo Uache, professor de Estudos da União Europeia, no Instituto Superior de Relações Internacionais em Maputo, não tem dúvidas em relação à visita histórica de Erdogan ao nosso país: “tinha duas perspectivas: uma económica, que era compensatória, e uma perspectiva política, que era uma espécie de combate ao terrorismo na sua percepção de terrorismo”

“Ainda ontem (antes de ontem), deu uma entrevista a um canal a dizer que tinha duas perspectivas: uma económica, que era compensatória, e uma perspectiva política, que era uma espécie de combate ao terrorismo na sua percepção de terrorismo, porque, a partir de 2013, Erdogan entra em desavenças com Gulam, um homem influente do ponto de vista económico, religioso, e até é acusado pelo próprio Erdogan de estar a patrocinar o movimento PKK, que é um partido curdo na Turquia.

Agora, o cenário é que a Turquia tem dificuldade de identificar os amigos. Temos visto o que acontece com a Rússia, com os Estados Unidos, acusados de apoiar movimentos rebeldes dentro da Turquia, mas, mais do que isso, é que não se entende com a própria União Europeia. Com Moçambique, concretamente, é esta percepção de que aqui existem aqueles que são apoiantes do Gulam e que estão a investir em outras áreas, como a económica, turística e até mesmo a educação.

Estes elementos todos fazem com que Erdogan faça esta ofensiva, não só em Moçambique. Eu acho que é uma ofensiva política para África, no sentido de identificar os países, pedir colaboração, como ele diz, para que se afastem. Daí que traz também empresários, na minha percepção, são empresários compensatórios, no sentido de que ‘afastem esses, e eu hei-de dar-vos o que eles já vos dão com estes meus’. Só que a política externa de um Estado não se faz assim, porque Erdogan não é eterno no poder.

Portanto, se não é eterno, nós não podemos estar a mudar de política em função da liderança que está lá. Temos que encontrar parcerias duradouras. Não podemos nos afastar só porque o investidor ou Erdogan não concorda com uma certa perspectiva dentro do país dele e nós temos que aderir automaticamente.

Temos que reflectir, temos que olhar, temos que perceber quais são as tendências dentro da Turquia, e eu penso que ele não tem grandes chances de repetir o mandato dentro do seu país, pela forma como aborda as questões políticas, tanto com os vizinhos, como a nível interno. É uma questão muito forte e difícil com que lidar, mas, diplomaticamente, teremos que encontrar saídas para lidar com a situação. Em diplomacia, o princípio básico é nunca dizer ‘não’. Mas isso não significa ‘sim’.

É sempre encontrarmos uma fórmula de lidarmos com todos os parceiros que achamos relevantes para o nosso desenvolvimento, porque, se ele está aqui, é pelo interesse nacional do país dele, e o nosso interesse nacional onde é que fica? Vamos olhar para os dois: quem é e como preserva melhor o nosso interesse nacional, e como é que podemos, provavelmente, lidar com os dois, para amenizar a questão das nossas perdas.

Uma medida, por exemplo, de dizer que agora estamos com Erdogan pode desincentivar outros investidores ou outros parceiros que estão no nosso território, porque isso significaria a nacionalização dos bens daqueles que supostamente Erdogan está contra.

Isso significaria que o nosso país não é confiável do ponto de vista de investimento, mas também, negar seria uma perspectiva muito dura, porque a Turquia tem as capacidades que tem do ponto de vista económico, não falaria do ponto de vista militar, porque isso não é relevante neste momento, também pela distância, não é uma grande ameaça para Moçambique.

Mas pela capacidade económica, porque, na situação em que nos encontramos, seria um parceiro relevante, desde que não nos imponha as suas vontades. Podemos cooperar até onde podemos, mas não precisamos de ser seguidores da sua percepção, que não é apoiada, por exemplo, pela União Europeia, que também é nosso parceiro; não é apoiada pelos Estados Unidos, pela Rússia, que também são nossos parceiros. Então, temos que encontrar uma fórmula nacional de lidar com os nossos interesses e mostrarmos que temos interesses sobre os quais só podemos negociar se nos beneficiarem.

Erdogan é um homem passageiro, mas o Estado turco está lá e qualquer um desses actores pode ser membro da gestão futura da Turquia. Portanto, eu penso que nós também, como um Estado com 40 anos, temos a capacidade para lidar com o assunto; vamos provavelmente encontrar uma saída, sem negar. Estiveram aqui vários outros estadistas com os seus interesses e tivemos a perspicácia de escolher os nossos interesses, sabendo ceder para também receber, mas não agir de forma clara contra o interesse nacional”.

 

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43339-visita-de-erdogan-visava-convencer-nyusi-a-entregar-inimigos-da-turquia-paulo-uache.html

Denúncias de corrupção no setor da saúde em Moçambique

Sete funcionários do Hospital Geral de Marrere, na província de Nampula, estão detidos, desde dezembro, acusados de desvio de dinheiro. Além destes, há mais cinco novos casos de corrupção no sector da saúde.

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(DW/S. Lutxeque )

Na província de Nampula, norte de Moçambique, vêm à tona cada vez mais casos de corrupção. As denúncias têm aumentado nos últimos meses, em particular no sector da saúde.

“Solicitei um atestado médico para tratar da minha carta de condução, cobraram-me a taxa fixa, mas a pessoa que me atendeu disse que vai demorar e, para poder sair rápido, me pediu algum valor. Como eu necessitava, fui obrigado a tirar esse valor”, denunciou à DW África um cidadão que preferiu manter o anonimato.

Também foi por causa de uma denúncia anónima que, no final de dezembro de 2016, funcionários do Hospital Geral de Marrere foram detidos, por suspeita de desvio de mais de 900 mil meticais (mais de 12 mil euros).

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Segundo a acusação, o valor era tirado fraudulentamente dos cofres da instituição, num esquema que incluía pagamentos ilegais de salários e simulações de pagamentos para os acusados.

defaultO esquema de corrupção no hospital da província de Nampula envolvia funcionários da administração, enfermeiros e serventes

Segundo o porta-voz do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula, Francisco Bauque, “o caso [desvios para pagamentos fraudulentos] vem ocorrendo deste 2015 naquela instituição” de saúde.

“Nós recebemos de uma fonte anónima o expediente com quase todos os elementos, inclusive os relatórios de auditoria. E foi com base nisso que fomos aprofundando as investigações e constatámos que alguns dos factos consubstanciavam o crime de peculato, que é punível nos termos do código penal”, explica Francisco Bauque.

Ao todo, nove pessoas estariam envolvidas neste esquema, incluindo funcionários da administração, enfermeiros e serventes. O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção ainda não localizou dois dos acusados, que fugiram.

O inspetor-chefe na direção provincial da saúde, Calisto Sampo, diz que os funcionários correm o risco de expulsão. “Naturalmente, todos aqueles que estão envolvidos no desvio ou tentativa de desvio de fundos do Estado não terão alternativa senão a expulsão”, garantiu Calisto Sampo.

Mais de 200 suspeitas de corrupção no norte do país

o ano passado, o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, que assiste as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte de Moçambique, registou mais de 200 suspeitas de corrupção, sobretudo nos setores das alfândegas, educação e saúde.

De acordo com o porta-voz do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, Francisco Bauque, este ano já há novos casos.

“Para além daquele que já foi reportado ligado aos funcionários do Hospital Geral do Marrere, tivemos mais cinco casos de corrupção a nível só do sector de saúde”, disse Francisco Bauque.

No ano passado, foram registados cerca de 10 casos de corrupção só na cidade de Nampula, segundo a Inspeção de Saúde.

http://www.dw.com/pt-002/h%C3%A1-mais-den%C3%BAncias-de-corrup%C3%A7%C3%A3o-no-sector-da-sa%C3%BAde-em-mo%C3%A7ambique/a-37237696

Dilemas políticos e econômicos povoam o ano de 2017 em Moçambique

No horizonte que se desenha em 2017, despontam obstáculos à estabilidade social em Moçambique. Principalmente de natureza política e econômica, tais obstáculos trazem consigo um cenário de insegurança quanto à conjuntura moçambicana, minando a confiança dos agentes econômicos e, com isso, a taxa de investimento e crescimento da economia.

Os “níveis de desenvolvimento” almejados pelo Estado e pelos formuladores de políticas públicas, que incluem no planejamento uma mudança gradativa de uma economia primária para uma economia industrial, permanecerão imutáveis enquanto dois pontos específicos não forem resolvidos em 2017. O primeiro deles é o problema da crise política que se instaurou no país entre os dois maiores Partidos políticos. O segundo é o problema da dívida pública e da fuga de capitais dela decorrente.

Crise Política. A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido governista, e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) têm uma história de relações tensas. Entre 1976 e 1992, os braços armados de ambos os grupos travaram uma sangrenta guerra civil, quando mais de um milhão de moçambicanos foram mortos. Desde o fim do conflito, as tensões entre ambos os grupos passaram a ser meramente políticas. No entanto, a partir de 2015, a memória dos conflitos voltou a protagonizar na mente dos moçambicanos.

Reivindicando uma maior participação de partidos da oposição nos principais organismos públicos do país, bem como o direito da RENAMO de governar seis províncias após as eleições de 2014, Afonso Dhlakama, líder do Partido, instalou uma base militar de treinamento de veteranos da guerra civil em Gorongosa, ainda em 2012. Foi a partir deste episódio que a temperatura voltou a crescer entre os dois principais Partidos do país, e os embates alternaram-se com ações físicas, violência e mortes. A morte de Manuel Bissopo, antigo Secretário Geral da RENAMO, em janeiro de 2016, marcou o ponto alto do confronto.

A evolução dos conflitos, os quais se concentram principalmente na parcela norte e central do país, vêm incentivando a migração de moçambicanos às nações adjacentes. O Malauí, por exemplo, tem sido o principal destino de pessoas afetadas pelos choques entre os braços armados dos partidos. Ao todo, somente no ano de 2016, 15 mil moçambicanos migraram para o Malauí e para o Zimbábue em busca de melhores condições de vida.

Com vistas a atenuar a situação, organismos internacionais, como a União Europeia, vêm atuando em conjunto com os partidos para a resolução do problema. No início deste mês, a RENAMO anunciouuma trégua de dois meses, a fim de melhor discutir com o presidente Filipe Nyusi uma solução política para o conflito. O anúncio traz consigo a esperança da população e de analistas quanto ao fim do embate e o retorno da estabilidade política no país. Entretanto, diálogos anteriores entre as duas partes não foram exitosos em pôr fim às mortes – cujo número total ainda não foi publicado oficialmente –, o que incita cautela quanto à significância desta trégua.

A dívida pública. Ainda que os dados oficiais para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano para o ano de 2016 sejam desconhecidos, pode-se esperar um valor significativamente menor, se comparado aos anos anteriores. Isto porque o indicador trimestral referente ao período de junho a agosto de 2016, o qual apresentou uma expansão de 3,7% do PIB, foi o menor para o período nos últimos dez anos.

Expressivas dívidas contraídas pelo Estado moçambicano foram desveladas em abril do ano passado (2016), totalizando uma dívida de, aproximadamente, 1,4 bilhão de dólares. O episódio, ocultado deliberadamente pelo Governo, conforme argumentam os organismos financeiros internacionais, minou a confiança entre investidores externos quanto à capacidade de o Estado arcar com o pagamento de suas dívidas. Um dos principais resultados desta crise de confiança foi a expressiva depreciação do valor dos títulos públicos moçambicanos, os quais, a fim de manterem a sua atratividade, tiveram de ter a taxa de retorno incrementada: no dia 10 de janeiro deste ano (2017), os juros dos títulos da dívida moçambicana com vencimento em 2023 bateram o recorde histórico, atingindo uma taxa de retorno anual de 26%.

A gradativa expansão da taxa de juros dos títulos moçambicanos apresenta-se como uma antecipação dos próprios investidores a um possível rebaixamento do grading moçambicano por parte das principais agências classificadoras de risco. No início deste mês (janeiro de 2017), a Moody’s anunciou que Moçambique está entre os países africanos que mais sofrerão com problemas de liquidez neste ano, o que indica que a qualquer momento a organização pode reduzir a sua nota quanto à capacidade de solvência do Governo moçambicano.

Essa conjuntura econômica incitou uma abrupta fuga de capitais do país ao longo do ano passado, causando uma profunda desvalorização do metical (moeda local). Se compararmos o câmbio metical/dólar de 31 de dezembro de 2016 com o valor de 1° de janeiro de 2016 veremos uma desvalorização total de, aproximadamente, 55%, uma das maiores entre as nações do globo Sul. Como resultado direto da desvalorização do metical, a inflação acelerou consideravelmente no país, dado que importantes produtos importados, como máquinas e equipamentos, tiveram o seu valor encarecido.

Em última instância, os principais dilemas econômicos enfrentados por Moçambique atualmente – inflação e fuga de divisas – são resultados diretos da composição da dívida pública. Esta, por sua vez, vem crescendo desde 2012 e demanda, por sua vez, um plano de reestruturação, a fim de enquadrar os gastos do Governo à dinâmica de recebimentos. Porém, boa parte do orçamento do Estado –aproximadamente 25% – ainda depende de doações internacionais, o que traz duas consequências negativas: a primeira diz respeito à dependência do Governo moçambicano ao fluxo de doações, os quais podem ser afetados por crises políticas ou econômicas nos países ricos; a segunda, refere-se a que a total emancipação institucional de deliberações feitas em instâncias internacionais segue comprometida, dado que os gastos com políticas públicas devem ser reportados às agências financiadoras externas.

Esferas conectadas. Neste sentido, a crise política alimenta a crise econômica moçambicana, à medida que os conflitos reduzem a confiança dos agentes econômicos quanto a segurança de investir em suas atividades. Da mesma maneira, a crise econômica alimenta a crise política, uma vez que a inflação incentiva a migração de moçambicanos aos países vizinhos, tencionando ainda mais as regiões já abaladas pelos conflitos armados.

Para 2017, podemos esperar um ano em que as discussões sobre a reestruturação da dívida moçambicana e os planos para a solução da crise política dominarão as principais manchetes e a vida social no país. Isto porque, somente a partir de avanços nestes dois pontos Moçambique terá condições de voltar a auferir expressivos indicadores de crescimento econômico e redução da pobreza.

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Imagem 1Localização de Moçambique” (FonteWikipedia):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mozambique#/media/File:Location_Mozambique_AU_Africa.svg

Imagem 2Bandeira atual da Frente de Libertação de Moçambique” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Frente_de_Libertação_de_Moçambique#/media/File:Mz_frelimo.png

Imagem 3Bandeira da Resistência Nacional Moçambicana” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Resistência_Nacional_Moçambicana#/media/File:Mz_renamo3.PNG

Imagem 4 “50 Meticais Frente” (Fonte):

http://www.wikiwand.com/bs/Metikal

Imagem 5 “Maputo, capital e maior cidade do país” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Moçambique#/media/File:Maputo_from_the_CFM_building_-_Maputo_do_predio_do_CFM_-_2.jpg

Turquia propõe uma negociação “Ganha/Ganha” com Moçambique

erdogan-mocambiquePresidente Recep Tayyip Erdogan da Turquia ao visitar Moçambique propôs uma negociação”Ganha/Ganha ” com Moçambique. É a primeira vez que um presidente da Turquia visita Moçambique. Há expectativa por parte do presidente turco de aumentar as trocas comercias entre os países de 120 milhões de dólares para 500 milhões de dólares nos próximos anos.

Mas afina o que é uma relação de “ganha e ganha”? Ela significa que a negociação tem uma característica incomum: ninguém perde, todos ganham. É o que se pode dizer, por exemplo, da relação ideal entre uma empresa e seu fornecedor.

Existe uma certa confusão sobre o que seja negociação Ganha/Ganha (G/G). Por um lado, os céticos, os cínicos e os competitivos, que consideram o G/G impossível. Por outro, os ingênuos que acham que G/G é ser “bonzinho”.

Os céticos, cínicos e competitivos partem do princípio que se um ganha o outro tem que, necessariamente, perder. No fundo consideram cada situação como uma torta a ser divida entre duas pessoas. Uma, fatalmente levará a maior fatia. Ou ainda, acreditam que houve Ganha/Ganha quando ganham duplamente. Já os “bonzinhos”, são, invariavelmente, perdedores. Em geral, em nome da cooperação, não lutam pelo desejável e acabam obtendo o mínimo necessário, ou o que é pior, até menos que o mínimo. Mas sempre têm uma boa justificativa: “Estou cedendo em nome do G/G”.

Assim, é necessário que se entenda que o desfecho G/G é fruto de muita competência e entre estas competências está a de identificar todos os procedimentos, truques e ardis de quem negocia Ganha/Perde (G/P). E mais:

Entender que só existe negociação G/G caso se possa encontrar alternativas de ganho comum, isto é, que atendam aos interesses das partes. Caso elas não sejam encontradas não existe negociação G/G

Para que haja negociação G/G, a efetividade do acordo deve ser produto da qualidade pela aceitação. Qualidade, quer dizer que os interesses legítimos das parte possam ser atendidos. Aceitação quer dizer que as partes ficaram satisfeitas e se comprometem com o cumprimento do que foi acordado. É difícil imaginar essa negociação entre dois países.

O presidente da Turquia está disposto a compartilhar a Know how com os africanos e até instalar uma agencia de cooperação a  “Turkish Cooperation Coordination Agency (TIKA)”, a ser instalada em Maputo.

Turquia está interessado na mineração, transportes, construção de infra-estruturas, turismo e energia de Moçambique

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A Turquia integra a lista dos 10 principais investidores em Moçambique, e nesta visita, a delegação turca tentar identificar outras áreas de cooperação, presentemente centrada. fundamentalmente no comércio e agricultura, segundo Tagip Argonil, empresário turco em Maputo.

Dados do Centro de Promoção de Investimentos de Moçambique (CPI), indicam que em 2015, o volume das trocas comerciais entre Moçambique e a Turquia ultrapassou os 120 milhões de dólares, contra cinco milhões de dólares, em 2005.

Para a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), na sigla em inglês, esta visita será uma oportunidade para o estabelecimento de parcerias entre emprsários moçambicanos e turcos, principalmente nas áreas de mineração, transportes, construção de infra-estruturas, turismo e energia.

O empresário moçambicano, Tomás Rondinho, disse à VOA que na Turquia, “os sectores de turismo e transportes, têm vindo a resgistar um grande crescimento e nós pretendemos estabelecer parcerias nessas áreas com empresários turcos”.

Refira-se que em 2015, a companhia aérea turca, Turkish Airlines, abriu uma rota entre Istambul e Maputo, o que levou à perda do monopólio da transportadora aérea portuguesa, TAP, nas ligações directas entre a capital moçambicana e o continente europeu.

http://www.voaportugues.com/a/mocambique-turquia-erdogan/3688241.html

Turquia tem-se aproximado nos últimos anos de Moçambique

 

Afrikareise Erdogan in Mosambik (picture-alliance/AP Photo/K. Ozer)Recep Tayyip Erdogan, com a esposa, em Maputo

Presidente da Turquia se desloca a Maputo para um momento de viragem na relação entre os dois países. Em 2016, o comércio bilateral foi estimado em cerca de 100 milhões de dólares. Recep Tayyip Erdogan espera que o volume da cooperação comercial possa superar, em breve, os 250 milhões de dólares e, em uma fase seguinte, os 500 milhões de dólares.

Esta visita termina com a assinatura de seis acordos de cooperação, nomeadamente, para a supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviços, a realização de consultas políticas, a cooperação económica e comercial e a promoção de investimentos. Os acordos visam ainda as áreas da cultura e turismo.

Para intensificar as relações entre os dois países, Erdogan propôs a abertura, em Maputo, de um escritório regional da agência de cooperação turca e de uma embaixada de Moçambique em Ancara.

O Presidente turco fez-se acompanhar de 150 empresários, que participaram no Fórum de Negócios Moçambique-Turquia.

Turquia é porta de entrada para o Médio Oriente

Frankreich Besuch Mosambik Präsident Filipe Nyusi (picture-alliance/Anadolu Agency/M. Yalcin)Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique

Do lado de Moçambique, o Presidente afirmou estar satisfeito com o estágio da cooperação entre a Maputo e Ancara, que registra um sentido “crescente”. Filipe Nyusi nota que as relações bilaterais mostram “sinais de firmeza e de crescimento”.

“Para nós, a Turquia não é só um país amigo ou irmão com quem temos relações diplomáticas, mas também é uma porta de entrada para o Médio Oriente com muita firmeza”, acrescentou.

A Turquia tem-se aproximado nos últimos anos de Moçambique, onde se tornou num dos dez maiores investidores estrangeiros.

http://www.dw.com/pt-002/presidente-turco-pede-ajuda-a-maputo-para-combater-movimento-de-fethullah-g%C3%BCllen/a-37257753?maca=por-DW_para_A_Verdade-12133-html-cb

Turquia é um dos maiores investidores em Moçqmbique

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Recep Tayyip Erdogan, que preside a Turquia desde Agosto de 2014, é o primeiro chefe de Estado daquele país a visitar Moçambique. Localizado entre a Europa e Asia, a Turquia tem relações comerciais e diplomáticas com Moçambique desde 1975, mas essa ligação só cresceu nos últimos anos.

Para se ter uma ideia, a Turquia está na lista dos 10 maiores investidores no país, o volume das trocas comerciais ascendeu, em 2015, aos 120 milhões de dólares norte-americanos, contra cinco milhões em 2003.

De acordo com um comunicado publicado no site da Presidência da República, “a visita do presidente turco ao nosso país decorre no quadro do aprofundamento das relações de amizade e de cooperação existentes entre Moçambique e a Turquia, e será uma ocasião para passar em revista as relações bilaterais e perspectivar o futuro das mesmas, particularmente no domínio económico e comercial, onde ambos países possuem vantagens comparativas ainda por explorar”.

Os negócios vão preencher maior parte da agenda de visita do líder turco. Erdogan vem com uma delegação de 150 empresários e três ministros de pastas importantes, com destaque para Economia e Energia. Está previsto a realização de um Fórum de Negócios Moçambique-Turquia e a assinatura de acordos bilaterais.

Sétima principal economia da Europa e uma das 20 maiores do mundo, o motor da actividade económica da Turquia é a agricultura, indústria, comércio e turismo.

Lembre-se que o actual presidente da Turquia sobreviveu a uma tentativa de golpe de Estado em Julho do ano passado, onde morreram 265 pessoas, entre elas 104 militares golpistas e 47 civis. A visita a Moçambique enquadra-se num périplo ao continente africano com passagem pela Tanzânia e Madagáscar.

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43308-presidente-da-turquia-inicia-hoje-visita-oficial-a-mocambique.html

Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

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Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

Moçambique e Turquia assinaram hoje seis acordos de cooperação nas áreas de diplomacia, economia, cultura e turismo. A assinatura dos acordos marcou a primeira visita de um Presidente Turco a Moçambique.

Recyp Erdogan chegou a Maputo na noite de ontem, para 24 horas de visita ao país. O primeiro acto oficial teve lugar nesta terça-feira, com uma deposição de coroa de flores em homenagem aos heróis moçambicanos.

Perto do meio-dia, Erdogan foi recebido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, na Presidência da República. A Recepção teve direito a todas as honras militares e de Estado, que incluíram uma salva de canhão.

Filipe Nyus e Recyp Erdogan reuniram, primeiro a sós, e depois com as respectivas delegações, para pouco mais de duas horas a porta-fechada. No final, foram assinados os memorandos que selam o reforço da nova etapa de cooperação bilateral.

Os detalhes dos acordos assinados não foram revelados, contudo, o Presidente da República disse que representam uma importante etapa para o país.

Na área económica, a Turquia disse que a intenção é duplicar o volume das trocas comerciais, para valores consentâneos com as potencialidades dos dois países.

A visita de Erdogan terminou com a participação no Fórum de Negócios Moçambique

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43334-mocambique-e-turquia-reforcam-cooperacao-bilateral-.html