Representatividade negra no audiovisual

O RioContentMarket 2017 teve sua abertura oficial na noite de 7 de março, em cerimônia para convidados, patrocinadores e imprensa apresentada pelos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga. O maior mercado audiovisual da América Latina chega a sua sétima edição composto por rodadas de negócios, painéis e apresentações exclusivas, entre os dias 8 e 10 de março, no Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro. Entre os convidados que cruzaram o tapete vermelho, especialmente preparado para a ocasião, passaram nomes reconhecidos do teatro, do cinema e da televisão como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Luís Miranda.

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Em seu discurso de boas-vindas, Mauro Garcia, presidente-executivo da BRAVI, realizadora do evento, disse que o RioContentMarket busca construir pontes e fazer conexões entre os segmentos do audiovisual. “Aqui somos plurais. De todas as cores ideológicas, de todas as bandeiras, de todos os elos que formam a cadeia produtiva do audiovisual. Todos reunidos para celebrar boas obras e bons negócios”.

Nilcemar-Nogueira

Na sequência, subiu ao palco a secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira. “O evento é de relevância extrema ao conduzir a nossa cidade a um dos mais importantes segmentos da cultura mundial. É a demonstração da força da cidade do Rio como polo agregador de um segmento que vem crescendo nas últimas décadas. Entre 2009 e 2014, a RioFilme investiu R$ 185 milhões em quase 500 iniciativas cariocas,” disse.

Camila-Pitanga-e-Antônio-PitangaEngajados na luta pela representatividade negra no audiovisual, Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram enfáticos ao falar da importância dessa temática no evento. “O negro no audiovisual atende à demanda da sociedade.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

Histórias bem contadas alegram a todos, e o público negro consumidor é vasto, crescente e ainda não é bem representado”, opinou o ator. Pitanga complementou dizendo que “essa atuação ainda é muito baixa em um país onde metade da população é negra, e não se vê representada na mídia. Não nos referimos apenas àqueles que estão na frente das câmeras, mas também aos que estão por trás delas, escrevendo, produzindo e dirigindo”.singleton

A cerimônia de abertura foi encerrada com a première mundial da nova série do diretor John Singleton, ‘Rebel”, que estreia ainda este mês nos EUA no canal BET – Black Entertainment Television.  Tanto Singleton, que também é produtor-executivo da série, quanto a atriz Danielle Moné Truitt, protagonista de ‘Rebel’, e a executiva Zola Mashariki, vice-presidente e diretora de Programação Original da BET, estiveram no evento.

‘Rebel’ conta a história de Rebecca Wilson, ex-policial da cidade de Oakland (Califórnia). Ela deixa a corporação após a morte de seu irmão mais novo, causada por outro policial, e como investigadora particular enfrenta vingança dos antigos companheiros e a violência inerente contra a população negra, principalmente contra as mulheres. A opressão e justiça social e racial permeiam a obra de Singleton. Entre seus trabalhos dirigiu episódios de séries como ‘The People vs O. J. Simpson: American Crime Story’ (2016); ‘Empire’ (2015) e ‘Billions’ (2016) e é responsável por longas como ‘Shaft’ (2000). Tornou-se conhecido em 1991, por ser o mais jovem diretor indicado ao Oscar pelo filme ‘Os Donos da Rua’, que discute a vida de três jovens da periferia de Los Angeles.MV5BNWRhMWQxZGQtNmM1Yi00NDRjLTlhYjUtNjUxMWMxNjM1NTA0XkEyXkFqcGdeQXVyNzIwNTAzODA@._V1_SY1000_CR0,0,772,1000_AL_

 

 

John-Singleton_Históriaa-arrancadas-do-peito-300x200“Quando eu era adolescente, tinha pesadelos sobre virar adulto. Eu morava em um bairro difícil, como as favelas daqui. Não que eu tivesse danos psicológicos, mas era um sentimento que transbordava, e isso está no filme ‘Boyz n the hood’ (Os Donos da Rua).” As palavras são de John Singleton, reconhecido diretor de Hollywood, que se encontra no RioContentMarket para falar sobre a sua mais nova produção, o seriado ‘Rebel’. Os participantes do evento, contudo, não conseguiram evitar falar sobre o clássico de 1991 e Singleton não hesitou em responder. “Eu não sabia o que estava fazendo, não sabia como dirigir um filme. E continuo fazendo isso: em cada projeto eu preciso me encontrar para achar a alma da obra e esculpi-la”, disse.

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Entrevistado pelo diretor brasileiro, Jefferson De, e pela diretora de Programação Original do canal BET, Zola Mashariki, Singleton falou sobre o processo de produção de ‘Rebel’, suas influências e sua obra em termos gerais. “Eu sou o tipo de diretor que planeja tudo com antecedência, mas quando chega o momento… é como o jazz. A gente começa a brincar, a mexer com os personagens. Eu mesmo pego a câmera e experimento”.

 

Entre as influências para a criação de ‘Rebel’, o diretor mencionou o filme noir dos Estados Unidos das décadas de 40 e 50, época de Humphrey Bogart e de personagens sombrios, uma estética influenciada pela segunda guerra mundial.

“Eu quis fazer algo similar com uma mulher negra, que nesse caso tem que solucionar uma guerra dentro de casa. Por isso, será muito diferente do que já foi visto”, disse o diretor.

 

Zola Mashariki, por sua vez, contou como o projeto chegou às suas mãos. “Ele falou que não seria apenas mais uma série policial, mas estaria focada na construção da personagem. Não queríamos que fosse uma mulher negra idealizada, mas mostrar uma pessoa real, com suas virtudes e falhas”.

Executiva do BET destaca o envolvimento dos talentos e audiência para o aumento da representatividade negra no audiovisual

Dando continuidade às discussões sobre a representatividade negra no mercado audiovisual, Zola Mashariki, diretora de conteúdo do BET (Black Entertainment Television), do grupo Viacom, contou sobre seu compromisso em promover talentos negros e outras minorias entre os principais players do mercado audiovisual.

Durante a conversa com o ator Lázaro Ramos e com Viviane Ferreira, advogada especialista dos direitos autorais e presidente da APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, Zola fez sugestões para que a representatividade no audiovisual brasileiro siga os mesmos caminhos trilhados pela norte-americana, que está adiantada em relação ao reconhecimento sobre rentabilidade e demanda junto à audiência.

Entre as recomendações, a executiva sugeriu que os profissionais deem espaço e atenção aos novos talentos, que por sua vez, devem se unir a grupos com os mesmos ideais, além de criar suas próprias oportunidades, realizando histórias que realmente acreditam. Sobre a narrativa, Zola acrescentou: “o entretenimento deve ser o objetivo do conteúdo, ainda que haja o intuito de transmitir uma mensagem social. A audiência quer se divertir, se emocionar”.

Zola, que afirma ter aceitado o convite para a sétima edição do RioContentMarket com o propósito de unir forças com o mercado brasileiro e explorar negócios para o canal BET, destacou a importância dos talentos para envolver a audiência com o conteúdo em que há representatividade das minorias, já que a demanda é fundamental para o crescimento das oportunidades.

 

RIOCONTENTMARKET 2017 celebrou AFROBRASILIDADE E PARCERIAS
Os corredores do espaço de convenções do Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro, ficaram lotados durante o RioContentMarket, que recebeu 3.700 participantes de 8 a 10 de março. O ânimo dos produtores independentes e a resiliência de um mercado que não se deixou afetar pela turbulência da economia brasileira ficaram evidentes. “Reunimos o mesmo número de participantes do ano passado, resultado excelente se pensarmos que estamos vivendo um cenário econômico pouco favorável”, avalia Mauro Garcia, presidente-executivo da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), entidade realizadora do evento.

O Brazilian Content, projeto de exportação realizado pela BRAVI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), promove durante o RioContentMarket rodadas de negócios exclusivas entre as empresas apoiadas pelo projeto e compradores internacionais presentes no evento. Além dos encontros com emissoras de TV e plataformas estrangeiras, o Brazilian Content é responsável pela atração de delegações de produtores internacionais e pelo matchmaking com empresas brasileiras. Neste ano, em parceria com os projetos também apoiados pela Apex-Brasil, Brazil Music Exchange (executado pela BMA) e Brazilian Game Developers (realização da Abragames), o Brazilian Content promoveu a presença de empresas dos setores de música e games no RioContentMarket. Muitas empresas apoiadas pelos projetos Cinema do Brasil e Film Brazil, também realizados em parceria com Apex-Brasil pelo Siaesp e Apro, respectivamente, participam naturalmente do evento, uma vez que atuam no setor audiovisual.

A sétima edição do RioContentMarket, que se consolidou como o maior mercado audiovisual da América Latina, somou 1.281 projetos audiovisuais apresentados e 1.421 reuniões nas Rodadas de Negócios, 20% mais do que no ano anterior. O número de patrocinadores e expositores cresceu 54%, e também houve aumento significativo na quantidade de players e keynote speakers: em 2016, foram 197 players contra os 269 dessa edição, e 28 keynote speakers no ano passado contra 37 nesse ano.

O evento recebeu players de 30 países, como Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, México, Reino Unido e Rússia. Cinco delegações internacionais também vieram ao evento: Argentina, Canadá, França, Chile e Paraguai, as duas últimas pela primeira vez, o que reforçou os laços entre o Brasil e países latino-americanos. Executivos de canais como Telefe, Caracol, TV Azteca e Señal Colombia, bem como de produtoras como a Zumbastico Studios (Chile), vieram ao Rio de Janeiro com o objetivo de desenvolver coproduções. Players de 24 estados brasileiros também compareceram às Rodadas de Negócios, incluindo as delegações de Ceará, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Davi Campana

Nomes de peso no mercado participaram como palestrantes, a exemplo de John Dahl (ESPN Films), produtor-executivo do documentário ‘OJ: Made in America’, vencedor do Oscar 2017; Marie Jacobson, vice-presidente-executiva de Programação e Produção da Sony Pictures Networks; Alex Hirsch, criador e produtor da animação Gravity Falls; Michelle Satter, diretora do Programa de Longas-Metragens do Sundance Institute; Zola Mashariki, diretora de Programação Original da BET (Black Enternainment Television), e John Singleton, diretor de ‘Boyz n the Hood’ (‘Os Donos da Rua’) e de episódios das séries ‘Empire’, ‘Billions’ e ‘American Crime Story – The People v. O.J. Simpson’.

Além de falar em um painel, Singleton participou da cerimônia de abertura, no dia 7 de março, ao lado da atriz Danielle Moné Truitt, protagonista da série americana ‘Rebel’, que teve sua première mundial realizada no RioContentMarket. A série, com foco na comunidade afrodescendente dos Estados Unidos, foi escolhida para abrir o evento por dialogar com tema da representatividade negra no setor audiovisual, fio condutor do RioContentMarket nesse ano.

Os atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram os anfitriões da noite de abertura, que recebeu e homenageou artistas negros do cinema, da TV e do teatro brasileiro, como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Adélia Sampaio, Jefferson De e Luís Miranda.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

A representatividade negra no setor também permeou toda a programação do RioContentMarket. Mais de 50 afrobrasileiros do mercado audiovisual falaram em painéis e participaram das Rodadas de Negócios.

Acordos internacionais 
A Brasil Audiovisual Independente e a Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), de Portugal, assinaram durante o evento acordo de cooperação para potencializar as oportunidades de coprodução entre seus associados. O intuito é atuar conjuntamente em busca da ampliação do acordo de cooperação entre os governos do Brasil e de Portugal, que atualmente é válido apenas para cinema, a projetos voltados à TV e a outras plataformas do audiovisual.

No campo governamental, a Ancine também celebrou protocolo de cooperação com o Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), da França. O documento marca o lançamento de uma parceria estratégica entre os órgãos, que inclui troca de informação e intercâmbio de agentes. O objetivo principal é a expansão, assim que possível, dos acordos de coprodução para a área audiovisual, em busca de novos incentivos a projetos independentes produzidos em conjunto pelos dois países.

Sobre o RioContentMarket
Realizado pela Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), com a curadoria da Esmeralda Produções e produzido pela Fagga | GL eventsExhibitions, o RioContentMarket é um mercado internacional dedicado à produção de conteúdo audiovisual aberto a toda a indústria de televisão e mídias digitais. Tem entre os seus mais importantes parceiros a RioFilme e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), pilares fundamentais para a sua realização. Em apenas seis edições, o evento consolidou-se como um dos maiores do mundo voltado a negócios e exposição de conteúdos audiovisuais, consagrando-se como palco das negociações entre players do mercado brasileiro e mais de mil produtoras independentes.  Por suas salas desde 2011 já passaram mais de 17 mil participantes, entre executivos, produtores e profissionais da indústria audiovisual de 36 países, que vieram apresentar projetos inovadores, cases e modelos de negócios relevantes para o desenvolvimento de parcerias e coproduções, além de realizarem reuniões de negócios.

Sobre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI)
A BRAVI reúne produtoras independentes de conteúdo audiovisual para televisão e mídias digitais e possui mais de 600 associados em 18 unidades da Federação, nas cinco regiões do Brasil. Fundada em 1999, a associação atua fortemente para o desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e representa o setor em diversos fóruns de debates públicos e privados. Com uma estrutura profissional e reconhecida representatividade nacional, a BRAVI também participa ativamente das regulamentações do mercado audiovisual, incentivando a produção e novos modelos de negócios, além de oferecer capacitação especializada ao produtor independente. Por meio de relevantes parcerias institucionais, apoia a participação do empresário brasileiro no mercado audiovisual internacional.

Sobre o Brazilian Content 
O Brazilian Content é o programa internacional da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), criado em 2004 e realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com o objetivo de promover o conteúdo independente produzido para múltiplas telas no mercado internacional, o Brazilian Content viabiliza parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras, por meio de coproduções, vendas e pré-vendas para canais de TV, internet, telefonia celular e mídias digitais. O Brasil hoje é considerado um importante mercado no cenário internacional e está alinhado às tendências mundiais de produção multimídia.

 

http://www.apexbrasil.com.br/Noticia/RIOCONTENTMARKET-2017-CELEBRA-AFROBRASILIDADE-E-PARCERIAS#sthash.OVGornVs.dpuf

 

http://bravi.tv/historias-arrancadas-do-peito/

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