Angola apoiará o setor privado e silencia sobre as desigualdades sociais e a pobreza

Angola tem uma das menores taxas globais de investimento da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), de apenas 13% entre 2004 e  2016, situando-se abaixo de países como o Botswana, Lesotho ou Namíbia, reconheceu ontem o ministro da Economia e Planejamento de Angola .

Pedro Luís da Fonseca, que falava no Fórum de Auscultação da Classe Empresarial da Indústria Transformadora sobre o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações(PRODESI), realizado em Luanda, considerou que, com uma taxa de investimento  desse nível, “não se pode promover o crescimento econômico”.

Estado versus iniciativa privada 
A causa de tão baixos níveis de investimento , apontou o ministro, está no papel do Estado, que, ao longo dos anos, rivalizou com o mercado com o setor privado, ficando muitas vezes com os recursos necessários para apoiar o surgimento de iniciativas empresariais.
Pedro Luís da Fonseca declarou ter-se chegado à conclusão de que é necessário “alterar” este quadro e remeter o Estado ao papel de coordenador e, quando muito, de regulador da atividade econômica, deixando-a para quem tem capacidade de a exercer efetivamente: o setor privado”.
“O Estado deve garantir a estabilidade macroeconômica, democratizar a atividade e garantir infra-estruturas, que são o suporte da atividade econômica  do sector privado”, enfatizou o ministro para defender a redução do papel do Estado na economia.
A ministra da Indústria concordou com a afirmação do titular da Economia e Planeamento acerca da taxa global de investimento, afirmando que “muitas indústrias instaladas em Angola funcionam abaixo da sua capacidade produtiva, ou  mesmo com a produção paralisada”.
Bernarda Martins declarou que as prioridades  do PRODESI não farão com que o Estado deixe de apoiar os outros domínios do setor.
Os encontros de auscultação ao empresariado, realizados com maior incidência na semana passada, são uma fase prévia à adoção do programa de iniciativa institucional, destinada a recolher contribuições para melhorar o documento.

Limite do papel de Estado na economia

A atividade econômica e produtiva fica agora reservada ao setor empresarial privado passando o Estado a limitar-se à promoção do crescimento da economia, declarou segunda-feira o ministro da Economia e Planejamento, Pedro Luís da Fonseca.

Fotografia: EDIÇÕES NOVEMBRO

Essa decisão do Estado angolano foi apresentada por Pedro Luís da Fonseca a empresários da indústria transformadora, no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) e decorre do facto de o Estado, que procura alavancar a produção interna, concorrer com o sector privado, o que se afigura desfavorável.

Em relação à melhoria do ambiente de negócios, o ministro apontou, entre outros, a necessidade de se melhorar os indicadores de qualidade do procedimento de criação de empresas, pelo facto de nessa altura Angola estar no lugar 134 no cômputo de 190 países, segundo o Banco Mundial (BM)

A receita de incentivar o setor empresarial, parece ser o caminho escolhido pelos novo dirigentes. O que não está claro e o ministro do planejamento não menciona em sua fala,  é com combater as desigualdades sociais de Angola, pois o caminho parece concentrar a renda no setor privado, com  investimentos que gerem empregos, mas até agora nenhuma  preocupação com os ni veis de desigualdade e os baixos salários

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