O que aprender sobre o racismo no caso do café Starbucks nos EUA ?

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Essa semana no Brasil a Policia Militar de São Paulo foi condenada a indenizar um advogado negro por abordagem policial abusiva, em que a juíza em sua argumentação da sentença reconhecia que a Policia tinha um histórico de discriminação racial na cidade de São Paulo.

SIN  SÃO PAULO  16/04/2018      CIDADES SINVALDO JOSÉ FIRMO Sinvaldo José Firmo pai do estudante Nathan, que foi vítima de revista  Polícia Militar considerada abusiva pelo Tribunal de Justiça, local Praça Clóvis Bevilácqua tendo ao fundo o Tribunal de Ju

SIN2665 SÃO PAULO 16/04/2018 CIDADES SINVALDO JOSÉ FIRMO Sinvaldo José Firmo pai do estudante Nathan, que foi vítima de revista Polícia Militar considerada abusiva pelo Tribunal de Justiça, local Praça Clóvis Bevilácqua tendo ao fundo o Tribunal de Justiça . FOTO: JFDIORIO/ESTADÃO

Nos EUA, na cidade de Filadelfia na Pensilvania, dois jovens negros marcaram um encontro para discutir questões de imobiliárias e decidiram marcar um encontro em um bairro branco, em um loja do café Starbucks. Ao chegar um dos jovens pediu para ir ao banheiro e não foi atendido, foi lhe dito que ele precisava consumir. Em resposta disseram que iriam aguardar uma terceira pessoa para fazer o pedidod e forma coletiva.

dixon-469633-f-wp-content-uploads-2018-04-1112878_12e2c967a02abbe-e1523725890965-1200x801.jpgO gerente da loja pediu para a eles que deixassem o café, como  se recusaram, chamou a polícia e os negros  acabaram detidos, sem esboçar nenhuma reação. A situação foi filmada e colocada na internet e logo venalizou.

Em consequência houve uma grande mobilização e pressão da  sociedade americana, a empresa Starbucks emitiu um comunicado de e pediu desculpas e  comprometeu-se publicamente a fechar as 8000 lojas nos EUA, por uma tarde, para que todos fossem treinados a não discriminar racialmente.

Em 2010 a  União Americana de Liberdades Civis ( ACLU) da Pensilvânia e os escritórios de advocacia Kairys, Rudovsky, Messing e Feinberg já haviam entrado com uma ação coletiva federal, em nome de oito afro-americanos e latinos que foram parados por policiais da Filadélfia exclusivamente com base em sua raça ou etnia. . A ação alegava que milhares de pessoas a cada ano eram paradas,  revistadas e detidas ilegalmente pelo Departamento de Polícia da Filadélfia, como parte de sua política de abordagem de suspeitos.

 

O que aprender com essas histórias ?

 

A lição que aflora é que nos EUA essas ações cívis contra a  abordagem racistas tem sido feitas de forma coletiva com a participação de diversos escritórios de advogados, não foi o caso do Brasil que foi uma ação individual. O que mostra um trabalho de articulação das organizações não governamentais em defesa dos direitos civis.

Outro aspecto é o reconhecimento por parte das autoridades policiais americanas de que o racismo ocorre na abordagem policial, não se procura negar a existência. Reconhece-se e trabalha para a sua superação. Com resultados muitas vezes muito tímidos.

No caso americano muitas pessoas alegaram que havia um “preconceito inconsciente”,  e uma da maiores organizações negras soltou um comunicado “a NAACP afirmou  que a “situação da Starbucks fornece uma visão perigosa sobre o fracasso de nossa nação em levar a sério os ‘preconceitos implícitos’”.

“Preconceitos implícitos “que nós negros brasileiros sofremos diariamente, mas não conseguimos ainda estabelecer um canal de diálogo sério que se discuta e defina políticas de superação que sejam  implementadas e monitoradas.

Lá como cá se invoca a educação como forma de superação de atos de racismo. A empresa Starbucks irá treinar  as pessoas , durante uma tarde para combater o racismo. Boa iniciativa, mas  fadada ao fracasso.

Racismo não se combate e supera com medidas pontuais, é necessário  um esforço de longo prazo, com recursos financeiros, planos de  avaliação e monitoramento  das ações, com a participação da comunidade negra. Estruturas empresariais e de governo praticam o racismo institucional .

O racismo institucional constitui-se na produção sistemática da segregação étnico-racial, nos processos institucionais. Manifesta-se por meio de normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano de trabalho, resultantes da ignorância, falta de atenção, preconceitos ou estereótipos racistas. Em qualquer caso, sempre coloca pessoas de grupos raciais ou étnicos discriminados em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pela ação das instituições e organizações.

 

Para superar o racismo institucional exige muito trabalho por parte das empresas e da administração pública.

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