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Brasileiros tem dificuldades em trabalhar com o mercado africano até no futebol.

Dificuldade de adaptação e entraves burocráticos, além das questões culturais e técnicas, estão entre as principais questões que fazem os profissionais do mercado no país.

Japão x Senegal

Africanos e asiáticos têm pouco espaço no futebol brasileiro (Foto: AFP / ANNE-CHRISTINE POUJOULAT)

LANÇA!
 30/06/2018
 07:35
São Paulo (SP)

A Copa do Mundo da Rússia, a fuga para os olhos do brasileiro: o destaque e a fuga de olhos, as mulheres asiáticas e africanas.

Se por um lado os africanos não conseguiram se classificar para uma fase de oitavas-de-final, por outro puderam mostrar ao mundo os seus atributos, capacidade de se atuar em qualquer outra brasileira.

Mesma atribuição cabe aos asiáticos, esses ainda mais brilhantes com a segunda colocação do Japão, a boa campanha do Irã e a vitória da Coréia do Sul diante da atual campeã Alemanha.

Mas uma pergunta que poucos se fazem: por que o Brasil ainda está longe de contratar jogadores desses continentes? Atualmente, apenas cinco estão em equipes profissionais do país: Aaron Ibilola, do Benim, e Yaya Banhoro, de Burkina Faso (Ponte Preta), Yerien Richmind, da Nigéria (Imperatriz-MA), Zhang Yuanshu, da China (Desportivo Brasil-SP) e “Toshi” Tashiya Tojo, do Japão (Inter de Lages emprestado pelo Avaí).

Para analistas e especialistas do mercado, uma série de fatores contribuem para a escassez de jogadores asiáticos e africanos em solo tupiniquim, o principal deles, a adaptação.

– Já ficou provado há algum tempo que são jogadores de muita qualidade, e vemos isso não apenas de quatro em quatro anos, já que muitos desses jogadores estão em clubes de ponta do futebol europeu. É um monitoramento constante, mas realmente existe uma dificuldade nas negociações – explicou Rui Costa, diretor de futebol da Chapecoense.

Rui Costa foi o responsável em 2013, então dirigente do Grêmio, por protocolar na CBF um pedido para aumentar de três para cinco o número de jogadores de fora do país em campo.

– A questão da adaptação talvez seja o problema principal, a própria distância da família e as questões culturais e de idioma. Isso já acontece com jogadores sul-americanos, cuja afinidade é maior – acrescentou o dirigente da Chape.

Júnior Chávare, que já foi executivo da base de Grêmio e São Paulo, e hoje é diretor de Operações e Novos Negócios da K2 Soccer, empresa que possui clube nos Estados Unidos, Espanha e entrou no Brasil à frente do Tubarão-SC, conduz a discussão para um pouco mais além.

– Nós incentivamos sempre o intercâmbio e no Grêmio fizemos isso. De fato, a questão de adaptação, alimentação e comunicação pesam muito, mas também tem o processo burocrático de transferência internacional, que nem sempre é tão simples, e o investimento financeiro. Os principais jogadores desses continentes vão todos para Europa. Contratar por contratar, apenas por uma questão de marketing, na minha opinião, não faz sentido. Precisa agregar valor, principalmente técnico – explicou Chávare.

Treinador com experiência em grandes centros do futebol brasilero e com destaque no São Paulo, Milton Cruz, atualmente no Figueirense, que está no G4 da Série B do Campeonato Brasileiro, corrobora com a opinião de Chávare.

– Não buscamos contratação de jogadores desses mercados por uma questão de qualidade, burocracia e custos. Temos jogadores com a mesma qualidade e até superiores no mercado nacional e sul-americano, além de muito mais viáveis financeiramente, que não exigem tanta burocracia – disse.

Fora das quatro linhas, expansão deste mercado é válida

Se dentro das quatro linhas os clubes apontam problemas, fora de campo a conversa é outra. Dependendo do peso da contratação, os agremiações podem ganhar com retorno de marca e visibilidade em mercados ainda pouco explorados, segundo explica Danyel Braga, diretor de negócios da CSM Golden Goal, empresa especializada em gestão e marketing esportivo.

– Em uma análise de complexidade e oportunidades, o mercado sul-americano seria sem dúvida a primeira fronteira de expansão de marca para os clubes brasileiros. Contudo, jogadores africanos ou asiáticos de sucesso, caso cheguem a ser contratados por clubes nacionais, podem mudar esse rumo. Desde que sejam jogadores de nome, seu impacto comercial e de mídia pode ir muito além do país de origem desse jogador – concluiu.

Olhos voltados para o futuro

De concreto, a relação do Brasil com o futebol africano é pequena, mas existem exemplos práticos. O Atlético-PR é o único clube brasileiro a ter uma escola própria em continente africano. Desde julho de 2017, há exatamente um ano, o clube abriu uma escola própria no Quênia. A ‘Escola Furacão’ fica no vilarejo de Mugae, próximo à cidade de Meru, em parceria com a ONG Endeleza.

Periodicamente, o Atlético-PR leva kits com uniformes, chuteiras, bolas e materiais de treinamento, para aproximadamente 250 crianças. Uma nova viagem está programada para os próximos meses, e o acompanhamento do clube é constante.

As Escolas Furacão são um dos principais elementos do CAP e já são mais de 150 unidades espalhadas por todo o Brasil, tendo como diferencial o suporte que é dado pelo clube. Além de acompanhar o desenvolvimento de unidades, o CAP fornece a metodologia de ensino e monitoramento do desempenho escolar.

O que ficou evidente é que as dificuldades que enfrentam são mais rápidas no continente africano. Mas, mesmo com o mesmo movimento de luz, há uma luz e uma ruptura com as ideias sobre a continente africano mudará essa realidade.

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