A democracia moçambicana depende da desmilitarização

Desmilitarização da Renamo ainda levanta fortes dúvidas

Victor Carvalho

A questão da desmilitarização da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, ainda está a da que falar e a levantar algumas dúvidas entre os diferentes protagonistas no processo politico do país, uma vez que se trata de um assunto sensível e que pode afectar fortemente o processo politico ainda em curso

 

 

Fotografia: DR

Apesar de já ter assinado um memorando de entendimento com o governo, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, reclama especial cuidado na implementação do acordo de desmilitarização do seu braço armado, sublinhando que ele deve ser feito de forma digna e humanizada.

“A força residual da Renamo vai proceder à entrega das armas a um organismo previamente instituído para o efeito e será reintegrada na sociedade de forma digna e humanizada”, sublinhou Ossufo Momade, principal responsável do partido, quando falava em teleconferência para jornalistas.

O documento, assinado há uma semana por Ossufo Momade e pelo chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, prevê que a reintegração dos homens da Renamo na polícia aconteça depois da implementação política do acordo.

Ossufo Momade, sublinha os esforços que têm sido feitos pelo grupo de contacto e pela comunidade internacional que, segundo disse,  “não tem poupado esforços para o alcance da paz efetiva e a verdadeira reconciliação nacional”, mas exige que tudo seja feito com “absoluta transparência” para que “tudo seja feito nos parâmetros que estão estabelecidos”.

Este processo negocial entre o Governo moçambicano e a Renamo começou há um ano, quando Filipe Nyusi se deslocou à Gorongosa, no centro de Moçambique, para uma reunião com o então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no dia 6 de Agosto do ano passado, num encontro que ficou selado por um caloroso aperto de mãos.

Além do desarmamento e integração dos homens do braço armado do maior partido de oposição nas forças armadas e na polícia, a agenda negocial entre Nyusi e Dhlakama, que faleceu no dia 3 de Março, envolvia também a descentralização de poder, ponto que já foi ultrapassado com uma revisão da Constituição aprovada no passado mês de Julho.

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