Mamíferos, aves, peixes, reptéis e anfibios estão ameaçados pela extinção de forma acelerada

coraisRelatório Planeta Vivo  documenta o estado do planeta – incluindo a biodiversidade, os ecossistemas e a demanda de recursos naturais – e o que isso significa para os seres humanos e a vida selvagem. Publicado pelo WWF a cada dois anos, o relatório reúne uma variedade de pesquisas para fornecer uma visão abrangente da saúde da Terra.

Estamos empurrando nosso planeta para a beira. A atividade humana – como alimentamos, abastecemos e financiamos nossas vidas – está causando um impacto sem precedentes sobre a vida selvagem, os lugares selvagens e os recursos naturais de que precisamos para sobreviver.

Em média, vimos um surpreendente declínio de 60% no tamanho das populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios em pouco mais de 40 anos, de acordo com o Living Planet Report 2018 da WWF. As principais ameaças às espécies identificadas no relatar diretamente a atividades humanas, incluindo perda e degradação de habitat e uso excessivo de vida selvagem, como sobrepesca e caça excessiva.

O relatório apresenta uma imagem preocupante do impacto que a atividade humana tem sobre a vida selvagem, as florestas, os oceanos, os rios e o clima do mundo. Estamos diante de uma janela de fechamento rápido para ação e da necessidade urgente de todos – todos – de repensar e redefinir coletivamente a forma como valorizamos, protegemos e restauramos a natureza.

“Este relatório soa como uma advertência em nossa proa”, disse Carter Roberts, presidente e CEO da WWF-US. “Sistemas naturais essenciais para nossa sobrevivência – florestas, oceanos e rios – continuam em declínio. A vida selvagem ao redor do mundo continua a diminuir. Isso nos lembra que precisamos mudar de rumo. É hora de equilibrar nosso consumo com as necessidades da natureza e proteger o único planeta que é a nossa casa ”.

NOSSO PLANETA VIVO, NUM RELANCE

60%

Populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014, o ano mais recente com dados disponíveis.

50%

Estima-se que a Terra tenha perdido cerca de metade de seus corais de águas rasas nos últimos 30 anos.

20%

Um quinto da Amazônia desapareceu em apenas 50 anos.

US $ 125 trilhões

Globalmente, a natureza fornece serviços no valor de cerca de US $ 125 trilhões por ano, além de ajudar a garantir o fornecimento de ar fresco, água limpa, alimentos, energia, remédios e muito mais.

 

Ainda temos tempo para agir.

Para garantir um futuro sustentável para todos os seres vivos, precisamos urgentemente conter a perda da natureza. O maior desafio – e a maior oportunidade – está em mudar nossa abordagem ao desenvolvimento e lembrar que proteger a natureza também ajuda a proteger as pessoas.

O WWF está trabalhando com governos, empresas e comunidades para reduzir as emissões de carbono, prevenir a perda de habitat e promover políticas para combater as mudanças climáticas. Estamos focados em proteger a vida selvagem e conservar recursos naturais como florestas, oceanos, água doce e pastagens. E estamos explorando novas maneiras de alimentar nossa população sem prejudicar o meio ambiente.

Em última análise, o mundo precisa se unir para fazer um acordo global para salvar a natureza.

Fonte:https://www.worldwildlife.org/pages/living-planet-report-2018

Liga Guineense dos Direitos Humanos denuncia xenofobia da polícia de Angola

A Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou alegados espancamentos e maus-tratos de cidadãos da Guiné-Bissau pela polícia de Angola que, nos últimos dias, tem realizado operações contra emigrantes ilegais de várias nacionalidades.


África 21 Digital com Lusa


Desde a semana passada, a Liga Guineense dos Direitos Humanos tem recebido denúncias de cidadãos do país em Angola, com relatos de perseguições, detenções arbitrárias e espancamentos, disse hoje à Lusa fonte da organização, acusando a polícia daquele país.

A fonte disse à Lusa que a organização também recebeu “imagens de sevícias” de cidadãos guineenses pela polícia angolana, mas os emigrantes pedem à Liga para não divulgar as imagens com medo de represálias, precisou a fonte.

Na quarta-feira, a Liga Guineense dos Direitos Humanos vai enviar uma carta ao secretário de Estado das Comunidades, Queba Banjai, pedindo-lhe uma posição perante “os preocupantes acontecimentos” com os emigrantes em Angola, adiantou a fonte.

Nos últimos dias, emigrantes guineenses em Angola relatam, através de ligações telefónicas com as rádios de Bissau, situações de perseguições, por parte da polícia daquele país que os ameaça de deportação. Os emigrantes pedem a intervenção das autoridades guineenses, nomeadamente do Presidente do país, José Mário Vaz.

Na página do Facebook da Liga Guineense dos Direitos Humanos, pode-se ler, em comunicado, que Angola tem o direito de defender o seu território e os seus recursos naturais, mas a polícia angolana não pode prender ilegalmente cidadãos estrangeiros e muito menos espancá-los.

Para a Liga, a ação da polícia angolana tem “elevados sentimentos xenófobos”, o que a organização considera preocupante e inaceitável.

“As informações e imagens chocantes que circulam nas redes sociais apenas são a ponta do ‘iceberg’ de uma corporação policial insensível aos direitos humanos, onde a cultura de impunidade é institucionalizada”, defende a Liga no comunicado.

Fonte: https://africa21digital.com/2018/10/30/liga-dos-direitos-humanos-da-guine-bissau-denuncia-maus-tratos-contra-cidadaos-guineenses-em-angola/

A pobreza em Moçambique sem proteção social

82% dos moçambicanos que vivem na extrema pobreza excluídos do sistema de protecção social

82% dos moçambicanos que vivem na extrema pobreza excluídos do sistema de protecção social

Mais de 80 por cento dos moçambicanos que vivem na extrema pobreza estão excluídos do sistema de protecção social. O director nacional da Assistência Social fala em falta de capacidade financeira para alargar a cobertura deste serviço básico.

Apenas 18 por cento dos moçambicanos em situação de vulnerabilidade está a receber ajuda do Estado, ou seja, a maioria, imagina-se (82 por cento) encontra-se excluída do sistema.

Justificações para esta baixa cobertura não faltam para a Direcção Nacional da Assistência Social, na voz do respectivo director, Moisés Comiche, que aponta a falta de capacidade do Estado financiar os programas de ajuda às famílias mais pobre.

“Já tivemos números muito abaixo. Há um esforço de anualmente se alargar os programas de protecção social, bem como realizar ajustes da tabela dos beneficiários”, referiu Comiche.

Adolfo Tocura, é residente em Chagara, província de Tete, um dos poucos beneficiários, revelou que no passado percorria todos os meses mais de 12 quilómetros para receber 210 meticais, mas hoje a distância reduziu bastante, porém, o valor que recebe contínua igual.

“Continuo a receber 210 meticais, muitos idosos como eu passam por inúmeras dificuldades para ter o dinheiro. As vezes passamos longas horas na fila. Há até quem pernoita nos postos de pagamento para conseguir o valor”, contou o velho Tocura.

Esse é o quadro da situação da cobertura dos programas de protecção social, num país onde cerca da metade da população vive na extrema pobreza e com uma taxa de desemprego que ronda nos 25,3 por cento.

É, perante este cenário, que a Plataforma da Sociedade Civil Moçambicana para Proteção Social iniciou esta segunda-feira, em Maputo, sessões de debate a respeito, envolvendo vários intervenientes do sistema.

 

Fonte: http://opais.sapo.mz/82-dos-mocambicanos-que-vivem-na-extrema-pobreza-excluidos-do-sistema-de-proteccao-social

Presidente eleito Jair Bolsonaro, contenha seus ‘guardas da esquina’

faces-slides-2-03-Fiolha.jpgRenato Sérgio de Lima

Existe uma história que conta que, em 13 de dezembro de 1968, quando o governo do General Artur da Costa e Silva decretou o Ato Institucional 5, que significou o endurecimento do regime autoritário inaugurado em 1964, o vice-presidente, Pedro Aleixo, foi o único a discordar dos termos do Decreto. Ele teria dito “Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina”.

Respeitadas as diferenças históricas, a vitória de Jair Bolsonaro no último domingo parece que está provando que a preocupação de Pedro Aleixo continua válida e, mais do que nunca, evidencia muito das dificuldades que se avizinham na convivência democrática e no respeito aos direitos fundamentais no Brasil.

São inúmeros os casos de pessoas ofendendo gays, lésbicas, negros, mulheres e jovens que, emparedados por ameaças físicas e verbais, estão desesperadamente aguardando uma voz de comando do Presidente eleito para que a “caça às bruxas” contra quem pensa e/ou é diferente seja interrompida.

Hoje pessoas que têm as marcas de suas identidades sociais e culturais na pele ou no comportamento estão sendo violentamente constrangidas pelo discurso neoconservador sem limites e ressentido, que vê o diferente como inimigo e como algo moralmente condenável.

Mulheres lésbicas estão sendo abordadas e ofendidas aos berros nas ruas pelo simples fato de estarem exercendo seus direitos à cidade e à liberdade. Isso para não dizer da estranha convergência/coordenação de inúmeras invasões para averiguações, apreensão de materiais eleitorais e interrupções de aulas nas Universidades do país às vésperas das eleições, que exigiu uma posição firme do STF.

Fechadas as urnas, chamou atenção ainda que membros das Forças Armadas participaram de homenagens à eleição de Jair Bolsonaro; e/ou pessoas atiraram para cima em clima de festa – ambas ações que, em tese, demandariam explicações e investigações para apuração de eventuais ilegalidades.

Também tivemos o juiz Sérgio Moro (que como cidadão tem todo o direito a ter suas preferências políticas mas que, como magistrado, tem que demonstrar isenção), que se sentiu à vontade para emitir nota oficial de congratulação para o Presidente eleito e no dia seguinte, sem quase ninguém achar isso no mínimo um ato de conflito de interesses, ser convidado publicamente para assumir o Ministério da Justiça ou para ir para o STF e) e muitos acharem normal.

Não bastassem todas essas sinalizações, o Presidente eleito, em uma de suas primeiras manifestações, e a Deputada Ana Caroline Campagnolo (PSL/SC) também incentivaram que alunos gravassem e denunciassem a “doutrinação ideológica” nas Universidades, provocando uma quase imediata onda de patrulha e de manifestações de ódio e ressentimentos. Há, por fim, os ataques à imprensa profissional e independente, que incomoda e provoca promessas de retaliações.

Em suma, muito já foi dito sobre as razões da chegada democrática de Jair Bolsonaro ao poder, incluindo os erros da esquerda brasileira e a influência das redes sociais no processo político do país. Porém, já em 1968, Pedro Aleixo alertava para a importância de as instituições serem capazes de conter exageros e violências, sob o risco da perda de controle e dos dirigentes serem dragados pelo “espírito do tempo”.

E é este espírito, que em alemão ficou conhecido como “Zeitgeist”, que no país podemos associar ao medo da violência e ao autoritarismo, fatores-chave na configuração do ambiente eleitoral de 2018. O medo transformou-se em pânico e cobrou seu preço nestas eleições.

A ineficiência da máquina pública, em especial aquela responsável por conter a violência, mostrou-se incapaz de oferecer propostas críveis para o cotidiano da população e está dando vazão a um profundo mal estar social hoje no Brasil; um mal estar que antagoniza setores da sociedade em nome de uma verdade religiosa e não de uma ética pública baseada na nossa Carta Magna.

E, neste momento, ao invés de palavras sinceras de pacificação, vemos que a vontade de vingança e de perseguição estão na ordem do dia. A responsabilidade dos eleitos é imediata e não pode esperar o 1o de janeiro. Presidente eleito, como pessoa, é um direito do senhor pensar qualquer coisa, mas como máxima autoridade política eleita do país, segure seus “guardas da esquina” e pare de valentias retóricas que colocam a vida e a integridade de milhares de pessoas em risco.

Suas palavras têm força. Use-as para conter violências e perseguições. O Brasil todo saberá reconhecer. A grandeza de um líder, como Churchill, que parece que o inspira, é saber conter as emoções e fazer as escolhas civilizatórias. As eleições acabaram.

 

Fonte: https://facesdaviolencia.blogfolha.uol.com.br/2018/10/30/presidente-eleito-jair-bolsonaro-contenha-seus-guardas-da-esquina/

Protesto contra o racismo na Universidade do Mackenzie

download30.out.2018 às 15h09

Fernanda Canofre

SÃO PAULO

Na manhã desta terça-feira (30), centenas de estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, protestaram em repúdio às falas de um aluno da instituição que aparece em vídeos ameaçando matar “negraiada” e “vagabundo com camiseta vermelha”.

Segundo um aluno do 9º semestre, que pediu para não ser identificado, o ato não pretendia “fazer justiça com as próprias mãos” ou transformar a vida do aluno “em um inferno”, mas sim cobrar uma posição da universidade.

“O protesto foi apartidário, pessoas de direita e esquerda estavam lá. Ele serviu para dizer que tem negros no Mackenzie, que essas vidas importam, que a gente não pode criar um ambiente acadêmico onde a pessoa se sinta confortável para fazer um vídeo ameaçando de morte minorias”, explica ele.

Os vídeos que geraram a reação foram postados no perfil pessoal do próprio estudante, que está no 10º semestre do curso de Direito. Na segunda-feira (29), eles começaram a circular entre outros alunos e ganharam repercussão nacional. O jovem foi identificado pelos colegas.

Em um deles, ele aparece dentro de um carro, vestindo uma camiseta com a foto do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e diz que vai “estar armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vagabundo com camiseta vermelha para matar logo”. Ele segue dizendo que “essa negraiada, vai morrer” e grita “é capitão, caralho”. No segundo vídeo, o estudante segura um revólver e canta “capitão, levanta-te”.

Integrante do Coletivo Negro Mack, que reúne estudantes negros do Mackenzie, Lucas, 23, aluno do 7º semestre de direito, conta que alguns alunos negros faltaram a aulas desde a divulgação dos vídeos por medo.

“É uma coisa que a gente está vendo crescer no país. A eleição do Bolsonaro legitimou esse discurso, como se não tivesse mais barreiras, nem ética, nem moral, só uma desumanização e um ódio muito grandes. A gente tem que mostrar que isso tem que ser combatido”, diz.

Em nota enviada à Folha, o reitor da universidade, Benedito Aguiar Neto, afirma que as opiniões e atitudes expressas no discurso do aluno “são veementemente repudiadas” pela instituição.

Ele diz ainda que foi instaurado um processo disciplinar “aplicando preventivamente a suspensão” do aluno e aberta “sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade”.

 

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Protesto contra racismo no Mackenzie /Coletivo Afro

O ato desta terça iniciou por volta das 8h e se dissipou perto das 10h. Convocado de forma espontânea por alunos da Faculdade de Direito, também reuniu alunos dos cursos de Engenharia, Comunicação Social e Arquitetura. Um segundo protesto está marcado para às 19h desta terça.

Nas eleições deste ano, o Diretório Central de Estudantes (DCE) e o Centro Acadêmico João Mendes Jr., da Faculdade de Direito, haviam se manifestado oficialmente contra a candidatura de Jair Bolsonaro e a favor de Fernando Haddad (PT). O Mackenzie, porém, se manteve neutro.

Em um texto postado nas redes sociais, o Centro Acadêmico diz que a posição é “um mea culpa” para reparar o apoio de alunos à ditadura militar em 1968. No dia 3 de outubro daquele ano, estudantes do Mackenzie entraram em confronto com alunos da Universidade de São Paulo, contrários ao regime, no episódio que ficou conhecido como“batalha da Maria Antônia”.

Um estudante secundarista, José Guimarães, 20 anos, quatro pessoas foram baleadas e dezenas ficaram feridas. O episódio também serviu como justificativa para a implementação do Ato Institucional Nº 5.

Veja a nota na íntegra:

A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.

Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade.

Benedito G. Aguiar Neto
Reitor

fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/10/alunos-protestam-e-mackenzie-suspende-estudante-que-falou-em-negraiada.shtml?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=noticias

Presidente Bolsonaro ameaça acelerar os licenciamentos ambientais

20181029153134469326iLicenciamento ambiental está sendo ameaçado pela bancada ruralsita de mudar ainda nesta legislatura. A bancada rualista procurou o presidente Bolsonaro, para propr alterações na  Lei d Licenciamento ambiental.

O presidente tem afirmado que dará celeridade aos licenciamentos das hidrelétricas. O presisente Boldonaro ,  tem dado sinais de que pretende avançar nos processos que envolvem licenciamentos ambientais. A tendência é judicializar esses processos.

O presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso
O plano de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro para a área ambiental ainda não está claro, mas a expectativa de agentes do setor elétrico ligados à pauta ambiental é de que haja maior abertura ao diálogo, de maneira que seja possível acelerar o processo de licenciamento. Para o presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, uma esperada conversa mais aberta pode permitir a retomada da discussão sobre novas hidrelétricas com reservatórios.

 

 

“A gente sabe que o viés do novo presidente é um pouco mais liberal do ponto de vista ambiental, então a gente vê, de certa forma, com bons olhos, de um lado, mas também com certa preocupação, por outro. Acho que tem mais a ganhar do que perder”, disse Moraes, em breve comentário. Ele lembrou da possibilidade, já aventada pela equipe de Bolsonaro, de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, mas demonstrou otimismo com a possibilidade de maior celeridade do processo de licenciamento, “mantendo a segurança e mantendo todas as prerrogativas ambientais”.

 

Moraes afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso. E destacou, no setor elétrico, a suspensão do processo de licenciamento da usina São Luiz do Tapajós, no Pará, e uma resolução da Agência Nacional de Águas (ANA) impedindo qualquer nova outorga na Bacia do Rio Paraguai, sem qualquer análise prévia. Agora, vislumbra a possibilidade de retomada das discussões sobre a construção de hidrelétricas com reservatórios que considera “uma dádiva”. “Talvez dois ou três países no mundo podem ter ainda exploração de potencial hidrelétrico, o Brasil é um deles, e estamos praticamente impedidos de fazer novas hidrelétricas, seja do porte que for, até PCHs com dificuldade”, disse.

 

Com base na expectativa de uma conversa “mais aberta, mais franca” com diversas frentes – governo, setor elétrico, Organizações não-governamentais (ONGs), Ministério Público e Justiça -, o dirigente defendeu um “maior equilíbrio na relação entre setor produtivo e setor ambiental”. “Acho que no governo Bolsonaro vamos ter uma oportunidade nova de começar um diálogo diferente”, disse, defendendo “a convivência harmoniosa entre o desenvolvimento econômico do País e essa preservação ambiental”.

Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/10/29/internas_economia,766846/fmase-quer-acelerar-processo-de-licenciamento-de-hidreletricas-no-novo.shtml

Eleições no Brasil sob o olhar do Jornal de Angola

depositphotos_113153788-stock-photo-angola-flag-with-brazil-flagNelson Talapaxi

Na recta final da segunda e derradeira fase da campanha para as eleições presidenciais do Brasil, os dois candidatos finalistas, ao se apegarem mais à religião, a corrida eleitoral que já tinha o seu cunho de batalha de crenças na primeira volta, com uma dezena de concorrentes “acendendo uma vela ‘pro’ santo e outra ‘pro’ diabo”, acaba por ganhar a configuração definitiva de uma “guerra santa.”

As últimas “preces” de cada candidato em busca da “bênção” com os crentes indicam que os cristãos farão a grande diferença nesta última parte do pleito eleitoral. Ou pode-se dizer, mais taxativamente, que é o posicionamento das igrejas que vai decidir quem será o próximo Presidente da República Federativa do Brasil.
Desde a primeira volta, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), tem estado à frente nas sondagens de intenção de votos. Mas é a rejeição que deixa Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), mais fatigado do que o seu adversário. E não é para menos.
Segundo uma pesquisa Datafolha, 71 por cento dos evangélicos do país estão com Bolsonaro no segundo turno. Sabe-se que, caso ele ganhe, vai dar-lhes de presente a transferência da Embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo o exemplo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os restantes 29 por cento de evangélicos votariam em Haddad, o candidato do ex-Presidente Lula da Silva. Isso mostra que os grandes líderes evangélicos mantêm as suas posições partidárias escancaradas, indicando aos fiéis a escolha a fazer.
Bolsonaro impulsionou-se fazendo declarações consideradas agressivas, radicais e anti-democráticas. Mas é justamente essa dureza que terá fisgado muitas lideranças cristãs e conquistado muitos brasileiros. Ele é um militarista reformado e conservador diante de aspectos sociais modernos (como a homossexualidade, o feminismo e a identidade de género que aventa o ‘terceiro sexo’).
O Brasil é uma das maiores, ou a maior nação cristã do mundo, onde perto de 90 por cento da população declara-se cristã, de acordo com a instituição de pesquisas Datafolha.  Nesse facto reside a força do “voto conservadorista” no país das licenciosidades.
Perante uma realidade económica difícil, associada ao descrédito da classe política envolvida em cambalachos e escândalos de corrupção; perante as questões comportamentais que afrontam os valores tradicionais e morais da igreja; há uma tendência de as ovelhas seguirem a opção dos seus pastores, revendo-se no activismo político dos seus sacerdotes. Bolsonaro é visto como a “resposta” desses problemas.
Sobre o “PTista” Fernando Haddad, recai o estigma das falcatruas corruptivas atribuídas à governação do seu partido aquando dos mandatos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mas também são os benefícios sociais dos programas governamentais de Lula e Rousseff que conferiram créditos à sua candidatura e levaram-no ao segundo turno da campanha eleitoral.
No âmbito da “guerra” pelo voto dos religiosos, Haddad pode contar com o seu quinhão de 29 por cento dos evangélicos. A começar, se o apoio dos deputados da Frente Parlamentar Evangélica é, declaradamente, dirigido a Bolsonaro, receando que o esquerdista em caso de vitória venha a limitar o direito de crença e liberdade religiosa, há um movimento de cristãos protestantes que não pensam da mesma maneira.
Esses grupos opõem-se ao apoio das grandes igrejas, pentecostais e neopentecostais, cujas lideranças exercem pressão sobre os fiéis a favor do candidato do PSL.
Para os evangélicos de Haddad, Bolsonaro representa a extrema-direita; as suas propostas são preconceituosas e fascistas, portanto, estão em total desacordo com os mais importantes preceitos e valores cristãos: o amor ao próximo, a pregação da paz e a igualdade entre os seres humanos
Ecumenicamente, entidades de judeus, muçulmanos e cristãos divulgaram recentemente um manifesto “inter-religioso contra a barbárie”, referindo-se a Bolsonaro. E o texto do documento é tudo o que o “politicamente correcto” quer que seja: “Somos parte das três religiões monoteístas do mundo. Acreditamos em um Deus de bondade e de amor. (…) Ele nos fez à sua semelhança e nossa diversidade é a prova de um Deus que está em cada um de nós. Toda vez que a fé foi utilizada para promover a paz, tivemos progresso e convivência pacífica entre os seres humanos.
Mas quando utilizaram dela para promover o ódio, tivemos os piores períodos da nossa história.
Não podemos colaborar para que estes tempos sombrios voltem a surgir entre nós. A barbárie que bate a nossa porta não pode entrar.”
E, para fechar o círculo de apoio religioso à sua candidatura, Haddad não poderia deixar de fora os católicos. Aliás, a oposição de muitos crentes ao representante da esquerda parte do princípio de que ele é católico (assim como o seu “mentor”, Lula da Silva, e uma legião de “PTistas”). Mas Haddad é ortodoxo e não católico apostólico romano, facto que, possivelmente, também poderá contribuir para uma divisão do eleitorado católico.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou também uma declaração, intitulada “Votar com Lucidez”, assinada por um dos bispos, em que não se cita o nome de Bolsonaro (nem precisava), mas deixa-se expresso, entrelinhas, em que candidato recai a preferência de voto. Insurge-se contra as “escandalosas posturas alienadas de muitos cristãos e as adesões a um candidato à Presidência que dissemina violência, ódio, racismo, homofobia e preconceito contra mulheres e pobres.” “Ele utiliza falsamente as temáticas de aborto, género, família e ética; faz apologia à tortura, à pena de morte e ao armamentismo; e é réu por injúria e incitação ao crime de estupro.”
O que os brasileiros, em geral, querem é uma nova ordem social. Para muitos evangélicos, Bolsonaro, certamente, não é o candidato que pediram a Deus, mas como o seu nome também é “Messias”, veio a calhar, e pode ser o salvador da pátria. Para o restante das comunidades religiosas, para que Haddad sirva, basta ser um político justo