Menu

UFMG veta a matrículas de 346 candidatos que se autodeclararam negros

Raul Mariano

Mais de um terço dos candidatos autodeclarados negros e aprovados no primeiro semestre da UFMG foram barrados pela banca de heteroidentificação racial, grupo que analisa as características físicas dos cotistas. Ao todo, dos 885 que tiveram aspectos como cor de pele e textura do cabelo analisadas, 346 não conseguiram o aval para ingressar na universidade por meio do benefício. Os números englobam alunos de BH e Montes Claros, no Norte de Minas.

É a primeira vez que uma junta formada por professores, funcionários e alunos da Federal avaliam objetivamente critérios fenotípicos de postulantes às vagas reservadas. Os reprovados podem entrar com recurso. Nesse caso, uma segunda equipe faz a reavaliação que prevalece e é definitiva.

O grupo que verifica os estudantes é formado por pessoas ligadas aos debates raciais. Todas passam por treinamento específico antes da realização da banca, diz o professor Rodrigo Ednilson, presidente da Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão da UFMG. “Nos baseamos em um conjunto de fatores e não em uma tabela cromática. É uma abordagem social para verificar se aquele candidato, no cotidiano, é ‘lido’ como um negro”, explica.

personagem cota racial ufmg

“É algo com o qual não estávamos acostumados, mas com certeza veio em boa hora”, diz Isadora Pacífico de Souza

Merecedores

A proposta da nova etapa para admissão de universitários é garantir que as reservas sejam ocupadas por alunos merecedores das vagas, evitando que episódios de fraudes se repitam. Em setembro de 2017, graduandos brancos que tinham ingressado na universidade por meio de cotas geraram polêmica em todo o país.

No ano passado, vários casos semelhantes vieram à tona e um dossiê com outras suspeitas de burlar o sistema chegou a ser entregue à reitoria. Até o momento, ninguém foi punido. “As denúncias estão em sindicância ou processo administrativo, em fase de finalização”, comentou Ednilson.

Para calouros que foram aprovados na banca de heteroidentificação e iniciam, hoje, a jornada acadêmica, a única certeza é de que o procedimento torna o preenchimento das vagas mais justo. “É algo com o qual não estávamos acostumados, mas com certeza veio em boa hora”, avalia Isadora Pacífico de Souza, de 23 anos, aluna do curso de ciências do estado na UFMG.

Também é esse o pensamento de Raquel Zeferino da Silva, de 19, da mesma turma. “Muitos colegas estranharam inicialmente, mas todo mundo concorda ser mais um excelente recurso para garantir que o propósito das cotas seja cumprido”, opina.

personagem cota racial ufmg

“Muitos colegas estranharam inicialmente, mas todo mundo concorda ser mais um recurso para garantir que o propósito das cotas seja cumprido”, conta Raquel Zeferino da Silva

Benefícios

Professora de direito constitucional da PUC Minas, Nádia de Castro Alves garante que o trabalho realizado pela banca trará ganhos não apenas para os alunos, mas para toda a sociedade. “Os resultados positivos das ações afirmativas já são importantes no curto prazo”, afirma. “E a ideia é que, no futuro, elas não sejam mais necessárias”, acrescenta a docente, que também leciona direitos humanos.

Para o presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga, que também é membro da Comissão de Heteroidentificação Racial da UFMG, os avanços já são nítidos. “O número de reprovados chama a atenção, mas pelo menos o perfil do fraudador típico (um branco que tenta o benefício) não foi visto nas bancas”, relata.

Leia mais:

Estudantes da UFMG cobram clareza na apuração de denúncias de fraudes no sistema de cotas

UFMG investiga 34 alunos por fraude em cotas

Estudantes formalizam pedido de providências contra fraudes em cotas raciais na UFMG

Após 10 anos da criação de cotas, quase metade dos estudantes da UFMG é de pretos ou pardos

Eleições presidenciais no Senegal confirmaram o favoritismo

 

eleições 2019

Mais de 6,6 milhões de senegaleses participaram das eleições  para escolher o Presidente do país para os próximos cinco anos, que acabou reelegendo  o actual chefe de Estado, Macky Sall, do  país da África Ocidental que goza de uma democracia estável.

A segurança do escrutínio foi mantida por oito mil polícias, e cinco mil observadores, dos quais 900 estrangeiros, estiveram presentes nas mesas de voto.

Falando a agência de notícias francesa France-Presse, na sede da coligação presidencial, em Dakar, Mahammed Dionne disse que “os resultados permitem-nos dar os parabéns ao presidente Macky Sall pela sua reeleição”.

A agência de notícias espanhola EFE cita também o primeiro-ministro senegalês, que anunciou Macky Sal como vencedor, na primeira volta, das eleições presidenciais de domingo, com pelo menos 57 por cento dos votos, salvaguardando, no entanto, que a Comissão Eleitoral do país ainda não tinha revelado os resultados oficiais provisórios.

Também os órgãos de comunicação social locais colocavam Sal na liderança às primeiras horas da contagem dos votos – mas alguns não atribuíam os 51 por cento necessários para evitar uma segunda volta, o que levantou duras críticas dos candidatos da oposição por entenderem que só a Comissão Eleitoral pode adiantar resultados oficiais.

images

Situado junto ao Atlântico, o Senegal tem uma população de 15,8 milhões de pessoas com uma média de idades de 19 anos.

O mandato de Sall ficou marcado por um crescimento económico e pelo desenvolvimento de infra-estruturas, embora as deficiências nos serviços básicos tenham sido motivo de protesto por parte dos senegaleses.

Segundo o Banco Mundial, a economia do Senegal tem vindo a apresentar um crescimento regular nos últimos anos, tendo, em 2017, registado um aumento de 7,2%, ficando acima dos 6% pelo terceiro ano consecutivo. Este crescimento foi potenciado por um plano de desenvolvimento que “impulsionou o investimento público e a atividade do sector privado”.

mapa-senegal

Durante o atual mandato, Macky Sall focou-se na construção de infra-estruturas como um novo aeroporto internacional, a construção de estradas e de uma ligação ferroviária entre Dacar e a nova cidade de Diamniadio. Ainda assim, as deficiências em serviços primários, como a saúde e a educação, levaram à existência de várias greves e manifestações.

Com os últimos dados a apontarem para uma taxa de desemprego de 15,7% e uma taxa de pobreza cifrada em 47%, são grandes os desafios que o vencedor das eleições de hoje terá de enfrentar.

Antiga colónia francesa, o Senegal obteve a sua independência em Abril de 1960.

O Brasil tem sido um dos destinos dos imigrantes sengeleses, a procura de emprego, por melhores condições de vida. Nas ruas das grandes cidades como São Paulo , Porto Alegre há um padrão nas principais vias de circulação de pedestres: vários homens negros, em sequência, sentados em banquinhos, ao lado de uma lona esticada no chão com uma variedade de produtos exposta. Não exite uma estação de metrô em são Paulo em que não encontramos um senegalense vendendo produtos.

Brasil precisará de 750 mil profissionais qualificados em tecnologia digital

noticia_449

Segundo a BRASSCOM e a Softex, o Brasil pode chegar em 2020 com um déficit de 750 mil profissionais qualificados para atuar na área de tecnologia caso o país não reforce programas para reverter esse quadro. Isso é ainda mais preocupante visto que, segundo o IBGE, há mais de 12 milhões de pessoas desempregadas no país.

Cerca de 20% dessas oportunidades de emprego são especificamente para o mercado digital, que hoje já conta com mais de 5000 startups segundo a ABStartups. Além disso, até 2020, mais de 70% das empresas que figuram no relatório da revista Fortune das 500 pequenas e médias empresas serão compostas por startups.

Esse crescimento acelerado do mercado digital exige uma mão de obra específica e qualificada, que a educação tradicional não consegue formar. Esse descompasso gera um enorme prejuízo para o país, que acaba ficando para trás na corrida pela produtividade e inovação, fatores cruciais para o desenvolvimento.

A realidade do ensino superior no Brasil ilustra bem esse cenário: todo ano mais de 900 mil alunos abandonam a faculdade (fonte Guia do Estudante), e 85% dessa evasão é exatamente em cursos de tecnologia (fonte MEC).

Entre as hipóteses do porquê isso acontece está a qualidade e efetividade de fazer um curso superior. De acordo o Mundo Vestibular, quem se forma na graduação leva pelo menos 2 anos pagando seu salário para obter o retorno do investimento.

Segundo Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy – startup de educação que seleciona e treina profissionais para o mercado digital – “a educação tradicional ainda segue a lógica de atividades lineares, de departamentos segmentados, processos repetitivos e produção previsível. Contudo, o mercado digital segue uma lógica contrária: não linear, com equipes multidisciplinares, trabalho multiconectado e escala exponencialmente imprevisível.”

Atualmente, o Brasil tenta reverter essa situação com iniciativas de educação que forme profissionais com o mindset voltado para o digital. A Gama Academy, por exemplo, promove o Gama Experience, um programa inovador para profissionais das áreas de marketing, vendas, design e desenvolvimento (cerca de 80% das vagas no mercado digital são para essas quatro áreas, de acordo com mapeamento de vagas da própria empresa).

Após três anos de atuação quase exclusiva em São Paulo, em 2019 o programa chega em 6 capitais brasileiras: Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba, Goiânia, Recife e São Paulo. Em uma experiência imersiva, gamificada e de alta performance, o programa tem um índice de empregabilidade de 90% em até três meses depois de formado, em empresas como IFood, Accenture, Cabify e Creditas.

Segundo Junqueira, “é preciso correr para formar esses profissionais para o mercado digital. Há muita demanda e o Brasil só se tornará realmente desenvolvido quando tiver capacidade competitiva em tecnologia e inovação. Isso só será possível por meio de profissionais com a capacitação adequada para realizar tal transformação”.

Fonte:http://geodireito.com.br/index.php/2019/02/18/brasil-pode-chegar-um-deficit-de-750-mil-profissionais-qualificados-em-tecnologia/

Vamos plantar um trilhão de árvores

o-que-e-reflorestamento-02Um professor e sua equipe desenvolveram ferramentas para analisar fotos de satélite que, combinadas com resultados de pesquisas de campo, estimam quantas árvores existem no planeta. A conta chegou a cerca de 3 trilhões de árvores, 7 vezes mais do que última estimativa feita pela NASA. Crowther foi além: somou as áreas degradadas ou abandonadas, excluindo cidades e lavouras, e estimou ser possível plantar mais 1,2 trilhão de árvores sem deslocar pessoas ou ameaçar a segurança alimentar. O crescimento desta quantidade de árvores sugaria 130 bilhões de toneladas de carbono da atmosfera ou o equivalente a dez anos de emissões globais como as do ano passado, empurrando assim os impactos das mudanças climáticas para muito além. O jornal inglês The Independent e o site belga HLN deram a notícia.

 

Fontehttp://climainfo.org.br/2019/02/19/plantar-um-trilhao-de-arvores-para-conter-o-aquecimento-global/

Angola é um dos países mais bem preparados em questões militares da África

0,94c43d34-5a45-4251-8238-0bf744c22dbd

Augusto Cuteta

João Alexandre Paulo de Morais é um jovem luso-angolano, de 32 anos, nascido em Campo Grande, Lisboa. Licenciado em Desenvolvimento Global e Relações Internacionais pela Universidade de Leeds Beckett, no Reino Unido, e pós-graduado em Gestão de Recursos de Defesa para Oficiais Superiores, pela Universidade de Defesa da Roménia, e mestrando em Logística e Cadeia de Abastecimento, com especialidade em Logística Militar, pela Universidade de Northumbria. O jovem luso-angolano trabalhou para a Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), um órgão de segurança militar intergovernamental, criado a 4 de Abril de 1949, tendo integrado o Programa de Graduados da OTAN, depois de ter sido seleccionado de entre um vasto grupo de candidatos, para integrar o Departamento de Planeamento e Operações Logísticas no Comando do Estado Maior da NATO, em Mons, Bélgica, e, posteriormente, o Departamento de Planeamento Logístico das Forças Terrestres, na Turquia. O especialista recomenda a criação de uma indústria militar, para a garantia da auto-sustentabilidade das Forças Armadas Angolanas (FAA)

É formado em Logística Militar e Gestão de Recursos de Defesa. O que faz, concretamente, um especialista desta área?
O especialista em logística lida essencialmente com questões materiais e procura resolver problemas que estão associados a equipamentos e a bens de consumo em geral, que se destinam a criar condições para o emprego em operações militares, quer do pessoal, quer dos equipamentos. A logística constitui uma área de saber militar que, além de ter associado um corpo de conteúdos científicos, se qualifica essencialmente pela sua utilização na resolução de problemas reais do quotidiano das forças armadas. A serventia da logística mede-se pelo desenvolvimento das condições materiais para a aplicação de forças militares. Porém, vai para além da sustentação de forças, uma vez que apoia indubitavelmente a identidade das forças armadas, dando-lhe algumas particularidades estruturantes, tais como sistemas de armas, fardamentos e armamentos. O especialista deve também assegurar outras funcionalidades dentro da esfera logística, como o reabastecimento, movimento e transporte, manutenção, apoio sanitário, infra-estrutura, aquisição, contratação e até alienação de meios. O especialista em logística militar deve garantir que as carências materiais dos efectivos militares são colmatadas, tanto em tempo de paz, como durante os períodos de campanha militar, permitindo a qualquer dos ramos militares manter a sua capacidade combativa. É bom ressalvar que a logística militar está dividida em três escalões de operações militares: primeiro – Logística Estratégica. A este nível, as forças armadas são mobilizadas e empregues de forma a coincidir com outras ferramentas de poder para alcançar objectivos definidos a nível político-militar. Segundo – Logística Operacional. É mobilizada e utilizada para alcançar objectivos estratégicos e/ou de campanha numa área de operações atribuída. Terceiro – Logística Táctica. Por via da qual, são executadas tarefas militares e conquistados objectivos militares, cujo sucesso possibilita o alcance de efeitos operacionais.

 

Esta especialização em Logística Militar e Gestão de Recursos de Defesa conseguiu-a numa das maiores instituições de peso mundial, a OTAN. Como surgiu essa oportunidade?
A oportunidade surgiu através de um concurso público feito anualmente pelos vários órgãos afectos à OTAN. Tive a honra de ter sido seleccionado, num universo de centenas de jovens, oriundos das universidades mais prestigiadas, para integrar o Programa de Graduados da OTAN, tendo sido inserido no Departamento de Planeamento e Operações Logísticas no Comando do Estado-Maior da OTAN, em Mons, Bélgica. Finda a minha missão na Bélgica, dei sequência a esta experiência no Comando Terrestre da OTAN, em Esmirna, Turquia, tendo sido inserido no Departamento de Planeamento Logístico. A minha missão passava por apoiar o desenvolvimento do programa de optimização logístico e supervisão da sua implementação a nível das forças terrestres dos comandos operacionais e tácticos.otan

Depois da formação a nível da OTAN, que ocupações lhe foram confiadas?

A minha função primária passava pela gestão do Programa de Fundo de Desenvolvimento Militar das Forças Afegãs. Este Fundo da OTAN é uma das três fontes de financiamento usadas pela comunidade internacional, para canalizar o seu apoio financeiro às forças e instituições de segurança do Afeganistão. Os outros dois são a Lei e Fundo Fiduciário para o Afeganistão (LOTFA), administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e o Fundo para as Forças de Segurança do Afeganistão (ASFF). O fundo continua a concentrar as suas actividades principalmente no Exército Nacional Afegão. Porém, o mesmo pode, no entanto, ser também usado para fornecer apoio em algumas áreas a outros elementos das forças de segurança afegãs, o que contribui para aumentar a capacidade de diferentes elementos das forças de segurança afegãs para operar em conjunto. Além da função acima mencionada, também tinha a responsabilidade de apoiar a unidade de logística com a monitorização do sistema de fornecimento logístico das forças da OTAN destacadas nos diferentes teatros de operações.

Com essa passagem pela OTAN, que experiências traz para o país?
A passagem pela OTAN foi riquíssima em vários aspectos. Porém, o maior ganho foi, sem dúvida, a experiência de ter trabalhado lado a lado com alguns dos quadros mais brilhantes e qualificados a nível mundial. Estes efectivos são altamente competentes no exercício das suas funções, primando sempre pela perfeição na elaboração e execução das tarefas confiadas pelas chefias militares, obrigando-me assim a seguir os mesmos passos. A OTAN é uma organização que aposta fortemente no desenvolvimento intelectual dos seus quadros e, no meu caso, não fui uma excepção. No decorrer da minha missão, tive a oportunidade de frequentar na escola da OTAN em Oberammergau, Alemanha, as seguintes formações avançadas: Logística Estratégica e Planeamento Operacional de Movimento e Logística. Pela Escola de Comunicações e Sistemas de informação da OTAN, em Latina, Itália, tive a oportunidade de frequentar a formação na área de Serviços Funcionais de Logística (LOGFAS), que é, em suma, uma ferramenta de apoio à decisão na área de logística militar, permitindo o operador ter uma visão abrangente dos recursos disponíveis, assim como a movimentação dos meios e acesso às linhas de comunicação.

Como é trabalhar num ambiente de grande complexidade?
Acredito ter desenvolvido uma capacidade e desenvoltura mental elevada devido às missões nas quais estive inserido. As áreas de operações das missões da OTAN decorrem sempre em ambientes de grande complexidade e volatilidade política e de segurança, o que fez com que desenvolvesse uma outra capacidade de análise, mais eficiente e concisa. A experiência de estar inserido no Comando Supremo das forças, centro das tomadas de decisão das operações militares da OTAN, é sem dúvida uma experiência indescritivelmente enriquecedora, permitindo-me desenvolver conhecimentos do nível estratégico-militar, em teatros de operações de elevado grau de sofisticação. Esta experiência também possibilitou-me angariar conhecimento diferenciados a nível de desenvolvimento da indústria militar ao mais alto nível. Gostaria, contudo, de destacar o papel de Portugal durante esta minha experiência. Apesar de ter entrado através de um concurso de inserção directa e não através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, devo destacar o apoio incondicional que me foi prestado por efectivos portugueses destacados nos comandos em que exerci funções, permitindo uma integração plena, sempre com elevado espírito de camaradagem e patriotismo.

O que já conseguiu passar para as instituições do Estado angolano sobre as experiências adquiridas na OTAN?
Sempre foi desejo de um dia viver na terra que viu meus pais e irmãos nascerem. Este objectivo seria alcançado a médio ou a longo prazo. A oportunidade surgiu numa altura em que não esperava, pois tinha cá vindo para ficar somente duas semanas. Porém, foi-me feita uma oferta de trabalho muito tentadora, para trabalhar numa prestigiada empresa do sector privado como director de projectos e desenvolvimento. Acabei por abraçar o desafio, embora saiba que não posso perder de vista as minhas reais valências. Relativamente à sua pergunta, ainda não tive a oportunidade de transmitir os conhecimentos adquiridos às instituições angolanas. Porém, do meu ponto de vista, tal teria de ser feito a nível das instituições de ensino militar e não só, nas quais gostaria de trabalhar, auxiliando com pesquisas e estudos de temas pertinentes à realidade das forças de segurança angolanas. A Escola Superior de Guerra, assim como o Centro de Estudos Estratégicos, acabam por ser organizações em que gostaria um dia, se possível, vir a colaborar.

Além de si, sabe se já terão passado pela OTAN mais cidadãos angolanos?
Desconheço a existência de um outro angolano ou luso-angolano na OTAN ou com formação semelhante. Acredito que é somente uma questão de tempo até aparecerem outros jovens afrodescendentes que serão devidamente inseridos em organizações de prestígio, como a OTAN e a União Europeia.

Apesar da falta de oportunidade em Angola, para transmitir o que aprendeu na OTAN, tem projectos imediatos ou de médio prazo por materializar?
Pretendo, como já referi anteriormente, abraçar oportunidades a nível da docência e assessoria a nível da logística militar, podendo assim ajudar os técnicos e especialistas angolanos a aprimorarem alguns conceitos e trazer novos elementos às doutrinas angolanas, uma vez que Angola tem vindo adoptar as doutrinas da OTAN.

Já recebeu algum convite ou já bateu algumas portas?
Sim. De momento, tenho alguns processos a tramitar em instituições de ensino. Acredito que este desejo vai ser materializado.

Em função do currículo que tem, nunca tentou contactar as direcções do Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas Angolanas (FAA)?

Já. Quero colaborar em matérias de ensino militar. Acredito que existe espaço para colaboração, ou no Ministério da Defesa Nacional ou nas Forças Armadas Angolanas. Encontro-me disponível para auxiliar essas instituições, em matérias que sejam do meu domínio.

Caso seja admitido, o que é que Angola pode ganhar com a sua experiência?
A minha experiência pode ser uma mais-valia para Angola, devido à minha capacidade de execução, do ponto de vista técnico. Possuo uma boa combinação entre a área académica e profissional. Detenho conhecimento amplo dos três níveis da logística militar – Estratégico, Operacional e Táctico -, obtido na maior organização mundial no sector da defesa, a OTAN. A nível das Ciências Sociais, possuo formações avançadas de Gestão de Crise Internacional, Política de Segurança e Plano de Emergência Civil e Segurança, pela Universidade de Segurança Nacional do Reino da Suécia. Estas formações são um complemento à formação que fiz em Relações Internacionais, permitindo que faça uma leitura clara das volatilidades políticas nacionais e internacionais.

Quais são os momentos mais marcantes vividos na OTAN?
Foram vários. A OTAN pensa muito nos seus quadros. Pelo tempo que lá estive, senti que a aposta nos quadros está sempre nas suas grandes prioridades, daí ter feito várias formações. O encerramento da missão da OTAN, no Afeganistão, em 2015, foi dos mais distintos acontecimentos, pois fiz parte do grupo de trabalho que elaborou o actual Memorando de Entendimento da ANA-TF. Durante a missão na Turquia, destaco as participações nos exercícios Loyal Lance e Trident Lance, que culminaram com a certificação da capacidade das forças terrestres. Foi, sem dúvida, um momento marcante, que guardo com muito orgulho, por fazer parte de uma fase histórica deste comando da OTAN.

Embora tenha poucas possibilidades de acesso a documentos oficiais das Forças Armadas Angolanas, que analisa faz ao funcionamento da logística militar?
Existe uma clara necessidade de melhorar as classes I, que tem a ver com rações de combate, II, ligada aos fardamentos, e a III, ligada aos lubrificantes e combustíveis e óleos. É importante que Angola tenha uma indústria militar. Eu sei que as autoridades angolanas estão a trabalhar com muito afinco na criação de uma indústria militar, a fim de baixarem os altos níveis de importação, tendo em conta aquilo que é a nova conjuntura económica do país. A indústria militar nacional vai certamente baixar os custos orçamentais e contribuir para a diminuição do alto índice de desemprego na nossa sociedade.

O que deve ser melhorado para o êxito das missões de paz em que o país participa?
A harmonização doutrinária e o devido domínio da logística multinacional são aspectos que devem ser tidos em conta por Angola, para garantir o sucesso das missões internacionais. Devo sublinhar que Angola dispõe de uma classe de efectivos militares bastante experientes. É importante termos noção de que as Forças Armadas Angolanas continuam a ter um papel importantíssimo no que diz respeito ao desenvolvimento económico, pois são o garante da livre circulação de pessoas e bens em todo o território nacional.

Coloca Angola entre os países africanos mais bem preparados militarmente?

Angola gasta cerca de 975 mil milhões de kwanzas em defesa e segurança, o equivalente a 21,27 por cento de todas as despesas do Estado. Este alto investimento coloca Angola nos cinco países africanos que mais investem na área da defesa. Coloco Angola entre os países mais bem preparados em África a nível militar. O processo de modernização vai permitir a Angola alcançar outros níveis operacionais. O emagrecimento dos efectivos das Forças Armadas Angolanas vai ser a longo prazo uma realidade. Contudo, devido ao uso das tecnologias e ao melhoramento técnico-militar, o país vai manter-se entre os países mais bem preparados a nível do continente africano.
Como o país já vive uma paz efectiva, pessoas representativas da sociedade civil defendem que os sectores da Saúde e Educação deveriam receber mais verbas e não os órgãos de defesa e segurança. Gostaria de ouvir o seu comentário.
É um assunto bastante pertinente. Embora seja quase consensual que a Saúde e a Educação devam ter um orçamento maior, eu concordo, em parte, que não podemos deixar de investir nas Forças Armadas Angolanas, porque senão estaríamos a diminuir a prontidão combativa e operacional. Os meios de defesa são de natureza dispendiosa, mas fundamentais para a protecção e garantia da nossa soberania territorial (terra, mar e ar). As FAA encontram-se, neste momento, em fase de reestruturação e modernização. A Força Aérea Nacional, por exemplo, tem vindo a reforçar-se com sistemas de vigilância, rádios de localização e telecomunicações, radares de alta qualidade, meios de transmissões e instrumentos expectantes para a defesa anti-aérea, isto para manter o nível de operacionalidade necessária, de forma a manter sempre a soberania territorial. A Marinha de Guerra Angola encontra-se em progresso e modernização, resultado da importância que Angola tem vindo a adjudicar à defesa da soberania nacional, através do mar e das águas fluviais, numa fase em que o terrorismo internacional tem sido uma séria ameaça para a Região do Golfo da Guiné, onde Angola se insere. O orçamento na área da Defesa é tema de debate pelo mundo, mas, nos últimos tempos, os países membros da OTAN viram-se obrigados a investir no mínimo dois por cento do seu Produto Interno Bruto para o sector da Defesa, tendo em conta as novas ameaças globais.

Comparativamente aos outros países africanos, acha que o orçamento para as Forças Armadas Angolanas é exagerado?
Não concordo. Neste momento de modernização, é preciso um orçamento capaz de garantir esse processo, principalmente, destinado ao apetrechamento em equipamento. É importante este investimento.

A formação individual do militar é importante?

A formação académica é primordial para a progressão da carreira militar e tem um papel fundamental na transição para o mundo civil. As Forças Armadas Angolanas enquadram-se no quadro da diplomacia e são um factor de projecção de força, razão pela qual os seus quadros devem ter uma preparação intelectual adequada, tendo em conta que Angola é signatário de vários acordos internacionais. A educação é a ferramenta que permite ao homem elevar-se e ter maior controlo dos seus destinos.

Voltando ao seu caso, não acha que o facto de ser especialista civil seja a razão das dificuldades que encontra na pretensão de ser enquadrado numa instituição militar?

O civil, dentro da estrutura das FAA, parece-me que ainda não tem o seu devido enquadramento, talvez seja por causa do tipo de estruturas orgânicas de defesa que tivemos durante anos. A minha experiência internacional mostra que os civis são uma peça fundamental para o planeamento e execução das operações militares. No final de tudo, as forças armadas obedecem a objectivos políticos.

Há quem diga que Angola tem muitos oficiais generais. Qual é a sua visão?

Existe um número muito elevado de generais, devido aos longos anos de conflito armado. Acredito que, nos próximos tempos, esta realidade será alterada.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/angola-deve-apostar-numa-industria-militar-para-garantir-a-auto-sustentabilidade-das-faa

Racismo e AIDS na África do Sul

pretoria

Victor Carvalho

A conceituada Universidade de Pretória decidiu acabar com a utilização do afrikaans como uma das línguas oficiais de ensino, passando a inglesa a ser a única aceite para que os alunos possam realizar os seus exames.

Como seria de esperar, esta decisão gerou uma acesa polémica na sociedade local, até porque o exemplo da Universidade de Pretória deverá ser seguido por outras instituições de ensino do país, naquilo que está a ser entendido como uma preocupação para travar a propagação do racismo, que nalgumas regiões da África do Sul do país está de novo a atingir proporções extremamente perigosas.
De acordo com um estudo divulgado pela Universidade de Pretória com o objectivo de pormenorizar a sua decisão, o inglês continua a ser, largamente, a língua mais utilizada no país, enquanto o afrikaans é usado para manter uma tradição que muita gente relaciona com o período do apartheid.
“Durante o período do apartheid, a comunidade branca sul-africana criou e desenvolveu uma língua, neste caso o afrikaans, como forma de excluir os negros de determinado tipo de ensino e de discussão”, explicou a Universidade de Pretória numa nota divulgada através das redes sociais.images
Uma outra justificação que tem sido dada por alguns críticos do uso do Afrikaans, refere-se ao facto da palavra “apartheid”, que faz parte do “Dicionário de Oxford” e está agora internacionalizada, é uma expressão retirada precisamente do afrikkans.
No debate que tem vindo a desenrolar-se na África do Sul, a Universidade de Pretória reconhece que o afrikaans é falado por milhões de pessoas, mas sublinha que a esmagadora maioria da população fala o inglês, pelo que com esta medida passarão a ser mais as pessoas a terem rigorosamente as mesmas possibilidades de sucesso escolar neste estabelecimento de ensino, que na verdade é um dos melhores existentes no continente africano.
Como não podia deixar de ser, as redes sociais têm jogado um importante papel neste debate, assistindo-se a múltiplas trocas de argumentos entre estudantes que defendem posições diferentes em relação a este mesmo assunto.
Esse debate no mundo cibernético, onde o anonimato infelizmente prevalece, ajudou a sublinhar a certeza de que mesmo passados 25 anos desde o fim do apartheid, a questão do racismo continua presente na sociedade sul-africana.
A Constituição do país reconhece legalmente a existência de onze línguas, entre as quais estão o inglês e o afrikaans, mas é omissa sobre qual delas deve prevalecer em termos de funcionamento oficial nos diferentes estabelecimentos escolares do país.
Esta polémica, entretanto, cruza-se com uma outra que foi levantada pelo jornal britânico “Independent” ao revelar recentemente que uma unidade paramilitar sul-africana, que operou durante o regime do “apartheid”, foi expressamente constituída para infectar com o virus HIV/AIDS a população negra do país.
Segundo o jornal, por detrás da criação dessa unidade esteve Keith Maxwell, o líder do polémico Instituto Sul-Africano de Investigação Marítima, que defendia um país de maioria branca.
Keith Maxwell, é acusado pelo “Independent” de se ter apresentado perante a sociedade como um médico filantropo, disposto a ajudar os mais desfavorecidos e assim poder aplicar as falsas injecções aos sul-africanos negros com as quais iriam contrair a doença.
O assunto, foi agora trazido a público por causa de um documentário intitulado “Cold Case Hammarskjold”, estreado há duas semanas no “Festival Sundance Film”, que decorreu nos Estados Unidos.

cold-case-hammarskjold-danish-movie-poster
Nesse documentário, podia ver-se um antigo elemento dos serviços secretos sul-africanos a dizer que essa unidade “espalhou o vírus” a mando de Maxwell.
Falando aos autores do documentário, um ex-oficial dos serviços secretos disse que Keith Maxwell, que tinha poucas qualificações profissionais, se estabeleceu como médico apenas com o objectivo de tratar negros sul-africanos que viviam com problemas sociais.
“As pessoas negras não tinham direitos, precisavam de cuidados médicos. Há um ‘filantropo’ branco que chega e diz ‘vou abrir estas clínicas e tratar-vos’ e, no entanto, é apenas um lobo com pele de cordeiro”, relatou.

maxresdefault.jpg
Não será, pois, por um mero acaso que este documentário teve um enorme impacto no país. É que, na verdade, ele reflecte a dimensão do problema que o racismo continua a constituir para os sul-africanos, e que se alimenta de todos os pormenores para ser usado pelos sul-africanos como arma de arremesso para acicatar a divisão entre negros e brancos.
Numa altura em que o país se prepara para ir a votar, aguarda-se com alguma expectativa para ver qual será a postura dos políticos e a contenção que eles estão dispostos a ter para não cairem na tentação de usar o racismo como argumento para conseguirem um maior número de votos.
A enorme nação que é a África do Sul precisa de todos os seus filhos, sejam negros ou brancos, para poder ultrapassar os graves problemas sociais e económicos que enfrenta.
O que falta saber é se existe na sociedade sul-africana a consciência de que essa unidade é fundamental para a salvaguarda dos seus próprios interesses pessoais e étnicos ou se, pelo contrário, essa mesma sociedade se vai deixar enredar nas teias do racismo, para voltar a um passado de tão triste memória.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/combate-ao-racismo-na-africa-do-sul

A educação pela treva

antonio prataAntônio Prata

Como se educa um filho num país desses? Como dizer “e eles viveram felizes para sempre, agora dorme tranquilo, papai e mamãe tão na sala”, quando na sala papai e mamãe não estão nada tranquilos vendo que a história caminha para longe de um final feliz? Como dizer “não precisa ter medo do escuro”, “monstro não existe”, quando papai e mamãe são obrigados a sussurrar ou falar outra língua ao conversar na frente das crianças?

“Um homem que não quis se identificar, tio de dois mortos, um de 16 anos e outro de 18, afirmou que os policiais esfaquearam os suspeitos depois de atirar nas pernas, para impedir que fugissem”. “Um dos suspeitos aparece com o intestino completamente para fora do corpo”. “O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), que mantém bom trânsito com o governador, anunciou nesta terça que propôs homenagem ao Choque do Bope. ‘Eles mostraram aos marginais que a polícia do Rio de Janeiro tem que ser respeitada. Foram 13 CPFs cancelados'”.

Rodrigo Amorim é aquele que, durante a campanha, comemorou o “cancelamento” de outro CPF, o da vereadora Marielle Franco, quebrando a placa com seu nome. A placa quebrada, agora emoldurada, decora o seu gabinete, como o chifre de um animal abatido. E eu lendo pro meu filho “O Reizinho Mandão”, ensinando que o autoritarismo destrói a autoridade. Desculpa, Ruth Rocha, mas acho que de agora em diante embalarei o sono do meu filho com “O Senhor das Moscas”.

Eu queria muito ter que responder perguntas simples do tipo “Como os bebês são feitos?”, mas no Brasil o tabu é mais embaixo. “Por que ela dorme na rua?”. “Por que ela é pobre?”. “Por que ela não tem trabalho?”. “Por que ela não foi pra escola?”. “Por que a mãe dela também não foi pra escola?”. “Por que a avó dela também não foi pra escola?”. “Por que as pessoas pobres são sempre marrons?”. O que balbucio à guisa de resposta tem a eficácia de um saquinho de Floc Gel sobre a lama da Vale: “Elas não são marrons, elas são negras”.

Pra que me agachar no chão durante a festa e explicar pacientemente ao meu filho que ele tem que emprestar o Batman pro Guilherme “porque se todo mundo emprestar os brinquedos pra todo mundo, todo mundo vai poder brincar com todos os brinquedos”?

Se eu fosse sincero e educasse pra realidade brasileira e não pros meus delírios utópicos ultrapassados eu deveria dizer 1) “Não empresta, você é maior do que o Guilherme, empurra o Guilherme, pisa no Guilherme, cospe no Guilherme e mostra quem manda” ou 2) “Empresta, o Guilherme é maior do que você, se você não emprestar o Guilherme vai te empurrar, vai pisar em você, cuspir em você e mostrar quem manda”.

A dissonância entre a realidade brasileira e o que meu filho aprende em casa e na escola é da ordem da psicose. Dois mais dois são quatro, nós insistimos em dizer, mas sabemos que se você tiver os contatos certos, dois mais dois são cinco ou quinhentos, assim como também pode ser zero ou menos mil se você tiver nascido no lugar errado, com a cor errada, o gênero errado, a orientação sexual errada.

Não, filho, os bons não vencem no final. Não, os maus não serão punidos. Não, ser legal com os outros não faz com que os outros sejam legais com você. Mas veja: você é branco, é homem, é bem-nascido. Você não pedirá dinheiro pelas ruas, você não terá seu CPF “cancelado” pela polícia. Aqui, neste reino distante, tudo conflui para você chegar a ser um reizinho mandão, um senhor das moscas com um chifre pendurado na parede. Acho que a minha tarefa como pai é te ensinar que este não é um final feliz.

Por que nós brasileiros devemos acompanhar as eleições na Nigéria?

Nigeria_oil_26Amanhã dia 16 de fevereiro de 2019,  dos 203 milhões de habitantes da Nigéria , 84 milhões se registraram para eleger, além do presidente, a composição do Parlamento. E isto interessa muito aos brasileiros. Por que?

A Nigéria é o país mais populoso da África e o sétimo no planeta, maior potência petroleira do continente e 13ª maior produtora do mundo.  Os Nigerianos fora do país —no Brasil, são cerca de 8.000, segundo a embaixada— não têm o direito de votar.

 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a Nigéria é o único país da África Ocidental com o qual o Brasil mantém Mecanismo de Diálogo Estratégico.

Em novembro de 2013, realizou-se, em Brasília, a I Sessão do Mecanismo, ocasião em que foram criados nove Grupos de Trabalho sobre agricultura, segurança alimentar e desenvolvimento agrário, temas consulares e jurídicos, defesa, mineração, energia, comércio e investimentos, cultura e infraestrutura.

A Nigéria figurou até recentemente entre os dez principais parceiros comerciais do Brasil no mundo.

 

O Brasil fechou um acordo de crédito deUS$ 1,1,bilhão de dólares  para financiar  a venda de máquinas e equipamentos agrícolas  para a Nigéria, pretende ainda  formar mais de 10000 técnicos agrícolas. Um dos objetivos é também enfrentar a concorrência da China.

Segundo o embaixador brasileiro na Nigéria, Ricardo Guerra de Araujo: “ o que nos diferencia da China é que o palno de négocio cobre toda a cadeia de valor, incluindo montagem de equipamentos em solo nigeriano e treinamento para quem vai operá-los, além de fornecimento de fertilizantes, sementes, pesticidas, markentig ( ferramentas) de comercialização chegando até o consumidor”

O Banco Islâmico de Desenvolvimento e a Agência Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF)  deverão assegurar  a garantia de crédito.

 

A Nigéria havia propost o um crédito de 10 bilhões, mas o Brasil achou melhor ir mais devagar. A Fundação Getúlio Vargas é a entidade que elaborou o projeto, que pretende modernizar a agricultura da Nigéria.

 

A Embraer recebeu,  neste mês de fevereiro de 2019, junto com a parceira americana Sierra Nevada Corporation (SNC) uma encomenda de 12 aeronaves para aa Força Aérea da Nigéria. Os aviões são de ataque leve e treinamento avançado do A-29 Super Tucano serão utilizados em missões de apoio aéreo tático.

 

Entre 2006 e  2016 o o Brasil acumulou um déficit de impressionantes US$ 57,7 bilhões com a Nigéria.

A Nigéria e é o maior deficit do Brasil nesse período com qualquer outro entre os seus parceiros  no comércio internacional. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Desde que começou a importar petróleo da Nigéria, na década de 1980, o Brasil sempre teve uma relação comercial deficitária com o país africano. No ano 2000, as exportações brasileiras para aquele país totalizaram US$  247 milhões e as importações atingiram a cifra de US$ 734 milhões, gerando um saldo negativo de US$ 487 milhões.

De lá para cá o desequilíbrio na balança comercial entre os dois países não parou de crescer. O saldo em favor dos nigerianos atingiu o valor máximo em 2013, quando as vendas daquele país concentradas em petróleo, nafta para a petroquímica e gás natural somaram US$ 9,648 bilhões, ao passo em que as vendas brasileiras foram de apenas US$ 876 milhões, gerando um deficit de  US$ 8,772 bilhões.

 

Se você tinha dúvidas por que temos que acompanhar as eleições na Nigéria é bom registrar que somos dficitários no comercio com os nigerianos. E eu nem comentei as questões culturais e religiosas que temos com os nigerianos.

Nigéria: 190 milhões de pessoas a espera das eleições

nigeria cidadeA Nigéria, o país mais populoso de África, com 190 milhões de habitantes, e primeira potência petrolífera do continente, elege este sábado o seu Presidente, entre o incumbente, Muhammadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar.

Ao longo do último mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal partido da oposição, percorreram os 36 estados do país, com recordes históricos de participações nos comícios, num sinal, segundo muitos especialistas e observadores, do abrandamento económico e da pobreza crescente, mais do que da popularidade de qualquer um dos dois pouco carismáticos candidatos.

Os comícios são antes de tudo uma oportunidade oferecida a muitos para se alimentarem, fazerem algum dinheiro, ou receberem os “presentes” lançados às multidões pelas equipas de campanha.

O país caiu na recessão económica entre 2016 e 2017, pouco depois da chegada ao poder de Muhammadu Buhari — que foi eleito em 2015 com a promessa de colocar o país a crescer 10% ao ano –, muito por força da queda dos preços do petróleo. A recuperação é ainda muito tímida. O produto interno bruto (PIB) nigeriano cresceu apenas 1,9% em 2018, de acordo com dados conhecidos hoje, e o Fundo Monetário Internacional estima que voltará a ser da mesma ordem (2%) em 2019.

O gigante africano é hoje o país que regista um maior número de pessoas a viver abaixo do estado de pobreza extrema (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o barómetro do World Poverty Clock.

“Meter a Nigéria a trabalhar outra vez (‘Make Nigeria work again’)” é o lema de Abubakar, que joga a carta da recuperação económica como principal trunfo diferenciador na sua quarta tentativa de ocupar o mais alto cargo da nação.

Antigo vice-presidente e empresário próspero, Abubakar defende uma política liberal para retirar a Nigéria da anemia económica, por exemplo, através da privatização de parte da companhia nacional de petróleo nigeriana, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), ou da flutuação da moeda, o naira.

Já Buhari defende o intervencionismo do Estado, a começar pelo banco central, através da fixação das taxas de câmbio, por exemplo, interditando as importações, ou estimulando o micro-crédito, com um programa de pequenos empréstimos livres de colaterais, de 24 a 75 euros, o “Trader Moni”, dirigido a dois milhões de pequenos comerciantes.

Abubakar fala para os mercados internacionais e a sua vitória, admitem analistas citados por várias agências, poderá finalmente inverter a tendência que faz da bolsa de valores nigeriana a que mais valor perdeu em todo o mundo desde que Buhari foi eleito.

A reputação de Abubakar está, porém, manchada por acusações persistentes de corrupção, que o próprio desmente com igual insistência, pelo que o ceticismo segue de mão dada com o otimismo dos investidores internacionais, e esta não é a melhor perspetiva para um país que viu o investimento direto estrangeiro cair para menos de metade dos valores verificados no início da década.

A outra carta que (não) se joga nestas eleições é a das clivagens étnicas e religiosas. A Nigéria é um país dividido entre o norte, maioritariamente muçulmano, e o sul, de domínio cristão, assim como entre três comunidades étnicas importantes — hauçá (25% da população), ioruba (21%) e igbo (18%) — de entre mais de 500 grupos étnicos e línguas diferentes.

A escolha do candidato presidencial na Nigéria tem sido baseada na região de origem ou na religião, mais do que nas ideias políticas, mas desta vez ambos os contendores, Buhari e Abubakar, são houçás e muçulmanos, pelo que a decisão não será tomada por força da religião ou etnia.

O número recorde de eleitores inscritos para as eleições gerais deste sábado — presidenciais, legislativas e para a escolha dos governadores — ascende aos 84 milhões (número que compara com 67,4 milhões no escrutínio de 2015, ainda que a participação não tenha ultrapassado os 43,65%), mas a afluência às urnas nestas eleições está ameaçada pelo surto de violência associada ao extremismo islâmico protagonizada pelo grupo rebelde Boko Haram.

As forças de segurança nigerianas anunciaram no final da semana passada terem já deslocado 95% dos efetivos que garantirão o voto seguro em todo o país, mas os ataques do grupo jihadista têm-se intensificado nos últimos dias, sobretudo no nordeste do país e este poderá ser um fator muito dissuasor da participação eleitoral, sobretudo nas regiões mais afetadas.

Buhari foi eleito em 2015 com a promessa de destruir os rebeldes do Boko Haram durante o mandato que agora chega ao fim. O facto, no entanto, é que o grupo terrorista se mantém como uma muito forte ameaça, e os seus ataques provocaram já 1,9 milhões de deslocados na Nigéria, segundo a Amnistia Internacional (AI).

Uma onda de ataques sucessivos no nordeste da Nigéria está na origem de cerca de 60 mil refugiados desde novembro, no que é o maior registo de refugiados dos últimos dois anos, e leva as Nações Unidas e as organizações não-governamentais a operar na região a temer uma reedição da crise do Boko Haram.

Desde o início da insurgência do Boko Haram em 2009, pelo menos 35 mil pessoas foram mortas. Os ataques na vasta região do lago Chade, que engloba partes dos Camarões, Chade, Niger e Nigéria, provocaram mais de 2,5 milhões de deslocados, incluindo 1,9 milhões internos na Nigéria e 250 refugiados nigerianos.

Apesar de o Governo nigeriano afirmar repetidamente que a ameaça jihadista foi minimizada, a realidade no terreno mostra o contrário e a preocupação é que a situação piore com as eleições gerais de 16 de fevereiro.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

O proximo presidente da Nigéria terá como desafio enfrentar a pobreza

 

A Nigéria prepara-se para ir às urnas no sábado em eleições gerais. Há mais de 70 candidatos à Presidência, mas apenas dois favoritos: o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o rival Atiku Abubakar.

    
Wahlkampf Nigeria Wahlplakat APC (DW/T. Mösch)

Ao todo, 73 candidatos concorrem à Presidência da maior economia africana.

Mas, excetuando o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o opositor Atiku Abubakar, nenhum dos candidatos restantes, aprovados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC) em meados de janeiro, terá hipóteses significativas de conquistar a Presidência.

Muitos são desconhecidos a nível nacional e poucos foram vistos na capital, Abuja. Não há sondagens confiáveis sobre a eleição de sábado, que deverá ser altamente renhida, e o resultado permanece incerto.

Mohammadu BuhariPresidente Muhammadu Buhari recandidata-se ao cargo

Na cidade natal de Buhari

Muhammadu Buhari, de 76 anos, concorre a um segundo mandato como candidato do Congresso dos Progressistas (APC).

Na sua cidade natal, Daura, no norte da Nigéria, há imagens de Buhari um pouco por todo o lado: o seu retrato pode ser visto não só nas ruas, como também pendurado nas paredes da sala de estar dos seus apoiantes.

“Ele é um homem bom”, resume Aliyu Rabe Daura, que trabalha para o governo estadual. “Da última vez que ele aqui esteve, em Daura, foi a pé da mesquita para a sua casa.”

Quando assumiu a Presidência, há quatro anos, Buhari declarou guerra à corrupção e ao terrorismo. Prometeu ainda fortalecer a economia. Mas as suas políticas de segurança são consideradas um fracasso.

Quem quer ser o próximo Presidente da Nigéria?

O grupo terrorista Boko Haram ataca cada vez mais comunidades, desde o final de 2018. Até ao início de fevereiro, cerca de 30 mil pessoas foram forçadas a fugir da cidade de Rann, no estado de Borno, para os vizinhos Camarões, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras.

O primeiro mandato de Buhari também foi marcado por várias ausências devido a problemas de saúde.

Buhari assegura no seu programa eleitoral, de 14 páginas, que, nos últimos anos, foram estabelecidas as bases para uma Nigéria estável e próspera. E promete agora expandir as estradas, melhorar o fornecimento de energia e criar empregos. Mas essas são também promessas do seu principal rival.

As promessas de Atiku Abubakar

Atiku Abubakar, que entre 1999 e 2007 foi vice-Presidente da Nigéria, garante que, se for eleito, haverá mudanças no mercado de trabalho.

Segun Sowunmi, gerente de campanha eleitoral de Abubakar, diz que o seu chefe é o candidato ideal quando se trata de questões económicas: “África e especialmente a Nigéria têm um grande número de desempregados. Abubakar tem muita experiência na criação de empregos com as suas empresas. Ele criou 50 mil empregos diretos e outros 300 mil indiretos. Precisamos de empregos muito rapidamente”, afirma.

Nigeria, ehemaliger Vizepräsident Atiku AbubakarAtiku Abubakar promete mais empregos – tal como o seu rival Buhari

Abubakar, de 72 anos, criou um império com base em empresas que oferecem serviços de logística, petróleo e gás. Foi ainda o fundador da Universidade Americana da Nigéria em Yola.

Não se sabe em concreto quanta riqueza já acumulou, mas foi alvo de acusações de corrupção e branqueamento de capitais. Segundo um relatório do Senado norte-americano, com a ajuda da sua quarta esposa, Fatima Abubakar, o empresário levou, entre 2000 e 2008, cerca de 40 milhões de dólares para os Estados Unidos.

Na cidade de Daura, o cantor Mannir Abba compôs uma música para Atiku Abubakar e não poupa elogios ao candidato.

“Atiku é a melhor escolha. Tudo o que vê na minha cidade natal, Daura, foi criado durante o Governo do PDP, e não no atual Governo”, comenta.

Mais de 80 milhões de eleitores estão registados para escolher, no sábado (16.02), o próximo Presidente do país, além dos novos deputados e 36 governadores.

Segundo a comissão eleitoral, um em cada quatro eleitores é estudante ou está a realizar alguma formação profissional. 62% dos nigerianos têm menos de 25 anos. Os dois principais candidatos à Presidência poderiam facilmente ser seus avós.

Fonte:https://www.dw.com/pt-002/quem-quer-ser-o-pr%C3%B3ximo-presidente-da-nig%C3%A9ria/a-47513118