Índia está comprometida em fazer parceria com a África

Armando Estrela| Nova Deli

A Índia está comprometida em fazer parceria com a África em áreas consideradas prioritárias pelos países do continente, num espírito de “parceirías em progresso”, disse ontem o ministro do Comércio e Indústria e Aviação Civil daquele país, Suresh Prabhu.

Participam no fórum representantes de 32 países africanos
Fotografia: Edições Novembro

Ao intervir 14ª edição do fórum do Banco CII-EXIM, sobre a “Parceria Índia-África”, Suresh Prabhu notou que a Índia e a África devem tomar medidas firmes para assinar um acordo de livre comércio ou um acordo de comércio preferencial. Para já, de acordo com o ministro, a indústria indiana deve estender todo o apoio aos países africanos, visando processar recursos naturais na própria África.
O governante indiano acrescentou que mesmo que a Índia se torne uma economia de 5 biliões de dólares, nos próximos anos, e uma economia de 10 biliões depois disso, o país se esforça para ajudar a África a manter o seu próprio ritmo de crescimento económico.
Suresh Prabhu referiu que a Índia recebeu influxos recordes nos Indicadores de Desenvolvimento Económico (IDE) no último ano fiscal e os fluxos de investimentos externos indianos também mantêm um contínuo aumento.“A África seria o destino preferido dos investimentos indianos”, sublinhou.
O ministro do Comércio e Indústria e Aviação Civil da da Índia referiu, ainda, que “embora a conectividade física entre as duas regiões esteja a ser fortalecida, a oportunidade de expandir a conectividade digital entre a Índia e a África poderia evitar a necessidade de conectividade de infra-estrutura física generalizada e intensiva em capital”.<br

República do Gana
O vice-Presidente do Gana, Mahamudu Bawumia, foi a principal figura africana presente no “Índia e África: criando parceria global para um mundo melhor”.Para Mahamudu Bawumia, tanto a Índia como o Gana foram motivados por desafios comuns de desenvolvimento num mundo cada vez mais globalizado, tendo referido que o seu país empreendeu várias reformas económicas nas áreas de facilidade de fazer negócios e promoção de investimentos privados, para alcançar a estabilidade no nível macroeconómico.
Segundo o vice-Presidente do Gana, “o comércio e o investimento, investimento em capital humano e digitalização ocupam a chave”, entre as di-
versas áreas prioritárias do país, acrescentando que a experiência da Índia em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são uma grande ajuda para o Gana atingir as suas metas.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/india-quer-livre-comercio-com-o-continente-africano

Angola tem quase 25.000 presos

No dia em que comemora 40 anos de existência, o Serviço Penitenciário vê-se hoje a braços com um dilema: todos os dias entram, nos 40 estabelecimentos espalhados pelo país, mais de 100 reclusos, mas apenas saem em liberdade entre 30 e 40. Numa altura em que existem 24.677 reclusos, a superlotação das cadeias é inevitável. Há, ainda, um esforço, para fazer com que os presos, ao saírem da prisão, tenham uma profissão para os ajudar a reintegrar-se na sociedade.

Fotografia: Edições Novembro

O barulho das máquinas de corte de madeira e o aglomerado de jovens a trabalhar dão vida aos pavilhões de artes e ofícios do Estabelecimento Penitenciário de Viana. Pedro José, 30 anos, condenado a dois anos por posse ilegal de arma de fogo, já cumpriu mais de me-tade da pena. Hoje aprende carpintaria.
Pedro é um dos quase 25 mil reclusos espalhados pelos 40 estabelecimentos prisionais existentes no país. Aconselhado várias vezes pela mulher para deixar o crime, Pedro José nunca ouviu. A justificação foi sempre a falta de emprego. Até que um dia, agrediu o segurança de um estabelecimento comercial, retirou-lhe a arma e passou a assaltar cantinas, no município de Cacuaco. Hoje está na cadeia e aprendeu a lição. “Não há coisa melhor do que viver em liberdade”, conta Pedro José, que não aconselha ninguém a cometer crime.
Encontramo-lo a preparar a madeira para fazer cadeiras, mesas, armários, mesas e portas. Além de aprender uma profissão, Pedro José ainda vê o seu esforço remunerado mensalmente. Ganha nove mil kwanzas que entrega à esposa, durante as visitas. “Na cadeia aprendi que a vida é importante e deve ser respeitada”, declara e acrescenta: “devemos trabalhar, nunca roubar o que é do outro. Estou a ser reabilitado e jamais penso em voltar a roubar quando sair daqui”. A mudança de atitude é também fruto do trabalho de reeducadores e religiosos.
O pavilhão de artes e ofícios movimenta centenas de formandos que aprendem uma profissão. A área de mecânica tem sete jovens a montar e desmontar motores. Outros reparam viaturas. Um sul-africano, 29 anos, detido por tráfico de cocaína e que pede para não ter o nome citado, hoje já vai na segunda profissão na cadeia. Condenado a seis anos, já cumpriu cinco. Aprendeu serralharia e, agora, mecânica, que considera grandes ganhos, além de ter aprendido a falar português. Hoje, só pensa em sair, voltar para o seu país e arranjar empre-go, se possível nas áreas da nova formação. Os conselhos dos reeducadores encorajam-no a lutar com sacrifício na vida.

Profissões para a vida
Os reclusos aprendem carpintaria, serralharia, mecânica e corte e costura. Em Viana, há ainda uma fábrica artesanal de fabrico de sabonetes, cremes e outros detergentes, que são comercializados no mercado nacional, por uma empresa especializada.
Apesar de privados de liberdade, os reclusos agradecem a oportunidade de aprender uma profissão, que os faz prever uma vida melhor, quando saírem da cadeia. É o caso de António Cachilingue, 33 anos, detido por furto de nove milhões de kwanzas de uma empresa. Antigo gerente de vendas, foi condenado a três anos. Cumpriu dois anos e dois meses. Agora carpinteiro, está ansioso em deixar a cadeia e ganhar dinheiro com a nova profissão. Assim também pensa Joaquim Adão, 23 anos. Sente saudades da família, mas o sofrimento é minimizado pelo desejo de sair e montar um negócio de carpinteiro. “Quero me afastar do mundo crime e ganhar a vida”, afirma.

Mulheres detidas
Entre os quase 25 mil detidos nas cadeias do país, também estão mulheres. A cadeia de Viana tem centenas, entre detidas e condenadas. Cada uma com o seu crime. A re-portagem do Jornal de An-gola, encontrou muitas a trabalhar no campo. Umas entregues à agricultura, outras a limpar zonas invadidas pelo capim.
Dentro dos pavilhões, existe uma área onde as mu-lheres aprendem a fazer de-tergentes. Ontem, lá estavam mais de 20, com idades entre os 20 e 40 anos. Aprendem a fazer sabonetes, produtos de higiene e limpeza. Cristina Paulo, 45 anos, foi condenada a 20 anos por morte de um homem. Já cumpriu oito anos. Diz-se arrependida e que sente saudades da família, que reduziu du-rante o tempo que está deti-da. No meio de lágrimas e aos soluços, lamenta que não vai mais poder mostrar ao pai e ao irmão como está mudada. Eles morreram há três anos.
Cristina Paulo aprendeu a fazer cremes, Betadine, óleo para a pele e cabelo, entre outros produtos. A matéria-prima vem de Portugal. O dinheiro ganho manda para os filhos. Outra coisa a tira-lhe o sono: o pagamento da multa de um milhão de kwanzas à família do malogrado, que pode atrasar a liberdade condicional.
No mesmo pavilhão está Marlene Santos, 33 anos. Chegou a Luanda transferida do Namibe, onde matou um jovem, durante uma confusão num bar. Condenada a 21 anos, vê no fabrico de sabonetes, Betadine e creme uma forma de passar o tempo, ganhar dinheiro e ainda preparar-se para a vida em liberdade.

Excesso de prisão preventiva

O Conselho Provincial da Ordem dos Advogados mobilizou mais de 80 advogados para durante dois dias prestarem assistência jurídica a mais de 700 reclusos, entre detidos e condenados, no Estabelecimento Penitenciário de Viana.
Katila Pinto de Andrade, advogada e membro do Conselho Provincial de Luanda da Ordem dos Advogados de Luanda, informou que o objectivo é sensibilizar os advogados para a função social da advocacia.
“Estamos a inteirar-nos da situação prisional do reclusos, saber quem está em prisão preventiva e há quanto tempo”, explica, sublinhando que a ideia é também saber quem já foi condenado, se interpôs recurso, e como estão a andar os processos nos Tribunais. “Se precisam que o advogado se desloque ao Tribunal para consultar um determinado processo, vamos fazê-lo em benefício dos reclusos”, sublinha.
Katila Pinto de Andrade afirmou que, pela conversa preliminar mantida com os reclusos, concluiu que há um número considerável de detidos com problemas de excesso de prisão preventiva.
Diante dessa situação, a Ordem dos Advogados vai indagar as autoridades prisionais sobre a situação, principalmente dos reclusos que não têm advogados constituídos.
Depois, junto do Procurador-geral adjunto para o Serviço Penitenciário, aferir a situação. Trabalho do género foi feito no ano passado nas províncias do Cuanza-Norte e do Bengo.

Quase 25 mil reclusos

O porta-voz do Serviço Penitenciário, Menezes Cassoma, detalha que Angola tem 24.677 reclusos detidos. Destes, 11.068 estão em prisão preventiva e 13.609 condenados.
Em média, segundo o porta-voz, entram diariamente 100 reclusos e saem entre 30 e 40. Em excesso de prisão preventiva estão 2.014 reclusos. Menezes Cassoma explica que o país tem vários estabelecimentos penitenciários com problemas de superlotação, principalmente nas gran-des cidades, como Luan-da, Benguela, Huambo e Cuanza-Sul.
Mais de dois mil reclusos estudam nas cadeias do país, do ensino primário ao médio. Quanto aos cursos técnico-profissionais, os reclusos podem escolher entre carpintaria, serralharia, mecânica, electricidade, corte e costura e electricidade.
Uma preocupação do Serviço Penitenciário tem a ver com a introdução de objectos proibidos, como drogas e telefone. Menezes Cassoma diz que a falta de detectores manuais e raio x tem impedido uma revisão rigorosa aos familiares que vistam os reclusos.
“Devido ao controlo que exercemos, algumas senhoras mudaram de táctica e decidiram levar objectos proibidos escondido nos órgãos genitais, como os telefones e drogas”, explica, sublinhando que todos os dias são detidos visitantes com objectos proibidos. Alguns efectivos facilitam a entrada desses objectos. Quando apanhados, são detidos e submetidos a processo disciplinar.
Menezes Cassoma explicou que os reclusos cujas as penas já expiraram, continuam detidos por falta de dinheiro para o pagamento das multas. “Temos reclusos com as penas expiradas. Quando não paga, o Tribunal converte e pena de prisão”, disse.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/mais-de-100-pessoas-entram-todos-os-dias-nas-cadeias

Atitude de professor emociona a todos

“Seres humanos e não ameaças biológicas”, na República Democrática do Congo

ebola3A tempestade perfeita que une episódios de violência ao surto de ebola na República Democrática do Congo. Pois, agora, a diretora internacional da Médicos Sem Fronteiras abriu o jogo. Segundo Joanne Liu, as organizações estrangeiras que atuam na resposta ao surto (incluindo a dela) falharam em encarar os pacientes locais “como seres humanos e não como ameaças biológicas”. Isso estaria criando um clima de animosidade entre as equipes de saúde e a população, com a última alienada dos esforços para debelar o surto. “Os profissionais estão sendo vistos como o inimigo”, disse ela. E continuou: “As pessoas ouvem constantemente recomendações para lavar as mãos, mas nada sobre a falta de água e sopa. Eles veem constantemente seus parentes sendo aspergidos com cloro e embalados em sacos de plástico, enterrados sem cerimônia. Eles veem seus objetos sendo queimados.”

congo

Dois centros de tratamento do Médicos Sem Fronteiras foram atacados nas últimas semanas, o que levou a ONG a tomar a decisão de fechá-los. O clima no país é “tóxico”, segundo Liu, que avalia que os grupos de ajuda precisam repensar suas táticas, se aproximando de maneiras que as comunidades aceitem, mesmo que isso signifique encerrar a política de isolamento dos doentes e achar meios de tratá-los em casa. Já são sete meses do segundo maior surto da história da doença, com 907 casos e 569 mortes, de acordo com a OMS.

Fonte\; https://outraspalavras.net/outrasaude/

Agroboys na busca de subsídios

agronegocios 1Aos poucos, o agronegócio começa a admitir sua adicção a subsídios

As matérias sobre os custos do agronegócio para o Tesouro Nacional na forma de subsídios, anistias e similares apontam para um rumo ligeiramente diferente dos discursos altaneiros da bancada ruralista. Depois que o ministro da economia trancou o cofre a sete chaves, começam a surgir discursos que admitem que os pedidos por mais e mais subsídios não se coadunam com a narrativa do agro-que-é-tudo. Mas, como qualquer viciado sabe, tirar todos os subsídios de uma vez resultaria em uma quebradeira digna das maiores crises de absenteísmo que se tem notícia. Assim, os agroboys aceitam que se reduza um pouco do subsídio ao Plano Safra e ao crédito à irrigação, desde que se possa solicitar os dois. Pela vontade dos agroboys, o subsídio nas contas de luz também poderia desaparecer, mas mais lentamente do que o previsto. A trincheira principal, agora, é o seguro rural, aquele que o produtor compra para eventualidades como secas, inundações e pragas, todas aquelas coisas desagradáveis que a mudança do clima vem intensificando. Chega a ser irônico ver a bancada ruralista, que tudo faz para aumentar o desmatamento, aumentando assim o ritmo do aquecimento global, pedir ao contribuinte brasileiro que garanta seu lucro bancando um seguro contra a mudança do clima.

Fonte:http://climainfo.org.br/

Boa noticia! Delegado do Amapá de Meio Ambiente usa TI contra desmatamento

amapaDelegado do Amapá usa aplicativo do WRI para caçar desmatadores

É preciso dar destaque às cada vez mais raras boas notícias. Leonardo Brito, titular da Delegacia do Meio Ambiente do Amapá, está usando, a Tecnologia da Informação – TI o appdo Global Forest Watch para monitorar em tempo real o aparecimento de novos focos de desmatamento. O aplicativo, desenvolvido com o apoio do WRI, traz imagens de satélite com resolução suficiente para que Brito identifique e monte uma operação rapidamente. Apesar do Amapá não constar do ranking dos grandes desmatadores, Brito conta que “grileiros invadem e derrubam a mata para colocar gado. Madeireiros ilegais arrasam áreas grandes em busca de madeiras nobres. Querem ipês e cedros, mas derrubam tudo e vendem o resto para virar carvão.”

Ministro diz que permitirá atividades de mineração em Terras Indígenas

mineraDurante o carnaval, o ministro das minas e energia, almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque, foi ao Canadá e soltou uma sequência de declarações de arrepiar em um evento. Disse, por exemplo, estudar a permissão de atividades de mineração em áreas restritas, como as Terras Indígenas e em zonas de fronteira. Mais, egresso do programa nuclear da marinha, o almirante não poderia deixar de falar do programa nuclear brasileiro e, dentre as atividades de mineração, citou explicitamente a de urânio. Posto que o país atravessa uma crise fiscal, o almirante entende que precisará dos investimentos privados para a pesquisa de novos depósitos do metal. Um dos participantes do evento mostrou cautela, dizendo que o mercado está deprimido desde que o acidente de Fukushima provocou o cancelamento de várias novas usinas. Segundo ele, se e quando o mercado voltar a crescer, então a abertura oferecida pelo almirante poderá ser bem-vista. Não contente, o almirante atribuiu o desastre da Vale ao destino: “Quis o destino que, no início do mandato do presidente Bolsonaro, sofrêssemos um novo e doloroso choque com o rompimento de outra barragem de rejeitos.” Posto que o almirante está colocando um esforço pessoal para concluir Angra 3 e, talvez, iniciar a construção de outras usinas, talvez caiba perguntar quais providências estão sendo tomadas para que o tal destino não provoque um acidente nuclear na região mais densamente povoada do país?

Em tempo: ainda sobre a Vale, após o afastamento do presidente Fabio Schvartsman e de parte da diretoria, Miriam Leitão escreve sobre a governança desejável para a corporação: “empresas deixam de existir quando não sabem reagir às grandes crises. A mudança tem que ir muito além da alteração de nomes ou novos truques de publicidade. É preciso um comando para a empresa que consiga fazer uma transição real para uma nova Vale.”

 

Fonte: http://climainfo.org.br/

Aumentou em 54% o desmatamento da Amazônia

desmatamentoO número de janeiro do Boletim do Desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) acusa um aumento no desmatamento na Amazônia de 54% quando comparado ao ocorrido em janeiro do ano passado. Para variar, os estados que mais desmataram foram o Pará e o Mato Grosso. Parte do desmatamento continua ocorrendo em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, o que é crime, e com todos os indícios de crime organizado. É preciso processar e punir os culpados. Alô ministro Moro, vamos combater o crime organizado, o que você diz ser uma prioridade?

 

Fonte:https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/FMfcgxwBVzsMKbVGPWjtpXSHfMJZMMQd

Racismo no Fórum criminal de Campinas, no estado de São Paulo

 

Juíza de Campinas diz que réu não parece bandido por ser branco

Magistrada escreveu que suspeito “não possui estereótipo de bandido” por ter “pele, olhos e cabelos claros”

Sarah Brito | ACidadeON Campinas


Trecho do processo onde juíza escreveu argumentação sobre “estereótipo padrão de bandido”. (Foto: Reprodução) 

A juíza Lissandra Reis Ceccon, da 5ª Vara Criminal de Campinas, escreveu em uma sentença que um acusado de latrocínio “não possui estereótipo de bandido” por ter “pele, olhos e cabelos claros”.  Ela fez a afirmação ao relatar o depoimento de familiares da vítima, que disseram ter reconhecido o suspeito facilmente porque ele não seria igual a outros bandidos.

O réu foi condenado em 1ª instância, em 2016, a 30 anos de prisão. Uma imagem da sentença começou a circular entre advogados de Campinas há uma semana, com críticas à postura supostamente racista da juíza. O processo corre em segredo de Justiça. A condenação foi por um caso de latrocínio ocorrido em 2013 o réu atirou em um homem e em seu neto.

A parte do processo ao qual o ACidadeON Campinasteve acesso fala sobre o réu ter sido reconhecido por uma das vítima sobreviventes e uma testemunha (a filha), sem hesitação de ambas. Essa testemunha uma mulher – tem o depoimento ressaltado pela juíza por tê-lo considerado “forte e contundente”. A juíza afirma que a mulher disse que o réu, ao sair da caminhonete para atirar contra as vítimas, olhou nos olhos de uma delas que sobreviveu.

A magistrada, então, diz que o réu não seria confundido pela testemunha, uma vez que não possui o “estereótipo padrão de bandido”, comprovando, portanto, que seria de fato ele a cometer o crime. O réu negou a autoria do crime e alega inocência.

O QUE DIZ O TJ

Em nota oficial, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) disse que não poderia se posicionar sobre a argumentação da juíza. “Trata-se de uma ação judicial na qual há a decisão de uma magistrada. Não cabe ao Tribunal de Justiça de São Paulo se posicionar em relação aos fundamentos utilizados na decisão, quaisquer que sejam eles. A própria Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), em seu artigo 36, veda a manifestação do TJ-SP e da magistrada.”O TJ-SP orientou ainda que quem se sentir prejudicado deve procurar os “meios adequados para a solução da questão”. A nota também afirma que a Corregedoria Geral da Justiça “está sempre atenta às orientações necessárias aos juízes de 1ª instância, sem contudo interferir na autonomia, independência ou liberdade de julgar dos magistrados.”

A reportagem insistiu para que tivesse contato com a juíza Lissandra Reis Ceccon. O TJ, porém, reafirmou que ela não poderia se manifestar pois também é impedida por lei e, caso o o fizesse, perderia o direito de atuar no processo. O Tribunal, no entanto, assegurou que deu ciência a ela sobre a reportagem.

https://www.acidadeon.com/campinas/cotidiano/cidades/NOT,0,0,1407567,juiza+de+campinas+diz+que+reu+nao+parece+bandido+por+ser+branco.aspx