Sul Africanos votarão para presidente da República

Cerca de 28 milhões de sul-africanos vão amanhã às 23 mil urnas distribuídas pelas nove províncias do país para participar em mais umas eleições, onde o ANC surge novamente como natural favorito tendo na extrema esquerda, através dos Combatentes pela Liberdade Económica, o perigo que pode ofuscar o seu, mesmo assim, mais que esperado triunfo.

Fotografia: Dr

O Congresso Nacional Africano, liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa, surge nas eleições de amanhã entre os 48 partidos participantes como o grande favorito ao triunfo mas, contrariamente ao que sucedeu anteriormente, teve que radicalizar o discurso durante a campanha eleitoral para resistir às posições da extrema esquerda que lhe pretendia roubar eleitores e assim ofuscar a sua esperada vitória.
Neste momento, um dos grandes problemas da África do Sul é a existência de 27 por cento de desempregados e uma sociedade marcada por enormes disparidades e uma corrupção endémica, que Ramaphosa nunca conseguiu combater de modo suficientemente claro.
Durante o último fim-de-semana de campanha, estes problemas ficaram patentes nas intervenções de Ramaphosa e de Julius Malema, que reuniram dezenas de milhares de simpatizantes para os tentar convencer da positividade dos respectivos programas.
O perigo que Julius Malema representa para Cyril Ramaphosa radica no facto de ele estar a ter uma intervenção política que pode seduzir uma larga franja dos eleitores do ANC, beneficiando com isso a extrema-direita e assim encurtar distância em relação à Aliança Democrática, que deverá continuar a ser a segunda força política do país.
No Estádio de Ellis Park, em Joanesburgo, Cyril Ramaphosa assegurou aos seus seguidores a obtenção de uma vitória reconhecendo, contudo, os erros de governação cometidos pelo partido.
Dizendo que o país atravessa um momento histórico, em que os cidadãos devem escolher entre um passado de conflito e um futuro de paz e estabilidade, Ramaphosa pediu aos apoiantes que escolham a esperança ao invés do desespero, a renovação face à estagnação e o crescimento em detrimento do declínio.
Ramaphosa sublinhou que esta foi a mensagem de desejo transmitida pelo povo durante a campanha eleitoral em todo o país, onde disse ter-se reunido com mineiros, camponeses, artesãos, enfermeiros, estudantes, artistas e pensionistas, entre outros.
“Reunimos com pessoas cujas vidas foram transformadas nestes 25 anos de democracia, mas também com aqueles que carecem de trabalho, de casa, de ensino superior e vivem sem acesso à água potável e não contam com instalações sanitárias adequadas”, precisou.
“Cometemos erros e aceitamos as críticas sem reservas”, expressou o líder sul-africano, acrescentando estar disposto a trabalhar com cada sul-africano para construir um país no qual todos possam prosperar.
No Estádio de Orlando, a 20 quilómetros do Ellis Park, em pleno coração do Soweto, Julius Malema disse, por seu turno, aos seus seguidores da extrema-esquerda que se pretende afirmar e mostrar ao ANC que as suas políticas estão erradas e que já não consegue convencer os sul-africanos das suas intenções.
Apostando na captação do eleitorado jovem, precisamente aquele que mais tem sentido na pele os erros de governação do ANC, Malema disse claramente que apenas ele está em condições de garantir um futuro melhor para todos os sul-africanos, uma vez que “os homens do ANC estão todos demasiado comprometidos com um passado obscuro.”
Segundo a mais recente sondagem, o ANC conseguirá obter a maioria dos votos, surgindo depois a Aliança Democrática com percentagens que a lei não deixa divulgar e que neste momento não são perceptíveis devido a alguma incerteza sobre a influência que os Combatentes pela Liberdade Económica podem ter junto das bases do partido de Ramaphosa.
Ainda no passado fim-de-semana, Mmusi Maimane, líder da Aliança Democrática, apelou, tal como Julius Malema, aos desiludidos com o ANC para que tenham  coragem para votar na mudança que garantiu ser protagonizada pelo seu partido.

O problema do xenofobismo
Na recta final da campanha, o Governo foi fortemente pressionado por diversas organizações nacionais para processar os responsáveis pela mais recente onda de ataques xenófobos.
Diversas organizações de defesa dos direitos humanos desafiaram o Governo a encetar investigações “sérias e profundas” para processar criminalmente os responsáveis pelos ataques a cidadãos estrangeiros no país que ocorreram entre os dias 25 de Março e 2 de Abril.
Para as mesmas organizações, o Governo tem que “fazer muito mais do que simplesmente condenar o que se passou”, pelo que defendem que deve ser criada uma equipa especial de investigação para conduzir ao apuramento dos responsáveis e para evitar que situações do tipo se voltem a repetir.
O Presidente Cyril Ramaphosa, numa declaração feita no início do mês, condenou os ataque e disse que a Polícia estava no encalço dos responsáveis, mas a verdade é que até agora não foram efectuadas detenções relacionadas com o caso, nem as autoridades forneceram informações oficiais sobre o número de vítimas desses ataques xenófobos.

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