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Como o apartheid prejudicou a educação na África do Sul

Quais os motivos de o país estar tão atrasado em relação às outras nações?

Como o apartheid prejudicou a educação na África do Sul
A diferença das notas dos testes entre 20% das melhores escolas e o resto é maior do que em quase todos os outros países (Foto: Pixnio)

Em uma pesquisa de avaliação de sistemas educacionais elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) em 2015, a África do Sul foi classificada em 75º lugar no ranking de 76 países. Em novembro, no Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS), um teste quadrienal de avaliação do conhecimento em matemática e ciências realizado com 580 mil alunos em 57 países, a África do Sul ficou na última posição ou quase na última em diversos rankings, embora sua pontuação tenha melhorado desde 2011.

O nível de conhecimento das crianças é inferior ao de outras regiões pobres do continente. Uma proporção de 27% dos alunos que frequentaram a escola durante seis anos não sabem ler, em comparação com 4% na Tanzânia e 19% no Zimbábue. Depois de cinco anos na escola quase metade dos alunos não sabe que o resultado da divisão de 24 por três é oito. Só 37% das crianças que se matriculam na escola são aprovadas no exame de seleção; apenas 4% concluem os estudos.

De acordo com Nic Spaull da Universidade de Stellenbosch, a África do Sul tem um sistema educacional mais desigual do mundo. A diferença das notas dos testes entre 20% das melhores escolas e o resto é maior do que em quase todos os outros países. Dos 200 alunos negros que frequentam a escola só um tem um desempenho suficiente para estudar engenharia. Dez alunos brancos têm o mesmo resultado.

Muitos dos problemas são originários do apartheid. Segundo a Lei de Educação Bantu promulgada em 1953, os brancos teriam uma educação melhor do que os negros. A segregação racial era tão forte que, na opinião de Hendrik Verwoerd, o futuro primeiro-ministro na época encarregado da educação no país, os negros receberiam uma educação suficiente para serem apenas “rachadores de lenha e carregadores de água”.

Os alunos negros recebiam cerca de um quinto dos recursos destinados aos estudantes brancos. No currículo deles o ensino de matemática e ciências era quase inexistente. Muitas das escolas independentes administradas pelas igrejas, que ofereciam uma boa educação nos bairros de negros fecharam.

Depois que Nelson Mandela foi eleito presidente em 1994, o governo expandiu o acesso à escolaridade. O governo também substituiu o sistema educacional baseado na segregação racial pela divisão de riqueza. As escolas em áreas mais pobres recebiam mais financiamento do Estado. As escolas em áreas mais ricas podiam cobrar uma mensalidade.

Em teoria, essas escolas tinham de aceitar crianças cujos pais não podiam pagar as mensalidades. Na prática eram fortalezas de privilégios. Ainda existem cerca de 500 escolas construídas com lama, sobretudo na província do Cabo Oriental. Por sua vez, a província do Cabo Ocidental tem um dos maiores campus do hemisfério sul, com gramados para o jogo de críquete e croquet.

No entanto, o dinheiro não é o responsável pela situação educacional lamentável da África do Sul. Poucos países gastam tanto com educação, com retornos tão medíocres. Os gastos com a educação no país equivalem a 6,4% do PIB; a média nos países da União Europeia (UE) é de 4,8%. Ainda mais importante do que o dinheiro é a ausência de cobrança de resultados e a péssima qualidade da maioria dos professores. O Sindicato Democrático dos Professores da África do Sul (SADTU), aliado ao Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido político do país, é um elemento decisivo no fracasso do ensino na África do Sul.

http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/como-o-apartheid-prejudicou-a-educacao-na-africa-do-sul/

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Direitos humanos em crise em Angola e Moçambique

A crise e a repressão governamental afetaram os direitos humanos em Angola em 2016, conclui a Human Rights Watch no seu relatório internacional anual. Em Moçambique, as violações aumentaram devido ao conflito militar.

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Os direitos humanos em Angola foram afetados em 2016 pela “contínua repressão governamental” e pela “pior crise económica” vivida desde o fim da guerra civil, lê-se no relatório da Human Rights Watch  (HRW) lançado esta quinta-feira (12.01) e relativo a 2016.

Segundo a organização, a crise provocada pela quebra da cotação internacional de petróleo pôs fim a uma década de forte crescimento do país, o segundo maior produtor de crude de África, expondo “problemas não resolvidos” provocados por “anos de corrupção, má gestão de fundos públicos e controlo político das instituições”.

Como exemplo, a HRW refere que o apelo à aceleração da diversificação da economia angolana, baseada no petróleo mas com forte potencial na agricultura, está a levar a “aquisições massivas de terrenos pelo Governo e investidores privados”. Por vezes com “despejos à força e outras violações, incluindo na capital”, é referido no documento.

defaultCrise económica afetou a saúde em Angola

A crise afetou igualmente o setor público da saúde e acesso a cuidados médicos, com quase 3.000 mortos devido à malária apenas no primeiro trimestre do ano. As mortes por malária afetaram sobretudo crianças, recordando que Angola continua a ter uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo, em que “uma em cada cinco crianças não sobrevive até aos cinco anos”.

Nesta análise ao ano passado, a organização refere igualmente que as forças de segurança continuaram a “reprimir os ativistas pró-democracia”, travando protestos pacíficos cuja realização está prevista na Constituição angolana. “O Governo constantemente bloqueia protestos antigovernamentais pacíficos com intimidação e detenções e, quando os protestos pacíficos acontecem, frequentemente enfrentam força excessiva e detenções arbitrárias”, lê-se no relatório da HRW.

É também recordado o caso dos 17 ativistas detidos em 2015, em Luanda, que acabaram condenados em março do ano passado por crimes de associação de malfeitores e rebelião a penas de prisão efetiva de até oito anos e meio. O grupo foi libertado em junho, quando já tinha cumprido cerca de três meses de pena, após recurso da defesa e beneficiou já em setembro de uma amnistia aprovada no Parlamento para todos os crimes com penas até 12 anos, exceto os de sangue.

Abusos em Moçambique

No caso de Moçambique, a HRW alerta que “as violações de direitos humanos aumentaram em Moçambique em 2016, devido a uma tensão crescente e confrontos armados entre o Governo e o antigo movimento rebelde, atual partido político, Resistência Nacional Moçambicana [RENAMO]”.

Segundo a organização, as forças de segurança do Governo “foram credivelmente implicadas em abusos nas operações contra a RENAMO”, incluindo execuções sumárias e violência sexual, que levaram milhares de pessoas a abandonar o país.

Refugiados moçambicanos no Malaui disseram que soldados de uniforme, alguns conduzindo veículos do exército, executaram sumariamente habitantes masculinos na província de Tete em fevereiro de 2016, ou amarraram-nos e levaram-nos para locais desconhecidos”, segundo testemunhos citados pela HRW, que apontaram também incêndios de casas, celeiros e campos de milho de residentes na região, acusados de alimentar os guerrilheiros da RENAMO.

defaultRefugiados moçambicanos em Kapise, no Malawi

A organização cita um relatório da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, que em abril também denunciou execuções sumárias por parte das forças do Governo, mas igualmente abusos cometidos por combatentes da RENAMO contra pessoas que achavam que estavam a cooperar com a outra parte.

A HRW alerta para os “assassínios não resolvidos” de pelo menos 15 pessoas não identificadas que diz terem sido encontradas debaixo de uma ponte por residentes numa zona remota das províncias de Sofala e Manica, apesar de a descoberta ter sido realizada por um grupo de jornalistas e depois terem sido confirmados mais corpos ao abandono na mesma região.

Repressão na Guiné Equatorial

Corrupção, pobreza e repressão persistem na Guiné Equatorial, onde Teodoro Obiang Nguemaé o mais antigo Presidente do mundo, segundo um relatório da HRW, que alerta que faltam serviços básicos, apesar da enorme riqueza do país.

“Grandes receitas do petróleo proporcionam estilos de vida luxuosos a uma elite à volta do Presidente, enquanto a grande maioria da população continua na pobreza. Má gestão de fundos públicos, alegações credíveis de elevada corrupção e outros abusos sérios, incluindo tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, repressão de grupos da sociedade civil e de políticos da oposição e julgamentos injustos persistem”, comenta, no relatório, a HRW.

defaultTeodoro Obiang está no poder desde 1979

A Guiné Equatorial, um dos cinco maiores produtores de petróleo da África subsaariana, tem, “de longe”, o maior intervalo entre a riqueza ‘per capita’ (o PIB per capita era de 21.056 dólares em 2014) e o índice de desenvolvimento humano (138.º lugar em 188 países), revela o relatório mundial da organização de defesa dos direitos humanos, relativo a 2016.

“Apesar da riqueza do país, dada a abundância do recurso natural, a Guiné Equatorial foi incapaz de garantir serviços básicos cruciais”, aponta o documento, revelando que metade da população (cerca de um milhão de habitantes) não tinha acesso a água potável e um quarto das crianças tinham má nutrição e nunca tinham sido vacinadas, em 2011. No ano passado, 42% das crianças não frequentavam a escola e apenas metade dos menores que iniciam a escola primária terminam este ciclo, acrescenta.

Quanto à liberdade de expressão, o relatório revela que os poucos órgãos de comunicação privados que existem na Guiné Equatorial estão ligados ao círculo de Obiang.  “A liberdade de associação e reunião é severamente restringida” e os “poucos ativistas locais enfrentam frequentemente intimidação, perseguição e represálias”, diz ainda.

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Refugiados gambianos chegam à Guiné-Bissau

Mais de 400 refugiados gambianos chegaram à Guiné-Bissau nos primeiros dias de Janeiro

 Já atingiu a cifra de demais de 400, o número de refugiados em fuga da Gâmbia, que entraram na Guiné-Bissau entre os dias 06 e 09 deste mês, disse esta quarta-feira à Lusa o secretário-executivo da Comissão de Apoio aos Refugiados na Guiné-Bissau, Tibna Sambé Na Wana,que ilustrou a situação com base em dados fornecidos pela Nações Unidas na localidade guineense de São Domingos, a partir de registos feitos no posto fronteiriço de Djegue, que separa a Guiné-Bissau do Senegal. Guiné-Bissau não faz fronteira com a Gâmbia, por isso Sambe Na Wana admitiu que as pessoas vindas da Gâmbia estavam a entrar no território guineense a partir de outras localidades.

A Gâmbia vive um período de tensão e de agitação política com o aproximar da data limite fixada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para avançar com uma intervenção militar caso o Presidente Yaya Jammeh não abandone o poder. Entretanto Jammeh continua a recusar-se a deixar o poderapesar de a CEDEAO lhe ter dado até dia 19 deste mês de janeiro como data limite para sair do poder, depois do que poderia passar ao uso da força.

Esta terça-feira 9 de Janeiro Yahya Jammeh, acusou em Banjul, a existência de “ingerências estrangeiras sem precedentes” no seu país, e apelou a uma solução pacífica do contencioso eleitoral que tem com a oposição. A declaração do Presidente gambiano surge algumas horas depois que o Tribunal Supremo se declarou incompetente para decidir sobre o pedido de Jammeh de apreciar a questão da fraude eleitoral. Jammeh é de opinião que os gambianos podem reunir-se para encontrar uma solução, sem ingerência estrangeira.

http://pt.radiovaticana.va/news/2017/01/12/refugiados_gambianos_chegam_%C3%A0_guin%C3%A9-bissau/1285196

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Nigéria retoma posição de principal produtor de petróleo em África

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Angola foi ultrapassada pela Nigéria como o principal produtor de petróleo em África em Novembro de 2016, de acordo com os dados incluídos no mais recente relatório mensal do mercado petrolífero da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Angola, que durante sete meses consecutivos manteve a primeira posição, obteve uma produção de 1,688 milhões de barris em Novembro, número que representa um aumento mensal de 181 mil barris, inferior ao valor comunicado pela Nigéria de 1,782 milhões de barris, que deriva de um aumento mensal de 391,9 mil barris por dia.
Estes valores são anteriores aos recentemente anunciados pelos países membros da OPEP, depois do acordo alcançado no seio do cartel para reduzir a produção a fim de fazer aumentar o preço do barril, tendo Angola já anunciado que ia reduzir a produção em 78 mil barris por dia.
O relatório da OPEP inclui outra tabela de produção de petróleo baseada em fontes secundárias, sendo que nesta tanto Angola como a a Nigéria apresentam a mesma produção – 1,692 milhões de barris por dia – embora com aumentos mensais de 124,8 mil barris por dia de Angola e de 62,7 mil barris por dia da Nigéria.
A Nigéria perdeu a primeira posição na lista dos maiores produtores de África em favor de Angola no princípio do ano transacto, na sequência de ataques terroristas contra instalações petrolíferas na região do Delta do Níger.
A partir do primeiro dia do ano, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) ajustou a produção diária do petróleo do país a um milhão e 673 mil barris, o que corresponde à meta atribuída pela OPEP ao país.
A medida resulta do acordo entre os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de 30 de Novembro do ano passado, em reduzir a produção de petróleo bruto de 33.7 milhões para 32.5 milhões de barris por dia.
A redução estabelecida pela OPEP visa elevar o preço do barril de petróleo bruto no mercado internacional. O corte de produção diária para Angola é de 78 mil barris em relação ao valor de referência considerado pela OPEP de um milhão e 751 mil barris dia.
A Sonangol instruiu formalmente os diferentes operadores em Angola sobre os limites de produção mensais por concessão, baseado no potencial de produção actual de cada uma delas e a programação de intervenções nas mesmas, acrescenta a nota. A produção da OPEP caiu 310 mil barris por dia (bpd) em Dezembro influenciada, sobretudo, pelas interrupções na produção petrolífera na Nigéria. Com uma queda de 200 mil barris – para os 1,45 milhões de barris por dia em Dezembro -, a produção petrolífera da Nigéria perdeu três meses de ganhos no último mês de 2016,  quando teve dificuldades para repor a capacidade de produção afectada por ataques militares a infra-estruturas de produção um ano antes. A produção da Arábia Saudita caiu cerca de 50 mil bpd, enquanto a da Venezuela caiu 40 mil.
“A produção do crude na Nigéria, em Dezembro, teve um impacto significativo uma vez mais, em grande parte devido à manutenção de um campo de produção, bem como de uma greve dos trabalhadores portuários”, disse a agência de notícias económicas Bloomberg Amrita Sen, analista da consultora Energy Aspects, em Londres. A queda da produção em Dezembro acontece numa altura em que a OPEP, que controla 40 por cento da oferta mundial, leva avante o acordo estabelecido em Novembro para limitar a produção do petróleo e equilibrar o mercado.
O acordo, que inclui países não membros da OPEP como a Rússia, revela-se histórico, nota a Bloomberg, porque o corte estabelecido foi de 1,8 milhões de barris por dia a partir deste mês de Janeiro.
Apesar da queda verificada na produção do petróleo, no total, a OPEP produziu 33,1 milhões de barris por dia em Dezembro último, declararam analistas consultados pela Bloomberg.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/nigeria_retoma_posicao_de_lider_africano

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Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro Africana preocupam o continente

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O Presidente de Angola,  José Eduardo dos Santos considerou “inquestionável” que o “atual espírito unipolar nas relações internacionais” conduziu o mundo a um período difícil, marcado por conflitos militares em várias partes do globo, pelo clima de incerteza política e pela crise econômica e financeira.
Para o Chefe de Estado angolano só o regresso aos “parâmetros do multilateralismo universal” permitiria sair desse momento difícil que o mundo vive atualmente. “São muitos os problemas a que a comunidade internacional tem de fazer face, e só colocando acima de tudo a vontade política, o espírito de diálogo e o cumprimento dos princípios e normas do Direito Internacional será possível encontrar soluções para esses problemas”.

O Presidente da República defendeu uma visão “mais realista, pragmática e tolerante” num cenário internacional em que urge inverter-se a “inércia negativa dos conflitos”, com a ONU e outras instituições internacionais a terem um papel cada vez mais ativo na resolução dos problemas internacionais. O líder angolano realçou o consenso de que a paz é fundamental para o desenvolvimento e progresso dos povos e nações, para a promoção da democracia e para a salvaguarda dos direitos humanos. Líder em exercício da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos pediu que seja dado maior apoio a África na luta contra o terrorismo, o radicalismo religioso e a sua expansão pelo continente.
E citou os casos de maior preocupação na região. O Sudão do Sul, que enfrenta um problema de insurreição e precisa de uma “verdadeira reconciliação”, a RDC onde tarda a aplicação dos acordos entre o governo e a oposição para a realização de eleições até Dezembro deste ano, e se restabeleça a confiança no sistema democrático vigente, e a República Centro Africana que, depois do processo de transição que culminou em eleições e formação do Governo, e outras instituições, continua a precisar de apoio para a conclusão da pacificação e estabilização.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mundo_espera_forte_accao_da_onu

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Angola investirá em projetos de jovens empreendedores

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O Executivo aprovou ontem a criação de um fundo de apoio a projectos de jovens empreendedores. O “Projovem” tem um valor global de quatro mil milhões de kwanzas e vai ser operacionalizado pelo Banco Angolano de Desenvolvimento (BAD).

Trata-se de uma linha de crédito para o jovem empreendedor que decida abraçar uma atividade empresarial em áreas como hotelaria e turismo, comércio e prestação de serviços, indústria, agricultura, pecuária, pescas, tecnologias de informação e comunicação, e empreendedorismo cultural. “Esta linha de crédito será assegurada pelo BDA e o que foi aprovado aqui foram as regras, os princípios e a forma como a linha irá funcionar e os mecanismos para acesso a esse fundo”, disse o ministro da Juventude e Desportos, que espera por um longo período de estabilidade financeira de modo a evitar-se constrangimentos na implementação do fundo.
O fundo de apoio ao jovem empreendedor prevê um montante limite por projecto equivalente a 200 mil dólares norte-americanos. “Este é de facto o limite por projecto e depois há uma série de requisitos que os empreendedores terão que observar para terem acesso a esse financiamento”, referiu.
“Queremos que seja um processo transparente, sem burocracias e com a credibilidade junto dos jovens de uma maneira geral”, declarou o ministro da Juventude e Desportos, antes de avançar com alguns dos requisitos: apresentar um projeto idôneo, não ser devedor da banca, seja pública seja privada, ter certificação de micro, pequena ou média empresa passada pelo Inapem, e ter formação básica do Instituto Nacional de Formação Profissional (Inefop). Para Albino da Conceição, esses requisitos visam conferir credibilidade junto do público-alvo e o envolvimento do Conselho Nacional da Juventude e do Instituto Nacional da Juventude deve reforçar ainda mais essa credibilidade, na medida em que os jovens empreendedores possam beneficiar-se.
Para já, disse, está dado o primeiro passo, que foi o da aprovação das regras. Vem de seguida a publicação do diploma e o Conselho Nacional da Juventude terá a incumbência de disseminar as informações sobre o fundo, desde o órgão central aos conselhos provinciais.

 

Ref.:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/4_mil_milhoes_para_jovens

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África é crucial para o Brasil exercer liderança em biocombustíveis, aponta estudo

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Os biocombustíveis ainda representam uma oportunidade para o Brasil exercer sua capacidade de liderança global no setor de energia renovável. Mas o país precisa ter a África como parceira para promover o aumento da escala de produção e o comércio internacional de etanol da cana-de-açúcar. E, antes, é preciso superar obstáculos internos à implementação de uma política de energia limpa. As mudanças na política externa brasileira nos últimos anos – em que a África deixou de ser prioritária –, somadas às decisões sobre o controle de preços dos combustíveis no Brasil e à queda da cotação do petróleo, contudo, têm reduzido a capacidade de o país exercer essa liderança global e atingir os objetivos de sua “diplomacia do etanol” – como ficou conhecida a política lançada durante o primeiro governo Lula (2003-2006) e quase que abandonada a partir de 2009, depois da descoberta do pré-sal, voltada a promover a produção de biocombustíveis, especialmente o etanol, no mundo.slide9


A avaliação foi feita por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Etanol – um dos INCTs financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e do Centro de Processos Biológicos e Industriais para Biocombustíveis (CeProBIO), também apoiado pela FAPESP, em colaboração com colegas da University of Leeds e da University College London, da Inglaterra. O estudo foi publicado na revista Global Environmental Politics.

“Durante o final do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso [1999-2002] e início do primeiro governo Lula houve uma intensificação das relações diplomáticas e econômicas entre o Brasil e os países do continente africano, mas que arrefeceram durante o primeiro governo Dilma [2011-2014]”, disse Marcos Buckeridge, coordenador do INCT do Bioetanol e um dos pesquisadores do CeProBIO, à Agência FAPESP.

“As mudanças de direção na política externa brasileira – em que as relações com a África praticamente foram abandonadas –, seguidas pela crise econômica e a decisão do país em apostar no petróleo com a descoberta do pré-sal, tornaram os objetivos da diplomacia do etanol mais distantes”, avaliou.

De acordo com os pesquisadores, o Brasil tem uma longa tradição na produção de biocombustíveis, com base na produção de etanol de primeira geração proveniente da cana-de-açúcar.

Consequentemente, o país tem desenvolvido conhecimento científico e tecnológico para o melhoramento de cana e produção de etanol.

Esse conhecimento poderia ser difundido para outros países por meio de transferência de tecnologia, intercâmbio de melhores práticas e investimentos no setor privado.

Dessa forma seria possível transformar o Brasil em um líder mundial em bioenergia e criar um mercado global de biocombustíveis – com diversos países não apenas consumindo, mas também produzindo combustíveis renováveis –, que representam os objetivos centrais da “diplomacia do etanol”.

“O continente africano é vital para que o Brasil consiga realizar essas ambições da ‘diplomacia do etanol’ porque possui condições climáticas e agrícolas favoráveis e disponibilidade de terra para o plantio de cana”, afirmou Buckeridge.

“A replicação do modelo de produção do etanol brasileiro em savanas africanas, por exemplo, representaria uma oportunidade de o Brasil demonstrar sua liderança e aumentar sua visibilidade, posicionando-se de forma estratégica em um mercado global emergente e criando oportunidades para expansão do setor de bioenergia”, avaliou o pesquisador.

Mudanças de planos

Em razão do papel crucial da África, o país procurou estabelecer uma série de parcerias bilaterais com nações africanas a partir dos anos 2000, assim como parcerias trilaterais, envolvendo a União Europeia e os Estados Unidos.

Durante o governo Lula, foram assinados acordos para produção de biocombustíveis com países africanos, como Egito, África do Sul, Libéria, Quênia, Zimbábue, Angola, Sudão e Malawii, onde a produção de biocombustíveis tem avançado mais.

No entanto, condições climáticas desfavoráveis, combinadas com a crise econômica global em 2008 e políticas adotadas pelo governo Dilma – que, para controlar a inflação, nivelou os preços da gasolina e do diesel e cortou impostos da gasolina, mas não do etanol –, fizeram com que o setor sucroenergético brasileiro mergulhasse em uma crise.

Consequentemente, houve uma diminuição no entusiasmo por biocombustíveis também na África nos últimos anos, apontaram os autores da pesquisa com base em uma série de entrevistas feitas com integrantes da cadeia de biocombustíveis no Brasil, África e União Europeia.

“Quando se começou a abandonar o etanol no Brasil e a privilegiar o petróleo, a partir da descoberta do pré-sal, diminuiu a confiança dos africanos que começaram a procurar novos parceiros, como a União Europeia”, disse Buckeridge.

Perspectivas

Algumas das principais conclusões dos pesquisadores são que o Brasil dispõe de recursos materiais e científicos para exercer uma liderança global na promoção de biocombustíveis.

A situação interna e as restrições orçamentárias do país, entretanto, têm limitado a capacidade dos atores dos setores público e privado de se envolver em ações relacionadas a biocombustíveis no exterior.

“O Brasil continua sendo líder em biocombustíveis e tem um potencial enorme de exercer uma liderança global nessa área. Mas essa liderança é ameaçada por questões domésticas”, avaliou Buckeridge.

A liderança brasileira em biocombustíveis nos últimos anos foi comprometida pela mudança significativa na percepção internacional dos combustíveis renováveis e pela dinâmica da política e da economia global, apontam os autores.

“Para o Brasil alcançar sua meta de liderança global na arena de biocombustíveis um primeiro passo vital será reconsolidar sua visão doméstica sobre esse tema. Isso permitiria ao país aproveitar as inovações tecnológicas em biocombustíveis avançados, que poderiam mudar a maré em relação aos combustíveis renováveis no cenário internacional”, estimam.

O artigo “Unpacking Brazil’s leadership in the global biofuels arena: brazilian ethanol diplomacy in Africa” (doi: 10.1162/GLEP_a_00369), de Buckeridge e outros, pode ser lido na revista Global Environmental Politics emwww.mitpressjournals.org/doi/abs/10.1162/GLEP_a_00369#.WGvoI9IrIdU.

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Boa notícia! Nigéria implementa seu primeiro sistema de ajuda social para os mais pobres

‘Lagos – O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, decidiu esta terça-feira, em Lagos, implementar uma das suas promessas eleitorais, ao atribuir uma ajuda financeira mensal aos mais pobres e aos mais vulneráveis, uma ideia que começa a tornar-se padrão comum em África, noticiou a AFP. Diversas missões  diplomáticas nigerianas estiveram no Brasil para conhecer os programas sociais.

MUHAMMADU BUHARI – PRESIDENTE DA NIGÉRIA

FOTO: ERIC PIERMONT

A partir desta data até final de 2017, um milhão de Nigerianos receberão 5.000 nairas por mês (cerca de 25 dólares), através de uma conta bancária especificamente aberta para esta ajuda.

O número de beneficiários deverá aumentar para cinco milhões de pessoas até 2021.

O governo espera que com esta ajuda, os beneficiários poderão comprar alguns animais, enviar os filhos para a escola e criar um pequeno comércio, explicou Mariam Uwais, conselheira especial da Presidência para as questões sociais.

A primeira fase custará cerca de três mil milhões de dólares americanos, em três anos, e o Banco Mundial que supervisiona o processo de selecção dos beneficiários e enquadra o projecto, financiou 500 milhões de dólares, que devem ser aprovados pelo Parlamento nigeriano.

Em 2015, o vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo, calculou em 110 milhões o número de Nigerianos que não teriam estabilidade em termos de alimentação, saúde, e educação.

Na Nigéria, o salário mínimo é equivalente a 54 Euros, muito baixo em relação ao custo de vida no país.

O Banco Mundial encoraja este tipo de programas em pelo menos 30 países africanos, para aumentar o consumo, o uso dos serviços de Saúde e da Educação, permitindo também aos mais pobres enfrentar os choques económicos, segundo, Funke Olufon.

Segundo as previsões do BM, na Côte D’Ivoire, aonde 58 porcento da população vive na pobreza, mas que apresenta mais 7,8 porcento de crescimento, em 2016), está em curso um programa similar.

A partir do final de Janeiro, cinco mil lares pobres do meio rural deverão ganhar trimestralmente 36 mil F CFA (55 Euros), até  2020, uma ajuda que deverá atingir 35 mil lares.

No Senegal, estão em curso alguns programas. Em 2017, pelo menos 300 mil lares beneficiarão de bolsas alocadas pelo Estado, num valor estimado em 25 mil F CFA (38 Euros) por trimestre, indicou o delegado geral da Protecção social e Solidariedade nacional, Anta Sarr Diacko, o que representa 2 porcento da população.

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As economias da África Subsaariana devem crescer 2,9 % em 2017

011_geografia_01No seu mais recente relatório sobre as Perspectivas Econômicas Globais, o Banco Mundial espera que o produto interno bruto (PIB) mundial tenha este ano um crescimento real de 2,7 por cento, face aos 2,3 do ano passado. As economias da África Subsaariana devem crescer 2,9 por cento este ano,  alega o Banco Mundial no seu relatório divulgado ontem em Washington.
“O crescimento da África Subsaariana deve ter um aceleramento modesto de 2,9 por cento em 2017, à medida que a região continua a ajustar-se a preços mais baixos dos produtos básicos”, lê-se no relatório intitulado “Perspectivas Econômicas Globais: investimento fraco em tempos incertos.”
“Segundo as estimativas, o crescimento na região da África Subsaariana caiu para 1,5 por cento em 2016, o ritmo mais lento em duas décadas, à medida que as economias de exportação de preços de produtos básicos se ajustavam a preços baixos”, lê-se no relatório. O informe realça que “os países exportadores de petróleo, que contribuíram dois terços da produção regional, foram responsáveis pela maior parte da retracção, ao passo que a actividade em economias sem uso intensivo de recursos, geralmente permaneceu sólida”.

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OPAS/OMS divulga alerta epidemiológico sobre febre amarela para as Américas

09.01.17 - vacinafasite10 de janeiro de 2017 – A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) divulgou na tarde desta segunda-feira (9) uma atualização de alerta epidemiológico sobre febre amarela para a Região das Américas. O documento informa que, desde 2016, Brasil, Colômbia e Peru reportaram casos confirmados da doença. A febre amarela é uma enfermidade hemorrágica viral aguda transmitida por mosquitos infectados. Pode ser prevenida por uma vacina eficaz, segura e acessível.

No ano passado, o Brasil confirmou seis casos de febre amarela em humanos (sendo um importado da Angola) e, na sexta-feira passada (6 de janeiro de 2017), o país notificou à OPAS/OMS a ocorrência de 23 casos suspeitos e prováveis da doença, incluindo 14 mortes no estado de Minas Gerais (cujas causas ainda estão sendo investigadas).

Na Colômbia, foram reportados no ano passado 12 casos de febre amarela silvestre (ou selvagem), dos quais 7 confirmados em laboratório e 5 prováveis. Conforme já indicado na atualização epidemiológica sobre febre amarela divulgada em 14 de dezembro de 2016, a confirmação de casos nos departamentos colombianos de Vichada (fronteira com a Venezuela), Chocó (fronteira com o Panamá) e Guainía (fronteira com Venezuela e Brasil), representam um risco de circulação do vírus para esses países fronteiriços, especialmente em áreas onde compartilham o mesmo ecossistema.

No Peru, foram notificados 80 casos de febre amarela silvestre no ano passado, dos quais 62 confirmados e 18 classificados como possíveis, incluindo 26 mortes.

Tendo em vista o aumento no número de casos confirmados de febre amarela em países das Américas, assim como o crescimento de epizootias de febre amarela em primatas não humanos, a OPAS/OMS recomenda que os Estados Membros continuem seus esforços para detectar, confirmar e manejar casos de febre amarela em um contexto de circulação de diversas arboviroses (como zika, dengue e chikungunya).

Para isso, é importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e treinados para detectar e tratar casos especialmente em áreas de circulação do vírus. A OPAS/OMS insta os Estados Membros a implementar as ações necessárias para informar e vacinar viajantes que se dirigem para áreas onde a certificação da vacina contra a febre amarela é obrigatória.

A Organização não recomenda qualquer restrição de viagem ou comércio com países em que houver surtos de febre amarela.

Transmissão
O vírus da febre amarela é um arbovírus do gênero flavivírus, transmitido por mosquitos pertencentes às espécies Aedes eHaemagogus. Ambas vivem em diferentes habitats – algumas em volta das casas (domésticas), outras na floresta (silvestres) e algumas nos dois locais (semi-domésticas).

Populações em risco
Quarenta e sete países da África (34) e das Américas Central e do Sul (13) são endêmicos ou possuem regiões endêmicas de febre amarela. Um estudo modelo baseado em fontes de dados africanas estima que em 2013 a febre amarela foi responsável por 84.000 a 170.000 casos graves e 29.000 a 60.000 mortes.

Ocasionalmente, viajantes que visitam países endêmicos podem levar a febre amarela para outros locais livres da doença. Com o objetivo de impedir a importação da enfermidade, muitos governos exigem comprovante de vacinação contra febre amarela antes de emitir o visto, particularmente no caso de viajantes que vêm de ou visitaram áreas endêmicas.

Efeitos secundários
No mundo, são raros os relatos de efeitos secundários graves da vacina contra febre amarela. O risco é maior para pessoas com idade acima de 60 anos e qualquer pessoa com imunodeficiência grave devido aos sintomas do HIV/aids e outras causas, como disfunções na glândula timo. Pessoas com mais de 60 anos devem receber a vacina após avaliação cuidadosa de risco-benefício.

A vacina contra a febre amarela não deve ser administrada em:

  • Pessoas com doença febril aguda, cujo estado de saúde geral está comprometido
  • Pessoas com histórico de hipersensibilidade a ovos de galinha e/ou seus derivados
  • Mulheres grávidas, exceto em uma emergência epidemiológica e situações em que há recomendação expressa de autoridades de saúde
  • Pessoas severamente inmunodeprimidas por doenças (por exemplo, cancro, leucemia, aids etc.) ou medicamentos
  • Crianças com menos de 6 meses de idade (consulte a bula do laboratório da vacina)
  • Pessoas de qualquer idade com uma doença relacionada ao timo

Principais fatos
A febre amarela é uma doença hemorrágica viral aguda transmitida por mosquitos infectados. O termo “amarela” se refere à icterícia que acomete alguns pacientes.

  • Os sintomas de febre amarela são febre, dor de cabeça, icterícia, dores musculares, náusea, vômitos e fadiga.
  • Uma pequena proporção de pacientes que contraem o vírus desenvolve sintomas graves e aproximadamente metade deles morre entre 7 e 10 dias.
  • O vírus é endêmico em áreas tropicais da África, América Central e América do Sul.
  • Desde o lançamento da “Yellow Fever Initiative” (ação liderada pela OMS) em 2006, foram feitos progressos significativos no combate à doença na África Ocidental e mais de 105 milhões de pessoas foram vacinadas em campanhas de massa. Não foram notificados focos de febre amarela na África Ocidental durante 2015.
  • Grandes epidemias de febre amarela ocorrem quando pessoas infectadas introduzem o vírus em áreas densamente povoadas, com alta densidade de mosquitos e onde a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma imunidade devido à falta de vacinação. Nessas condições, mosquitos infectados transmitem o vírus de pessoa para pessoa.
  • A febre amarela pode ser prevenida por uma vacina eficaz, segura e acessível. Apenas uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida contra a febre amarela. A vacina confere imunidade eficaz dentro de 30 dias para 99% das pessoas imunizadas.
  • Tratamentos de apoio de qualidade em hospitais melhoram as taxas de sobrevivência. Não há, atualmente, nenhum medicamento antiviral específico para febre amarela.

http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5329:opasoms-divulga-alerta-epidemiologico-sobre-febre-amarela-para-as-americas&catid=1272:noticiasdtent&Itemid=816