Brasil e África do Sul lançam plano de pesquisa para oceanos do hemisfério sul

Em Lisboa, ministros Gilberto Kassab e Naledi Pandor vão estabelecer bases de cooperação entre os dois países e a União Europeia. Parceria será focada em questões como a conservação do ambiente marinho e mudanças climáticas.

Por Ascom do MCTIC

Navio de Pesquisa Hidroceanográfica Vital de Oliveira é utilizado para a realização de experimentos científicos em alto-mar.

Crédito: Ascom/MCTIC

Brasil e África do Sul construíram um plano científico para aprofundar a cooperação em pesquisa no Atlântico Sul e Tropical e em outros oceanos austrais, segundo documento publicado nesta terça-feira (11) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) simultaneamente ao Departamento sul-africano de Ciência e Tecnologia (DST, na sigla em inglês).

Os ministros Gilberto Kassab e Naledi Pandor participam, de quarta (12) a sexta-feira (14), em Lisboa, do evento Uma Nova Era de Iluminação Azul, para lançamento das bases da cooperação entre os dois países e a União Europeia. Ao lado do comissário europeu para Pesquisa, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, eles devem assinar, quinta-feira (13), na Torre de Belém, uma declaração de intenções tripartite com objetivo de integrar atividades das nações que compartilham as águas de todo o oceano Atlântico.

Por meio do plano científico, Brasil e África do Sul destacam a relevância do Atlântico para suas economias e sociedades, diante da influência marinha no clima e, consequentemente, em atividades de agropecuária, mineração, pesca e aquicultura, transporte e turismo. O documento reforça, ainda, a necessidade de conhecer melhor o papel das porções meridional e tropical do oceano nas mudanças climáticas dos dois países, dos continentes vizinhos e do planeta.

“Esta iniciativa olha para as grandes lacunas científicas que ainda devem ser preenchidas e, também, para o enorme potencial em desvendar o conhecimento completo sobre como a vida na Terra é possível, dando à humanidade melhores ferramentas para usar e conservar os recursos e ecossistemas marinhos de forma sustentável. Apenas por meio de um esforço integrado internacional é que poderemos trocar competências, infraestrutura, inteligências e poderemos superar nossos desafios, fortalecendo a cooperação Sul-Sul e Sul-Norte”, disse o ministro Gilberto Kassab.

A iniciativa de aprofundar a cooperação bilateral envolveu, nos últimos dois anos, esforços de equipes ligadas ao MCTIC e ao DST, com apoio de pesquisadores. A decisão de liderar a cooperação internacional em pesquisa no Atlântico Sul partiu de  workshop realizado em outubro de 2015, em Brasília, junto a representantes de Angola, Argentina, Namíbia e Uruguai.

O plano científico identifica três áreas-chave: mudança climática, controle de processos de variabilidade de ecossistemas e recursos marinhos vivos e minerais, a exemplo da biodiversidade. A geografia sul-africana favorece a abrangência dos desafios a serem compartilhados, já que o país se localiza na confluência de três sistemas oceânicos – Atlântico, Índico e Antártico.

No contexto do encontro em Portugal, o documento reitera a disposição dos dois países de fortalecer a agenda científica e de inovação no sistema atlântico como um todo, em complemento à Aliança de Pesquisa Oceânica do Atlântico, formada por Canadá, Estados Unidos e União Europeia.

“O desenvolvimento deste plano é altamente simbólico, uma vez que duas nações de importância científica no hemisfério sul reconheceram a necessidade de cooperar em larga escala perante os desafios globais, ou seja, em busca de entender e gerenciar as mudanças climáticas e expandir de forma sustentável o acesso a recursos até agora escondidos nas profundezas incógnitas do oceano Atlântico”, afirmou a ministra sul-africana Naledi Pandor.

 

http://www.mcti.gov.br/noticia/-/asset_publisher/epbV0pr6eIS0/content/brasil-e-africa-do-sul-lancam-plano-de-pesquisa-para-oceanos-do-hemisferio-sul;jsessionid=07F320A13DD10FF6DCCFC3F539FC610A.rima

Brasil e Senegal renovam acordo de cooperação técnico e cientifico

 

 

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Os senadores aprovaram nesta terça-feira (27/6) o acordo de cooperação científica e tecnológica entre Brasil e Senegal, celebrado em maio de 2010. O texto (PDS 9/2017) segue agora para promulgação.brasil-x-senegal

O objetivo do acordo é contribuir para expandir e fortalecer os laços entre as comunidades científicas dos dois países, por meio de condições favoráveis para atividades de cooperação. Há previsão de eventos bilaterais, intercâmbio de informações científicas e tecnológicas, custeio de atividades e facilitação do trânsito de pessoal e equipamentos necessários à pesquisa conjunta.

O texto do acordo também prevê intercâmbio de cientistas, pesquisadores, peritos, bolsistas e participantes de cursos, colóquios ou qualquer outro evento na área científica; comunicação, troca de informações e de documentação científicas e tecnológicas; organização, no plano bilateral, de fóruns, seminários e cursos científicos e tecnológicos; identificação de problemas científicos e tecnológicos; formulação e implementação de programas conjuntos de pesquisa; aplicação dos resultados de pesquisas na economia, indústria, agricultura, medicina e outros.Vanessa-Grazzotin-senado

A matéria teve parecer favorável da relatora na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Ela diz que as comunidades científicas do Brasil e do Senegal irão se beneficiar do intercâmbio de técnicas e conhecimentos. Ela cita como exemplos a cooperação entre bibliotecas científicas, centros de informação científica e tecnológica, instituições científicas para o intercâmbio de livros, publicações periódicas e bibliografias, intercâmbio de informações e de documentos completos por meio de redes de comunicação e informação eletrônica e visitação recíproca de cientistas em várias áreas do conhecimento.

Registrando que em junho do ano passado (2016), pesquisadores do Instituto Pauster de Dakar, no Senegal, participaram ativamente do combate ao surto de Ebola na África, estiveram em São Paulo para ajudar cientistas brasileiros no combate ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti. O grupo chegou à capital paulista para se juntar à Rede Zika, criada por cientistas, professores e alunos de instituições e laboratórios para investigar o vírus e o aumento no número de casos de microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré no país.cientistas zika.jpg

Liderados por Amadou Alpha Sall, renomado especialista em epidemia e controles virais, os senegaleses têm o desafio de treinar pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e ajudá-los na implantação de um teste rápido e eficaz para diagnosticar a doença, feito por sorologia. Durante o surto de ebola, os cientistas conseguiram criar um teste que detectava a doença em apenas 15 minutos. A análise rápida permitiu o diagnóstico em locais afetados pela epidemia que atingiu o Oeste da África.6ijpsnijefo5bddtobblqyi67 cientistas

Angolanos e russos cooperam no lançamento de satélite

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Fotografia: João Gomesi | Edições Novembro

O satélite angolano AngoSat pode entrar em órbita ainda este ano, anunciou ontem, em Luanda, o ministro da Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha.

 

O projecto AngoSat está em bom andamento e o estado de avaliação do trabalho já feito está acima dos 80 por cento, de acordo com o ministro, que falava no final do encontro com o vice-primeiro-ministro da Federação Russa, Yury Trutnev.
José Carvalho da Rocha disse que o encontro serviu para rever o nível de cooperação, particularmente os projectos que o sector tem estado a desenvolver com a Rússia, uma vez que há datas que foram acordadas e que precisam ser cumpridas.
“Angola está a aproximar-se também de empresas que já tem maturação em relação às questões ligadas à exploração do espaço, para criar condições internas de trabalho.” O projecto AngoSat, segundo o ministro, vai permitir que Angola trabalhe no sector da ciência, e por isso precisa de estabelecer acordos com empresas especializadas no ramo. No encontro com Yury Trutnev foi discutida  a questão da formação de quadros.
“Os dois países têm estado a desenvolver projectos do AngoSat e Angola gostava de continuar a trabalhar com o mesmo ritmo. Angola está disponível para trabalhar nos diferentes sectores e estabelecer programas para a formação de quadros particularmente neste sector”, acrescentou José Carvalho da Rocha.
Com o Ministério da Geologia e Minas, os russos pretendem elevar o nível de cooperação e passar em revista a assistência bilateral no domínio de geologia e minas, uma vez que existem instrumentos jurídicos assinados em 2009. O desejo foi manifestado durante um encontro conjunto.
À saída do encontro, o secretário do Estado da Geologia e Minas, Miguel Bondo Júnior, indicou que as partes pretendem desenvolver projectos concretos de médio prazo, que já estão a ser tratados, como os programas do fórum de geologia e de minas, acções desenvolvidas com a Endiama e a Ferrangol, programas  para determinação das áreas de riscos, fiscalização de trabalhos no âmbito do Plano Nacional de Geologia e Minas e outros. Miguel Bondo Júnior disse que a visita do vice-primeiro-ministro da  Rússia vai permitir que os passos sejam acelerados e que a cooperação evolua para outros patamares.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/satelite_angolano_em_fase_de_testes

Nigéria e Tanzânia resistem ao avanço comercial da Europa

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A insistência dos países no próprio desenvolvimento exaspera os negociadores europeus
Os africanos querem distância do passado colonial simbolizado nesta cena do domínio britânico no Quênia, entre os séculos XIX e XX

A ideia dominante de que o livre-comércio é a melhor estratégia para a economia dos países pobres sofreu seu maior revés em décadas. Em uma demonstração de confiança na determinação de rumos próprios, a Nigéria e a Tanzânia rejeitaram as propostas de redução de tarifas defendidas pelos Estados Unidos e pela Europa com o objetivo de barrar o avanço da China e de outros países contestadores da hegemonia das grandes potências.

“Foi a oposição mais notável à liberalização comercial, mas a mídia fora do continente africano praticamente a ignorou”, chama atenção o economista Rick Rowden em artigo publicado pelo South Centre, organização de apoio ao crescimento sustentado e inclusivo mantida por governos de países em desenvolvimento.

Os africanos, diz, estão insistindo em políticas que deixam os negociadores europeus exasperados. A Nigéria, um dos maiores produtores de petróleo da África, e a Tanzânia, uma das economias de mais rápido crescimento do continente, mantiveram a decisão de não assinar os Economic Partnership Agreements (EPAs) ou acordos de parceria econômica com a Europa. Embora a maioria dos exportadores de países africanos já tenha acesso livre de taxas ao mercado da União Europeia, os novos pactos iriam gradualmente conceder condição semelhante, nos mercados africanos, aos produtos europeus.

Enquanto a Nigéria reafirmou a sua oposição aos EPAs para a Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano, o novo governo de John Magufuli, da Tanzânia, surpreendeu muitos com a decisão de última hora de se afastar dos acordos semelhantes para a região da Comunidade do Leste Africano (EAC).

Os dois países adotaram recentemente planos ambiciosos para a industrialização. Os presidentes, os ministros de Comércio e Indústria e os dirigentes das associações de empresários da manufatura deixaram claro que a sua recusa às parcerias comerciais com a União Europeia se deve a preocupações de que as regras e restrições integrantes dos acordos ameaçam as suas novas estratégias.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, durante uma sessão especial do Parlamento Europeu, no ano passado, reiterou a sua análise de que as regras dos EPAs solapam os objetivos da estratégia de desenvolvimento do seu país. Na Tanzânia, o Parlamento aprovou uma resolução unânime, em novembro, contra a assinatura do acordo de parceria comercial para a região da Comunidade do Leste Africano, pela mesma razão.

A resistência da Nigéria e da Tanzânia reverteu a celebração dos acordos válidos para as suas respectivas regiões da África e irritou os europeus depois de mais de uma década de negociações. A firme tomada de posição marca uma das mais importantes manifestações de desafio no continente, desde as campanhas pela independência nacional do colonialismo, nas décadas de 1950 a 1970.

Ao menos duas integrantes da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Marie Arena, da Bélgica, e Julie Ward, do Reino Unido, declararam apoio à posição da Tanzânia e argumentaram que os acordos propostos seriam prejudiciais ao futuro do país.

Segundo Rick Rowden, as disputas relacionadas a questões de política comercial e de desenvolvimento são sempre polarizadas. Os negociadores partidários do livre-comércio querem promover as exportações a curto prazo, enquanto os desenvolvimentistas pensam em como transformar as economias agrícolas em industriais a longo prazo, processo que requer várias décadas para se completar.

Nos últimos 15 anos, enquanto os europeus sustentaram que os acordos comerciais ajudariam a África a exportar mais seus produtos agrícolas e minerais, os africanos mostraram preocupação quanto ao efeito inibidor daqueles pactos sobre a sua capacidade futura de produzir bens manufaturados.

Presidente
Os presidentes da Tânzania, John Magufuli, e da Nigéria Muhammadu Buhari, surpreenderam ao recusar a redução tarifária proposta pela União Europeia (Foto: Patrick Hertzog/AFP)

Entre as principais preocupações levantadas pelos representantes da Nigéria e da Tanzânia está a exigência dos EPAs aos países africanos para reduzirem cerca de 80% das suas tarifas sobre as importações de produtos da União Europeia ao longo de 25 anos, e eliminação de 60% dessas tarifas no fim dos acordos.

Segundo o presidente da Associação de Fabricantes da Nigéria, Frank Jacobs, “os acordos de livre-comércio vão sufocar indústrias que deixarão de ser competitivas perante a inundação dos nossos mercados nacionais por produtos acabados importados e mais baratos”.

As regras de liberalização de tarifas teriam impacto negativo também sobre pequenos agricultores, que podem ser varridos do mapa pela importação de produtos agrícolas europeus fortemente subsidiados.  O setor é o maior gerador de empregos e o principal componente do Produto Interno Bruto da Tanzânia.

A União Europeia diz que os acordos contêm salvaguardas para permitir a elevação temporária das tarifas no caso de surtos de grandes volumes de importações, mas seus críticos contestam que cláusulas semelhantes asseguradas pela Organização Mundial do Comércio se mostraram, na prática, extremamente complexas e difíceis de invocar. Em 20 anos de existência da OMC, esse dispositivo foi acionado apenas uma vez. 

https://www.cartacapital.com.br/revista/951/na-africa-nigeria-e-tanzania-resistem-ao-avanco-comercial-da-europa

Projetos de Decretos sobre Angola, Serra Leoa e Moçambique tramitando no Senado brasileiro

P1050984Luanda – Angola

Entre os projetos de decreto legislativo (PDS) na pauta da CRE, três são celebrados com países africanos. OPDS 1/17 estabelece acordo de cooperação e facilitação de investimentos entre o governo do Brasil e o de Angola. A proposta incentiva o investimento recíproco entre os dois Estados e permite maior divulgação de oportunidades de negócios, intercâmbio de informações sobre marcos regulatórios, garantias para o investimento e mecanismos adequados de prevenção e solução de controvérsias.

Por sua vez, o PDS 2/17 aprova os termos de acordo de cooperação e facilitação de investimentos firmado entre o governo brasileiro e o governo da República de Moçambique. O texto busca facilitar a troca de informações e as chances de negócios entre os dois países.maputo

Maputo- Moçambique

E O PDS 17/17 trata de acordo de cooperação cultural assinado em 2009 entre Brasil e Serra Leoa, país da África Ocidental com pouco mais de seis milhões de habitantes. O acordo determina intercâmbio de experiências no campo das artes plásticas, artes cênicas, música, literatura, cinema e educação cultural, entre outros, encorajando a participação de artistas do Brasil e de Serra Leoa em festivais, seminários, exposições e eventos internacionais a serem realizados em um dos dois países. O tratado prevê também contato entre museus e bibliotecas, para troca de acervos, e intercâmbio de experiências em preservação de patrimônio.

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A emergência de uma nova África

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A agricultura, a segurança alimentar e a energética são os pilares da integração africana no século XXI. Essas três áreas permitirão que a integração do continente se torne uma realidade tangível. Tal ambição goza de um consenso crescente entre os países africanos.angola-petroleo
Ela é efetivada por um setor privado africano empreendedor, juntamente com um sistema bancário continental cada vez mais eficiente e com multinacionais que apostam mais do que nunca na África. A parceria Marrocos-Etiópia, que envolve a produção de fertilizantes, com investimento total de US$ 2,5 bilhões, permitirá à Etiópia alcançar sua autossuficiência em fertilizantes agrícolas em 2025. O gasoduto Marrocos-Nigéria, com cinco mil quilômetros, transformará a paisagem energética da Costa Oeste da África.
As joint-ventures na área de telecomunicações ou de bancos, os projetos em infraestrutura e em habitação social… São todos levados por uma nova geração de managers africanos. Esses projetos estão moldando a África do século XXI. Uma África definitivamente emancipada dos espólios da Guerra Fria, das manipulações ideológicas, das guerras civis e da gangrena do separatismo.
Liberta destas desvantagens, a África de hoje toma confiança, seguindo o caminho da decolagem econômica, com a ambição de ter um posicionamento mais competitivo na globalização. Ademais, esta dinâmica é apoiada por uma nova elite política africana, que prioriza a eficiência nas políticas públicas e o pragmatismo nas relações interafricanas. O regresso do Marrocos à União Africana, celebrado semana passada, em Adis Abeba, constitui, sem dúvida, um grande marco para uma África mais homogênea e mais unida.

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Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, sempre colocou a África na essência da projeção diplomática do país, através parcerias globais com vários países africanos. Parcerias que articulam, ao mesmo tempo, projetos econômicos, paz e seguridade, desenvolvimento humano, política de gênero, cooperação educacional e acadêmica, bem como a promoção de um Islã aberto e tolerante. Ao voltar a assumir o seu papel histórico dentro da família institucional africana, o Marrocos dará um impulso ainda mais ambicioso à sua política para o continente.

A iniciativa que o país tinha tomado com a organização de uma cúpula dedicada especificamente à África à margem da COP-22, realizada em Marrakesh, em novembro passado, reflete o compromisso claro que o Marrocos tem em relação às questões do desenvolvimento sustentável do continente africano.
Vista do Brasil, essa dinâmica na África criará um movimento ainda mais promissor, na costa atlântica da África. O espaço geopolítico que compartilha com o Brasil, além da história e da geografia, um potencial forte de cooperação e de ações conjuntas. Os países africanos estão entusiasmados para lançar com o Brasil uma parceria Sul-Sul inovadora, que envolva uma maior integração industrial e comercial na agricultura e na pesca, que aumente a conectividade logística entre os dois lados do Atlântico e que acrescente a integração de redes de investigação científica e inovação digital.
Há consenso de que a África é o continente que mais crescerá no século XXI. Cabe-nos, africanos e brasileiros, tornar o Atlântico Sul um espaço seguro, próspero e aberto. Nabil Adghoghi é embaixador do Marrocos no Brasil

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-emergencia-de-uma-nova-africa-20884182

As relações entre Angola e Guiné Bissau estão paralisadas

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O embaixador angolano na Guiné-Bissau, Daniel Rosa, afirmou ontem em Bissau que existe actualmente um vazio bastante notável nas relações de cooperação com aquele país, apesar das diversas tentativas e intenções dos governos para reatar um intercâmbio mutuamente vantajoso.

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O diplomata, que falava numa recepção a dignitários nacionais e estrangeiros na Embaixada angolana em Bissau, garantiu que contactos neste sentido devem prosseguir para a materialização dos objectivos dos dois Estados e povos. “Angola e a Guiné-Bissau deverão continuar juntos e de mãos dadas a trabalhar para o progresso dos nossos respectivos países e povos”, disse o embaixador angolano.
O diplomata lembrou que as autoridades de Bissau renunciaram a alguns acordos que estavam em execução, nomeadamente a Missão de Cooperação Técnico-Militar e de Segurança Angolana na Guiné-Bissau (MISSANG), que culminou com a retirada do contingente militar e de polícia angolana da Guiné-Bissau.
Daniel Rosa garantiu que, pautados pelo princípio de solidariedade e pelos laços históricos que unem os dois países desde a luta anti-colonial e pela emancipação dos respectivos povos, Angola considera fundamental ajudar a Guiné-Bissau no processo de estabilização política. “As relações políticas são fraternas e têm como base os laços históricos de amizade e de solidariedade alicerçados ao longo da luta comum de libertação, com vista ao alcance da Independência Nacional de ambos os países”, disse.
Recentemente, num encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades da Guiné-Bissau, Jorge Malú, o diplomata angolano abordou aspectos relacionados com a situação política nos dois países. O embaixador Daniel Rosa informou que Angola está actualmente empenhada na preparação das eleições gerais a serem realizadas este ano, estando já em curso o processo de registo eleitoral.
Ao falar sobre a economia angolana, o diplomata destacou os sectores da agricultura, turismo e indústria, como forma de diversificar a economia com o aumento da capacidade de exploração de outros recursos de que Angola dispõe. Falou de alguns feitos do Executivo tendentes a melhoria das condições de vida da população, como a reabilitação de estradas, pontes e caminhos-de-ferro para facilitar a livre circulação, e a construção do novo aeroporto internacional de Luanda.
O diplomata considerou que as relações de cooperação entre Angola e a Guiné-Bissau são fraternas e têm como base os laços históricos de amizade e solidariedade alicerçados ao longo da luta comum de libertação nacional.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/diplomata_lamenta_vazio_no_intercambio_bilateral

Turquia propõe uma negociação “Ganha/Ganha” com Moçambique

erdogan-mocambiquePresidente Recep Tayyip Erdogan da Turquia ao visitar Moçambique propôs uma negociação”Ganha/Ganha ” com Moçambique. É a primeira vez que um presidente da Turquia visita Moçambique. Há expectativa por parte do presidente turco de aumentar as trocas comercias entre os países de 120 milhões de dólares para 500 milhões de dólares nos próximos anos.

Mas afina o que é uma relação de “ganha e ganha”? Ela significa que a negociação tem uma característica incomum: ninguém perde, todos ganham. É o que se pode dizer, por exemplo, da relação ideal entre uma empresa e seu fornecedor.

Existe uma certa confusão sobre o que seja negociação Ganha/Ganha (G/G). Por um lado, os céticos, os cínicos e os competitivos, que consideram o G/G impossível. Por outro, os ingênuos que acham que G/G é ser “bonzinho”.

Os céticos, cínicos e competitivos partem do princípio que se um ganha o outro tem que, necessariamente, perder. No fundo consideram cada situação como uma torta a ser divida entre duas pessoas. Uma, fatalmente levará a maior fatia. Ou ainda, acreditam que houve Ganha/Ganha quando ganham duplamente. Já os “bonzinhos”, são, invariavelmente, perdedores. Em geral, em nome da cooperação, não lutam pelo desejável e acabam obtendo o mínimo necessário, ou o que é pior, até menos que o mínimo. Mas sempre têm uma boa justificativa: “Estou cedendo em nome do G/G”.

Assim, é necessário que se entenda que o desfecho G/G é fruto de muita competência e entre estas competências está a de identificar todos os procedimentos, truques e ardis de quem negocia Ganha/Perde (G/P). E mais:

Entender que só existe negociação G/G caso se possa encontrar alternativas de ganho comum, isto é, que atendam aos interesses das partes. Caso elas não sejam encontradas não existe negociação G/G

Para que haja negociação G/G, a efetividade do acordo deve ser produto da qualidade pela aceitação. Qualidade, quer dizer que os interesses legítimos das parte possam ser atendidos. Aceitação quer dizer que as partes ficaram satisfeitas e se comprometem com o cumprimento do que foi acordado. É difícil imaginar essa negociação entre dois países.

O presidente da Turquia está disposto a compartilhar a Know how com os africanos e até instalar uma agencia de cooperação a  “Turkish Cooperation Coordination Agency (TIKA)”, a ser instalada em Maputo.

Turquia tem-se aproximado nos últimos anos de Moçambique

 

Afrikareise Erdogan in Mosambik (picture-alliance/AP Photo/K. Ozer)Recep Tayyip Erdogan, com a esposa, em Maputo

Presidente da Turquia se desloca a Maputo para um momento de viragem na relação entre os dois países. Em 2016, o comércio bilateral foi estimado em cerca de 100 milhões de dólares. Recep Tayyip Erdogan espera que o volume da cooperação comercial possa superar, em breve, os 250 milhões de dólares e, em uma fase seguinte, os 500 milhões de dólares.

Esta visita termina com a assinatura de seis acordos de cooperação, nomeadamente, para a supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviços, a realização de consultas políticas, a cooperação económica e comercial e a promoção de investimentos. Os acordos visam ainda as áreas da cultura e turismo.

Para intensificar as relações entre os dois países, Erdogan propôs a abertura, em Maputo, de um escritório regional da agência de cooperação turca e de uma embaixada de Moçambique em Ancara.

O Presidente turco fez-se acompanhar de 150 empresários, que participaram no Fórum de Negócios Moçambique-Turquia.

Turquia é porta de entrada para o Médio Oriente

Frankreich Besuch Mosambik Präsident Filipe Nyusi (picture-alliance/Anadolu Agency/M. Yalcin)Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique

Do lado de Moçambique, o Presidente afirmou estar satisfeito com o estágio da cooperação entre a Maputo e Ancara, que registra um sentido “crescente”. Filipe Nyusi nota que as relações bilaterais mostram “sinais de firmeza e de crescimento”.

“Para nós, a Turquia não é só um país amigo ou irmão com quem temos relações diplomáticas, mas também é uma porta de entrada para o Médio Oriente com muita firmeza”, acrescentou.

A Turquia tem-se aproximado nos últimos anos de Moçambique, onde se tornou num dos dez maiores investidores estrangeiros.

http://www.dw.com/pt-002/presidente-turco-pede-ajuda-a-maputo-para-combater-movimento-de-fethullah-g%C3%BCllen/a-37257753?maca=por-DW_para_A_Verdade-12133-html-cb

Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

erdogan-moMoçambique e Turquia reforçam cooperação bilateral

 

Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

Moçambique e Turquia assinaram hoje seis acordos de cooperação nas áreas de diplomacia, economia, cultura e turismo. A assinatura dos acordos marcou a primeira visita de um Presidente Turco a Moçambique.

Recyp Erdogan chegou a Maputo na noite de ontem, para 24 horas de visita ao país. O primeiro acto oficial teve lugar nesta terça-feira, com uma deposição de coroa de flores em homenagem aos heróis moçambicanos.

Perto do meio-dia, Erdogan foi recebido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, na Presidência da República. A Recepção teve direito a todas as honras militares e de Estado, que incluíram uma salva de canhão.

Filipe Nyus e Recyp Erdogan reuniram, primeiro a sós, e depois com as respectivas delegações, para pouco mais de duas horas a porta-fechada. No final, foram assinados os memorandos que selam o reforço da nova etapa de cooperação bilateral.

Os detalhes dos acordos assinados não foram revelados, contudo, o Presidente da República disse que representam uma importante etapa para o país.

Na área económica, a Turquia disse que a intenção é duplicar o volume das trocas comerciais, para valores consentâneos com as potencialidades dos dois países.

A visita de Erdogan terminou com a participação no Fórum de Negócios Moçambique

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43334-mocambique-e-turquia-reforcam-cooperacao-bilateral-.html