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A emergência de uma nova África

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A agricultura, a segurança alimentar e a energética são os pilares da integração africana no século XXI. Essas três áreas permitirão que a integração do continente se torne uma realidade tangível. Tal ambição goza de um consenso crescente entre os países africanos.angola-petroleo
Ela é efetivada por um setor privado africano empreendedor, juntamente com um sistema bancário continental cada vez mais eficiente e com multinacionais que apostam mais do que nunca na África. A parceria Marrocos-Etiópia, que envolve a produção de fertilizantes, com investimento total de US$ 2,5 bilhões, permitirá à Etiópia alcançar sua autossuficiência em fertilizantes agrícolas em 2025. O gasoduto Marrocos-Nigéria, com cinco mil quilômetros, transformará a paisagem energética da Costa Oeste da África.
As joint-ventures na área de telecomunicações ou de bancos, os projetos em infraestrutura e em habitação social… São todos levados por uma nova geração de managers africanos. Esses projetos estão moldando a África do século XXI. Uma África definitivamente emancipada dos espólios da Guerra Fria, das manipulações ideológicas, das guerras civis e da gangrena do separatismo.
Liberta destas desvantagens, a África de hoje toma confiança, seguindo o caminho da decolagem econômica, com a ambição de ter um posicionamento mais competitivo na globalização. Ademais, esta dinâmica é apoiada por uma nova elite política africana, que prioriza a eficiência nas políticas públicas e o pragmatismo nas relações interafricanas. O regresso do Marrocos à União Africana, celebrado semana passada, em Adis Abeba, constitui, sem dúvida, um grande marco para uma África mais homogênea e mais unida.

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Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, sempre colocou a África na essência da projeção diplomática do país, através parcerias globais com vários países africanos. Parcerias que articulam, ao mesmo tempo, projetos econômicos, paz e seguridade, desenvolvimento humano, política de gênero, cooperação educacional e acadêmica, bem como a promoção de um Islã aberto e tolerante. Ao voltar a assumir o seu papel histórico dentro da família institucional africana, o Marrocos dará um impulso ainda mais ambicioso à sua política para o continente.

A iniciativa que o país tinha tomado com a organização de uma cúpula dedicada especificamente à África à margem da COP-22, realizada em Marrakesh, em novembro passado, reflete o compromisso claro que o Marrocos tem em relação às questões do desenvolvimento sustentável do continente africano.
Vista do Brasil, essa dinâmica na África criará um movimento ainda mais promissor, na costa atlântica da África. O espaço geopolítico que compartilha com o Brasil, além da história e da geografia, um potencial forte de cooperação e de ações conjuntas. Os países africanos estão entusiasmados para lançar com o Brasil uma parceria Sul-Sul inovadora, que envolva uma maior integração industrial e comercial na agricultura e na pesca, que aumente a conectividade logística entre os dois lados do Atlântico e que acrescente a integração de redes de investigação científica e inovação digital.
Há consenso de que a África é o continente que mais crescerá no século XXI. Cabe-nos, africanos e brasileiros, tornar o Atlântico Sul um espaço seguro, próspero e aberto. Nabil Adghoghi é embaixador do Marrocos no Brasil

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-emergencia-de-uma-nova-africa-20884182

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As relações entre Angola e Guiné Bissau estão paralisadas

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O embaixador angolano na Guiné-Bissau, Daniel Rosa, afirmou ontem em Bissau que existe actualmente um vazio bastante notável nas relações de cooperação com aquele país, apesar das diversas tentativas e intenções dos governos para reatar um intercâmbio mutuamente vantajoso.

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O diplomata, que falava numa recepção a dignitários nacionais e estrangeiros na Embaixada angolana em Bissau, garantiu que contactos neste sentido devem prosseguir para a materialização dos objectivos dos dois Estados e povos. “Angola e a Guiné-Bissau deverão continuar juntos e de mãos dadas a trabalhar para o progresso dos nossos respectivos países e povos”, disse o embaixador angolano.
O diplomata lembrou que as autoridades de Bissau renunciaram a alguns acordos que estavam em execução, nomeadamente a Missão de Cooperação Técnico-Militar e de Segurança Angolana na Guiné-Bissau (MISSANG), que culminou com a retirada do contingente militar e de polícia angolana da Guiné-Bissau.
Daniel Rosa garantiu que, pautados pelo princípio de solidariedade e pelos laços históricos que unem os dois países desde a luta anti-colonial e pela emancipação dos respectivos povos, Angola considera fundamental ajudar a Guiné-Bissau no processo de estabilização política. “As relações políticas são fraternas e têm como base os laços históricos de amizade e de solidariedade alicerçados ao longo da luta comum de libertação, com vista ao alcance da Independência Nacional de ambos os países”, disse.
Recentemente, num encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades da Guiné-Bissau, Jorge Malú, o diplomata angolano abordou aspectos relacionados com a situação política nos dois países. O embaixador Daniel Rosa informou que Angola está actualmente empenhada na preparação das eleições gerais a serem realizadas este ano, estando já em curso o processo de registo eleitoral.
Ao falar sobre a economia angolana, o diplomata destacou os sectores da agricultura, turismo e indústria, como forma de diversificar a economia com o aumento da capacidade de exploração de outros recursos de que Angola dispõe. Falou de alguns feitos do Executivo tendentes a melhoria das condições de vida da população, como a reabilitação de estradas, pontes e caminhos-de-ferro para facilitar a livre circulação, e a construção do novo aeroporto internacional de Luanda.
O diplomata considerou que as relações de cooperação entre Angola e a Guiné-Bissau são fraternas e têm como base os laços históricos de amizade e solidariedade alicerçados ao longo da luta comum de libertação nacional.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/diplomata_lamenta_vazio_no_intercambio_bilateral

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Turquia propõe uma negociação “Ganha/Ganha” com Moçambique

erdogan-mocambiquePresidente Recep Tayyip Erdogan da Turquia ao visitar Moçambique propôs uma negociação”Ganha/Ganha ” com Moçambique. É a primeira vez que um presidente da Turquia visita Moçambique. Há expectativa por parte do presidente turco de aumentar as trocas comercias entre os países de 120 milhões de dólares para 500 milhões de dólares nos próximos anos.

Mas afina o que é uma relação de “ganha e ganha”? Ela significa que a negociação tem uma característica incomum: ninguém perde, todos ganham. É o que se pode dizer, por exemplo, da relação ideal entre uma empresa e seu fornecedor.

Existe uma certa confusão sobre o que seja negociação Ganha/Ganha (G/G). Por um lado, os céticos, os cínicos e os competitivos, que consideram o G/G impossível. Por outro, os ingênuos que acham que G/G é ser “bonzinho”.

Os céticos, cínicos e competitivos partem do princípio que se um ganha o outro tem que, necessariamente, perder. No fundo consideram cada situação como uma torta a ser divida entre duas pessoas. Uma, fatalmente levará a maior fatia. Ou ainda, acreditam que houve Ganha/Ganha quando ganham duplamente. Já os “bonzinhos”, são, invariavelmente, perdedores. Em geral, em nome da cooperação, não lutam pelo desejável e acabam obtendo o mínimo necessário, ou o que é pior, até menos que o mínimo. Mas sempre têm uma boa justificativa: “Estou cedendo em nome do G/G”.

Assim, é necessário que se entenda que o desfecho G/G é fruto de muita competência e entre estas competências está a de identificar todos os procedimentos, truques e ardis de quem negocia Ganha/Perde (G/P). E mais:

Entender que só existe negociação G/G caso se possa encontrar alternativas de ganho comum, isto é, que atendam aos interesses das partes. Caso elas não sejam encontradas não existe negociação G/G

Para que haja negociação G/G, a efetividade do acordo deve ser produto da qualidade pela aceitação. Qualidade, quer dizer que os interesses legítimos das parte possam ser atendidos. Aceitação quer dizer que as partes ficaram satisfeitas e se comprometem com o cumprimento do que foi acordado. É difícil imaginar essa negociação entre dois países.

O presidente da Turquia está disposto a compartilhar a Know how com os africanos e até instalar uma agencia de cooperação a  “Turkish Cooperation Coordination Agency (TIKA)”, a ser instalada em Maputo.

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Turquia tem-se aproximado nos últimos anos de Moçambique

 

Afrikareise Erdogan in Mosambik (picture-alliance/AP Photo/K. Ozer)Recep Tayyip Erdogan, com a esposa, em Maputo

Presidente da Turquia se desloca a Maputo para um momento de viragem na relação entre os dois países. Em 2016, o comércio bilateral foi estimado em cerca de 100 milhões de dólares. Recep Tayyip Erdogan espera que o volume da cooperação comercial possa superar, em breve, os 250 milhões de dólares e, em uma fase seguinte, os 500 milhões de dólares.

Esta visita termina com a assinatura de seis acordos de cooperação, nomeadamente, para a supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviços, a realização de consultas políticas, a cooperação económica e comercial e a promoção de investimentos. Os acordos visam ainda as áreas da cultura e turismo.

Para intensificar as relações entre os dois países, Erdogan propôs a abertura, em Maputo, de um escritório regional da agência de cooperação turca e de uma embaixada de Moçambique em Ancara.

O Presidente turco fez-se acompanhar de 150 empresários, que participaram no Fórum de Negócios Moçambique-Turquia.

Turquia é porta de entrada para o Médio Oriente

Frankreich Besuch Mosambik Präsident Filipe Nyusi (picture-alliance/Anadolu Agency/M. Yalcin)Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique

Do lado de Moçambique, o Presidente afirmou estar satisfeito com o estágio da cooperação entre a Maputo e Ancara, que registra um sentido “crescente”. Filipe Nyusi nota que as relações bilaterais mostram “sinais de firmeza e de crescimento”.

“Para nós, a Turquia não é só um país amigo ou irmão com quem temos relações diplomáticas, mas também é uma porta de entrada para o Médio Oriente com muita firmeza”, acrescentou.

A Turquia tem-se aproximado nos últimos anos de Moçambique, onde se tornou num dos dez maiores investidores estrangeiros.

http://www.dw.com/pt-002/presidente-turco-pede-ajuda-a-maputo-para-combater-movimento-de-fethullah-g%C3%BCllen/a-37257753?maca=por-DW_para_A_Verdade-12133-html-cb

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Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

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Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

Moçambique e Turquia assinaram hoje seis acordos de cooperação nas áreas de diplomacia, economia, cultura e turismo. A assinatura dos acordos marcou a primeira visita de um Presidente Turco a Moçambique.

Recyp Erdogan chegou a Maputo na noite de ontem, para 24 horas de visita ao país. O primeiro acto oficial teve lugar nesta terça-feira, com uma deposição de coroa de flores em homenagem aos heróis moçambicanos.

Perto do meio-dia, Erdogan foi recebido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, na Presidência da República. A Recepção teve direito a todas as honras militares e de Estado, que incluíram uma salva de canhão.

Filipe Nyus e Recyp Erdogan reuniram, primeiro a sós, e depois com as respectivas delegações, para pouco mais de duas horas a porta-fechada. No final, foram assinados os memorandos que selam o reforço da nova etapa de cooperação bilateral.

Os detalhes dos acordos assinados não foram revelados, contudo, o Presidente da República disse que representam uma importante etapa para o país.

Na área económica, a Turquia disse que a intenção é duplicar o volume das trocas comerciais, para valores consentâneos com as potencialidades dos dois países.

A visita de Erdogan terminou com a participação no Fórum de Negócios Moçambique

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43334-mocambique-e-turquia-reforcam-cooperacao-bilateral-.html

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Turquia pede ajuda à Moçambique no combate ao terrorismo

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Pedido foi feito durante visita do estadista turco ao país

O Presidente da Turquia pediu hoje a cooperação de Filipe Nyusi para neutralizar células terroristas do seu país infiltradas em Moçambique. Recyp Erdogan alertou para a perigosidade dos referidos grupos e disse esperar que Moçambique colabore.

Foi durante um encontro a porta fechada com Filipe Nyusi, que Recyp Erdogan fez saber uma das principais agendas da sua visita a Moçambique. Durante cerca de 20 minutos, o presidente da Turquia pediu a Filipe Nyusi apoio para neutralizar células terroristas turcas que se encontram no país.

O estadista turco diz que as células terroristas escondem-se por trás de actividades empresariais e sociais ou mesmo de desenvolvimento. Erdogan alerta para o risco dos planos terroristas afectarem Moçambique.

Envolvida em conflitos regionais e nacionais, a Turquia tem sido palco de ataques de vários grupos. No dia 01 de Janeiro deste ano, um ataque reivindicado pelo Estado Islâmico matou 39 pessoas numa discoteca em Istambul, uma das cidades mais importantes do país.

O homem que visita Moçambique sobreviveu a uma tentativa de golpe de Estado em Julho do ano passado, tendo mandado deter milhares de pessoas, entre juízes, jornalistas e elementos das forças armadas.

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43335-erdogan-pede-apoio-de-nyusi-no-combate-a-celulas-terroristas-turcas-em-mocambique-.html

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Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa

 

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O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa e o enquadramento do investimento vai ser apresentado na próxima quarta-feira em Macau, numa sessão organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

O evento é co-organizado pela Direcção dos Serviços de Economia, Direcção dos Serviços de Finanças e Autoridade Monetária de Macau em parceria com o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (CPLP)
O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, avaliado em mil milhões de dólares norte-americanos, consiste no apoio à cooperação no âmbito do investimento entre as empresas chinesas (incluindo Macau) e as da CPLP, nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
O instrumento financeiro destina-se ao investimento directo multilateral, ao aumento da força global das empresas investidoras e à promoção do desenvolvimento económico dos países membros. Através do fundo, que por enquanto tem sede em Pequim, passam a ser apoiadas as empresas da China continental e de Macau na expansão de negócios no exterior e na abertura de novos mercados nos países de língua portuguesa.

Transferência

Em Outubro do ano passado, aquando da realização da V Conferência Ministerial do Fórum de Macau, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, anunciou a Transferência da sede do Fundo de Cooperação para Macau, no quadro de um conjunto de medidas delineadas pelo Governo central para apoiar o desenvolvimento de Macau.
No comunicado em que dá conta da realização da sessão de apresentação, o IPIM informa que o Governo de Macau está empenhado na coordenação do processo de mudança da sede do Fundo de Cooperação de Pequim para Macau.
O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa foi anunciado em Novembro de 2010, em Macau, pelo então primeiro-ministro Wen Jiabao, durante a 3.ª Conferência Ministerial do Fórum.

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África é crucial para o Brasil exercer liderança em biocombustíveis, aponta estudo

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Os biocombustíveis ainda representam uma oportunidade para o Brasil exercer sua capacidade de liderança global no setor de energia renovável. Mas o país precisa ter a África como parceira para promover o aumento da escala de produção e o comércio internacional de etanol da cana-de-açúcar. E, antes, é preciso superar obstáculos internos à implementação de uma política de energia limpa. As mudanças na política externa brasileira nos últimos anos – em que a África deixou de ser prioritária –, somadas às decisões sobre o controle de preços dos combustíveis no Brasil e à queda da cotação do petróleo, contudo, têm reduzido a capacidade de o país exercer essa liderança global e atingir os objetivos de sua “diplomacia do etanol” – como ficou conhecida a política lançada durante o primeiro governo Lula (2003-2006) e quase que abandonada a partir de 2009, depois da descoberta do pré-sal, voltada a promover a produção de biocombustíveis, especialmente o etanol, no mundo.slide9


A avaliação foi feita por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Etanol – um dos INCTs financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e do Centro de Processos Biológicos e Industriais para Biocombustíveis (CeProBIO), também apoiado pela FAPESP, em colaboração com colegas da University of Leeds e da University College London, da Inglaterra. O estudo foi publicado na revista Global Environmental Politics.

“Durante o final do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso [1999-2002] e início do primeiro governo Lula houve uma intensificação das relações diplomáticas e econômicas entre o Brasil e os países do continente africano, mas que arrefeceram durante o primeiro governo Dilma [2011-2014]”, disse Marcos Buckeridge, coordenador do INCT do Bioetanol e um dos pesquisadores do CeProBIO, à Agência FAPESP.

“As mudanças de direção na política externa brasileira – em que as relações com a África praticamente foram abandonadas –, seguidas pela crise econômica e a decisão do país em apostar no petróleo com a descoberta do pré-sal, tornaram os objetivos da diplomacia do etanol mais distantes”, avaliou.

De acordo com os pesquisadores, o Brasil tem uma longa tradição na produção de biocombustíveis, com base na produção de etanol de primeira geração proveniente da cana-de-açúcar.

Consequentemente, o país tem desenvolvido conhecimento científico e tecnológico para o melhoramento de cana e produção de etanol.

Esse conhecimento poderia ser difundido para outros países por meio de transferência de tecnologia, intercâmbio de melhores práticas e investimentos no setor privado.

Dessa forma seria possível transformar o Brasil em um líder mundial em bioenergia e criar um mercado global de biocombustíveis – com diversos países não apenas consumindo, mas também produzindo combustíveis renováveis –, que representam os objetivos centrais da “diplomacia do etanol”.

“O continente africano é vital para que o Brasil consiga realizar essas ambições da ‘diplomacia do etanol’ porque possui condições climáticas e agrícolas favoráveis e disponibilidade de terra para o plantio de cana”, afirmou Buckeridge.

“A replicação do modelo de produção do etanol brasileiro em savanas africanas, por exemplo, representaria uma oportunidade de o Brasil demonstrar sua liderança e aumentar sua visibilidade, posicionando-se de forma estratégica em um mercado global emergente e criando oportunidades para expansão do setor de bioenergia”, avaliou o pesquisador.

Mudanças de planos

Em razão do papel crucial da África, o país procurou estabelecer uma série de parcerias bilaterais com nações africanas a partir dos anos 2000, assim como parcerias trilaterais, envolvendo a União Europeia e os Estados Unidos.

Durante o governo Lula, foram assinados acordos para produção de biocombustíveis com países africanos, como Egito, África do Sul, Libéria, Quênia, Zimbábue, Angola, Sudão e Malawii, onde a produção de biocombustíveis tem avançado mais.

No entanto, condições climáticas desfavoráveis, combinadas com a crise econômica global em 2008 e políticas adotadas pelo governo Dilma – que, para controlar a inflação, nivelou os preços da gasolina e do diesel e cortou impostos da gasolina, mas não do etanol –, fizeram com que o setor sucroenergético brasileiro mergulhasse em uma crise.

Consequentemente, houve uma diminuição no entusiasmo por biocombustíveis também na África nos últimos anos, apontaram os autores da pesquisa com base em uma série de entrevistas feitas com integrantes da cadeia de biocombustíveis no Brasil, África e União Europeia.

“Quando se começou a abandonar o etanol no Brasil e a privilegiar o petróleo, a partir da descoberta do pré-sal, diminuiu a confiança dos africanos que começaram a procurar novos parceiros, como a União Europeia”, disse Buckeridge.

Perspectivas

Algumas das principais conclusões dos pesquisadores são que o Brasil dispõe de recursos materiais e científicos para exercer uma liderança global na promoção de biocombustíveis.

A situação interna e as restrições orçamentárias do país, entretanto, têm limitado a capacidade dos atores dos setores público e privado de se envolver em ações relacionadas a biocombustíveis no exterior.

“O Brasil continua sendo líder em biocombustíveis e tem um potencial enorme de exercer uma liderança global nessa área. Mas essa liderança é ameaçada por questões domésticas”, avaliou Buckeridge.

A liderança brasileira em biocombustíveis nos últimos anos foi comprometida pela mudança significativa na percepção internacional dos combustíveis renováveis e pela dinâmica da política e da economia global, apontam os autores.

“Para o Brasil alcançar sua meta de liderança global na arena de biocombustíveis um primeiro passo vital será reconsolidar sua visão doméstica sobre esse tema. Isso permitiria ao país aproveitar as inovações tecnológicas em biocombustíveis avançados, que poderiam mudar a maré em relação aos combustíveis renováveis no cenário internacional”, estimam.

O artigo “Unpacking Brazil’s leadership in the global biofuels arena: brazilian ethanol diplomacy in Africa” (doi: 10.1162/GLEP_a_00369), de Buckeridge e outros, pode ser lido na revista Global Environmental Politics emwww.mitpressjournals.org/doi/abs/10.1162/GLEP_a_00369#.WGvoI9IrIdU.

Brasília -  O ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebe o ministro das Relações Exteriores de Angola, George Chikoty no Palácio do Itamaraty (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

As incertezas sobre o futuro dos Acordos entre Brasil e Angola

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O embaixador de Angola no Brasil, Nelson Cosme, considera que a cooperação estratégica entre os dois países é modelo para África e que apesar dos tempos de dificuldades econômicas e financeiras as relações continuam excelentes e dinâmicas.

O que o embaixador não disse, foi que a mídia tem citado frequentemente os negócios da  Odebrecht em Angola, com a participação de Lula, como parte da denuncia de corrupção na operação Lava Jato. As operações na sua maioria receberam financiamento do BNDES e agora o novo governo brasileiro tem a missão de retomar ou paralisar.

 

O diplomata fez  afirmação na sexta-feira nas vésperas da 11ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP que decorreu, em Brasília e sublinhou que a cooperação entre os dois países, que completa 41 anos, estão fundadas nos laços históricos de amizade e parceria.
“Angola não tem muitas parcerias estratégicas. Esta relação com o Brasil é especial e sólida. Vamos comemorar o 41º aniversário da nossa Independência e o Brasil foi o primeiro país a reconhecê-la e hoje continua regular na manutenção desta relação”, considerou Nelson Cosme, que lembrou que as transações comerciais entre os dois países atingiram no ano passado cerca de dois mil milhões de dólares.
O diplomata falou do contexto difícil que as economias atravessam, no mundo em geral e o quanto estas situações reduzem as trocas comerciais e o investimento, tal como ocorre com o Brasil. “Mas é importante salientar que as bases continuam sólidas e que a nossa cooperação continua dinâmica nas várias vertentes”.

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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebe o ministro das Relações Exteriores de Angola, George Chikoty no Palácio do Itamaraty (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ao referir-se ainda ao estado da cooperação, o embaixador disse não existirem intermitências nas relações bilaterais entre os dois países e lembrou que tem prevalecido até agora o escrupuloso respeito pelos instrumentos que a regulam, destacando o Acordo Geral de Cooperação Técnica e Científica, considerado o esteio de toda a relação de cooperação com o Brasil.  “A partir dele, radicam os Protocolos de Entendimento Bilaterais, que respondem aos objectivos e necessidades que Angola tem definidas, tal como o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e o Plano Nacional de Investimento (PNI) que têm sido desenvolvidos através de facilidades de financiamentos disponibilizados pelo Brasil”, disse.
Além disso, lembrou que o Brasil financia também os programas de exportação de bens, serviços e equipamentos, bem como as facilidades de financiamento à implantação de clusters prioritários: energia e águas, indústria agro-alimentar, transportes e logística, telecomunicações e tecnologias ide informação.
O embaixador entende que volvidos 41 anos, é necessário explorar e diversificar mais a cooperação, não só com o Brasil, mas também com países da América do Sul, como o Chile, Equador, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Venezuela. Estes anos de cooperação resultam num balanço positivo. “Comemora-se o 41º aniversário num período de grandes desafios, mas é em períodos de dificuldades e desafios que se afirmam as grandes nações. E Angola é uma grande nação”, afirmou.

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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebe o ministro das Relações Exteriores de Angola, George Chikoty no Palácio do Itamaraty (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Barragem de Laúca

O embaixador Nelson Cosme esclareceu que o financiamento dos projectos relacionados com a construção da Barragem de Laúca não sofreu quaisquer alterações, nem tão pouco foi suspenso pelas autoridades brasileiras como tem sido veiculado pela imprensa nos últimos meses.
O que aconteceu, esclareceu ainda, é que houve um atraso no desembolso que devia ter sido feito no decurso deste ano, sublinhando: “todos nós acompanhamos a situação que o Brasil tem vivido. Por isso, o diálogo entre a parte brasileira e angolana continua. O que posso garantir é que dentro da nossa cooperação bilateral esta questão tem sido matéria de discussão. Compreendemos que atrasos existam dentro da conjuntura actual”.
Em face disso, o embaixador sustentou que o fundamental é a existência e manutenção do princípio da continuidade do Estado. “Nada nos diz que houve pela parte brasileira, pelo menos não fomos notificados, uma suspensão dos acordos que os dois Estados soberanamente firmaram”, disse Nelson Cosme que assegurou não haver um virar de costas entre o Governo brasileiro e angolano, pois “as relações são regulares, sólidas, de amizade e assentes numa parceria estratégica. Não se vira as costas a um parceiro estratégico”.
No domínio da energia e água,  explicou, o financiamento é suportado pela sexta facilidade, a última aprovada em Dezembro de 2015 pelo Comité de Financiamento e Garantia das Exportações e ratificada pelo Conselho de Ministros, órgão que aprova projectos de financiamentos brasileiros, num processo realizado ao abrigo do Protocolo de Entendimento entre os dois Estados. “Esta sexta facilidade de financiamento foi inteiramente dirigida para a execução do projecto hidroeléctrico de Laúca que deve gerar dois mil megawatts em 2017. Este é um projecto estruturante e importante”, destacou, afirmando que os recursos são provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil.
“É preciso ter em atenção que são fundos postos à disposição no quadro da garantia que Angola dá ao Brasil. Temos acordos que ao abrigo do Protocolo de Entendimento estão em vigor desde 1990 e que durante este tempo de funcionamento deste mecanismo nunca houve falta de pagamento, o que demonstra a solidez deste tipo de acordos”, disse.

Ao ler essas declarações do embaixador ficamos com aimpressão que está tudo dentro dos trilhos, depois das reuniões do Vice presidente de Angola com o Presidente do Brasil parece que foram desatados alguns nós. O Governo brasileiro está apoiando as renovações dos acordos que estavam tramitando no Camara dos Deputados

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/afastada_suspensao_do_credito_do_brasil