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Moçambique confirma que não vai pagar dívida

Moçambique assume assim que vai entrar em incumprimento financeiro (‘default’), apesar de haver um período de tolerância de 15 dias para o pagamento do cupão de janeiro.

Infografik Schulden Mosambiks, portugiesisch

As autoridades moçambicanas confirmaram esta segunda-feira (16. 01), que não vão pagar a prestação deste mês de janeiro relativa aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023 que deviam vencer na próxima quarta-feira (18.01). Analistas ouvidos pela DW África acham que a decisão não terá um impacto imediato, mas consideram importante que o país continue a trabalhar no sentido de restabelecer a confiança junto dos parceiros internacionais.

O Ministério das Finanças justificou através de um comunicado o não pagamento da prestação de janeiro invocando falta de liquidez durante o ano de 2016, facto que já tinha alertado em outubro último.

No documento, as autoridades moçambicanas indicam que a degradação da situação orçamental e macroeconómica afetou severamente as finanças públicas nacionais, deixando o país com uma capacidade de pagamento da dívida extremamente limitada em 2017 e não dando espaço para fazer o pagamento atempado de juros destes títulos.

O Governo salienta que encara os credores como “parceiros importantes de longo prazo cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o futuro sucesso do país”.

Symbolbild IWF Internationaler Währungsfonds (Reuters/K. Kyung-Hoon)

Alerta, igualmente, que para o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomar o apoio financeiro a Moçambique vai ser necessário que o país tome medidas com os seus credores externos para colocar a divida numa trajetória sustentável.

Dois bilhões de dólares de dívidas contraídas por três empresas

O FMI e os credores internacionais suspenderam a ajuda a Moçambique em 2016 na sequência da descoberta de dívidas contraídas por três empresas com garantias do Estado em 2013 e 2014 sem o conhecimento do Parlamento e parceiros.

As dívidas avaliadas em cerca de dois mil milhões de dólares foram concedidas as empresas EMATUM, Proindicus e Moçambique Asset Management.

Schiffe von EMATUM in Mosambik (EMATUM)Barcos da EMATUM no porto de Maputo

Este facto elevou o total da dívida moçambicana para cerca de onze bilhões de dólares. As autoridades moçambicanas têm estado a tentar renegociar o pagamento da dívida com os credores, mas estes condicionam o processo aos resultados de uma auditoria internacional e independente ainda em curso.

O analista Adelson Rafael considera não provável que o anúncio do não pagamento da prestação por parte de Moçambique tenha um impacto direto na descida do ‘rating’, e explica: “O nível do qual Moçambique está atualmente é algo como 20 a 30% de incumprimento em relação aos investidores”.

Adelson Rafael admite, no entanto, que este incumprimento pode ter impactos indiretos que seria difícil lista-los neste momento. Mas adianta que “não vai ter implicação na mudança no rating agora mas ela pode ter no futuro e ter também na questão de credibilidade. Enquanto um país que se pretende afirmar muito por conta das questões energéticas, julgo que há que reforçar a crebilidade”.

Por seu turno, o economista Hipólito Hamela também não vê um impacto direto e imediato do incumprimento porque, segundo disse, já houve coisas piores.

Inverter a situação

Hamela é apologista das iniciativas que estão em curso neste momento para inverter a situação.

“Primeiro foi o reconhecimento de que temos a dívida e segundo vamos lá negociar os termos da dívida e vamos avançar para uma coisa plausível para o nosso país e para o nosso povo. Não nos vamos enforcar. Depois prefiro pensar e esperar que o Governo faça tudo que esteja ao seu alcance para conseguir que a gente volte aos bons tempos da ajuda para o desenvolvimento. Olha que esta situação de não pagar (títulos da dívida nos prazos estabelecidos) não é o primeiro país a fazer isso. Por isso é que não estou alarmado.”

Mosambik – Zuschuss für Essen für Rentner (DW/C. Fernandes)

O economista Hipólito Hamela considera que estas iniciativas devem ser acompanhadas por uma redução de uma apetência para o endividamento doméstico, uma vez que, como disse, com o incumprimento no pagamento da prestação o dinheiro vai ficar ainda mais caro para Moçambique no exterior.

“Significa que vai tornar-se insuportável e insustentável ir buscar dinheiro lá fora. Logo pode haver a apetência e tendência de querer ir buscar dinheiro nos bancos comerciais aqui dentro. Isso é que já não vai ser bom porque isso vai ser à custa do sacrifício do sector privado. Ou seja os preços do dinheiro vão aumentar se nós estivermos a pressionar a banca comercial em termos de crédito.

Pagamento da dívida de Moçambique teria dado sinal positivo aos investidores

O economista chefe da consultora Eaglestone considerou esta segunda-feira (16.01) à agência de notícias Lusa que “o cumprimento do pagamento deste cupão [de janeiro por parte de Moçambique] teria dado um sinal positivo aos investidores” internacionais detentores de títulos de dívida.

“O anúncio de ‘default’ não é uma total surpresa face às recentes declarações das autoridades moçambicanas no sentido de proporem aos investidores uma renegociação da dívida; no entanto, julgo que apesar das dificuldades que o país atravessa atualmente, o cumprimento do pagamento deste cupão teria dado um sinal positivo aos investidores dos esforços das autoridades locais em cumprirem com os seus compromissos internacionais”, disse à agência Lusa Tiago Dionísio.

Para o economista-chefe da consultora Eaglestone, a assunção de que o país não vai honrar os compromissos financeiros cria “o risco desta notícia não ser muito bem recebida pela comunidade internacional”.

Impactos indiretos segundo Moody’s

Logo Schriftzug Moody´s (picture alliance/dpa)

A agência de notação financeira Moody’s considera que o incumprimento financeiro de Moçambique “não leva imediatamente” a uma descida do ‘rating’, mas pode ter impactos indiretos na avaliação da qualidade do crédito do país.

“As implicações no ‘rating’ podem variar, mas um falhanço no pagamento, por si só, não é provável que desencadeie uma descida do nosso ‘rating’, já que o nosso ‘rating’ de Caa3 para Moçambique e para os títulos de dívida com maturidade em 2023 já está num nível consistente com incumprimentos financeiros que signifiquem uma perda entre 20 a 30% para os investidores”, disse a Moody’s numa resposta enviada à agência Lusa ainda antes do anúncio de ‘default’ feito pelo Governo moçambicano, na manhã desta segunda-feira (16.01).

Na resposta, a analista sénior para o crédito soberano em África, e que segue de perto a economia de Moçambique, Lucie Villa, explicou que “falhar um pagamento pode ter impactos indiretos, difíceis de antecipar hoje, mas pode, em última análise, levar a uma mudança no ‘rating'”.

Pressões sobre a avaliação são negativas

De resto, a analista lembra que “o ‘rating’ de Caa3 tem uma Perspetiva de Evolução negativa, indicando que as pressões sobre a avaliação são negativas”, ou seja, devem ser revistas em baixa num período entre 12 e 18 meses.

Moçambique confirma que não vai pagar dívida e entra em ‘default’

Questionada sobre se Moçambique não tem mesmo capacidade financeira para pagar quase 60 milhões de euros da prestação de janeiro dos títulos de dívida soberana emitidos em abril do ano passado, Lucie Villa respondeu: “É difícil destrinçar entre a capacidade e a vontade de Moçambique para pagar; a questão é mais se o Governo vai dar prioridade ao serviço da dívida, possivelmente arriscando um corte na despesa ou atrasos nos pagamentos aos outros credores”.

Moçambique mostra “postura de esclarecimento juntos dos credores”

O gabinete de estudos económicos do BPI considerou que o anúncio de Moçambique sobre o não pagamento da prestação de janeiro confirma o que já era esperado e mostra “uma postura de esclarecimento junto dos credores”.

“O anúncio do default por parte de Moçambique acaba por ser uma confirmação do que já era esperado por algumas instituições”, disse a analista que segue o país, Vânia Duarte, à Lusa, acrescentando que “é uma forma de acabar com as expetativas que rodeavam a questão” do pagamento da prestação de janeiro.

“Também é importante notar que, mais uma vez, o Governo moçambicano assume uma postura de esclarecimento junto dos credores, demonstrando o compromisso em assegurar maior transparência dos seus actos”, disse a analista, salientando que é igualmente positivo que o FMI mantenha as conversações e o empenho “em ajudar Moçambique a resolver os seus desafios”.

http://www.dw.com/pt-002/mo%C3%A7ambique-confirma-que-n%C3%A3o-vai-pagar-d%C3%ADvida-e-entra-em-default/a-37151205

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Como o apartheid prejudicou a educação na África do Sul

Quais os motivos de o país estar tão atrasado em relação às outras nações?

Como o apartheid prejudicou a educação na África do Sul
A diferença das notas dos testes entre 20% das melhores escolas e o resto é maior do que em quase todos os outros países (Foto: Pixnio)

Em uma pesquisa de avaliação de sistemas educacionais elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) em 2015, a África do Sul foi classificada em 75º lugar no ranking de 76 países. Em novembro, no Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS), um teste quadrienal de avaliação do conhecimento em matemática e ciências realizado com 580 mil alunos em 57 países, a África do Sul ficou na última posição ou quase na última em diversos rankings, embora sua pontuação tenha melhorado desde 2011.

O nível de conhecimento das crianças é inferior ao de outras regiões pobres do continente. Uma proporção de 27% dos alunos que frequentaram a escola durante seis anos não sabem ler, em comparação com 4% na Tanzânia e 19% no Zimbábue. Depois de cinco anos na escola quase metade dos alunos não sabe que o resultado da divisão de 24 por três é oito. Só 37% das crianças que se matriculam na escola são aprovadas no exame de seleção; apenas 4% concluem os estudos.

De acordo com Nic Spaull da Universidade de Stellenbosch, a África do Sul tem um sistema educacional mais desigual do mundo. A diferença das notas dos testes entre 20% das melhores escolas e o resto é maior do que em quase todos os outros países. Dos 200 alunos negros que frequentam a escola só um tem um desempenho suficiente para estudar engenharia. Dez alunos brancos têm o mesmo resultado.

Muitos dos problemas são originários do apartheid. Segundo a Lei de Educação Bantu promulgada em 1953, os brancos teriam uma educação melhor do que os negros. A segregação racial era tão forte que, na opinião de Hendrik Verwoerd, o futuro primeiro-ministro na época encarregado da educação no país, os negros receberiam uma educação suficiente para serem apenas “rachadores de lenha e carregadores de água”.

Os alunos negros recebiam cerca de um quinto dos recursos destinados aos estudantes brancos. No currículo deles o ensino de matemática e ciências era quase inexistente. Muitas das escolas independentes administradas pelas igrejas, que ofereciam uma boa educação nos bairros de negros fecharam.

Depois que Nelson Mandela foi eleito presidente em 1994, o governo expandiu o acesso à escolaridade. O governo também substituiu o sistema educacional baseado na segregação racial pela divisão de riqueza. As escolas em áreas mais pobres recebiam mais financiamento do Estado. As escolas em áreas mais ricas podiam cobrar uma mensalidade.

Em teoria, essas escolas tinham de aceitar crianças cujos pais não podiam pagar as mensalidades. Na prática eram fortalezas de privilégios. Ainda existem cerca de 500 escolas construídas com lama, sobretudo na província do Cabo Oriental. Por sua vez, a província do Cabo Ocidental tem um dos maiores campus do hemisfério sul, com gramados para o jogo de críquete e croquet.

No entanto, o dinheiro não é o responsável pela situação educacional lamentável da África do Sul. Poucos países gastam tanto com educação, com retornos tão medíocres. Os gastos com a educação no país equivalem a 6,4% do PIB; a média nos países da União Europeia (UE) é de 4,8%. Ainda mais importante do que o dinheiro é a ausência de cobrança de resultados e a péssima qualidade da maioria dos professores. O Sindicato Democrático dos Professores da África do Sul (SADTU), aliado ao Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido político do país, é um elemento decisivo no fracasso do ensino na África do Sul.

http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/como-o-apartheid-prejudicou-a-educacao-na-africa-do-sul/

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Mário Soares: o amigo de Moçambique


Afonso Dhlakama e Daviz Simango

Afonso Dhlakama e Daviz Simango

“Homem que fazia a ligação com o povo de Moçambique” e “um herói africano”.

Os presidentes dos dois maiores partidos da oposição em Moçambique lamentaram neste domingo, 8, a morte do antigo estadista português Mário Soares que classificaram como a perda um grande amigo do país.

“Mário Soares era amigo de Moçambique, da Frelimo, da Renamo e do povo em geral. Um homem que fazia a ligação com o povo moçambicano. Perdemos um dos grandes amigos da Europa”, disse o presidente da Renamo numa mensagem enviada por telemóvel ao jornal moçambicano O País.

“Mário Soares era amigo do povo de Moçambique cuja história de ligação com Moçambique todos nós a conhecemos. Mário Soares esteve envolvido nas negociações de Lusaka que culminaram com os Acordos de Lusaka, em 1974”, lembrou.

Afonso Dhlakama realçou que “embora em termos ideológicos fosse socialista, era muito meu amigo, muito pessoal, ele e a esposa”, Maria Barroso, da qual lembrou as acções humanitárias de distribuição de alimentos em Moçambique nos períodos de grandes crises.

Soares, continuou Dhlakama, era uma pessoa simples que o recebia, sem “questões protocolares”, sempre que ele ia a Lisboa.

Herói africano

Por sua vez, o presidente do Movimento Democrático Moçambicano (MDM), terceiro partido com assento parlamentar, classificou Mários Soares de um herói Africa, “que viu o sangue africano, viveu o sofrimento moçambicano e foi a peça chave para a libertação desses povos”.

Em declarações à imprensa na Beira, Daviz Simango lembrou o tempo em que Soares viveu como deportado em São Tomé e Príncipe, onde viu o sofrimento também de vários moçambicanos enviados para o arquipélago pela ditadura de Salazar.

Simango considerou que “Moçambique e África devem-lhe muito, era um herói africano residente da Europa”.

O presidente do MDM recordou que a o então candidato da oposição em Portugal Humberto Delegado, do qual Mário Soares foi secretário pessoal, “teve uma vitória esmagadora na Beira” na eleição de 1959.

Refira-se que ontem o Presidente de Moçambique considerou que a morte de Soares “é um vazio difícil de preencher, tendo em conta a sua forte ligação ao processo de construção da amizade entre Moçambique e Portugal”

Para Filipe Nyusi não há como falar de Portugal e Moçambique “sem se referir à sua imponente figura na construção desta amizade, e deste entendimento que hoje perdura, irmanando os dois países”, e, por isso, “não há palavras suficientes que possam preencher o vazio deixado por Mário Soares, tanto para o povo português, assim como para o povo moçambicano.

O antigo Presidente e primeiro-ministro português Mário Soares faleceu no sábado, 7, aos 92 anos em Lisboa.

 

Fonte:http://www.voaportugues.com/a/mario-soares-dhlakama-simango-amigo-mocambique/3667880.html

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Sul-africanas apoiam Zuma

 


Fotografia: Jaimagens | Edições Novembro

A presidente cessante da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini Zuma, foi proposta no domingo para próxima presidente do Congresso Nacional Africano (ANC) pelo movimento das mulheres do  partido que governa a África do Sul desde o advento da democracia no país.

O ANC vai designar o próximo líder durante o seu congresso a decorrer em Dezembro próximo, para substituir Jacob Zuma, ex-marido da presidente cessante da Comissão da União Africana.
“Depois de um estudo minucioso e um exame mais amplo possível, consideramos que Nkosazana Dlamini Zuma tem o melhor perfil para ocupar o cargo”, anunciou o movimento das mulheres (Women\\\’s League) num comunicado divulgado no domingo.
A Liga da Mulher do ANC entende que Nkosazana Dlamini Zuma tem experiência e aura “reconhecidas e inscritas nas páginas da história do nosso país e  além”, é referido no documento. De acordo com meios de comunicação social sul-africanos, Nkosazana Dlamini Zuma conta  com o apoio do presidente cessante do  partido de Nelson Mandela. Jacob Zuma já afirmou, de resto, que a África do Sul está pronta para eleger uma mulher na liderança do país.
O Vice-Presidente Cyril Ramaphosa é o mais temível adversário de Nkosazana Dlamini Zuma, com o apoio que obteve no ano passado de diferentes sindicatos.
O ANC organiza no domingo uma manifestação para comemorar, no Soweto, o 105.º aniversário da sua criação. As festividades de domingo vão igualmente comemorar o 100.º aniversário do nascimento do antigo presidente do ANC, Oliver Tambo, falecido em 1995.
Nas autárquicas realizadas no ano passado, o partido do líder histórico Nelson Mandela obteve o seu pior resultado nas urnas.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/sul-africanas_apoiam_zuma

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A produção de Gesso em Angola abre novos mercados, com apoio do Brasil

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Natacha Roberto |

A fábrica Super Gesso, que tem ma matriz no Brasil, tem sido há muito tempo o principal fornecedor de gesso do mercado interno. Para uso médico, agrícola ou para construção civil, a fábrica tem sido exemplar e faz a sua parte na hora de agregar valor e mais qualidade aos produtos nacionais.

Com o mercado interno praticamente dominado, os gestores da fábrica esperam este ano inaugurar um novo capítulo no processo de desenvolvimento do projecto Super Gesso, o das exportações. Contactos estão bastante avançados para que o gesso “made in Angola” chegue primeiramente a mercados fronteiriços, particularmente nos Congos, Brazzaville e Kinshasa.

Segundo projecções dos gestores, a fábrica espera exportar mensalmente cinco mil toneladas de gesso para o Congo Brazzaville e 15 mil para a RDC. Estas exportações para os mercados fronteiriços representam um crescimento significativo para a empresa que procurou reunir condições para o aumento da produção e criar a folga necessária para não afectar o abastecimento ao mercado interno.

O director-geral da empresa, Elvis Lafayete, garante uma previsão de vendas na ordem das 32 mil toneladas este ano. As operações viradas para o mercado externo têm sido vantajosas para as empresas que encaram a exportação como factor de crescimento acelerado. A Super Gesso está apostada em produzir com qualidade os seus produtos.

Para Alves Lafayete, a aposta no mercado internacional obriga a empresa a adaptar-se às exigências do mercado internacional, redefinir os padrões de qualidade e de segurança. A empresa produz 25 mil toneladas por mês, totalmente consumidas pelo mercado interno. Este volume tem sido satisfatório para o mercado nacional, mas, como diz o responsável da empresa, o que se quer é aumentar os níveis de produção face ao volume de solicitações dos mais variados sectores.

Actualmente, o sector da construção civil é o que mais consome gesso como matéria-prima para o fabrico do cimento. Há nove anos a funcionar na cidade do Sumbe, a empresa produz pedra bruta para as cimenteiras e outros derivados do gesso como blocos e molduras para tecto falso.

A marca de cimento nacional Yetu tem sido suportada pela produção da Super Gesso. O sector da agricultura também tem sido um dos grandes potenciais consumidores desta matéria na produção de ração para aves. O gesso aplicado actua aumentando a disponibilidade de nutrientes na superfície do solo, fundamental para o crescimento e desenvolvimento das plantas. O gesso pode estimular o subsolo e é uma excelente fonte de cálcio e enxofre para as plantas.

Especialistas do sector agrário consideram o gesso importante fertilizante para enriquecer os solos de forma moderada. Sem concorrentes no mercado nacional, a única unidade fabril de gesso no país está também a fornecer o seu produto ao sector da saúde, para a criação de ligaduras e outros materiais de apoio hospitalar. “Estamos a pensar em transformar o gesso em giz escolar para apoiar o sector da educação, reduzindo assim as importações deste que é um material essencial para o ensino escolar”, afirma.

Mão-de-obra local

A produção de gesso tem sido garantida por mão-de-obra local. Manuel Augusto trabalha num dos sectores mais cruciais da fábrica. Há seis anos na unidade fabril, Manuel Augusto está prestes a concretizar o sonho de ter uma casa própria. Um dos mais antigos funcionários da empresa conta pelos dedos o tempo que falta para concluir as obras de construção da sua primeira casa.

Manuel tem a função de calcinador. Trajado a rigor, o jovem demonstra grande habilidade, mas também gosto pela profissão. Nas primeiras horas do dia, tem a importante tarefa de ligar o forno onde é produzido o gesso para tecto falso.
A fábrica tem dezenas de funcionários, como Manuel, que é chefe de família e morador da cidade do Sumbe. Domingos Caminheiro tem a responsabilidade de produzir placas de gesso. Por ele passam pelo menos 100 unidades, nas oito horas de trabalho. Ele desloca-se pela unidade fabril com uma máquina retroescavadora que serve para carregar pedras de utilização para dumbres e camiões. Com apenas um ano de serviço na empresa, Domingos Caminheiro ensina os novos colegas a manejar a máquina.

Sem riscos

A crise financeira em função da baixa do preço do petróleo não condiciona o crescimento da empresa angolana que utiliza matéria-prima local para a produção do gesso. A empresa está menos exposta aos riscos de falência face às crises financeiras uma vez que poupa a saída de divisas para o exterior e a matéria-prima é local. Para dar suporte à produção existem registos de reservas no país de gipsite, matéria-prima utilizada para o fabrico do gesso. Com esta garantia a empresa tem ainda reservas suficientes para suportar uma produção diária de gesso até 400 anos.

Um mineral

O gesso pode aparecer em diversas variedades, como gipsite, que é das variedades mais abundantes de gesso, e que facilmente se transforma em anidrite (variedade desidratada de gesso) se as condições de calor, pressão e presença de água variarem. A anidrite é outra variedade de gesso. Forma-se como mineral primário em sabkhas ou em bacias profundas. O termo está muito associado à gipsite porque a única diferença entre eles são as moléculas de água. A anidrite contém maior densidade que a gipsite, contudo, possui menor porosidade.
Outro tipo de gesso é a selenite, que é um mineral macrocristalino, incolor, hialino e euédrico. Encontra-se, muitas vezes, a preencher fendas em rochas. Já o alabastro, outra variedade, é semelhante ao mármore. É maciço, microgranular e translúcido. As suas cores dependem das impurezas contidas. Ocorre, frequentemente, em zonas de grandes depósitos de gesso. Por fim, o espato, que é acetinado, fibroso e possui um brilho sedoso. Este material em forma de agulha deposita-se em fracturas e ao longo de planos de estratificação.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/gesso_a_conquista_de_mais_mercados

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Guiné-Bissau: Chefes de Estado africanos debatem crise no país com líderes partidários guineenses

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Bissau – Líderes de quatro dos cinco partidos com representação no Parlamento da Guiné-Bissau deslocaram-se hoje, quinta-feira, para a Nigéria para debater com os chefes de Estado da África Ocidental a crise política no país, noticiou a Lusa.

Domingos Simões Pereira, do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Vicente Fernandes, do Partido da Convergência Democrática (PCD), Agnelo Regalla, da União para Mudança e Iaia Djaló, do Partido da Nova Democracia (PND) vão apresentar aos líderes da África Ocidental os motivos da contestação ao novo governo guineense.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, nomeou o general na reserva Umaro Embaló, de 44 anos, primeiro-ministro e este formou o seu governo, só que o executivo é contestado pelos quatro partidos que não o integram.

Estes acusam o chefe do Estado de ter feito um governo fora do entendimento alcançado em Conakry, em Outubro deste ano, que visava formar uma equipa que incluísse todas as forças políticas guineenses representadas no Parlamento e que fosse liderado por um primeiro-ministro de consenso.

Partidos e elementos representativos da sociedade civil guineense reuniram-se na capital da Guiné-Conakry em Outubro, sob a mediação do líder daquele país, para a busca de um entendimento que pudesse viabilizar a governação do país.

Alpha Condé, que actuou sob o mandato de líderes da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), promete anunciar os resultados da mediação que fez perante os seus homólogos na cimeira de Abuja, capital da Nigéria, no sábado.

Apenas o Partido da Renovação Social (PRS), segunda força política mais votada nas últimas eleições de 2014, integra, oficialmente, o novo governo guineense, que conta com figuras dissidentes do PAIGC, vencedor das eleições, mas que tem estado arredado do poder devido às divergências com o chefe do Estado.

A crise política que se mantém na Guiné-Bissau, mesmo com a formação do novo, é um dos assuntos a debater na cimeira de líderes da CEDEAO que terá lugar no sábado na cidade nigeriana de Abuja.

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O Presidente guineense, José Mário Vaz, deverá viajar na madrugada de sábado para tomar parte na cimeira onde também vai estar presente o novo primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, que hoje se deslocou para Abuja na companhia de Soares Sambu, antigo chefe da diplomacia do país.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/11/50/Guine-Bissau-Chefes-Estado-africanos-debatem-crise-pais-com-lideres-partidarios-guineenses,f0410828-6cb5-4b3d-8e48-835920820a60.html

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26 milhões de órfãos vivem na África Ocidental e Central

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Goma, RD Congo, 28 nov (Lusa) — Mais de quatro milhões de crianças perderam pelo menos um dos pais na República Democrática do Congo nas últimas duas décadas, vítimas de um ciclo continuado de violência, escreve hoje a agência Associated Press (AP).

Esta é uma das tragédias que marcará o futuro de uma geração na África Ocidental e África Central.

Mais de 26 milhões de órfãos vivem no África Ocidental e Central, onde a República Democrática do Congo está situada — o segundo maior número no mundo, a seguir ao Sul da Ásia, de acordo com as Nações Unidas.

Essas crianças cresceram no seio de confrontos alimentados por conflitos étnicos e pela luta por recursos minerais valiosos.

A destruição da família significa que alguns órfãos são forçados a cuidar de si próprios e dos seus irmãos mais novos. Alguns são vulneráveis ao recrutamento por grupos armados. E muitos também enfrentam a exploração sexual, num país onde a violação se tornou comum nas ruas.

“São os órfãos com uma história de violência desde 1994 – é uma geração de vítimas que continua”, disse Francisca Ichimpaye, monitor sénior do centro En Avant Les Enfants INUKA. E as crianças “perdem a sua história na violência”, acrescentou.

O nordeste da República Democrática do Congo está mergulhado há anos numa luta entre numerosos grupos rebeldes, que espalham diariamente o terror entre a população local, apesar dos esforços para controlar a situação por parte do exército e das forças da missão das Nações Unidas (MONUSCO).

 

http://portocanal.sapo.pt/noticia/108284