QUAL A MOTIVAÇÃO DOS JOVENS AFRICANOS PARA ABRAÇAR O TERRORISMO?

Mapa_político_da_África.svg.pngNa ONU, um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgado esta semana conclui que a marginalização, fraca governação, percepção de abuso de poder dos governos, pobreza e privações incentivam os jovens africanos a abraçar o terrorismo. Intitulado

“Viagem ao Extremismo em África: Motivação, Incentivos e o Ponto de Viragem para Recrutamento”, o estudo,baseado em entrevistas a 495 pessoas que se alistaram voluntariamente a grupos terroristas como Al-Shabaab e Boko Haram, refere que estes factores “oferecem o impulso para tomar a decisão de se juntar a um grupo terrorista

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/onu_e_berlim_abordam_africa

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Africanos querem controle dos recursos minerais:”É raro os mais pobres lucrarem”

Leis duras, impostos altos: vários Governos africanos exigem às mineradoras estrangeiras cada vez mais contribuições monetárias para o país. Analistas criticam, no entanto, as estratégias de alguns dirigentes.

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O Presidente tanzaniano, John Magufuli, já tem bastantes opositores. Desde que tomou posse, em novembro de 2015, insurgiu-se contra jornalistas críticos, funcionários públicos preguiçosos e contra a União Europeia (UE). Agora, o chefe de Estado, conhecido como “Bulldozer”, arranjou um novo opositor: as empresas de mineração estrangeiras.

“Temos de lucrar com o dom divino que são as nossas riquezas minerais”, apelou o Presidente durante um comício no mês passado. O Parlamento cumpriu a vontade de Magufuli e aprovou uma nova lei de mineração. No futuro, as empresas estrangeiras terão de pagar impostos mais altos. E as suas operações no país deverão ser participadas em 16% por cidadãos tanzanianos. Além disso, o Governo poderá renegociar contratos em vigor.

A mineradora britânica Acacia terá ainda de se haver com o Fisco tanzaniano, pois é acusada de declarar menos exportações de ouro do que as que foram feitas, para pagar menos impostos. A empresa disse não estar a par da situação e disponibilizou-se para cooperar com as autoridades. Não valeu de nada. Atualmente, os trabalhadores estrangeiros da mineradora não conseguem visto para entrar no país.

Menos receitas

Só serão atribuídas novas licenças mineiras quando as “coisas estiverem organizadas”, afirmou o Presidente John Magufuli. As medidas deverão agradar a muitos. A Tanzânia é o quarto maior produtor de ouro em África, mas poucos habitantes lucram com as receitas da extração deste metal precioso. Um terço da população vive na pobreza.

North Mara Gold Mine in TansaniaMuitos tanzanianos não beneficiam dos lucros da extração de ouro

A pressão sobre as empresas estrangeiras cresce igualmente noutros países. “Muitos Governos africanos tentam seguir uma linha populista”, diz Ross Harvey, do Instituto Sul-Africano de Relações Internacionais. “Dizem que o seu país não lucra com a mineração, que as receitas se evaporam e que o país não ganha nada com as exportações.” Isso tem consequências diretas na indústria: O Governo zimbabueano pretende confiscar quase 28.000 hectares de terra pertencentes a uma subsidiária da gigante da mineração sul-africana Impala Platinum. O caso está em tribunal. Na África do Sul, o Governo decidiu que 30% das ações das empresas mineradoras terão ser detidas por sul-africanos. Até junho, eram apenas 26%.

Os especialistas entendem bem o que leva a estas medidas. Em alguns países, as empresas estrangeiras pagam menos impostos, pois esses benefícios fiscais estão previstos nos contratos assinados com o Governo, recorda Robert Kappel, do Instituto GIGA de Estudos Africanos, em Hamburgo. Enquanto os preços no mercado internacional estiveram altos, o Estado lucrou com as exportações dos materiais, apesar dos impostos reduzidos. Mas essa época já passou. “Os preços das matérias-primas estão em queda há vários anos. Por isso, os impostos sobre as exportações diminuíram e vai menos dinheiro para os cofres do Estado”, lembra Kappel em entrevista à DW. A reação dos Governos africanos deve-se à diminuição das receitas.

Südafrika Platinmine30% das empresas de mineração na África do Sul terão de pertencer a sul-africanos

Mas receitas de impostos mais elevadas não significam necessariamente uma melhoria da vida das populações, diz Kappel. “São os Governos que decidem o que fazem com as receitas dos impostos. E, se olhar para os Orçamentos do Estado da maioria dos países, há muito dinheiro que não se destina à melhoria da situação das camadas pobres da população.”

É raro os mais pobres lucrarem

O economista Ross Harvey concorda com a renegociação de alguns contratos com as empresas estrangeiras, mas critica a forma como isso tem sido feito: “Não se cria confiança com ataques populistas nos média ou com a proibição de exportações da noite para o dia”, afirma. Os países precisam das mineradoras, apesar de tudo. A África do Sul, por exemplo, perdeu nos últimos cinco anos mais de 70 mil postos de trabalho no setor da mineração, contribuindo ainda mais para o crescimento da taxa de desemprego já elevada no país.

Em vez de fazer discursos políticos simbólicos precipitados, os Governos deveriam conversar discretamente com as multinacionais, argumenta Harvey. O Burkina Faso, a Namíbia ou o Quénia são bons exemplos neste domínio. “Perceberam que precisam dos investimentos estrangeiros, mas que têm de lucrar com esses investimentos a longo prazo”. Os Governos devem assegurar que as populações nas zonas de mineração lucram com as operações. “Há muitas formas de fazer com que as empresas contribuam mais para as infraestruturas, para o sistema de saúde ou para a educação nas suas zonas. Há países que introduziram isso nos contratos e em que isso acontece”, defende.

África do Sul assume presidência da SADC

Industrialização e criação de infraestruturas serão prioridades durante presidência sul-africana da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Analistas criticam falta de progressos nos direitos humanos.

defaultEm 2015, o Presidente Jacob Zuma participou na cimeira da SADC em Harare

O Governo da África do Sul assume, esta semana, a presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) por um ano, o que provoca algum receio junto dos mais pequenos entre os quinze Estados-membros da organização.

Talitha Bertelsmann-Scott, colaboradora do Instituto Sul-Africano de Relações Internacionais (SAIIA), afirma que o papel da África do Sul na região é problemático: “O país vacila entre comportar-se como o ‘grande irmão’ ou retirar-se completamente para não pisar os calos a ninguém.”

A SADC foi fundada há 25 anos e entre os objetivos mais ambiciosos da organização constam a estabilidade política e a boa governação, na base do progresso económico e do comércio. Em 2008, os países da SADC assinaram um acordo de comércio livre, mas alguns estados não aderiram. Até agora, segundo Talitha Bertelsmann-Scott, não houve progressos na integração económica desses países. E a especialista em política comercial considera que a situação não mudará sob a presidência da África do Sul.

“Pretória recusou sempre uma união aduaneira. Existe apenas uma mini união aduaneira entre a Suazilândia, Botswana, Lesotho e Namíbia”, explica.

Afrika SADC Gipfel in Mozambik, MaputoCimeira de 2012 reuniu os quinze Estados-membros da SADC em Moçambique

A integração possível

Os Estados-membros da SADC são unânimes em considerar que a prioridade deve ser dada à industrialização e à construção de infraestruturas, defende Bertelsmann-Scott. Esta é a intenção do Governo do Presidente sul-africano Jacob Zuma, que planeia angariar fundos para fomentar áreas transnacionais, como as indústrias mineira, de medicamentos e de serviços. Já existe um mercado energético comum, foram eliminadas as fronteiras entre as enormes reservas naturais e introduzido um visto único para turistas.

Há, no entanto, um problema que requer solução rápida: A maioria dos países da SADC tem relações comerciais mais importantes com a China, a Índia, o Brasil ou as antigas potências coloniais do que com os seus parceiros na comunidade.

Objetivos ambiciosos

Matthias Boddenberg, diretor da Câmara de Comércio alemã para a África Austral, afirma que os objetivos da SADC são “muito ambiciosos”. Apesar de já não existir o entusiasmo inicial, “os estados da SADC continuam a dar pequenos mas importantes passos para a unificação do seu espaço político e económico”.

Segundo Boddenberg, a integração económica é significativa. O especialista constata uma vontade política para um aprofundamento da integração e o reforço das relações comerciais com a União Europeia. “Mas ainda há muita resistência no que toca à renúncia da soberania política para avançar com a causa comum”, diz Boddenberg.

No Zimbabué, a SADC já tentou encorajar uma mudança no poder e obrigar o Presidente Robert Mugabe a permitir eleições livres. Mas as tentativas falharam redondamente. Segundo Talitha Bertelsmann-Scott, “o mundo todo está à espera que ele morra para que as coisas melhorem no Zimbabué”.

Na sua opinião, os países-membros não conseguem exercer uma influência decisiva sobre Harare “por causa da forte solidariedade entre as elites saídas das guerras de libertação”. Matthias Boddenberg concorda, apontando o papel importante do Zimbabué contra o regime do apartheid na África do Sul, “algo que ainda hoje determina o respeito dos outros em relação a este país”.

Boddenberg aponta outro défice da SADC: os direitos humanos. Uma alteração dos estatutos do Tribunal da SADC em 2014 determinou que só chefes de Estado e de Governo podiam apresentar queixa por violação de direitos humanos. Anteriormente também organizações não-governamentais e cidadãos tinham esse direito. A ONG Human Rights Watch afirma que esta alteração coloca em perigo a estabilidade e paz na região.

Memorial entre Angola e Namíbia homenageia as vítimas de massacre

ANGOLA E NAMIBIA

Um acordo entre os governos de Angola e da Namíbia vai permitir a instalação, em províncias angolanas do sul, de memoriais para recordar o massacre de centenas de militares namibianos, há 39 anos, por forças sul-africanas.

Um desses memoriais será de homenagem às vítimas do massacre de Cassinga-Tchamutete, no município da Jamba, de militares namibianos da Swapo – movimento de libertação da Namíbia da ocupação sul-africana, no poder desde a independência -, então refugiados em Angola, e envolve os dois países vizinhos, segundo um documento governamental a que a Lusa teve hoje acesso.

angola-and-namibiaNo decreto presidencial de 10 de agosto, aprovando o acordo bilateral entre os dois governos, o chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, reconhece “a importância da criação dos sítios e memoriais como forma de simbolizar a luta comum travada contra as forças de defesa do Apartheid da África do Sul”.

O documento refere ainda a “vontade política expressa” pelo Governo da Namíbia, em “honrar e preservar as memórias dos seus falecidos heróis e heroínas massacrados pelas forças de defesa do Apartheid da África do Sul, em maio de 1978, nas localidades de Cassinga e Xetequela”, nas províncias da Huíla e do Cunene, respetivamente.

Só no massacre de Cassinga terão morrido cerca de 700 combatentes da Swapo.

Durante o período da guerra civil angolana que se seguiu à independência angolana, a 11 de novembro de 1975, militares da África do Sul, da então colónia da Namíbia, chegaram a entrar em Angola, em combate, contra as forças do MPLA, no poder.

Em Cassinga foi já colocada em maio a primeira pedra para a construção do memorial, após trabalhos preliminares entre os dois países. Envolve duas áreas, que totalizam mais de 65 hectares, envolvendo túmulos, escombros de alguns edifícios das primeiras construções, como os postos administrativo e médico, escola, cadeias e casa dos sipaios e do comandante, entre outros.

No memorial que será construído no local foi proposta a inscrição da frase do primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, que assumiu o poder a 11 de novembro de 1975, quinze anos antes da independência da Namíbia e cinco anos antes do Zimbabué: “Na Namíbia, no Zimbabué e na África do Sul está a continuação da nossa luta. Angola é e será por vontade própria trincheira firme da revolução em África”.

http://www.dn.pt/lusa/interior/angola-com-apoio-da-namibia-para-instalar-memoriais-sobre-massacres-no-sul-8699998.html

Primeira turbina da barragem hidroeléctrica de Laúca em Angola começa a funcionar

 

Cinco anos depois do início das obras, a barragem hidroeléctrica de Laúca entra em funcionamento hoje, com a inauguração da primeira de um conjunto de seis turbinas instaladas. Localizado na província de Malanje, o empreendimento que partilha o rio Kwanza com as barragens de Cambambe e Capanda, adiciona 2.070 megawatts (MW) à rede nacional de electricidade.

A primeira turbina da Barragem de Laúca começa hoje a produzir energia eléctrica
Fotografia: Rogerio Tuti | Edições Novembro

As restantes cinco turbinas entram gradualmente em funcionamento até 2018, mas já é ponto assente que Laúca é a maior barragem do país e que o rio Kwanza, onde perfilam agora três aproveitamentos hidroeléctricos, é a maior fonte de respostas às necessidades de electricidade do país, com margem para o surgimento de novas barragens.
Laúca resulta de um investimento público de 4,3 mil milhões de dólares, como parte do projecto “Angola Energia 2025”, que prevê o aumento substancial da oferta electricidade  às populações e ao sector produtivo.
Dados consultados pelo Jornal de Angola apontam para um aumento da procura de energia no país na próxima década, quatro vezes superior aos níveis actuais. Estima-se que a demanda atinja 7,2 Gigawatts até 2025, contra os 1,5 Gigawatts.
No quadro do projecto Angola Energia 2025, está previsto um incremento da potência instalada de 2 Gigawatts para 9,9 Gigawatts. A meta é chegar aos 60 por cento da população, o equivalente a 14 milhões de beneficiários em 2025. Para esse desiderato, Laúca garante um contributo de 2.070 megawatts.
O primeiro grupo gerador entra em funcionamento quatro meses depois do início do enchimento da albufeira, processo que, de acordo com técnicos, só termina em 2018, permitindo depois a entrada em funcionamento das seis turbinas.
Com 2.070 Megawatts, Laúca supera o dobro da capacidade das duas barragens, Cambambe (960 MW) e Capanda (520 MW), com as quais divide o médio Kwanza e reduz, em certa medida, o défice na produção de energia no país.
Considerada a maior obra de Engenharia Civil alguma vez feita em Angola, a barragem de Laúca, consumiu, só em betão, o equivalente à edificação de 40 estádios de futebol, 2.800 casas ou 465 edifícios de oito pisos.
A acomodação das turbinas implicou a construção de seis túneis subterrâneos numa extensão total de 12 quilómetros, além de um desvio do rio Kwanza. A quantidade de aço consumida equivale à construção de cinco torres Eiffel.
O gigante chamado Laúca tem duas centrais de produção de energia. A primeira é constituída por seis turbinas do tipo Francis Vertical, que vão produzir 334 MW cada. A segunda inclui uma central ecológica com capacidade para 65 MW.
O projecto Angola Energia 2025 obedece a várias etapas. Para o quinquénio 2013 -2017 estavam previstas, entre outras acções, a construção da segunda central da barragem de Cambambe, Laúca, a Central do Ciclo Combinado e a barragem de Caculo Cabaça.
A nova central constitui a segunda e a última etapa da barragem de Cambambe, que data de 1959. A intervenção resultou no aumento da capacidade de produção do empreendimento de 260 para 960 megawatts (MW).
A barragem de Laúca e a Central do Ciclo Combinado do Soyo que chegou a suscitar alguns receios quanto à capacidade de garantir a continuidade das obras face à crise financeira de 2014 estão no fim.

Melhor garantia

O início hoje da produção de Laúca, cujas obras iniciaram em 2012, com o lançamento da primeira pedra pelo então ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, actual Vice-Presidente da República, é a maior garantia de viabilidade do projecto Caculo Cabaça que vem para reforçar a estratégia de redução do défice de energia no país. À semelhança de Cambambe, Laúca e Capanda, Caculo Cabaça também nasce da força do rio  Kwanza.
O aproveitamento hidroeléctrico de Caculo Cabaça tem projectada uma barragem de betão com 103 metros de altura e 553 metros de desenvolvimento de coroamento, que vai permitir armazenar um volume total de cerca de 440 milhões de metros cúbicos de água.
Com a conclusão das obras prevista para 2022, a barragem de Caculo Cabaça deve acrescentar à rede nacional de electricidade 2.100 megawatts.

Potencial por explorar

O país explora apenas cinco por cento da potencialidade que dispõe em energia hídrica. Estudos revelam que Angola dispõe de 159 locais com potencial para grandes aproveitamentos hidroeléctricos.
O projecto Angola Energia 2025 procura inverter esta situação. Entre os objectivos a que se propõem estão o estudo da evolução da procura, necessidade do aumento das capacidades de produção, transporte e transformação, interligações dos sistemas, incluindo o sistema Leste ao Norte, assim como o sistema Norte ao Centro e, a posteriori ao sistema Sul e o mapeamento dos recursos renováveis.
Especialistas defendem que, além dos grandes empreendimentos, a malha energética do país deve contar com os pequenos empreendimentos hidroeléctricos locais, sobretudo, de iniciativa dos fazendeiros. São conhecidos casos em que, além de garantirem o fornecimento de electricidade aos equipamentos fabris e comerciais e aldeamentos, empresários agrícolas assistem as autoridades locais no fornecimento de electricidade a vilas e povoações.
O objectivo do Governo é que essas iniciativas satisfaçam entre cinco e 10 por cento das necessidades de energia eléctrica no país até 2025. O Instituto Regulador do Sector Eléctrico (IRSE) prevê que o Programa Nacional de Electrificação Rural garanta, até 2017, o acesso à energia eléctrica a 86 sedes municipais e 124 sedes comunais do país.

Segurança energética

As iniciativas no sector sucedem-se. Em 2011, foi aprovada, através do Decreto Presidencial nº 256/11 de 29 de Setembro, a Política e Estratégia de Segurança Energética Nacional, com o objectivo de definir as principais orientações estratégicas para o sector e redefinir o respectivo enquadramento institucional.

A longo prazo, a política assume a necessidade de transformação do sector para responder ao enorme desafio associado ao crescimento da procura, ao longo de seis eixos, nomeadamente crescimento do parque de geração, potenciação do papel das energias renováveis, expansão da electrificação, revisão tarifária e sustentabilidade económico-financeira, reestruturação e reforço dos operadores e promoção da entrada de capital e know-how privado.

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No âmbito da estratégia “Angola Energia 2025”, a rede nacional de transporte de energia eléctrica, sobre a qual incidem avultados investimentos públicos, passa a interligar todas as capitais provinciais do país, dentro dos próximos nove anos.
Datado de 2008 e concebido em linha com o Programa Nacional de Desenvolvimento de Longo Prazo 2018/2025, o projecto, considerado ambicioso por muitos, assenta num conjunto de infra-estruturas, grande parte delas já executadas e algumas em vias de conclusão, que vão permitir que, dentro de dois anos, Angola parta para a auto-suficiência energética.
A estratégia “Angola Energia 2025” marca a rotura com as soluções paliativas e assume o compromisso de garantir o acesso à energia eléctrica à generalidade da população angolana como forma de promover o desenvolvimento humano e impulsionar a indústria.
Para garantir uma maior participação de agentes privados no sector, a estratégia “Angola Energia 2025” pretende criar condições para reduzir os encargos de exploração e, por via disso, atrair novos agentes privados no sector.
Em 2013, o país tinha apenas 2.850 km de linhas eléctricas (de 60, 220 e 400kv) e o objectivo é atingir os 16.350 km em 2025. De igual modo, há relativamente pouco tempo, três anos sensivelmente, Angola dispunha apenas de 36 subestações ao longo da Rede Nacional de Transporte. O número tem vindo a subir, embora ainda esteja longe das 152 estações programadas para 2025.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/lauca_entra_em_producao

Economia da África do Sul volta a crescer

 

O governador do banco central da África do Sul declarou que a economia do seu país voltou a crescer no segundo trimestre deste ano, saindo da recessão em que estava desde o início do ano em curso, noticiou ontem a imprensa internacional.

África do Sul regista ligeira expansão e sai da recessão
Fotografia: Edições Novembro
“Acreditamos que o pior ficou para trás e que o crescimento no segundo trimestre será positivo”, disse o governador no final da reunião do banco central que analisou as estimativas de crescimento naquele período.
“Tivemos de reduzir significativamente as nossas previsões para o crescimento, estimando agora 0,5 por cento para o total deste ano, o que é claramente muito baixo para melhorar a situação do desemprego”, acrescentou Lesetja Kganyago, citado pela AFP.
A África do Sul é a economia mais industrializada do continente africano e entrou em recessão no início deste ano pela primeira vez desde 2009, no seguimeto da crise financeira e económica mundial.
O PIB caiu 0,7 por cento nos primeiros três meses deste ano, agravando a queda de 0,3 no último trimestre do ano passado.
A taxa de desemprego está nos 27,7 por cento e nos últimos meses viu o “rating” de duas agências de notação  ser degradado para o nível de não investimento.
Nos últimos meses, a crise política contribuiu para o aumento da instabilidade económica, com sucessivos apelos para a demissão do Presidente da República, Jacob Zuma, incluindo o Congresso Nacional Africano (ANC), partido que sustenta o Governo.

Macron o novo , com a antiga visão colonialista sobre a Africa

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O presidente recém-eleito da França, Emmanuel Macron, quando perguntado em uma conferência de imprensa na cúpula do G20 em Hamburgo, por que não havia um plano Marshall para a África, explicou que a África tinha problemas “civilizatórios”. Ele acrescentou que parte do desafio que o continente enfrenta são os países que “ainda têm sete a oito filhos por mulher”.

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As palavras de Macron levou os comentaristas a se perguntarem se a “lua de mel” já havia acabado depois da manifestação equivocada, mas talvez os sinais de sua ignorância sobre Africa estivessem lá o tempo todo. Enquanto ainda fazia campanha pela presidência, Macron chamou a história colonial da França na Argélia “um crime contra a humanidade”. Mas este político centrista rapidamente mudou de ideia quando sua analise do passado brutal da França recebeu críticas dos seus eleitores. Em um discurso na cidade sudeste de Toulon, Macron pediu desculpas por ter mexido nos sentimentos dos eleitores, e alterou o discurso para falar em vez sobre a necessidade da França enfrentar seu “passado complexo”. Mas e os sentimentos dos milhões de africanos? Macron ignorou.

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Parece que, apesar de sua juventude e vitalidade, o novo presidente está aderindo a uma linha muito antiga quando se trata da posição da França sobre a África. O ex presidente Nicolas Sarkozy, que em uma visita a Dakar, no Senegal, em 2007 disse que “a tragédia da África é que o africano não entrou completamente na história … Eles nunca se lançaram no futuro. O campesino africano só conhecia a eterna renovação do tempo, marcada pela repetição sem fim dos mesmos gestos e das mesmas palavras. ”
Enfim o mesmo olhar colonialista, racista, onde os africanos não entraram na história porque os europeus e o resto mundo continua a ignorar a História da África.

As declarações de Macron não mencionam as causas profundas dos desafios dos quais o presidente fala em relação ao continente africano, mas é a admissão do papel da França , que está indelevelmente ligada à das suas antigas colônias e que a relação entre os dois permanece em grande parte neocolonial: a África francófona ainda é estratégica e fundamental para as empresas francesas – particularmente nas indústrias extrativas -que têm uma forte presença no continente.

Macron passou no teste de sua política neocolonial  na África, pois  mostrou estar fazendo um bom trabalho ao provar que ele é cortado do mesmo pano que os  líderes anteriores, adotou um tom paternalista e moralista, enquanto lucra com os regimes autoritários nos países francofonos no continente africano.

África deveria ter sido o grande tema da cúpula do G20 em Hamburgo

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 Continente deveria ter sido o grande tema da cúpula em Hamburgo e terminou em segundo plano. Trump e Merkel fizeram promessas, mas quão satisfeitos estão os próprios africanos com os resultados do encontro?A África deveria ter sido o grande tema da cúpula do G20, encerrada no último sábado (08/07), em Hamburgo. Mas o comunicado final se concentrou na proteção climática e no livre-comércio. Somente pouco antes do fim do encontro de líderes das 20 maiores economias do mundo, a África entrou na agenda.

O presidente americano, Donald Trump, prometeu 639 milhões de dólares para a luta contra a fome em Nigéria, Somália, Iêmen e Sudão do Sul. E a chanceler federal alemã, Angela Merkel, encerrou a reunião do G20 com uma rejeição “à clássica ajuda ao desenvolvimento”.

O Compact with Africa – iniciativa proposta pela presidência alemã do G20 – prevê que economias africanas sejam fortalecidas por meio de mais investimentos privados. O foco deve ser educação, pesquisa, saúde, projetos de infraestrutura e, principalmente, a independência econômica de mulheres jovens.

No entanto, de início não estão previstas parcerias com todos os países, mas somente com Etiópia, Costa do Marfim, Gana, Marrocos, Ruanda, Senegal e Tunísia. “Em princípio, a ideia de parcerias com a África é boa”, diz a política de origem senegalesa Pierrette Herzberger-Fofana, do Partido Verde alemão. “Mas usando que critérios eles pretendem escolher os países?”

A África do Sul é o único Estado africano representado no grupo dos 20 principais países industrializado e em desenvolvimento. Em Hamburgo, também esteve presente como convidado o presidente do Senegal, Macky Sall, como representante da Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad), o nigeriano Akinwumi Adesina, chefe do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), e o novo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhamom.

O presidente da Guiné, Alpha Condé, também participou do encontro em Hamburgo como presidente em exercício da União Africana. E ele se mostrou satisfeito com o saldo da cúpula.

“Um dos resultados do G20 é o consenso de que é preciso escutar os africanos, de que não se devem tomar decisões em seu lugar, mas sim discutir juntos suas necessidades reais”, disse Condé, destacando que a África precisa urgentemente de investimentos no setor energético e em infraestrutura.

“Precisamos financiar o crescimento, e se a economia privada puder nos ajudar, por que não? Agora cabe a nós insistir que essas promessas sejam cumpridas. Mas quando escuto o presidente francês ou a chanceler federal alemã, fico muito otimista”, afirmou.

Falta de real interesse

O vice-ministro do Exterior de Uganda, Henry Okello Oryem, se mostrou menos confiante. “A cúpula do G20 em Hamburgo não despertou nos participantes muito interesse pela África”, disse. Para Oryem, os países estavam muito mais interessados em seus próprios problemas e em conflitos como o da Síria do que nas necessidades do continente africano.

O desenvolvimento da África não depende apenas de investimentos, mas também do combate conjunto a obstáculos ao desenvolvimento, escreveu o vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo, em artigo publicado pelo jornal francês Le Monde.

“Se os países europeus estiverem realmente interessados em ajudar a África a se desenvolver, então eles precisam apoiar governos africanos no combate à corrupção”, afirmou. Para o político nigeriano, no momento, todos os esforços do lado africano para alcançar o desenvolvimento econômico sustentável são sufocados por fluxos ilegais de fundos, sobretudo nos próprios países do G20.

“Os problemas da África não podem ser solucionados em Hamburgo, Washington ou Xangai, mas somente pelos próprios líderes africanos”, afirma a jornalista política Jenerali Ulimwengu, da Tanzânia.

https://www.terra.com.br/noticias/o-que-ficou-do-g20-para-a-africa,dfeb8a41145711d61d3468fb4c10a722q07todpk.html

Partido do Governo da África do Sul planeja nacionalizar Banco Central

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Na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) deseja nacionalizar o Banco da Reserva da África do Sul, segundo as principais autoridades do partido. Essa medida acabaria com o status do banco central de ser uma das poucas autoridades monetária do mundo que ainda tem acionistas privados.
 
O anúncio do plano, que ainda precisa ser aprovado na conferência eletiva do ANC em dezembro, fez com que o rand caísse mais de 1% em relação ao dólar. No último dia da conferência de política do ANC, Enoch Godongwana, funcionário de política econômica do partido, afirmou que o partido agora acredita que “uma instituição como o Banco da Reserva deve estar em mãos públicas”. Para ele, “há um acordo geral de que a anomalia do Banco da Reserva – que ainda é privado – é um problema”.
 
A maioria dos bancos centrais do mundo é de propriedade do governo, mas a mudança de política planejada ocorre em meio a um debate mais amplo sobre o mandato e o papel do BC sul-africano na economia mais desenvolvida da África. No mês passado, o governo exigiu uma mudança na Constituição do país ao desejar tirar do BC a política de estabilidade de preços para proteger “o bem estar socioeconômico dos cidadãos”.
 
Atualmente, o Banco da Reserva da África do Sul tem mais de 600 acionistas, que detêm, no máximo, 10 mil das 2 milhões de ações do banco, de acordo com informações oficiais da instituição. No entanto, os acionistas não têm influência sobre a política monetária do BC, que é definida por um comitê de seis membros. Fonte: Dow Jones Newswires.
 

Na Etiópia está instalado importante debate sobre o futuro da África

por João Dias | Addis Abeba

3 de Julho, 2017

O ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, discursa hoje na 29.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que decorre até amanhã na capital etíope, Adis Abeba, em representação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

João Lourenço foi ontem recebido pelo Presidente do Ruanda a quem entregou uma mensagem do homólogo angolano
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro – Addis Abeba

João Lourenço, que está desde ontem em Addis Abeba, disse, à chegada, que a sua intervenção vai incidir sobre questões de paz, defesa, segurança como vectores indispensáveis para a integração regional e desenvolvimento sustentável do continente.
O ministro da Defesa referiu que é portador de mensagens do Presidente José Eduardo dos Santos para todos os seus homólogos africanos.
A cimeira, que arranca hoje, debate questões relacionadas com o orçamento, reforma estrutural da organização, situação política em alguns países do continente e a implementação do tema do ano “Dividendo demográfico, investindo na juventude”.
Acompanhado pelo ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Rui Mangueira, e pelo secretário de Estado para as Relações Exteriores, Manuel Augusto, o ministro da Defesa foi recebido à chegada pelo ministro etíope das Águas, Irrigação e Energia, Minissan Bekele e por membros da delegação angolana.
Ontem, após ter chegado a Adis Abeba, o ministro da Defesa Nacional de Angola, João Lourenço, foi recebido em audiência pelo Presidente da República do Tchad, Idriss Deby Itno. Vários chefes de Estado e de Governo escalaram ontem a capital etíope para a 29.ª cimeira, que tem como convidado de vulto o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud-Abbas, que marcam presença na abertura da cimeira, onde discursam, tal como o Presidente da Comissão da UA, Moussa Faki, após palavras de boas-vindas do Primeiro-Ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn.
A 29.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo é orientada pelo Presidente da Guiné Connacry, Alpha Condé, na qualidade de presidente em exercício da União Africana. No centro do debate estão temas como a Integração Regional, cujo foco recai para a Zona de Livre Comércio, bem como a situação de paz e segurança no continente, a análise e aprovação do orçamento de 880 milhões de dólares para o próximo ano, a situação humanitária e as reformas estruturais.
No âmbito dos Relatórios sobre “Questões Estratégicas”, Paul Kagame, Presidente do Rwanda, vai abordar a componente da

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Reforma Institucional da União Africana. O Presidente do Níger, Mahmadou Issoufou(foto), apresenta um informe sobre as medidas já tomadas para a implementação da Zona de Livre Comércio, enquanto o Presidente Tchadiano, Idriss Deby Itno,  fala do que devem ser os pilares para a implementação do tema por si proposto: “Aproveitamento do Dividendo Demográfico, Investindo na Juventude”.

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O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki(foto), apresenta o relatório sobre a situação de Paz e Segurança em África, com destaque para a situação dos principais conflitos armados no continente, nomeadamente na República Democrática do Congo, Líbia, Sudão, Sudão do Sul, Burundi, Somália, Mali e República Centro-Africana.
Da agenda consta também uma informação do Presidente da República da Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, relativa à Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, assim como será analisado o documento do Conselho de Paz e Segurança da UA sobre a implementação do Roteiro Director dos Passos Práticos, Rumo ao silenciamento das Armas em África até 2020.
Ontem, o ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, foi recebido em audiência pelo Presidente do Ruanda, Paul, Kagame, a quem entregou a primeira das várias mensagens que o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, enviou aos seus homólogos africanos.

Refugiados em Angola

Em declarações à imprensa, após a reunião do conselho de ministros do Fórum PALOP, o chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, desmentiu ontem, em Adis Abeba, informações postas a circular segundo as quais as autoridades angolanas estavam a expulsar refugiados oriundos da República Democrática do Congo.

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Georges Chikoti  (foto) foi peremptório em afirmar que são falsas e sem fundamentos tais afirmações e que o representante das Nações Unidas em Angola já as desmentiu. “Não existe esta situação. Antes pelo contrário, Angola acolheu mais de 30 mil  refugiados vindos da RDC nas condições em que o nosso país pode dar, tendo aprovado um orçamento de 500 milhões de kwanzas e mais um montante em moeda externa para podermos adquirir tendas e comida para corresponder às primeiras necessidades dos refugiados”, lembrou Georges Chikoti.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/futuro_do_continente_debatido_em_addis_abeba