Secretário-Geral da ONU, é defensor da liderança africana para resolver os problemas africanos

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou na segunda-feira em Lisboa ser “um grande defensor da liderança africana” para resolver os problemas que afectam o continente, incluindo a crise política da Guiné-Bissau, iniciada em 2015.

António Guterres manifesta disposição de trabalhar mais em prol da paz em África
Fotografia: Thomas Kienzle |AFP
António Guterres defendeu esta posição numa conferência de imprensa após ter sido reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa, sob proposta do Instituto Superior Técnico.
“Temos (nas Nações Unidas) uma visão clara de parceria com as instituições africanas. Temos com a União Africana uma relação de enorme cooperação e estamos a fazer o mesmo com as organizações sub-regionais como a Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO)”, realçou o antigo primeiro-ministro português, que assumiu a liderança da ONU em Janeiro de 2017, quando questionado sobre a atual situação política na Guiné-Bissau.
O país lusófono vive uma crise política desde a demissão, pelo Presidente, José Mário Vaz, do Governo liderado por Domingos Simões Pereira, do PAIGC, em Agosto de 2015, tendo o país conhecido seis nomes indicados pelo Chefe de Estado para ocupar o posto.
Por falta de consenso entre as várias forças políticas, a CEDEAO elaborou o Acordo de Conacri, assinado em Outubro de 2016, que prevê a nomeação de um primeiro-ministro de consenso.
No entanto, a CEDEAO considera agora que o nome indicado pelo Presidente guineense não corresponde a esta decisão, tendo sancionado 19 personalidades guineenses, acusadas de estarem a impedir a normalização da vida política guineense.
Para Guterres, a ONU tem uma grande solidariedade com a ação da CEDEAO, nomeadamente no caso da Guiné-Bissau.
Sou um grande defensor da liderança africana para resolver os problemas africanos e entendo que as Nações Unidas devem ser um foco de apoio às iniciativas africanas e é assim que vemos a ação da CEDEAO na Guiné-Bissau”.
A situação política na Guiné-Bissau mereceu a atenção dos Chefes de Estado e de Governo africanos reunidos recentemente em cimeira extra-ordinária na sede da União Africana, em Addis Abeba, capital da Etiópia.  Ao manifestar a sua preocupação com a situação atual na Guiné-Bissau, o Conselho de Segurança e Paz da União Africana sublinhou ontem a necessidade de as Força Armadas do país se absterem  de interferir na crise política e institucional e continuarem a defender a Constituição.
O Conselho de Segurança e Paz da União Africana reafirmou o seu engajamento em acompanhar de perto todos os desenvolvimentos políticos e apoiar  a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) nos seus esforços para garantir uma resolução rápida da crise prolongada na Guiné-Bissau.
Ainda no espaço lusófono e africano, o Secretário-Geral das Nações Unidas foi também interrogado sobre os avanços da aplicação de um acordo de paz em Moçambique, salientando o direito do povo moçambicano de encontrar a paz e uma melhor qualidade de vida.
“Espero que Moçambique possa finalmente encontrar a paz a que tem direito, a que o povo moçambicano tem direito, para que todas as dificuldades econômicas que o país atravessa possam ser enfrentadas de uma forma positiva e para que a qualidade de vida que os moçambicanos merecem se possa concretizar”, declarou.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, alcançaram recentemente um consenso com vista à paz naquele país, compromisso que inclui uma proposta de revisão da Constituição moçambicana. Os diálogos entre os dois dirigentes são vistos como encorajamentos para o fim das hostilidades e alcance da paz.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/guterres_apoia_solucao_de_crises_por_africanos

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Presidente da África do Sul promete combate ás desigualdades sociais e ensino superior gratuito

naom_5a8b775cb631eO novo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que vai tomar “duras decisões” para reduzir o tamanho de seu déficit fiscal e estabilizar suas dívidas após anos de fraco crescimento.

A declaração foi dada na última sexta-feira (16), um dia depois de Ramaphosa tomar posse. Segundo ele, seu governo está comprometido com certeza e consistência política, ao contrário de seu antecessor, Jacob Zuma, que renunciou na semana passada por ordem do Congresso Nacional Africano.

 

O novo presidente ainda acrescentou que vai intervir para estabilizar e revitalizar empresas estatais e que irá acelerar o programa de redistribuição de terras.

Além disso, Ramaphosa disse que o ministro da Economia fará um discurso sobre orçamento nesta quarta-feira (21) para revelar seu plano para educação superior gratuita no país. “Permanecemos uma sociedade altamente desigual na qual a pobreza e a prosperidade ainda são definidas por raça e gênero”, afirmou.

Ramaphosa foi eleito pelo parlamento na última quinta-feira (15) após Zuma renunciar em meio a centenas de denúncias de corrupção. Ele era vice-presidente do país e ficará no cargo como permanente, até as próximas eleições presidenciais, em 2019.

O novo chefe de Estado também é membro do partido Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), mesmo partido de Zuma e do ex-presidente Nelson Mandela. O ANC está no poder desde o fim do apartheid na África do Sul, em 1994, e deve permanecer no poder com a mudança na liderança.

Para ele, desafios não faltam, principalmente na economia, já que a África do Sul está em recessão desde 2011, e precisa voltar a ocupar o lugar de força emergente global.  Com informações da ANSA.

Fonte:https://www.noticiasaominuto.com.br/mundo/531317/ramaphosa-promete-duras-medidas-para-melhorar-africa-do-sul

Transporte de manganês da República Democrática do Congo, via Angola, muda o comércio mundial

 

manganesManganês (Mn)é o nome dado a um metal branco cinzento distribuído em diversos ambientes geológicos, encontrando-se na forma de óxidoshidróxidossilicatos e carbonatos. É um elemento dotado de qualidades importantes à utilização na indústria siderúrgica, devido à sua composição físico-químicas, atuando como agente dessulurante (diminuidor da quantidade de enxofre) e desoxidante (propício a corrosão e ferrugem, por possuir maior afinidade com o oxigênio do que com o ferro). 

 

Os países industrializados da Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão – com exceção da Rússia – possuem dependência extrema de reservas de manganês para suas indústrias siderúrgicas, sendo um mercado bastante vantajoso – como foi na prática – para países da economia periférica como o Brasil.

Em nosso país, a maioria das reservas concentram-se no estado do Mato Grosso, sendo porém, as maiores quantidades do minério extraídas nos estados do Pará (57,86% do total) e Minas Gerais (21,48%). Outras reservas dignas de menção são as dos estados do Amapá, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Goiás. Entre 1987 e 2000, porém, há uma significativa queda na produção, propagando logicamente um queda também na produção de ferroliga exatamente no mesmo período analisado. Antes dessa queda, o primeiro posto na produção nacional pertencia ao Amapá, com a ajuda de seu importante lavra na região da Serra do Navio.

região mineira de Kisenge, província de KatangaO comboio inaugural, carregado com 50 contentores de manganês da região mineira de Kisenge, província de Katanga, República Democrática do Congo (RDC), chega hoje ao município fronteiriço do Luau, província do Moxico, leste de Angola, soube a Angop, no Luena. Mexe com produção mundial desse mineralkatanga_small

Por isso se reveste de importância essa noticia veiculada pela impressa angolana
Para a recepção do minério, a direção do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) já enviou comboios carregados de contentores para acondicionar e transportar  amanhã o manganês até ao Porto do Lobito, para posterior comercialização.
Esse carregamento concretiza-se depois da conformação do ramal do CFB até a ponte ferroviária transfronteiriça sobre o rio Luau. O CFB e a Sociedade Nacional dos Caminhos-de-Ferro do Congo (SNCC)  tiveram de trabalhar, para adequar os ramais ferroviários por estarem desajustados.

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O vice-governador provincial para o Sector Político, Social e Económico, Carlos Alberto Masseca, disse a propósito que com a reabertura das ligações ferroviárias entre o CFB e a SNCC estão criadas as condições para a se transformar a província do Moxico num grande entreposto logístico.  O entreposto logístico do Moxico, na visão do responsável, será apoiado quer para exportações da RDC e da Zâmbia, como para a exportação de produtos angolanos para a região central de África.

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A reactivação da via ferroviária internacional lança um desafio ao Moxico de dinamização agrícola e agro-industrial, no sentido de se produzir alimentos para o consumo na província e no país e o excedente ser exportado para a região central do continente. Com isso, prognostica Carlos Alberto Masseca, pode-se criar grandes centros de desenvolvimento logísticos no sector da indústria, agricultura, silvicultura e outros, para se aproveitar a posição geoestratégica em que se encontra o Moxico.
Quanto ao Luau, Carlos Alberto Masseca disse existir programas do Governo, que visam criar uma grande zona logística local, ajudar na transportação e dinamizando a diversificação económica. “Da parte de Angola como é sabido, o processo de reconstrução do CFB já terminou faz tempo e está à disposição dos países vizinhos para poderem utilizar”, rematou.
O Luau é o principal ponto de ligação entre o CFB e a SNCC, possuindo a primeira estação ferrovia do leste ao litoral do país (Lobito), numa extensão de 1.344 quilómetros. Através das linhas férreas da Zâmbia, é possível chegar à cidade de Beira (Moçambique) e a Dar-es-Salam (Tanzânia).

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O minério chegará ao oceano Atlântico criando uma nova rota de produção desse minério

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/rdc_envia__o_primeiro_comboio__com_minerio

Felwine Sarr: África pode reinventar-se

João BiscaiaDAVIDE PINHEIRO

Economista e artista senegalês, Felwine Sarr escreveu “Afrotopia” sobre a descolonização e o sonho africano

África, o continente das feridas do séc. xx por sarar ou o lugar onde a utopia é real no séc. xxi? O pensador, economista e artista senegalês Felwine Sarr escreveu “Afrotopia” sobre o processo adiado de descolonização. O livro é um apelo a uma visão inclusiva e contemporânea. De África para o mundo e o inverso. Às 18h30 conversa com os artistas alemães Monika Gintersdorfer e Knut Klaßen, em Lisboa, para apresentar “Diálogo Direto Kinshasa Lisboa” no Teatro Maria Matos. O espetáculo pode ser visto de quinta a sábado, sempre às 21h30.

afroutopiaNo livro “Afrotopia” defende que o processo de descolonização ainda não terminou. O que falta fazer?

A descolonização é um processo muito longo. No final dos anos 60, os países africanos tornaram-se independentes, mas para se ter independência não basta um território e uma bandeira. A questão racial e a relação com os países colonizadores não terminou aí. As ligações políticas e culturais continuam a ser assimétricas porque foram construídas dessa forma. Não é em dez ou 20 anos que se reconstrói uma relação. Reconquistar a liberdade e a autonomia leva tempo. É preciso desarticular estas ligações, negociar uma relação mais justa e horizontal. A descolonização está na forma como se organiza a sociedade para que se possa decidir o futuro e atingir objetivos.

É um problema africano e europeu?

Sim, de ambos. A Europa decidiu pela descolonização porque tinha os turistas e era muito caro manter as colónias. Foi o contexto histórico, e não uma questão de arrependimento moral ao não contribuir para um mundo mais igualitário e aproveitar-se dos recursos existentes em África. A Europa não vai querer perder o acesso às matérias-primas e, se puder continuar a defender uma relação injusta do ponto de vista económico, vai continuar a fazê-lo. E também os líderes dos países africanos na altura recém-independentes não cortaram essa relação umbilical. Pensaram que imitar a Europa na organização social e política seria uma boa forma de desenvolvimento. Não rearticularam a História. Veja-se o caso da França, que continuou a intervir militarmente nas ex-colónias. Não se pode dizer que as coisas não tenham mudado. Há países que conseguiram ter bastante autonomia, mas outros, como a África do Sul, têm muito trabalho pela frente.Felwine_Sarr_IMG_2388

África precisa de reencontrar um caminho próprio?

Repare, África é o continente mais ancestral do mundo. As primeiras formas de organização social foram em África. Há uma história muito longa do que significa a vida e viver em sociedade. Toda a experiência humana passou por África. O colonialismo foi apenas um período curto na História, apesar de muito significativo. Alterou a trajetória dos países africanos. Não é possível reescrever a História, mas África pode reinventar-se desde que rearticule os legados históricos – incluindo o passado colonial – e escolha o seu caminho. Não me parece que isso esteja a acontecer. Não estamos a decidir que sociedade queremos. Para mim, essa é a questão central. Que tipo de equilíbrio pretendemos entre economia, ecologia e espiritualidade? Que tipo de ser humano queremos? Se respondermos a estas questões, podemos construir um modelo de sociedade centrado na nossa visão da História.

As gerações pós-raciais podem desempenhar um papel decisivo?

Sem dúvida. Está na hora de nos reinventarmos com novas ideias e um olhar progressista, em vez de estarmos sempre presos ao lado negro da nossa história recente.

É muito crítico das ONG. Boas intenções não são suficientes?

Não são. Não todas, mas uma parte delas julgam saber o que é bom para as pessoas. É quase um pensamento colonialista. Quererem ajudar não significa que saibam o que é melhor para as pessoas. Ajudar significa dar às pessoas o poder de decisão sobre as suas vidas. Quando não se tem essa capacidade, quer dizer que a relação é de dependência. Algumas ONG contribuem para esse vínculo. Quando abandonam os programas humanitários, as pessoas ficam pior do que estavam. Este é o meu primeiro problema. O segundo é que a ajuda, a curto prazo, pode ser boa, mas inibe as pessoas de procurarem soluções próprias. É preciso tentar e falhar até encontrar as respostas necessárias. A longo prazo, vai ser prejudicial. A solidariedade deve ser repensada e envolver todos os agentes envolvidos neste processo. As pessoas devem poder escolher a forma de ser ajudadas.

Estamos a passar por um período de grande turbulência política em que algumas questões parecem ser opacas. O racismo tem diferentes camadas?

Absolutamente. Um amigo meu usou no novo livro que escreveu o conceito de “racismo menor”. É um tipo de racismo do dia-a-dia, das conversas… É muito difícil combatê-lo porque não está na lei. É mais informal. O problema do racismo é a definição através do outro. O outro define-te e cataloga-te sem te conhecer por haver uma série de características que um determinado grupo, que se julga superior, tem. E o racismo não se define apenas nas relações. Pode ser institucional e instalar-se nas relações políticas, quando uma cultura se julga superior à outra

Teve uma banda quando era estudante. A arte pode desempenhar um papel decisivo nestes processos?

As manifestações artísticas podem ser uma forma de combater o racismo. A literatura, a música e o discurso associado são muito importantes. Sobretudo a música é um bom exemplo. É uma arte participativa e de comunhão. É possível transmitir uma mensagem sem compreender uma palavra da letra, graças à vibração. A música é também um lugar de encontro sem hegemonias. A relação constrói-se apenas através da beleza ou das harmonias. Uma canção pode falar para toda a gente, mas o único critério de apreciação é a sensibilidade. E, além disso, é uma forma de lidar com a cultura do próximo. Mas pode também envolver riscos se a música africana for entendida de forma folclórica. Os ritmos são muito complexos na forma de tocar djembê ou bateria. Até na música, a abordagem é importante.felwine-sarr-151681-250-400

É possível pensar em África como um todo ou a dimensão não o permite?

O sonho de unificar o continente existe desde o séc. xix, mas é um projeto muito complicado devido à diversidade e às identidades locais. É complicado para os políticos abandonar a sua visão territorial e transpô-la para uma dimensão mais vasta. Era preciso partir de baixo e construir uma consciência pan-africana. Nada está feito para se construir um pensamento de pertença a uma comunidade maior. Há muito trabalho a fazer. Em 2050 seremos 2,5 mil milhões de pessoas. Não sei como será possível administrar tantas pessoas. É preciso repensar a formar de olhar para estas questões. Construir, e não apenas sonhar.

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Vê-se como um afro-sonhador? Afro-realista?

(risos) Não, estou apenas a tentar ser afro-lúcido. Olhar para a realidade sem óculos de euforia ou desespero. Por vezes é difícil compreender a realidade, por ser muito opaca, mas acredito que estão a acontecer boas dinâmicas a nível econômico e demográfico. Nas novas gerações há vontade de construir uma África nova. Estamos a viver uma crise que não é apenas económica. É filosófica, ética e moral. Temos uma ordem, mas não sabemos para onde estamos a ir. O neoliberalismo não deixou lugar para o ser humano. Provavelmente, todas as sociedades se estão a interrogar sobre a forma de escapar. Em África, as questões são mais urgentes. Por isso é que a questão da utopia é tão importante. É necessário um espaço na sociedade para a utopia. Deve haver lugar na mente para a imaginação. Para que o sonho seja ativo e possa ser real.

Acredita que as novas gerações veem África de uma forma inclusiva e articulada com o resto do mundo?

É interessante essa questão porque ainda esta manhã estive a trabalhar no título de um livro sobre a relação de África com o mundo. África como parte do mundo, e não isolada. As novas gerações africanas estão no centro do mundo e a forma como se relacionam com África é sentirem-se cidadãos do mundo. A dinâmica não é separada. A questão mais importante neste século passa por africanizar globalmente e vice-versa.

 

Fonte: https://ionline.sapo.pt/559090

 

Ex-Embaixadores dos Estados Unidos pedem a Trump para reavaliar suas opiniões sobre a África

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Prezado Sr. Presidente,

Como ex-embaixadores dos EUA em 48 países africanos, escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com os relatos de suas recentes observações sobre países africanos e para atestar a importância de nossas parcerias com a maioria dos cinquenta e quatro países africanos. A África é um continente de grande talento humano e rica diversidade, bem como extraordinária beleza de recursos naturais quase incomparáveis. É também um continente com profundos laços históricos com os Estados Unidos.

Como embaixadores americanos no exterior, vimos as complexas e ricas culturas de África, um acolhimento impressionante e uma generosidade e compaixão de tirar o fôlego. Mesmo que haja algumas nações enfrentando desafios, contamos entre nossos contatos empresários dinâmicos, artistas talentosos, ativistas comprometidos, ambientalistas apaixonados e educadores brilhantes. Aprendemos a dar novas soluções a problemas complexos, ajudamos as empresas americanas a encontrar parceiros críticos para o sucesso e a contarmos  com funcionários públicos,  militares  de inteligência africanas que muitas vezes assumiram riscos reais para ajudar a alcançar resultados críticos para nossa segurança.

Sabemos que o envolvimento respeitoso com esses países é uma parte vital da proteção de nossos próprios interesses nacionais. Os Estados Unidos da América são mais seguros, mais saudáveis, mais prósperos e melhor equipados para resolver problemas que enfrentam toda a humanidade quando trabalhamos, ouvimos e aprendemos com nossos parceiros africanos. Nós também sabemos que o mundo inteiro é mais rico por causa das contribuições dos africanos, incluindo os muitos americanos de ascendência africana.

 
Foi uma das maiores honras de nossas vidas  representar os Estados Unidos da América no exterior. Também foi um privilégio viver e aprender com os diversos e esplendidos países  da África. Esperamos que você reavalie suas opiniões sobre a África e seus cidadãos e reconheça as importantes contribuições que os africanos e os afro-americanos criaram e continuam a fazer em nosso país, nossa história e os laços duradouros que sempre ligará a África e os Estados Unidos.

Atenciosamente,

Mark L. Asquino – Equatorial Guinea
Shirley E. Barnes – Madagascar
William (Mark) Bellamy – Kenya
Eric D. Benjaminson – Gabon, Sao Tome and Principe
Michele Thoren Bond – Lesotho
Parker W. Borg – Mali
Aurelia E. Brazeal – Kenya, Ethiopia
Pamela Bridgewater – Benin, Ghana
Reuben E. Brigety II – African Union
Kenneth L. Brown – Ivory Coast, Ghana, Republic of the Congo
1Steven A. Browning – Malawi, Uganda
Edward P. Brynn – Burkina Faso, Ghana
John Campbell – Nigeria
Katherine Canavan – Botswana
Timothy Carney – Sudan
Johnnie Carson – Uganda, Zimbabwe, Kenya, Assistant Secretary of State for African Affairs
Phillip Carter – Ivory Coast, Guinea-Conakry
Herman Cohen – Senegal, Assistant Secretary of State for African Affairs
Frances D. Cook – Burundi, Cameroon
Walter L. Cutler – Democratic Republic of the Congo, Tunisia
Jeffrey S. Davidow – Zambia
Ruth A. Davis – Benin, Director General of the Foreign Service
Scott H. DeLisi – Uganda, Eritrea
Christopher Dell – Angola, Zimbabwe, Deputy Ambassador at AFRICOM
Harriet Elam-Thomas – Senegal, Guinea-Bissau
Gregory W. Engle – Togo
James F. Entwistle – Nigeria, Democratic Republic of the Congo
Robert A. Flaten – Rwanda
Robert S. Ford – Algeria
Patrick Gaspard – South Africa
Michelle D. Gavin – Botswana
Donald H. Gips – South Africa
Gordon Gray – Tunisia
Robert E. Gribben – Central African Republic, Rwanda
Patricia McMahon Hawkins – Togo
Karl Hofmann – Togo
Patricia M. Haslach – Ethiopia
Genta Hawkins Holmes – Namibia
Robert G. Houdek – Uganda, Eritrea
Michael S. Hoza – Cameroon
Vicki J. Huddleston – Madagascar, Mali
Janice L. Jacobs – Senegal
Howard F. Jeter – Botswana, Nigeria
Dennis C. Jett – Mozambique
Jimmy J. Kolker – Burkina Faso, Uganda
Edward Gibson Lanpher – Zimbabwe
Dawn M. Liberi – Burundi
Princeton N. Lyman – Nigeria, South Africa
Jackson McDonald – The Gambia, Guinea
James D. McGee – Swaziland, Madagascar, Comoros, Zimbabwe
Roger A. Meece – Malawi, Democratic Republic of the Congo
Gillian Milovanovic – Mali
Susan D. Page – South Sudan
David Passage – Botswana
Edward J. Perkins – Liberia, South Africa, Director General of the Foreign Service
Robert C. Perry – Central African Republic
Thomas R. Pickering – Nigeria
Jo Ellen Powell – Mauritania
Nancy Powell – Uganda, Ghana
Anthony Quainton – Central African Republic
Elizabeth Raspolic – Gabon, Sao Tome and Principe
Charles A. Ray – Zimbabwe
Fernando E. Rondon – Madagascar, Comoros
Richard A. Roth – Senegal, Guinea-Bissau
Robin Renee Sanders – Republic of the Congo, Nigeria
Mattie R. Sharpless – Central African Republic
David H. Shinn – Burkina Faso, Ethiopia
A. Ellen Shippy – Malawi
George M. Staples – Rwanda, Cameroon, Equatorial Guinea, Director General of the Foreign Service
Linda Thomas-Greenfield – Liberia, Director General of the Foreign Service, Assistant Secretary of State for African Affairs
Jacob Walles – Tunisia
Lannon Walker – Senegal, Nigeria, Ivory Coast
Melissa F. Wells – Cape Verde, Guinea-Bissau, Mozambique, Zaire (Congo-Kinshasa)
Joseph C. Wilson – Gabon, Sao Tome and Principe
Frank G. Wisner – Zambia, Egypt
John M. Yates – Cape Verde, Benin, Cameroon, Equatorial Guinea, Permanent Charge (3 years) Zaire, Special Envoy for Somalia
Mary Carlin Yates – Burundi, Ghana, Sudan
Johnny Young – Sierra Leone, Togo

Lula deve viajar para a Etiópia depois do julgamento

plenario

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viagem prevista para a África três dias depois do julgamento da apelação da sentença do caso do tríplex do Guarujá pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O petista participará de um evento de combate à fome na cidade de Adis Abeba, na Etiópia, país sede da União Africana.

Com o lema “Vencer a Luta contra a Corrupção: Um Caminho Sustentável para a Transformação de África”, os trabalhos da ocorrerá a cimeira da União Africana , que começará dia  22 de janeiro com a 35.ª sessão Ordinária do Comité Permanente de Representantes.

lula africaNa última sexta-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, permitiu, por meio de portaria, que três assessores do ex-presidente acompanhem o petista na viagem — um dos assessores foi autorizado a viajar entre os dias 23 e 29 de janeiro. Os outros dois, entre os dias 26 a 29 janeiro. Como ex-presidente, Lula tem direito a manter assessores.

Crônica do escritor angolano, Manuel Rui: “Nomenklatura, estado e república”

MANUEL RI

Manuel Rui

Nomenklatura, em língua russa, como nomenclatura em português têm origem no latim, num significado mais simples para “lista de nomes,” ou “burocracia” ou “casta dirigente.” A nomenclatura incluía altos funcionários do partido, devidamente hierarquizados, intelectuais, académicos, artistas ou escritores, gozando de privilégios a que não tinham acesso a maioria restante da população.

Teóricos como Bettelheim entenderam que a burocracia, tendo nascido da classe trabalhadora, no seu desenvolvimento histórico tornou-se numa classe social distinta do proletariado, o que levou mesmo a desenvolver-se a teoria de que havia luta de classes no interior da URSS.
Quando Michael S. Voslensky escreveu o livro “A NOMENKLATURA,” foi amaldiçoado pelo poder soviético, perdeu a cidadania (quais direitos humanos!) e fugiu para Alemanha para dar aulas numa universidade. Ele tinha pertencido à nomenklatura e desmontava para o mundo ver, qualquer coisa mista de dantesco, máfia e ficção científica mas que era realidade. A obra não deixou de ser um dos fundamentos que alimentou a Perestroika. No livro podem observar-se os seguintes tópicos: “classe escondida,” o nascimento da nova classe dominante, a classe dirigente da sociedade, a classe dos exploradores da sociedade, a classe dos privilegiados, a ditadura da nomenklatura, a classe que aspira à hegemonia mundial e uma classe parasitária.
A obra correu aqui clandestinamente, nos tempos de “sob o olhar silencioso de Lenine.” Consegui o livro através de um académico brasileiro. Emprestei-a a um amigo do Comité Central do partido único. Não demorou muitos dias a lê-lo. Depois veio a minha casa, enquanto bebíamos moeda que era a cerveja, chamou-me de contrarrevolucionário e não me devolveu o livro.
Transcrevo este pequeno extratacto: “os dirigentes constituem um grupo humano numeroso, que se distingue dos outros grupos da sociedade soviética por seu lugar (preponderante) no sistema de produção social; por sua relação com os meios de produção (o direito a dispor deles); por seu papel (director) na organização social do trabalho e pela parte (importante) da riqueza social de que se apropria. Esse grupo dirigente constituía uma classe que se escondia com o nome de outra – o proletariado. Mas o próprio proletariado, por ser mais abrangente e disseminado na sociedade, não tinha relação com a classe no poder.
De 1985 a 1991, com Gorbatchov ocorreu a Perestroika que quer dizer reestruturação e a glasnost que significa transparência, face ao esgotamento das formas de organização social soviética. Foi só começar a executar as linhas principais do seu pensamento para a URSS ruir como um baralho de cartas.
Poupando espaço, a Nomenklatura em funcionamento era o aparelho ou apparatchik. Que mandava executar tudo. Os ministérios eram fachadas para executarem as ordens do aparelho e a constituição valia menos que os estatutos e regulamentos da Nomenklatura. Os cidadãos eram policiados pelas secretas e os discordantes iam parar aos campos de concentração chamados gulags. As obras que começaram a denunciar estes campos e outras como o “pavilhão dos cancerosos,” foram pressupostos valiosos para a “pintura” que Gorbatchov queria fazer e não conseguiu porque as paredes ruíram antes. Verdadeiramente, estado e república(s) eram uma ficção. Certo é que mal acabou a URSS começaram a aparecer os milionários a comprarem clubes de futebol ou a coleccionarem iates e carros fórmula um.
Quem muito padeceu com tudo isso foram os escritores cuja união funcionava no partido, como em Cuba. Nunca me esquece de um internacionalista que trabalhou aqui, mais tarde, em Havana, era da segurança e “atendia” à União de artistas e escritores. Entre nós, no primeiro encontro de escritores apareceu na UEA um elemento da Disa para “acompanhar” os trabalhos.
Os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas que chegaram â independência e ao poder, por razões históricas e não só, aparecem com Nomenclatura, partido único e um chefe que é ao mesmo tempo o Presidente da República. O governo é para executar o que o aparelho entender. Mas há momentos de alta preocupação em que o governo não se intromete numa questão de interesse nacional. Foi o exemplo da tragédia do 27 de Maio. Tudo foi discutido pela Nomenclatura e aí foram tomadas as decisões. Depois do golpe falhado, não foram remetidos aos tribunais civis ou militares quaisquer processos, em suma, a nomenclatura foi quem decidiu sem prestação de contas. Nem Estado nem República. Neto teve que temperar os exageros da Disa…
Com o advento do multipartidarismo, a nomenclatura continuou dona disto tudo com a atrapalhadora situação do chefe ser também chefe de estado. Essa parte é para os historiadores. Parece que hoje encetámos o bom caminho. Os partidos têm as suas ideologias e estratégias, não só para ganharem eleições mas para trabalharem no parlamento. O Presidente da República é o Supremo Magistrado da Nação eleito pelo povo. A partir daí é desnumenclaturizado. Subordina-se apenas à constituição, escolhe os membros do Governo pelo mérito e tem relacionamento institucional com os outros poderes de Estado. Assim, temos Presidente, Estado e República. E isso já levou a consensos com a oposição. Era aqui que queríamos chegar com o limite dos 5000 caracteres incluindo espaços.
Curiosamente, parece que muita gente da pirâmide da nomenclatura, como na URRS, é hoje milionária…

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/nomenklatura_estado_e_republica

O presidente do ANC pediu ao povo sul africano que os ame novamente

Cyril Ramaphosa3Africa do Sul passa por um momento de mudanças profundas na politica, nas celebrações do 106 aniversário do Congresso Nacional Africano- ANC(na sigla em inglês), o presidente, Cyril Ramaphosa, recém eleito falou em unidade e amor. A eleição do presidente do ANC, dividiu o partido, que precisa trabalhar por uma unidade para superar as diferenças e concorrer para a próxima eleição em condições de vencer.

África do Sul  terá eleições presidenciais em 2019 e pela primeira vez desde a queda do apartheid, o partido majoritário o ANC, pode perder a maioria. De eleição em eleição o ANC vem perdendo eleitores face aos insucessos nas politicas que atendam os anseios da população. O partido do Congresso Nacional Africano sofreu o seu mais duro golpe eleitoral desde o fim do regime do apartheid na África do Sul, ao ficou pela primeira vez abaixo da barreira psicológica dos 60% (e dos 50% nos grandes centros urbanos).

Há um clima de desencanto, decepção diante da corrupção de altos dirigentes do ANC, como é o caso do presidente da República da Africa do Sul, Jacob Zuma,  que está ameaçado por impeachment por mal utilização de recursos públicos.

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O presidente do ANC, Cyril Ramaphosa, admitiu por ocasião do aniversário do partido em 106, que o partido governante perdeu sua posição como líder da sociedade e disse à nova liderança que ganhar o “amor de volta” da África do Sul era fundamental para recuperar esse status e sair vitorioso nas eleições de 2019.

Cyril Ramaphosa5“Como líderes e membros, devemos defender os mais altos valores e princípios de nosso movimento para garantir que o nosso movimento recupere sua posição nos corações e mentes de nosso povo. As pessoas devem nos amar mais uma vez, digamos mayibuye, queremos o seu amor de volta ”

O recém-eleito presidente do ANC explicou que, assim como ele havia feito como jovem, o ANC deve retornar às pessoas e pedir seu amor.

“Quando eu era jovem, havia uma mulher que eu queria de volta, e eu queria o amor dela de volta. Eu disse: “Meu amor, eu estraguei, vou te tratar melhor, quero o seu amor de volta.” Precisamos recuperar o amor do ANC para que possamos recuperar nossa posição como líder da sociedade “, disse Ramaphosa.

Cyril-RamaphosaRamaphosa derrotou a ex-presidente da União Africana Nkosazana Dlamini-Zuma por uma minima maioria na conferência eletiva nacional do partido em Joanesburgo em dezembro do ano passado.

Participação feminina diminui internamente, o que se apresenta como mais um problema conforme Ramaphosa: “Nós emergimos com uma liderança unificada que está representada nos funcionários nacionais. Sim, sofremos um recuo porque não tínhamos tantas mulheres como queríamos na liderança, mas devemos aceitar a liderança que os delegados das filiais decidiram e essa é a sua liderança “, acrescentou.

Mercado Africano aquecido com o interesse no setor de telecomunicações

África é um mercado apetecível na área das telecomunicações, sublinham africanos presentes na Web Summit, a maior feira de tecnologia da Europa a decorrer em Lisboa. Mas é preciso estabilidade política e formação.

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A Internet abriu portas e oportunidades à Tupuca, uma pequena startup angolana, que criou uma aplicação para o setor da restauração, cujo objetivo é facilitar a entrega de refeições ao domicílio.

“Encontramos muitas empresas que fazem a mesma coisa, usando outras tecnologias. Então, lançamos essa ideia em Luanda e implementámos”, afirmou Wilson Ganga, co-fundador da empresa sedeada em Luanda. A perspetiva, segundo este jovem, de 25 anos, é a expansão a nível regional e continental em África.

“Por enquanto vão ser os países que falam português: São Tomé e Príncipe, Moçambique, Cabo Verde, entre outros, e só depois [avançaremos para] toda a África. É um projeto para cinco a dez anos”, completou o angolano.

Wilson Ganga é um dos participantes da Web Summit 2017, a mega conferência na área da inovação tecnológica que tem lugar na capital portuguesa, Lisboa, até quinta-feira (09.11). No encontro, a decorrer no Parque das Nações, Wilson Ganga veio buscar experiência em tecnologia de ponta, conhecer as novas tendências e procurar parcerias de investimento.

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Durante a Web Summit, mais de 60 mil participantes, incluindo empresas de vários continentes, procuram conhecer os principais projetos em desenvolvimento e as tendências no mercado tecnológico, bem como aprender com as palestras de oradores de renome internacional.

África tem muito a ganhar com o investimento nas novas tecnologias de informação e de comunicação, mas é necessário estabilidade política e formação de recursos humanos para tirar vantagens do acesso à Internet. O continente constitui um mercado apetecível para as startups, mas também para as grandes empresas de telecomunicações, segundo a opinião de alguns dos participantes africanos da maior feira de tecnologia da Europa, aberta ao mundo.

Wilson Ganga é também diretor de marketing da Tupuca, estudou comunicação e tecnologias de informação nos Estados Unidos e considera que esta é a área de futuro. “É preciso ter visão e foco, mas também muito trabalho para se afirmar neste mercado”, sublinha.

Vantagens tecnológicas

Apesar de existirem ainda alguns obstáculos, pessoas como Milton Cabral, representante na Web Summit do Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação (NOSI), uma entidade pública empresarial com sede na cidade da Praia, só veem vantagens na indústria tecnológica para países insulares como Cabo Verde.

“Hoje em dia, temos exemplos claros; não podemos negar isso. O Facebook, o Twiter, o Snapchat, o Uber, são tecnologias que basicamente conectam e põe as pessoas a criarem conteúdo, a criarem um ecossistema que depois gera economia e faz avançar um país ou uma indústria. Portanto, tudo gira à volta do conteúdo, tudo gira hoje à volta da tecnologia e à volta das pessoas”, sublinha Milton Cabral.

Portugal Web Summit Antonio Guterres, LisbonSecretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteve em Lisboa para participar na cimeira

O NOSI é basicamente responsável pelo Programa de Governação Eletrónica em Cabo Verde. O país já dispõe de uma grande Data Center e está a trabalhar no sentido de ser um fornecedor de serviço de excelência para a região africana. No entanto, acrescenta, é preciso evoluir e investir na formação.

“Não é só conhecer as tecnologias, mas é preciso também fazer um investimento forte na educação, na capacitação das pessoas. Portanto, não vale a pena investir em máquinas de ponta se não tens pessoas com capacidade e abertura de as manejar. Acredito que em África ainda falta percebermos isso”, diz Milton Cabral.

Mercado com potencial

Estão representadas também no evento empresas de telecomunicações que têm África na mira dos seus negócios. Pedro Rocha Vieira, um dos co-fundadores da BETA-i, uma startup portuguesa parceira na organização da Web Summit, diz que é um mercado com alto potencial.

Milton CabralMilton Cabral representa o NOSI na Web Summit

“É um mercado que tem um alto potencial, tem uma população superjovem que não está bem servida e não tem ainda os players internacionais de referência lá. E, portanto, há muito interesse em conseguir perceber melhor África e daí conseguir tirar algum partido”.

Rocha Vieira sublinha que o continente pode dar um salto no tempo, investindo em soluções mais modernas que oferecem as novas tecnologias e as startups.

“Porque em vez de estar a investir em soluções antigas, podem fazer logo um investimento, como a inovação que tem acontecido no Quénia, em Mpenza; há centros de excelência mundiais em África, porque em vez de se ter que construir uma infraestrutura de multibancos e de bancos, porque é muito cara e complexa, porque é que não se faz logo um banco online? O mesmo está também a acontecer nas telecomunicações”, destaca Rocha Vieira.

Entretanto, para o administrador da BETA-i, antes é preciso estabilidade política e investimento na educação. Milton Cabral dá o exemplo da Huaway, empresa multinacional chinesa de telecomunicações, que tem uma parceria com o NOSI, no sentido de desenvolver soluções para posterior exportação para o mercado africano a nível continental, de modo a potenciar os seus produtos.

Crescimento sem industrialização? Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso e Ruanda

 

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Apesar dos baixos preços mundiais das commodities das quais tendem a

depender, muitas das economias mais pobres do mundo estão em boa

situação. O crescimento da África Subsaariana desacelerou

drasticamente desde 2015, mas isso reflete problemas específicos em

três de suas maiores economias (Nigéria, Angola e África do Sul).

 

As projeções para Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina

Faso e Ruanda apontam para a obtenção de um crescimento de 6% ou

mais neste ano. Na Ásia, o mesmo ocorre com Índia, Mianmar,

Bangladesh, Laos, Cambodja e Vietnã.

 

Essas são boas novas, mas são também surpreendentes. Economias em desenvolvimento que conseguem crescer aceleradamente de maneira sustentável, sem depender de surtos de crescimento dos recursos naturais -como a maioria desses países dependeu por uma década ou mais -, normalmente são impulsionadas pela industrialização voltada para as exportações. Só que poucos desses países estão vivenciando muita industrialização.

 

A participação da indústria de transformação nos países subsaarianos de baixa renda está, em grande medida, estagnada – e, em alguns casos, em queda. E, apesar de muito se falar do “Make in India”, uma das máximas do premiê Narendra Modi, o país dá poucos indícios de contar com uma industrialização acelerada.

 

A produção industrial se tornou uma poderosa força propulsora do desenvolvimento econômico para países de baixa renda por três motivos. Em primeiro lugar, era relativamente fácil absorver a tecnologia do exterior e gerar empregos de alta produtividade.

Em segundo lugar, os empregos industriais não exigiam muita qualificação: agricultores podiam ser transformados em trabalhadores da produção em fábricas, com pouco investimento em treinamento adicional.

E, em terceiro lugar, a demanda por produtos industrializados não era limitada pela baixa renda interna: a produção podia se expandir virtualmente de forma ilimitada, por meio das exportações.

 

Mas as coisas mudaram. Está atualmente bem documentado que a produção se tornou cada vez mais intensiva na utilização de qualificações nas últimas décadas.

 

Juntamente com a globalização, isso dificultou muito para os recém-chegados o ingresso com força nos mercados mundiais e a reedição da experiência dos superastros asiáticos da indústria de transformação. Com a exceção de um punhado de exportadores, as economias em desenvolvimento passaram por uma desindustrialização prematura. É omo se a força propulsora tivesse sido retirada dos países retardatários.

 

Como, então, entender o recente surto de crescimento de alguns dos países mais pobres do mundo? Será que esses países descobriram um novo modelo de crescimento?

 

Em pesquisa recente, Xinshen Diao, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, Margaret McMillan, da Universidade Tufts, e eu examinamos os padrões de crescimento ostentados por essa nova safra de países de alto desempenho. Nosso foco está nos processos de mudança estrutural vivenciados por esses países.

Documentamos algumas descobertas paradoxais.

Em primeiro lugar, a mudança estrutural promotora de crescimento foi significativa na experiência recente de países de baixa renda como Etiópia, Malawi, Senegal e Tanzânia, apesar da ausência de industrialização.

 

A mão de obra tem migrado das atividades agrícolas de baixa produtividade para atividades de maior produtividade, mas estas são, principalmente, serviços, e não indústria de transformação.

 

A agricultura teve papel

fundamental na África por si

só e também ao impulsionar

mudanças estruturais que

ampliam o crescimento.

Diversificação e adoção de

novas técnicas de produção

podem transformá-la em

atividade virtualmente

moderna

 

Em segundo lugar, a rápida mudança estrutural ocorrida nesses países

sucedeu à custa de um crescimento da produtividade do trabalho

primordialmente negativo nos setores não agrícolas. Em outras

palavras, embora os serviços que absorviam os novos postos de trabalho

ostentassem uma produtividade relativamente alta de saída, sua

dianteira diminuiu à medida que se expandiam.

 

Esse comportamento contrasta acentuadamente com a experiência clássica de crescimento do Leste da Ásia (como as de Coreia do Sul e China), na qual a mudança estrutural e aumentos da produtividade da mão de obra não agrícola contribuíram significativamente para o crescimento total.

 

A diferença parece ser explicada pelo fato de que a expansão de setores urbanos, modernos, em recentes episódios de crescimento acelerado é impulsionada pela demanda interna, e não pela industrialização voltada para as exportações.

 

Em especial, o modelo africano parece ser sustentado por choques positivos de demanda agregada gerados ou por transferências procedentes do exterior ou pelo crescimento da produtividade na agricultura.

 

Na Etiópia, por exemplo, os investimentos públicos em irrigação, transportes e energia elétrica geraram um aumento significativo da produtividade e das rendas agrícolas. Isso resulta em mudança estrutural promotora do crescimento, uma vez que o aumento da demanda se propaga para os setores não agrícolas.

Mas, como efeito colateral, a produtividade da mão de obra não agrícola é deprimida com a diminuição dos retornos sobre o capital e a atração de empresas menos produtivas.

Não se pretende com isso minimizar a importância do crescimento acelerado da produtividade na agricultura, o setor arquetipicamente tradicional. Nossa pesquisa sugere que a agricultura desempenhou papel fundamental na África não apenas por si só como também como impulsionadora de mudança estrutural magnificadora do crescimento.

 

A diversificação para produtos não tradicionais e a adoção de novas técnicas de produção podem transformar a agricultura em uma atividade virtualmente moderna.

 

Mas há limites para o quanto esse processo consegue puxar a economia. Em parte devido à baixa elasticidaderenda da demanda por produtos agrícolas, o êxodo da mão de obra da agricultura é resultado inevitável durante o processo de desenvolvimento.

 

A mão de obra liberada tem de ser absorvida nas atividades modernas. E, se aprodutividade não se expandir nesses setores modernos, o crescimento de toda a economia vai, em última instância, estacionar. A contribuição que o componente da mudança estrutural pode dar é necessariamente autolimitadora, caso o setor moderno não experimente um crescimento acelerado da produtividade por si só.

 

Países africanos de baixa renda conseguirão sustentar taxas moderadas de crescimento da produtividade no futuro, calcadas em persistentes aprimoramentos do capital humano e da governança. A continuidade da convergência com níveis de renda de países ricos parece alcançável. Mas as evidências sugerem que as taxas de crescimento infundidas recentemente pela mudança estrutural acelerada são excepcionais e poderão não durar.

 

Jornal Valor 17 de outubro de 2017

(Tradução de Rachel Warszawski).

Dani Rodrik é professor de economia política internacional na Faculdade de Governo John F. Kennedy, de Harvard. Copyright: Project Syndicate, 2017.

www.project-syndicate.org

Fonte:http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao