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A revolução silenciosa das mulheres do Niger: não querem mais sofrer no casamento

Dionne Searcey
MARADI (NÍGER)

Ele não batia nela. Não gritava. Não a traía —até onde ela soubesse. Mas, menos de dois anos depois do casamento, o marido de Zalika Amadou havia mudado. E sua negligência e indiferença pareciam inaceitáveis, para uma jovem que esperava mais.

A mãe dela, que se casou aos 14 anos com um desconhecido duas vezes mais velho, não conseguia entender as queixas. Ela ficou com o marido por cinco décadas, até a morte dele.

Mas para Amadou, que se casou aos 16 anos, simplesmente ter um marido não bastava. Por isso, certa manhã movimentada em Maradi, Níger, ela se apresentou diante de um juiz, em um tribunal islâmico de rua lotado, e pediu o que muitas mulheres jovens da região estão buscando com muito mais frequência hoje: um divórcio.

Nos bolsões conservadores da África Ocidental, durante séculos a expectativa era de que as mulheres suportassem os maus casamentos. Divórcios aconteciam, mas o mais comum era que os maridos deixassem suas mulheres.

“É o fim do mundo quando um marido e sua mulher não ficam juntos”, disse Halina Amadou, a mãe de Amadou.

Mulheres em aula ao ar livre em Bassaraua, Níger
Mulheres em aula ao ar livre em Bassaraua, Níger – Laura Boushnak/The New York Times

Mas no Níger, um lugar em que as mulheres têm escolaridade mais baixa, padrões de vida piores e menos igualdade com os homens do que em praticamente qualquer lugar do planeta, uma revolução silenciosa está em curso.

Muitas mulheres como Amadou vão ao tribunal que se reúne na calçada, a cada mês, para solicitar divórcios, não só frustradas pela incapacidade de seus maridos de ganhar a vida, em um período de dificuldades econômicas, mas também porque sua visão básica sobre relacionamentos mudou.

Elas querem escolher com quem e quando se casam, em lugar de serem forçadas ao matrimônio. Exigem respeito e, ainda mais, amor. E se os maridos ficam aquém do desejado, são as mulheres que movem a nova cultura da separação.

“As mulheres jovens agora se casam com certas expectativas”, disse Alou Hama Maiga, secretário-geral da Associação Islâmica do Níger. “Se essas expectativas não forem satisfeitas, em dado momento o divórcio se torna inevitável”.

O juiz islâmico que preside ao tribunal religioso de rua em Maradi, a terceira maior cidade do Níger, disse que os divórcios iniciados por mulheres dobraram de número nos últimos três anos, e que quase 50 mulheres ao mês o procuram para terminar seus casamentos.

Zalika Amadou, 17, segura seu filho Affan, de seis meses, em Maradi
Zalika Amadou, 17, segura seu filho Affan, de seis meses, em Maradi – Laura Boushnak/The New York Times

“Essas jovens mulheres não querem mais sofrer”, disse o juiz, Alkali Laouali Ismaël. “Existe uma solução para seus problemas e elas sabem que podem encontrá-la aqui”.

Advogados, associações de mulheres, funcionários do governo local e acadêmicos que estudam a região dizem que esse avanço do divórcio acontece em toda a África Ocidental —em regiões rurais e urbanas, e em áreas muçulmanas e cristãs—, em um momento no qual as mulheres buscam afirmar mais controle sobre seus relacionamentos,

O número total de divórcios continua relativamente estável ou até em queda, em algumas partes da África Ocidental, eles apontam, mas por sob essa estatística se escondem grandes mudanças nos padrões de divórcio, e na sociedade mais ampla.

As mulheres agora têm escolaridade maior, e em algumas áreas se casam mais tarde, fatores que segundo os acadêmicos resultam em casamentos mais estáveis. Ao mesmo tempo, mais mulheres estão se mudando para as cidades e entrando para a força de trabalho, o que permite que muitas delas descartem casamentos insatisfatórios.

A Associação de Advogadas de Dakar disse que hoje ajuda três vezes mais clientes mulheres a obter divórcios do que era o caso quatro anos atrás.

Hajara, que se divorciou do marido e voltou a morar com a família, lava louça perto da filha em Maradi
Hajara, que se divorciou do marido e voltou a morar com a família, lava louça perto da filha em Maradi – Laura Boushnak/The New York Times

“Muitas mulheres em Dakar são independentes e têm empregos e dinheiro”, disse Daouda Ka, advogada que trabalha em casos de divórcio. “No passado, elas simplesmente toleravam maus casamentos. Agora, se não funciona, elas saem”.

Em Gana, 73% dos casos de divórcio conduzidos com ajuda da Legal Aid Scheme of Greater Accra, uma organização de assistência judicial, foram apresentados por mulheres, em 2016-2017, uma grande mudança com relação ao passado. O divórcio, que os cristãos conservadores costumavam ver como tabu, vem sendo apresentado nos sermões das igrejas como uma alternativa melhor do que encerrar um relacionamento com violência doméstica ou adultério.

Amadou viveu sua infância em Maradi, uma cidade de pequenas lojas e feiras ao ar livre, cercada por grupos de aldeias agrícolas.

Ela não estava necessariamente em busca de um marido. Fazia aulas de costura, pelas quais havia convencido sua família a pagar.

“Eu queria ser capaz de me sustentar”, disse.

Mas quando uma amiga ligou para perguntar se Issa podia visitá-la, ela concordou.

O casal terminou se casando e foi morar na casa de Issa, perto do centro da cidade. Pouco depois da mudança, Issa disse à mulher que suas aulas de costura eram um desperdício de dinheiro. Ele não queria que ela saísse de casa.

Mas a alfaiataria dele estava enfrentando dificuldades; a crise econômica da Nigéria havia atravessado a fronteira e atingido Maradi, um grande centro de comércio entre os dois países.

Já empobrecido, o Níger sofreu muito com os problemas originados na Nigéria, entre os quais quase dez anos de guerra com o movimento islâmico radical Boko Haram, que dilaceraram a região.

Poucos anos atrás, Issa ganhava o equivalente a US$ 14 por dia, costurando roupas. Mas de repente ele não conseguia ganhar nem a metade disso.

“Os maridos já não conseguem sustentar suas mulheres da mesma maneira”, disse o juiz religioso Ismaël.

Os problemas econômicos são agravados no Níger porque a poligamia é muito comum. Os homens do país, majoritariamente muçulmano, podem ter até quatro mulheres. O Níger também tem o maior índice de natalidade do planeta: em média, sete filhos por mulher.

Saadia, grávida de seis meses, lista ao juiz Alkali Ismaël, suas razões para querer o divórcio
Saadia, grávida de seis meses, lista ao juiz Alkali Ismaël, suas razões para querer o divórcio – Laura Boushnak/The New York Times

Ismaël diz que a maioria das mulheres que procuram seu tribunal para solicitar divórcios justifica seu pedido mencionando problemas financeiros.

A despeito das mudanças nos costumes, o casamento envolvendo menores de idade tem uma das maiores incidências do planeta no Níger, e as adolescentes do país têm mais filhos do que em qualquer outro país do mundo, de acordo com as Nações Unidas.

Um fator que estimula os casamentos precoces é o medo de que as meninas envergonhem suas famílias e engravidem sem casar.

“Uma menina precisa se casar para evitar problemas”, disse Laouali Oubandawaki Iro, chefe da aldeia de Giratawa, que fica nas cercanias de Maradi, explicando as tradições da região. Ele tem pouco mais de 60 anos, e duas de suas mulheres são adolescentes.

Mas um esforço para limitar os casamentos de menores de idade ajudou a mudar as atitudes. Nos últimos anos, organizações de assistência começaram a atuar na região para aliviar a pobreza e conter o crescimento populacional, e seu foco são os casamentos forçados e os casamentos de menores.

Organizações locais e o governo do Níger aderiram.

Zalika Amadou segura o filho Affan enquanto espera do lado de fora da corte de divórcios
Zalika Amadou segura o filho Affan enquanto espera do lado de fora da corte de divórcios – Laura Boushnak/The New York Times

Amadou achava que seu caso seria simples, ao procurar o tribunal de rua. Mas o juiz disse ao casal que voltasse para casa e tentasse mais uma vez resolver seus problemas. Ele os instruiu a voltar em dois dias caso ainda desejassem um divórcio.

Depois da audiência, Issa, de cabeça baixa, admitiu que o dinheiro era curto e que ele não dava a Amadou todos os presentes que ela talvez desejasse.

“Mas presentes não constavam do contrato de casamento”, ele disse. “Estou cansado de vir aqui”, acrescentou, em um resmungo. “Já tomei minha decisão”.

Dois dias depois, o casal chegou ao tribunal vindo de lados opostos da rua.

“O senhor disse que voltássemos se não conseguíssemos consertar as coisas, e por isso voltamos”, disse Issa. “Agora o que fazemos?”

O casal começou o tedioso processo de dividir publicamente os seus pertences —sal, temperos, pratos, um cântaro usado para que eles se lavassem antes das orações. O juiz deu a Amadou custódia única do filho do casal até que ele fizesse sete anos, e determinou que Issa pague pela comida do menino pelos próximos dois anos.

“Sem problema”, disse Issa.

O casal assinou os papéis de divórcio.

“Está tudo bem para você?”, o juiz perguntou a Amadou. “Creio que isso seja um alívio para você”.

Ela concordou com um aceno de cabeça, e um sorriso largo surgiu em seu rosto. Amadou planeja se casar de novo, com alguém que a ame.

THE NEW YORK TIMES

“Mulambada”da África e a nova política externa brasileira

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Bolsonaro e sua equipe já deram sinais suficientes de um “possível distanciamento” dos países do Hemisfério Sul e das economias em desenvolvimento dos países Africanos e e da América Latina.

 

Palavras do vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, que durante a sua campanha eleitoral assegurou que os governos anteriores do Brasil erraram ao “se aliar à mulambada” da África e da América Latina, sem citar nenhum país em particular.

Alguns dias depois, Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, país que preside o bloco Brics neste momento, felicitou Bolsonaro pela vitória e aproveitou a oportunidade para alertar que o futuro governo se equivocaria se decidir distanciar-se do grupo.

É possível que no médio prazo uma visão pragmática se imporá aos comentários ideológicos expressos durante a corrida eleitoral.Tudo leva a crer que as relações com o Hemisfério Sul continuarão a sofrer recuos, inclusive com o fechamento de muitas embaixadas.

Provalvelmente a opinião pública brasileira, com exceção de setores da comunidade negra e empresas que lucram com o comércio exterior, não fará nenhum movimento em defesa da manutenção das relaçoes com os países africanos.

As relações do Brasil com o continente africano passam pelas relações raciais no Brasil. A visão estereotipada , preconceituosa e racista da elite brasileira se reflete na visão demosntrada pela equipe do presidente eleito. África ainda para a elite brasileira é sinônimo de pobreza, doenças e atraso.

Registre-se o empenho do movimento negro brasileiro para mudar essa imagem, mas nunca recebeu o reconhecimento e recursos do governo brasileiro para essa importante e estratégica empreitada.

Infelizmente os africanos também nunca entenderam e não  reconheceram o esforço do movimento negro brasileiro para promover o continente africano. O Brasil é um um dos únicos países do mundo, em que sua Lei de Diretrizes e Base defende o ensino da história da Africa .

16 regras dos falsificadores ocidentais

conference_p_obenga116 REGRAS DOS FALSIFICADORES OCIDENTAIS

Na sua obra ” Discours Afrocentriste Sur L’aliénation Culturelle”, Jean-Philippe Omotunde, nascido em Guadalupe, revela-nos 16 regras aplicadas pelos historiadores ocidentais com a finalidade de justificar a mão da Europa sobre às riquezas do planeta e particularmente d’África:
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REGRA n° 1: Não perder de vista o objectivo supremo: negar toda inteligência civilizacional aos povos “d’África negra”. Qualquer demonstração deve levar explicitamente ou implicitamente a essa conclusão. Convém manter no espírito do público a visão de uma África selvagem, não civilizada que serve de justificação hipócrita para o Ocidente.
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REGRA n° 2: Evitar mencionar os escritos valorizadores dos povos estrangeiros tendo entrado em África, não importa o período. Negar por todos os meios os seus atestados quanto à origem negra dos factos civilizacionais descritos (realizações arquitectónicas, organização social, descobertas, etc…).
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REGRA n° 3: Fazer tudo para negar a origem negra africana dos antigos egípcios (documentários, artigos de imprensa, obras históricas, Sites…). Negar ou burilar os escritos dos gregos antigos, dos árabes antigos e dos judeus antigos, testemunhas visuais da origem africana dessa civilização. Nunca citar as passagens em causa. Tratar com escárnio qualquer autor retomando as citações em causa.Omotunde
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REGRA n° 4: Mexer a documentação histórica africana: falsificar os textos, as datações, os murais de parede, multiplicar os erros de tradução. Evitar qualquer documento africano revelando a origem negra dos egípcios antigos.
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REGRA n° 5: Evitar divulgar os verdadeiros resultados das escavações arqueológicas e das datações de carbono 14, com a finalidade de colocar continuamente a Mesopotâmia diante de África para as descobertas cruciais (invenções da escrita, matemática, astronomia, etc… ). Para a Mesopotâmia, manter o representação artística: quem descobriu? Quem tem datado? Quando? Onde? Como? Eis as perguntas a que nunca se deve responder.
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REGRA n° 6: Nunca citar os resultados dos colóquios internacionais de confronto de teses históricas e científicas entre pesquisadores panafricanistas e ocidentais. Manter em silêncio a existência dos relatórios, pois estes estão todos em desvantagem das teses históricas ocidentais.
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REGRA n° 7: Nunca convidar um pesquisador não-Ocidental para um debate público sobre a história da humanidade, pois correria o risco de revelar os seus subterfúgios.
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REGRAS n° 8: Apresentar as análises históricas actuais como exatas mesmo que estejam em perfeita contradição com a confissão dos historiadores antigos. Passar em silêncio a existência de documentos contraditórios às suas teses.
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REGRA n° 9: Defender explicitamente ou implicitamente, através de toda a análise histórica, a superioridade intelectual dos povos Nórdicos sobre a África negra. Negar a herança africana (Ciências, cultura, espiritualidade, etc…) por todos os meios desonestos.
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Regra n° 10: Nunca revelar a íntegra da documentação histórica universal, pois esta diligência arrisca-se a prejudicar as teses ocidentais. Nunca citar os trabalhos de qualquer pesquisador ou especialista africano. Preservar por todos os meios a tutela intelectual ocidental.
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Regra n° 11: Injectar artificialmente nas consciências dos africanos, a lembrança de uma África selvagem, perpetuamente escravizada, à deriva, civilizada pelo ocidente e sem futuro. Tirar proveito da ignorância dos negros sobre a sua própria história para mantê-los eternamente em servidão.
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Regra n° 12: Colocar em quarentena qualquer pesquisador ocidental recusado a colaborar. Rescindir as encomendas de suas obras, evitar convidá-los para debates e excluí-los das listas bibliográficas nas Universidades.
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Regra n° 13: Nunca promova uma obra emanada de um autor panafricano que apresente a África de forma positiva e pragmática. Pelo contrário, chamar qualquer autor africano, depreciativo ao continente.
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Regra n° 14: Fazer com que os africanos se convencem da sua responsabilidade no declínio de África e esperarem a sua salvação de fora.
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Regra n° 15: Negar a herança espiritual de África e manter a imagem de uma África maldita, tendo recurso a textos religiosos subversivos e sem fundamento histórico (ex. Maldição de Cam).
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Regra n° 16: Através das obras históricas destinadas às crianças, induzir explicitamente ou implicitamente a visão da hierarquização das raças. Apresentar os personagens negros exclusivamente em posição servil mesmo que se trate de civilizações implantadas em África. Preferir, cenários precários (Cabanas de palha) aos grandes impérios negros como local de desenrolar das ações. Passar em silêncio as aulas reais dos grandes impérios, e o prestígio internacional das civilizações africanas.

Indice Mo Ibrahim vai mostrar como África se apresenta


A Fundação Mo Ibrahim (MIF) vai anunciar, no próximo dia 29, o lançamento do 12º Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) anual, altura em que os dados serão comunicados publicamente. Para assinalar o lançamento, Mo Ibrahim vai participar em directo no Facebook Live para discutir ao vivo os principais resultados e as tendências verificadas este ano na evolução da governação pública em África.

Mo Ibrahim será acompanhado por um painel de especialistas africanos, representantes das vozes emergentes da nova geração do continente, Yvonne Apea Mensah do Gana, e Nasi Rwigema da África do Sul, que vão contribuir com as suas próprias opiniões sobre as conclusões do Índice deste ano. O painel vai também responder às questões colocadas no momento pelos utilizadores online.

Na sequência do lançamento, a Fundação Mo Ibrahim irá promover, em parceria com o Mecanismo Africano de Avaliação pelos Pares (African Peer Review Mechanism – APRM), um debate ao mais alto nível para discutir as conclusões a 2 de Novembro, sexta-feira, em Pretória, na África do Sul.DARCIFLORESTA

O Índice Ibrahim de Governação Africana constitui um instrumento sem paralelo que faculta a análise mundial mais abrangente da qualidade da governação nos países africanos. Através do Índice, a Fundação Mo Ibrahim procura capacitar os governos, os cidadãos, as empresas, o meio académico, os decisores políticos e os analistas para que usem as suas conclusões como uma ferramenta de avaliação rigorosa do fornecimento de bens e serviços públicos e na orientação da discussão sobre a governação em África. Neste sentido, os dados são livremente disponibilizados todos os anos através do Portal de Dados do IIAG.

Compilando uma recolha de dados de dez anos, o IIAG 2018 está numa posição privilegiada para medir as tendências na governação, fornecendo uma análise aprofundada da forma como a qualidade de governação tem evoluído nos últimos cinco anos (2013-2017), no contexto da última década (2008-2017) e na identificação de quais foram, ou poderão vir a ser, os factores-chave de transformação de África.

Em cada publicação anual, a Fundação Mo Ibrahim – com a colaboração do Conselho Consultivo do IIAG – procura continuamente melhorar a estrutura, o conteúdo e a metodologia do IIAG. Com a revisão anual do relatório, a Fundação actualiza todas as tabelas do Índice.

As versões anteriores do IIAG incluíam dados a partir de 2000 em diante. O IIAG 2018 faculta pela primeira vez dados de governação comparáveis apenas para a última década, reforçando assim a robustez das conclusões.

Pela primeira vez, uma avaliação da inclusão dos jovens faz parte do IIAG. Através do indicador Promoção da Integração Socioeconómica dos Jovens (fornecido pela Global Integrity), o Índice avalia a existência de estratégias e políticas governamentais para o incremento da integração socioeconómica dos jovens.

O IIAG deste ano conta com um foco de análise adicional que incide sobre o enquadramento de temáticas e assuntos mais abrangentes, incluindo as oportunidades económicas para os cidadãos de África, o crescimento demográfico, a transparência e a responsabilidade social.

A análise por década inclui os mais recentes desempenhos de governação, elevando a fasquia em áreas como Saúde, em que os países devem adoptar modelos de referência mais actuais.

O IIAG conta com análises relativas a 102 indicadores em 35 instituições de dados africanas e globais independentes, que abrangem os 54 países africanos em áreas como Segurança e Estado de Direito, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano.

O Portal de Dados possui uma interface intuitiva que oferece análises personalizadas dos escalões, classificações e tendências de governação para cada país. Os utilizadores podem criar e imprimir tabelas e gráficos com base nos dados.

A Fundação Mo Ibrahim foi criada em 2006, orientada para a importância decisiva da liderança e da governação em África. Ao proporcionar ferramentas de apoio ao progresso da liderança e da governação, a Fundação visa promover a mudança relevante no continente.

A Fundação, que não tem por objecto a concessão de subvenções, concentra-se na definição, na avaliação e no aperfeiçoamento da governação e da liderança em África através de quatro iniciativas principais:

Índice Ibrahim de Governação Africana; Prémio Ibrahim de Excelência na Liderança Africana; Fórum Ibrahim e Bolsas de Investigação e de Estudo Ibrahim.

Ellen Johnson Sirleaf venceu em 2017

Ellen Johnson Sirleaf venceu o Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana de 2017. A ex-presidente da Libéria foi elogiada pelos seus esforços e por liderar a recuperação do país após a guerra civil.

Ellen Johnson Sirleaf, que serviu dois mandatos como presidente da Libéria de 2006 a 2017, foi a quinta vencedora do Prémio Ibrahim, que reconhece e comemora a excelência na liderança Africana.

O Prémio Ibrahim tem como objectivo distinguir líderes que, durante o seu mandato, desenvolveram seus países, fortaleceram a democracia e os direitos humanos pelo benefício compartilhado de seus povos, e avançaram o desenvolvimento sustentável.

Na nota de divulgação, o Comité elogiou a liderança excepcional e transformadora de Ellen Johnson Sirleaf, diante de desafios sem precedentes e renovados, para liderar a recuperação da Libéria após muitos anos de uma guerra civil devastadora.

Ao anunciar a decisão, Salim Ahmed Salim, Presidente do Comité do Prémio, disse: “Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria. Tal jornada não pode estar sem algumas falhas e, hoje, a Libéria continua a enfrentar muitos desafios. No entanto, durante os seus doze anos no cargo, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor”.

Ellen Johnson Sirleaf tornou-se presidente da Libéria no dia 16 de Janeiro de 2006, depois de vencer as eleições nacionais de 2005. Serviu o seu primeiro mandato 2006-11 e foi reeleita com sucesso para um segundo mandato, 2012-17. Desde 2006, a Libéria foi o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana. Isso levou a Libéria a subir dez lugares na classificação geral do Índice durante esse período.

Durante os seus doze anos de liderança, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor. No processo, restaurou a dignidade e o orgulho dos liberianos no seu país. Durante a sua presidência, manteve-se firme e determinada para ter êxito em nome do povo da Libéria. De 2006 a 2014, antes da crise do Ébola ter atingido o país, a economia da Libéria cresceu a uma taxa anual média de mais de 7%.

Ellen Johnson Sirleaf enfrentou a prisão, o exílio e risco pessoal no caminho até à liderança, e ainda perseverou na procura por um governo honesto para o seu povo. Corajosamente abraçou oponentes e lutou por mudanças geracionais, e abriu o caminho para o seu sucessor seguir a recuperação. As suas conquistas inspiraram e deram confiança a milhões de mulheres no serviço público. Além da sua liderança na Libéria, ela sempre foi uma campeã para a África.

O seu sucesso é o sucesso da África e o testemunho do poder de uma liderança excepcional. Hoje, Ellen Johnson Sirleaf pode orgulhar-se desta vitória, como destinatária do Prémio Ibrahim 2017 para a Excelência na Liderança Africana.

Ao ouvir o resultado das deliberações do Comité do Prémio, Mo Ibrahim disse: “Estou satisfeito que o Comité do Prémio tenha decidido fazer de Ellen Johnson Sirleaf a laureada do Prémio Ibrahim. Em circunstâncias muito difíceis, ela ajudou a guiar a sua nação para um futuro pacífico e próspero, e preparou o caminho para seu sucessor seguir. Estou orgulhoso de ver a primeira mulher Laureada Ibrahim e espero que Ellen Johnson Sirleaf continue a inspirar mulheres na África e além”.

Ellen Johnson Sirleaf juntou-se a Hifikepunye Pohamba da Namíbia (2014), Pedro Pires de Cabo Verde (2011), Festus Mogae do Botswana (2008) e Joaquim Chissano de Moçambique (2007) como Laureada do Prémio Ibrahim. Nelson Mandela foi nomeado o Laureado Honorário inaugural em 2007.

Os candidatos ao Prémio Ibrahim são todos ex-chefes executivos de estado ou governo africanos que deixaram o cargo nos últimos três anos, tendo sido democraticamente eleitos e que cumpriram seu termo constitucionalmente mandatado.

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A discussão sobre a reforma agrária na África do Sul

Foto de arquivo

Há setores que defendem a adopção do modelo moçambicano aplicado em 1975, ano de independência.Partidos sul-africanos debatem a expropriação da terra detida pela minoria branca para redistribuição entre a maioria nega.

No país, a maioria negra enfrenta falta de espaço físico para a construção de habitação, prática de agricultura familiar e até mesmo enterrar os seus familiares nas zonas de origem.

O partido dos Combatentes pela Liberdade Económica (EFF) criado e liderado por Julius Malema defende a aplicação do modelo adoptado em Moçambique, em 1975, ano da independência.

Para o EFF, a expropriação de parcelas da terra não vai resolver o problema da maioria da população sul-africana sem terra em tempo útil da sua vida, sobretudo porque existem fortes bolsas de resistência dentro e fora do partido no poder.

O ANC decidiu em dezembro ultima no seu 54º congresso a expropriação da terra sem compensação e disse que o processo deve decorrer cautelosamente para não desestabilizar a produção e segurança alimentar e a economia que alimenta mais de 200 milhões de habitantes sul-africanos e da região da África Austral, incluindo Moçambique.

Em Fevereiro deste ano, o ANC e o EFF aprovaram com alguns outros partidos, a criação de uma comissão parlamentar para avaliar a eventual emenda constitucional visando acomodar a expropriação da terra sem compensação.

Mas a constituição sul-africana já prevê a expropriação sem compensação para o bem publico.

Então, o ANC decidiu no fim-de-semana testar com efeito imediato a constituição, enquanto o trabalho da comissão parlamentar prossegue.

Alguns grupos de brancos e negros considerados conservadores opõem-se vigorosamente à expropriação da terra sem compensação e procuram apoios jurídicos dentro e fora da África do Sul para travar a reforma agraria.

Alguns analistas dizem que ninguém vai travar o processo aprovado pelo parlamento democrático.

O governo sul-africano que tem construído e distribuído gratuitamente casas de habitação a população marginalizada no tempo do apartheid esta sob pressão, porque muita gente ainda não tem habitação e vive em condições precárias.

A população exige terra para construção de habitação com os seus próprios meios.

O governo poderá abandonar o programa da construção e e distribuição de casas com o inicio da expropriação e distribuição da terra.

Presidente da África do Sul entrega 4586 hectares de terra para a comunidade KwaMkhwanazi

“Neste momento, o governo está totalmente capacitado para lidar com a questão da terra e agora estamos avançando com velocidade”, disse ele no campus KwaDlangezwa da Universidade de Zululand, onde entregou oficialmente 4 586 hectares de terras e títulos de propriedade à comunidade em Domingo.

“À medida que fazemos isso, admitimos que ao longo de vários anos temos sido bastante lentos e tardios e o processo foi retardado por uma série de razões. O que fizemos hoje [domingo] deveria ter sido feito há alguns anos, mas, como dizem, melhor tarde do que nunca ”, disse ele.

A comunidade KwaMkhwanazi foi removida à força de suas terras após a promulgação da Lei de Terras de 1913 para dar lugar ao retorno dos soldados da Primeira Guerra Mundial. Durante a década de 1940, a comunidade foi novamente movida para abrir caminho para fazendas comerciais de madeira e cana-de-açúcar.

A reivindicação de terras foi apresentada em 1997 e o Phalane Community Trust foi estabelecido pela comunidade de reclamantes em 2005 para administrar a terra. Algumas das terras já haviam pertencido ao departamento de agricultura, silvicultura e pesca, enquanto uma parte era usada para residências estudantis da universidade.

As florestas comerciais estão atualmente sendo arrendadas pela Siyaqhubeka Forests Limited, uma parceria entre a Mondi, seus parceiros negros, o governo e as comunidades locais. 

“Estamos fazendo história, celebrando hoje a terra do nosso povo nessa área. À medida que fazemos história, também estamos começando a distribuir massa em massa em nosso país – vamos devolver a terra de maneira massiva. A terra KwaMkhwanazi é a primeira ”, disse Ramaphosa.

“Houve muitos outros no passado, mas agora nesta fase, [a terra KwaMkhwanazi] é a número um. Existem 25 ou 27 outros para os quais vamos devolver a terra, este é o processo de restituição, uma das categorias do nosso programa de reforma agrária ”, disse ele.

Até dezembro de 2017, a confiança estava trancada em uma batalha legal de 13 anos no Tribunal de Reclamações de Terras sobre a legitimidade de certos membros da comunidade e seu direito a ser fiduciários e seu direito a desembolsos. 

“Como governo, estamos intensificando a implementação de programas de reforma agrária. Acreditamos firmemente que as comunidades devem ter grande interesse no processo de restituição da terra e em tudo o que acontece em suas terras ”, disse Ramaphosa.

Também era importante que as comunidades soubessem como seu dinheiro estava sendo gasto. “Quando devolvemos a terra ao nosso povo através de uma confiança, a confiança será usada para capacitar as famílias beneficiárias individuais, mas também deve levar ao desenvolvimento de toda a comunidade.

“Acreditamos que esta celebração hoje trará esperança às comunidades de todo o país [que sofreram o mesmo destino]. Para essas comunidades, dizemos que logo estaremos celebrando com você também. Hoje estamos dando vida à nossa constituição e nossa carta de liberdade ”, disse Ramaphosa.  

https://www.iol.co.za/news/politics/ramaphosa-hands-over-4-586-hectares-of-land-to-kwamkhwanazi-community-17472014

Achille Mbembe: Relação entre África e China é caracterizada como “predação”

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O filósofo e teórico político camaronês Achille Mbembe considerou hoje que a relação entre África e China se caracteriza pela “extração e predação”, defendendo que os africanos devem organizar-se para mudar a situação.

“A relação que a China tem com África, neste momento, tem sido caracterizada pela extração e pela predação”, afirmou Mbembe, durante a II Cimeira Pan-africana, na Associação Cultural Moinho da Juventude, na Amadora.

Mbembe sustenta que a forma de alterar a situação passa pelo equilíbrio entre os dois lados.

“Isto irá mudar se formos capazes de estabelecer uma relação mais equilibrada entre as elites africanas e as pessoas, e se formos capazes de responsabilizar os proprietários” das empresas, disse Mbembe, acrescentando: “Cabe-nos organizarmo-nos para alcançarmos um ponto de viragem”.

O filósofo remete para o capitalismo a responsabilidade da atual situação.

“Isto sempre foi um grande efeito do capitalismo: extração e predação. Extração de corpos [escravatura], recursos naturais e extração da própria vida. O que temos testemunhado recentemente é uma intensificação destas práticas”, constatou Achille Mbembe

Ruth Wilson Gilmore, diretora do ‘Center for Place, Culture and Politics’ e professora de geografia na Universidade da Cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, defendeu por seu turno que a África não deve aceitar todas as ofertas oriundas da China.

“[África] deve evitar uma nova situação colonial (…) e não deve aceitar todas as ofertas de melhorias de infraestruturas e uma nova rota da seda em troca de recursos naturais para a China”, disse a professora norte-americana, defendendo, ao invés, um investimento “crucial” na educação e o afastamento das bases militares dos Estados Unidos da América.

O senegalês Mamadou Ba, da direção da associação portuguesa SOS Racismo e ativista dos direitos humanos, partilha a preocupação quanto à situação de hoje.

“A longo prazo, acho que a natureza da relação da China com África é insustentável, porque ela não pode copiar – e mal – o modelo predatório e de saqueamento das riquezas, porque as riquezas não são infinitas”, salientou.

Mamadou assinalou ainda a questão do ecossistema.

“A forma como a China lida com a questão africana é, em si, um problema para a sustentabilidade ambiental do planeta todo, porque o continente africano é um dos pulmões do mundo”, acrescentou.

Para o ativista, a solução passa pela sustentabilidade ambiental e na igualdade das relações entre os países.

“Tem de haver outra forma de relação entre China e África, e esta nunca poderá ser sempre à base da extração, tem de ser com base na sustentabilidade ambiental, mas também na equidade das transações bilaterais”, disse.

A China é um dos maiores parceiros comerciais de África tendo, desde 2015, uma média anual do investimento direto no continente fixada em 3.000 milhões dólares (2.500 milhões de euros), com destaque para novos setores como indústria, finanças, turismo e aviação.

Dados oficiais divulgados no mês de agosto, apontavam que a cooperação com Pequim deverá levar ao continente africano 30.000 quilómetros de autoestradas, uma capacidade anual portuária de 85 milhões de toneladas e uma capacidade de produção elétrica de 20.000 megawatts.

Quanto ao assunto principal da cimeira, o pan-africanismo, os três oradores salientaram a importância da luta pelo povo africano e descendente de africanos.

Ruth Gilmore acredita que o pan-africanismo está a crescer devido à pressão que os povos africanos têm sofrido.

“Julgo que o pan-africanismo está a crescer, porque as pessoas têm sido tão apertadas e isoladas que não há alternativa”, considerou.

Mbembe defendeu que um reagrupamento com base na história é a forma que os negros têm de alcançar maior segurança, uma vez que enfrentam “problemas existenciais” dada a falta de segurança.

“Não há lugares no planeta em que a vida dos negros esteja assegurada. Não conseguimos ir dormir hoje com a certeza de que amanhã vamos estar felizes e contentes”, afirmou o filósofo, que utilizou o argumento para salientar a importância de movimentos como o ‘Black Lives Matter’, criado para enfrentar a violência contra negros.

 

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/relacao-entre-china-e-africa-caracteriza-se-pela-extracao-e-predacao—filosofo-camarones-9982537.html

Alemães na África discutem investimentos e a imigração ilegal

A chanceler alemã Angela Merkel tem um programa apertado no périplo que está a fazer pela África Ocidental. No Senegal, falou de investimentos e do combate à migração ilegal.

    
Senegal - Angela Merkel besucht Senegal (picture-alliance/dpa/M. Kappeler)

Angela Merkel chegou ao Senegal, na quarta-feira (30.08), com uma comitiva de empresários alemães, que também a acompanharão até ao Gana e à Nigéria.

Com este périplo, a chanceler alemã pretende, sobretudo, reforçar os laços de cooperação económica para combater a migração ilegal para a Europa. Ao desembarcar em Dakar, Merkel encontrou-se com o Presidente Macky Sall e manifestou logo o interesse da Alemanha em investir no Senegal.

“Devemos aprender a combinar de forma sensata o desenvolvimento com o investimento privado, para que o Senegal possa fazer a transição gradual para uma recuperação económica autossustentável”, afirmou a chanceler alemã. “Este é um país jovem, com 300 mil jovens a entrar no mercado de trabalho todos os anos, à procura de oportunidades. Por isso, é do nosso interesse que o desenvolvimento seja bem-sucedido.”

Senegal aberto a investimentos

O Presidente senegalês garantiu que o seu país está interessado em investimentos estrangeiros, mas não está só aberto às ofertas alemãs.

“A Alemanha é bem-vinda”, frisou Macky Sall. Mas “eu disse à chanceler que a China [também] é bem-vinda ao Senegal, tal como os Estados Unidos da América, a França e a Turquia, porque, a partir do momento em que encontrarmos uma fórmula para conseguir financiamento, transferir tecnologia, criar empregos para jovens, vamos aceitar. Não podemos rejeitar ofertas que ajudem os nossos jovens”, afirmou.

Republik Senegal - Kanzlerin Merkel besucht SenegalChanceler Angela Merkel foi recebida no Senegal pelo Presidente Macky Sall

A questão da migração

Mais de 11 mil pessoas do Senegal, Gana e Nigéria solicitaram asilo na Alemanha no ano passado. Grande parte das solicitações foi negada. Estima-se que 14 mil cidadãos destes três países africanos vivem ilegalmente na Alemanha.

Tanto no Gana como no Senegal, a Alemanha financia centros de aconselhamento para migrantes, onde os jovens retornados recebem ajuda na procura de emprego. Outro centro deste tipo deverá abrir na Nigéria até ao final do ano. Além disso, a Alemanha lançou a iniciativa “Compact with Africa” quando presidiu ao grupo das 20 maiores potências económicas mundiais, o G20. A medida prevê a transferência para as nações africanas de habilidades e tecnologias para atrair investidores ocidentais. O Gana e o Senegal já participam e a Nigéria demonstrou interesse.

Três dias, três países: Merkel faz périplo africano

Oportunidades

A chanceler alemã está no Gana esta quinta-feira e, na sexta, vai até à Nigéria, onde se encontrará com o líder da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Jean-Claude Kassi Brou, e com o Presidente Muhammadu Buhari, para discutir questões económicas.

Além disso, Angela Merkel também se encontrará com a sociedade civil. Moses Siasia, do Fórum de Jovens Profissionais da Nigéria, tem grandes expetativas quanto à visita: “Penso que esta é uma das formas mais diretas de se fazer parcerias comerciais. Além disso, os governos da Nigéria e da Alemanha podem criar um ambiente de relações comerciais para as empresas dos dois países e também oportunidades para beneficiar do conhecimento”, afirma.

Em média, a economia do Senegal cresce a um ritmo de 7% ao ano, enquanto o Gana é visto como um refúgio de estabilidade na região. A Nigéria, apesar de ser vítima da insurgência do grupo radical Boko Haram e da volatilidade do preço do petróleo, continua a ser o segundo maior parceiro comercial da Alemanha na África subsaariana.

Trump se envolve na reforma agrária da Africa do Sul

Johannesburgo – O governo da África do Sul criticou nesta quinta-feira uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Twitter, na qual o americano disse que pediu ao secretário de Estado, Mike Pompeo, que apure a reforma agrária sul-africana e a “matança em larga escala de fazendeiros” no país. O tuíte da noite da quarta-feira se referia a uma matéria da Fox News que criticava a posição do governo americano sobre a reforma agrária sul-africana.

Donald J. Trump

@realDonaldTrump

I have asked Secretary of State @SecPompeo to closely study the South Africa land and farm seizures and expropriations and the large scale killing of farmers. “South African Government is now seizing land from white farmers.” @TuckerCarlson @FoxNews

O rand sul-africano recuou em relação ao dólar após a mensagem de Trump. “A África do Sul rejeita totalmente a percepção estreita que apenas busca dividir nossa nação e nos lembrar de nosso passado colonial”, afirmou o governo em mensagem em sua conta oficial no Twitter. “A África do Sul acelerará o ritmo da reforma agrária de modo cuidadoso e inclusivo, que não divida nossa nação.”

O partido governista, Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), já disse que planeja mudar a Constituição para permitir a expropriação de terras sem o pagamento de indenizações, como forma de superar grandes desigualdades na posse da terra. Os brancos, que formam 8% da população nacional, detêm 73% das terras agricultáveis, segundo estimativas da associação de fazendeiros Agri. O presidente Cyril Ramaphosa diz que o processo será conduzido com cuidado para evitar desrespeito ao direito à propriedade e garantir a segurança alimentar e a produção agrícola.

Proprietários podem entrar na Justiça local contra o governo, caso tenham terras tomadas sem compensação justa. Mas ataques violentos sobre fazendeiros brancos chamam a atenção da imprensa local e estrangeira nos últimos anos, gerando protestos dos fazendeiros e de grupos de interesse dos brancos.

Levantamentos locais mostram que o número de fazendeiros mortos tem recuado nos últimos 20 anos, chegando à mínima de 47 em 2017/2018. Já os ataques contra fazendas, que incluem estupro, roubos e agressões, aumentaram nos dois últimos anos, para 561 em 2017/2018, embora bem abaixo da máxima de 1.069 ataques de 2001/2002.

Os jornais do ocente, sempre viram o meodelo de desenvolvimento econômico da Africa do Sul, em comparação ao que ocorria no Zimbabwe. O vlaor da defesa da branquitude sempre falou mais alto. Enquanto não se mexia nos direitos econômicos dos sul africanos,

Ubuntu uma filosofia para os angolanos

Osvaldo Gonçalves

“Sou pela justiça distributiva”, assim se apresenta António Kassoma, no seu mural no Facebook, onde perfila como Nguvulu Makatuka, sócio e consultor sénior de uma empresa de consultoria. Já trabalhou como director nacional de Negociações das Concessões e como Docente de Direito Constitucional, Sociologia do Direito e Filosofia do Direito, numa universidade privada, e foi assistente para os Assuntos Parlamentares, Políticos e Constitucionais, na Casa Civil do Presidente da República, entre outros cargos e funções. Trabalhou ainda como repórter e subeditor aqui mesmo, no Jornal de Angola. Este jovem, natural do Ukuma, província do Huambo, vive em Luanda e termina todas as intervenções públicas e privadas com a saudação-despedida “Ubuntu”. É dessa filosofia-conceito que ele fala. Para o jurista e jornalista, “o Ubuntu está mais para sabedoria do que para conhecimento.”

Fotografia: Dimas Diogo

Como explica a filosofia Ubuntu ao leitor angolano? 
Como ponto prévio, direi que não vejo Ubuntu como filosofia. Pelo menos, não no sentido em que julgo significar “Filosofia”. Isto é, desde o prisma da cultura dominante, de radical ocidental-judaico-cristão. Nas comunidades africanas que conservam os modos ancestrais de vida, fica difícil falar em “amor ao conhecimento”. Assim, Ubuntu não poder ser visto como algo do plano intelectual ou racional. Dito de outra maneira,  Ubuntu está mais para sabedoria que para conhecimento. Sendo que Ubuntu é compaginável com uma ideia de sabedoria individualmente detida ou limitável ao indivíduo, mas uma sabedoria colectivamente apropriada e impregnada na identidade das partes e formam o todo comunitário e, como tal, impregnada na identidade e nos sentimentos da comunidade como um todo.
Com a ressalva dos parágrafos anteriores, digamos que Ubuntu seja a convicção e o sentimento individual e colectivo de que o outro é a medida da nossa própria humanidade. Quando se adopta o Ubuntu passa a ser conatural ao indivíduo a postura moral e ética de agir de modo a contribuir para o bem de outrem, uma vez que nós próprios somos irremediavelmente beneficiários das vantagens daí decorrentes. Os ovimbundu têm sobre isso um provérbio segundo o qual, “o que afecta o pé tem efeito sobre o tornozelo”. Noutra variação do mesmo dito, usa-se como referência à relação do tornozelo com o joelho. São partes distintas do corpo, mas o joelho torna-se inútil, caso o tornozelo esteja comprometido. O tornozelo é muito importante, mas deixaria de ser importante, se as outras partes do pé não estivessem em condições de cumprir a sua parte.
Voltando ao Ubuntu, originalmente, esta ferramenta comunitária (ou Filosofia colectivamente apropriada e instintivamente praticada, caso se prefira ver desde esse prisma) foi sendo associada apenas a comunidades da África do Sul (considerando que a expressão é derivada de uma língua deste país), mas a verdade é que esta ideia-força está presente na maioria das comunidades africanas que mantêm a forma ancestral de organização e suporte da vida em comunidade, com maiores ou menores variações.
Em muitas dessas comunidades, eventualmente, não existem expressões próprias como o universalmente adoptado “Ubuntu”, mas esse mesmo espírito está presente em vários aspectos essenciais do sentir e agir das comunidades de outras nações africanas, em particular as de radical bantu.
Em suporte a esta visão, pode ser tomado como exemplo paradigmático o facto de nas diferentes línguas africanas de Angola não existir uma expressão equivalente a “felicitação”. Assim o é porque as nossas gentes não sentem o feito positivo de outrem como sendo algo externo a si.

Pode detalhar um pouco mais este aspecto … ?
Por que razão existiria uma palavra para algo que as pessoas não sentem, muito menos (re)conhecem? O que os bantu de Angola recebem da sua raiz ancestral é que o sucesso de um membro da comunidade  tem reflexo positivo sobre todos e cada um dos seus membros. Por isso, as expressões usadas para essas ocasiões equivalem às usadas para agradecer. Ndapandula, Ngasakidila, N’tondele… etc.
Mas claro que não tenho a ilusão de acreditar que a expressão real e efectiva dessa ferramenta seja conforme referimos. Existem eventualmente pessoas no seio da comunidade que fogem a este paradigma. Tal como o corpo tem células que fogem à sua codificação e tendem a propiciar eventos cancerígenos. Na sociedade, esses seriam os “oviliangu”, “muloji” e afins.  Não necessariamente por associação a artes ocultas ao serviço do mal, mas pela simples tendência de sentimentos como a inveja e a cobiça, em vez da inspiração e crença no sucesso próprio com base no prévio sucesso do próximo.

ubuntyuO que o torna tão ligado ao Ubuntu?

Não sei se seria correcto estimar que eu seja muito próximo ao Ubuntu. Mas admito que faço um esforço consciente e permanente para atingir maior emulsão existencial com essa ferramenta, que acredito ser a codificação de base de todos os humanos enquanto seres, que (ainda) não sucumbiram ao império do “ter, fazer e parecer” como elementos centrais de uma existência que era suposto assentar fundamentalmente sobre o ser, sendo as outras componentes auxiliares ou acessórias em relação à ontológica.
Portanto, tudo o que faço é tentar ser humano. E acredito que Ubuntu constitui uma ferramenta simples, eficiente e com vocação universal, de que pessoas dos diferentes pontos do espectro da humanidade podem lançar mãos para se religarem à sua essência. E qualquer pessoa média pode atingir esta sincronização do ADN da alma e da raça humana, sem necessidade de recurso à complexidade das ciências, nem aos sacrifícios das religiões.

Que influência teve Nelson Mandela nessa sua ligação ao Ubuntu?
As várias intervenções e exortações de Mandela assentes na ideia-força de Ubuntu ajudaram a sistematizar o que já eram as minhas percepções e convicções sobre o assunto. E, na verdade, a maior parte das ideias de Madiba sobre este assunto ganharam maior divulgação, após a sua passagem para o plano dos ancestrais.
Como a maioria das pessoas que viveu num ambiente urbano e sob forte influência da concepção ocidental de civilização e cultura, o meu ponto de partida para as preocupações da alma foram as visões e ideias da filosofia com origem nas civilizações europeias. Mas, felizmente, tive uma aceitável exposição à cosmovisão ancestral bantu. O convívio com as pessoas mais velhas (com destaque para as minhas avós) deu-me a percepção, por exemplo, de que quase todas as máximas latinas e atribuídas aosfilósofos da antiguidade europeia pretendiam significar o mesmo que vários dos nossos adágios ancestrais. E provavelmente os nossos tinham algumas vantagens em termos de largura do espectro de codificação, descodificação e aplicabilidade na resolução de problemas concretos das nossas gentes. Por via dessa “descoberta”, passei a dedicar mais tempo a “ler a nossa própria realidade” e a reflectir sobre ela, em vez de me limitar a estudar o que os outros escreveram sobre os feitos que servem de sustentação ao seu modo de ser e estar no mundo.
Claro que sequer chego à categoria de aprendiz no que toca à sabedoria colectiva das nossas gentes, mas tenho a ousadia e coragem de falar e escrever sobre as migalhas de sabedoria ancestral que a vida permitiu que retivesse na alma.
O contacto tardio com os valores da ancestralidade parece ser um traço característico da maioria da população actual de África, tamanha foi a força das ideias e da religião trazidas da Europa, no quadro do evento da colonização e consequente aculturação das gentes do nosso continente.
Note-se que o próprio Nelson Mandela admite que levou um tempo considerável para perceber e divulgar massivamente esta perspectiva de sabedoria que recebeu dos ancestrais. Teve larga exposição a esta sabedoria durante a infância, mas o caminho para o “sucesso e realização” que estava a seguir provavelmente tinha mais a ver com a perspectiva ocidental, em detrimento da visão ancestral assente no Ubuntu.
Foi, em grande medida, “graças” à grande e prolongada exposição à solidão e à dor durante a reclusão que conseguiu atingir um nível de liberdade mental e sentimental bastante para viajar até ao seu âmago originário e dele resgatar, de modo claro e estrutural, o Ubuntu e todo o conjunto de valores ancestrais subjacentes a este poderoso instrumento de humanização das pessoas e das comunidades.

  “Liderar é uma honra e um privilégio que ninguém se concede a si mesmo”

As actuações dos políticos africanos não entram em contradição com o Ubuntu?
Em poucas palavras, direi que, na maioria dos casos, os nossos políticos ainda não fizeram as pazes com a história e com as heranças positivas da nossa ancestralidade. Uma das consequências disso é que, na sua acção, raros são os casos em que os políticos africanos lançam mão de ferramentas políticas pré-coloniais, como é o caso da inteligência colectiva e do Ubuntu. Fingimos que o exercício individual e excludente do poder faz parte da nossa essência, quando os ancestrais deixaram ensinamentos poderosos sobre as virtudes da colegialidade e da participação como base do compromisso. Kowuñi K’eyau. Ou seja, é por meio da democracia e da participação inclusiva que se consegue encontrar soluções aceites por todos e que permitam superar os obstáculos.

Que ganhos a retirar ?
Esta forma ancestral de agir e fazer acontecer a política tem a vantagem de não requerer grandes sacrifícios pessoais. Ao dispensar a existência de heróis e de messias, previne-se que a pessoa colocada numa posição de liderança perca a perspectiva de que liderar é uma honra e um privilégio que ninguém se concede a si mesmo, pelo que devemo-lo sempre aos outros. Liderar é honrar e servir aqueles que mantêm os seus pés em águas turvas e lama  para que, sobre os seus ombros, o líder divisar no horizonte os caminhos que alimentam a esperança e conduzem para a mudança. Em vez dessa perspectiva, os líderes africanos parecem insistir em tentar competir com o colonizador, num jogo cujas regras foram criadas por ele. Para que possamos ter uma política diferenciada e harmonizada com as nossas características, precisamos de olhar mais vezes para dentro e despertar. Precisamos de aprender a ouvir e sentir até o silêncio. Há muitas palavras que não são ditas, não porque as pessoas não tenham coisas úteis e sábias para dizer, mas por impossibilidade de comunicação, em consequência do facto das putativas elites apenas usarem as ferramentas e a linguagem do colono. Justamente as que o colono havia implementado no quadro da assimilação e esterilização das nações africanas e que nas suas próprias pátrias foram há muito extirpadas e repudiadas.

Que futuro se pode esperar para o Ubuntu nos dias de hoje, em África, em particular?
Não apenas em África. Em todo o mundo. No nosso continente, o Ubuntu é mais expressivo apenas porque ficamos durante mais tempo protegidos da complexidade alienante que a humanidade ganhou, ao ter-se espalhado pelo globo e ter deixado parte da sua essência para trás, em nome da sobrevivência. O crescimento e o desaparecimento dos impérios, as várias globalizações ocorridas até agora, a industrialização e a urbanização terão levado a que, algures no caminho, as pessoas tenham deixado de ser aferidas pelo seu ser, sobrepondo-se a aferição, desde a perspectiva do ter, do fazer e do parecer. Em suma, é hoje um desafio global da humanidade reencontrar-se com a matriz existencial codificada no Ubuntu.
Quem assume o Ubuntu como ferramenta do seu pensar, sentir e agir, certamente não precisa(rá) de religião para que veja no outro o seu próximo, com igual direito ao mundo, que é único e de todos. Em última instância, caso se atingisse um nível elevado de universalização e operacionalização do Ubuntu, a religião tornar-se-ia desnecessária, senão mesmo obsoleta. E sinto que isso talvez corresponda ao plano inicial do absoluto, se tivermos em conta que os mitos sobre o paraíso não fazem menção à existência de religiões. Se existe alguma religião verdadeiramente universal, esta talvez seja a assumpção do outro como parte e medida do nosso ser, enquanto humanos.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/o_ubuntu_esta_mais_para_sabedoria_do_que_para_conhecimento