“Made in África Central: do círculo vicioso ao círculo virtuoso”

54_bigPeritos da região analisam economia
Especialistas da África Central participam na 33.ª reunião do Comité Intergovernamental de Peritos, em Douala, Camarões, sob o lema “Made in África Central: do círculo vicioso ao círculo virtuoso”, para reflectir por que razão os números do Produto Interno Bruto (PIB) da sub-região diferem da realidade económica no terreno.

Fotografia: Francisco Bernardo|Edições Novembro|

Para o director do da Comissão Econômica para África Central, António Pedro, a reunião é uma oportunidade para reflectir sobre como quebrar o círculo vicioso de crescimento não inclusivo através da construção de um tecido industrial diversificado e competitivo.

No encontro participam governantes, representantes de entidades regionais e agências de organizações como as Nações Unidas e o Banco Africano de Desenvolvimento além do sector privado, da sociedade civil e acadêmicos.

O director do Gabinete Sub-Regional da Comissão Económica para África Central (ECA), António Pedro, disse que é preciso reflectir por que razões os números do Produto Interno Bruto (PIB) da sub-região diferem da realidade económica no terreno.

Entre 2010 e 2015, a África Central teve uma taxa média de crescimento real de cerca de 5%, sem que houvesse evolução correspondente na industrialização, no comércio intra-regional, ou nas condições de vida das populações.

António Pedro explicou que os países da sub-região ainda estão classificados na cauda do Índice de Desenvolvimento Humano.

Perante este panorama, e porque o actual sistema de produção não gerou um círculo virtuoso de crescimento inclusivo e sustentável, a recomendação da ECA é reorientar activos e recursos da produção regional para indústrias mais produtivas.

A proposta pretende destacar a indústria transformadora e os serviços modernos, “para tentar acelerar a transformação estrutural”.

O responsável disse que o encontro de peritos é uma oportunidade para reflectir sobre como quebrar o círculo vicioso de crescimento não-inclusivo construindo um tecido industrial diversificado e competitivo.

Entre as vantagens dessa medida, o representante citou a melhoria da integração dos países da África Central em cadeias internacionais de valor e a criação de um grande número de empregos decentes.

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/peritos_da_regiao_analisam_economia

 

África Central debate segurança alimentar em São Tomé

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São Tomé, 07 juin (Lusa) – Autarcas e agricultores de seis países da África Central estão reunidos capital são-tomense para validar um projeto, no valor de 04 milhões de dólares, financiado pela agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Representantes de mais de 30 cidades de São Tomé e Príncipe, Camarões, República do Congo, Gabão, Guiné Equatorial e Chade poderão beneficiar deste projeto financiado pela FAO no âmbito do apoio à segurança alimentar na África Central.

“Estamos aqui para discutirmos, em conjunto, uma estratégia. A melhor que será desenvolvida ao nível sub-regional, tomando em conta a especificidade de cada país”, disse o representante do FAO, Tristan Nondah.

Os trabalhos vão durar cinco dias e a estratégia a ser discutida baseia-se em cinco áreas, designadamente, segurança dos recursos, acesso a água, acesso a terra, as boas práticas e os compromissos políticos.

Um estudo feito em 2010 pela FAO indica que em 2030 a população da África subsaariana atingirá os 600 milhões de habitantes e esse crescimento pode constituir um problema sério.

De acordo ainda com o estudo, a África Central tem mais de 30 cidades, em 24 delas, incluído São Tomé e Príncipe as populações vivem com menos de dois dólares por dia e milhares de crianças estão em risco da desnutrição crónica.

Os participantes do encontro para a validação da estratégia “cidade verde” fazem igualmente um balanço do programa de segurança alimentar nas zonas urbanas e periurbanas em curso nos seis países representados na capital são-tomense.

A intenção é prorrogar este programa que os agricultores africanos consideram estar a “dar muito bons resultados”.

“A ideia é dar-se continuidade aos trabalhos em curso, porque foram produzidos muito bons resultados e não queremos ficar por aí. Devemos prosseguir de forma a que esses países façam mais progressos”, acrescentou Tristan Nondah.

Duas cidades são-tomenses, Guadalupe, norte da ilha de São Tomé e Santo António, da Região Autónoma do Príncipe, entram neste projeto “cidade verde”.

A Ilha do Príncipe pretende, deste modo, “fortalecer” o seu estatuto de reserva mundial da biosfera.

Por seu lado, o presidente de câmara de Guadalupe, Policarpo Freitas disse que deseja utilizar o financiamento para construir um mercado de agricultores e requalificar a cidade, a mais importante do distrito de Lobata.

Fonte:http://www.dn.pt/lusa/interior/seis-paises-da-africa-central-debatem-seguranca-alimentar-em-sao-tome-8544500.html

13 países reúnem-se para discutir a situação na Rep. Democrática do Congo

 

mapa-congo.jpgA situação política na República Democrática do Congo e a questão dos refugiados congoleses que se encontram no Leste de Angola são debatidas a partir de hoje, em Kinshasa, pelo grupo de acompanhamento do Acordo-Quadro para a paz e estabilidade naquele país.

Georges Chikoti,

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse que o grupo de acompanhamento composto pelos treze países membros da Conferência sobre a Região dos Grandes Lagos, a SADC e a União Africana, vai reunir-se para avaliar a situação, em função do novo Governo criado há duas semanas.
Durante três dias, a equipe de trabalho vai avaliar a aplicação da agenda para a realização de eleições até finais de 2017, analisar o cumprimento do Acordo-quadro e compreender melhor a situação dos congoleses refugiados em Angola, em consequência da atual crise política e militar que assola aquele país.
O Acordo quadro para a paz, estabilidade e cooperação na República Democrática do Congo, assinado em Fevereiro de 2013, em Addis Abeba, Etiópia, é o mecanismo adequado para a resolução pacífica da crise e do conflito no Leste da República Democrática do Congo, salvaguardando a sua soberania e integridade territorial, como condição indispensável para o seu desenvolvimento econômico e social.

joseph kabila
O Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, nomeou, no dia 9 de Maio, o novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro, Bruno Tshibala. O Executivo disponibilizou já mais de três milhões de dólares para apoiar os mais de 30 mil refugiados provenientes da República Democrática do Congo instalados junto da fronteira da província da Lunda Norte. O Executivo prevê despender mais de 500 milhões de kwanzas em alimentos, medicamentos e tendas para abrigo.
O Governo angolano fez, recentemente, um apelo ao Governo da República Democrática do Congo e às forças políticas daquele país para que “cessem imediatamente a violência”, os atos de extremismo e de intolerância política, que têm causado a fuga de milhares de cidadãos congoleses para Angola.
O Governo da República de Angola afirmou que tem acompanhado com atenção e bastante preocupação a situação vigente na República Democrática do Congo, marcada por “actos de violência de extrema gravidade que aí ocorrem e que devem merecer o repúdio de toda a Comunidade Internacional”. Angola e RDC mantêm uma extensa fronteira e a situação tem provocado a entrada massiva de refugiados em território angolano, exigindo do Governo um esforço suplementar em termos financeiros, logísticos, de segurança e ordem pública, de forma a acudir as necessidades humanitárias mais prementes dos mesmos, cujo número não pára de aumentar.
“O Governo faz um veemente apelo ao Governo da República Democrática do Congo e a todas as forças políticas desse país, para que cessem imediatamente a violência e a prática de actos de extremismo e de intolerância política, enveredando pela via do diálogo sério e construtivo, que propicie o retorno da paz e estabilidade ao país.”
O Governo também chama a atenção da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, da Comunidade de Desenvolvimento dos Estados da África Austral (SADC), da Comunidade de Desenvolvimento da África Central, da União Africana e da Organização das Nações Unidas  para a “necessidade de se encetarem ações políticas, diplomáticas e outras que se mostrarem necessárias e adequadas, susceptíveis de concorrer para uma solução a breve trecho do grave problema em curso na República Democrática do Congo”.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/avaliada_a_crise_na_rdc

26 milhões de órfãos vivem na África Ocidental e Central

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Goma, RD Congo, 28 nov (Lusa) — Mais de quatro milhões de crianças perderam pelo menos um dos pais na República Democrática do Congo nas últimas duas décadas, vítimas de um ciclo continuado de violência, escreve hoje a agência Associated Press (AP).

Esta é uma das tragédias que marcará o futuro de uma geração na África Ocidental e África Central.

Mais de 26 milhões de órfãos vivem no África Ocidental e Central, onde a República Democrática do Congo está situada — o segundo maior número no mundo, a seguir ao Sul da Ásia, de acordo com as Nações Unidas.

Essas crianças cresceram no seio de confrontos alimentados por conflitos étnicos e pela luta por recursos minerais valiosos.

A destruição da família significa que alguns órfãos são forçados a cuidar de si próprios e dos seus irmãos mais novos. Alguns são vulneráveis ao recrutamento por grupos armados. E muitos também enfrentam a exploração sexual, num país onde a violação se tornou comum nas ruas.

“São os órfãos com uma história de violência desde 1994 – é uma geração de vítimas que continua”, disse Francisca Ichimpaye, monitor sénior do centro En Avant Les Enfants INUKA. E as crianças “perdem a sua história na violência”, acrescentou.

O nordeste da República Democrática do Congo está mergulhado há anos numa luta entre numerosos grupos rebeldes, que espalham diariamente o terror entre a população local, apesar dos esforços para controlar a situação por parte do exército e das forças da missão das Nações Unidas (MONUSCO).

 

http://portocanal.sapo.pt/noticia/108284