O que os jornais sul africanos estão escrevendo sobre as queimadas na Amazônia

queimadaEnquanto Bolsonaro incinera a Amazônia, ações urgentes são necessárias para a justiça climática

Mary Galvin , Patrick Bond5 de set de 2019 às 00:00

A queima da Amazônia é o sinal mais claro de que a busca capitalista por lucros – condenando as “externalidades” ambientais – está na raiz da crise climática. (Reuters / Ricardo Moraes)

 

 

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A África do Sul precisava de outro lembrete de alto nível sobre o caos climático, depois da seca na Cidade do Cabo em 2015 e 2018; os dois ciclones de março a abril que devastaram Moçambique, Malawi e Zimbábue e mataram mais de 1 000 de nossos vizinhos; e a “Durban Rain Bomb” da segunda-feira de Páscoa, que caiu 170 mm naquele dia, deixando 71 pessoas mortas?

A menos que tomemos medidas, o clima extremo será amplificado ainda mais, por um inferno extremo. Atualmente, mais de 72.000 incêndios estão acontecendo na Amazônia, a maior e mais biodiversa floresta tropical do mundo, com 55 milhões de anos. As vidas dos povos indígenas que dependem da floresta receberam atenção limitada, com o foco mundial principalmente nas mudanças climáticas.
A Amazônia é um sumidouro de carbono que armazena dióxido de carbono e a destruição da floresta libera quantidades enormes na atmosfera.

O desmatamento na Amazônia havia caído 70% entre 2004 e 2012, graças à restrição do governo do Partido dos Trabalhadores ao plantio, exploração madeireira e mineração abusivas. O Brasil adotou leis que protegem metade da Amazônia e seus povos indígenas, o que significa que 80% da floresta ainda está de pé. No entanto, 30% dessa área não está sob proteção legal.

O novo presidente de direita do Brasil, Jair Bolsanaro, está destruindo a Amazônia para beneficiar as elites que o elegeram nessa plataforma. O resultado desse ecocídio é um aumento de 84% nos incêndios em 2019 em comparação a 2018. Os incêndios foram principalmente intencionalmente para limpar terras para fazendas de gado, fazendas de soja e plantações de óleo de palma.

Isso aumenta a probabilidade de mudança climática descontrolada. Se perdermos mais um quinto da Amazônia, um ciclo de “retorno” será acionado: uma cascata de colapso que está além da intervenção humana. No geral, a floresta amazônica possui cerca de 90 bilhões de toneladas de carbono, o que equivaleria a uma década de emissões globais de carbono na atmosfera.

A tarefa imediata é apagar os incêndios. A crescente intensidade da pressão global está finalmente forçando Bolsanaro a agir. Ele está respondendo como uma criança petulante, típica da nova marca de líderes extremamente conservadores, acusando organizações não-governamentais de tentar fazê-lo parecer ruim e os líderes mundiais de insultá-lo. Ele está afirmando que o mundo está minando a soberania do Brasil sobre a Amazônia – não dada incorretamente o que está em jogo – e exigiu um pedido de desculpas do presidente francês Emmanuel Macron antes de aceitar a insignificante oferta de ajuda de US $ 20 milhões do G7. Finalmente, na última sexta-feira, Bolsonaro convocou 43 mil soldados e dois aviões para ajudar a apagar incêndios e impedir o desmatamento ilegal.

O que pode ampliar ainda mais a pressão? Nas mídias sociais, as pessoas postam pedidos de boicote aos produtos produzidos em terras desmatadas. Deveríamos parar de comer carne alimentada por essas plantações de soja e reduzir o consumo de produtos de papel. O mundo precisa demonstrar um corte dramático na demanda, porque normalmente leva anos para os mercados se ajustarem. Além de declarações generalizadas sobre o vegetarianismo, outra abordagem seria as sanções das pessoas contra os produtos brasileiros, a fim de punir as empresas que apóiam o governo Bolsonaro. O inferno na Amazônia é apenas uma razão, pois Bolsonaro, como o presidente dos EUA, Donald Trump, merece sanções por muitos outros motivos.

Segundo Maria Luísa Mendonça, diretora da Rede de Justiça Social e Direitos Humanos no Brasil, “a comunidade internacional precisa pedir um boicote às principais mercadorias produzidas pelo agronegócio: carne bovina, soja, cana e madeira. Acho que essa é a única mensagem que terá efeito em pressionar a administração Bolsonaro, porque ele não acredita nas mudanças climáticas e está implementando políticas que estão dando sinal verde para o desmatamento. ”

Em meados de novembro, o presidente Cyril Ramaphosa deve se juntar à cúpula do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics), que Bolsonaro sediará em Brasília – e qual a melhor hora para um boicote contra um homem que, em de qualquer forma, prioriza sua aliança com o colega Trump negador do clima antes de outras considerações?

Esses são alguns dos “palitos” que precisamos usar, mas outros sugerem que damos a Bolsonaro mais “cenouras”. Alguns banqueiros, burocratas e até organizações não-governamentais conservadoras acreditam na “natureza mercantilizante”, compensando o governo brasileiro por proteger os ativos naturais como “compensações de carbono”. Poderíamos pagar ao Brasil para não destruir a floresta tropical mais importante do mundo?

Surgiram esquemas de incentivos equivocados para proteger a floresta, como o ‘Fundo Amazônia’ de 2010, criado pelos governos da Noruega e da Alemanha, desperdiçando milhões em pagamentos a grandes e médios agricultores. Os chamados financiamento das Nações Unidas ‘Redução de Emissões por Degradação e Desmatamento de Florestas’ (‘REDD’) e esquemas similares de compensação são vítimas de todos os tipos de fraudes, sem mencionar incêndios em massa (como exposto em https: // redd-monitor .org /).

Questionada sobre sua opinião na televisão Democracy Now , Mendonça responde: “Ajudando o governo Bolsonaro? Eu não acho que isso vai ajudar muito. Acho que precisamos apoiar comunidades indígenas, pequenos agricultores, que estão protegendo suas terras e que produzem mais de 70% dos alimentos para nossos mercados internos. ”Um grupo respeitado que está fazendo exatamente isso é o Amazon Watch .

Mais recursos e solidariedade para com os defensores do clima são vitais para combater a lógica econômica que impulsiona os destruidores do clima. Os lucros agro-corporativos da Amazônia valem cerca de US $ 20 bilhões por ano. Surgiram esquemas de incentivos equivocados, como o “Fundo Amazônia” de 2010, criado pelos governos da Noruega e da Alemanha, que desperdiçou milhões em pagamentos a grandes e médios agricultores. Os chamados financiamentos das Nações Unidas para Redução de Emissões por Degradação e Desmatamento de Florestas (Redd) e esquemas similares de compensação são vítimas de todos os tipos de golpes, para não mencionar incêndios maciços, como exposto no Redd-Monitor .

Aqueles na África do Sul que se preocupam com o clima e os direitos dos povos indígenas têm oportunidades de se juntar à luta. O dia 5 de setembro é um dia global de ação de protesto, incluindo vigílias nas embaixadas brasileiras, como a da 152 Dallas Avenue, em Pretória. No dia anterior, o departamento de relações internacionais da Universidade de Witwatersrand estava realizando um workshop sobre a Carta da Justiça Climática do Povo.

Então, em 20 de setembro, é esperada uma greve climática sem precedentes às sextas-feiras para o futuro em todos os países, pois as crianças lideram o mundo exigindo cortes imediatos de emissões e rápida adoção de energia renovável a 100%, além de investimentos maciços em uma economia e sociedade verdes. Os locais de protesto na África do Sul incluem a sede da Sasol em Sandton, o Conselho da Cidade de Joburg e a legislatura provincial de Gauteng, entre outros.

Devido à dependência herdada do “complexo energético mineral” viciado em carvão do apartheid, a média da África do Sul é o 11º poluidor mais alto do mundo entre os países com mais de 10 milhões de pessoas. Nessa categoria, nossas emissões por pessoa e por unidade de produção econômica são a terceira mais alta da Terra (atrás apenas do Cazaquistão e da República Tcheca). Portanto, temos uma obrigação especial de agir.

O imposto de carbono aplicado pelo tesouro à grande indústria em junho foi vergonhosamente simbólico, em US $ 0,43 por tonelada, comparado ao imposto sueco de US $ 132 por tonelada.

E porque, devido ao apartheid e ao patriarcado, a grande maioria dos benefícios da indústria do carvão, da fundição e do alto carbono foi amplamente para a minoria rica, branca e masculina da África do Sul, essa luta é uma extensão lógica de campanhas locais de longa data para equidade racial, de gênero e de classe.

Mas, como lembra a incansável ativista Greta Thunberg, de 16 anos, agora é uma questão de justiça geracional – e nossos filhos estão absolutamente corretos em demonstrar raiva contra os adultos por, como eles dizem, roubar nosso futuro.

A queima da Amazônia é o sinal mais claro de que a busca capitalista por lucros – condenando as “externalidades” ambientais – está na raiz da crise climática. Em vez de se apegar ao que sabemos e aos confortos que temos ou ansiamos, aqueles de nós com um estilo de vida confortável precisam questionar a estrutura de poder dominada pela empresa e, de uma maneira pessoal, se comprometer com uma existência que transcende o desejo materialista do consumidor. guloseimas.

Mas e todos os trabalhadores e comunidades dependentes da indústria de carvão e alto carbono? Todos nós precisamos imaginar e exigir uma genuína transição justa dos meios de subsistência ameaçadores do clima, não apenas a retórica vazia dos políticos. Um exemplo disso é a campanha Million Climate Jobs , que, se implementada adequadamente, até o sindicato dos metalúrgicos gigantes apoiará .

A queima da Amazônia é o sinal mais claro de que a busca capitalista por lucros está na raiz da crise climática. Em vez de se apegar ao que sabemos e aos confortos que temos ou ansiamos, aqueles de nós com um estilo de vida confortável precisam questionar a estrutura de poder dominada pela empresa e, de uma maneira pessoal, se comprometer com uma existência que transcende o desejo materialista de consumidor guloseimas.

Para o bem de nosso futuro comum, a resposta à catástrofe climática deve ser urgente, racional e justa. Os líderes e a sociedade sul-africanos devem assumir uma posição particularmente forte, porque há muito em jogo, porque devemos muita “dívida climática” com nossos filhos e vizinhos e porque temos a capacidade de tomar ações significativas, pessoal e politicamente.

Mary Galvin e Patrick Bond são ativistas acadêmicos que trabalham em questões de justiça climática, com base no Departamento de Antropologia e Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Joanesburgo e na Escola de Governança Wits, respectivamente

 

Fonte: https://mg.co.za/article/2019-09-05-00-as-bolsonaro-incinerates-the-amazon-urgent-action-is-needed-for-climate-justice

África do Sul: ANC enaltece memória de Mugabe

Cidade de Cabo – O secretário-geral do Congresso Nacional Africano (ANC), Ace Magashule, apresentou esta sexta-feira as condolências do partido no poder na África do Sul à família do antigo Presidente zimbabweano, Robert Mugabe, que morreu aos 95 anos de idade.

 

Robert Mugabe, Ex-Presidente do Zimbabwé

FOTO: FRANCISCO MIÚDO

LOGOTIPO DO ANC

A vida de Mugabe foi um perfeito exemplo do “novo africano” que, tendo-se desembaraçado do jugo colonial, fazia todo o seu possível para se garantir que o seu país se integre no concerto das nações e seja firmemente responsável pelo seu próprio destino, indicou Magashule.

Acrescentou que o Mundo vai lembrar-se sempre do slogan do antigo herói da libertação: “África aos Africanos e Zimbabwe aos Zimbabweanos”.

“Embora o ANC e os seus responsáveis não tenham conseguido estar de acordo, as vezes de maneira virulenta, com Mugabe sobre questões de interesse nacional, enquanto organização fraternal, consideramos como sacrossanto o princípio de soberania.

“Só a história julgará se as medidas tomadas pelos dirigentes no interesse dos seus concidadãos eram correctas. Lembramos as palavras imortais de William Sheakespeare, segundo as quais , ‘o mal que os homens fazem sobrevive-lhes, o bem  é as vezes enterrado com os seus ossos”, afirmou.

Magashule endereçou as suas condolências à família de Mugabe e à ZANU-PF, o partido no poder no Zimbabwe e que ele liderou durante anos até à sua saída do poder, em 2017.

Sul Africanos votarão para presidente da República

Cerca de 28 milhões de sul-africanos vão amanhã às 23 mil urnas distribuídas pelas nove províncias do país para participar em mais umas eleições, onde o ANC surge novamente como natural favorito tendo na extrema esquerda, através dos Combatentes pela Liberdade Económica, o perigo que pode ofuscar o seu, mesmo assim, mais que esperado triunfo.

Fotografia: Dr

O Congresso Nacional Africano, liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa, surge nas eleições de amanhã entre os 48 partidos participantes como o grande favorito ao triunfo mas, contrariamente ao que sucedeu anteriormente, teve que radicalizar o discurso durante a campanha eleitoral para resistir às posições da extrema esquerda que lhe pretendia roubar eleitores e assim ofuscar a sua esperada vitória.
Neste momento, um dos grandes problemas da África do Sul é a existência de 27 por cento de desempregados e uma sociedade marcada por enormes disparidades e uma corrupção endémica, que Ramaphosa nunca conseguiu combater de modo suficientemente claro.
Durante o último fim-de-semana de campanha, estes problemas ficaram patentes nas intervenções de Ramaphosa e de Julius Malema, que reuniram dezenas de milhares de simpatizantes para os tentar convencer da positividade dos respectivos programas.
O perigo que Julius Malema representa para Cyril Ramaphosa radica no facto de ele estar a ter uma intervenção política que pode seduzir uma larga franja dos eleitores do ANC, beneficiando com isso a extrema-direita e assim encurtar distância em relação à Aliança Democrática, que deverá continuar a ser a segunda força política do país.
No Estádio de Ellis Park, em Joanesburgo, Cyril Ramaphosa assegurou aos seus seguidores a obtenção de uma vitória reconhecendo, contudo, os erros de governação cometidos pelo partido.
Dizendo que o país atravessa um momento histórico, em que os cidadãos devem escolher entre um passado de conflito e um futuro de paz e estabilidade, Ramaphosa pediu aos apoiantes que escolham a esperança ao invés do desespero, a renovação face à estagnação e o crescimento em detrimento do declínio.
Ramaphosa sublinhou que esta foi a mensagem de desejo transmitida pelo povo durante a campanha eleitoral em todo o país, onde disse ter-se reunido com mineiros, camponeses, artesãos, enfermeiros, estudantes, artistas e pensionistas, entre outros.
“Reunimos com pessoas cujas vidas foram transformadas nestes 25 anos de democracia, mas também com aqueles que carecem de trabalho, de casa, de ensino superior e vivem sem acesso à água potável e não contam com instalações sanitárias adequadas”, precisou.
“Cometemos erros e aceitamos as críticas sem reservas”, expressou o líder sul-africano, acrescentando estar disposto a trabalhar com cada sul-africano para construir um país no qual todos possam prosperar.
No Estádio de Orlando, a 20 quilómetros do Ellis Park, em pleno coração do Soweto, Julius Malema disse, por seu turno, aos seus seguidores da extrema-esquerda que se pretende afirmar e mostrar ao ANC que as suas políticas estão erradas e que já não consegue convencer os sul-africanos das suas intenções.
Apostando na captação do eleitorado jovem, precisamente aquele que mais tem sentido na pele os erros de governação do ANC, Malema disse claramente que apenas ele está em condições de garantir um futuro melhor para todos os sul-africanos, uma vez que “os homens do ANC estão todos demasiado comprometidos com um passado obscuro.”
Segundo a mais recente sondagem, o ANC conseguirá obter a maioria dos votos, surgindo depois a Aliança Democrática com percentagens que a lei não deixa divulgar e que neste momento não são perceptíveis devido a alguma incerteza sobre a influência que os Combatentes pela Liberdade Económica podem ter junto das bases do partido de Ramaphosa.
Ainda no passado fim-de-semana, Mmusi Maimane, líder da Aliança Democrática, apelou, tal como Julius Malema, aos desiludidos com o ANC para que tenham  coragem para votar na mudança que garantiu ser protagonizada pelo seu partido.

O problema do xenofobismo
Na recta final da campanha, o Governo foi fortemente pressionado por diversas organizações nacionais para processar os responsáveis pela mais recente onda de ataques xenófobos.
Diversas organizações de defesa dos direitos humanos desafiaram o Governo a encetar investigações “sérias e profundas” para processar criminalmente os responsáveis pelos ataques a cidadãos estrangeiros no país que ocorreram entre os dias 25 de Março e 2 de Abril.
Para as mesmas organizações, o Governo tem que “fazer muito mais do que simplesmente condenar o que se passou”, pelo que defendem que deve ser criada uma equipa especial de investigação para conduzir ao apuramento dos responsáveis e para evitar que situações do tipo se voltem a repetir.
O Presidente Cyril Ramaphosa, numa declaração feita no início do mês, condenou os ataque e disse que a Polícia estava no encalço dos responsáveis, mas a verdade é que até agora não foram efectuadas detenções relacionadas com o caso, nem as autoridades forneceram informações oficiais sobre o número de vítimas desses ataques xenófobos.

A percepção de uma jovem negra brasileira ao estudar na África do Sul

Jovem de favela do Rio se espanta com racismo na África do SulJéssica se surpreendeu com as diferenças no sistema de transporte de Durban, na África do Sul. Arquivo pessoal

A carioca Jéssica Santos Victorino, de 28 anos, saiu do morro da Cachoeira Grande para cursar um mestrado em filogenia molecular e biogeografia marinha na Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban, na África do Sul. A jovem conversou com a RFI e falou dos desafios de se estudar no exterior e das diferenças culturais encontradas fora do Brasil.

Kinha Costa, correspondente da RFI em Joanesburgo

“Eu sempre quis estudar em outro país, aí meu namorado, que já estava estudando na África do Sul, me deu a ideia de tentar o mestrado e acabou dando certo”, conta Jéssica. O mestrado dura dois anos. O primeiro ano é grátis e o segundo custa em torno de R$ 5 mil, os dois semestres.

Jéssica optou por estender, por mais um semestre, o seu tempo na universidade, para poder escrever uma dissertação de boa qualidade, publicar artigos para enriquecer o seu currículo e galgar melhores posições no futuro, como profissional. “Eu pesquiso a relação entre as espécies de pepinos do mar e uso DNA para fazer isso. Eu também pesquiso o padrão de distribuição dessas espécies na costa sul-africana. O exemplo prático disso é a identificação de áreas que precisam ser preservadas. Por ser uma fonte de alimento muito nutritiva os pepinos do mar têm sido muito explorados em países asiáticos e já existem espécies com risco de extinção”, explica a mestranda.

Para Jéssica, a experiência cientifica e pessoal na África do Sul é enriquecedora: “Estou amando entender a genética por trás das coisas. Existem muitas utilidades nesse tipo de pesquisa. Sem contar as viagens de campo que eu tive que fazer para coletar amostras. E aí, tive oportunidade de conhecer as praias mais lindas do país, e um pouco dos outros estados, que são muito diferentes do estado de Kwazulu-Natal, que é o estado onde eu moro. Começando pelo idioma. Em cada estado que eu passei, eu escutei uma língua diferente”, ressalta a pesquisadora.

Estudos no Brasil

O futuro de pesquisadora de Jéssica começou a ser delineado em 2010, quando ela conseguiu entrar em uma das instituições mais conceituadas do Brasil, a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – para cursar Biologia. Moradora da Comunidade Cachoeira Grande, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ela passou incontáveis horas em ônibus e vans para chegar à UFRJ, na Zona Sul do Rio, durante seis anos.

A entrada na universidade produziu questionamentos sobre o processo histórico de discriminação e segregação dos negros no Brasil. Em pouco tempo, a jovem percebeu o quanto esse racismo estava fortemente presente nas estruturas da universidade.

A diferença entre sua comunidade e a universidade foi o seu primeiro choque: a suntuosidade do prédio, as salas, a biblioteca e os laboratórios pareciam saídos de uma caixinha mágica. Muito diferentes da subida para o morro, com esgotos a céu aberto, ruas sem pavimentação, casas de pau a pique e, até, de alvenaria encravadas nas encostas, sem reboco, sem pintura, incompletas. Expondo as feridas de uma sociedade de vala social profunda.

Os primeiros anos na universidade foram difíceis, mas, no quarto ano começaram os estágios e ela também conseguiu uma bolsa de Pesquisa Científica, com uma chocante constatação: “Eu ainda era uma estudante e ganhava mais do que a minha mãe! ”.

Jéssica é a filha do meio de uma família de seis. O pai terminou o Ensino Secundário há poucos anos, atualmente, vive de trabalhos temporários. A mãe trabalha como copeira no hospital militar do bairro.

Quando entrou na universidade, da jovem estava de olho no Projeto Ciência Sem Fronteiras. Queria estudar fora do Brasil, mas quando se graduou, em 2016, o projeto tinha acabado. No entanto, o sonho só tinha aumentado.

Construindo o Mestrado

De posse do Diploma de Bióloga, foi visitar o namorado – um francês, que fez mestrado e doutorado no Brasil e que viveu na comunidade Vidigal e no Complexo da Penha – que fazia pós-doutorado na Universidade de Kwazulu-Natal, em Durban, na África do Sul. Jéssica deu entrada ao processo de solicitação de mestrado na mesma universidade. O resultado demorou quase um ano, mas, ela foi aceita. Em 2017, foi estudar em Durban.

Conseguiu um empréstimo com o namorado para pagar as despesas da solicitação e comprar a passagem. Ao chegar à África do Sul, ela imediatamente solicitou ao governo sul-africano uma bolsa de mestrado integral. Dos 4% do orçamento destinado a estudantes de outros continentes, ela foi premiada e recebeu quase R$ 35 mil para cursar o seu segundo ano.

Choques culturais

Jéssica adora praia, mas teve que se adaptar às diferenças culturais entre Brasil e África do Sul: “As meninas aqui vão à praia como se fossem para a academia. Cobrem os bumbuns mas os seios nem tanto. Já vi muitas sem top, de boa, nos chuveiros da orla. Tô fora! ”. O machismo também a assusta muito, a abordagem nas ruas é muito agressiva. “Tem sido sufocante. Sempre que estou sozinha, sou assediada e parece que ninguém vê problema nisso. Na rua, um cara colocou a mão cheia no meu peito. Eu queria acabar com ele! ” Apesar de ser faixa marrom em Jiu Jitsu, ela seguiu o seu caminho, pois estava sozinha e o homem estava acompanhado de várias pessoas.

O racismo sempre esteve presente na vida de Jéssica, mas na África do Sul ela se sente mais oprimida, apesar de ser uma garota negra e morar em um bairro de negros. “Adoro morar no centro da cidade porque lembra a animação do morro, onde eu morava, mas tem hora que quero sair correndo daqui”. Todas as lojas dessa parte da cidade têm autoridade para revistar os fregueses, o que não acontece em bairros dos brancos. Outro motivo de insatisfação são as regras do prédio onde mora: as visitas têm hora de chegar e de irem embora. Para receber visita é necessário pedir autorização ao síndico. Para a visita dormir tem que pagar um adicional de R$ 25 por pessoas, por noite. “Acho que são resquícios do apartheid. O sistema morre de medo de ter muitas pessoas pretas juntas”.

Jéssica explica que por morar num bairro onde há pouquíssimos brancos, ela não sofre o racismo tradicional. “Mas vejo o racismo estrutural, uma diferença de tratamento que pessoas dão e recebem de acordo com a cor da pele. Mas é claro que o racismo e o machismo não são exclusividades da África do Sul”, acrescenta ela.

Usar o transporte público também tem suas especificidades: as vans não indicam claramente seus destinos e param em qualquer lugar. Basta o passageiro fazer um sinal, dizendo para onde deseja ir. “Não tem cobrador. Quem senta ao lado do motorista, cobra, recebe e passa o troco. O passageiro que está lá atrás paga e o dinheiro vai passando de mão em mão até chegar ao cobrador improvisado. O troco sempre chega a última pessoa e todo mundo paga. Depois de dois anos, sento na frente e passo o troco numa boa, mas acho que não funcionaria no Brasil”.

Igual mas diferente

Jessica foi a poucas favelas, apesar de saber que existem muitas na cidade, mas o que viu não é muito diferente da sua Cachoeira Grande.

Não falava inglês. Aprendeu lendo, ouvindo, falando e cometendo erros. Seu orientador, que mais parece um pai, sofre com seu nível, mas hoje ela constata que seus erros gramaticais são poucos, falta-lhe vocabulário, mas isso o orientador corrige.

Apesar de o seu namorado estar terminando o pós-doutorado e ter boas chances de trabalhar no país, Jessica voltará para o Brasil. Se vai ou não morar na favela, não importa, porque sabe que a favela precisa dela. “Quero ajudar outros jovens a construírem futuros. O Brasil vive um caos político-econômico-sócio-educacional. Não acho que seja o momento de abandonar o país, muito pelo contrário: é hora de juntar forças”, finaliza Jéssica.

Fonte;http://br.rfi.fr/brasil/20190413-brasil-africa-jovem-de-comunidade-faz-mestrado-na-africa-do-sul

A xenofobia na África do Sul assusta e preocupa

 

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Alguém poderia imaginar que a sociedade sul africana tivesse problemas de xenofobia recorrente na África do Sul?

A ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana, Lindiwe Sisulu, reúne-se hoje, em Pretória, com embaixadores acreditados na África do Sul para discutir a recente violência xenófoba contra cidadãos estrangeiros no país.

O ministro da Polícia, Bheki Cele, participa também no encontro para o qual foram convocados os embaixadores da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), Paquistão, Bangladesh e Índia, disse à Lusa o porta-voz do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ndivhuwo Mabaya.

Segundo o porta-voz, o Governo sul-africano está preocupado com os incidentes de violência e ataques de xenofobia contra cidadãos estrangeiros que eclodiram há uma semana no país, nomeadamente nas províncias do KwaZulu-Natal, litoral sudeste, e Limpopo, norte do país.

Em declarações à imprensa, na sexta-feira, Lindiwe Sisulu reafirmou a preocupação do Governo [Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês)] com a recente onda de violência e ataques xenófobos contra cidadãos estrangeiros, instando as autoridades de segurança a atuar.

“O Governo reconhece a contribuição significativa e os sacrifícios de cidadãos de vários países africanos na libertação dos sul-africanos e na queda do regime do apartheid”, adiantou a chefe da diplomacia sul-africana.

O chefe de Estado, Cyril Rampahosa, que é também presidente do ANC, no poder desde 1994, condenou os incidentes de violência e ataques xenófobos contra estrangeiros após uma visita que efetuou à província do KwaZulu-Natal, em campanha eleitoral.

“Estes recentes ataques violam tudo aquilo pelo qual o nosso povo lutou durante muitas décadas, condeno pessoalmente porque não somos isso como povo”, afirmou Cyril Ramaphosa durante uma visita a Pietermaritzburg, na sexta-feira.

Todavia, com eleições legislativas marcadas para dia 8 de maio, no discurso de campanha eleitoral que realizou em Durban, na semana anterior, o chefe de Estado sul-africano advertiu proprietários de negócios a operar em “townships” [definição de bairros negros durante o apartheid], sem fazer no entanto referência direta a cidadãos estrangeiros.

“Toda a gente chega às nossas townships e áreas rurais e monta negócios sem ter licenças e autorizações. Vamos acabar com isso e aqueles que estão a operar ilegalmente, seja de que sítio venham, devem agora saber (…)”, declarou Ramaphosa no seu discurso, declaração essa transmitida pelo canal de televisão ENCA, no dia 20 de março na rede social YouTube.

A polícia no KwaZulu-Natal confirmou à imprensa os incidentes de violência na semana passada, acrescentando que “começaram na noite de domingo [24 de março] com ataques a lojas de cidadãos estrangeiros”.

Registaram-se também incidentes na segunda e na terça-feira, adiantou a porta-voz da Polícia, Thulani Zwane.

Na quinta-feira, a Lusa noticiou que sete camiões foram incendiados na autoestrada N3, entre a localidade de Estcourt e a portagem de Rio Mooi, na província do KwaZulu-Natal (KZN).

A polícia sul-africana não confirmou se os incidentes na N3 estão relacionados com a atual onda de protestos que envolve motoristas de camião estrangeiros, nomeadamente moçambicanos.

Imagens de violência no KwaZulu-Natal e alertas de segurança por parte de motoristas moçambicanos têm dado também conta nas redes sociais de atos de intimidação e insegurança de que alegam ser alvo.

“O governo provincial [ANC] está preocupado com a destruição de sete camiões no importante corredor N3 que liga KZN ao coração económico da África do Sul, a província de Gauteng”, disse o ministro para o Desenvolvimento Económico, Turismo e Ambiente do governo provincial local.

Sihle Zikalala, adiantou ao semanário local, Sunday Tribune, que também na semana passada, pelo menos cinco fábricas ficaram destruídas por fogo posto no parque industrial Isithebe, em Mandeni, no litoral norte do KwaZulu-Natal.

“As fábricas de propriedade da Corporação de Desenvolvimento Financeiro Ithala, foram incendiadas por residentes insatisfeitos com o município local”, explicou.

A polícia confirmou a detenção de 15 pessoas por destruição maliciosa de propriedade e incitação à violência pública, segundo o jornal de Durban.

Em declarações à imprensa, na sexta-feira, o presidente da Câmara Municipal de eThekwini (envolvente à cidade de Durban), Zandile Gumede, considerou que os incidentes de violência são “pura criminalidade”.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/governo-da-africa-do-sul-reune-embaixadores-sobre-violencia-xenofoba-contra-estrangeiros-10747182.html

Racismo e AIDS na África do Sul

pretoria

Victor Carvalho

A conceituada Universidade de Pretória decidiu acabar com a utilização do afrikaans como uma das línguas oficiais de ensino, passando a inglesa a ser a única aceite para que os alunos possam realizar os seus exames.

Como seria de esperar, esta decisão gerou uma acesa polémica na sociedade local, até porque o exemplo da Universidade de Pretória deverá ser seguido por outras instituições de ensino do país, naquilo que está a ser entendido como uma preocupação para travar a propagação do racismo, que nalgumas regiões da África do Sul do país está de novo a atingir proporções extremamente perigosas.
De acordo com um estudo divulgado pela Universidade de Pretória com o objectivo de pormenorizar a sua decisão, o inglês continua a ser, largamente, a língua mais utilizada no país, enquanto o afrikaans é usado para manter uma tradição que muita gente relaciona com o período do apartheid.
“Durante o período do apartheid, a comunidade branca sul-africana criou e desenvolveu uma língua, neste caso o afrikaans, como forma de excluir os negros de determinado tipo de ensino e de discussão”, explicou a Universidade de Pretória numa nota divulgada através das redes sociais.images
Uma outra justificação que tem sido dada por alguns críticos do uso do Afrikaans, refere-se ao facto da palavra “apartheid”, que faz parte do “Dicionário de Oxford” e está agora internacionalizada, é uma expressão retirada precisamente do afrikkans.
No debate que tem vindo a desenrolar-se na África do Sul, a Universidade de Pretória reconhece que o afrikaans é falado por milhões de pessoas, mas sublinha que a esmagadora maioria da população fala o inglês, pelo que com esta medida passarão a ser mais as pessoas a terem rigorosamente as mesmas possibilidades de sucesso escolar neste estabelecimento de ensino, que na verdade é um dos melhores existentes no continente africano.
Como não podia deixar de ser, as redes sociais têm jogado um importante papel neste debate, assistindo-se a múltiplas trocas de argumentos entre estudantes que defendem posições diferentes em relação a este mesmo assunto.
Esse debate no mundo cibernético, onde o anonimato infelizmente prevalece, ajudou a sublinhar a certeza de que mesmo passados 25 anos desde o fim do apartheid, a questão do racismo continua presente na sociedade sul-africana.
A Constituição do país reconhece legalmente a existência de onze línguas, entre as quais estão o inglês e o afrikaans, mas é omissa sobre qual delas deve prevalecer em termos de funcionamento oficial nos diferentes estabelecimentos escolares do país.
Esta polémica, entretanto, cruza-se com uma outra que foi levantada pelo jornal britânico “Independent” ao revelar recentemente que uma unidade paramilitar sul-africana, que operou durante o regime do “apartheid”, foi expressamente constituída para infectar com o virus HIV/AIDS a população negra do país.
Segundo o jornal, por detrás da criação dessa unidade esteve Keith Maxwell, o líder do polémico Instituto Sul-Africano de Investigação Marítima, que defendia um país de maioria branca.
Keith Maxwell, é acusado pelo “Independent” de se ter apresentado perante a sociedade como um médico filantropo, disposto a ajudar os mais desfavorecidos e assim poder aplicar as falsas injecções aos sul-africanos negros com as quais iriam contrair a doença.
O assunto, foi agora trazido a público por causa de um documentário intitulado “Cold Case Hammarskjold”, estreado há duas semanas no “Festival Sundance Film”, que decorreu nos Estados Unidos.

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Nesse documentário, podia ver-se um antigo elemento dos serviços secretos sul-africanos a dizer que essa unidade “espalhou o vírus” a mando de Maxwell.
Falando aos autores do documentário, um ex-oficial dos serviços secretos disse que Keith Maxwell, que tinha poucas qualificações profissionais, se estabeleceu como médico apenas com o objectivo de tratar negros sul-africanos que viviam com problemas sociais.
“As pessoas negras não tinham direitos, precisavam de cuidados médicos. Há um ‘filantropo’ branco que chega e diz ‘vou abrir estas clínicas e tratar-vos’ e, no entanto, é apenas um lobo com pele de cordeiro”, relatou.

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Não será, pois, por um mero acaso que este documentário teve um enorme impacto no país. É que, na verdade, ele reflecte a dimensão do problema que o racismo continua a constituir para os sul-africanos, e que se alimenta de todos os pormenores para ser usado pelos sul-africanos como arma de arremesso para acicatar a divisão entre negros e brancos.
Numa altura em que o país se prepara para ir a votar, aguarda-se com alguma expectativa para ver qual será a postura dos políticos e a contenção que eles estão dispostos a ter para não cairem na tentação de usar o racismo como argumento para conseguirem um maior número de votos.
A enorme nação que é a África do Sul precisa de todos os seus filhos, sejam negros ou brancos, para poder ultrapassar os graves problemas sociais e económicos que enfrenta.
O que falta saber é se existe na sociedade sul-africana a consciência de que essa unidade é fundamental para a salvaguarda dos seus próprios interesses pessoais e étnicos ou se, pelo contrário, essa mesma sociedade se vai deixar enredar nas teias do racismo, para voltar a um passado de tão triste memória.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/combate-ao-racismo-na-africa-do-sul

Eleições da África do Sul preocupa os bispos

africa moçambique

No próximo dia 8 de maio, a África do Sul vai às urnas para as eleições gerais. Em vista deste escrutínio eleitoral, a Conferência Episcopal local (Sacbc) publicou uma Carta pastoral “aos católicos e a todos os homens de boa vontade”.

Cidade do Vaticano

Um apelo por eleições “pacíficas, livres e transparentes” e um apelo “à oração”: ao longo destes dois eixos se desenvolve a Carta Pastoral dos Bispos sul-africanos, publicada em vista das eleições gerais marcadas para o próximo 8 de maio. Os bispos redigiram o documento em Mariannhill durante a Assembléia Plenária.

Escolher líderes que promovam o bem comum

Em primeiro lugar, os bispos definem “imperativo” o exercício do direito de voto de forma “sábia e corajosa, sem deixar-se distrair por falsas promessas”, olhando para os líderes capazes de “promover o bem comum e viver a Constituição à luz do Evangelho”. Daí a exortação aos eleitores a se fazerem algumas perguntas antes de entrarem na urna, como por exemplo: quem, de entre os candidatos, poderá efectivamente erradicar a corrupção, enfrentar os temas do desemprego e da pobreza e reduzir drasticamente o nível de violência perpetrada na população, em particular mulheres e crianças. Em síntese, sublinham os bispos, trata-se de escolher líderes que sejam capazes de “proteger a democracia” e fazer com que os cidadãos se sintam “orgulhosos de serem sul-africanos”.

Não a violências e intimidações

Em seguida – prossegue o documento – é essencial a criação de “um ambiente tolerante, que permita a cada sul-africano de apoiar e votar no partido escolhido, sem receio de violência e retaliações”. Por isso, recordando a responsabilidade do Estado de “garantir a segurança de todos”, os prelados exortam os partidos políticos a evitar as intimidações, tomando medidas decisivas contra os que as cometessem, bem como a “respeitar os resultados eleitorais”, assegurando também o respeito da lei.

O papel dos mass-media

Da mesma forma, também os meios de comunicação de massa são instados pela Igreja da África do Sul a “fugir do sensacionalismo” e a “relatar os eventos de maneira apropriada e responsável, para o bem de todos”. Nesta perspectiva, vem enfim o apelo à oração lançado pelos bispos, que sugerem uma oração em que se implora do Pai o respeito pela lei, a humildade do serviço, a esperança para os pobres, a unidade da população, a paz e a segurança para as crianças.

Presidente da África do Sul adverte Bolsonaro

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, advertiu quinta-feira que, se Jair Bolsonaro, eleito seu homólogo, se afastar do BRICS – formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e da defesa irrevogável do multilateralismo, acabará por prejudicar os interesses do país sul-americano.

Fotografia: DR

Durante um encontro com correspondentes estrangeiros em Joanesburgo, Ramaphosa felicitou Jair Bolsonaro pelo  triunfo nas eleições presidenciais, mas reconheceu que as suas políticas são “diferentes” e que a África do Sul “estava mais próxima” do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Se (Bolsonaro) actuar contra o que defendem os países do BRICS, isso será em detrimento do Brasil e dos brasileiros”, afirmou o Presidente da África do Sul, país que assume a presidência rotativa do bloco de potências emergentes. />O novo Presidente brasileiro, disse, “entrará para uma família BRICS que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, que procura fazer as coisas de uma maneira a fortalecer o benefício mútuo. Se começar a empurrar numa direcção diferente, acabará por prejudicar os interesses do Brasil”, alertou.
Embora durante a campanha eleitoral tenha dado a entender que se afastaria deste bloco,  Cyril Ramaphosa acredita que Bolsonaro não perderá as “oportunidades” oferecidas pelo BRICS.</br

 

fONTE: http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/presidente_da_africa_do_sul_adverte_homologo_brasileiro

 

África do Sul está preocupada com os rumos da política externa brasileira

ciryl e bolsonaroO presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse a correspondentes estrangeiros que suas políticas são “diferentes” e que a África do Sul estava “mais próxima” do Partido dos Trabalhadores

Atual presidente no mandato rotativo dos BRICS, Ramaphosa defendeu o multilateralismo e pediu que Bolsonaro mantenha o Brasil no grupo político:

Ele entrará para uma família Brics que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, ele entrará para uma família Brics que procura fazer as coisas de uma maneira que fortaleça o benefício mútuo.

Apesar de tentar manter um discurso conciliador, o atual presidente da África do Sul alertou o presidente eleito Jair Bolsonaro sobre um possível abandono do BRICS:

Se ele atuar contra o que defendem os países do Brics, isso será em detrimento do Brasil e dos brasileiros. […] Se começar a empurrar em uma direção diferente, acabará prejudicando o interesse do Brasil.

Fonte: https://renovamidia.com.br/presidente-da-africa-do-sul-preocupado-com-jair-bolsonaro/

Brasil participa de operações na Costa Oeste da África do Sul


Light-Line simultâneo entre a Corveta “Barroso”(d), Destroyer “Kolkata”(centro) e Fragata “Tarkashi”(e). Ao fundo, a Fragata “Amatola”

No período de 31 de agosto a 12 de outubro, um Grupo-Tarefa da Marinha do Brasil participou das operações “ATLASUR XI” e “IBSAMAR VI”. Nos dois exercícios, realizados na costa oeste da África do Sul, oficiais e praças da Marinha do Brasil tiveram oportunidade de embarcar em meios navais das Marinhas da África do Sul, da Índia e do Uruguai.

O propósito dos embarques foi proporcionar o intercâmbio de conhecimentos e de melhores práticas entre os meios participantes das operações, de forma a permitir o incremento da interoperabilidade e a compreensão mútua entre os meios navais que participaram da operação.

Durante as operações, quatro oficias e uma praça da Marinha do Brasil embarcaram nos seguintes meios navais: Destroyer “Kolkata” e Fragata “Tarkash”, da Marinha da Índia; Submarino “Mantathisi” e Fragata “Amatola”, da Marinha da África do Sul; e Navio de Apoio Logístico “General Artigas”, da Armada do Uruguai.

Além de acompanhar a execução das operações e ações de guerra naval, realizadas em cumprimento aos diversos exercícios programados, eles também observaram a condução administrativa de cada unidade. Ao final das operações, os militares da Marinha do Brasil retornaram à Corveta “Barroso”, Navio Capitânia do Grupo Tarefa Brasileiro, para o regresso ao Brasil. A chegada da Corveta “Barroso” à Base Naval do Rio de Janeiro está prevista para a manhã do dia 28 de novembro deste ano.

Oficial submarinista da Marinha do Brasil com a tripulação do Submarino “Mantathisi” na Base Naval de Simons Town
África do Sul

 

Fonte:http://www.defesanet.com.br/naval/noticia/31018/Militares-da-Marinha-do-Brasil-embarcam-nos-navios-das-Marinhas-da-Africa-do-Sul–da-India-e-do-Uruguai/