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A percepção de uma jovem negra brasileira ao estudar na África do Sul

Jovem de favela do Rio se espanta com racismo na África do SulJéssica se surpreendeu com as diferenças no sistema de transporte de Durban, na África do Sul. Arquivo pessoal

A carioca Jéssica Santos Victorino, de 28 anos, saiu do morro da Cachoeira Grande para cursar um mestrado em filogenia molecular e biogeografia marinha na Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban, na África do Sul. A jovem conversou com a RFI e falou dos desafios de se estudar no exterior e das diferenças culturais encontradas fora do Brasil.

Kinha Costa, correspondente da RFI em Joanesburgo

“Eu sempre quis estudar em outro país, aí meu namorado, que já estava estudando na África do Sul, me deu a ideia de tentar o mestrado e acabou dando certo”, conta Jéssica. O mestrado dura dois anos. O primeiro ano é grátis e o segundo custa em torno de R$ 5 mil, os dois semestres.

Jéssica optou por estender, por mais um semestre, o seu tempo na universidade, para poder escrever uma dissertação de boa qualidade, publicar artigos para enriquecer o seu currículo e galgar melhores posições no futuro, como profissional. “Eu pesquiso a relação entre as espécies de pepinos do mar e uso DNA para fazer isso. Eu também pesquiso o padrão de distribuição dessas espécies na costa sul-africana. O exemplo prático disso é a identificação de áreas que precisam ser preservadas. Por ser uma fonte de alimento muito nutritiva os pepinos do mar têm sido muito explorados em países asiáticos e já existem espécies com risco de extinção”, explica a mestranda.

Para Jéssica, a experiência cientifica e pessoal na África do Sul é enriquecedora: “Estou amando entender a genética por trás das coisas. Existem muitas utilidades nesse tipo de pesquisa. Sem contar as viagens de campo que eu tive que fazer para coletar amostras. E aí, tive oportunidade de conhecer as praias mais lindas do país, e um pouco dos outros estados, que são muito diferentes do estado de Kwazulu-Natal, que é o estado onde eu moro. Começando pelo idioma. Em cada estado que eu passei, eu escutei uma língua diferente”, ressalta a pesquisadora.

Estudos no Brasil

O futuro de pesquisadora de Jéssica começou a ser delineado em 2010, quando ela conseguiu entrar em uma das instituições mais conceituadas do Brasil, a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – para cursar Biologia. Moradora da Comunidade Cachoeira Grande, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ela passou incontáveis horas em ônibus e vans para chegar à UFRJ, na Zona Sul do Rio, durante seis anos.

A entrada na universidade produziu questionamentos sobre o processo histórico de discriminação e segregação dos negros no Brasil. Em pouco tempo, a jovem percebeu o quanto esse racismo estava fortemente presente nas estruturas da universidade.

A diferença entre sua comunidade e a universidade foi o seu primeiro choque: a suntuosidade do prédio, as salas, a biblioteca e os laboratórios pareciam saídos de uma caixinha mágica. Muito diferentes da subida para o morro, com esgotos a céu aberto, ruas sem pavimentação, casas de pau a pique e, até, de alvenaria encravadas nas encostas, sem reboco, sem pintura, incompletas. Expondo as feridas de uma sociedade de vala social profunda.

Os primeiros anos na universidade foram difíceis, mas, no quarto ano começaram os estágios e ela também conseguiu uma bolsa de Pesquisa Científica, com uma chocante constatação: “Eu ainda era uma estudante e ganhava mais do que a minha mãe! ”.

Jéssica é a filha do meio de uma família de seis. O pai terminou o Ensino Secundário há poucos anos, atualmente, vive de trabalhos temporários. A mãe trabalha como copeira no hospital militar do bairro.

Quando entrou na universidade, da jovem estava de olho no Projeto Ciência Sem Fronteiras. Queria estudar fora do Brasil, mas quando se graduou, em 2016, o projeto tinha acabado. No entanto, o sonho só tinha aumentado.

Construindo o Mestrado

De posse do Diploma de Bióloga, foi visitar o namorado – um francês, que fez mestrado e doutorado no Brasil e que viveu na comunidade Vidigal e no Complexo da Penha – que fazia pós-doutorado na Universidade de Kwazulu-Natal, em Durban, na África do Sul. Jéssica deu entrada ao processo de solicitação de mestrado na mesma universidade. O resultado demorou quase um ano, mas, ela foi aceita. Em 2017, foi estudar em Durban.

Conseguiu um empréstimo com o namorado para pagar as despesas da solicitação e comprar a passagem. Ao chegar à África do Sul, ela imediatamente solicitou ao governo sul-africano uma bolsa de mestrado integral. Dos 4% do orçamento destinado a estudantes de outros continentes, ela foi premiada e recebeu quase R$ 35 mil para cursar o seu segundo ano.

Choques culturais

Jéssica adora praia, mas teve que se adaptar às diferenças culturais entre Brasil e África do Sul: “As meninas aqui vão à praia como se fossem para a academia. Cobrem os bumbuns mas os seios nem tanto. Já vi muitas sem top, de boa, nos chuveiros da orla. Tô fora! ”. O machismo também a assusta muito, a abordagem nas ruas é muito agressiva. “Tem sido sufocante. Sempre que estou sozinha, sou assediada e parece que ninguém vê problema nisso. Na rua, um cara colocou a mão cheia no meu peito. Eu queria acabar com ele! ” Apesar de ser faixa marrom em Jiu Jitsu, ela seguiu o seu caminho, pois estava sozinha e o homem estava acompanhado de várias pessoas.

O racismo sempre esteve presente na vida de Jéssica, mas na África do Sul ela se sente mais oprimida, apesar de ser uma garota negra e morar em um bairro de negros. “Adoro morar no centro da cidade porque lembra a animação do morro, onde eu morava, mas tem hora que quero sair correndo daqui”. Todas as lojas dessa parte da cidade têm autoridade para revistar os fregueses, o que não acontece em bairros dos brancos. Outro motivo de insatisfação são as regras do prédio onde mora: as visitas têm hora de chegar e de irem embora. Para receber visita é necessário pedir autorização ao síndico. Para a visita dormir tem que pagar um adicional de R$ 25 por pessoas, por noite. “Acho que são resquícios do apartheid. O sistema morre de medo de ter muitas pessoas pretas juntas”.

Jéssica explica que por morar num bairro onde há pouquíssimos brancos, ela não sofre o racismo tradicional. “Mas vejo o racismo estrutural, uma diferença de tratamento que pessoas dão e recebem de acordo com a cor da pele. Mas é claro que o racismo e o machismo não são exclusividades da África do Sul”, acrescenta ela.

Usar o transporte público também tem suas especificidades: as vans não indicam claramente seus destinos e param em qualquer lugar. Basta o passageiro fazer um sinal, dizendo para onde deseja ir. “Não tem cobrador. Quem senta ao lado do motorista, cobra, recebe e passa o troco. O passageiro que está lá atrás paga e o dinheiro vai passando de mão em mão até chegar ao cobrador improvisado. O troco sempre chega a última pessoa e todo mundo paga. Depois de dois anos, sento na frente e passo o troco numa boa, mas acho que não funcionaria no Brasil”.

Igual mas diferente

Jessica foi a poucas favelas, apesar de saber que existem muitas na cidade, mas o que viu não é muito diferente da sua Cachoeira Grande.

Não falava inglês. Aprendeu lendo, ouvindo, falando e cometendo erros. Seu orientador, que mais parece um pai, sofre com seu nível, mas hoje ela constata que seus erros gramaticais são poucos, falta-lhe vocabulário, mas isso o orientador corrige.

Apesar de o seu namorado estar terminando o pós-doutorado e ter boas chances de trabalhar no país, Jessica voltará para o Brasil. Se vai ou não morar na favela, não importa, porque sabe que a favela precisa dela. “Quero ajudar outros jovens a construírem futuros. O Brasil vive um caos político-econômico-sócio-educacional. Não acho que seja o momento de abandonar o país, muito pelo contrário: é hora de juntar forças”, finaliza Jéssica.

Fonte;http://br.rfi.fr/brasil/20190413-brasil-africa-jovem-de-comunidade-faz-mestrado-na-africa-do-sul

Eleições da África do Sul preocupa os bispos

africa moçambique

No próximo dia 8 de maio, a África do Sul vai às urnas para as eleições gerais. Em vista deste escrutínio eleitoral, a Conferência Episcopal local (Sacbc) publicou uma Carta pastoral “aos católicos e a todos os homens de boa vontade”.

Cidade do Vaticano

Um apelo por eleições “pacíficas, livres e transparentes” e um apelo “à oração”: ao longo destes dois eixos se desenvolve a Carta Pastoral dos Bispos sul-africanos, publicada em vista das eleições gerais marcadas para o próximo 8 de maio. Os bispos redigiram o documento em Mariannhill durante a Assembléia Plenária.

Escolher líderes que promovam o bem comum

Em primeiro lugar, os bispos definem “imperativo” o exercício do direito de voto de forma “sábia e corajosa, sem deixar-se distrair por falsas promessas”, olhando para os líderes capazes de “promover o bem comum e viver a Constituição à luz do Evangelho”. Daí a exortação aos eleitores a se fazerem algumas perguntas antes de entrarem na urna, como por exemplo: quem, de entre os candidatos, poderá efectivamente erradicar a corrupção, enfrentar os temas do desemprego e da pobreza e reduzir drasticamente o nível de violência perpetrada na população, em particular mulheres e crianças. Em síntese, sublinham os bispos, trata-se de escolher líderes que sejam capazes de “proteger a democracia” e fazer com que os cidadãos se sintam “orgulhosos de serem sul-africanos”.

Não a violências e intimidações

Em seguida – prossegue o documento – é essencial a criação de “um ambiente tolerante, que permita a cada sul-africano de apoiar e votar no partido escolhido, sem receio de violência e retaliações”. Por isso, recordando a responsabilidade do Estado de “garantir a segurança de todos”, os prelados exortam os partidos políticos a evitar as intimidações, tomando medidas decisivas contra os que as cometessem, bem como a “respeitar os resultados eleitorais”, assegurando também o respeito da lei.

O papel dos mass-media

Da mesma forma, também os meios de comunicação de massa são instados pela Igreja da África do Sul a “fugir do sensacionalismo” e a “relatar os eventos de maneira apropriada e responsável, para o bem de todos”. Nesta perspectiva, vem enfim o apelo à oração lançado pelos bispos, que sugerem uma oração em que se implora do Pai o respeito pela lei, a humildade do serviço, a esperança para os pobres, a unidade da população, a paz e a segurança para as crianças.

Mecanização da agricultura africana

agriculture-riz_0A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Rede Africana de Conservação (ACT) assinaram na quinta-feira (7) um memorando de entendimento para incentivar maior acesso dos pequenos agricultores africanos à mecanização sustentável das propriedades, como tratores e outras máquinas que podem melhorar a vida do trabalhador rural.

A parceria também procura vincular o uso de máquinas agrícolas à agricultura de conservação, que é um sistema de cultivo que promove o mínimo de perturbação do solo e o plantio de espécies vegetais complementares para melhorar a biodiversidade e os processos biológicos naturais.

 

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Rede Africana de Conservação (ACT) assinaram na quinta-feira (7) um memorando de entendimento para incentivar maior acesso dos pequenos agricultores africanos à mecanização sustentável das propriedades, como tratores e outras máquinas que podem melhorar a vida do trabalhador rural.

A parceria também procura vincular o uso de máquinas agrícolas à agricultura de conservação, que é um sistema de cultivo que promove o mínimo de perturbação do solo e o plantio de espécies vegetais complementares para melhorar a biodiversidade e os processos biológicos naturais.

Na África, pequenos agricultores usam sua própria força muscular, como enxadas manuais, em cerca de 65% da mão de obra total necessária para o preparo da terra. Já 25% da força vêm da tração animal e 10% de máquinas movidas a motor. No Sul da Ásia, em comparação, a força muscular humana é usada para 30% do trabalho de preparação da terra, enquanto a potência do motor representa 40%, e na América Latina e Caribe, 50%.

“Este acordo é uma parte importante do trabalho da ACT e da FAO para a adoção da mecanização agrícola sustentável em toda a África, que tem o potencial de transformar as vidas e os meios de subsistência de milhões de pequenos agricultores”, afirmou Saidi Mkomwa, secretário-executivo da Rede Africana de Conservação da Agricultura (ACT).

“Uma das maneiras pelas quais podemos alcançar a produção agrícola sustentável na África é através da adoção da agricultura de conservação e mecanização mais apropriada”, disse o diretor-geral adjunto da FAO, Bukar Tijani, que dirige o Departamento de Agricultura e Defesa do Consumidor da FAO.

“Esta parceria para a África será uma plataforma para reunir as partes interessadas do setor privado, grupos de agricultores, sociedade civil, ministérios da agricultura e além, para alcançar nossa visão de um mundo de fome zero”, acrescentou.

Vinculando mecanização à agricultura sustentável

A mecanização em toda a cadeia de valor dos alimentos — da produção e colheita ao manuseio, processamento e transporte – alivia o trabalho penoso, aumenta a produtividade agrícola, aumenta a renda e fornece novos empregos, como serviços de mecanização e reparos. A mecanização sustentável também pode conservar os recursos naturais e permitir que os sistemas agrícolas sejam mais resilientes às mudanças climáticas.

A União Africana comprometeu-se a banir o trabalho com enxada até 2025. No ano passado, a FAO e a UA produziram a “Mecanização Agrícola Sustentável: Um Quadro para a África (SAMA)”, e o acordo de hoje com a rede ACT contribuirá para implementar esse quadro.

A colaboração também visa promover a partilha de conhecimento e apoiar um maior diálogo político sobre a mecanização agrícola sustentável e a agricultura de conservação.

A rede ACT foi estabelecida em 2006 e é uma organização internacional pan-africana sem fins lucrativos dedicada a melhorar os meios de subsistência na África através de agricultura sustentável, agroecologia e gestão de ecossistemas.

Fonte:http://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/pt/c/1179610/

A revolução silenciosa das mulheres do Niger: não querem mais sofrer no casamento

Dionne Searcey
MARADI (NÍGER)

Ele não batia nela. Não gritava. Não a traía —até onde ela soubesse. Mas, menos de dois anos depois do casamento, o marido de Zalika Amadou havia mudado. E sua negligência e indiferença pareciam inaceitáveis, para uma jovem que esperava mais.

A mãe dela, que se casou aos 14 anos com um desconhecido duas vezes mais velho, não conseguia entender as queixas. Ela ficou com o marido por cinco décadas, até a morte dele.

Mas para Amadou, que se casou aos 16 anos, simplesmente ter um marido não bastava. Por isso, certa manhã movimentada em Maradi, Níger, ela se apresentou diante de um juiz, em um tribunal islâmico de rua lotado, e pediu o que muitas mulheres jovens da região estão buscando com muito mais frequência hoje: um divórcio.

Nos bolsões conservadores da África Ocidental, durante séculos a expectativa era de que as mulheres suportassem os maus casamentos. Divórcios aconteciam, mas o mais comum era que os maridos deixassem suas mulheres.

“É o fim do mundo quando um marido e sua mulher não ficam juntos”, disse Halina Amadou, a mãe de Amadou.

Mulheres em aula ao ar livre em Bassaraua, Níger
Mulheres em aula ao ar livre em Bassaraua, Níger – Laura Boushnak/The New York Times

Mas no Níger, um lugar em que as mulheres têm escolaridade mais baixa, padrões de vida piores e menos igualdade com os homens do que em praticamente qualquer lugar do planeta, uma revolução silenciosa está em curso.

Muitas mulheres como Amadou vão ao tribunal que se reúne na calçada, a cada mês, para solicitar divórcios, não só frustradas pela incapacidade de seus maridos de ganhar a vida, em um período de dificuldades econômicas, mas também porque sua visão básica sobre relacionamentos mudou.

Elas querem escolher com quem e quando se casam, em lugar de serem forçadas ao matrimônio. Exigem respeito e, ainda mais, amor. E se os maridos ficam aquém do desejado, são as mulheres que movem a nova cultura da separação.

“As mulheres jovens agora se casam com certas expectativas”, disse Alou Hama Maiga, secretário-geral da Associação Islâmica do Níger. “Se essas expectativas não forem satisfeitas, em dado momento o divórcio se torna inevitável”.

O juiz islâmico que preside ao tribunal religioso de rua em Maradi, a terceira maior cidade do Níger, disse que os divórcios iniciados por mulheres dobraram de número nos últimos três anos, e que quase 50 mulheres ao mês o procuram para terminar seus casamentos.

Zalika Amadou, 17, segura seu filho Affan, de seis meses, em Maradi
Zalika Amadou, 17, segura seu filho Affan, de seis meses, em Maradi – Laura Boushnak/The New York Times

“Essas jovens mulheres não querem mais sofrer”, disse o juiz, Alkali Laouali Ismaël. “Existe uma solução para seus problemas e elas sabem que podem encontrá-la aqui”.

Advogados, associações de mulheres, funcionários do governo local e acadêmicos que estudam a região dizem que esse avanço do divórcio acontece em toda a África Ocidental —em regiões rurais e urbanas, e em áreas muçulmanas e cristãs—, em um momento no qual as mulheres buscam afirmar mais controle sobre seus relacionamentos,

O número total de divórcios continua relativamente estável ou até em queda, em algumas partes da África Ocidental, eles apontam, mas por sob essa estatística se escondem grandes mudanças nos padrões de divórcio, e na sociedade mais ampla.

As mulheres agora têm escolaridade maior, e em algumas áreas se casam mais tarde, fatores que segundo os acadêmicos resultam em casamentos mais estáveis. Ao mesmo tempo, mais mulheres estão se mudando para as cidades e entrando para a força de trabalho, o que permite que muitas delas descartem casamentos insatisfatórios.

A Associação de Advogadas de Dakar disse que hoje ajuda três vezes mais clientes mulheres a obter divórcios do que era o caso quatro anos atrás.

Hajara, que se divorciou do marido e voltou a morar com a família, lava louça perto da filha em Maradi
Hajara, que se divorciou do marido e voltou a morar com a família, lava louça perto da filha em Maradi – Laura Boushnak/The New York Times

“Muitas mulheres em Dakar são independentes e têm empregos e dinheiro”, disse Daouda Ka, advogada que trabalha em casos de divórcio. “No passado, elas simplesmente toleravam maus casamentos. Agora, se não funciona, elas saem”.

Em Gana, 73% dos casos de divórcio conduzidos com ajuda da Legal Aid Scheme of Greater Accra, uma organização de assistência judicial, foram apresentados por mulheres, em 2016-2017, uma grande mudança com relação ao passado. O divórcio, que os cristãos conservadores costumavam ver como tabu, vem sendo apresentado nos sermões das igrejas como uma alternativa melhor do que encerrar um relacionamento com violência doméstica ou adultério.

Amadou viveu sua infância em Maradi, uma cidade de pequenas lojas e feiras ao ar livre, cercada por grupos de aldeias agrícolas.

Ela não estava necessariamente em busca de um marido. Fazia aulas de costura, pelas quais havia convencido sua família a pagar.

“Eu queria ser capaz de me sustentar”, disse.

Mas quando uma amiga ligou para perguntar se Issa podia visitá-la, ela concordou.

O casal terminou se casando e foi morar na casa de Issa, perto do centro da cidade. Pouco depois da mudança, Issa disse à mulher que suas aulas de costura eram um desperdício de dinheiro. Ele não queria que ela saísse de casa.

Mas a alfaiataria dele estava enfrentando dificuldades; a crise econômica da Nigéria havia atravessado a fronteira e atingido Maradi, um grande centro de comércio entre os dois países.

Já empobrecido, o Níger sofreu muito com os problemas originados na Nigéria, entre os quais quase dez anos de guerra com o movimento islâmico radical Boko Haram, que dilaceraram a região.

Poucos anos atrás, Issa ganhava o equivalente a US$ 14 por dia, costurando roupas. Mas de repente ele não conseguia ganhar nem a metade disso.

“Os maridos já não conseguem sustentar suas mulheres da mesma maneira”, disse o juiz religioso Ismaël.

Os problemas econômicos são agravados no Níger porque a poligamia é muito comum. Os homens do país, majoritariamente muçulmano, podem ter até quatro mulheres. O Níger também tem o maior índice de natalidade do planeta: em média, sete filhos por mulher.

Saadia, grávida de seis meses, lista ao juiz Alkali Ismaël, suas razões para querer o divórcio
Saadia, grávida de seis meses, lista ao juiz Alkali Ismaël, suas razões para querer o divórcio – Laura Boushnak/The New York Times

Ismaël diz que a maioria das mulheres que procuram seu tribunal para solicitar divórcios justifica seu pedido mencionando problemas financeiros.

A despeito das mudanças nos costumes, o casamento envolvendo menores de idade tem uma das maiores incidências do planeta no Níger, e as adolescentes do país têm mais filhos do que em qualquer outro país do mundo, de acordo com as Nações Unidas.

Um fator que estimula os casamentos precoces é o medo de que as meninas envergonhem suas famílias e engravidem sem casar.

“Uma menina precisa se casar para evitar problemas”, disse Laouali Oubandawaki Iro, chefe da aldeia de Giratawa, que fica nas cercanias de Maradi, explicando as tradições da região. Ele tem pouco mais de 60 anos, e duas de suas mulheres são adolescentes.

Mas um esforço para limitar os casamentos de menores de idade ajudou a mudar as atitudes. Nos últimos anos, organizações de assistência começaram a atuar na região para aliviar a pobreza e conter o crescimento populacional, e seu foco são os casamentos forçados e os casamentos de menores.

Organizações locais e o governo do Níger aderiram.

Zalika Amadou segura o filho Affan enquanto espera do lado de fora da corte de divórcios
Zalika Amadou segura o filho Affan enquanto espera do lado de fora da corte de divórcios – Laura Boushnak/The New York Times

Amadou achava que seu caso seria simples, ao procurar o tribunal de rua. Mas o juiz disse ao casal que voltasse para casa e tentasse mais uma vez resolver seus problemas. Ele os instruiu a voltar em dois dias caso ainda desejassem um divórcio.

Depois da audiência, Issa, de cabeça baixa, admitiu que o dinheiro era curto e que ele não dava a Amadou todos os presentes que ela talvez desejasse.

“Mas presentes não constavam do contrato de casamento”, ele disse. “Estou cansado de vir aqui”, acrescentou, em um resmungo. “Já tomei minha decisão”.

Dois dias depois, o casal chegou ao tribunal vindo de lados opostos da rua.

“O senhor disse que voltássemos se não conseguíssemos consertar as coisas, e por isso voltamos”, disse Issa. “Agora o que fazemos?”

O casal começou o tedioso processo de dividir publicamente os seus pertences —sal, temperos, pratos, um cântaro usado para que eles se lavassem antes das orações. O juiz deu a Amadou custódia única do filho do casal até que ele fizesse sete anos, e determinou que Issa pague pela comida do menino pelos próximos dois anos.

“Sem problema”, disse Issa.

O casal assinou os papéis de divórcio.

“Está tudo bem para você?”, o juiz perguntou a Amadou. “Creio que isso seja um alívio para você”.

Ela concordou com um aceno de cabeça, e um sorriso largo surgiu em seu rosto. Amadou planeja se casar de novo, com alguém que a ame.

THE NEW YORK TIMES

Presidente da África do Sul adverte Bolsonaro

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, advertiu quinta-feira que, se Jair Bolsonaro, eleito seu homólogo, se afastar do BRICS – formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e da defesa irrevogável do multilateralismo, acabará por prejudicar os interesses do país sul-americano.

Fotografia: DR

Durante um encontro com correspondentes estrangeiros em Joanesburgo, Ramaphosa felicitou Jair Bolsonaro pelo  triunfo nas eleições presidenciais, mas reconheceu que as suas políticas são “diferentes” e que a África do Sul “estava mais próxima” do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Se (Bolsonaro) actuar contra o que defendem os países do BRICS, isso será em detrimento do Brasil e dos brasileiros”, afirmou o Presidente da África do Sul, país que assume a presidência rotativa do bloco de potências emergentes. />O novo Presidente brasileiro, disse, “entrará para uma família BRICS que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, que procura fazer as coisas de uma maneira a fortalecer o benefício mútuo. Se começar a empurrar numa direcção diferente, acabará por prejudicar os interesses do Brasil”, alertou.
Embora durante a campanha eleitoral tenha dado a entender que se afastaria deste bloco,  Cyril Ramaphosa acredita que Bolsonaro não perderá as “oportunidades” oferecidas pelo BRICS.</br

 

fONTE: http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/presidente_da_africa_do_sul_adverte_homologo_brasileiro

 

África do Sul está preocupada com os rumos da política externa brasileira

ciryl e bolsonaroO presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse a correspondentes estrangeiros que suas políticas são “diferentes” e que a África do Sul estava “mais próxima” do Partido dos Trabalhadores

Atual presidente no mandato rotativo dos BRICS, Ramaphosa defendeu o multilateralismo e pediu que Bolsonaro mantenha o Brasil no grupo político:

Ele entrará para uma família Brics que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, ele entrará para uma família Brics que procura fazer as coisas de uma maneira que fortaleça o benefício mútuo.

Apesar de tentar manter um discurso conciliador, o atual presidente da África do Sul alertou o presidente eleito Jair Bolsonaro sobre um possível abandono do BRICS:

Se ele atuar contra o que defendem os países do Brics, isso será em detrimento do Brasil e dos brasileiros. […] Se começar a empurrar em uma direção diferente, acabará prejudicando o interesse do Brasil.

Fonte: https://renovamidia.com.br/presidente-da-africa-do-sul-preocupado-com-jair-bolsonaro/

Ministro da Cultura brasileiro cita Guiné Bissau como modelo inadequado

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A  referência  negativa a um país africano é um hábito  entre a elite brasileira e seus governantes que  tem muitas dificuldades em reconhecer o quanto são ignorantes  e preconceituosos  quando utilizam de forma estereotipada a imagem dos países africanos.

 

O caso exemplar é a última  manifestação do Ministro da Cultura do Brasil, que de forma  deselegante e  preconceituosa  argumenta contra a reforma administrativa do novo presidente da República, que pretende  transformar o Ministério da Cultura em uma Secretaria do Ministério da Educação e , cita Guiné Bissau como modelo inadequado. A citação fica mais grave quando ele compara com outros países.

Guiné Bissau , terra Amilcar Cabral de um dos maiores líderes africanos revolucionários que transformou o continente  africano no século XX. Uma nação que trabalha duro pelo seu desenvolvimento.

 

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, divulgou uma nota nesta quarta-feira (31), no qual iguala proposta do presidente eleito Jair Bolsonaro em relação ao Ministério da Cultura com modelo adotado na Guiné-Bissau.

 

No texto, Leitão defende que transformar o Ministério da Cultura em uma secretaria do Ministério da Educação, em conjunto com o Esporte, “tem um paradigma que não me parece adequado: Guiné-Bissau”, afirmou. Na versão original da nota, o ministro havia comparado a proposta a modelo adotado na Venezuela. Também na versão original, o ministro não defendia a manutenção da Lei Rouanet. A assessoria encaminhou o parágrafo alterado às 17:20h desta quarta.

 

A reportagem do Estado chegou a apurar, nos endereços eletrônicos oficiais do governo venezuelano, a existência de três pastas separadas: Ministério da Educação, Ministério da Educação Universitária, Ciência e Tecnologia e o Ministério da Cultura. Já no país africano, consta o Ministério da Educação, Ensino Superior, Juventude, Cultura e Esporte.

 

A proposta de Bolsonaro faz parte da intenção do novo governo em enxugar ministérios, sob a justificativa de corte de gastos. Na terça-feira, o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, reforçou a unificação das pastas de Esporte e Cultura com Educação, além de afirmar que pastas tradicionais devem se manter isoladas. O governo pretende ter, no máximo, 16 ministérios.

 

Ainda na nota do ministro da Cultura, Leitão defende a proposta de unificar a pasta com Esporte e Turismo. Apresentando uma lista de argumentos, ele afirma que “são três ministérios do mesmo peso” e “são três áreas que compõem o campo da economia criativa (ou economia do tempo livre, ou economia do entretenimento)”. O ministro segue o texto com uma lista de países onde tal política foi adotada, encabeçada pelo Reino Unido e pela Coreia do Sul.

 

O ministro ainda ressalta a ideologia dos governos apresentados por ele como exemplos a serem seguidos. Todos são de direita ou centro-direita, segundo ele, assim similares às ideologias de Bolsonaro. A França é o único país da lista apontado como um governo de centro.

 

E Guiné Bissau para o Ministro da Cultura, que com certeza não deve conhecer, nem tampouco imaginar a história de um país jovem com cerca mais de 43 anos, que luta com dificuldades econômicas. O Ministro da cultura brasileiro trata com descortesia e como boa parte da elite brasileira usa de maneira preconceituosa a imagem de um país africano.

Confira a nota na íntegra: 

Olá! O modelo institucional mais avançado existente hoje no mundo para a gestão de uma política cultural contemporânea, que deve combinar a preservação do patrimônio material e imaterial, o desenvolvimento da economia criativa, a afirmação simbólica do país (“marca-país” e “soft power”), a proteção dos direitos autorais e da propriedade intelectual, a profissionalização setorial, o fomento às artes e a integração com áreas afins, é o que integra Cultura, Esporte e Turismo; e, não raro, Mídia. Também é o modelo adotado por países que melhor gerem o “legado olímpico”, valorizam o turismo como um segmento importante da economia e apresentam os melhores indicadores de desenvolvimento humano e competitividade.

Assim, se houver de fato a redução do número de ministérios, minha sugestão é a criação do Ministério de Cultura, Esporte e Turismo. Como na Coréia do Sul, que é um benchmark internacional nas três áreas. Há muitos argumentos a favor deste modelo:

– São três áreas de investimento com alto potencial de retorno (grande participação no PIB e geração de renda e emprego)

– São atualmente três ministérios com o mesmo peso, então não haveria a sensação de “extinção”

– São três áreas que lidam com a representação simbólica do país

– São três áreas que compõem o campo da economia criativa (ou economia do tempo livre, ou economia do entretenimento)

– São três áreas com muitas convergências e sinergias (as leis de incentivo do Esporte e da Cultura são iguais e podem ter a mesma estrutura de gestão, por exemplo)

– Um dos programas mais bem-sucedidos do MinC é a construção em parceria com municípios de centros culturais e esportivos (já são mais de 200)

– O turismo rentabiliza a cultura (patrimônio) e é potencializado pela cultura e pelo esporte (eventos, patrimônio)

Enfim… Me parece o melhor caminho. E há o case da Coréia do Sul como referência. Outro excelente paradigma é o Reino Unido, que acrescenta ao mix acima a área de Mídia.

Vale a pena ver alguns exemplos:

REINO UNIDO

Department for Digital, Culture, Media and Sport (desde 1997)

Ministério de Cultura, Mídia e Esporte (inclui Turismo)

https://www.gov.uk/government/organisations/department-for-digital-culture-media-sport

Governo: Centro-Direita (Partido Conservador)

CORÉIA DO SUL

Ministry of Culture, Sports and Tourism (desde 2008)

Ministério de Cultura, Esportes e Turismo (inclui Mídia e Direitos Autorais)

http://www.mcst.go.kr/english/ministry/organization/orgChart.jsp

Governo: Centro-Direita (Democratic Party)

ISRAEL

Ministry of Culture and Sport (desde 2009)

Ministério de Cultura e Esporte

https://www.gov.il/he/Departments/ministry_of_culture_and_sport

Governo: Direita (Likud)

ALEMANHA

Beauftragter der Bundesregierung für Kultur und Medien (desde 1998)

Comissariado Federal de Cultura e Mídia (status ministerial ligado ao Primeiro Ministro)

https://www.bundesregierung.de/breg-de/bundesregierung/staatsministerin-fuer-kultur-und-medien

https://www.bundesregierung.de/resource/blob/973862/777028/48f26ea4086470cb1b7e4c46f84940eb/2016-12-10-english-summary-data.pdf?download=1

Governo: Centro-Direita (Christian Democratic Union/Christian Social Union)

AUSTRÁLIA

Department of Communications and the Arts (desde 2015)

Departamento de Comunicações e Artes (status de ministério)

https://www.communications.gov.au

https://www.minister.communications.gov.au/

https://www.communications.gov.au/sites/g/files/net301/f/organisational_chart_original_15102018.pdf

https://www.communications.gov.au/who-we-are/department/corporate-plan

Governo: Centro-Direita (Liberal Party of Australia)

DINAMARCA

Kulturministeriet

Ministério da Cultura (inclui Cultura, Esporte, Mídia e Direitos Autorais)

https://english.kum.dk

https://kum.dk/om-ministeriet/organisation-og-institutioner/departementet/

Governo: Centro-direita (Danish People’s Party)

NORUEGA

Kulturdepartementet

Ministério da Cultura (inclui Cultura, Esporte, Mídia e Direitos Autorais)

https://www.regjeringen.no/en/dep/kud/id545/

https://www.regjeringen.no/en/dep/kud/organisation/id569/

Governo: Centro-Direita (Partido Conservador)

FRANÇA

Ministère de la Culture (2017; entre 1997 e 2017, “Ministère de la Culture et de la Communication”)

Ministério da Cultura (continua incluindo a área de Mídia)

http://www.culture.gouv.fr/

http://www.culture.gouv.fr/content/download/42837/341508/version/24/file/Organigrammeinstitutionnel_16_10_2018.pdf

http://www.culture.gouv.fr/Nous-connaitre/Organisation

Governo: Centro (La République En Marche!)

SINGAPURA

Kementerian Kebudayaan, Masyarakat dan Belia (文化、社区及青年部)

Ministry of Culture, Community and Youth

Ministério da Cultura, Comunidade e Juventude (inclui Esporte)

https://www.mccy.gov.sg

Governo: Centro-Direita (People’s Action Party)

A junção de Educação, Cultura e Esporte, por sua vez, tem um paradigma que não me parece adequado: Guiné-Bissau. Torço para que o novo presidente escolha o melhor modelo; e realize uma política cultural à altura da excelência criativa e da força econômica e social da cultura brasileira e do potencial de crescimento que o setor apresenta. É vital manter e aperfeiçoar a Lei Rouanet e os programas e ações feitos nos últimos dois anos. Isso é o mais importante!

Reforma Agrária na Africa do Sul será acelerada afirma presidente

raO presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, prometeu acelerar a controversa reforma agrária proposta pelo Congresso Nacional Africano (ANC) no começo deste ano e que acirrou a questão racial na nação africana.

“Estamos fazendo história e comemorando o retorno de sua terra hoje. Estamos corrigindo a injustiça histórica e devolvendo a terra a seus legítimos proprietários”, disse o presidente na entrega de 4.856 hectares de terra para a comunidade de KwaMkhwanazi, em Empangeni, no nordeste de KwaZulu-Natal.

Ramaphosa admitiu que seu governo tem sido muito lento no processo de restituição e redistribuição de terras agrícolas, enfatizando que a terra é um pilar fundamental para a emancipação econômica e a liberdade.

“Estamos iniciando um programa de distribuição massiva de terras em nosso país. Nós estaremos retornando a terra de maneira massiva. Essa terra de Mkhwanazi é a primeira”, afirmou o presidente. “Hoje estamos fazendo história, celebrando o retorno da terra ao nosso povo nessa área”.

África (imagem referencial)

A comunidade KwaMkhwanazi havia sido despejada das terras que possuía anteriormente em várias etapas: a primeira, logo após a Primeira Guerra Mundial, e depois na década de 1940, quando as operações comerciais de cana e madeira foram ampliadas.

A reforma agrária tornou-se uma questão quente tanto a nível nacional como internacional, uma vez que o governo sul-africano anunciou planos para alterar a Constituição, permitindo a expropriação de terras sem compensação. A nova lei permitiria que a terra fosse tirada dos fazendeiros brancos e redistribuída para a maioria negra sem-terra.

A política é supostamente destinada a eliminar uma desigualdade significativa na propriedade da terra na África do Sul. A reforma evocou um intenso debate internacional, juntamente com vários relatos da mídia de suposta violência contra agricultores brancos, incluindo assassinatos.

O passo também levantou profundas preocupações sobre o declínio na produção de alimentos e investimentos internacionais na economia. No entanto, o governo diz que a reforma agrária é absolutamente legal e não ameaçará a estabilidade da África do Sul.

 

Fonte:https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2018101512444558-reforma-agraria-africa-sul/

Trump se envolve na reforma agrária da Africa do Sul

Johannesburgo – O governo da África do Sul criticou nesta quinta-feira uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Twitter, na qual o americano disse que pediu ao secretário de Estado, Mike Pompeo, que apure a reforma agrária sul-africana e a “matança em larga escala de fazendeiros” no país. O tuíte da noite da quarta-feira se referia a uma matéria da Fox News que criticava a posição do governo americano sobre a reforma agrária sul-africana.

Donald J. Trump

@realDonaldTrump

I have asked Secretary of State @SecPompeo to closely study the South Africa land and farm seizures and expropriations and the large scale killing of farmers. “South African Government is now seizing land from white farmers.” @TuckerCarlson @FoxNews

O rand sul-africano recuou em relação ao dólar após a mensagem de Trump. “A África do Sul rejeita totalmente a percepção estreita que apenas busca dividir nossa nação e nos lembrar de nosso passado colonial”, afirmou o governo em mensagem em sua conta oficial no Twitter. “A África do Sul acelerará o ritmo da reforma agrária de modo cuidadoso e inclusivo, que não divida nossa nação.”

O partido governista, Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), já disse que planeja mudar a Constituição para permitir a expropriação de terras sem o pagamento de indenizações, como forma de superar grandes desigualdades na posse da terra. Os brancos, que formam 8% da população nacional, detêm 73% das terras agricultáveis, segundo estimativas da associação de fazendeiros Agri. O presidente Cyril Ramaphosa diz que o processo será conduzido com cuidado para evitar desrespeito ao direito à propriedade e garantir a segurança alimentar e a produção agrícola.

Proprietários podem entrar na Justiça local contra o governo, caso tenham terras tomadas sem compensação justa. Mas ataques violentos sobre fazendeiros brancos chamam a atenção da imprensa local e estrangeira nos últimos anos, gerando protestos dos fazendeiros e de grupos de interesse dos brancos.

Levantamentos locais mostram que o número de fazendeiros mortos tem recuado nos últimos 20 anos, chegando à mínima de 47 em 2017/2018. Já os ataques contra fazendas, que incluem estupro, roubos e agressões, aumentaram nos dois últimos anos, para 561 em 2017/2018, embora bem abaixo da máxima de 1.069 ataques de 2001/2002.

Os jornais do ocente, sempre viram o meodelo de desenvolvimento econômico da Africa do Sul, em comparação ao que ocorria no Zimbabwe. O vlaor da defesa da branquitude sempre falou mais alto. Enquanto não se mexia nos direitos econômicos dos sul africanos,

Mulheres sul africanas protestam contra a violência feminina

Milhares de mulheres protestaram hoje contra a violência de género em marchas e protestos em várias cidades da África do Sul, país onde uma em cada cinco mulheres tem sido afetada por este crime, segundo dados oficiais.
Milhares de mulheres manifestam-se contra a violência de género na África do Sul

Sob o tema “Total Shutdown” (“Paragem total”), as mulheres sul-africanas foram hoje chamadas a interromperem as suas atividades e a juntarem-se para aumentar a conscientização sobre os altos índices de violência contra a mulher, contra a criança e contra a comunidade LGBTI [lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais].

Nas grandes cidades, como a Cidade do Cabo, Durban ou Pretória, as marchas foram muito concorridas.

Os participantes, vestidos de preto e vermelho, empunhavam cartazes com frases como “Meu corpo, não a sua cena do crime”, “Não, não” ou “Os direitos das mulheres são direitos humanos”.

Por trás do movimento estão várias associações civis locais, que também pediram protestos contra as mulheres nos países vizinhos.

A iniciativa foi apoiada por sindicatos e organizações não-governamentais internacionais, como a Oxfam e a Amnistia Internacional.

De acordo com os meios de comunicação sul-africanos, uma mulher morre a cada oito horas na África do Sul por causa da violência de género e, de acordo com estatísticas do Governo, uma em cada cinco diz já ter sofrido este tipo de violência durante a sua vida – de acordo com um estudo publicado em 2017 e com dados de 2016).

Além disso, e segundo dados da polícia, na África do Sul são registadas anualmente cerca de 40.000 violações, a grande maioria denunciadas por mulheres.

Estes números levam a agência governamental Statistics South Africa a estimar que 1,4 em cada mil mulheres foram violadas, colocando o país com uma das maiores taxas deste tipo de crime no mundo.