100 dias do Presidente da África do Sul decepciona segundo o partido da oposição

Prestes a completar 100 dias na presidência da África do Sul, Cyril Ramaphosa é visto pela oposição com uma crescente desconfiança perdendo, gradualmente, o benefício da dúvida que lhe foi dado, depois do seu discurso de tomada de posse proferido a 15 de Fevereiro.

 

 

Opositores de Cyril Ramaphosa acusam o Chefe de Estado de falta de cumprimento das promessas
Fotografia: DR

Num recente encontro com jornalistas, o líder da Aliança Democrática, principal partido da oposição, referiu-se a Cyril Ramaphosa como o homem das “oportunidades perdidas”.
Segundo Mmusi Maimane, o Presidente da República lidera um “Governo frágil”, resultante de um partido “politicamente dividido” e que vai “perdendo as oportunidades que o contexto internacional lhe oferece”.
Mmusi Maimane refere que o Presidente da República está a perder as lutas em que se empenhou para combater o desemprego e os actos de corrupção e nepotismo.
Para o líder da Aliança Democrática, o principal problema é que o Presidente escolheu para o Governo pessoas que estão comprometidas com as fragilidades há muito existentes no sistema económico e, por isso mesmo, impossibilitadas de dar resposta positiva à necessidade de combater a corrupção.
Outra das críticas que o líder da oposição aponta a Cyril Ramaphosa tem a ver com o facto de, contrariamente ao que havia prometido em meados de Fevereiro, quando tomou posse, ter constituído um Governo com 35 ministros e 37 vice-ministros.
“O Presidente prometeu um Governo pequeno, mas eficaz, mas em vez disso trouxe um Governo grande e que não funciona, uma vez que não existe uma clara separação de competências entre os diversos ministérios”, disse no encontro com jornalistas convocados para fazer o balanço dos primeiros 100 dias de governação de Cyril Ramaphosa.
Outra crítica feita por Mmusi Maimane tem a ver com o facto do Governo continuar sem pagar as avultadas dívidas contraídas junto de alguns fornecedores nacionais, o que estará a contribuir para o despedimento de muitos trabalhadores, uma vez que os patrões ficam sem dinheiro para lhes pagar.
O aumento da criminalidade e o agravamento do comportamento social e moral de alguns ministros, sobretudo os que estão envolvidos em casos de corrupção e de nepotismo, são factores que segundo o líder da oposição não ajudam no balanço que se faz aos primeiros 100 dias da presidência de Cyril Ramaphosa.

A “sombra” de Jacob Zuma

Maimane afirmou também que não apoia as emendas constitucionais que o Presidente pretende efectuar, no sentido de facilitar a criação de uma nova elite económica através de financiamentos a empresários negros, defendendo que o Estado não tem dinheiro para interferir naquilo que deve ser a lei do mercado.
“O desenvolvimento da economia sul-africana não pode ser influenciado com dinheiro do Estado, mas sim através da lei do mercado que deve ditar as regras para o seu funcionamento”, assegurou.
Para o líder da oposição, seria bom que “quando se fala da política seguida por Cyril Ramaphosa, se tivesse em conta o facto dele ter sido Vice-Presidente de Jacob Zuma, durante quatro anos, “sendo conhecidas as suas expressões de solidariedade”.
Apesar de, oficialmente, apenas no dia 26 deste mês se completarem os primeiros 100 dias da presidência de Cyril Ramaphosa, já se pode fazer um breve apanhado daquilo que foram as suas principais acções políticas com impacto directo na governação.
Para compor o executivo, Ramaphosa decidiu não reconduzir do tempo de Jacob Zuma o chefe dos serviços de Segurança do Estado, Arthur Fraser.
Para o Governo, o Presidente decidiu chamar de volta Nhalanhla Nene e Pravin Gordhan para coordenarem a equipa responsável pelas Finanças do país.
Uma outra decisão de vulto permite que a justiça recolha testemunhos de agentes do Estado, sem necessidade de levantamento de imunidades sempre que estejam em causa processos passíveis de procedimentos criminais.
Mais recentemente, Cyril Ramaphosa assinou um decreto que coloca sob a administração nacional do Estado a provincial de North West.
Pelo meio está a promessa de alterações à lei que permitirá ao Governo expropriar e entregar fazendas a agricultores interessados na sua exploração.
Trata-se de uma lei polémica, uma vez que envolve diferentes sensibilidades sociais e que pode provocar fortes tensões raciais, uma vez que a oposição política tem insistido na ideia de que se trata de uma forma de prejudicar fazendeiros brancos para beneficiar fazendeiros negros.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/oposicao_sul-africana_faz_balanco_negativo_1

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África do Sul faz histórico acordo de indenização sobre a silicose em trabalhadores de minas de ouro

 

 

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Um terço de todo o ouro já extraído veio de minas sul-africanas, que, durante décadas sob o colonialismo e o apartheid, dependiam da exploração do trabalho de milhões de trabalhadores negros em condições perigosas e quentes. Profundamente subterrâneos, os trabalhadores corriam o risco de inalar poeira de sílica, danificando os pulmões de forma irreparável com os sintomas aparentes anos ou décadas depois.

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Sete gigantes do setor de mineração na África do Sul assinaram nesta quinta-feira um acordo histórico de quase 5 bilhões de rands (395 milhões de dólares) para a indenização de dezenas de milhares de trabalhadores que contraíram silicose ,”compensação significativa” aos doentes de silicose e tuberculose pulmonar que trabalhavam nas minas de ouro da África do Sul, algumas das mais profundas do mundo, a partir dos anos 1960..

As  empresas envolvidas são Harmony Gold ( HARJ.J ), Gold Fields ( GFIJ.J ), a African Rainbow Minerals ( ARIJ.J ), Sibanye-Stillwater ( SGLJ.J ), a AngloGold Ashanti ( ANGJ.J ) e Anglo American ( AAL.L ).A Anglo American não tem mais ativos de ouro, mas historicamente era um produtor de ouro

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O processo foi lançado há quase seis anos em nome de mineiros que sofriam de silicose, uma doença pulmonar fatal contatada pela inalação de poeira de sílica em minas de ouro.

Quase todos os reclamantes são mineiros negros da África do Sul e países vizinhos como o Lesoto, a quem os críticos dizem que não receberam proteção adequada durante e mesmo após o fim do regime do apartheid em 1994.

O acordo, resultado de uma ação coletiva dos mineiros, foi assinado diante da imprensa em Johannesburgo após vários meses de negociações e entrará em vigor após a validação pela justiça sul-africana.

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silicose é uma doença pulmonar causada pela inalação de sílica. O pó de sílica é o elemento principal que constitui a areia, fazendo com que a doença acometa principalmente mineiros, cortadores de arenito e de granito, operários das fundições e oleiros. Também àqueles em que os trabalhos implicam na utilização de jatos de areia, na construção de túneis e na fabricação de sabões abrasivos, que requerem quantidades elevadas de pó de sílica.

Em fevereiro, Graham Briggs, presidente do grupo de trabalho, disse que o acordo foi visto dentro de “meses”. Além dos 5 bilhões de rand que as empresas fizeram em provisões, há 4 bilhões de rands disponíveis de um fundo de compensação ao qual a indústria vem contribuindo há anos.

Cabo Verde fica a 4 horas do Brasil: uma janela de oportunidades

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Apenas quatro horas de voo separam o país-arquipélago de Cabo Verde, que fica na costa ocidental da África, do Nordeste do Brasil  Há  voos para Fortaleza, Recife e, nos próximos meses,  inaugurará a rota  para Salvador. Uma nova frequência também está programada para operar no Recife, aumentando de dois para três o número de voos semanais”, destacou o CEO da Cabo Verde Airlines, Mário Chaves, durante encontro com imprensa e agentes de viagem pernambucanos que foram conhecer as potencialidades do destino.

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A companhia aérea está em processo de privatização que deve ser finalizado ainda em 2018, passando a contar com a gestão da islandesa Loftleidir Icelandic. O reflexo já pode ser visto na renovação da frota de aeronaves e no posicionamento da companhia. Uma das primeiras iniciativas da nova administração foi mudar de aeroporto. Antes conhecida como TACV Airlines, a empresa voava para a cidade de Praia, capital do País. A mudança para o Sal não foi apenas uma questão focada no turismo, embora isso faça parte de uma importante estratégia para incrementar uma das principais vocações da economia local. O terminal de passageiros do Sal oferece melhor estrutura operacional para funcionar como hub intercontinental da empresa.

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O turismo hoje representa 23% do PIB do país, estimulado sobretudo pelos ingleses e alemães, que são os principais “consumidores” dos atrativos da ilha: mar de águas cristalinas, sol o ano inteiro e resorts all inclusive de altíssimo padrão. Para nós, brasileiros, ainda há a vantagem de se falar português e a gentileza do cabo-verdiano – conhecida como morabeza. Desvantagem talvez seja o câmbio. Como 95% do turismo é advindo da Europa, o euro é a moeda corrente. Nem pense em levar dólar, que poucos lugares aceitam. Para este ano, a previsão é de que 800 mil turistas internacionais passem por Cabo Verde.

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Com a chegada dos visitantes, a geografia do Sal também vai tomando novos contornos. Há pouco mais de um ano, a capital “turística” de Cabo Verde vive um boom imobiliário. O que se vê é uma cidade em constante reforma. Sobretudo da rede hoteleira, que está em franca expansão, ampliando quartos e erguendo quatro novos hotéis, numa soma que vai elevar em três mil o número de leitos disponíveis. Hoje, a capacidade hoteleira está no limite, ultrapassando 90% de ocupação na alta estação (inverno europeu).

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A chegada dos novos leitos, a reforma dos aeroportos (três dos quatro terminais internacionais do país foram reformados em menos de um ano), e o novo posicionamento da companhia aérea faz com que o Brasil, mais especificamente o Nordeste, esteja na mira do destino. “O passageiro da Cabo Verde Airlines pode sair do Recife, passar até sete dias no País sem custo adicional no bilhete, e seguir viagem para Lisboa, Milão e Paris”, explicou Mário Chaves. “Vamos iniciar uma operação em Salvador e outras cidades do Brasil estão em nossos planos futuros”, disse o executivo português, que atuou como piloto da TAP por 17 anos. As tarifas também são um diferencial. É possível viajar a Cabo Verde a partir de 400 dólares. Se o destino for Lisboa, Paris ou Milão, o bilhete sai a partir de 600 dólares. A companhia opera com Boeing B757 com 160 lugares em econômica e 22 lugares Comfort Class.

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Em relação a novas conexões que liguem o Brasil à Europa, a partir de Cabo Verde, Chaves revelou que existem mais seis destinos que estão sendo estudados para aumentar a capilaridade da companhia. “Teremos um ou dois destinos a serem incrementados já a partir de 2019”.

Brasil / Cabo Verde

Brasil / Cabo Verde

O programa stopover é uma ótima oportunidade para o turista brasileiro que tem como destino a Europa de conhecer a Ilha do Sal e estender o passeio para as demais ilhas de Cabo Verde. Muito por causa dos atrativos – praias de águas cristalinas, temperatura amena e diversidade cultural e geográfica – o turismo tem grande potencial de crescimento.

Neste ano, Cabo Verde inaugurou o seu primeiro cassino – o Cassino Royal, na Ilha do Sal – e outros três estão previstos, nas ilhas da Boa Vista, Maio e Santiago. “Esse tipo de operação atrai turistas de alto poder aquisitivo. Tanto que, entre 2019 e 2020 está prevista a inauguração do maior cassino de Cabo Verde, que ficará em Praia (a capital), com investimento de 250 milhões de dólares”, comenta o cônsul de Cabo Verde em Pernambuco, Ricardo Galdino. O empreendimento ficará em um antigo presídio, que será transformado em um hotel de luxo, erguido por investidores de Macau, na China.

A área de Tecnologia da Informação também está em franca expansão, com PIB em torno dos 15%. Por lá, o Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI) já exporta tecnologia para a Comunidade dos Países da África Oeste. “Fico muito orgulhoso com a intercessão que Cabo Verde tem com o CESAR, em Pernambuco, e percebo que empresas do Porto Digital começam a se aproximar”, destaca Galdino.

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Para o cônsul, há muitas oportunidades de aproximação entre Brasil e África. “Os países europeus já fazem isso há muito tempo”, comenta. O consulado, inclusive, está em articulação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para, em julho, realizar um road show para apresentar o destino e possibilitar a descoberta de novas oportunidades de negócios.

Cabo Verde trabalha com plataforma de reexportação, que permite que qualquer produto manufaturado ou beneficiado em até 30% no país tenha isenção de impostos nos países destino: Estados Unidos, Canadá, toda União Europeia e África Oeste. Seis mil itens entre calçados, confecção e pesacados fazem parte dessa plataforma, que hoje corrresponde a entre 15% a 18 % do comércio local

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2018/04/15/cabo-verde-airlines-mira-clientes-do-nordeste-brasileiro-335327.php

Nomzamo Winnie Mandela: as mulheres na História da luta contra o apartheid

Tshepiso Mabula 12 de abril de 2018 11:48

Minha avó me disse que o nome Nomzamo em isiXhosa significa a mãe de todos os esforços, ela que nunca pára de tentar e nunca desiste

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Cara prisioneira número 1323/69,

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Comecei a escrever muitas cartas para você, mas nunca terminei uma. Hoje, sinto-me compelido a derramar meu coração a você com o terrível conhecimento de que você nunca conseguirá lê-la. Talvez meu erro seja ter  esperado  ouvir a notícia de sua morte antes de compartilhar meus pensamentos com você.

Eu nasci em 1993 com a promessa de liberdade e democracia. Foi-me dito para esperar por oportunidades intermináveis ​​e uma vida melhor para mim e meus entes queridos. Enquanto escrevo isso, ainda estou esperando.

Eu ouvi muitas histórias sobre sua força resiliente em tempos de adversidade. Foi-me dito que você demonstrou amor resoluto em um tempo de revolução e como você levantou seu punho para dar esperança a um povo aleijado por um sistema projetado para aniquilá-lo.

Minha avó me disse que o nome Nomzamo em isiXhosa significa a mãe de todos os esforços, ela que nunca para de tentar e nunca desiste – e quando soube que era o nome dado a você no nascimento, eu sabia que ela não estava enganada.

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Assim como eu sou negro e sou mulher na África do Sul. Eu acordo todos os dias para me lembrar da minha posição inerentemente subserviente nessa sociedade. Eu sou lembrada diariamente que este mundo não é feito para pessoas como nós, e eu me pergunto como você sobreviveu seus 81 anos.

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Os livros de história que li falam de homens negros fisicamente capazes como os únicos heróis da luta. Retratam  de figuras com barbas revolucionárias e ternos desbotados. São altos e fortes, esses homens que definharam nas celas da prisão e são os protagonistas da luta contra o apartheid.Nelson-Mandela-y-Winnie-por-Alf-Kumalo

Suas esposas são figuras periféricas que só são celebradas por sua capacidade de manter lares e criar filhos na ausência de seus pais. Nada é dito sobre a tortura que elas sofreram. Os muitos meses passados ​​em confinamento solitário. As ordens de proibição e a difamação. A calúnia que elas enfrentaram nas mãos da mídia do apartheid. Os livros de história esqueceram-se de mencionar que, para você, o apartheid não era apenas uma história para dormir; foi uma experiência vivida.img_797x448$2018_04_02_19_54_32_293702

Eles se esqueceram de nos ensinar que você, enquanto criava filhos em um sistema patriarcal, involuntariamente se tornou o portadora da luta pela libertação. Eles esqueceram de nos ensinar que você não era apenas a esposa de um ícone de luta, mas a figura destemida que sofreu atrocidades dolorosas por uma nação que adotou você como mãe, mas o jogou sob o ônibus proverbial depois que seu pai se divorciou de você.we

Quando penso em sua vida, lembro-me de minha mãe, minha avó e muitas outras mulheres negras que se estabeleceram como sacrifícios vivos, suportando uma dor implacável para que suas comunidades pudessem prosperar.winnie (2)

Então,  Nomzamo,  por favor aceite minhas desculpas. Sinto muito por ter ajudado a demonizar você com acusações de assassinato e violência. Lamento nunca ter falado quando você foi acusada de romper com seu casamento  com cinco filhos enquanto não responsabilizava o pai. Perdoe-me por nunca ter dito a você enquanto você ainda estava viva que, se Deus fosse um matemático, você seria a linha de simetria de Deus, onde o eixo X de sua força inabalável encontraria o eixo Y de seu inegável amor e lealdade.

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Sinto muito pelas vezes em que deixei de mencionar que, se Deus fosse músico, vocês seriam os acordes negros e as batidas de Deus das baladas. Que se Deus fosse músico, você seria jazz.

Lamento por acreditar que você seria uma mancha na vida de Nelson Mandela, porque a verdade é que você era a tábua de salvação que mantinha seu nome vivo. Lamento por todas as vezes em que pesei a importância das mulheres negras em nossa sociedade. Lamento apenas comprar flores para elas nos dias de seus funerais. Sinto muito por minha complacência quando elas são empurradas para a periferia e por assistir silenciosamente quando são socados pelos mesmos punhos que foram levantados com gritos de “amandla”.

Fui criada por uma mãe que orava e muitas vezes ouvi a história de Adão e Eva no Jardim do Éden. Diz-se, em algum momento entre morder o fruto proibido e enfrentar a ira de Deus, Adão viu que era adequado trair Eva em vez de agradecê-la por sua libertação.winnie 1323

O Jardim do Éden tornou-se um tribunal de intolerância, onde o patriarcado recebeu seus poderes do supremo tribunal de juízes religiosos. É o lugar onde Eva foi condenada a uma eternidade de dor e sofrimento, e muitos aparentemente concordarão que ela era uma pecadora merecedora.

Passei muitos domingos na igreja imaginando qual o olhar que Eva deu a Adão durante aquele momento crucial em que seu dedo indicador apontou na direção dela depois que Deus fez essa pergunta pertinente. Essa cena muitas vezes me lembra a Comissão da Verdade e Reconciliação, onde você se sentou para responder pelos crimes hediondos que supostamente cometeu quando a guerra estava no auge. O homem com quem você lutou lado a lado sentou-se no maior assento do país. Ele se parecia com um deus. O primeiro do seu tipo, nosso presidente negro.

Fiquei imaginando quando exatamente a amnésia se instalara. Fiquei imaginando como é que todos se esqueceram de que os palitos de fósforo e os pneus pelos quais você foi julgada lhes garantiram a liberação de que agora desfrutavam. Como qualquer outra pessoa em uma guerra, você, Nomzamo, não era uma santa. Você era uma guerreira e, em sua luta, houve baixas.

Embora possamos querer crucificá-la por eles, nunca devemos esquecer que você também foi abusada e espancada pelo sistema contra o qual lutou.

Eu faço este empreendimento para você: Eu não vou te vilipidiar como Adão fez com Eva. Não vou esquecer que você abandonou o seu bem-estar para que eu pudesse ser negra e uma mulher na África do Sul. Não vou esquecer que, como minha mãe e outras mulheres negras, você estava na linha de frente da luta e não apenas como uma figura doméstica subserviente, mas como uma comandante.

Por isso, agradeço, prisioneira número 1323/69. Você pode nunca ser celebrado da mesma forma que o prisioneiro número 466/64, mas, para mim, você sempre será a mãe de todos os esforços, a heróina que nunca desistiu, e uma mulher que foi capaz de amar em um tempo de revolução.

Atenciosamente,

Uma jovem negro nascida livre

Tshepiso Mabula

Tshepiso Mabula é uma fotógrafa e escritora de 24 anos nascida no distrito de Lephalale, em Limpopo, na África do Sul.  Leia mais de Tshepiso Mabula

 

https://mg.co.za/article/2018-04-12-too-late-too-many-things-unsaid

Jeuneafrique: ” A diplomacia da generosidade”

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The Economist em sua edição de 17 de julho, ele fez um balanço dos vários canais de ajuda pública brasileira aos países pobres e descobriu que alcançou US $ 1,2 bilhão (910 milhões de euros). E até mais de 4 bilhões, se somarmos os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Porque os 30 milhões de dólares que permitem à Agência Brasileira de Cooperação prestar assistência técnica aos países do Sul são complementados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), programas para Gaza (US $ 300 milhões) ou Haiti (US $ 350 milhões). A ajuda estritamente humanitária do Brasil aumentou em 20% nos últimos três anos.

Ainda auxiliado pelo Banco Mundial, o Brasil está se tornando um dos maiores doadores do mundo e gasta tanto quanto, por exemplo, o Canadá. Essa política foi descrita pelos próprios brasileiros como “diplomacia de generosidade”.

Trata-se de países de língua portuguesa, que se beneficiam sobretudo no campo da saúde (luta contra a AIDS), mas também francófonos como o Mali (pesquisa do algodão) ou o Haiti (ajuda alimentar). Neste último país, o Brasil subsidia um programa que permite que mães carentes cujos filhos freqüentem a escola e sejam vacinados para receber alimentação gratuita, à maneira do Bolsa Família .

Ao contrário da China, que financia estradas e ferrovias, o Brasil prefere priorizar programas sociais e agricultura, onde se destaca.

Jeuneafrique: Lula o Africano

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Escrito por Élise Colette

Dos ritmos “africanos” do samba aos ingredientes picantes da feijoada, nas ruas de São Paulo ou do Rio, a África está em toda parte. Como lembrou o presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, durante sua viagem pela África de 2 a 8 de novembro, o Brasil tem uma “dívida histórica” ​​para o continente. “A obrigação política, moral e histórica” ​​de fortalecer os laços entre o gigante latino-americano e os países africanos valeu a pena uma peregrinação para o chefe de estado brasileiro, um ano após sua eleição. Um passeio Africano que teve o mérito de enviar um sinal de reconhecimento para os 76 milhões de brasileiros eles africanos, que fazem do Brasil o segundo país população negra do mundo depois da Nigéria e a maioria ainda formam os batalhões das classes desfavorecidas .1488825404_331609_1488832390_noticia_normal

Começando a sua visita a três países de língua portuguesa – São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique -, Lula enviou uma mensagem forte aos seus parceiros históricos. Para o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, assegurou que o Brasil, como “o país lusófono mais ruidoso, mais populoso e mais rico, teve que fazer gestos de solidariedade para com a África”. Saia do antigo poder colonial Português! Afinal, os filhos das elites angolanas e moçambicanas escolhem hoje o Brasil para estudar, em vez de Portugal?
Acompanhado por nove ministros e uma centena de empresários, Lula proclamou porta-estandarte da revolta contra os países do Norte, colocou sua jornada sob o signo da “G3”, criado recentemente nas Nações Unidas pelo seu África do Sul e Índia, lançando as bases para a cooperação “Sul-Sul”. Em São Tomé, onde a Agência Nacional do Petróleo brasileira já está envolvido na gestão de hidrocarbonetos, Lula prometeu que a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira já está presente em Angola, vai explorar as costas do arquipélago. Em Luanda, o quarto maior parceiro comercial do Brasil, os dois lados concordaram com a assistência brasileira no setor de petróleo. Mas as autoridades angolanas sublinharam a necessidade de desenvolver outros sectores, O ministro do Comércio brasileiro decidiu investir 100 milhões de dólares no relançamento da indústria canavieira. Em Moçambique, finalmente, o Brasil, interessado em diversos projetos de extração e transporte de carvão, chegou a pleitear sua causa. Mas os brasileiros prometeram principalmente às autoridades moçambicanas para ajudá-los a lutar contra a AIDS. Reconhecido por dominar a propagação da pandemia, o Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. interessado em vários projetos relacionados à extração e transporte de carvão, chegou a pleitear seu caso. Mas os brasileiros prometeram principalmente às autoridades moçambicanas para ajudá-los a lutar contra a AIDS. Reputado por ter dominado a disseminação da pandemia, o Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. interessado em vários projetos relacionados à extração e transporte de carvão, chegou a pleitear seu caso. Mas os brasileiros prometeram principalmente às autoridades moçambicanas para ajudá-los a lutar contra a AIDS. Reconhecido por dominar a propagação da pandemia, o Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. O Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas. O Brasil anunciou o estabelecimento de um laboratório de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique. Enquanto esperava para resolver a questão do financiamento da usina (US $ 23 milhões), Lula assegurou ao seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano, o apoio científico de seus especialistas.

Para completar sua viagem pela África Austral, Lula também viajou para a Namíbia, onde o Brasil participa de um programa militar desde a independência do país. Mas ele manteve o melhor para o fim: o alter-ego africano da África do Sul, Thabo Mbeki. O encontro deve reforçar a estratégia da “borboleta” cara a Mbeki, que consiste em fazer do seu país (o corpo dos Lepidoptera) uma ponte entre a América Latina e a Ásia (suas duas alas). Fortemente concordando com a necessidade de reformar o sistema de relações internacionais, os dois homens de esquerda, convertidos ao livre comércio e aficionados diplomáticos, já exigiram lugares de escolha para seus países dentro das Nações Unidas – como um assento ao Conselho de Segurança, por exemplo. De mãos dadas, eles começaram
Em seu retorno a Brasília, apesar de a África representar atualmente apenas 5% do comércio do Brasil, o presidente Lula pode ficar satisfeito com sua viagem. A recepção entusiasmada que recebeu nos cinco países foi a prova de que ele acabara de ganhar parte do continente para sua causa. Quase 50 anos após a Conferência de Bandung e o nascimento do Não-Alinhados, que tem esmaecido desde o fim da Guerra Fria, um novo eixo Sul-Sul nasce na família das nações.

fonte:http://www.jeuneafrique.com/118250/archives-thematique/lula-l-africain/

Quem foi Winnie Mandela?

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Joanesburgo – Winnie Madikizela-Mandela, nasceu a 26 de Setembro de 1936, na pequena aldeia de Mbongueni, em Bizana, na província de Cabo Oriental (à época o bantustão de Transquei).

Nascida Nomzamo Winifred Zanyiwe Madikizela, ficou mundialmente conhecida como esposa de Nelson Mandela, durante o período da prisão do líder sul-africano.

Com a libertação deste, escândalos do seu alegado envolvimento em crimes e de infidelidade causaram a separação do casal e a consequente perda de prestígio.

O seu nome original, em xossa, era Nomzamo (aquela que tenta). É a quarta de oito filhos de Columbus, ministro das Florestas e Agricultura do governo do bantustão natal e da professora Nomathamsanqa Mzaidume (de nome ocidental Gertrude), que morreu quando Winnie tinha oito anos.Bizana.png

Fez os estudos primários em Bizana e, dali, ingressou na Shawbury High School. Em 1953 mudou-se para Joanesburgo, onde foi admitida na Jan Hofmeyr School of Social Work, onde se formou dois anos depois, ocasião em que recusa uma bolsa dos EUA, optando por trabalhar num hospital para negros da capital.

Durante o seu trabalho realizou uma pesquisa sobre a mortalidade infantil, no subúrbio de Alexandra, o que a levou a interessar-se pela política, envolvendo-se com o Congresso Nacional Africano (ANC).winniw4

Em 1957, conhece Nelson Mandela, que então respondia ao julgamento por traição e casam-se a 19 de Junho de 1958, passando ambos a morar no subúrbio pobre de Soweto. Tiveram duas filhas, Zenani (1959) e Zinzi (1960).

Winnie sofreria as ações persecutórias do regime racista do Apartheid, a partir de 1962: ordens judiciais de restrição que a impediam de trabalhar e de lutar em causas sociais e a mantinham confinada ao distrito de Orlando, em Soweto.winnie1a

Tudo isso aumentou a sua militância e o trabalho clandestino em prol do ANC.

Após enviar as duas filhas para um internato na Swazilândia, visando privá-las das perseguições que os pais sofriam, foi detida em 1969, ao abrigo da Lei anti-terrorismo, passando 17 meses na cadeia e, a partir de 1970, em prisão domiciliar – período em que sofreu vários processos.

Em 1976, durante as revoltas juvenis, criou a Federação das Mulheres Negras e a Associação dos Pais Negros, ambas afiliadas ao Movimento da Consciência Negra – organização que adoptava uma visão positiva da cultura negra.

Este envolvimento levou-a a nova prisão, em 1977, e a sua deportação para o “Estado Livre” de Orange.

Retornando, em 1986, a sua oposição ao regime criou uma milícia particular, travestida de equipa de futebol (o Mandela United Football Club), o que aumentou o seu distanciamento dos demais militantes anti-apartheid, em 1988.mandela-2-4.jpg

Quando da libertação de Mandela, em 11 de Fevereiro de 1990, Winnie ainda apareceu ao seu lado, como a “mama” da luta contra o regime – mas dois anos depois divorciaram-se.

Após isto, ela transformou a sua casa, em Orlando, num museu e adoptou o sobrenome de Madikizela-Mandela. A partir de 1991 vê-se envolvida em diversas polémicas, sendo então banida do ANC e outras instituições, após ser acusada da morte de um jovem militante, que ela suspeitava ser informante da polícia.

Condenada no ano seguinte, teve a prisão comutada em multa; apesar disso, em 1993, retorna ao cenário político, sendo eleita presidenta da Liga das Mulheres do ANC, cargo que ocupou até 2003.

Durante o governo do ex-marido, Winnie ocupou o cargo de Ministra das Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia (1994), mas foi demitida, sob alegação de desvios de fundos.

Em 2003 renuncia à presidência da Liga das Mulheres, mas é eleita para o Comité Executivo Nacional do ANC, durante a sua 52ª Conferência Nacional, em 2009.

Fonte:http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2018/3/14/Winnie-Mandela-Notas-biograficas,fd11232a-de8f-490b-8a16-b63744d38840.html

África do Sul chora a morte de Winnie Nomzamo Madikiziela- Mandela

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2 de abril de 2018

Camaradas e Amigos

As famílias Madikizela e Mandela,

membros do Congresso Nacional Africano,

companheiros sul-africanos,

O Congresso Nacional Africano (ANC) e a nação hoje chora a passagem de um titã da luta de libertação, um revolucionário e um baluarte do nosso movimento glorioso – Mama Nomzamo Winifred Madikizela-Mandela. O ANC baixa sua bandeira revolucionária em honra da memória desta grande mulher que foi tão amada e reverenciada, cujo nome será inscrito para sempre na história como tendo desempenhado um papel formação na história da África do Sul.                                                                                                                              Mama Winnie, como era popularmente conhecida, teria comemorado a rica idade de 82 anos em setembro deste ano, mas não era para ser. Lamentamos a morte desta grande patriota e pan-africana, cuja resiliência e coragem inspiraram lutas pela liberdade não apenas na África do Sul, mas em toda a África e sua diáspora.

Ela foi uma inspiração para jovens e idosos que compartilhavam sua visão de uma África do Sul igualitária, próspera e livre – e gerações de ativistas não apenas na África do Sul, mas em todo o mundo hoje profundamente a lamentam como nós. Tal foi o seu impacto como ativista e revolucionária em todo o mundo, que até o final de sua vida, ela foi elogiada e reconhecida por sua contribuição para as lutas de todos os povos oprimidos do mundo. Não muito tempo atrás, ela foi homenageada com um Doutorado Honorário em Direito pela prestigiosa e internacionalmente renomada Universidade Makere. A vida de Mama Winnie sintetizava altruísmo, humildade e fortaleza: características que ela incorporou ao longo de sua vida. Ela teve uma vida em que enfrentou as mais duras tribulações e lutas como punição por sua dedicação à luta de libertação. Como seu nome Nomzamo testemunha, ela enfrentou e passou por julgamentos que teriam quebrado o espírito de qualquer ser humano. Mas o dela era um espírito extraordinário que não seria reprimido, não importando as dificuldades.

Sua exposição inicial ao apartheid na vila de Mbongweni, Bizana no Transkei, onde nasceu para Colombo e Nomathamsanqa Mzaidume Madikizela, em 26 de setembro de 1936, inspirou nela um ódio ao longo da vida contra a injustiça e o racismo. Foi essa exposição inicial e, mais tarde, como uma jovem assistente social em Joanesburgo, que a colocou em um caminho vitalício, juntando-se às fileiras dos célebres combatentes da liberdade do Congresso Nacional Africano e do amplo movimento de libertação nos anos 50. Ela contou entre seus amigos e inspiração na época os gostos de Lilian Ngoyi, Helena José, Ma Albertina Sisulu; Florence Matomela, Frances Baard, Kate Molale, Ruth Mompati, Hilda Berstein e Ruth First. Ela tinha uma profunda e apaixonada aversão à injustiça em todas as suas formas e foi através de seu trabalho social no então Hospital Baragwanath em Soweto que ela ficou comovida com a situação e as condições de vida da maioria negra. Isso a motivou a usar seu aprendizado e habilidades para elevá-los.

Prisão, proibição, assédio, prisão domiciliar, confinamento solitário e ter o marido e o pai de seus filhos, Isithwalandwe Tata Nelson Mandela, preso por 27 anos não quebrou o espírito de luta de Mama Winnie. Devido à sua liderança inabalável, sua casa tornou-se um local de peregrinação para muitos líderes e membros de várias comunidades. Podemos, sem qualquer dúvida de contradição, que toda a sua vida foi vivida desinteressadamente e em servidão. Isso levou seus filhos a serem vítimas em idade precoce. Ela se tornou viúva e mãe solteira enquanto seu marido vivia e era encarcerado na Ilha Robben. Durante este período, Winnie incorporou os valores que o seu então marido, Nelson Mandela, defendia e sofria. Tendo passado adiante, o ANC se compromete a intensificar a luta que se tornou sua vida. Vamos garantir que seu espírito e determinação permaneçam conosco.

A camarada Madikizela-Mandela era uma ativista por si só e será lembrada por ter estado na vanguarda da luta pelos direitos das mulheres na África do Sul – participando de várias manifestações contra as leis injustas do passe. Quando o ANC foi proibido na África do Sul e a mera menção do nome da organização poderia resultar em prisão – Mama Winnie e inúmeros outros dedicados ativistas mantiveram as chamas da resistência queimando; pronunciando-se contra o apartheid, contra as detenções sem julgamento, contra as leis do passe e contra a brutalidade do regime do apartheid. Por isso ela pagou um alto preço. Ela foi encarcerada pela primeira vez em 1958 e, ao longo dos anos, enfrentaria muitas outras detenções e banimento, incluindo confinamento solitário. Apesar de todas essas tentativas de quebrar seu espírito,

No advento do desbanjo, Mama Winnie desempenhou um papel crucial como membro do NEC do ANC, cargo que ocupou por 26 anos e como Presidente da ANCWL. Durante esse período, ela se tornou uma voz consistente da razão e uma defensora dos sem voz. Ela também abraçou seu papel como ministra do governo e membro do Parlamento com tenacidade. Mama Winnie será lembrada por sua crença inabalável na unidade do Congresso Nacional Africano; e seus anos de avanço não a impediram de permanecer um membro ativo do ANC. Como veterana do movimento e da luta, ela nunca hesitou em falar sempre que via o CNA saindo do curso. Ao mesmo tempo, e apesar de sua imensa estatura como ícone – ela o fez com humildade e em reconhecimento dos muitos desafios que ainda enfrentam o movimento e o país. Lembramos suas qualidades como ativista e líder, e também sua disciplina revolucionária e compromisso com os princípios e valores fundadores do ANC. Ela viveu e terminou sua vida como um quadro do ANC.

Para a família Madikizela-Mandela, compartilhamos essa perda incompreensível de um ícone de nossa luta. Sua perda e dor percorre nossas estruturas para que Winnie pertença a uma família maior do Congresso Nacional Africano e às formações do movimento de libertação. Somos gratos a ela por ter nos legado um legado duradouro e inspiração para servir nosso povo. Seja consolado pelo conhecimento de que o nome desta grande filha da África do Sul será para sempre iluminado. Vá bem, fiel e fiel servidor do Altíssimo.

O Congresso Nacional Africano se reunirá com sua família para planejar o funeral desta gigante de nossa revolução.

Lala kahle Qhawekazi! Você nunca será esquecido.

Emitido por Cde Ace Magashule
Secretário Geral
Congresso Nacional Africano

Fonte:http://www.anc.org.za/content/south-africa-mourns-passing-winnie-nomzamo-madikizela-mandela

Carta aberta de Winnie Mandela para Cyril Ramaphosa

Foto: Winnie Madikizela-Mandela e Cyril Ramaphosa na Conferência de Política do ANC (Ihsaan Haffejee)

Quando for finalmente eleito presidente do ANC, peço-lhe que fique acima da luta e se torne magnânimo na vitória … Peço-lhe que mantenha a mente aberta e procure constantemente o seu concorrente no espírito de uma concorrência leal.                               BONGANI MABUSELA

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No interesse de poupar seu tempo, permita-me observar todos os protocolos e ingênios emxholweni (vá direto ao assunto em questão). Do conforto do meu sofá, passei a acreditar que a sua corrida para suceder o Presidente Jacob Zuma provavelmente reuniu força suficiente para dizimar o desafio de superar a Dra. Nkosazana Dlamini-Zuma. Pela primeira vez, estou disposto a suspender todas as dúvidas, de forma bastante irracional, e acredito que isso impeça o gerenciamento criativo de credenciais de planilhas, você tem essa coisa na mala.

Para muitos daqueles que se cansaram de ouvir o sobrenome Zuma, esta é uma das coisas mais positivas que aconteceram ao nosso corpo político desde 2007. Você e sua equipe provavelmente estão se segurando de sorrir com a facilidade com que está se tornando . Afinal de contas, todos nós fomos informados sobre como você não tinha um círculo eleitoral no ANC e como fora de contato você tinha se tornado com os principais círculos eleitorais do ANC, que são negros – rurais e urbanos – que continuam a votar no ANC apesar de a carnificina forjada pelo Presidente Zuma e seus companheiros.winnie e delamini

Satisfeito quanto ao seu aparente sucesso, devo admitir que sofro com a provável perda dos talentos de Dlamini-Zuma para o projeto de transformação. Sendo não-alinhada no bunfight atual, eu gostaria de pensar que sou objetivo o suficiente para reconhecer que Dlamini-Zuma é uma força para o bem e que seu sobrenome é provavelmente um albatroz em torno de sua candidatura. Eu também sou honesto o suficiente para admitir que em todo o seu tempo no governo, Dlamini-Zuma se comportou com uma força exemplar, usando seus formidáveis ​​talentos para construir instituições imbuídas de seu próprio caráter e resiliência.winnie e dlamini1

Olhando para o seu tempo no Departamento de Saúde, fico maravilhada com a maneira pela qual ela conseguiu trazer mudanças ao debate sobre o tabaco em uma época em que não era popular fazê-lo. Fico maravilhado com seu forte impulso para fazer da atenção primária em saúde o cerne de nossa política de saúde. No Departamento de Relações Exteriores (como era conhecido antes da inexplicável mudança de nome em 2008), só posso ficar impressionado com a forma como ela construiu uma forte equipe de tecnocratas, liderada pelo indiscutivelmente talentoso Dr. Ayanda Ntsaluba como Diretor-Geral. Seu tempo talvez seja marcado pela ascensão da importância da África do Sul nos debates sobre política externa e compromisso inabalável com a melhoria do mundo em desenvolvimento, especialmente na África e na África do Sul. Nos Assuntos Internos, ela mais uma vez construiu processos instituídos antes de seu tempo e impôs sua forte vontade para garantir que hoje haja muitas experiências positivas do departamento. Eu não digo nada sobre regimes de naturalização postar seu mandato no departamento.

Por que a longa história que você já conhece, você pode perguntar. Bem, simplesmente, há muitas pessoas nesta República que reconhecem o compromisso de Dlamini-Zuma com a transformação deste país e o empoderamento da criança negra. Há muitos camaradas (uso a palavra em seu sentido mais vazio) que acham desagradável sua companhia atual, mas reconhecem que ela ainda tem muito a contribuir para tornar nosso país “um lugar melhor para todos que vivem nele”. Você mesmo pode compartilhar o mesmo sentimento. É provavelmente a esperança destes e de muitos outros que o ANC irá sobreviver em dezembro de 2017, quando tudo estiver dito e feito. Só podemos esperar que, como vocês dois cruzam o país, vocês criaram canais suficientes para manter relações cordiais, discuta as coisas quando elas ficarem feias e colocar os interesses da parte acima de suas respectivas ambições pessoais para o trabalho de No 1. A triste verdade é que as coisas ficarão feias. Eles farão isso porque há muitos interesses pessoais que têm tudo para defender. Há muitos estômagos na linha que perdem a oportunidade de se alimentar no cocho quando você se torna bem sucedido. Assim, “maldito torpedos” é mais provável do que cantar em torno de uma fogueira de acampamentoKhumbaya .

A tragédia de tudo isso é que, no final da conferência eletiva, há um perigo muito real de que o vencedor leve tudo. Que aqueles em volta do candidato perdedor desejem pressionar o jogo sobre a opção nuclear desafiando os fiéis do partido e escolher sair com pedaços dos membros do partido para formar outros Congressos do Povo e os Lutadores da Liberdade Econômica é uma possibilidade muito real – que Seria uma pena. Isso não só iria denegrir o ANC, mas também garantir que 2019 seja uma causa perdida. Isso colocaria os sonhos de muitas crianças africanas pagas para que o partido de seus antepassados ​​continue a luta para fortalecer a criança africana.

Assim, peço-lhe que fique acima da batalha e se torne magnânimo na vitória quando chegar. Peço-lhe que mantenha uma mente aberta e alcance constantemente o seu concorrente no espírito da concorrência leal. Pergunto isso porque suspeito que os membros da atual equipe dela talvez sejam míopes demais para reconhecer que dezembro pode ser um momento de renovação ou um momento de calamidade para a festa. Na verdade, eu pergunto isso porque aqueles que estão em suas fileiras podem nem mesmo reconhecer que dezembro é uma oportunidade de renovação, dada a constante negação da crise em que estamos e sua constante busca por personalidades corruptas. DM

Bongani Mabusela é o Coordenador da ANCYL para a Região de Nelson Mandela, escrevendo em sua capacidade pessoal como ativista de movimentos de congressos.

Foto: Winnie Madikizela-Mandela e Cyril Ramaphosa na Conferência de Política do ANC (Ihsaan Haffejee)

Fonte:https://www.dailymaverick.co.za/article/2017-07-06-an-open-letter-to-cyril-ramaphosa/#.WsNMZC7waM8

Grande reivindicação dos Africanos é o acesso à energia elétrica ininterrupta

 

Projeto-IMS-1030x541Um novo estudo divulgado pelo Centro para o Desenvolvimento Global descobriu que, tanto a eletricidade em rede como as soluções fora da rede, como geradores, são atualmente inadequadas para satisfazer as necessidades modernas de energia dos consumidores africanos.

Fotografia: João Gomes| Edições Novembro

A pesquisa de consumidores em doze países africanos descobriu que os clientes na rede ainda dependem fortemente de soluções para suas vidas diárias fora da rede, como geradores, e que os clientes fora da rede querem acesso à electricidade da rede.
Os pesquisadores analisaram os dados de pesquisas baseadas em telefones celulares, para avaliar a qualidade e oferta do serviço de energia em 12 países africanos, como Benim, República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Quénia, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Senegal, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.
As pesquisas foram conduzidas entre Julho de 2015 e Dezembro de 2016 e receberam respostas de 39 mil consumidores em 28 idiomas. “Fazer a electricidade mais acessível, confiável e receptiva à procura africana deve ser uma prioridade”, disse Todd Moss, um co-autor do relatório e um técnico sénior do Centro de Desenvolvimento Global.
“Embora muitos políticos controlem se as soluções de rede ou de fora da rede são mais apropriadas, os consumidores africanos não vêem essas opções como uma ou outra questão. Os clientes que estão na rede também podem usar electricidade fora da rede. E os clientes que têm energia fora da rede querem acesso à electricidade da rede para atender a necessidade crescente”.

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As interrupções diárias são uma norma em quase todos os lugares. Entre aqueles com acesso à electricidade da rede, pelo menos metade das quedas de energia eléctrica, em torno de uma vez por dia, foram registadas em quase todos os países pesquisados.
Os entrevistados em Mo-çambique, Gana e Zâmbia relataram a maior prevalência de interrupções diárias. O país com menor prevalência de interrupções frequentes foi o Ruanda, onde apenas 18 por cento dos entrevistados experimentaram várias interrupções por dia. Em todos os países, a grande maioria informou pelo menos uma interrupção por semana.Os clientes na rede ainda dependem fortemente de geradores, especialmente na Nigéria. Quase metade dos inquiridos na Nigéria dependia de um gerador durante as interrupções de energia, o mais alto de qualquer outro país. Os clientes fora da rede ainda desejam energia eléctrica. Na maioria dos países, os entrevistados fora da rede não estão completamente satisfeitos com as soluções eléctricas fora da rede e mantêm uma alta procura por electricidade da rede.

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A eletricidade fora da rede e não geradora é inadequada para a maioria das necessidades energéticas dos entrevistados. Uma proporção significativa de entrevistados em todos os países pesquisados informou que a sua solução eléctrica fora da rede não atendia a nenhuma das suas necessidades de energia. Isso inclui quase dois terços (65 por cento) de ruandeses com electricidade fora da rede, não geradora. Em todos os países, a maioria deseja uma conexão de rede. A procura para a rede foi mais alta na Zâmbia e no Gana, onde mais de 50 por cento disseram que queriam uma conexão eléctrica muito.

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Em todos os outros países, exceto o Senegal e o Benim, a procura parece ser alta, mas menos apaixonada. Mais de dois terços dos entrevistados sem conexão eléctrica indicaram que queriam uma ligação eléctrica à rede nacional, um pouco ou muito. A satisfação com o serviço da rede varia muito. A satisfação relatada com a eletricidade da rede ocorreu de Moçambique (74 por cento satisfeito) e Ruanda (71) no extremo superior para Gana (19)

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/procura_de_electricidade_em_africa_e_ainda_maior