Congresso Nacional Africanidades e Brasilidades: Direitos Humanos e Políticas Públicas

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II CONGRESSO INTERNACIONAL, VII SEMINÁRIO INTERNACIONAL ACOLHENDO AS LÍNGUAS AFRICANAS: IV CONGRESSO NACIONAL AFRICANIDADES E BRASILIDADES: DIREITOS HUMANOS E POLÍTICAS PÚBLICAS

Início: 17/09/2018 Fim: 20/09/2018 Data de abertura: 10/05/2018 Data de encerramento: 30/07/2018 Países: Brasil

Estão abertas as inscrições para o II Congresso Internacional, VII Seminário Acolhendo as Línguas Africanas: IV Congresso Nacional Africanidades e Brasilidades: Direitos Humanos e Políticas Públicas que ocorrerão na Universidade Federal do Espírito Santo – Ufes, nos dias 17, 18, 19 e 20 de setembro de 2018.

O II CINAB, VII SIALA e IV CNAB: Direitos Humanos e Políticas Públicas são uma realização do Núcleo de Estudos e Pesquisas Africanidades e Brasilidades – NAFRICAB/Ufes em parceria com o Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros em Línguas e Culturas – GEAALC/Uneb.

O objetivo dos Núcleos de Estudos e Pesquisas envolvidos no II Congresso Internacional, VII Seminário Internacional Acolhendo as Línguas Africanas: IV Congresso Nacional Africanidades e Brasilidades: Direitos Humanos e Políticas Públicas é estabelecer um diálogo transatlântico entre o Brasil e África valorizando aspectos ligados às esferas literária, linguística, artística, histórica, filosófica e educacional.

O II CINAB, VII SIALA e IV CNAB: Direitos Humanos e Políticas Públicas contarão com palestras, mesas-redondas, Grupos de trabalho, oficinas, minicursos, atividades culturais, exposição, lançamento de livros e conversas com escritores.

Grupos de trabalho

  • Africanidades e Brasilidades em Literaturas e Linguística
    Profa Dra. Michele Silva Schiffer (FAPES/Ufes), Profa. Dra. Lise Arruda (Geaalc/Uneb), Prof. Dr. Amarino Queiroz (UFRN/Nafricab)
  • Africanidades e Brasilidades em Educação e Relações Ético-raciais
    Profa. Dra. Kiusam de Oliveira (Ufes), Profa. Dra. Candida Soares Costa (UFMT), Prof. Dr. Gustavo Forde (Ufes)
  • Africanidades e Brasilidades em Direitos Humanos e Políticas Públicas
    Prof. Dr. Ivan Costa Lima, Profa. Dra. Ana Lucia Borges de Carvalho (Geaalc/Uneb), Profa. Dra. Joselina da Silva (UFRRJ)
  • Africanidades e Brasilidades em Teatro Negro e Africano
    Prof. Hamilton Celestino da Paixão (Sedu/Geaalc/Uneb), Prof. Dr. Ivo Ferreira de Jesus (Geaalc/Uneb)

Cada Grupo de Trabalho receberá até 60 trabalhos para apresentação em 15 minutos cada, sendo assim, serão selecionados respeitando a data de envio do resumo: 30 de julho.

Minicursos

  1. Línguas africanas no Brasil
    Profª Drª. Lise Arruda (Geaalc/Uneb) e Profª. Drª. Yeda Pessoa (Geaalc/UFBA)
  2. Bairros negros: corporativismo e autonomia das populações negras
    Dr. Henrique Cunha Junior (UFC)
  3. Diálogos ibero-afro- americanos em literatura e cultura
    Dr. Amarino Queiroz (UFRN/Nafricab)
  4. Teatro negro e africano
    Hamilton Celestino da Paixão (Sedu/Geaalc/Uneb) e Prof. Dr. Ivo Ferreira de Jesus (Geaalc/Uneb)
  5. A Educação em Direitos Humanos e o Enfrentamento às Violências na Escola
    Profª. Heloisa Ivone da Silva de Carvalho (Coordenadora da Comissão de Educação em Direitos Humanos/ GFDE/SEME)

Mais informações e inscrições: http://www.eventos.ufes.br/CNAB/CINAB2018.

 

IV GRIOTS | CONGRESSO INTERNACIONAL DE LITERATURAS E CULTURAS AFRICANAS

Início: 19/11/2018 Fim: 21/11/2018 Data de abertura: 10/05/2018 Data de encerramento: 30/09/2018 Países: Brasil

IV Congresso Griots
Congresso Internacional de Literaturas e Culturas Africanas
Literaturas e Direitos Humanos
19-21 de novembro, 2018
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Lagoa Nova, Natal – RN

O IV Congresso Internacional de Literaturas e Culturas Africanas, GRIOTS, a se realizar nos dias 19, 20, 21 de novembro de 2018, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus Salgado Filho, Natal, Nordeste do Brasil, afirma lugares de fala, de perspectiva, e de diversidades temáticas que atravessam a reflexão sobre a Literatura, os direitos humanos, a violência contra as mulheres negras e a comunidade afrodescendente mundo afora.

Submissão de propostas dos GTs

Cada GT comportará até 02 (dois) coordenadores de instituições distintas e com título de doutorado. A data limite para o envio de proposta será até 15 de maio de 2018. Em seguida, serão abertas as inscrições de comunicações orais em grupos de trabalho.

As propostas de trabalho serão avaliadas pela comissão organizadora do Griots 2018. Após o encerramento do período para a submissão das propostas de grupos de trabalho, será divulgada no dia 25 de maio de 2018 a relação dos aprovados no site do evento.

​O período de inscrição em propostas dos GTs será de 01/junho/2018 a 30/setembro/2018.

Eixos temáticos para propostas de Gts

  1. Literatura e filosofia
  2. Literatura, racismo e etnicidade
  3. Literatura e direitos humanos
  4. Literatura, sexualidade e feminismo negro
  5. Literatura, descolonização, guerras e diáspora
  6. Literatura afrobrasileira e latinoamericana
  7. História, ancestralidade, mitos, memória, religiosidade e oralidade
  8. Áfricas, cinema, artes plásticas
  9. Literatura, música e cultura popular
  10. Literaturas e ensino
  11. Literaturas em língua portuguesa
  12. Linguagem, tradução, práticas discursivas
  13. Literaturas indígenas e caribenhas

Mais informações no site do IV Congresso Griots.

15 coisas que pessoas de religiões de matriz afro gostariam de te dizer

“Não invadimos seu espaço, então não invada nosso terreiro”.

publicado 

A liberdade de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal do Brasil.

Porém, o Brasil teve 697 denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2015, sendo as religiões afro-brasileiras o maior alvo das queixas.

Este post foi feito com a ajuda dos seguintes praticantes de religiões de matriz afro: Júlia Pereira (redatora do blog Umbanda EAD), Juarez Xavier (pesquisador do tema e professor no Departamento de Comunicação Social da Unesp), Carolina Pinho (doutora em Educação pela Unicamp), Larissa Pelucio (professora de antropologia no Departamento de Ciências Humanas da Unesp), Roger Cipó (fotógrafo) e Guillermo Santos (videomaker do BuzzFeed Brasil).

1. Existem muitas religiões de matriz afro no Brasil além do candomblé e da umbanda.

Instagram: @olhardeumcipo

Em sua pesquisa de doutorado, o professor Juarez Xavier as dividiu em três categorias:

Afro-brasileiras, que são aquelas de matriz africana que passaram por algumas mudanças quando chegaram ao Brasil. Como exemplo temos o candomblé de caboclo, praticado no Recôncavo Baiano.

Brasileiras, que foram criadas no Brasil, mas que possuem influência afro. Entre elas está a umbanda, síntese de diversas matrizes (africana, indígena e kardecista).

Afrodescendentes, que reivindicam suas raízes afro, pois mantiveram os mesmos processos de organização das religiões da África. Podemos citar a tradição iorubá (ketu e nagô), tradição bantu (bate folha) e jejê (terreiro do Bogum).

Porém Xavier deixa claro que é difícil dizer exatamente quantas são. “Essa divisão é didática e reducionista, pois a diversidade é muito maior do que possa imaginar ‘minha pequena’ pesquisa”, explica.

2. Nem tudo é “macumba”.

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Macumba, diferentemente do que muitos acreditam, não é o mesmo que “magia negra”. Existem duas explicações para a origem da palavra. A mais conhecida e popular é de que se trata do nome dado a uma árvore da cultura banto aproveitada para a confecção de um instrumento utilizado nos rituais dessas religiões.

A outra explicação é dada por Pereira: “A origem do termo se dá no contexto religioso anterior à fundação da Umbanda e em paralelo ao seu primeiro período, quando as manifestações religiosas periféricas e de influência africana aconteciam nos chamados grandes terreiros de Macumba Carioca, no Rio de Janeiro.

Os rituais se aproximam da Umbanda pela maleabilidade litúrgica e pelo perfil inclusivo, somando novos valores de diferentes culturas num sincretismo “bricolado”. Com o tempo, as “Macumbas Cariocas”, ou simplesmente cultos afro-brasileiros cariocas, também passaram a aderir às práticas e ao modelo ritual-litúrgico umbandista. Outras vezes, assumiram apenas a denominação sem sentirem necessidade de alteração ritualística”.

3. E, geralmente, chamar de “macumbeiro” é uma ofensa.

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Pinho explica que há “um esforço em desqualificar as religiões de matriz africana e reduzi-las a algo depreciativo. Então, o termo tem sido utilizado genericamente para denominar essas religiões”. Para Xavier, “por ser genérica, ele reproduz uma visão negativa dessas tradições e, por essa razão, é ofensiva”.

Mas Pereira lembra que algumas pessoas utilizam o termo “macumba” ou “macumbeiro” para se nomearem numa forma de reafirmar as origens de sua religião e responderem a quem utiliza a expressão para ofender.

4. Oferenda é um gesto de gratidão aos deuses.

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Talvez você já tenha ouvido falar da oferenda por outros nomes como “macumba” e “trabalho”. Pelucio explica que as oferendas são trabalhos, “mas de transformação e mobilização de energias”.

As oferendas também podem ser consideradas como um gesto de gratidão e um presente aos orixás (deuses) e entidades espirituais. “Geralmente são feitas para consagrar desejos ou o atendimento deles, que podem ser relacionados a saúde ou relacionamentos, mas focados no amor e não no aprisionamento de outra pessoa”, esclarece.

5. Por isso, dizer “chuta que é macumba” é extremamente desrespeitoso.

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Oferenda é um símbolo muito importante para estas religiões, tal como a cruz é para o cristianismo. Pelucio lembra que da mesma forma que não se chuta a cruz por ser importante para inúmeras pessoas, não se deve fazer o mesmo com as oferendas, que são gestos de amor.

6. Orixá não é signo.

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Não há relação entre orixás (deuses das religiões de matriz afro) e os signos astrológicos, por mais que ambos trabalhem a partir dos arquétipos. Apesar das similaridades, religiões de matriz afro não são astrologia.

Pereira enfatiza que “revelar o seu orixá não é simples e que também é uma questão ancestral”. Por isso, de nada adianta pedir para qualquer pessoa que frequenta essas religiões dizer qual é o seu orixá.

Além disso, ela explica que descobrir qual orixá “rege sua cabeça” é uma questão de merecimento e a revelação disso é feita por pessoas escolhidas para tal nos rituais religiosos. Lembrando que a revelação do orixá tem uma necessidade de desenvolvimento do médium ou de quem busca a consulta. E isso se dá tanto pela busca da cura ou do encontro com a sua missão.

7. Exú não é demônio.

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Muitas pessoas relacionam Exú ao demônio de modo equivocado. Esse processo de degradação da imagem dele se deu por missionários cristãos quando chegaram à Nigéria, Togo e Daomé. Na visão de Xavier, essa foi uma estratégia de dominação. Ele explica por quê:

“Pelo fato de sua representação ser o falo (símbolo da fertilidade cósmica e da criação), ele foi identificado como o diabo, da tradição judaico/cristã/islâmica. Mas ele não tem nada que o identifique como o demônio das tradições ocidentais”.

8. Exú é, sim, uma figura de extrema importância na relação entre deuses e humanos.

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“No Candomblé Exú é Orixá, um Deus africano é responsável pela comunicação dos seres, entre outros atributos que vão se distribuir em suas qualidades. Já para a Umbanda, ele é um espírito humano à esquerda da religião que, mesmo estando nas ‘trevas’, trabalha em favor do bem”, esclarece Pereira.

Para Xavier, Exú não tem equivalência ao diabo cristão, pois é mais sofisticado, humanizado, sagrado e, acima de tudo, mais reverenciado. Santos explica que Exú é uma das figuras que mais se assemelham aos homens por estarem entre nós. “Daí vem o gosto dele por bebidas e piadas. Ele é mais humano, tem características positivas e negativas como todos nós”.

9. Não fazemos pacto com o demônio.

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“Até porque não acreditamos na existência dele, ou seja, é impossível fazer um pacto com o que não acreditamos”, revela Santos. É importante ressaltar que não há um correspondente ao diabo nas religiões de matriz afro, pois acredita-se que que cada pessoa é de uma vez só o bem e o mal.

10. Muitas destas religiões de matriz afro seguem os mesmos princípios de outras religiões, que todos conhecem.

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Candomblé e Umbanda são religiões monoteístas, mas há algumas diferenças.

“A Umbanda é monoteísta e acredita-se em um Deus, que pode ser chamado de diversos nomes. O mais comum é Olorum, Tupã, Zambi ou só Deus mesmo.

Na Umbanda também presta-se o culto aos Orixás, que de uma maneira muito simplificada são as qualidades de Deus individualizadas e manifestadas por meio dessas divindades”, explica Pereira.

“Já o Candomblé, eu diria que é uma religião que se organiza de forma diferente das demais religiões. Juarez tem uma definição muito boa para isso. Ele fala que o Candomblé está pra além do sentido de “religare”, pois, nunca existiu uma ruptura entre os povos africanos e suas divindades”, comenta Roger Cipó.

No Candomblé também há a figura do Olorun que quer dizer “Senhor do Céu”. E os Orixás são divindades ancestrais da natureza.

Nesta estrutura há uma semelhança com o catolicismo, que é monoteísta, porém cultua santos. Na Umbanda, Jesus também é cultuado e reverenciado. Para o Candomblé, ele é apenas uma figura histórica.

11. Não acreditamos na Bíblia.

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“A gente não acredita na Bíblia, pois nosso sagrado está na natureza, nossos ensinamentos estão no exercício da vida mediúnica saudável e no relacionamento com os orixás e guias”, revela Pereira.

12. Não ficamos possuídos em nossas cerimônias religiosas.

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“O ato de incorporar uma entidade consiste em fazer a conexão entre os chakras do médium e os do guia (espíritos humanos desencarnados). Desta forma, no momento da incorporação nosso espírito continua habitando o corpo físico sem que haja a necessidade de se ceder esse lugar para que entidade possa trabalhar (sem possessões). Você ainda estará ali. Consequentemente, sua consciência também. Quanto mais concentrado estiver, maior será o aproveitando dessa experiência.

Já no Candomblé (mais ortodoxo), espírito humano não pode se manifestar e a manifestação dos orixás acontece no Ori (cabeça da pessoa). O transe espiritual no Candomblé então se dá (com seu Orixá pessoal) de dentro para fora. Sendo assim, de uma maneira geral, os candomblecistas não praticam a incorporação, ou seja, a mediunidade não é um precedente. Entretanto, também não é uma possessão, é como se o Deus que mora em cada um viesse, por meio do transe, dançar com seus filhos”, esclarece Pereira.

13. Nem todos os terreiros são adeptos do sacrifício de animais.

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A Umbanda, de maneira geral, não tem como precedente o sacrifício de animais. Já para o candomblecista, o abate religioso é um rito próprio da religião e, como via de entendimento, se assemelha à santa ceia.

14. E quando são, os animais mortos são servidos para alimentação nas cerimônias.

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“Os animais são abatidos para consumo dos filhos de fé e demais frequentadores. Este é um momento especial, onde, segundo a crença, os orixás e humanos partilham da comida abençoada.

O sangue e as partes impróprias para consumo geralmente são utilizadas nos assentamentos (locais do terreiro onde ficam objetos e símbolos do orixá, mantendo a energia dele ali). Mas o abate religioso de animais é humanitário e não maltrata o animal.

O animal que servirá a ceia é tratado durante um longo período. Ele recebe banhos de ervas maceradas e são entoados cantos a ele.

Esse abate não é indiscriminado e ocorre em ocasiões especiais de festividades do terreiro. Qualquer outra coisa que podemos ver nas ruas, como oferendas, não fazem parte da ritualística do candomblé”, esclarece Pereira.

Veja também:

260 mil chineses vivem em Angola

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês vai visitar Angola e São Tomé e Príncipe. A viagem de Wang Yi a África inclui ainda paragens no Ruanda e Gabão.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, visitará Angola e São Tomé e Príncipe, entre 12 e 16 de janeiro, na sua primeira deslocação ao estrangeiro este ano, ainformou fonte diplomática chinesa. A viagem de Wang Yi a África inclui ainda paragens no Ruanda e Gabão.

Há mais de duas décadas que os ministros chineses  dos Negócios Estrangeiros começam sempre o ano com uma viagem ao continente africano. “A continuação de Wang com esta tradição demonstra que a China presta consistentemente grande atenção aos laços entre China e África”, afirmou  Lu Kang, porta-voz da diplomacia chinesa.

A visita de Wang Yi servirá ainda para preparar o Fórum de Cooperação entre China e África, que será organizado, este ano, na China. O país asiático tornou-se, em 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, em 2015, o comércio China-África somou 169 bilhões de dólares (141 bilhões de euros).15721214_303

No ano passado, Angola foi o terceiro maior fornecedor de petróleo à China, depois da Rússia e da Arábia Saudita. Cobre, ferro e outras matérias-primas pesam também muito na balança comercial. Depois de a guerra civil em Angola ter acabado, em 2002, a China tornou-se um dos principais atores da reconstrução do país, nomeadamente das suas estradas, malha ferroviária e outras infraestruturas. Números oficiais de Luanda apontam que há quase 260 mil chineses a vivem em Angola.1

Em dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe anunciou o reconhecimento da República Popular da China, rompendo com Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949.

Por que será que existem mais chineses vivendo em Angola  do que brasileiros?

Provavelmente os brasileiros  tem muitas opções para morar fora do país e não enxergam como oportunidade de negócios viver em um país africano. Outra hipótese é a mais completa ignorância sobre o que se passa no continente africano.

Brasileiros tem poucas informações sobre o que se passa em África, e continuam com os mesmos estereótipos e imagens negativas, e isso colabora para que no imaginário não se vislumbre uma presença maior de brasileiros vivendo em  um país africano.

Outra hipótese são as dificuldades do dia a dia em viver em outro pais , é uma realidade muito distante , exige uma dose de sacrifícios.

O fato é que a diplomacia chinesa está mais presente nos países africanos. Há um investimento diplomático inegável.

Tenho escrito que os brasileiros deveriam colocar no cenário de suas opções de trabalho e investimento: o continente africano, pois são  economias em expansão que oferecem muitas possibilidades, que no Brasil estão mais difíceis. Há um forte desejo em diversificar as economias, o que significa querer substituir as importações em diversos produtos e serviços.

è preciso que trabalhemos para expandir os conhecimentos sobre o continente africano e reduzir os estereótipos que perduram sobre as pessoas e governo africanos

 

Paulina Chiziane, escritora moçambicana, condecorada pelo Brasil

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por ELCÍDIO BILA

Escritora moçambicana condecorada hoje com Ordem do Cruzeiro do Sul

O habitual cruzamento de artes e cultura moçambicana e brasileira cedeu às obras por cinco meses no Centro Cultural Brasil-Moçambique. Hoje, o espaço dedicado à promoção das manifestações culturais dos dois países, há vinte e oito anos, reabriu.34476379732_f529d28612_b ladeada pelos minsitros.jpg

A parte de fora está renovada, novas cores fazem um mosaico que nos transporta para onde o espaço sugere: Brasil. Mais as profundas obras aconteceram no seu interior. Uma das grandes novidades é a criação de um auditório que não podia ser baptizado por outro nome, senão de um dos maiores poetas brasileiros e da CPLP, Vinícios de Morais.34597485646_fc3432945c_b homenagem do aloysio

Coube ao Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, proceder a reabertura do centro e a inauguração do auditório, o espaço que acolheu a primeira parte do evento.

Além do ministro brasileiro, o evento teve presenças ilustres de figuras do campo político, académico e cultura, destacando o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi; o embaixador do Brasil, Rodrigo Baena Soares, reitor da Universidade Politécnica, Jorge Ferrão; entre outros.

Um dos momentos mais altos do evento foi a condecoração da escritora moçambicana Paulina Chiziane com o diploma de Ordem do Cruzeiro do Sul por parte do governo brasileiro.

Trata-se de uma ordem constituída logo após a independência do Brasil e que invoca uma estrela vista lá do Brasil. “Com esta constelação a senhora (referindo-se a Paulina Chiziane) é uma estrela brilhante que cultiva a língua portuguesa, que no seu trabalho procura dar voz as pessoas mais humildes, mais frágeis. Além disso, é uma militante das causas da paz”, justificou a distinção o ministro brasileiro.

Paulina Chiziane, visivelmente emocionada, disse, na ocasião, que em momentos como esses é frequente perguntarmo-nos quem somos, donde viemos e para onde vamos. Assim começava um discurso longo e carregado de muita convicção: “muitas vezes, eu tenho o hábito de dizer vim do chão, vim de lugar nenhum, caminhei pelo mundo e cheguei. Mas não caminhei sozinha. Há muita gente que comigo caminhou ao longo dos dias da minha escrita”. A posterior Chiziane agradeceu o governo brasileiro que lhe colou num pedestal mesmo vindo de lugar nem e mesmo sendo negra. Nesses agradecimentos a escritora não esqueceu ao povo moçambicano, justificando que lhe deu muita força para subir a algum lugar.

Sobre a reabertura do centro, os discursos foram unânimes de que é um sítio renovado para as artes dos dois países possam ter um espaço mais cómodo e mais aberto.

O segundo momento do evento foi marcado por aquilo que está destinado este centro: as artes. A protagonista desse momento foi Mingas. Na sua actuação, a artista acompanhada pelo guitarrista cruzou os dois países através da música. A artista interpretou poemas de Vinícios de Morais e as suas marrabentas fizeram a festa pela noite dentro.

http://opais.sapo.mz/index.php/cultura/82-cultura/44733-brasil-rende-se-a-escrita-de-paulina-chiziane.html