Boa noticia! Secretário Geral da ONU vê África um continente de esperança promessa e vasto potencial

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O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse ontem que África é “um continente de esperança, promessa e vasto potencial”, preferindo esta abordagem em vez de olhar para a região “pelo prisma dos problemas”.

Num artigo de opinião, António Guterres refere que “muitas vezes, o mundo vê a África pelo prisma dos problemas; quando olho para a África, vejo um continente de esperança, promessa e vasto potencial”.

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No texto, que surge na sequência da sua participação na cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que decorreu a 30 e 31 de Janeiro em Addis Abeba, António Guterres garante estar “empenhado em reforçar esses pontos fortes e estabelecer uma plataforma mais elevada de cooperação entre as Nações Unidas, os líderes e o povo da África” e diz que isso é “essencial para promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável e aprofundar a cooperação para a paz e a segurança”.
O antigo primeiro-ministro português afirma no texto ter trazido da capital etíope um “espírito de profunda solidariedade e respeito”, mas também “um profundo sentimento de gratidão” pelo contributo africano para as forças de paz da ONU.
África “fornece a maioria das forças de paz das Nações Unidas no mundo; as nações africanas estão entre os maiores e mais generosos anfitriões de refugiados mundiais; em África estão algumas das economias com mais rápido crescimento do mundo”, salienta o antigo Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
“Deixei a cimeira mais convencido do que nunca de que toda a humanidade vai beneficiar-se ouvindo, aprendendo e trabalhando com o povo de África”, afirma Guterres, que sublinha que a prevenção é essencial para resolver os conflitos.
“Muitos dos conflitos de hoje são internos, desencadeados pela competição pelo poder e recursos, desigualdade, marginalização e divisões sectárias; muitas vezes, eles são inflamados pelo extremismo violento ou por ele alimentados”, lê-se no documento.
A prevenção, prossegue, “vai muito além de nos concentrarmos unicamente no conflito. O melhor meio de prevenção, e o caminho mais seguro para uma paz duradoura, é o desenvolvimento inclusivo e sustentável, defende.
O Secretário-geral da ONU diz não ter dúvidas “de que podemos vencer a batalha pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo, que são também as melhores armas para prevenir conflitos e sofrimentos, permitindo que a África brilhe ainda mais de forma vibrante e inspire o mundo”. António Guterres deixou a 28.ª Cimeira da União Africana com um forte apelo para a mudança na forma como o continente berço da humanidade é caracterizado pela comunidade internacional, e com a promessa de apoiá-lo na construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis.
Na cimeira de Addis Abeba, lamentou a forma como África é descrita na Europa, Américas e Ásia, denunciou o que chamou de “uma visão parcial de África” e disse ser preciso mudar a narrativa sobre o continente na comunidade internacional e que este deve ser reconhecido “pelo seu enorme potencial”.
O líder da ONU elogiou a União Africana pelo “trabalho muito importante em nome do continente”, manifestou “disposição total da ONU em apoiar plenamente as suas actividades” e destacou “o entendimento integral entre a ONU, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento sobre a necessidade de se trabalhar “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul.”
O novo paradigma no relacionamento entre a ONU e os africanos implementado por António Guterres levou o Alpha Condé, o Presidente da Guiné-Conacri e líder em exercício da União Africana, a convidá-lo a participar anualmente num pequeno almoço com Chefes de Estado e de Governo africanos em Janeiro.

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Para o Secretário Geral da ONU, estas ocasiões servem para interagir com líderes africanos e discutir “de forma muito significativa” as relações entre a União Africana e a Organização das Nações Unidas.

 

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/antonio_guterres_ve_africa_como_esperanca

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Obama inaugura museu de história afro-americana em Washington

 

Museu Afro-americano inaugurado neste sábado (24) em Washington (Foto: Pablo Martinez Monsivais / AP)

 

 

O presidente Barack Obama inaugurou neste sábado o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington. Na cerimônia de inauguração, cortou a fita e inaugurou o museu de 37 mil metros quadrados revestido em bronze, diante de milhares de pessoas.

 

“Além da suntuosidade do edifício, o que torna esta ocasião tão especial é a rica história que ele abriga”, disse Obama durante a cerimônia, da qual participaram personalidades como o cantor Stevie Wonder e a apresentadora de TV Oprah Winfrey.

 

“A história afro-americana não está separada da nossa grande história americana. Não é a parte inferior da história americana. É parte central da história americana”, expressou.

 

 

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama inaugura museu afro-americano em Washington (Foto: Zach Gibson / AFP)

 

 

O museu foi concebido originalmente em 1915, quando veteranos da guerra civil americana buscavam uma maneira de homenagear a experiência dos afro-americanos no conflito.

 

A construção foi finalmente aprovada numa lei assinada pelo ex-presidente George W. Bush em 2003. O prédio tem uma localização privilegiada, próxima à Casa Branca e ao Monumento de Washington, e abriga 34 mil objetos, tendo sido quase a metade deles doados.

 

Tensão racial

 

A inauguração acontece em um contexto de forte tensão racial, enquanto cresce a indignação no país diante da morte de negros por policiais. O caso mais recente gerou protestos em Charlotte, Carolina do Norte (sudeste).

 

Este é o primeiro museu nacional dedicado a documentar as verdades incômodas envolvendo a opressão sistemática sofrida pelos negros no país, ao mesmo tempo em que homenageia o papel da cultura afro-americana.

 

“Uma visão clara da história pode nos incomodar (…) mas é, precisamente, a partir deste incômodo que aprendemos e crescemos, e aproveitamos o poder coletivo para tornar esta nação perfeita”.

 

Eleito em meio a uma onda de otimismo, em 2008, Obama prometeu unificação, reiterando que não era presidente dos negros, e sim de todos os americanos. Mas seu mandato termina e as pesquisas mostram que a ampla maioria dos americanos vêem as relações inter-raciais como “em geral, ruins”.

 

Os tiroteios recentes em que negros foram mortos pelas polícias de Tulsa (Oklahoma, sudoeste) e Charlotte (Carolina do Norte, sudeste) voltaram a expor os problemas raciais do país.

 

 

Stevie Wonder se apresenta na inauguração do Museu Afro-Americano, em Washington (Foto: Yuri Gripas / Reuters)

 

 

“Mesmo diante de dificuldades inimagináveis, os Estados Unidos avançaram. E este museu contextualiza os debates do nosso tempo.”

 

“Talvez possa ajudar um visitante branco a compreender o sofrimento e a indignação dos manifestantes em lugares como Ferguson e Charlotte”, assinalou.

 

O museu mostra “que este país, nascido da mudança, este país, nascido de uma revolução, este país, nosso, do povo, este país pode ser melhor”, disse o presidente.

 

http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=315156&codDep=24

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Angola: Pagamentos em kwanzas e reais nas trocas comerciais com o Brasil

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Kumuênho da Rosa |
14 de Abril, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

As diplomacias de Angola e do Brasil estudam a possibilidade de um acordo para pagamentos bilaterais nas transacções comerciais em moedas nacionais dos dois países, disse ontem em Luanda o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Em declarações à imprensa, ao sair do Palácio Presidencial da Cidade Alta, onde foi recebido em audiência pelo Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, Mauro Vieira disse que essa segunda estada em Luanda, em mesmos de um ano, “prova a importância e a alta prioridade atribuída pelo governo brasileiro às relações de Estado”, entre o Brasil e Angola.

Duas economias seriamente afetadas pela forte queda do preço do petróleo no mercado internacional, cujo impacto na arrecadação de receitas levou à adoção de medidas de recurso para tentar manter a estabilidade e apontar para o crescimento econômico, a médio prazo, Angola e o Brasil procuram reorientar a sua estratégia de cooperação, focados numa solução que salvaguarda os interesses dos dois Estados.
Segundo o chefe da diplomacia brasileira, o encontro de ontem com o Presidente angolano serviu para abordar “todos os temas de interesse das relações bilaterais, as questões regionais que interessam aos dois países”, além dos grandes temas globais.
“Tive também a ocasião de explicar ao Presidente José Eduardo dos Santos os detalhes do momento político que se vive no Brasil, as questões econômicas que o Governo brasileiro tem enfrentado com a queda do preço internacional das commodities de que o Brasil é exportador, da redução da arrecadação fiscal do Estado brasileiro e dos programas que o Governo brasileiro pôs em marcha justamente para contrapor a essas circunstâncias negativas e promover o crescimento econômico a curto prazo”, assinalou. O encontro durou perto de uma hora e serviu, como referiu Mauro Vieira, para tratar das questões bilaterais mais importantes.

“Tratamos da questão do acordo de cooperação e facilitação de investimentos, que tratamos no ano passado quando estive aqui, e das próximas reuniões do contexto deste mesmo acordo, que é muito importante”.
A ocasião serviu também para discutir questões de cooperação na área da Defesa, da Saúde e Educação. “Na verdade, temos uma amplíssima gama de temas que são importantes para as relações entre os dois Estados, que são prioritárias e fundamentais”, declarou.
O Presidente da República efetuou em Junho de 2014 uma visita ao Brasil, ocasião que serviu para assinatura de acordos sectoriais. Um dos acordos tem a ver com a facilitação de vistos, com esperado reflexo no trânsito entre os cidadãos, mas também entre os empresários dos dois países, que assim passaram a poder buscar novas parcerias de uma maneira mais ágil, livres de burocracias na concessão de vistos. Angola vive atualmente uma fase em que o Estado procura ter um papel ativo como indutor de certos investimentos, tal como aconteceu no Brasil anos atrás e que conseguiu resultados muito positivos em termos de diversificação do seu parque industrial, com uma política feita ao longo de décadas de substituição das importações.

Chikoti condecorado

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, foi ontem condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta distinção do Estado brasileiro para personalidades estrangeiras. O título foi entregue pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que está desde ontem em visita oficial a Angola.

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A Ordem do Cruzeiro do Sul é uma condecoração concedida pelo Presidente do Brasil, a título de homenagem a “pessoas notáveis” nascidas fora do país. “A criação desta comenda remete à época de Dom Pedro I, que a cunhou com o nome de Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul no dia 1 de Dezembro do ano de 1822, como um ícone do poder do império no Brasil, já que surgiu após a independência. Grandes personalidades estrangeiras como o revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, o político peruano Alberto Fujimori, Yuri Gagarin, Rainha Isabel II, Dwight D. Eisenhower, Chiara Lubich e Alain Prost foram condecorados com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
Com a alteração do nome, que deixou de ser imperial para se tornar nacional, também foi alterada a regra para a condecoração. Se antes o título era dirigido tanto a estrangeiros quanto a brasileiros, após essa alteração, o título passou a ser unicamente para estrangeiros. A concessão da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul só pode ser feita através de Decreto Presidencial, sendo considerada uma ação referente a relações exteriores. Apesar de ser uma atribuição relacionada somente a pessoas nascidas fora do Brasil, o título é geralmente concedido a estrangeiros que tenham feito grandes contribuições para o país.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/pagamentos_em_kwanzas_e_reais__nas_trocas_comerciais_com_o_brasil

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Uma feliz história de sucesso: nova vacina para combater a meningite do tipo A

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Roger Godwin |

Após cinco anos de experiências mantidas em absoluto segredo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de anunciar a descoberta de uma nova vacina para combater a meningite do tipo A, uma das muitas doenças que espalham o terror e semeiam a morte um pouco por todo o continente africano.

Como repetidamente sucede, o continente africano foi novamente palco de mais uma enorme experiência científica que consistiu na aplicação da vacina MenAfriVac em milhares de pessoas, com o propósito de testar a sua eficácia no combate a esta doença.

Os países escolhidos para testar gratuitamente a vacina foram a Gâmbia, Mauritânia, Senegal, Guiné, Mali, Costa do Marfim, Burkina Faso, Benin, Camarões, Nigéria, Níger, Chade, Sudão e Etiópia.

De acordo com os técnicos da Organização Mundial de Saúde (OMS), a experiência teve efeitos “altamente positivos”, ao ponto de fazer com que fosse autorizada a sua comercialização.
Trata-se, a fazer fé nesses especialistas, de uma das poucas histórias de sucesso realizadas no continente africano no que respeita ao teste de medicamentos inovadores.

Esta não é, longe disso, a primeira vez que África serve de enorme laboratório para experiências deste tipo, umas que dão mal (a maioria) e outras que, felizmente, têm efeitos positivos, como parece ser agora o caso.

E tanto assim é que a vacina vai já em breve ser libertada, também gratuitamente, numa primeira fase, para ser aplicada em mais uma série de países, como a Eritreia, República Centro Africana, Sudão do Sul, Congo Brazzaville, Ruanda, Burundi, Quênia e Tanzânia.

A Organização Mundial de Saúde, ao anunciar o sucesso desta vacina, destacou o facto da meningite matar anualmente em África milhares de pessoas, na sua maioria crianças e jovens adultos, resultando, nalguns países, numa das maiores causas de morte.

É evidente que se terá que sublinhar a importância desta nova vacina, mas, por outro lado, também terá que se questionar a legitimidade da sistemática utilização de países africanos para a realização deste tipo de testes. Alguns especialistas referem que esta metodologia sucedeu, recentemente, com o combate ao vírus do ébola recaíndo sobre a Organização Mundial de Saúde a forte suspeita de ter aproveitado a situação para testar em doentes uma série de medicamentos que, supostamente, seriam capazes de curar a doença, sem que estes estivessem previamente aprovados.

O grande problema é que a Organização Mundial de Saúde, que é bem célere a anunciar os seus sucessos, demora demasiado tempo a reconhecer os fracassos, e quando o faz, tenta sempre distribuir responsabilidades por entre outros atores do processo.
E isso é perfeitamente fácil porque é sabida a influência que alguns dos grandes laboratórios de medicamentos têm no funcionamento da organização e nas próprias decisões que ela é obrigada a tomar em diferentes circunstâncias. É também importante sublinhar que nalgums países o sistema de saúde depende, fundamentalmente, da ajuda externa, o que o deixa mais exposto a este tipo de situações, uma vez que entrega nas mãos das instituições internacionais a organização e realização das campanhas de vacinação.

Esta realidade faz com que muitas dessas campanhas sejam desenvolvidas sem qualquer tipo de vigilância ou acompanhamento por parte dos governos, abrindo assim o caminho para toda uma série de eventuais experiências.
No caso concreto desta vacina contra a meningite do tipo A, o sucesso parece ser indiscutível, conforme já foi reconhecido, inclusive, por alguns governos dos países que a receberam. De acordo com alguns dados que foram entretanto divulgados, a campanha de vacinação abrangeu apenas pessoas com menos de 29 anos de idade e pretendia cobrir cerca de 70 por cento do total da população africana.
A Organização Mundial de Saúde explicou estes dados com o facto de a doença ser mais agressiva para pessoas com a idade de até 29 anos e, também, pelo facto de serem os países inicialmente abrangidos aqueles que mais dificuldades têm em prestar esse tipo de cuidados às suas populações.
Aliás, para tornar a aplicação da vacina uma rotina para os países que foram agora beneficiados, a OMS planeia arrancar com a criação de um fundo internacional de assistência, de modo a que possam ser vacinados todos os recém-nascidos. A acompanhar esta ideia, a OMS avançou com o reconhecimento de que fica mais barato prevenir a doença com a vacina do que tratar os doentes que já contraíram por não terem recebido a vacina.

Um outro problema que a Organização Mundial de Saúde terá que resolver, esse mais de carácter político, é o de convencer, ou acompanhar, os países a aplicarem o dinheiro desse fundo internacional de assistência em campanhas de vacinação, não só contra a meningite mas também contra outro tipo de doenças que continuam a afligir as populações africanas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/mundo_africano/uma_feliz_historia_de_sucesso