Menu

Entrevista com Irene Neto, filha do primeiro presidente de Angola

Bernardino Manje

Irene Alexandra da Silva Neto é filha de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola. Em entrevista ao Jornal de Angola, diz que quase nada se fala sobre o pai. A este diário, ela fala sobre alguns momentos marcantes da vida do pai, que, se estivesse vivo, completaria hoje 96 anos, e sobre o que a família passou depois da sua morte. Irene Neto acredita que se Agostinho Neto não morresse prematuramente, o país teria sido pacificado em 1979 ou 1980 porque ele já estava a negociar com os americanos e sul-africanos e tinha iniciado contactos para dialogar com Jonas Savimbi. Irene considera a morte do pai um assunto obscuro que apenas será desvendado no futuro. A filha de Neto defende a clarificação dos factos sobre a data da fundação do MPLA e diz ser hora de reconhecer os feitos de todos os que contribuíram para a emancipação de Angola.

Fotografia: Kindala Manuel | Edições novembro

Dra quais são, para si, os momentos marcantes da vida de Agostinho Neto no ambiente familiar e na política?
Na sua vida familiar, terão sido, em minha opinião, a conclusão do seu curso liceal que foi bastante demorado por razões familiares, o trabalho como funcionário da administração pública colonial nos serviços de saúde e o choque com a realidade social em Malanje e no Bié, onde foi confrontado com problemas raciais; a morte do pai em 1944; a licenciatura em Medicina em Lisboa intervalada de prisões; o seu casamento com Maria Eugénia da Silva em Lisboa e o nascimento dos seus filhos, suponho eu. Na política, sem sombras de dúvidas, terá sido a conquista e a proclamação da Independência de Angola depois de ter liderado a luta de libertação nacional. Mas muitos outros episódios o terão marcado no longo percurso desde as prisões  ao degredo nas ilhas solitárias e isoladas de Cabo Verde, aos amigos que fez para toda a vida durante os anos universitários, a experiência de vida estudantil e de luta académica e política na Casa dos Estudantes do Império, no MUD Juvenil em Portugal, na criação do Clube dos Marítimos, do Movimento Anti-Colonial, das tertúlias no Centro de Estudos Africanos e a criação das diversas formações políticas por onde passou e se foram criando como balões de ensaio para chegar ao objectivo final de ser livre: CONCP, MINA, MPLA. As batalhas diplomáticas e lenta progressão da guerrilha durante a luta de libertação nacional. O regresso a Angola. Sem dúvida, o regresso apoteótico a Luanda, tão cantado em “Havemos de voltar”. A vitória sobre o exército sul-africano em 27 de Março de 1976, celebrado com um novo Carnaval.  As vitórias das campanhas de alfabetização. O julgamento dos mercenários. A trágica tentativa de golpe de Estado de 27 de Maio de 1977. O esforço titânico para acabar com a guerra em Angola.

O que acha que ainda não foi dito sobre Agostinho Neto?
Quase tudo. As pessoas não conhecem a sua biografia nem a sua história. Nunca foi escrita a biografia de Agostinho Neto. Mas teremos novidades dentro em breve. A sua obra poética tem sido estudada mas ainda falta o estudo da sua vastíssima obra política. A visão política de Agostinho Neto é muito pouco conhecida. O esforço da Fundação já está a produzir frutos. Mas ainda estamos no começo de uma longa jornada intelectual e de divulgação das suas ideias. O amor que Agostinho Neto tinha pelo seu povo e pela sua terra e a sua rectidão ética e qualidade moral continuam ímpares e únicas em Angola.

Como é que a família recebeu a decisão do MPLA de aprovar um estatuto que confere a Agostinho Neto e a José Eduardo dos Santos o título de “presidente emérito” do MPLA?
A família considerou inoportuna, desnecessária e desapropriada a atribuição dos títulos propostos porque o momento da sucessão na liderança no seio do MPLA não se deveria centrar no Presidente António Agostinho Neto e sim nos Presidentes cessante e eleito do MPLA. O Presidente Agostinho Neto já tinha sido homenageado como Presidente Honorário do MPLA em 1961, condecorado com a Ordem do Herói Nacional em 2 de Dezembro de 1977, com a Ordem do Herói Nacional do Trabalho em 2 de Outubro de 1978, a Medalha 1º de Agosto em 30 de Julho de 1990, a Medalha de Combatente da Luta Clandestina em 13 de Agosto de 1990, a Medalha de Guerrilheiro do MPLA de 1ª classe, na mesma data, e a Medalha dos 50 Anos do MPLA aos 10 de Dezembro de 2006. Consideramos que Agostinho Neto, militante de reconhecida distinção e mérito,foi Presidente do MPLA durante a luta de libertação nacional, conquistou a Independência, fundou a Nação angolana e governou a 1ª República. Logo, a sua homenagem devia ser singular e distinta dos demais Presidentes do MPLA. Felizmente, este ponto de vista foi adoptado pelo MPLA e anunciado pelo Presidente João Lourenço no discurso de encerramento do VI Congresso Extraordinário do MPLA, realizado no passado dia 8 de Setembro e ocorrerá numa data de relevância como será o Centenário de Agostinho Neto em 2022.

A Dra. Irene Neto, na qualidade de filha de Agostinho Neto, está plenamente satisfeita com a homenagem que o Estado fez até hoje à figura do primeiro Presidente de Angola?
Houve em certo momento da nossa vida recente, uma tentativa de amnésia selectiva quer de Agostinho Neto quer da luta de libertação nacional. Considero injusto e pecaminoso esse processo de roubar os alicerces da nossa identidade nacional revolucionária e deixar vulneráveis as gerações pós-Independência, sem conhecimento, sem referências positivas, sem orgulho nacional, sem auto-estima, desmemoriados,desnorteados e deserdados da sua ascendência combativa e atreitos a futilidades e vícios destrutivos.

Como a família Neto viveu o processo de luto, sobretudo, nos primeiros dias do desaparecimento físico de Agostinho Neto?
Dificilmente. Foi uma morte abrupta, não anunciada, apesar do meu pai já estar doente. O facto de nos terem mantido a todos, população e filhos, à margem da sua doença e de ter partido para Moscovo sem se despedir de nós, foi devastador. Mais ainda quando tomaram a decisão unilateral de ser operado e não nos mandaram chamar. Apenas a minha mãe e a tia Ruth estavam em Moscovo, por parte da família. As outras pessoas eram do MPLA. Sermos filhos não nos dava o privilégio de sermos informados. Como se a saúde do meu pai fosse apenas um assunto de Estado. Considerei uma cobardia essa atitude. Até para nos darem a notícia da sua morte, esperaram pelo anúncio público através da Rádio Nacional de Angola. Sinceramente!  E depois foram 13  exéquias  fúnebres de 1979 a 1992, sujeitando-nos ao trauma de reviver o luto, todos os anos, publicamente e em directo para as câmaras da TPA.

Quem já a ouviu falar sobre Agostinho Neto ou lido textos com base em declarações suas fica com a nítida impressão de que a família se sentiu, em alguns períodos, abandonada pelo Estado. Esta leitura é correcta? 
É. Não é impressão mas a pura verdade.

Foi pacífico o processo de transferência da família de Agostinho Neto da residência onde vivia, no Futungo de Belas, para a vivenda localizada no Miramar?
A transferência foi pacífica. O processo que levou à mudança, não o foi. Muitas dificuldades começaram a surgir com a nossa presença no Futungo, a quererem confinar-nos aos estritos limites do nosso jardim e a limitar a entrada dos nossos convidados. Já ninguém ousava visitar-nos pois tinham de enfrentar batalhões hostis da segurança, o que não era nada agradável e intimidava as pessoas. Começámos a ficar isolados. As entradas e saídas para a escola e faculdade tornaram-se um martírio e focos de atrito por vezes bastante fortes. Nós já tínhamos percebido que o nosso pai já não era o Presidente da República. Não por ter sido destituído. Morreu em funções. Mas é assim, novos chefes transformam toda a cadeia e os subalternos julgam que serão mais leais ao novel poder se maltratarem os anteriores dignitários. A grandeza das pessoas vê-se pela forma como tratam os outros, em quaisquer circunstâncias. Somos dignos de respeito e consideração estando ou não no poder. A não ser que tenhamos cometido crimes de lesa-pátria que não devem permanecer impunes.

É ou não verdade que a residência do Futungo de Belas foi oferecida por um português a Agostinho Neto? Caso seja verdade, quero que me diga se a propriedade foi restituída à sua família.
A casa do Futungo foi adquirida pelo MPLA para o Presidente António Agostinho Neto antes de 11 de Novembro de 1975. A propriedade continua connosco, assim como o antigo escritório do Presidente Neto, mas os imóveis necessitam de restauro urgente. A proximidade do mar traz desafios de conviver e combater o efeito corrosivo do salitre. Somos os curadores da história recente do país e temos noção da necessidade de preservação desse património tangível que se transformará em um marco museológico importante no futuro pois foi aí que o primeiro Presidente da República Popular de Angola exerceu as funções governativas. Qualquer dia esses imóveis serão necessariamente reconhecidos e classificados como património histórico da cidade e do país.

Que país teríamos se Agostinho Neto tivesse governado mais tempo?
Não teria ficado no poder durante 38 anos pois era sua vontade deixar a Presidência da República e ficar apenas no MPLA. As opções políticas e ideológicas teriam beneficiado as populações ao invés de privilegiar certas castas políticas ou económicas. Angola teria sido pacificada em 1979 ou 1980 e teríamos poupado o povo de tantas mortes e destruições. Agostinho Neto estava a negociar com os americanos e sul-africanos. E tinha iniciado contactos para falar com Jonas Savimbi. Já tinha falado com Mobutu Sese Seko que até visitou Luanda.

A Dra. Irene Neto já publicamente apresentou contestação da sua família à forma como alguns investigadores da História de Angola analisam o papel de Agostinho Neto na vaga de repressão ao movimento de 27 de Maio de 1977, tendo inclusive intentado uma acção judicial contra a já falecida historiadora Dalila Cabrita. O “27 de Maio” tem  tirado  sossego à família Neto?
O 27 de Maio é um dossier que diz respeito ao povo angolano, às super-potências da Guerra Fria e à forma como se traiu a revolução, 18 meses depois da Independência. É um cenário muito comum de intervenção externa em demasiados países do mundo. A nossa família sempre defendeu a ideia de se realizar uma comissão da verdade e reconciliação, para apurar a verdade, conhecer os factos e sarar as feridas, proposta hoje extemporânea. Não aceitamos de forma alguma o revisionismo actual e a narrativa de vitimização dos agressores que despoletaram uma resposta descontrolada que marcou um antes e um depois no processo de confiança na revolução angolana. Ainda não se sanearam as chagas abertas mas já é tempo para seguirmos em frente sem reminiscências doentias e ressabiadas no passado.

No VI Congresso Extraordinário do MPLA, João Lourenço identificou-se como o quinto presidente do partido, tendo aberto uma discussão à volta da verdadeira história do MPLA. Na sua opinião, foi feita uma correcção histórica ou concorda com os que dizem que o seu pai é o primeiro presidente do MPLA?
A história tem de facto de ser contada com rigor e esse processo deverá iniciar algum dia. Há maturidade suficiente para saber entender as estratégias políticas e tácticas de uns e outros na luta pela libertação nacional. O Manifesto escrito por Viriato da Cruz em 1956 é um marco histórico. A adopção da data de 10 de Dezembro de 1956 como data da criação do MPLA é uma convenção. O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) é criado dentro e fora do país, em simultâneo em 1960. Deriva do Movimento da Independência Nacional de Angola (MINA) cujo líder era Agostinho Neto. É nessa altura que Manuel Pacavira é enviado por Agostinho Neto, de Luanda para Brazzaville, para contactar com camaradas como Lúcio Lara e outros e se decidem pela transformação do MINA em MPLA.Ilídio Machado era do PLUA. Em 1959, é preso pela PIDE, antes de conseguir reunir todas as organizações cívicas e políticas num só movimento. Não se pode dizer com rigor que foi o primeiro presidente do MPLA. Podemos afirmar que o primeiro presidente do MPLA foi Mário Pinto de Andra. De pois Agostinho Neto é preso em 8 de Junho de 1960. Assim, com rigor, o Presidente João Lourenço seria efectivamente o 4º presidente do MPLA. Mas se considerarmos a narrativa da criação do MPLA em 1956 e tivermos Ilídio Machado como presidente dessa formação política, teríamos cinco presidentes até à presente data. Confuso?  Há que clarificar os factos sobre a data de fundação do MPLA. Seja como for, tornar conhecida a nossa história é um dever da nossa sociedade. E é hora de reconhecer os feitos de todos os que contribuíram para a emancipação de Angola.

Acredito que a maioria dos angolanos tem, há muito tempo, uma curiosidade: Agostinho Neto trouxe ao mundo três filhos, mas apenas um, no caso a senhora, tem uma vida com visibilidade pública. O que fazem os outros filhos?
Os meus irmãos vivem a sua vida.

Vai ao Memorial com alguma frequência?
Bastante frequência. Realizamos muitas actividades no Memorial e colaboramos sempre com o seu Conselho de Administração. Somos os guardiões de Agostinho Neto a quem estamos unidos por ser a nossa matriz, o nosso norte e a nossa bússola.

Alguma vez foi cogitada na família a possibilidade de os restos mortais de Agostinho Neto serem sepultados?        
Esta hipótese foi sugerida há anos atrás quando o Palácio Presidencial entrou em obras de restauro e o corpo do Presidente António Agostinho Neto foi colocado no Mausoléu inacabado desde 1992 e por mais 13 anos, sujeito a intempéries e a condições indignas.  As obras do Memorial retomaram em 2005 e o mesmo só foi concluído em 2011, 29 anos após o lançamento da primeira pedra, depois de ter havido vários descaminhos e desfalques das verbas orçamentais, e por persistência da família ante os atrasos e as tentativas de não o concluírem e removerem o corpo para um outro local.

Conservar um corpo embalsamado requer manutenções periódicas. Sendo um assunto de interesse público, quero que me diga o estado de conservação do corpo de Agostinho Neto.
É de interesse público saber que desde 1992 quando se transladou o sarcófago de Agostinho Neto, numa procissão a pé desde o Palácio do Povo, na Colina de São José, até à Praia do Bispo, abandonou-se o processo de embalsamamento do seu corpo. Há quem ainda acredite hoje que o seu corpo esteja embalsamado?

Embora nunca tenha havido um pronunciamento oficial do Estado angolano, a causa da morte de Agostinho Neto divide opiniões, com alguns a admitirem que tenha sido morto pela então União Soviética. Esta suspeição tem, para a família de Neto, alguma sustentação ou fundamento?
Este é um assunto obscuro que apenas será desvendado no futuro. No entanto, reservo-me o direito de questionar procedimentos e o desfecho da intervenção cirúrgica enquanto profissional de saúde.

A família de Agostinho Neto já admitiu a possibilidade de realização de exames forenses para que não se tenha mais dúvidas?
Obviamente que sim mas não há exames forenses possíveis quando ao corpo foram retiradas as vísceras antes de voltar a  Angola num caixão, alegadamente para efeitos de embalsamamento e mumificação, e essas mesmas vísceras não nos foram entregues. A decisão de embalsamar e profanar o corpo do meu pai não foi tomada pela família em momento algum. Foi uma decisão do Comité Central do MPLA. Recordo-me perfeitamente da falta de respeito ante a morte do chefe, quando alguns médicos tiveram a incumbência de tratar do meu pai. Sendo médica, sei o quão insensíveis a nossa profissão pode tornar-nos, de tanto lidar com a morte e cadáveres. Mas o que ocorreu, para algumas dessas pessoas, não foi uma deformação profissional, foi mesmo uma deformação humana e política. Pessoas pequenas…

Quando Irene Neto decidiu entrar para a política activa, traçou etapas? Ou seja, ambiciona assumir o cargo que um dia o seu pai ocupou?
O nosso trajecto político é apenas a vontade de contribuir para o bem de Angola. É um compromisso geracional de honra para cumprir as metas traçadas para o desenvolvimento do nosso país e do nosso povo. Tenho tido a felicidade de viver uma vida multifacetada, em diversas áreas para servir as pessoas. Na medicina, no ensino, na diplomacia, na militância política e na cultura. Sou uma cidadã com direitos e obrigações. Não aceito ser menorizada nem discriminada. Julgo que tivemos mais velhos que não nos quiseram deixar viver plenamente, que foram egoístas e maléficos, que nos fizeram perder a nossa juventude, vigor e força, com histórias da carochinha de que era muito cedo, de que tínhamos muito tempo ainda. Ora, o tempo é algo que apenas se esgota, não fica em pausa à espera de ninguém. Podíamos ter feito muito mais e melhor. Agora, haverá ou não a oportunidade de vencer esses degraus, caso as circunstâncias se propiciem, decorrendo da necessidade ou vontade de ajudar o MPLA, se este quiser mudar de rumo e construir o país adiado e quase à deriva. É uma tarefa hercúlea que necessita de união e da congregação da vontade de todos os compatriotas e também de uma liderança adequada.

Que futuro tem o MPLA com João Lourenço à frente dos destinos do partido?
Não sou vidente, não sei qual será o futuro. Mas há várias opções e há esta oportunidade para mudar o estado das coisas e voltar a devolver ao MPLA a iniciativa e a liderança. O MPLA terá de voltar a ser a vanguarda do povo.

PERFIL

Irene Alexandra
da Silva Neto

Data e local de nascimento: 23 de Julho de 1961, em Lisboa
Estado civil: Casada com o economista, empresário e escritor angolano Carlos de São Vicente, mãe de três filhos e avó de uma neta

Formação académica
– 1965-1970: Escola primária no Congo Brazzaville e Tanganyika
– 1975-1977: Liceu Mutu ya Kevela
– 1977-1978: Pré-universitário
– 1979-1985: Faculdade de Medicina
– 1993-1997: Mestrado em Oftalmologia pelo Instituto Dr. Gama Pinto, em Lisboa

Cargos relevantes
– 2005-2008: Vice-ministra para a Cooperação no Ministério das Relações Exteriores (foi a primeira mulher a exercer esse cargo no pós-guerra)
– 2008-2010 e 2012-2017: Deputada à Assembleia Nacional, onde chegou a presidente da 7ª Comissão
– 2010 – Membro da Comissão Constitucional

fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/morte_de__agostinho_neto__atrasou_a_pacificacao__de_angola

Advertisements

Cerimônia do Prêmio Internacional de Investigação Histórica ” Agostinho Neto”

 

 aa00101

NOTA DE IMPRENSA

FESTINETO 2018

Cerimónia de Outorga do Prémio Internacional de Investigação Histórica “Agostinho Neto”

 

No âmbito das celebrações alusivas ao “Dia do Herói Nacional e do Fundador da Nação” e por ocasião da 8ª edição do FESTINETO, um evento com várias actividades sócio-culturais, científicas e desportivas a decorrer na província de Luanda, no período de 10 a 17 de Setembro, a Fundação Dr. António Agostinho Neto programou a cerimónia de Outorga do Prémio Internacional de Investigação Histórica “Agostinho Neto” para o dia 17 de Setembro no Memorial António Agostinho Neto, às 9h, após a deposição de uma coroa de flores no sarcófago do Fundador da Nação.

aa00100

O Prémio Internacional de Investigação Histórica “Agostinho Neto”, de carácter bianual, encontra-se na 2ª edição de 2017-2018 e consiste na promoção e incentivo da investigação histórica sobre Angola, África, Brasil e suas Diásporas. O Prémio é co-organizado pela Fundação Dr. António Agostinho Neto, pelo Instituto Afro-brasileiro de Ensino Superior, representado pela Faculdade Zumbi dos Palmares e conta com a participação da UNESCO no Júri, sendo os vencedores premiados com o valor de USD 50.000 e um troféu. A obra do vencedor do Prémio será lançada durante o evento, contando com a presença do autor e dos membros do Júri internacional.

Pelo elevado interesse público, vimos solicitar a ampla divulgação e a cobertura do evento.

FUNDAÇÃO DR. ANTÓNIO AGOSTINHO NETO, em Luanda aos 11 de Setembro de 2018.

Irene Neto , defende o patrimônio cultural angolano

IREN NETO1

A necessidade da preservação e contínua divulgação do património material e imaterial do país foi advogada, segunda-feira, em Mbanza Kongo, pela presidente do Conselho de Administração da Fundação António Agostinho Neto (FAAN), Irene Neto.

Falando num encontro com jornalistas de diversos órgãos públicos e privados, Irene Neto sublinhou a necessidade de manter viva a memória colectiva da actual geração para que não caia no desconhecimento.

Universidade Agostinho Neto em Angola pode vir a cobrar mensalidades.

A Universidade Agostinho Neto (UAN) vai apresentar à Assembleia Nacional uma proposta para regular a cobrança de propinas aos estudantes das unidades orgânicas como forma de garantir melhor qualidade ao ensino e à gestão, anunciou ontem, em Luanda, o vice-reitor da universidade pública para a Área de Gestão, Pepe de Gove.

Deputados da comissão de especialidade reuniram ontem com os responsáveis da UAN
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

O académico, que apresentou a proposta durante um encontro com os deputados da VI Comissão de trabalhos da Assembleia Nacional, garantiu que a UAN tem já elaborada a proposta para apresentar ao Parlamento.
“Não há nenhuma legislação que diz que o ensino superior é gratuito. Falta vontade política para inverter o quadro” , disse o académico, acrescentando que a UAN não pode continuar a depender do Orçamento Geral do Estado. Pepe de Gove lembrou que não há no mundo ensino superior gratuito. O docente universitário afirmou que em universidades modernas o orçamento é feito à base do custo do estudante.
O vice-reitor da UAN para Área  de Gestão falou das várias dificuldades vivida pela instituição e destacou que a conclusão das obras no Campus Universitário está atrasada devido a dívidas com empreiteiros.
Pepe de Gove pediu a intervenção dos deputados para ultrapassar os vários problemas sentidos na Universidade Agostinho Neto.
O reitor da UAN, Pedro Magalhães, reforçou, na ocasião, que a Lei de Base do Ensino Superior estabelece que a gratuidade de ensino vai até à nona classe, mas não regulamenta como se pode praticar a questão das propinas no Ensino Superior. “Seria bom que isso estivesse estabelecido para termos um suporte legal”, disse.

Novos docentes
A UAN quer urgência na admissão e promoção dos docentes. Segundo informações dada aos parlamentares, o processo para a admissão de docentes encontra-se, há mais de oito meses, no Tribunal de Contas sem resposta.
Os docentes pediram um concurso especial para Universidade Agostinho Neto que carece de docentes em todas unidades orgânicas.  A universidade remeteu ao Executivo a proposta de um total de 827/ano. O reitor falou de problemas relacionados com os cursos de licenciaturas, bacharelatos e pós-graduação, que contam com escassez de recursos humanos, que, na sua opinião, está a afectar a qualidade dos serviços prestados à população.
“Há faculdades que se encontram numa situação mais difícil em termos de recursos humanos, há aquelas que já funcionaram há dois ou três anos e, neste momento, estão com uma grande escassez de recursos humanos”, afirmou o reitor.
A UAN tem actualmente um total de sete faculdades e conta com 27.824 estudantes, divididos em estudantes de graduação, num total de 80 por cento, e 1.833 estudantes de pós-graduação. A universidade conta com um total de 53 cursos, dos quais 45 de licenciatura e oito de pós-graduação.
Pedro Magalhães disse que, dos projectos que a universidade, tem, num total de 155, grande parte deles definidos 2016, estão condicionados devido à falta de recursos financeiros.
A vice-reitora para Área de Investigação Científica e Pós-Graduação, Maria Antonieta Baptista, adiantou que a UAN, devido à falta de laboratórios, tem como estratégia estimular parcerias com instituições do Ensino Superior, públicas e privadas.

Posição dos deputados
O presidente da Comissão de Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia da Assembleia Nacional, Manuel da Cruz Neto, reconheceu as dificuldades da universidade e, por isso, os trabalhos universitários ficam “altamente comprometidos”. Quanto ao pagamento de propinas, o parlamentar concorda que nenhuma legislação proíbe a cobrança de propinas. “É preciso começar por aí. Nada nos impede de assumir-mos um compromisso de melhoria do ensino”, disse.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/universidade_publica__pode_cobrar_propinas

PRÊMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO

REGULAMENTO DO PRÊMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO

aaapol1

Artigo 1 (Objecto, patrocínio, âmbito)

A Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN) e o Instituto Afro-brasileiro de Ensino Superior (IABES), representado pela Faculdade Zumbi dos Palmares (FZP), promovem um concurso internacional, de dois em dois anos, designado

PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO, nos termos e condições deste regulamento.
O PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA  AGOSTINHO NETO é patrocinado pela FAAN e pelo IABES.

O PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO destina-se a galardoar as obras de investigação escritas sobre Agostinho Neto, Angola, África, Brasil, a Diáspora e Afrodescendentes que contribuam para o melhor conhecimento da história de Angola, do Brasil e de África.

Artigo 2 (Periodicidade e Prémio)

1. Este concurso atribui, bianualmente, à melhor obra, o PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO
NETO.

2. Ao(s) autor(es) da obra distinguida com o PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO será entregue um diploma, um troféu e a quantia equivalente a 50.000,00 USD (cinquenta mil Dólares dos EUA).

Artigo 3 (Autor)

1. Considera-se o autor, para efeitos do presente regulamento, uma ou mais pessoas que tenham produzido o trabalho de investigação.
2. Serão admitidas a concurso obras de autoria de angolanos, de brasileiros e de outras nacionalidades.
3. Recomenda-se, quando possível, o registo das obras no órgão competente de registo dos direitos de autor.
4. O original deve ser impresso em folhas de papel de cor branca e tamanho A4, O texto deve estar formatado em tamanho 12, tipo de letra Times News Roman. As páginas devem estar numeradas, ordenadas e conter o título da obra e o nome do autor.
5. Na primeira folha deve vir indicado o título da obra e o nome do autor.
6. Terá de ser apresentado um resumo com o máximo de três folhas que deverá exprimir correctamente o conteúdo do trabalho, de modo a permitir uma primeira análise quanto à admissibilidade a concurso.
7. Os trabalhos devem ser escritos em língua portuguesa e enviados em suporte digital (CD, pendrive ou por correio electrónico).

Artigo 4 (Secretariado do Prémio)

Os trabalhos para candidatura devem ser enviados até ao dia 31 de Março ao Secretariado do Prémio:
a) Em Angola: 2 Exemplares para a Fundação Dr. António Agostinho Neto, sita na Rua Major Kanhangulo, Nº 10, Luanda, Angola. E-mail: fundagostinhoneto@gmail.com. Telefone: (+244) 222335431. Fax: (+244) 222332474.
b) No Brasil: 2 Exemplares para o Instituto Afrobrasileiro de Ensino Superior – CNPJ 05.234.052/0001-46, Avenida Santos Dumont, 843, CEP 01101-000, Bairro Ponte Pequena, Município de São Paulo, Estado de São Paulo, Brasil
Ou

Para a Fundação Zumbi dos Palmares, sita na Rua Santos Dumont, Nº 843, Armênia, São Paulo, SP, Brasil. E-mails: jose.vicente@unipalmares.edu.br e ivairs@gmail.com (011)3325-1000.
Artigo 5 (Documentação)

A acompanhar a apresentação do original a que se refere o artigo 4º, deverá ser entregue a identificação completa mediante a documentação seguinte:

1. Fotocópia do Bilhete de Identidade
2. Residência dos autores da obra
3. Títulos académicos
4. Curriculum profissional
5. A declaração constante do artigo 6º, será assinada pelo autor ou autores da obra.

Artigo 6 (Declaração)

Os autores das obras candidatas devem subscrever, como condição para a sua admissibilidade, a seguinte declaração:

Nome (identificação completa do autor, incluindo a nacionalidade) do autor ou autores em colaboração da obra intelectual sobre o tema (identificação do tema) e com o título (identificação do título), candidata-se ao PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO, ano respectivo, declara(m) ter tomado conhecimento, nesta data, do teor completo do regulamento, com o qual concorda(m) plenamente. Assim aceita(m) colaborar com a organização do PRÉMIO em tudo o que está estipulado no referido regulamento.
Expressamente autoriza(m) a utilização do original e cópias da sua honra, nos termos previstos no citado regulamento, designadamente para a reprodução integral fotocopiada a que se refere o seu artigo 7º.
Declara(m) ainda abster-se de quaisquer actos ou iniciativas que possam diminuir o interesse ou ineditismo da obra até à divulgação dos respectivos resultados, nos termos do artigo 16º do presente regulamento.

Artigo 7 (Cópias do trabalho)

As cópias do trabalho serão distribuídas pelos membros do Júri e não serão devolvidas ao autor. Elas destinam-se a ser entregues ao Presidente do Júri, nos termos e para os efeitos do artigo 8º, e as restantes reproduções serão reservadas para consulta dos Membros do Júri.
Artigo 8 (Das decisões do Júri. Prazos. Irrecorribilidade)
1. Compete ao Presidente do Júri apreciar se cada obra candidata ao Prémio se coaduna ou não com os termos deste regulamento.
2. Esta apreciação deve ser feita no prazo de trinta dias úteis após a data de entrega.
3. Das decisões do Presidente do Júri, nos termos deste artigo, não cabe qualquer espécie de recurso, pelo que são definitivas.
Artigo 9 (Conceito de obra em participação)
Obra em participação é toda aquela que tenha sido apresentada pelo candidato nos termos deste regulamento e tenha sido admitida a apreciação preliminar.

Artigo 10

(Designação do Júri)
1. O Júri do Prémio bianual, é composto por sete elementos, um dos quais é Professor de História para a função de Presidente do Júri.
2. O Presidente do Júri, os dois investigadores, dois vogais e um secretário serão designados pela FAAN e o IABES, tendo como base professores, escritores e representantes indicados pela FAAN e pelo IABES.
3. A Fundação Dr. António Agostinho Neto indica um membro para supervisionar os trabalhos.
4. Quando o Júri não se julgar competente para avaliar o mérito de uma ou várias obras concorrentes, poderá consultar peritos nacionais ou internacionais.
5. O contacto com o (s) perito (s) será feito pelo Presidente ou pelo membro do Júri em quem ele delegue.
6. Os membros do Júri guardarão sigilo quanto às obras candidatas ao Prémio.
7. Este processo será público e sob supervisão do patrocinador.

Artigo 11 (Deliberação do júri)

1. O Júri é autónomo e competente para deliberar por maioria simples sobre a classificação das obras.
2. Em caso de empate nas votações, o Presidente dispõe de voto de desempate.
3. O Secretário não dispõe de direito de voto.
4. Compete ao Júri a definição do seu modo de funcionamento, obrigando-se a cumprir os termos e as condições deste regulamento e a fundamentar as suas decisões.
5. As deliberações do Júri são definitivas, delas não cabendo qualquer recurso.
Artigo 12 (Classificação)
O Júri apreciará as obras em participação e escolherá de entre elas a de maior mérito para receber o título de obra premiada com o PRÉMIO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA AGOSTINHO NETO, no ano respectivo.

Artigo 13 (Divulgação das obras)

1. Os autores intelectuais das obras premiadas autorizam a FAAN e o IABES, a efectuar, segundo o seu livre critério, por si ou por terceiros a quem ceda gratuitamente esse direito, a publicação das obras em primeira edição, com exclusividade, até dez mil exemplares.
2. A autorização abrange reproduções ou menções de extractos, resumos ou condensações das respectivas obras por quaisquer meios durante um período de dois anos.
Artigo 14 (Publicações)
1. A publicação das obras será feita no Brasil, através da Editora Zumbi dos Palmares, sendo metade para a FAAN e a outra metade para o IABES, no sistema de co-edição.
2. A língua empregue na publicação será o português sem acordo ortográfico para Angola e com acordo ortográfico para o Brasil.

Artigo 15 (Local de entrega do prémio)

1. O prémio será entregue em cerimónia solene na sede da FAAN ou noutro local por si designado.
2. A obra será lançada tanto no FESTINETO, em Angola, como na FLINK SAMPA, no Brasil, seguida de debate com o autor, a FAAN, a FLINK SAMPA e o presidente do Júri.
Artigo 16 (Data da divulgação do Prémio)
Os resultados serão divulgados em cerimónia pública a realizar-se no dia 17 de Setembro, data do nascimento de António Agostinho Neto.

Artigo 17
(Obrigações e Actos do Júri)

1. A FAAN e o IABES não se obrigam em relação a obras ou a autores que não preencham a totalidade das condições expressas ou implícitas neste regulamento.
2. A FAAN e o IABES não poderão ser responsabilizados pelos actos do Júri.
Luanda, 10 de Setembro de 2014
São Paulo, 10 de Setembro de 2014

ADENDA

Atendendo à exiguidade de tempo para a entrega das obras candidatas ao Prémio 2017-2018 até ao dia 31 de Março de 2018 assim como a dificuldades de recepção de trabalhos volumosos pelo correio, foram alterados os Artigo 3º e o Artigo 4º.

Luanda, 20 de Fevereiro de 2018
São Paulo, 20 de Fevereiro de 2018.

 

http://www.agostinhoneto.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1366:regulamento-do-premio-internacional-de-investigacao-historica-agostinho-neto&catid=37:noticias&Itemid=206

Obras para prêmio Agostinho Neto entregues até Março

A recepção das obras candidatas ao Prémio Internacional de Investigação Histórica Agostinho Neto termina no dia 31 de Março, devendo os interessados enviar os trabalhos ao secretariado da Fundação Dr.

Fotografia: EDIÇÕES NOVEMBRO

António Agostinho Neto em Angola e no Instituto Afrobrasileiro de Ensino Superior ou na Fundação Zumbi dos Palmares no Brasil. Ao prémio instituído pela Fundação Agostinho Neto e o Instituto Afro-Brasileiro
do Ensino Superior, representado pela Faculdade Zumbi dos Palmares, podem-se candidatar todos os interessados, desde que tenham trabalhos relacionados com Agostinho Neto, Angola, Brasil, a Diáspora ou os Afro-Descendentes, que possam contribuir para um maior conhecimento da História de Angola,
do Brasil ou da África.

A Faculdade de Engenharia em Angola tem oportunidades para brasileiros

O que é um problema , pode se apresenta r como uma oportunidade apra os brasileiros em Luanda , pois a a Universidade Agostinho Neto não dispõe de professores e corre riscos de paralisar suas atividades.

Segundo informou a decana da instituição acadêmica Aline de Almeida, ao jornal de Angola que o seu quadro apresenta apenas dois docentes efetivos e 95% são colaboradores que atendem um universo de 200 a 300 estudantes. 

 Universidade Agostinho Neto

“Não é com docentes colaboradores que o curso se vai desenvolver. Eles até podem manter o mesmo em funcionamento, mas não é disso que a Faculdade de Engenharia e o respectivo curso precisam para o seu desenvolvimento”, afirmou Aline em declarações ao JA.

Além do curso de Engenharia de Informática, estar ameaçado a encerrar, Aline de Almeida, informou ainda que o curso de Engenharia de Petróleo também corre os mesmos riscos, por dispor de apenas de um docente efectivo, que tem ajuda de colaboradores docentes efectivos de outros cursos.

“Temos docentes já em idade e tempo de serviço para reforma, mas infelizmente, continuamos com os mesmos, sem possibilidade de efetuarmos novas admissões”, disse a decana.

Com esse quadro, muitos professores brasileiros poderiam  enviar currículos e começar uma cooperação técnica. em áreas que temos bons profissionais, nesse universo de milhões de desempregados brasileiros .

 

 

Fonte:https://angorussia.com/educacao/faculdade-engenharia-da-universidade-agostinho-neto-corre-risco-encerrar-falta-professores/

Irene Neto condena “desvios monumentais, descarados e obscenos” de Angola

A deputada angolana Irene Neto, do MPLA –  filha do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto (1922-1979), e da escritora Maria Eugénia Neto -, considera que a atual Constituição “limita a democracia”.  Numa entrevista ao “Novo Jornal”, a parlamentar diz que  a atual Constituição da República de Angola (CRA) “não serve os interesses estratégicos da Nação”, critica a governação de José Eduardo dos Santos e o presidencialismo “quase imperial” e admite a possibilidade de no futuro se candidatar a Presidente da República. Afirma também que após a morte do pai foram cometidos “desvios monumentais”


África 21 Digital, com Panapress


“A CRA precisa de ser alterada porque limita a democracia, restringe as liberdades fundamentais e bloqueia o funcionamento de uma economia de mercado (…), porque concentra e centraliza o poder numa única pessoa”, afirma

A CRA instituiu um presidencialismo “quase imperial” que asfixia a democracia e desmantela os contrapoderes, constata a filha do dirigente da luta de libertação nacional contra o colonialismo português e primeiro presidente de Angola.

Irene Neto considera que a concentração pessoal do poder de decisão bloqueia a economia “que necessita de liberdade e de escolhas rápidas, diárias, racionais e informadas”.

“Angola é demasiado grande e complexa para depender de uma única pessoa. Atualmente é impossível decidir sobre tudo. O engarrafamento e os atrasos nas decisões prejudicam a economia. Angola é um país livre com cidadãos racionais. A democracia demanda divisão de trabalho e de poderes. Demanda contrapoderes, descentralização e equilíbrios”, avalia Irene Neto, numa alusão ao regime de José Eduardo dos Santos, no poder em Angola há quatro décadas.

Assembleia “esvaziada, passiva e subalternizada”

Irene Neto considera igualmente que a interpretação da CRA feita pelo Tribunal Constitucional restringiu a ação dos deputados cuja competência de controlo e fiscalização da ação governativa passou a ser exercida apenas através da análise e aprovação do Orçamento Geral do Estado, da Conta Geral do Estado e autorizações específicas ao poder Executivo.

Nesta situação, a Assembleia Nacional (AN, Parlamento) ficou “esvaziada, passiva e subalternizada” e perdeu iniciativa e autonomia, diz a deputada na entrevista ao Novo Jornal.

“A questão da separação dos poderes, executivo e legislativo, com base neste sistema de base presidencial, em que o Executivo é um órgão unipessoal, com independência política em relação à Assembleia Nacional, apesar de advir de um sistema de eleição parlamentar, frena a possibilidade de haver uma fiscalização mais direta”, enfatiza.

Para a deputada do partido maioritário, trata-se de uma subordinação política “inaceitável”, porque o âmbito da função política da Assembleia Nacional “fica subtraído de certa forma, pois limita-se a sua ação à função constitucional principal, que é a função legiferante”.

Na entrevista, Irene Neto defende a necessidade de os políticos serem coerentes, lembrando que o facto de o slogan do seu partido ser  “corrigir o que está mal” é revelador de que o MPLA “reconhece que há insuficiências, há erros e práticas nocivas”.

“Não sou a única pessoa no MPLA que o vê e diz. Se assim fosse, este slogan não teria surgido. Quando um candidato presidencial se baseia nesta linha de rumo, está tudo dito”, afirma, acrescentando que muitos colegas seus no Parlamento,  se não todos, “partilham a minha opinião”.

O MPLA tem de mudar para melhor e tem de praticar o que apregoa, não fazer letra morta dos seus princípios fundacionais e “não brincar com o povo”, diz.

“Desvios monumentais”

A parlamentar condena também o que chama de “desvios monumentais, descarados e obscenos” ocorridos no país, logo após a morte do seu pai, criando-se “um clima de impunidade que a guerra civil, prolongada desnecessariamente, permitiu e a mudança de regime político acelerou”.

Na entrevista, Irene Neto denuncia a criação de uma “burguesia nacional escolhida a dedo e não por mérito próprio, com a delapidação do erário público para a acumulação primitiva de capital de alguns eleitos em detrimento da maioria”.

Sobre a hipótese de um dia se candidatar a Presidente República, ela não descarta esta possibilidade, exprimindo a sua convicção de que se tal acontecer terá “certamente” o apoio dos militantes do MPLA.

https://africa21digital.com/2017/07/11/29626/

Prêmio Mandela atribuído a Agostinho Neto

ag9

O primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, foi agraciado, a título póstumo, com o Prémio Mandela de Audácia 2016, pela sua contribuição heróica na luta pelas independências de Angola, Namíbia e Zimbabwe e pelo fim do apartheid na África do Sul e a consequente libertação de Nelson Mandela.
De acordo com uma nota da Fundação Dr. António Agostinho Neto, de que o Fundador da Nação é patrono, com mais este reconhecimento póstumo, o Prémio Mandela 2016 destaca a audácia de Agostinho Neto, que continua a ser uma fonte de inspiração e de orientação para as novas gerações, em Angola e no Mundo.

“Na Namíbia, no Zimbabwe e na África da Sul está a continuação da nossa luta”. Com esta palavra de ordem, Agostinho Neto resumiu a sua estratégia de solidariedade para com os povos da África austral, hoje reconhecida internacionalmente.

Esta palavra de ordem, segundo a Fundação, foi materializada com atos políticos e militares que conduziram à libertação da Namíbia e do Zimbabwe e ao fim do apartheid na África do Sul.
A solidariedade de Angola teve um pesado custo em vidas humanas, em mutilações e na destruição de infra-estruturas. Sem a visão estratégica de Agostinho Neto, provavelmente a Namíbia, o Zimbabwe e a África do Sul hoje não seriam países libertos. A audácia ora premiada é um sinal de reconhecimento, ainda que tardio, de um líder e de um povo que ousou vencer o mito da superioridade de uma raça e da invencibilidade de um exército. O Prémio Mandela é uma distinção tutelada pelo Instituto Mandela, um “think tank” (grupo de reflexão) com sede na Universidade de Bordéus (França), subdividido em 15 categorias, cujo objectivo principal é prestar reconhecimento a pessoas individuais e colectivas que se tenham destacado na realização de acções em prol do continente africano e da paz, dentro do espírito de Nelson Mandela.

Para a edição de 2016, o Instituto Mandela (www.institutmandela.com), presidido pelo Dr. Paul Kananura, anunciou a recepção de 3.623 candidaturas, sendo 3.191 candidaturas populares, 25 individuais, 388 diplomáticas e 19 oficiais. Destas candidaturas, no decorrer da primeira fase de avaliação, o Comité Organizador do Prémio descartou 867 candidaturas, por considerá-las pouco motivadoras para concorrerem ao Prémio.

De um universo de 2.755 candidaturas, que foram submetidas a uma segunda fase de avaliação do júri, o número ficou reduzido a 75 dossiers, à razão de cinco dossiers por cada categoria concorrente, que resultou na selecção dos 15 laureados do certame.
O Rei Mohamed VI de Marrocos foi o grande vencedor do Prémio Mandela 2016, pela sua contribuição para a construção de uma sociedade justa e pacífica entre homens e nações e também pela sua participação na manutenção da paz em África e no mundo. Mohamed VI, além de pan-africanista, tem conduzido desde a sua entronização, em 1999, muitos projectos políticos de grande alcance social, tanto em Marrocos e África, como em países do Golfo, da União Europeia e das Américas.

http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/premio_mandela_atribuido_a_neto

 

 

 

Agostinho Neto ganha prêmio Mandela

 
ang.jpg
 
Dr. António Agostinho Neto, Presidente Fundador da República de Angola, laureado a título póstumo PRÉMIO MANDELA DE AUDÁCIA 2016.
 
 
“Na Namíbia, no Zimbabwe e na África da Sul, está a continuação da nossa luta”. Com esta palavra de ordem, Agostinho Neto resumiu a sua estratégia de solidariedade para com os povos da África austral, hoje reconhecida internacionalmente.
Esta palavra de ordem foi materializada com actos políticos e militares que conduziram à libertação da Namíbia e do Zimbabwe e ao fim do apartheid na África do Sul.
A solidariedade de Angola teve um pesado custo em vidas humanas, em mutilações e na destruição de infraestruturas. Sem a visão estratégica de Agostinho Neto, provavelmente a Namíbia, o Zimbabwe e a África do Sul hoje não seriam países libertos.
A audácia ora premiada é um sinal de reconhecimento, ainda que tardio, de um líder e de um povo que ousou vencer o mito da superioridade de uma raça e da invencibilidade de um exército.
A luta continua