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Agricultura africana precisa ser repensada radicalmente


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Os agricultores e agronegócios de África poderão criar um mercado de alimentos de um trilhão de dólares em 2030 se conseguirem aumentar o acesso a mais capital, eletricidade, melhor tecnologia e terras irrigadas para o cultivo de alimentos nutritivos e se os governos africanos conseguirem cooperar mais estreitamente com os agronegócios com vista a alimentar a população urbana da região em rápido crescimento, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado hoje.

De acordo com o relatório Growing Africa: Unlocking the Potential of Agribusiness, os sistemas alimentares de África, que atualmente representam USD 313 bilhões ao ano provenientes da agricultura, podiam triplicar se os governos e líderes empresariais repensassem radicalmente as suas políticas e o apoio à agricultura, agricultores e agronegócios que, no seu conjunto, são responsáveis por cerca de 50 por cento da atividade econômica de África.

Chegou a hora de tornar a agricultura e os agronegócios de África num catalisador para pôr fim à pobreza”, afirma Makhtar Diop, Vice-presidente do Banco Mundial para a Região África. “Nunca é demais enfatizar a importância da agricultura para a determinação de África no sentido de manter e impulsionar as suas elevadas taxas de crescimento, criar mais empregos, reduzir significativamente a pobreza e produzir suficientes alimentos nutritivos de baixo custo para alimentar as famílias, exportar os excedentes agrícolas, salvaguardando, ao mesmo tempo, o meio-ambiente do continente.

Agronegócios: fortes oportunidades de crescimento

Devido a uma combinação do aumento da população com um incremento dos rendimentos e da urbanização, a intensa procura está a fazer subir os preços globais dos alimentos e dos produtos agrícolas. Questões relacionadas com a oferta – abrandamento do rendimento dos principais cultivos agrícolas, redução de despesas com a investigação, degradação da terra e questões de escassez de água e alterações climáticas – significam, todas elas, que os preços  permanecerão altos. Neste novo clima do mercado, África tem um enorme potencial para expandir as suas exportações agrícolas e de alimentos.

África possui perto de 50 por cento da terra não-cultivada do mundo, própria para o cultivo de alimentos, compreendendo 450 milhões de hectares que não estão arborizados, protegidos ou densamente povoados. África utiliza menos de 2% das suas fontes renováveis de água, comparativamente a uma média mundial de 5%. É corrente as colheitas terem um rendimento bastante inferior ao seu potencial e, no que toca a alimentos básicos, como por exemplo o milho, essa lacuna no rendimento é da ordem de 60 a 80%. As perdas pós-colheita situam-se entre 15% e 20% para os cereais e são ainda mais altas para os produtos perecíveis por causa das deficientes condições de armazenagem e de outras infraestruturas agrícolas.

Os países africanos podem penetrar nos mercados florescentes de arroz, milho, soja, açúcar, óleo de palma, biocombustíveis e matérias-primas e emergir como principais exportadores destes bens nos mercados mundiais, a exemplo dos êxitos alcançados pela América Latina e Sudeste Asiático. Na África Subsariana, os setores mais dinâmicos são provavelmente o arroz, cereais forrageiros, aves, laticínios, óleos vegetais, horticultura e produtos transformados para abastecimento dos mercados nacionais.

O relatório chama a atenção para o facto de vir a ser necessária terra para alguns investimentos em agronegócios, podendo essas aquisições ser uma ameaça à subsistência das pessoas e criar oposição local, a menos que as compras ou arrendamentos de terras sejam conduzidos segundo padrões éticos e de responsabilidade social, incluindo o reconhecimento dos direitos dos utilizadores locais, consultas extensivas com comunidades locais e compensação ao justo valor de mercado pela terra adquirida.

O desenvolvimento dos setores da agricultura e dos agronegócios significa rendimentos mais altos e mais empregos. Permite também a África competir globalmente. Hoje em dia, o Brasil, Indonésia e Tailândia exportam mais produtos alimentares do que toda a África Subsariana junta. Isto tem de mudar”, afirma Jamal Saghir, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento Sustentável na Região África.

As Cadeias de Valor são essenciais  

Arroz: África tornou-se um dos principais consumidores e importadores de arroz e os africanos importam metade do arroz que comem e pagam caro, em torno de USD 3 500 milhões, ou mais, ao ano. Gana e Senegal são grandes importadores. O Senegal é competitivo entre os países vizinhos mas a sua capacidade está limitado pela dificuldade dos agricultores em terem acesso à terra, a capital, ao financiamento para expansão da irrigação e variedades de cultivos adequadas. O Gana produz menos variedades de arroz do que o Senegal mas a um custo consideravelmente mais alto e aplica tarifas de 40% e outras taxas sobre as importações. A fraca qualidade do cereal, as más condições de limpeza e de embalagem são grandes dissuasores junto dos consumidores, travando o desempenho do setor.

Milho: Produto alimentar essencial para muitos africanos, o milho ocupa uma área de 25 milhões de hectares ou 14% da terra cultivada. Na Zâmbia, onde as pessoas consomem em média 133 quilos de cereais ao ano, o milho fornece metade das calorias ingeridas na sua alimentação. No que toca às importações de milho, a Zâmbia é competitiva, o que já não é o caso para as exportações. Os elevados custos de transporte, o aumento dos custos laborais e os rendimentos mais baixos contribuem para um preço que é superior em 1/3 ao da Tailândia, um dos grandes produtores internacionais de milho irrigado pela chuva. O relatório defende que a competitividade futura da Zâmbia irá depender do aumento de rendimentos, da redução dos custos e da eliminação dos desincentivos ao setor privado nos mercados e no comércio.

O estudo analisou ainda as cadeias de valor do cacau no Gana e dos laticínios e feijão-verde no Quénia.

“É preciso capacitar os agricultores e negócios africanos através de boas políticas, maiores investimentos públicos e privados e fortes parcerias público-privadas”, afirma Gaiv Tata, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento do Setor Financeiro e Privado em África. “Um setor de agronegócios forte é vital para o futuro económico de África.”

Soluções

A agricultura e os agronegócios deveriam estar no topo da agenda de negócios e desenvolvimento da África Subsariana. O relatório apela a uma sólida liderança e a um compromisso firme do setor público e do privado. A título de comparação, o relatório cita estudos de casos do Uruguai, Indonésia e Malásia. Para se ter êxito, é fundamental o envolvimento de investidores estratégicos “com boas práticas”, assim como o reforço das salvaguardas, sistemas de administração das terras e rastreio de investimentos para um crescimento sustentável.

O relatório refere que África pode igualmente inspirar-se nos muitos sucessos locais para orientar os governos e investidores no sentido de resultados positivos no domínio económico, social e ambiental.

http://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2013/03/04/africas-food-markets-could-create-one-trillion-dollar-opportunity-2030

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O consumidor angolano está mais exigente por qualidade

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O consumidor angolano está  mais exigente por qualidade ,associada à escassez de divisas para as importações de mercadorias, está a influenciar a atividade dos sectores de compras das superfícies comerciais.
No mercado formal como no informal, quando se trata de produtos do campo, as escolhas dos clientes recaem para os angolanos, mesmo quando os preços são praticamente iguais aos dos bens importados.
“Hoje, o consumidor angolano é cada vez mais exigente na qualidade dos produtos que consome”, nota o presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (Ecodima).

Custos altos a produção compensados pela qualidades
Sintético nas observações que faz, Raúl Martins reconhece que os custos de produção no país são ainda relativamente altos. “O mais importante é que as bases já foram lançadas e o futuro aponta para uma situação de autossuficiência alimentar.”
Os ainda altos custos de produção são compensados pela qualidade dos produtos resultantes da agricultura biológica que se pratica na maior parte do território nacional. Também conhecido por agricultura orgânica, esse processo de produção não recorre a produtos químicos nem a organismos geneticamente modificados.

Produção de cereais
Os avanços que se registam na agro-indústria resultam de investimentos estruturantes que Angola tem vindo a fazer na área da agricultura, desde que alcançou a paz, em 2002. Fruto desses investimentos, o país produz hoje perto de metade de um total de dois milhões e cem mil toneladas dos cereais de que necessita para o consumo, incluindo a produção de ração animal.

 

 

27 anos de guerra
Há pouco mais de uma década, os atuais níveis de produção eram uma miragem. É preciso recuar até 2002, ano em que Angola alcançou a paz, para perceber a dimensão dos esforços empreendidos. Nessa altura, o país vivia praticamente de importações.
Angola viu o seu potencial agrícola, muito produtivo, aniquilado por 27 anos de guerra. O relançamento da agricultura, que começa justamente em 2002, teve como primeira etapa a remoção de minas antipessoais e outros engenhos explosivos dispersos pelo país.

Áreas irrigadas

. Em relação a infra-estruturas, e no que à produção diz respeito, destaque para os vários perímetros irrigados distribuídos por diversas regiões, no âmbito do Plano Nacional Director de Irrigação (Planirriga). Foram conseguidas vastas áreas de cultivo em terrenos nunca antes explorados.
Em 2005, o Executivo aprovou em Conselho de Ministros o Modelo de Gestão dos Perímetros Irrigados, tendo criado na mesma altura a Sociedade de Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados para gerir e supervisionar o património do Estado construído nos perímetros irrigados.
Dos sete milhões e quinhentos mil hectares com elevado potencial de irrigação previstos no Planirriga, já foram concluídos 30 mil hectares, onde estão inseridos, entre outros, o Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola da Quiminha (Luanda), os perímetros irrigados de   Caxito (Bengo), Matala (Huíla), Cavaco (Benguela), Mucoso (Cuanza Norte), e Sumbe (Cuanza Sul).

mapa de Angola
Os pólos agro-industriais estão a ser desenvolvidos sem prejuízo da agricultura familiar que ainda responde por 90 por cento da produção interna e para a qual é destinada parte substancial do orçamento do sector, assim como os empréstimos contraídos pelo Governo junto do Banco Mundial, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, do Banco Africano de Desenvolvimento, destinados ao fomento da produção interna.

 

Agricultura familiar
Em execução está um programa de agricultura familiar orientado para o mercado, nas províncias de Malanje, Bié e do Huambo, envolvendo 50 mil famílias.
Os apoios do Estado à agricultura familiar incluem facilidades de créditos bancários, preparação dos solos, disponibilização de fertilizantes, vacinação de gado e assistência técnica, através de institutos públicos especializados.
Há cinco anos, o Executivo criou um mecanismo de apoio à agricultura familiar, designado Crédito Agrícola de Campanha, que já beneficiou 91 mil camponeses.
Apesar de não produzir ainda o suficiente para o consumo interno, o país já começa a exportar produtos agrícolas. Os empresários do sector são unânimes em afirmar que não é preciso  suprir o défice da produção interna para depois partir para as exportações.
Em Maio do ano passado, Angola exportou para Portugal, a partir do Porto do Lobito, 17 toneladas de banana, 42 anos depois da última remessa. A iniciativa da Fazenda Agro-Industrial Bacilin foi saudada pelo Governo angolano.

20160522115547-bananas.jpgProdução de bananas
O relançamento da produção de banana em Angola resulta de avultados investimentos efectuados pelo Governo angolano na reabilitação e melhoramento dos sistemas de irrigação nas áreas tradicionais de cultivo. Antes da Independência Nacional, Angola chegou a produzir 160 mil toneladas de banana por ano.
O Executivo estabeleceu a meta de atingir nos próximos anos uma produção anual de 2,5 milhões de toneladas de cereais, 20 milhões de toneladas de mandioca, cobrir 60 por cento do consumo de frango com a produção nacional e reduzir para 15 por cento a importação de leite.

Angola consome anualmente cerca de 180 milhões de litros de leite,

A produção de leite e derivados é outra grande aposta do Executivo.   O projecto  Aldeia Nova, no Waku Cungu, município da Cela, província do Cuanza Sul, lidera o mercado.
Orçado em cerca de 70,5 milhões de dólares, o projecto, financiado pelo Governo angolano, em parceria com o grupo israelita LR, comporta, entre outros equipamentos de apoio à produção, matadouros de aves e gado, moinhos de farinha e fábricas diversas.
Dados estatísticos indicam que Angola consome anualmente cerca de 180 milhões de litros de leite, quantidade muito acima da produção nacional. Certo de que o país  tem condições naturais para produzir o suficiente para o consumo interno, o Ministério das Finanças lançou, em 2012, um programa de dinamização do sector do leite,  denominado “Sector Bandeira do Leite”.
O programa, destinado a fortalecer as micro, pequenas e médias empresas angolanas que atuam na indústria leiteira, insere-se nos esforços de substituição das importações pela produção nacional.

Angola  gasta atualmente cerca de 600 milhões de dólares com a importação de carne

Angola quer aumentar os níveis de produção de carne. Em 2015, o país celebrou um acordo com empresários brasileiros para instalação de 40 fazendas agropecuárias numa área de 200.000 hectares na província do Cuando Cubango.
Calcula-se que Angola  gasta atualmente cerca de 600 milhões de dólares com a importação de carne. Para reverter a situação, o Governo prevê um  investimento de 571,9 milhões de dólares, para aumentar a produção e reduzir as importações, que asseguram cerca de 80  por cento das necessidades do país.
O Programa Dirigido à Produção de Carne Bovina, aprovado pelo Executivo, prevê a importação de 340.509 animais para reprodução e de 1.010.152 animais para recria e engorda, das raças Bonsmara, Simentaller e Brahma.

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O programa prevê ainda o melhoramento das condições de produção nas explorações pecuárias empresariais, através da sua especialização na reprodução, cria, recria e engorda animal. Angola tem atualmente uma capacidade de abate de 195.360 animais por ano, para um total de 39.072 toneladas de carne.

A meta dos angolanos é reduzir a importação de produtos da cesta básica

Um boletim informativo do Ministério da Agricultura largamente difundido pela imprensa dá conta de que Angola tem potencialidades naturais para atingir níveis de produção sustentáveis que podem contribuir muito rapidamente para o seu crescimento económico.
A existência de solos férteis para a agricultura, a biodiversidade, o clima, a genética e a abundância de recursos hídricos, associada a uma expressiva faixa da população cuja atividade ­está ­diretamente ­relacionada com a produção agrícola, constituem factores favoráveis ao desenvolvimento agropecuário do país, refere o boletim.
O documento lembra que o sector florestal angolano é o segundo na região Austral de África, depois da República Democrática do Congo, com um potencial rico e variado de recursos florestais e faunísticos.
O fim da guerra em 2002 permitiu ao Governo angolano retomar um conjunto de ações, entre as quais a disponibilização de recursos financeiros vinculados a programas de reabilitação e de construção de infra-estruturas, realça o documento.
Como resultado desse esforço, Angola tem vindo a reduzir progressivamente as importações de produtos da cesta básica.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/produtos_nacionais_ganham_o_mercado

 

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Francis Kéré projeta um edifício “transparente” para o Parlamento de Burkina Faso

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Em outubro de 2014, quando o Presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, estava se preparando para fazer uma emenda à constituição do país que iria eliminar o tempo limite de mandado presidencial e o permitira estender seu mandato de 27 anos, dez mil cidadãos de Burkinabé na capital de Ouagadougouromperam os isolamento policial para atear fogo em vários edifícios governamentais que incluíam a prefeitura, a sede nacional do partido em mandato atual, e o edifício da Assembléia Nacional. Nos dias atuais, o presidente Compaoré recuou, inaugurando uma nova era de governo democrático resultando na primeira eleição presidencial pluralista e competitiva do país em 2015.

Mas a revolução deixou o antigo complexo governamental em ruínas e em extrema necessidade de uma direção clara para o futuro, tanto culturalmente como arquitetonicamente. Enquanto antiga colônia francesa, Burkina Faso é o lar de 19 milhões de pessoas, 50 etnias diferentes e mais de 60 línguas. O país precisava de um novo Parlamento que servisse de base comum para esses grupos diversos, enquanto proporcionaria tecnologia e educação necessária para criar oportunidades e melhor qualidade de vida para todos cidadãos.

Para encontrar esta solução, o novo chefe do Parlamento comissionou no ano passado o arquiteto e nativo burkinabês Francis Kéré para desenvolver um edifício e masterplan para o edifício da Assembléia. O novo edifício, nas palavras do arquiteto, deveria ser um edifício “que não apenas dirigisse os valores que são os valores democráticos fundamentais de transparência, abertura e igualdade, mas também se tornaria catalizador para o crescimento e desenvolvimento para a capital da cidade de Ouagadougou como um todo.”

Cortesia de Kéré ArchitectureCortesia de Kéré ArchitectureCortesia de Kéré ArchitectureImage of the capital city of Ouagadougou. Image © Francis Kéré+19

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Na edição de 2016 da Bienal de Veneza como parte da exposição “Na busca de uma nova Ouagadougou” na 15ª Exposição de Arquitetura Internacional, Francis Kéré e seu escritório Kéré Architecture, revelaram seus planos para o projeto pela primeira vez.

O projeto parte de uma forma de templo Zigurat que convida as pessoas a escalaram, entrarem e ocupar toda a superfície do edifício. Com seis pavimentos de altura, o edifício se destacaria do entorno de pouca altura e topografia plana de Ouagadougou, dado aos residentes uma nova perspectiva elevada da cidade como um todo. As decisões de projeto combinam para criar um novo senso de democracia que é liberal e simbólico.

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Em uma disposição similar a um vilarejo, o processo de tomada de decisão não é um assunto privado que ocorre entre quatro paredes; os membros da comunidade são livres para participarem das reuniões e observar os procedimentos. Neste verdadeiro espírito de transparência e abertura, a fachada externa da estrutura do parlamento é projetada para ser habitada pelo público,” explicaram os arquitetos.

O projeto também é inspirado na economia agricultora de Burkina Faso, onde quase 90% da força de trabalho é empregada em cultivos. Por esta razão, foram integrados uma série de terraços verdes ao longo da fachada ocupável para criar um laboratório comunal para técnicas pioneiras de agricultura urbana. A vegetação tem apoio de elementos de proteção solar, que também auxiliam no fornecimento da circulação de ar resfriado nos interiores do edifício.

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Dentro do edifício, o hall da Assembléia Parlamentar tem 127 poltronas e foi projetado para não replicar os modelos ocidentais de câmaras governamentais, mas respondem à necessidades, recursos e clima locais. Para alcançar isso, os arquitetos se voltaram para as configurações tradicionais dos governos de Burkina Faso.

“Em áreas rurais, os mais anciões dos vilarejos se reúnem para discutir assuntos importantes sob a sombra de uma grande árvore. Aqui foi reinterpretado como uma Árvore de Palavras, em um jardim privado diretamente adjacente ao hall da Assembléia formal onde os membros do parlamento podem se reunir mais diretamente.”

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O novo edifício do parlamento está inserido em um masterplan maior que também fará homenagem à história do terreno – no lugar da ruína do edifício antigo, será erguido um memorial na forma de uma depressão e um espelho d’água onde a água da chuva pode ser recolhida para irrigação in loco e também como um sistema de resfriamento passivo para os interiores. O espaço pretende criar uma atmosfera serene onde “visitantes podem relaxar na sombra e refletir naqueles que perderam a vida nas revoltas.”

No entorno do memorial, um bosque de árvores nativas irá proporcionar zonas sombreadas para sentar e se reunir. No entorno, novas lojas comerciais e espaços de exposições vão ativar o espaço.

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Em uma época transformadora para Burkina Faso, o projeto aborda a questão de “como avançamos?” ao criar um edifício e um masterplan que são de fato para seu povo.

“Queremos que todo o edifício seja uma plataforma para as pessoas se apropriarem.”

O projeto esteve em exibição na 15ª Exposição de Arquitetura Internacional  Reporting from the Front para a Bienal de Veneza

Arquitetura: Kéré Architecture
Localização: Ouagadougou, Burkina Faso
Equipe de Projeto: Francis Kéré, Adriana Arteaga, Jaime Herraiz, Andrea Maretto, Diego Sologuren Martin, Nina Tescari, Blake Villwoc

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Israel está presente na agricultura e na pesca em Angola

Israel tem já uma presença marcante na agricultura em Angola, mas afirmou que a cooperação pode crescer, com o envolvimento do setor empresarial do seu país. Um dos exemplos de realce do envolvimento israelita é o projeto agrícola da Quiminha, localizado a cerca de 70 quilômetros de Luanda.

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O projeto foi iniciado em 2012, comportando uma área de cinco mil hectares entre as comunas de Cabiri e Bom Jesus, localizadas a cerca de 60 quilômetros a Norte de Luanda.

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A cada família de camponeses serão atribuídos 3 hectares de terra para cultivo, sendo que na primeira fase do projeto se deverá produzir cerca de 40 mil toneladas de produtos.

Para o fim da segunda fase prevê- se que se produzam cerca de 100 toneladas/ano.

Além da produção agrícola, preconiza-se a produção de 22 milhões de ovos.

Jose EduardoHá também uma Estação de Captação de Água, escolas, creche, e um reservatório de água, com capacidade de cerca de 300 mil metros cúbicos e esteve no centro logístico.
O projeto é desenvolvido pela israelita Tahal, que está entre as 100 maiores companhias de engenharia do mundo na área dos recursos hídricos e abastecimento de água, desenvolvimento agrícola e comercialização. A companhia trabalha ainda na engenharia ambiental, civil e infra-estrutura, industrial e energia, reabilitação de sistemas de água e esgotos, além de sistemas de informação geográfica.
O projeto Quiminha dispõe já de 300 casas e explorações agrícolas particulares, cada com uma área equivalente a um campo de futebol, além de um centro agrícola e de logística para o processamento e empacotamento dos produtos agrícolas, aviários para a produção de pelo menos 24 milhões de ovos por ano e instalações relacionadas.
Desenvolvido de acordo com o modelo de cooperativa agrícola estabelecido pelo Centro para a Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores de Israel  (MASHAV), o projeto Quiminha prevê, dentro de cinco anos, atingir uma produção anual de 60 mil toneladas de produtos agrícolas, que devem ser vendidos no mercado interno e proporcionar uma faturação anual de 52 milhões de dólares.

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Brasil perde espaço para os chineses na área de agronegócios em Angola

A falta de uma política do governo brasileiro para expansão dos negócios em Angola, faz com que perca espaços no mercado internacional. Mais um exemplo  é o acordo assinado ontem entre os governo angolano e a empresa Huafeng – Construção e Engenharia que pretende investir no país bilhões de dólares nos setores da agricultura, pesca, agro-pecuária, construção civil e indústria.

A assinatura do acordo de intenções resulta das oportunidades de negócios apresentadas no Fórum de Investimento Angola-China, decorrido nos dias 7 e 8 deste mês, em Luanda.

A Huafeng quer implementar os seus projetos nas províncias de Luanda, Moxico, Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Huambo, Cuando Cubango e Benguela.

Mapa de AngolaMapa

Mapa de Angola

A Huafeng construirá um Centro de Formação especializado para produção de sementes, cultivo de cereais e dendê. No setor avícola, vão ser desenvolvidas técnicas de criação, recriação e engorda de gado bovino, suíno e aves. No setor das pescas e aquicultura serão desenvolvidos projetos de criação de peixes em aquários especializados de água doce. Já no setor da Indústria está prevista a montagem de fábricas de medicamentos, fertilizantes e exploração e transformação de madeira.

O presidente do conselho de administração da Huafeng – Construção e Engenharia, Zhan Yanghrou, disse que grupo já investe nas áreas da agricultura e pecuária, onde possui um efectivo de cerca de cinco mil suínos, produz cerca de 50 mil ovos e 10 mil litros de leite por dia.
Zhan Yanghrou garantiu que o grupo vai também investir no aumento de mais postos de trabalho e enviar para a China 300 jovens para se especializarem nas áreas de agricultura e indústria.

Ao examinar o propósito do grupo chinês de definir suas áreas de interesse, mostram que são setores em que o Brasil é competitivo no mercado mundial, .  Angola é o sexto parceiro comercial do Brasil na África. Em 2015, mais de 99% das importações brasileiras da Angola foram de combustíveis. Já entre os produtos exportados, destacam-se as carnes (26%) e açúcar (13%).

Os dados divulgados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre financiamentos à exportação de bens e serviços para obras de empreiteiras brasileiras no exterior mostram forte concentração das operações em apenas cinco países e Angola é o país  em que houve mais contratos.

A impressão que fica é que a política do Brasil em Angola passa por um momento delicado, e com a delação da Odebrecht na Operação Lava Jato,   afetará em muito as relações comerciais com Angola.

Os brasileiros devem ficar preocupados  pois as relações entre os povos angolanos e brasileiros não serão interrompidos, pois o trânsito de pessoas entre as nações é muito intenso apesar dos atropelos na economia daqui e além mar.

 

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Prosavana continua a gerar protestos em Moçambique

mediaembrapa.br

Um comunicado de mais de 80 organizações não governamentais de todo o mundo denuncia a “irregularidade” de um mecanismo de diálogo implementado pelos gestores do controverso programa ProSAVANA. Em causa continua a expropriação de camponeses moçambicanos no corredor de Nacala, norte de Moçambique para viabilizar este projeto implicando também o Brasil e o Japão.

Este é um projecto agroalimentar prevendo a entrega de 14 milhões de hectares de terras a interesses brasileiros no agro-negócio para produção de soja, milho e outros cereais.

Estes deveriam ser exportados, posteriormente, por multinacionais japonesas.

Um programa que tem merecido um coro de críticas em Moçambique, mas também no Japão e mesmo no Brasil.

A JICA, Agência de cooperação internacional do Japão, procurou estabelecer agora um interlocutor junto da sociedade civil neste programa.

Um programa de seleção denunciado porém por um vasto rol de organizações do ramo de vários países, incluindo as moçambicanas Justiça ambiental, Liga dos direitos humanos, União nacional dos camponeses, Livaningo, comissões diocesana e arquidiocesana da justiça e paz de Nampula ou a ADECRU, Associação académica para o desenvolvimento das comunidades rurais.

http://pt.rfi.fr/mocambique/20161108-prosavana-contestado-em-mocambique-e-nao-so

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A produção de açúcar está aquém das necessidades de Angola

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As projecções apontam a necessidade de importação de açúcar em Angola atinja os cerca de 15 por cento em 2020, com a Biocom nesta altura a atingir as 256 mil toneladas por ano e a cobrir pouco mais de 85 por cento do abastecimento ao mercado interno.
Um dos principais focos do Projecto Biocom para a primeira fase é cobrir a procura no mercado interno.

Actualmente o mercado consome cerca de 300 mil toneladas por ano. A Biocom, que é o único produtor no país, prevê atingir este ano as 47 mil toneladas e aumentar progressivamente a oferta até às 256 mil toneladas anuais em 2020. Os dados correspondem a projeções para a primeira fase do projecto que se propõe reduzir para apenas 15 por cento a necessidade de importação desse produto.
Para a segunda fase, já com mecado interno consolidado em termos de cobertura, está reservada para a exportação do açúcar “Kapanda”. Por essa altura a produção anual da Biocom andará a volta das 500 mil toneladas.
Depois da Independência Nacional é a primeira vez que o país produz açúcar cristal branco, etanol e energia através do bagaço da cana-de-açúcar. O Projecto Biocom tem-se destacado como um dos “grandes exemplos da viabilidade do processo de diversificação da economia angolana”.
Desde que começou a fase de produção, a Biocom tem somado resultados positivos. Na colheita de 2015-2016 produziu 24.770 toneladas de açúcar, 10.243 metros cúbicos de etanol e gerou 42 megawatts de energia eléctrica.
Na campanha de 2016-2017, que começou em Junho deste ano, foi definida a meta de 47 mil toneladas de açúcar, tendo sido superada para 51.514 toneladas, a produção do etanol chegou a 16 mil metros cúbicos para garantir a co-geração de 155 mil megawatts de energia. Em 2020-2021, altura em que se prevê atingir a capacidade máxima de produção da primeira fase, vão ser produzidas 256 mil toneladas de açúcar, 235 mil megawatts de energia eléctrica e 33 mil de metros cúbicos de etanol.

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A produção do açúcar da Biocom nesta primeira fase é destina ao mercado nacional, já a energia eléctrica é comercializada pela Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT). O etanol hidratado vai atender a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas alcoólicas espirituosas.
A Biocom representa o maior investimento privado de Angola fora do sector petrolífero, para o início da produção foram investidos 750 milhões de dólares. Ao longo da implementação do projecto foram alocados outros recursos dada a dinâmica da produção, com aquisição de mais meios técnicos e outros recursos, já foram investidos cerca de mil milhões de dólares.
A Biocom é uma empresa privada que tem como sócios a Cochan, com 40 por cento do capital, a Odebrecht detém também a mesma percentagem, e a Sonangol Holdings tem 20 por cento.
O projecto emprega 2.047 trabalhadores nacionais, em cada emprego directo são criados dez indirectos, a mão-de-obra é 91 por cento nacional. No processo agrícola e industrial a empresa utiliza tecnologia moderna e de ponta, que permite produzir açúcar, etanol e energia tendo como matéria-prima a cana-de-açúcar.

Melhor tecnologia

A Biocom conta com o mais moderno laboratório agrícola do país, que faz 320 análises por dia. Com capacidade para analisar o solo, folhas, corretivos e adubos, que fornece informações necessárias para tomada de decisões técnicas que resultam numa melhor produtividade da cultura de cana.
É através da análise do solo que se  avalia a sua fertilidade química. Com os resultados obtidos é possível determinar as quantidades adequadas de calcário e adubo necessários para melhorar a produtividade de forma tecnicamente correcta e economicamente adequada, para evitar gastos desnecessários.
Pereira Panzo, natural de Luanda, técnico de laboratório há sete meses na Biocom, explicou que para a realização de qualquer análise é necessária uma amostra de 300 gramas de solo. Para a colecta ideal é necessário seguir algumas orientações, como a escolha dos talhões homogêneos, que identificam a proporção de argila, areia, pedras, declividade, a cor e a profundidade do solo, posição no relevo, características de vegetação e o histórico de uso e adubação.
A colecta deve ser realizada após o término da colheita ou em áreas que serão plantadas pela primeira vez. O resultado da análise e a recomendação da adubação e calagem devem estar em mãos antes da primeira etapa de preparo do solo.
Para plantios convencionais que possam requerer calagem, recomenda-se colectar 120 dias antes do plantio.
Os pontos onde não podem ser realizadas colectas são aqueles que existem a presença de salalé, formigas ou que tenham sinais claros de atividade animal, áreas de depósito de adubos e calcário, próximo de instalações, estradas e trilhas.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através de multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima.
Pioneira no uso de técnicas avançadas de manejo, a empresa começou este ano a pulverização agrícola, para controlo de praga e adubação, com o uso de aeronave.
Tércia Bento, 37 anos, trabalha há oito anos na Biocom na área do laboratório de produção industrial. Natural de Malanje, disse que está satisfeita com o trabalho que faz. A técnica vive com um filho de dois anos, contou que o seu sonho sempre foi trabalhar em laboratórios. “Fiz um curso no Brasil de seis meses, onde aprendi quase tudo que sei hoje. Sinto-me satisfeita pelo que ganho aqui, dá para sustentar a mim e o meu filho”.

Programa de produtividade

A Biocom está empenhada na aplicação de um programa de produtividade que tem como meta conquistar a eficiência a partir da consciencialização dos seus quadros, gestos simples como a manutenção da limpeza e organização no local de trabalho, são exemplos de atitudes que contribuem para gerar a eficiência, que é sinônimo de produtividade.
Na área agrícola, quando um integrante se mantém atento às ocorrências que geram perdas e comunica esse facto ao seu líder, ele está a ser produtivo. Na indústria é fundamental observar o funcionamento das máquinas. Os integrantes da área administrativa devem primar pela pontualidade, assiduidade e agilidade. A empresa cumpre todos requisitos impostos pela Lei Geral do Trabalho, nomeadamente o abono de família.
Recebem horas extraordinárias todos aqueles que não estão no turno rotativo e trabalham entre as 20h00 e as 6h00, o valor adicional é de 20 por cento por cada hora de trabalho.
Para garantir os direitos sociais e a Segurança Social de cada trabalhador, a Biocom paga uma taxa de 11 por cento ao INSS e é descontado ao integrante três por cento todos os meses. O imposto Sobre o Rendimento de Trabalho é descontado numa percentagem que varia de acordo com o salário. É também pago o subsídio de aleitamento para os filhos  entre os zero e os três anos.

Processo de transformação

A colheita da cana é 100 por cento mecanizada. Depois de colhida na lavoura, ela passa por várias etapas, até ser transformada em açúcar e etanol, que da queima do bagaço ainda é gerada a energia eléctrica. Bartolomeu Zumba, líder de produção do açúcar, explicou à ­reportagem do Jornal de Angola que o transporte até à indústria é feito por 20 camiões, depois a cana é picada e desfibrada até chegar à moagem. A cana passa pelo difusor onde é extraído o caldo para a fabricação de açúcar e etanol e nesta etapa o bagaço é separado.
Natural do Cuanza Norte, Bartolomeu Zumba disse que na fase seguinte o bagaço é processado nas caldeiras para gerar vapor,  enviado para as turbinas de geradores de electricidade. Depois do caldo ser clarificado passa por evaporadores que removem grande parte da água e o transformam em um “xarope”. Esse líquido é bombeado para os tachos de cozimento para a cristalização do açúcar (sacarose).
As centrifugadoras separam os cristais de açúcar do líquido açucarado, denominado melado, contou. Em seguida, o açúcar passa no secador para retirar a umidade contida nos cristais. Na saída do secador o produto é enviado até ao silo ou armazém de onde é feito o ensacamento ou expedição a granel. “Diariamente produzimos entre oito a dez mil sacos de 50 quilos”, disse.
Após a fermentação a levedura é separada do vinho e recuperada por meio da centrifugação, depois segue para o aparelho de destilação onde o álcool é separado, concentrado e purificado até 99,6 por cento para a produção do etanol anidro (isento de água), por último o biocombustível é armazenado em grandes tanques ou reservatórios, onde diariamente podem produzir até 20 mil litros.
A área de produção conta com 25 máquinas colhedoras, dez plantadoras, com quatro distribuidora de cana. Só no mês de Outubro, no sector produtivo foram consumidos um milhão e 400 litros de combustível, com uma média diária de 46 mil litros.
Samba Domingos, operadora de máquina colhedora, recorda como foi difícil e ao mesmo tempo enriquecedor o início da sua carreira no campo, principalmente pelo facto de ser mulher. Vive em Malanje e para chegar a horas ao trabalho tem de acordar às 5h00, e larga às 15h20.
“Sinto orgulho por fazer parte deste projecto, antes sofria discriminação, os colegas desincentivavam a dizer que este não era trabalho para mim, mas esta contrariedade deu-me mais força para aprender e superar as expectativas e hoje faço o trabalho normalmente sem sobressaltos”, revelou.

Maior investimento

A Biocom representa atualmente o maior investimento privado em Angola, fora do sector petrolífero, e é um importante activo de desenvolvimento nacional. ­
Localizada no Pólo Agro-Industrial de Kapanda, ocupa uma área total de 81.201 hectares, dos quais 70.106 são cultiváveis e 11.095 reservados à preservação da fauna e flora local. As atividades da empresa englobam duas áreas de produção agrícola e industrial.
Os trabalhos na área agrícola funcionam durante todo o ano e incluem a preparação do solo, plantio e replantio e colheita da cana-de-açúcar, que este ano teve início em Junho e terminou em Outubro.
O terreno utilizado para o plantio e replantio precisa de correcções e nutrientes que permitem maior produtividade agrícola. Nesta primeira fase, a plantação de cana-de-açúcar está a ser feita numa área de 42.500 hectares, dos quais 15 mil já plantados.
A atividade industrial funciona em tempo integral durante todo o período de colheita, produzindo açúcar, etanol e energia.
Nos demais meses do ano, a indústria opera com a produção de energia através da queima de cavaco de madeira oriunda do processo de supressão vegetal das áreas da fazenda. Este período também é aproveitado para proceder à manutenção de todos os equipamentos da indústria.
Este regime de operação é típico da indústria de álcool proveniente da cana-de-açúcar em qualquer parte do Mundo e decorre da impossibilidade de colheita no período de chuva.

Consumo de açúcar

O açúcar produzido pela Biocom é destinado ao mercado interno. Já o etanol hidratado tem servido a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas espirituosas, tendo reduzido em mais de 60 por cento as importações. A energia eléctrica é negociada com a Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT), estando actualmente a fornecer ao município de Cacuso e parte de Luanda.
A aposta forte em recursos humanos e estruturas físicas tem contribuído significativamente para a continuação da produção agrícola, estudos, pesquisas de laboratório, equipamentos de ponta e mão-de-obra qualificada.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através da multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima. São 36 as variedades de cana-de-açúcar importadas da África do Sul, Brasil e Índia, das quais dez já se encontram plantadas.
A produção em Malanje é multifacetada. Homens e máquinas tiram partido do potencial de desenvolvimento. No total, 2.047 trabalhadores dão suporte ao projecto.
O espaço onde exercem a atividade corrente correspondente a 50 campos de futebol.
Toda a produção agrícola tem como objectivo alimentar a indústria instalada numa área de 17 mil hectares para a produção de açúcar, etanol e energia eléctrica.

Projecto social

O incentivo ao desenvolvimento econômico e sustentável para a promoção de renda faz parte da política social da empresa. Mais de 300 famílias beneficiam de um programa de agricultura familiar, onde todos os produtos são vendidos directamente à Biocom. Existe também a fabricação de sabão neutro a partir do óleo de cozinha usado. Mais de 20 mulheres da comunidade de Cacuso beneficiam do programa e têm a oportunidade de se desenvolverem profissionalmente e contribuir para o sustento das suas famílias.
Existe também um programa de desporto, educação, cultura e lazer que beneficia centenas de pessoas. A escola Palancas Negras, agregada ao projecto, oferece aulas de judo, jiu-jitsu e actividades culturais para dezenas de crianças e jovens da região de Cacuso.

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Libéria e Quênia interessados em programas brasileiros de segurança alimentar

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Em viagem ao Brasil dos dias 24 a 31 de outubro para conhecer políticas nacionais de nutrição, delegações da Libéria e do Quênia visitaram cooperativas e centros de ensino no Rio Grande do Sul, onde estudantes, professores e agricultores estão envolvidos em projetos de alimentação escolar. A missão foi conduzida pelo Centro de Excelência contra a Fome.

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A primeira parada na segunda-feira foi a Escola Municipal de Educação Infantil Humaitá. O colégio atende 106 crianças de um a cinco anos, que fazem quatro refeições por dia. Para entender como os alimentos são preparados, integrantes das delegações foram às cozinhas da instituição e participaram da hora escolar — momento em que docentes e alunos cultivam frutas e vegetais utilizados na merenda.

“Nosso objetivo é dar às crianças a oportunidade de experimentar a sensação de cultivar sua própria comida. A horta não consegue suprir todos os ingredientes de que precisamos para as refeições das escolas, mas nós a utilizamos como um espaço em que as crianças podem se familiarizar com o que comem, um espaço para aprender sobre a importância de uma dieta saudável”, explicou a diretora do colégio, Patrícia Freitas.

O centro de ensino apresentou ainda outras iniciativas, como um programa de aproveitamento de água que coleta chuva para irrigar a horta e também para uso nos lavabos. A escola Humaitá também orienta crianças sobre como manter uma dieta saudável e sobre os riscos de uma alimentação baseada em produtos ultra-processados.

No mesmo dia, no Antônio Giúdice, colégio municipal de ensino fundamental, representantes dos países africanos foram apresentados a um projeto de compostagem que transforma o lixo da cozinha em fertilizante para a horta escolar.

Após visita às escolas, estrangeiros conheceram um restaurante comunitário subsidiado pelo governo local que oferece alimentação saudável a preços acessíveis para populações vulneráveis. Ao final do dia, as delegações visitaram um banco de leite humano e conversaram com técnicos brasileiros sobre as estratégias nacionais de estímulo ao aleitamento para o fornecimento de leite a crianças cujas mães não podem amamentar.

Agricultura familiar

Na terça-feira, os representantes da Libéria e do Quênia visitaram uma cooperativa de agricultores familiares no município de Viamão, Rio Grande do Sul. O que foi um dia uma única propriedade de terra, hoje é o assentamento de 375 agricultores familiares devido à reforma agrária.

Atualmente, a cooperativa fornece arroz e vegetais para escolas da região. Toda a comida produzida pelos agricultores familiares é orgânica. “Ao prover alimentação para o programa de alimentação escolar, damos às crianças acesso à alimentação saudável e apoio aos agricultores locais”, afirmou o coordenador do empreendimento, Huli Zang.

A cooperativa também produz pães, bolos e biscoitos com ingredientes regionais. Cerca de 95% da produção da padaria da cooperativa é vendida para centros de ensino das redondezas. A maioria das pessoas trabalhando na padaria é de mulheres, o que ajudou a incrementar a renda média das famílias e o padrão de vida da comunidade.

Foco na atenção básica de saúde

A visita de campo foi concluída em um centro de saúde na capital gaúcha, onde as delegações puderam aprender sobre a Estratégia Saúde da Família do Brasil, voltada para o combate à mortalidade de crianças.

“Ao combinar o atendimento básico de saúde a outras políticas de proteção social, como a transferência condicional de renda, o Brasil reduziu suas taxas de mortalidade infantil e melhorou os índices de desnutrição”, explicou a coordenadora da atenção básica da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Vania Frantz.

Para atender às exigências de saúde e nutrição, crianças com menos de sete anos devem receber todas as vacinas obrigatórias e cumprir um calendário de monitoramento do crescimento e da situação de saúde. Mulheres grávidas e lactantes também devem comparecer a consultas pré e pós-natal, além de participar de atividades de educação em saúde e nutrição.

Intercâmbio de conhecimentos em nutrição

Compostas por representantes dos ministérios da Saúde e Agricultura, da sociedade civil e dos escritórios do Programa Mundial de Alimentos da ONU nos dois países, as delegações participaram também do XXIV Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), que aconteceu em Porto Alegre dos dias 26 a 29 de outubro.

Libéria e Quênia conhecem políticas brasileiras de nutrição em visita ao Rio Grande do Sul

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É preciso repensar a CPLP

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por João Dias | Brasília
 
 
 
O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, instou sexta-feira, em Brasília, os Estados-membros a repensarem os objectivos da organização, tendo em conta os desafios impostos pela globalização e outros eventos internacionais de que não deve permanecer indiferente.
“Ao fim de duas décadas de existência era preciso que a CPLP repensasse os seus objectivos, tendo em conta as mudanças que o mundo está a viver, através da globalização e outros eventos internacionais de que a organização não podia ficar alheia”, sugeriu o moçambicano à imprensa.
Em fim de mandato após quatro anos no secretariado executivo da organização, Murade Murargy reconheceu que deixa uma CPLP ainda em construção e que era chegada a hora de os Chefes de Estado aprovarem uma nova visão estratégica para a próxima década, tendo em conta os problemas que o mundo vive.
Murada Murargy defendeu maior aproximação da organização aos cidadãos dos respectivos Estados-membros, pois entende ser o momento de a CPLP sair da “concha e fazer com que o cidadão se aproxime e sinta que a organização está para ele”. Em torno do Acordo Ortográfico voltou a afirmar que o investimento feito foi enorme e que “os países africanos talvez não estivessem preparados para um investimento dessa envergadura”, na medida em que as implicações financeiras para países como Moçambique e Guiné-Bissau e outros são enormes. “É preciso perceber que estes países têm outras prioridades. Há questões que dizem respeito ao combate à fome e à pobreza que são mais importantes que alterar esta ou aquela forma de escrever”, justificou.
O diplomata voltou a defender também uma maior mobilidade dentro do espaço CPLP, o que permitiria que os estudantes, investigadores, pesquisadores, homens de negócios, desportistas, jornalistas e artistas pudessem circular livremente dentro do espaço comunitário e buscar as valências culturais, técnicas e científicas necessárias para o desenvolvimento. “Não podemos dizer que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é visível e próxima ao cidadão se não pudermos fazer isso”, asseverou Murade Murargy, que falou da resolução aprovada pelos Chefes de Estado e que baixa instruções aos ministros do Interior e Administração Interna a acelerarem a aplicação dos Acordos de Brasília que estabelecem que certos grupos comecem já a circular livremente no espaço comunitário. Murargy reconheceu haver alguma resistência na efetivação destes projectos e explicou que alguns dos países da CPLP pertencem a certas zonas com limitações de movimentos, como Portugal, que está inserido no espaço Schengen e tem uma série de regras. Caso esteja disposto a adoptar o Acordo de Mobilidade no Espaço Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, vai ter de negociar para encontrar formas de as ultrapassar. O Governo português, disse, está sensível a isso e vê na mobilidade uma questão prioritária.
“Quando um dia, o cidadão sentir que há mobilidade no espaço, essa vai ser a grande vitória da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Quando um dia for possível matricular-se numa universidade de qualquer país da comunidade sem entraves ou ter uma bolsa da CPLP, essa vai ser uma vitória. Por enquanto todo o mundo se queixa e eu também me queixo de que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ainda não se faz sentir”, sublinhou o moçambicano ao serviço da organização.
 
Mobilidade na comunidade
 
Quanto ao estatuto do cidadão lusófono, Murade Murargy justificou que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem apenas 20 anos e que a maior parte dos nossos países tem ainda questões internas por resolver e outros que precisam de se consolidar como Estados ou nações. “Não podemos queimar etapas. Ter um Estatuto de Cidadão Lusófono tem muitas implicações, uma delas por exemplo, seria a de um cidadão de determinado país ter direitos cívicos e políticos num outro. O certo é que muitos dos nossos países não estão preparados para esta fase”, argumentou.
Para uma Comunidade dos Países de Língua Portuguesa actuante, viva e pragmática, o diplomata disse que é preciso despertar a atenção dos Chefes de Estado e de Governo para se encontrar uma agenda comum que permita que o cidadão se sinta mais próximo e que não se faça da organização apenas uma bandeira para cada país usar em torno da sua política externa e objectivos individuais.
“Para alguns a agenda é a língua, para outros, a cooperação política e diplomática e ainda existe quem a utilize para as suas relações bilaterais. Uma CPLP assim não tem razão de existir. Tenho-me batido para uma agenda única em que a educação, saúde e relações comerciais e de investimento sejam tornadas realidade”, referiu. Apesar disso, disse existirem pequenas acções a acontecer dentro do espaço comunitário, como a segurança alimentar e nutricional que motivaram a criação da campanha “Juntos contra a fome”, visando incentivar e apoiar pequenos agricultores a produzir alimentos para aliviar a pobreza nas zonas rurais, além de estar a decorrer uma campanha sobre a ”Luta contra o Trabalho Infantil”, entre outras ações e projectos.
O secretário executivo da CPLP em fim de mandato defendeu igualmente que os Estados membros devem concentrar-se na questão do desenvolvimento humano, olhando para a área da educação, saúde e energia, pois “se não tivermos o homem preparado para os desafios não vai haver desenvolvimento econômico”. Sobre a questão energética disse ser preciso reconhecer que todos os países da organização têm grande potencial e que torna-se imperioso cooperar para formar quadros e instituições para regulação das políticas de produção de energia. Timor-Leste, por exemplo, propôs a criação de uma empresa conjunta para exploração de petróleo.
Na área do turismo, defendeu que os países tracem políticas de facilitação turística, e na agricultura devem ser feitas parcerias para contrapor o défice alimentar, já que na sua opinião existem condições climáticas favoráveis e terras férteis. “Podíamos aproveitar as capacidades técnicas do Brasil para pesquisa e investigação na área da agricultura e produzir alimentos, não só para consumo interno, mas também para a exportação”, disse. Na área da agricultura, lembrou, há já um exemplo de cooperação que envolve Moçambique, Japão e Brasil. Não se pode dispersar muito. É preciso definir poucas áreas e focar-se nelas.
 
Cooperação mais igual
 
O secretário executivo da CPLP defende uma cooperação mais igual entre os países da organização. “A CPLP deve ser uma organização em que todos os países cooperem em pé de igualdade, mas isso não acontece. Há países com nível de analfabetismo elevado e que lutam ainda para ensinar o seu povo a ler e a escrever”, disse.
Numa altura em que Angola enfrenta um revés económico e financeiro, Moçambique um problema político, tal como a Guiné-Bissau e o Brasil, o diplomata lembrou que os problemas que os países da organização enfrentam atualmente fazem-no regressar a 1986, quando foi criada. Mas disse acreditar que os governos dos “nossos países têm a capacidade de ultrapassar a situação”. Lembrou que a crise internacional veio agravá-la ainda mais. Porém, acredita estar a deixar uma Comunidade dos Países de Língua Portuguesa viva e ativa e que os países vão ultrapassar todas as situações desfavoráveis que vivem. “Temos um potencial enorme que não podemos desperdiçar. Se analisar os nossos países, vai notar que cada um deles tem um potencial econômico e humano demasiadamente forte para se deixar vencer pelas crises cíclicas”, referiu Murade Murargy.
 
Quadros da CPLP
 
Numa altura em que a CPLP conta com quase 90 por cento de quadros portugueses e inexpressivos três por cento de africanos, Murade Murargy admitiu que tal constitui preocupação para todos os países. Mas, prosseguiu, o grande problema está no orçamento da CPLP, que é muito baixo. Quando foi criada a organização, explicou, ela ficou instalada em Portugal e 90 por cento dos funcionários são portugueses.
O diplomata lembrou que alterar isso vai significar alterar o orçamento. “Os salários que são praticados não são atrativos para cidadãos de outros países. Para um angolano ou guineense transferir-se para Portugal, o ideal é ter um salário que faça face às despesas de um cidadão num país estrangeiro”, explicou. Ainda assim, defendeu que é preciso adotar critérios de admissão em que cada Estado-membro, ele próprio, escolhesse quadros com capacidade para a CPLP, por um lado. Por outro, os candidatos deviam candidatar-se e submeter-se a um concurso público. “É uma decisão a ser analisada.
Mas o certo é que ninguém quer aumentar o orçamento, embora seja necessário uma maior equilíbrio na representatividade de quadros na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, referiu.
O embaixador Murade Murargy destacou o facto de a organização estar a tornar-se cada vez mais visível a nível internacional e a justificá-lo, entre outros aspectos, estão as candidaturas de países de vários continentes para membros observadores da CPLP. A República Checa, Hungria, Eslováquia, Geórgia, Senegal e Uruguai candidataram-se a membros observadores da organização e juntam-se assim às Maurícias, Turquia, Namíbia e Japão. “Eles pretendem mais cooperação. A Turquia usou isso para entrar no mercado moçambicano e angolano, entre outros. Os japoneses têm grande penetração no Brasil. Além disso, há um grande interesse cultural e econômico”, concluiu, augurando uma presidência brasileira capaz de tornar a organização mais credível ainda e incontornável nas relações internacionais.
 
 
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Guiné-Bissau considera que CPLP tem “muito potencial e futuro”

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A Guiné-Bissau considera a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) um espaço “com muito potencial e futuro”, disse o representante do país na organização.
 
 
A CPLP é “uma das grandes organizações mundiais” com “potencial em vários domínios”, acrescentou Mbala Fernandes, representante guineense na comissão de concertação permanente da CPLP e encarregado de negócios da Guiné-Bissau em Portugal.
 
 
 
Se o espaço da CPLP for aproveitado na plenitude, poderá ajudar a mudar a vida dos cidadãos lusófonos, destacou, em declarações à Lusa a propósito da XI conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que se realiza na segunda e na terça-feira, em Brasília.
 
Para o diplomata guineense, “é errado afirmar-se que a CPLP é uma organização parada no tempo”, limitando-se apenas a cumprir com os pressupostos da sua fundação de concertação político-diplomático e promoção da língua portuguesa.
 
“A CPLP há muito que deixou de ser só isso”, observou Mbala Fernandes, frisando, no entanto, que a concertação político-diplomática se mantém vincada entre os países lusófonos, citando o caso da Guiné-Bissau, que disse ser um laboratório da organização nessa vertente.
 
“A CPLP ganhou visibilidade com os problemas da Guiné-Bissau. Hoje fala-se e muito do nosso país a nível da CEDEAO, União Africana, União Europeia e Nações Unidas. Infelizmente a Guiné-Bissau deu destaque à CPLP”, notou o diplomata.
 
Mbala Fernandes também não tem dúvidas de que a Guiné-Bissau é o país da comunidade lusófona onde mais se ouve falar da CPLP, isto é, onde os cidadãos conhecem mais a organização, salientou.
 
O representante da Guiné-Bissau no espaço de concertação permanente é da opinião que a CPLP “é hoje uma organização alinhada com a globalização”, e aberta cada vez mais aos cidadãos em espaços próprios, sobretudo vocacionados para intercâmbio comercial e troca de conhecimentos.
 
Apontou os casos da comissão empresarial, fórum de agricultura, da ciência e tecnologia, do ensino superior, entre outros espaços de dinamização do ideal lusófono, embora lamente a falta de mobilidade que ainda se regista na comunidade.
 
“Hoje em dia há mais iniciativas na área econômica do que política”, defendeu Fernandes, que se congratulou com o facto de o Brasil assumir a presidência da organização, apontando os ganhos possíveis para países africanos em espaços como Mercosul e os BRICS (economias emergentes), mercados, que, notou, podem ser explorados.
 
A nível bilateral, lembrou que o Brasil “nunca virou às costas à Guiné-Bissau” e desde que abriu a sua embaixada em Bissau, nos primeiros anos de independência, nunca a fechou, disse.
 
Em relação às expetativas sobre o desempenho da nova secretária-executiva da CPLP, a são-tomense Maria do Carmo Silveira, Mbala Fernandes afirmou que a Guiné-Bissau espera que tenha a mesma atenção para com os problemas do país, tal como fizeram os anteriores responsáveis.
 
Disse não estar na posse das melhores informações sobre a nova secretária-executiva da CPLP, mas afirmou saber tratar-se de uma ex-governante em São Tomé e Príncipe, logo, observou, pessoa com competência para o cargo.
 
“É uma escolha de um país amigo, uma pessoa que trabalhou no Governo do seu país, com experiência governativa, de quem esperamos que faça superior ou igual em relação ao desempenho dos anteriores secretários executivos da CPLP em relação à Guiné-Bissau”, concluiu Mbala Fernandes