Africanos estão no Brasil para aprender técnicas de produção de sementes de gramíneas forrageiras

Foto: Laura Souza Pereira

Laura Souza Pereira - Africanos participam de workshop sobre produção de sementes

Africanos participam de workshop sobre produção de sementes

Um grupo de africanos participa, nesta semana, de um workshop sobre produção de sementes de gramíneas forrageiras na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). São 16 representantes de países africanos que estão na delegação. O evento, que vai até sexta-feira (15), foi articulado pela Embrapa em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

O objetivo é identificar potenciais, restrições e limitações à produção de sementes de forrageiras utilizadas no Brasil com possibilidade de uso consorciado em lavouras de algodão em cinco países africanos – Benin, Burkina Faso, Chade, Mali e Togo. O workshop também vai apresentar e discutir alternativas técnicas à produção de sementes dessas gramíneas e elaborar um planejamento inicial para a multiplicação de sementes nesses países.

De acordo com o pesquisador Francisco Dübbern de Souza, que está trabalhando o tema com os visitantes, a intenção é apresentar a experiência brasileira nessa área. “A ideia é que a experiência do Brasil sirva de inspiração para eles solucionarem os problemas com pastagem em seus países”, destacou Souza.

Para Fagaye Sissoko, a expectativa com a formação é que o grupo aprenda e domine a técnica de multiplicação das sementes de gramíneas para não depender mais do Brasil. “As sementes de pastagens sempre partiram do Brasil para os países da África. Agora, é preciso que aprendamos a multiplicar essas sementes. Sabemos dos benefícios dessas plantas para o solo e para a cultura do algodão”, afirmou Sissoko, representante de Mali.

A programação do workshop inclui visitas a campo, laboratórios e experimentos da Embrapa. Os representantes de cada país vão caracterizar as condições locais de cultivo e de uso das sementes de gramíneas forrageiras tropicais em seus países. Na tarde de quinta-feira (14) começa o trabalho em grupo que prevê a definição do planejamento para produção de sementes. O workshop termina sexta-feira (15), às 11h30.

Histórico

O projeto de cooperação técnica internacional “Fortalecimento tecnológico e difusão de boas práticas agrícolas para o algodão nos países do Cotton-4 e Togo” começou em 2009. A iniciativa visa ajudar os cinco países africanos a desenvolver o setor de algodão, aumentando a produtividade, gerando diversidade genética e aprimorando a qualidade do produto cultivado.

Produtores de algodão da África Ocidental perceberam aumento da produtividade quando consorciaram braquiária à cultura original. A Embrapa chegou a enviar sementes da gramínea à África, mas os resultados não foram positivos por falta de conhecimento.

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Acordo Brasil, Japão e Moçambique tem oposição do “Não ao Prosavana”

Campanha “Não ao Prosavana” reitera sua posição

Os governos de Moçambique, Brasil e Japão, estão a tomar acções com vista à implementação efectiva do programa Prosavana. Contudo, a campanha “Não ao Prosavana” reitera sua posição contra a implementação desse projecto.

A campanha “Não ao Prosavana”, diz que esses países estão a ignorar todas as contestações dos camponeses moçambicanos e das organizações da sociedade civil, afiliadas ou não ao Pro-savana.

De acordo com o calendário das acções de implementação do programa, as actividades do Pro-savana já iniciaram, sendo que a “Campanha Não ao Prosavana” não foi ouvida e tudo que já foi dito sobre o programa foi ignorado.

Os membros da campanha contra o Prosavana dizem que, esse programa não é e jamais será alternativa de desenvolvimento agrário que se ajuste as necessidades dos moçambicanos.

A campanha continua a defender a agricultura camponesa e familiar, como a única forma do país alcançar a soberania alimentar e evitar que os produtores familiares caiam na armadilha das corporações que pretendem controlar o sistema alimentar.

No entanto, a Campanha Não ao Prosavana mantém a expectativa de um diálogo aberto, democrático, inclusivo e construtivo com o governo para responder as necessidades dos moçambicanos

http://opais.sapo.mz/campanha-nao-ao-prosavana-reitera-sua-posicao

Agricultura em Angola é prioridade do Governo, mas não recebe dotação orçamentária

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Em Angola a agricultura, pecuária, silvicultura e pesca no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2001 e 2003 foi de cerca de 8,00 por cento, indicador que aumentou em 2017 para 12 por cento, devido os programas de investimento público. O governo angolano tem anunciado diversos investimentos na agricultura, pesca , nomeadamente na compra de equipamentos, valorização da mulher rural, estabelecendo parcerias com países como Itália, Espanha, Alemanha, Brasil e outros.

Agostinho Neto, após ter proclamado a independência de Angola, em 1975, declarou 1979 como o “Ano da Agricultura”. Participou em campanhas durante os seus quatro “meteoritos” anos de presidência, a ramagem de milho, café e algodão são símbolos que estão no  mais alto da insígnia da nação angolana.

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O indicador do setor agrícola tenha contribuído para uma redução da fome, o impacto foi menor na redução da pobreza”.
A maior parte do crescimento deveu-se a expansão das terras cultivadas e não a um aumento da produtividade. “Mesmo que o setor da agricultura tenha sido identificado como área prioritária na estratégia de redução da pobreza, as dotações orçamentais para o setor continuam baixas. Nos últimos anos, a fatia do Orçamento Geral do Estado (OGE) para a agricultura não chega a um por cento.

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Antes da Independência, Angola era autossuficiente em todos os principais gêneros alimentares, exceto na produção do trigo, e exportava vários produtos agrícolas, em particular o café e açúcar. “A guerra e a falta de investimento tiveram um forte impacto no sector agro-alimentar e, desde 1990, o país depende da importação de alimentos e da ajuda alimentar.
Hoje, apenas dez por cento das terras aráveis de Angola são cultivadas e a produtividade por área cultivada é uma das mais baixas da África Subsaariana.

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No contexto de crise, parece-me existir um desinteresse quase generalizado por parte dos angolanos na produção dos seus próprios alimentos, respeitando algumas excepções que permitem que chegue até à nossa mesa alguma produção local e que haja excedente de alguns tubérculos e banana que, regra geral, deixaram de ser importada, há tempo.

Burkina Faso, Etiópia, Guiné, Malawi, Mali, Níger, Senegal e Zimbabwe têm honrado o compromisso de dedicar 10% do orçamento para agricultura e são a prova de que este tipo de investimentos pode resultar em melhorias na vida dos seus cidadãos. Por exemplo, no Burkina Faso, o crescimento do sector agrícola tem estado acima de 6 por cento ao ano, há já algum tempo, e parece estar no bom caminho para a eliminação dos altos índices de fome e de extrema pobreza.

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De várias partes do Mundo chegam alguns exemplos e, em alguns casos, verifica-se até mesmo algum excesso de zelo. De qualquer forma, alguns exemplos ajudam a uma rápida e melhor reflexão. A Etiópia quer atingir até 2025 o estatuto de país com uma economia de rendimento médio. Para tal, foram feitas sérias apostas na agricultura e hoje o país é um dos maiores produtores do continente em gergelim (semente de sésamo) e criação de gado.bananas-angola-itália.jpg

Robert Mugabe, ex presidente  no Zimbabwe, outrora conhecido como celeiro de África, conduziu uma reforma agrária que resultou na redistribuição sem compensação aos fazendeiros brancos. Muitos estabelecem comparação do processo com o de uma mulher que dá luz a um filho, por via de uma “cesariana”.

Na África do Sul e também na vizinha Namíbia, esse tema continua a ser um assunto crítico. Em um jantar oferecido pelo presidente Mugabe, em Maio de 2017, em Harare, o Presidente Geingob, da Namíbia, referiu que o emotivo e complexo assunto sobre a reforma da terra requer conversação sincera e difícil. A terra deve ser um ativo produtivo, não apenas confinada à redistribuição.

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A agricultura se quer hoje e que agricultura se vai testar para as futuras gerações. Parece  sensato o investimento e apoio a agricultura  famíliar, para que possam apostar em atividades que garantam maior sustentabilidade.

Por que precisamos importar cacau da Costa do Marfim e Gana ?

CACAU (1)O Brasil importa cacau para suprir o que as lavouras brasileiras não conseguem entregar para atender a crescente demanda da indústria. Nos últimos anos, o setor sofreu bastante os efeitos da crise econômica do país e da crise hídrica, que reduziu a safra e impôs maiores custos à indústria por causa da necessidade de importação do produto. Enquanto as lavouras de cacau brasileiras não retomam a produtividade suficiente para o abastecimento interno, o setor importa a amêndoa de Gana.costa dao arfim

A importação não é a escolha ideal, mas tem sido a única alternativa para que as fábricas mantenham as atividades e os postos de trabalho, segundo avaliação da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). “A importação nunca é a opção mais vantajosa, pois temos a elevação de custos e os processos mais burocráticos. Entretanto, essa tem sido a única maneira de cobrir a instabilidade da produção nacional nas últimas décadas”, explica o diretor executivo da AIPC, Eduardo Bastos.

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A expectativa é de que o governo brasileiro volte a permitir a importação do cacau também da Costa do Marfim. A entrada do produto no Brasil foi suspensa por causa de um carregamento com um tipo de praga típica do país africano e que não existe no território brasileiro. Para garantir a segurança sanitária e certificar o país como habilitado a exportar cacau para o Brasil novamente, o Mapa reavalia a análise do risco de praga da Costa do Marfim.

No Brasil, a produção movimenta cerca de R$ 14 bilhões anualmente. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indicam que o cacau, com uma taxa de 8%, é um dos oito produtos agrícolas que apresentam aumento do faturamento neste ano. São 745 mil hectares de área plantada no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).chocolate

Quando se fala em cacau, é o chocolate que vem à mente. É natural que isso aconteça, já que esse subproduto da amêndoa é apreciado por grande parte da população brasileira. Mas a indústria do cacau não se limita à fabricação de chocolate, também exporta insumos já processados, como a manteiga de cacau e o pó de cacau, entre outros itens. O Brasil tem o terceiro maior parque confeiteiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e da Alemanha, sendo que a cadeia do cacau participa com cerca de R$ 20 bilhões no PIB do país.

Jornal de Angola: Agricultura: ontem, hoje e sempre!

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Várias revoluções da História universal foram “ajindungadas” pela descoberta do manuseio da semente para a satisfação da maior necessidade do Homem – a alimentação.

Mas, em outros casos, ganhou carga humorística. Por exemplo, Noé começou a cultivar a terra e plantou uma vinha. Ele bebeu do vinho e se embriagou e ficou nu dentro da tenda (Gn 9. 20-21). Constantino, no seu primeiro discurso a seguir à célebre batalha que derrubou o regime tirano de Maxentius, em Roma, prometeu reforma agrária, devolvendo as terras outrora roubadas pelo deposto tirano.

A Rainha Njinga Mbandi e seu irmão Ngola Mbandi, algum tempo de costas viradas, tiveram de fazer as pazes para enfrentarem a “kazukuta” do colonialismo, que os impedia de ter acesso às terras e rios, facto que causara fome e insegurança ao povo Mbundu, do então Reino do Ndongo.
Fidel Castro, líder da revolução cubana que derrubou Fulgêncio Baptista, regime sob o qual 70 por cento das terras aráveis pertenciam aos estrangeiros, conduziu uma reforma agrária que nem terras de seus familiares poupou, ao mesmo tempo que milhões de jovens eram enviados para as áreas mais isoladas, para ensinar os agricultores a ler e a escrever. Agostinho Neto, após ter proclamado a independência de Angola, em 1975, declarou 1979 como o “Ano da Agricultura”. Participou em campanhas durante os seus quatro “meteoritos” anos de presidência.
Bem próximo de Angola, Robert Mugabe, no Zimbabwe, outrora conhecido como celeiro de África, conduziu uma reforma agrária que resultou na redistribuição sem compensação aos fazendeiros brancos. Muitos estabelecem comparação do processo com o de uma mulher que dá luz a um filho, por via de uma “cesariana”.

Na África do Sul e também na vizinha Namíbia, esse tema continua a ser um assunto crítico. Em um jantar oferecido pelo presidente Mugabe, em Maio de 2017, em Harare, o Presidente Geingob, da Namíbia, referiu que o emotivo e complexo assunto sobre a reforma da terra requer conversação sincera e difícil. A terra deve ser um activo productivo, não apenas confinada à redistribuição. Desde os primórdios da fundação do mundo a agricultura esteve e continuará presente, enquanto o planeta terra se mantiver habitável com as condições edáfo e de climas favoráveis para essa prática. E continuará a ser o “trunfo” da qualidade de vida e longevidade dos povos que lhe prestam a devida atenção e que desenvolverem uma relação muito afectiva com ela.

 

Por conseguinte, a pobreza, penúria e a doença graçam aos que a ignoram, em consequência dos chamados “abusos de bitacanha”.
É chegada a hora de fazermos uma reflexão em torno da razão do surgimento da ramagem de milho, café e algodão, no símbolo mais alto da nação angolana, a insígnia, a fim de que, como actual “angolense” possamos preservar as conquistas herdadas e definir que agricultura se quer hoje e que agricultura se vai testar para as futuras gerações. Parece mais sensato o investimento e potenciação das famílias, para que possam apostar em actividades que garantem maior sustentabilidade a curto e longo prazo, que olhar-se para o mediocríssimo do “poder” baseado na força e não na lógica que, no caso, se resumo da exercitação da principal variável de crescimento.

A viabilidade da classe camponesa é inquestionável e tem vincado ao longo de milhões de anos. No nosso caso específico, basta reparar na forma como ela tem sabido resistir e adequar-se ao seu jeito, com ou sem apoio, ao longo de vários momentos da históra e contexto político, económico e social, lançando por terra a antiga percepção de que “o camponês não consegue ver a luz no fundo do túnel”. Chegou-se na hora de “arrumarmos a cozinha”.

* O autor é responsável pela revista angolana “Arena Agrop

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/agricultura__ontem_hoje_e_sempre

Jovens africanos estudaram a cadeia produtiva da mandioca no Brasil

Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Embrapa treina jovens de 14 países africanos na Bahia

Imagem: Embrapa

Embrapa - O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

Até o dia 17 de novembro, 28 jovens de 14 países africanos participam do “Treinamento em propagação, produção e processamento da mandioca para jovens africanos”, ministrado na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África (Ibraf), organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África. Os países representados são: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Desde o dia 23 de outubro, o grupo recebe informações sobre a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios e campos experimentais da UD e em áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, o grupo também vai receber informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa.

O programa inclui visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

A escolha da agricultura como primeiro tema do YTTP faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da primeira desta primeira etapa do programa, que busca a transformação da agricultura no continente africano. “A agricultura é uma matriz comum ao continente africano e ao Brasil, e entendo isso de forma muito clara: para desenvolver um país como um todo ou o continente como um todo, primeiramente, tem que ser através do desenvolvimento da agricultura”, declarou João Bosco Monte, presidente do Ibraf.

Com o objetivo de definir a programação do treinamento, Monte já tinha estado na Unidade em março e julho. “Para o Ibraf, a Embrapa é uma parceira fundamental e imperativa. O programa tem três pilares: a faixa etária, porque queríamos jovens; o gênero, porque queríamos equidade; e a continentalidade. Por isso, temos representantes de 14 países da África, que é formada por 54 países”, disse.

Entre os alunos, compostos por produtores e técnicos, a expectativa é grande. Beckie Nakabugo, de Uganda, é uma delas. “Aprender sobre mandioca vai beneficiar meu país, porque o povo está desanimado. Lá tem o Cassava Brown Streak Virus, e muitos produtores desistem de plantar. Minhas expectativas com o curso são grandes, porque a Embrapa é uma empresa grande e nós estamos recebendo o melhor tratamento, com os melhores professores”, afirmou.

Ernest Lifu Atem, de Camarões, está gostando da experiência. “Alguns dos temas a gente precisaria de, no mínimo, seis meses para realmente entender, mas estamos aprendendo bastante. Espero transformação de mente, de conhecimento. Espero ver mais métodos do que resultados dos trabalhos feitos aqui no Brasil. Claro que os resultados também são importantes para comparar as análises, mas o que mais importa é aprender métodos para aplicar no meu local de trabalho”, salientou.

“A formação ocorre bem, os palestrantes explicam bem os cursos e as matérias. Uma coisa muito interessante é a associação da teoria com a prática. É muito interessante ver o que eles falam e as provas reais do que aconteceu. Eu espero que a formação continue assim até o final. Nós fomos bem acolhidos, e a Embrapa é um lugar bem calmo, ideal para aprender”, destacou Guelord Nsuanda, da República Democrática do Congo.

“Como responsáveis pelo treinamento, esperamos que os alunos repassem esse conhecimento porque ele realmente tem que chegar ao produtor”, disse o pesquisador Marcio Porto, do Núcleo de Relações Internacionais, um dos organizadores do curso, ao lado de Alfredo Alves.

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Encerramento do curso

“Meu sonho para os jovens africanos é que se tornem milionários. A pergunta é: como isso vai acontecer? A resposta: só vai acontecer quando a juventude africana praticar agricultura como negócio. E esse é o propósito de estarmos aqui. Garanto ao Instituto Brasil África e à Embrapa que daqui a cinco anos os participantes que estão aqui vão se tornar milionários. Iremos fazer uso do que aprendemos. Não somente iremos nos tornar milionários, mas iremos criar empregos para outros jovens africanos, que vão ter um trabalho digno.” Com esse depoimento, o jovem Obinna Atu, da Nigéria, encerrou sua participação no curso sobre propagação, produção e processamento da mandioca, que treinou, durante um mês, 28 jovens de 14 países africanos na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

No workshop de encerramento, que contou com a presença do presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, do chefe-geral Alberto Vilarinhos e de integrantes da equipe técnica de mandioca, um jovem representante de cada país resumiu o que significou o curso e como pretende aplicar os novos conhecimentos (veja cinco depoimentos abaixo). Os países representados foram: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

“Depois de 30 dias de intensas atividades, o resumo é muito valioso. O que imaginamos há mais de um ano, quando idealizamos esse programa, era trazer jovens africanos para receber treinamento no Brasil em instituições campeãs que pudessem agregar valor a eles. A ideia, então, era trazê-los para aprender no melhor lugar. Quando ouço os depoimentos e olho nos olhos deles, vejo que valeu a pena o investimento para que esses 28 jovens pudessem receber esse conhecimento aqui, que pode se transformar em algo muito maior. Essa é a beleza de um treinamento como esse. Os jovens saem com o conhecimento adquirido, mas podem ser multiplicadores disso em seus lugares de origem”, avaliou Bosco.

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África, organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África sediada em Fortaleza (CE). A escolha pela agricultura como primeiro tema faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da desta primeira etapa do programa.

O grupo recebeu informações sobre toda a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios, campos experimentais da Unidade e áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, também foram repassadas informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa. A programação incluiu visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

“Não é fácil reunir pessoas de 14 países, falando dois idiomas (inglês e francês) e muitos outros, seus idiomas nativos. Uma verdadeira torre de babel. Mas deu tudo certo. O curso foi produtivo, e a avaliação dos participantes em relação à Embrapa foi muito positiva, elogios grandes à equipe técnica que compartilhou conhecimento. Agora a intenção é irmos além da mandioca. Vejo a banana, por exemplo, como uma cultura de especial interesse pelos africanos”, resumiu o pesquisador Marcio Porto, um dos organizadores do curso, ao lado do pesquisador Alfredo Alves, que está na África, em missão com Joselito Motta, que acompanhou o grupo durante boa parte do curso e foi citado por muitos participantes no encerramento. Nesta semana, Marcio se juntou a eles, na África, em missão que passa por Gana e Nigéria.

Na primeira semana, Alfredo e Joselito visitaram comunidades produtoras e processadoras de mandioca de Techiman, em Gana, onde as mulheres fabricam o gari – farinha fermentada e amarelada com azeite de dendê. Na zona rural de Abeokuta, na Nigéria, os pesquisadores estiveram em uma comunidade onde as mulheres viram pela primeira vez a tapioca brasileira. “Apesar das dificuldades, o semblante delas era de alegria e esperança”, relatou Joselito.

A Embrapa participou também do evento CassavaTech 2017, que ocorreu de 21 a 23 em Lagos, na Nigéria.

Depoimentos

Gana – Valaria Adzo Adzatia
“Agora sei que não sabia muito sobre mandioca. Nunca vou esquecer as aulas, as visitas a campo, as casas de produção e tudo mais. Eu não sabia que a gente poderia utilizar a mandioca para fazer muitas coisas. Em Gana percebi que a gente desperdiça muito a mandioca. Um produto que aprendi aqui e não estava muito confiante em fazer era o amido. Sempre vi como um processo muito longo, mas foi simplificado aqui para mim. É um dos produtos que estou pensando em trabalhar porque vou me concentrar mais na parte de processamento.”

Malaui – Maness Nkhata
“A parte sobre as pragas foi muito importante porque vi algumas coisas que são novas para mim, especialmente o manejo integrado. O treinamento me proporcionou também conhecimento para produção e processamento da mandioca. Isso vai me ajudar no desenvolvimento de outros produtos que não fazemos nos nossos países. Outra área muito interessante foi a cultura de tecidos. Espero também construir um laboratório para cultura de tecidos e outros processos, além de treinar outros jovens para plantar e manejar as plantações de mandioca. O treinamento foi um sucesso. Meus planos futuros com o conhecimento obtido nas aulas, nas visitas a campo e outras áreas são contribuir para o sucesso da produção de mandioca no meu país.”

Nigéria – Obinna Atu
“Percebi que na África acontece como aqui no Brasil: a maioria dos agricultores não tem acesso aos materiais de plantios melhorados. Por anos o IITA (Instituto Internacional de Agricultura Tropical) tem lutado para alcançar esses objetivos. A mandioca é um dos alimentos mais importantes da base alimentar na Nigéria. Mais de 60% das famílias dependem da mandioca para viver. Vi o processo de multiplicação como uma boa maneira de começar um negócio para os jovens, para investir nosso dinheiro e nossa energia. Aqui vimos também muitos produtos que podemos fazer utilizando a mandioca. Vamos experimentar na Nigéria para ver as oportunidades de negócios lá. Descobrimos que o processamento pode criar milhares de trabalhos para os jovens e gerar muito lucro.”

Senegal – Dieynaba Badiane
“O Senegal tem 14 regiões, e em cada uma há uma plataforma de produção. A gente pode transformar todos esses conhecimentos adquiridos aqui. O que me marcou nessa formação é o fato de trabalhar na prática, nos laboratórios. Temos necessidades agrícolas no Senegal e não conhecemos a cultura in vitro. Com essa técnica que aprendi aqui, quero fazer a micropropagação e trabalhar em parceria com vocês. Temos o hábito de inovar e de criar novas coisas na fabricação, mas ainda não tínhamos conhecido o potencial da mandioca. Com tudo que eu aprendi aqui nessa formação, vou levar muito para lá.”

Serra Leoa – Alie Kamara
“Falando sobre produção de alimentos, fomos capazes de observar e fazer alguns processos, como a produção de chips de mandioca, de mandioca palito. Também aprendemos sobre o programa de melhoramento, que é uma coisa do meu interesse. Na viagem que fizemos, aprendemos muito sobre as etapas. No laboratório, vimos como fazer a multiplicação, identificando o material antes de cortar, como levamos a mandioca para o laboratório, a limpeza do material. Outra parte que aprendemos foi sobre ciência e empreendedorismo. Tenho muita coisa para levar para casa. Vou fazer uma apresentação sobre o que aprendi aqui para outros jovens do meu país.”

Brasil apoia agricultura familiar em Moçambique

O ministério moçambicano da Agricultura e Segurança Alimentar (MASA) está interessado em incorporar a experiência do Brasil na construção de políticas públicas viradas para o fortalecimento da agricultura familiar (AF) no país.

África 21 Digital com AIM


O MASA, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a União dos Camponeses (UNAC) estão a discutir, em Maputo, um modelo a ser aplicado no registo dos agricultores do setor familiar no país.

O modelo, segundo a diretora nacional de Extensão Agrária, Sandra Silva, que falava hoje durante a cerimónia de abertura do seminário nacional sobre caracterização e cadastro da Agricultura Familiar em Moçambique, visa desenvolver instrumentos para dar valor à AF, bem como conceber um sistema de cadastro de pequenos agricultores e dos provedores de serviços de extensão.

Além de fornecer subsídios de como caracterizar a AF nos países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Silva acrescentou que pretende-se formular estratégias de institucionalização de programas e políticas viradas ao apoio da agricultura familiar.

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“Temos muita expectativa na implementação dos resultados deste projeto, pois vai contribuir significativamente no desenvolvimento do sector agrário na medida em que irá melhorar o apoio na disponibilização da informação sobre a assistência dos provedores de serviço de extensão”, disse.nyusicampanhaagricola1

Tal apoio deverá utilizar plataformas de diálogo com os governos, a comunidade académica, bem como com a sociedade civil da CPLP, sobretudo do Brasil.

A diretora reconheceu o papel da AF na implementação dos planos e projetos do sector da agricultura em Moçambique.

Por seu turno, a presidente da UNAC, Ana Paula, disse que a produção agrária deve estar centrada em culturas e insecticidas usadas em solos moçambicanos.

“Não queremos produzir com produtos que prejudicam a saúde humana. E nós queremos praticar a agricultura moçambicana. Esperamos que vamos partilhar essas informações com os outros”, defendeu.

Sobre o cadastro, Paula prevê que o projeto seja desenhado a favor dos camponeses moçambicanos, refutando a prática de uma agricultura multicultural.

“Queremos que o nosso governo apoie-nos, nós pequenos agricultores, oferecendo pequenas máquinas para podermos aumentar a produção. Não trazer os investidores para ocuparem as nossas terras”, vincou.

Para a assistente do representante da FAO em Moçambique, Cláudia Pereira, além de contribuir para o desenvolvimento sustentável, a AF preserva as culturas alimentares tradicionais, o que catapulta uma dieta equilibrada.

“São esses alguns dos aspectos que reforçam o grande contributo da FAO em manter o nosso apoio ao país na realização de seus objetivos de desenvolvimento”, disse.

https://africa21digital.com/2017/09/13/mocambique-interessado-em-modelo-brasileiro-de-registo-de-pequenos-agricultores/

75% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira é importado

fertilizantesA agricultura nacional posiciona o país na quarta posição entre os consumidores de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. Enquanto o consumo desses produtos aumenta, em média, 2% ao ano no mundo, o crescimento no Brasil é de 4%. De maneira inversa, a fabricação nacional tem caído nos últimos anos, abrindo espaço para a entrada de mais produtos importados.

Essa dependência de nutrientes estrangeiros influencia diretamente no custo da lavoura e obriga os fazendeiros a incluírem a cotação do dólar na conta da produção da safra.

potassioImporta-se mais de 90% do potássio que consumimos, e esse nutriente é muito exigido pela planta.Além dos altíssimos investimentos necessários para o processo de mineração, fabricação e logística dos insumos de origem mineral, a produção nacional também esbarra na questão ambiental, pois a mineração pode comprometer áreas de grande importância.

Brasil é referência como modelo de agronegócio, para o futuro presidente de Angola

01João Lourenço, futuro presidente de Angola,defendeu em Madrid a necessidade de Angola diversificar a sua economia para garantir o crescimento e citou o Brasil como referencia:

“Diversificar a economia é fundamental e indispensável para o crescimento. É imprescindível abrir a nossa economia e esquecermos um pouco o petróleo. O nosso país, Angola, pode sobreviver, tem mais recursos para além do petróleo. Vamos criar incentivos na agro-indústria. Angola tem uma grande extensão, muitas terras cultiváveis, muita água, um clima muito propício, porque não tem Inverno, e pode ser uma grande potência agrícola, tipo Brasil.

Portanto, queremos diversificar o nosso sector industrial, as indústrias de transformação e extracção. Angola tem uma grande quantidade de minerais, alguns importantes, como os diamantes, ouro, ferro. Até agora só se exportava petróleo e diamantes. Também está-se a apostar na pesca. Angola tem uma costa marítima extensa, foi noutros tempos um grande produtor de pescado e marisco, o mar pode gerar para nós recursos para alimentar a nossa população e para exportar. E quero destacar o turismo. Angola tem um grande litoral. Não só queremos trabalhar no turismo de praia, mas também no do interior. Queremos investimentos para criar infra-estruturas e isso vai permitir-nos criar postos de trabalho. Se diversificarmos estes quatro ramos da economia, poderemos resolver um dos principais problemas de Angola, o desemprego, especialmente dos jovens.”

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/e_preciso__esquecer__um_pouco_o_petroleo#foto

Presidente da Guiné-Bissau promove cultivo do arroz

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O presidente da Guiné-Bissau aposta na agricultura como alavanca para o desenvolvimento do país. Durante encontro com jornalistas, o presidente falou dos objetivos do projeto “Mon na Lama”, de cultivo de arroz, já em fase de execução em Calequisse, sua aldeia natal.


África 21 Digital, com ANG


José Mário Vaz, que falava aos jornalistas, disse que, num futuro próximo, pretende lavrar duas vezes por ano, e que os resultados obtidos este ano contaram com o apoio dos populares de Calequisse.

O presidente disse que o projeto “Mon na Lama” faz parte da sua ambição para o país  e que, em campanhas eleitorais, tinha prometido ao povo a auto-suficiência alimentar, sobretudo a nível do arroz.

Segundo José Mário Vaz, o objectivo de seu projecto é levar o país à auto-suficiência alimentar. “Amílcar Cabral [líder da luta de libertação nacional anti-colonial] tinha dito que a libertação do país do jugo colonialismo era programa mínimo. Mon na Lama significa exatamente a implementação do programa maior, que  é a fase em que nos encontramos, de utilização da agricultura como um dos grandes factores de produção para relançar a economia, criar emprego e manter a população nas suas aldeias”, afirmou.

O presidente enfatizou que a Guiné-Bissau gasta cerca de US$ 50 milhões de dólares por ano na compra de arroz e que o país pode perfeitamente  resolver esse problema, sem estar constantemente a importar. O arroz é o produto básico da alimentação do povo guineense.

“Quando importarmos arroz estamos a criar riqueza e emprego para os países exportadores”, disse.

Na ocasião, José Mário Vaz anunciou a presença no país de uma delegação do Fundo da Arábia Saudita, interessado em apoiar o  projeto Mon na Lama.

https://africa21digital.com/2017/08/22/presidente-da-guine-bissau-quer-promover-cultivo-de-arroz/