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Agricultura africana precisa ser repensada radicalmente


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Os agricultores e agronegócios de África poderão criar um mercado de alimentos de um trilhão de dólares em 2030 se conseguirem aumentar o acesso a mais capital, eletricidade, melhor tecnologia e terras irrigadas para o cultivo de alimentos nutritivos e se os governos africanos conseguirem cooperar mais estreitamente com os agronegócios com vista a alimentar a população urbana da região em rápido crescimento, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado hoje.

De acordo com o relatório Growing Africa: Unlocking the Potential of Agribusiness, os sistemas alimentares de África, que atualmente representam USD 313 bilhões ao ano provenientes da agricultura, podiam triplicar se os governos e líderes empresariais repensassem radicalmente as suas políticas e o apoio à agricultura, agricultores e agronegócios que, no seu conjunto, são responsáveis por cerca de 50 por cento da atividade econômica de África.

Chegou a hora de tornar a agricultura e os agronegócios de África num catalisador para pôr fim à pobreza”, afirma Makhtar Diop, Vice-presidente do Banco Mundial para a Região África. “Nunca é demais enfatizar a importância da agricultura para a determinação de África no sentido de manter e impulsionar as suas elevadas taxas de crescimento, criar mais empregos, reduzir significativamente a pobreza e produzir suficientes alimentos nutritivos de baixo custo para alimentar as famílias, exportar os excedentes agrícolas, salvaguardando, ao mesmo tempo, o meio-ambiente do continente.

Agronegócios: fortes oportunidades de crescimento

Devido a uma combinação do aumento da população com um incremento dos rendimentos e da urbanização, a intensa procura está a fazer subir os preços globais dos alimentos e dos produtos agrícolas. Questões relacionadas com a oferta – abrandamento do rendimento dos principais cultivos agrícolas, redução de despesas com a investigação, degradação da terra e questões de escassez de água e alterações climáticas – significam, todas elas, que os preços  permanecerão altos. Neste novo clima do mercado, África tem um enorme potencial para expandir as suas exportações agrícolas e de alimentos.

África possui perto de 50 por cento da terra não-cultivada do mundo, própria para o cultivo de alimentos, compreendendo 450 milhões de hectares que não estão arborizados, protegidos ou densamente povoados. África utiliza menos de 2% das suas fontes renováveis de água, comparativamente a uma média mundial de 5%. É corrente as colheitas terem um rendimento bastante inferior ao seu potencial e, no que toca a alimentos básicos, como por exemplo o milho, essa lacuna no rendimento é da ordem de 60 a 80%. As perdas pós-colheita situam-se entre 15% e 20% para os cereais e são ainda mais altas para os produtos perecíveis por causa das deficientes condições de armazenagem e de outras infraestruturas agrícolas.

Os países africanos podem penetrar nos mercados florescentes de arroz, milho, soja, açúcar, óleo de palma, biocombustíveis e matérias-primas e emergir como principais exportadores destes bens nos mercados mundiais, a exemplo dos êxitos alcançados pela América Latina e Sudeste Asiático. Na África Subsariana, os setores mais dinâmicos são provavelmente o arroz, cereais forrageiros, aves, laticínios, óleos vegetais, horticultura e produtos transformados para abastecimento dos mercados nacionais.

O relatório chama a atenção para o facto de vir a ser necessária terra para alguns investimentos em agronegócios, podendo essas aquisições ser uma ameaça à subsistência das pessoas e criar oposição local, a menos que as compras ou arrendamentos de terras sejam conduzidos segundo padrões éticos e de responsabilidade social, incluindo o reconhecimento dos direitos dos utilizadores locais, consultas extensivas com comunidades locais e compensação ao justo valor de mercado pela terra adquirida.

O desenvolvimento dos setores da agricultura e dos agronegócios significa rendimentos mais altos e mais empregos. Permite também a África competir globalmente. Hoje em dia, o Brasil, Indonésia e Tailândia exportam mais produtos alimentares do que toda a África Subsariana junta. Isto tem de mudar”, afirma Jamal Saghir, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento Sustentável na Região África.

As Cadeias de Valor são essenciais  

Arroz: África tornou-se um dos principais consumidores e importadores de arroz e os africanos importam metade do arroz que comem e pagam caro, em torno de USD 3 500 milhões, ou mais, ao ano. Gana e Senegal são grandes importadores. O Senegal é competitivo entre os países vizinhos mas a sua capacidade está limitado pela dificuldade dos agricultores em terem acesso à terra, a capital, ao financiamento para expansão da irrigação e variedades de cultivos adequadas. O Gana produz menos variedades de arroz do que o Senegal mas a um custo consideravelmente mais alto e aplica tarifas de 40% e outras taxas sobre as importações. A fraca qualidade do cereal, as más condições de limpeza e de embalagem são grandes dissuasores junto dos consumidores, travando o desempenho do setor.

Milho: Produto alimentar essencial para muitos africanos, o milho ocupa uma área de 25 milhões de hectares ou 14% da terra cultivada. Na Zâmbia, onde as pessoas consomem em média 133 quilos de cereais ao ano, o milho fornece metade das calorias ingeridas na sua alimentação. No que toca às importações de milho, a Zâmbia é competitiva, o que já não é o caso para as exportações. Os elevados custos de transporte, o aumento dos custos laborais e os rendimentos mais baixos contribuem para um preço que é superior em 1/3 ao da Tailândia, um dos grandes produtores internacionais de milho irrigado pela chuva. O relatório defende que a competitividade futura da Zâmbia irá depender do aumento de rendimentos, da redução dos custos e da eliminação dos desincentivos ao setor privado nos mercados e no comércio.

O estudo analisou ainda as cadeias de valor do cacau no Gana e dos laticínios e feijão-verde no Quénia.

“É preciso capacitar os agricultores e negócios africanos através de boas políticas, maiores investimentos públicos e privados e fortes parcerias público-privadas”, afirma Gaiv Tata, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento do Setor Financeiro e Privado em África. “Um setor de agronegócios forte é vital para o futuro económico de África.”

Soluções

A agricultura e os agronegócios deveriam estar no topo da agenda de negócios e desenvolvimento da África Subsariana. O relatório apela a uma sólida liderança e a um compromisso firme do setor público e do privado. A título de comparação, o relatório cita estudos de casos do Uruguai, Indonésia e Malásia. Para se ter êxito, é fundamental o envolvimento de investidores estratégicos “com boas práticas”, assim como o reforço das salvaguardas, sistemas de administração das terras e rastreio de investimentos para um crescimento sustentável.

O relatório refere que África pode igualmente inspirar-se nos muitos sucessos locais para orientar os governos e investidores no sentido de resultados positivos no domínio económico, social e ambiental.

http://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2013/03/04/africas-food-markets-could-create-one-trillion-dollar-opportunity-2030

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Enredo de escola de samba do Rio cria polêmica com o agronegócio

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Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

O carnaval do Rio de Janeiro ainda não começou oficialmente, mas o samba enredo da Imperatriz Leopoldinense, escola de samba de Ramos, zona norte carioca, continua a provocar polêmicas e atrair a indignação de setores do agronegócio nacional, que se sentem atacados pelo tema escolhido pela agremiação para a festa deste ano.

Mais uma entidade, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), divulgou nota criticando publicamente o enredo “Xingu, o Clamor da Floresta”, para o carnaval 2017 do Rio. De acordo com a entidade, “o conteúdo tende a uma clara desconstrução do agronegócio brasileiro, mundialmente reconhecido por seu viés sustentável, sua contribuição para a economia do país e seus avanços tecnológicos, que são referências para outras nações”.

Mais adiante, a Abiarroz assegura que o enredo produzido pela Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense “é incongruente com o que o Brasil busca, defende e trabalha há décadas. Dado o alcance mundial e a importância cultural do carnaval do Rio de Janeiro, é importante registrar o grande potencial de prejuízos ao país, tanto internamente como no cenário internacional, decorrente do evidente desconhecimento e da imprudência com que a escola de samba em referência designa o agronegócio nacional”.

Esclarecimento

Para a Imperatriz Leopoldinense, o assunto foi encerrado na última semana, com a divulgação de uma nota oficial de esclarecimento à imprensa, na qual assegura o comprometimento da escola em dar voz à diversidade, decidindo levar para a Marquês de Sapucaí este ano o enredo Xingu – o Clamor que vem da Floresta, de autoria do carnavalesco Cahe Rodrigues. “Vamos falar da rica contribuição dos povos indígenas do Xingu à cultura brasileira e ao mesmo tempo construir uma mensagem de preservação e respeito à natureza e à biodiversidade”.

Assinada pelo presidente da agremiação, Luiz Pacheco Drumond, a nota destaca que o homem do campo tem sido presença constante nos desfiles da Imperatriz, que já ressaltou em vários carnavais o solo brasileiro, “este chão abençoado por Deus onde tudo que se planta, dá”. Drummond lembra, inclusive, que no carnaval do ano passado, foi homenageada a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. O enredo abordou riquezas do estado de Goiás e o setor agrícola, “por entendermos a importância desse segmento para nossa economia”.

A “rainha de Ramos”, como é chamada na comunidade, sublinha ainda que segundo relato dos próprios indígenas que vivem no Xingu, a região continua sendo objeto de disputas e conflitos. “A produção muitas vezes sem controle, as derrubadas, queimadas e outros feitos desenfreados em nome do progresso e do desenvolvimento afetam de forma drástica o meio ambiente e comprometem o futuro de gerações vindouras. Os resultados, como sabemos, são devastadores e na maioria das vezes irreversíveis”, informa o presidente da escola.

Em relação ao trecho do samba que diz “o belo monstro rouba a terra de seus filhos, destrói a mata e seca os rios”, a escola se junta “às populações ribeirinhas, às etnias indígenas ameaçadas, aos ambientalistas e importantes setores da sociedade que se posicionaram contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Não é uma referência, portanto, ao agronegócio, como alguns difundiram”.

Difamação

A agremiação esclarece ainda que além da missão de entreter moradores e turistas, as escolas de samba e o carnaval, “levando em consideração que os olhos do mundo se voltam para nossa festa, têm compromisso com o social e o desenvolvimento sustentável”. Luiz Pacheco Drumond assegurou que a escola de samba carioca foi alvo de intensa campanha difamatória após a divulgação de suas fantasias, algumas das quais denunciavam o uso irresponsável de agrotóxicos.

Segundo Luiz Drumond, ”embora não seja nossa intenção generalizar, importantes pesquisas científicas apontam os diversos males que o agrotóxico traz para o solo, para o alimento e, consequentemente, para a saúde de quem o consome. Este é apenas um aspecto do nosso rico e imenso enredo, mas desde então temos recebido críticas e inúmeras notas de repúdio dos mais diversos setores do agronegócio”.

A Imperatriz Leopoldinense assegura que em nenhum momento atacou o setor do agronegócio, nem os trabalhadores do campo. “A nossa mensagem é de preservação, respeito, tolerância e paz. Todos os que acreditam nesses valores estão convidados a celebrar conosco”.

Para a Abiarroz, os argumentos apresentados não convencem. A entidade considera que há na proposta do enredo “conceitos e interpretações errôneas”. E completa: “Trata-se de uma generalização nitidamente divorciada da realidade do agronegócio do país, o qual, como se sabe, tem seu Produto Interno Bruto (PIB) apoiado na agricultura e pecuária”.

SNA

Na avaliação do presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Antonio Alvarenga, a polêmica envolvendo a escola de samba e o setor agrícola brasileiro foi um pequeno mal entendido que não vai demorar a ser esquecido. O enredo da Imperatriz, voltado para a defesa dos indígenas do Xingu, em determinado momento resolveu atacar os agrotóxicos, ou defensivos agrícolas, que o agronegócio precisa usar para produzir, indicou.

Alvarenga salientou que o monstro a que a escola se referia era a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, embora os produtores da área entendessem que o alvo seria o produtor rural como um todo. No final, disse que a agremiação carnavalesca lucrou com a maior exposição que teve na mídia, enquanto o agronegócio ”defendeu seu ponto de vista com galhardia, com força”. A polêmica, reiterou, vai acabar no carnaval. “É uma oportunidade para a escola se projetar e também para o agronegócio mostrar o seu valor”.

A escola Imperatriz Leopoldinense faz ensaio técnico na Marquês de Sapucaí no dia 18 de fevereiro, às 22h. A programação prevê, no domingo (19), às 19h30, a realização do teste de luz e som na Passarela do Samba, seguindo-se, às 20h30, tradicional cerimônia de lavagem da pista. Fechando o ciclo, fará ensaio técnico, às 22h, a escola Estação Primeira de Mangueira, campeã do grupo especial do carnaval 2016. Os ensaios técnicos começaram ontem (15).

Edição: Stênio Ribeiro
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Angola investirá em projetos de jovens empreendedores

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O Executivo aprovou ontem a criação de um fundo de apoio a projectos de jovens empreendedores. O “Projovem” tem um valor global de quatro mil milhões de kwanzas e vai ser operacionalizado pelo Banco Angolano de Desenvolvimento (BAD).

Trata-se de uma linha de crédito para o jovem empreendedor que decida abraçar uma atividade empresarial em áreas como hotelaria e turismo, comércio e prestação de serviços, indústria, agricultura, pecuária, pescas, tecnologias de informação e comunicação, e empreendedorismo cultural. “Esta linha de crédito será assegurada pelo BDA e o que foi aprovado aqui foram as regras, os princípios e a forma como a linha irá funcionar e os mecanismos para acesso a esse fundo”, disse o ministro da Juventude e Desportos, que espera por um longo período de estabilidade financeira de modo a evitar-se constrangimentos na implementação do fundo.
O fundo de apoio ao jovem empreendedor prevê um montante limite por projecto equivalente a 200 mil dólares norte-americanos. “Este é de facto o limite por projecto e depois há uma série de requisitos que os empreendedores terão que observar para terem acesso a esse financiamento”, referiu.
“Queremos que seja um processo transparente, sem burocracias e com a credibilidade junto dos jovens de uma maneira geral”, declarou o ministro da Juventude e Desportos, antes de avançar com alguns dos requisitos: apresentar um projeto idôneo, não ser devedor da banca, seja pública seja privada, ter certificação de micro, pequena ou média empresa passada pelo Inapem, e ter formação básica do Instituto Nacional de Formação Profissional (Inefop). Para Albino da Conceição, esses requisitos visam conferir credibilidade junto do público-alvo e o envolvimento do Conselho Nacional da Juventude e do Instituto Nacional da Juventude deve reforçar ainda mais essa credibilidade, na medida em que os jovens empreendedores possam beneficiar-se.
Para já, disse, está dado o primeiro passo, que foi o da aprovação das regras. Vem de seguida a publicação do diploma e o Conselho Nacional da Juventude terá a incumbência de disseminar as informações sobre o fundo, desde o órgão central aos conselhos provinciais.

 

Ref.:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/4_mil_milhoes_para_jovens

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O consumidor angolano está mais exigente por qualidade

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O consumidor angolano está  mais exigente por qualidade ,associada à escassez de divisas para as importações de mercadorias, está a influenciar a atividade dos sectores de compras das superfícies comerciais.
No mercado formal como no informal, quando se trata de produtos do campo, as escolhas dos clientes recaem para os angolanos, mesmo quando os preços são praticamente iguais aos dos bens importados.
“Hoje, o consumidor angolano é cada vez mais exigente na qualidade dos produtos que consome”, nota o presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (Ecodima).

Custos altos a produção compensados pela qualidades
Sintético nas observações que faz, Raúl Martins reconhece que os custos de produção no país são ainda relativamente altos. “O mais importante é que as bases já foram lançadas e o futuro aponta para uma situação de autossuficiência alimentar.”
Os ainda altos custos de produção são compensados pela qualidade dos produtos resultantes da agricultura biológica que se pratica na maior parte do território nacional. Também conhecido por agricultura orgânica, esse processo de produção não recorre a produtos químicos nem a organismos geneticamente modificados.

Produção de cereais
Os avanços que se registam na agro-indústria resultam de investimentos estruturantes que Angola tem vindo a fazer na área da agricultura, desde que alcançou a paz, em 2002. Fruto desses investimentos, o país produz hoje perto de metade de um total de dois milhões e cem mil toneladas dos cereais de que necessita para o consumo, incluindo a produção de ração animal.

 

 

27 anos de guerra
Há pouco mais de uma década, os atuais níveis de produção eram uma miragem. É preciso recuar até 2002, ano em que Angola alcançou a paz, para perceber a dimensão dos esforços empreendidos. Nessa altura, o país vivia praticamente de importações.
Angola viu o seu potencial agrícola, muito produtivo, aniquilado por 27 anos de guerra. O relançamento da agricultura, que começa justamente em 2002, teve como primeira etapa a remoção de minas antipessoais e outros engenhos explosivos dispersos pelo país.

Áreas irrigadas

. Em relação a infra-estruturas, e no que à produção diz respeito, destaque para os vários perímetros irrigados distribuídos por diversas regiões, no âmbito do Plano Nacional Director de Irrigação (Planirriga). Foram conseguidas vastas áreas de cultivo em terrenos nunca antes explorados.
Em 2005, o Executivo aprovou em Conselho de Ministros o Modelo de Gestão dos Perímetros Irrigados, tendo criado na mesma altura a Sociedade de Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados para gerir e supervisionar o património do Estado construído nos perímetros irrigados.
Dos sete milhões e quinhentos mil hectares com elevado potencial de irrigação previstos no Planirriga, já foram concluídos 30 mil hectares, onde estão inseridos, entre outros, o Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola da Quiminha (Luanda), os perímetros irrigados de   Caxito (Bengo), Matala (Huíla), Cavaco (Benguela), Mucoso (Cuanza Norte), e Sumbe (Cuanza Sul).

mapa de Angola
Os pólos agro-industriais estão a ser desenvolvidos sem prejuízo da agricultura familiar que ainda responde por 90 por cento da produção interna e para a qual é destinada parte substancial do orçamento do sector, assim como os empréstimos contraídos pelo Governo junto do Banco Mundial, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, do Banco Africano de Desenvolvimento, destinados ao fomento da produção interna.

 

Agricultura familiar
Em execução está um programa de agricultura familiar orientado para o mercado, nas províncias de Malanje, Bié e do Huambo, envolvendo 50 mil famílias.
Os apoios do Estado à agricultura familiar incluem facilidades de créditos bancários, preparação dos solos, disponibilização de fertilizantes, vacinação de gado e assistência técnica, através de institutos públicos especializados.
Há cinco anos, o Executivo criou um mecanismo de apoio à agricultura familiar, designado Crédito Agrícola de Campanha, que já beneficiou 91 mil camponeses.
Apesar de não produzir ainda o suficiente para o consumo interno, o país já começa a exportar produtos agrícolas. Os empresários do sector são unânimes em afirmar que não é preciso  suprir o défice da produção interna para depois partir para as exportações.
Em Maio do ano passado, Angola exportou para Portugal, a partir do Porto do Lobito, 17 toneladas de banana, 42 anos depois da última remessa. A iniciativa da Fazenda Agro-Industrial Bacilin foi saudada pelo Governo angolano.

20160522115547-bananas.jpgProdução de bananas
O relançamento da produção de banana em Angola resulta de avultados investimentos efectuados pelo Governo angolano na reabilitação e melhoramento dos sistemas de irrigação nas áreas tradicionais de cultivo. Antes da Independência Nacional, Angola chegou a produzir 160 mil toneladas de banana por ano.
O Executivo estabeleceu a meta de atingir nos próximos anos uma produção anual de 2,5 milhões de toneladas de cereais, 20 milhões de toneladas de mandioca, cobrir 60 por cento do consumo de frango com a produção nacional e reduzir para 15 por cento a importação de leite.

Angola consome anualmente cerca de 180 milhões de litros de leite,

A produção de leite e derivados é outra grande aposta do Executivo.   O projecto  Aldeia Nova, no Waku Cungu, município da Cela, província do Cuanza Sul, lidera o mercado.
Orçado em cerca de 70,5 milhões de dólares, o projecto, financiado pelo Governo angolano, em parceria com o grupo israelita LR, comporta, entre outros equipamentos de apoio à produção, matadouros de aves e gado, moinhos de farinha e fábricas diversas.
Dados estatísticos indicam que Angola consome anualmente cerca de 180 milhões de litros de leite, quantidade muito acima da produção nacional. Certo de que o país  tem condições naturais para produzir o suficiente para o consumo interno, o Ministério das Finanças lançou, em 2012, um programa de dinamização do sector do leite,  denominado “Sector Bandeira do Leite”.
O programa, destinado a fortalecer as micro, pequenas e médias empresas angolanas que atuam na indústria leiteira, insere-se nos esforços de substituição das importações pela produção nacional.

Angola  gasta atualmente cerca de 600 milhões de dólares com a importação de carne

Angola quer aumentar os níveis de produção de carne. Em 2015, o país celebrou um acordo com empresários brasileiros para instalação de 40 fazendas agropecuárias numa área de 200.000 hectares na província do Cuando Cubango.
Calcula-se que Angola  gasta atualmente cerca de 600 milhões de dólares com a importação de carne. Para reverter a situação, o Governo prevê um  investimento de 571,9 milhões de dólares, para aumentar a produção e reduzir as importações, que asseguram cerca de 80  por cento das necessidades do país.
O Programa Dirigido à Produção de Carne Bovina, aprovado pelo Executivo, prevê a importação de 340.509 animais para reprodução e de 1.010.152 animais para recria e engorda, das raças Bonsmara, Simentaller e Brahma.

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O programa prevê ainda o melhoramento das condições de produção nas explorações pecuárias empresariais, através da sua especialização na reprodução, cria, recria e engorda animal. Angola tem atualmente uma capacidade de abate de 195.360 animais por ano, para um total de 39.072 toneladas de carne.

A meta dos angolanos é reduzir a importação de produtos da cesta básica

Um boletim informativo do Ministério da Agricultura largamente difundido pela imprensa dá conta de que Angola tem potencialidades naturais para atingir níveis de produção sustentáveis que podem contribuir muito rapidamente para o seu crescimento económico.
A existência de solos férteis para a agricultura, a biodiversidade, o clima, a genética e a abundância de recursos hídricos, associada a uma expressiva faixa da população cuja atividade ­está ­diretamente ­relacionada com a produção agrícola, constituem factores favoráveis ao desenvolvimento agropecuário do país, refere o boletim.
O documento lembra que o sector florestal angolano é o segundo na região Austral de África, depois da República Democrática do Congo, com um potencial rico e variado de recursos florestais e faunísticos.
O fim da guerra em 2002 permitiu ao Governo angolano retomar um conjunto de ações, entre as quais a disponibilização de recursos financeiros vinculados a programas de reabilitação e de construção de infra-estruturas, realça o documento.
Como resultado desse esforço, Angola tem vindo a reduzir progressivamente as importações de produtos da cesta básica.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/produtos_nacionais_ganham_o_mercado

 

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Israel está presente na agricultura e na pesca em Angola

Israel tem já uma presença marcante na agricultura em Angola, mas afirmou que a cooperação pode crescer, com o envolvimento do setor empresarial do seu país. Um dos exemplos de realce do envolvimento israelita é o projeto agrícola da Quiminha, localizado a cerca de 70 quilômetros de Luanda.

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O projeto foi iniciado em 2012, comportando uma área de cinco mil hectares entre as comunas de Cabiri e Bom Jesus, localizadas a cerca de 60 quilômetros a Norte de Luanda.

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A cada família de camponeses serão atribuídos 3 hectares de terra para cultivo, sendo que na primeira fase do projeto se deverá produzir cerca de 40 mil toneladas de produtos.

Para o fim da segunda fase prevê- se que se produzam cerca de 100 toneladas/ano.

Além da produção agrícola, preconiza-se a produção de 22 milhões de ovos.

Jose EduardoHá também uma Estação de Captação de Água, escolas, creche, e um reservatório de água, com capacidade de cerca de 300 mil metros cúbicos e esteve no centro logístico.
O projeto é desenvolvido pela israelita Tahal, que está entre as 100 maiores companhias de engenharia do mundo na área dos recursos hídricos e abastecimento de água, desenvolvimento agrícola e comercialização. A companhia trabalha ainda na engenharia ambiental, civil e infra-estrutura, industrial e energia, reabilitação de sistemas de água e esgotos, além de sistemas de informação geográfica.
O projeto Quiminha dispõe já de 300 casas e explorações agrícolas particulares, cada com uma área equivalente a um campo de futebol, além de um centro agrícola e de logística para o processamento e empacotamento dos produtos agrícolas, aviários para a produção de pelo menos 24 milhões de ovos por ano e instalações relacionadas.
Desenvolvido de acordo com o modelo de cooperativa agrícola estabelecido pelo Centro para a Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores de Israel  (MASHAV), o projeto Quiminha prevê, dentro de cinco anos, atingir uma produção anual de 60 mil toneladas de produtos agrícolas, que devem ser vendidos no mercado interno e proporcionar uma faturação anual de 52 milhões de dólares.

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O uso de fertilizantes naturais em Angola

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Bokashi-EM é uma palavra japonesa que significa matéria orgânica fermentada. É um fertilizante composto de uma mistura balanceada de matérias orgânicas de origem vegetal, submetidas a um processo de fermentação controlado.
Explicações do engenheiro agrônomo Marques Zambo Bambi revelam que a ação mais importante do Bokashi tem a ver com a introdução no solo de microrganismos benéficos, que desencadeiam um processo de fermentação na biomassa disponível, proporcionando, rapidamente, condições favoráveis à multiplicação e atuação da microbiana benéfica existente no solo, como fungos, bactérias, actinomicetos, micorrizas e fixadores de nitrogênio, que fazem parte do processo complexo da nutrição vegetal equilibrada e da construção da sanidade das plantas e do próprio solo.
 
Este fertilizante, conta, é de uso fácil, aplicação indicada para o preparo natural do solo, jardins, hortas caseiras e proporciona a revitalização do solo, oferecendo um melhor aproveitamento da sua fertilidade natural.
O fertilizante Bokashi-EM oferece vantagens para os agricultores ou fazendeiros. O agricultor pode desenvolver a sua própria receita, substituindo os ingredientes de acordo com o material disponível na sua região. Todos os técnicos agrônomos formados no Centro de Formação Profissional Mokiti Okada aprendem a fazer o adubo orgânico, denominado Bokashi-EM.
 
 
 
 
O uso de Bokashi-EM, um dos fertilizantes naturais do conjunto de farelo de origem vegetal, fermentado com microrganismos eficazes, que alimentam a produção, e acautela o rejuvenescimento do sistema imunológico da saúde humana e aumenta a vitalidade do homem.
 
O relato de Bernardo Paulino sobre o tema teve outros resultados surpreendentes. O agricultor garantiu que padecia de asma durante 20 anos, de 1995 a 2015. Além disso, admitiu que era muito preguiçoso e tinha poucas horas de sono. Conforme explica, no primeiro dia em que comeu alimentos naturais, na escola Mokiti Okada, teve falta de apetite e não acabou a comida. “No segundo dia já me senti muito aliviado e notei uma grande diferença: tinha mais força, boa disposição e coragem”, frisou.
Como asmático, Bernardo Paulino não resistia a exercícios físicos, nem tinha força para trabalhar. Conta que era forçado a usar medicamentos e uma bomba manual, quando sentisse os sintomas da doença, garantindo assim mobilidade ao coração. O técnico agrônomo lembra as crises que teve, quando consumia alimentos com agrotóxicos. “A asma acabou quando comecei a comer os alimentos naturais por mim cultivados”, disse.
O agricultor explica ainda que a sua esposa, que padece de diabetes, também já sente alívio com o consumo de alimentos naturais do seu campo. “Quando retoma à alimentação convencional como frangos e carnes congelados os níveis de açúcar no sangue disparam, ao passo que com os alimentos naturais como couve, beringela, kizaca e outros a glicemia não ultrapassa os 130 miligramas, mesmo sem fazer recurso a medicamentos”, esclareceu.
 
Experiências comprovadas, de países onde já se pratica o método em alusão, como Alemanha, Japão, Brasil, França e Tailândia, mostram que os produtos da agricultura natural oferecem resultados fabulosos na proteção da saúde humana. Através do protocolo assinado ­entre o Ministério da Agricultura e a Africarte, o Centro Mokiti Okada pretende que o país todo adira ao método em questão, para que o desenvolvimento da agricultura natural seja inevitável, tal como disse o engenheiro Bambi.
Para ele, o método natural vai afastar, aos poucos, o modelo habitual, que consiste no uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos, muito nocivos à saúde humana.
 
 
 
Pela importância e dimensão que a escola Mokiti Okada encerra, um grupo de estudantes do segundo ano de Gestão da Universidade Técnica de Angola (Utanga), lançou-se numa pesquisa neste centro, para apurar os efeitos negativos dos agrotóxicos na agricultura convencional.
 
Henrique Diogo Victor, o estudante que falou em nome dos demais, informou que a essência do trabalho no Centro de Agricultura Natural Mokiti Okada baseia-se na criação de uma empresa de produção de fertilizantes orgânicos e inorgânicos, em função da necessidade dos agricultores da praça nacional. O objectivo, afirmou, é transmitir a experiência à população e abraçar o uso de Bokashi-EM, fertilizante de uma tecnologia puramente natural e de origem japonesa.
 
O estudante universitário reprovou o uso de fertilizantes inorgânicos por, segundo ele, quebrarem a longevidade do homem, através de substâncias nocivas do tipo nitrogénio, potássio e cálcio 12, 24, 12, propensos ao contágio de doenças vulneráveis, como trombose, pressão arterial alta e cefaleias.
 
Depoimento de um técnico da agricultura
 
“Eu aplicava num hectare 25 quilogramas de adubos e 50 quilogramas de ureia”, explicou o agrônomo, admitindo que no início foi alvo de desprezo de demais produtores, pela prática do método de agricultura com fertilizantes naturais. Para espanto dos demais, quatro ­meses depois do cultivo, os resultados começaram a ser bem visíveis, tendo-se os alimentos desenvolvido com muita vitalidade. Com isso, quatro outros camponeses acreditaram e decidiram juntar-se ao método, com o qual se produz alimentos até aos dias de hoje.
prosavana

Prosavana continua a gerar protestos em Moçambique

mediaembrapa.br

Um comunicado de mais de 80 organizações não governamentais de todo o mundo denuncia a “irregularidade” de um mecanismo de diálogo implementado pelos gestores do controverso programa ProSAVANA. Em causa continua a expropriação de camponeses moçambicanos no corredor de Nacala, norte de Moçambique para viabilizar este projeto implicando também o Brasil e o Japão.

Este é um projecto agroalimentar prevendo a entrega de 14 milhões de hectares de terras a interesses brasileiros no agro-negócio para produção de soja, milho e outros cereais.

Estes deveriam ser exportados, posteriormente, por multinacionais japonesas.

Um programa que tem merecido um coro de críticas em Moçambique, mas também no Japão e mesmo no Brasil.

A JICA, Agência de cooperação internacional do Japão, procurou estabelecer agora um interlocutor junto da sociedade civil neste programa.

Um programa de seleção denunciado porém por um vasto rol de organizações do ramo de vários países, incluindo as moçambicanas Justiça ambiental, Liga dos direitos humanos, União nacional dos camponeses, Livaningo, comissões diocesana e arquidiocesana da justiça e paz de Nampula ou a ADECRU, Associação académica para o desenvolvimento das comunidades rurais.

http://pt.rfi.fr/mocambique/20161108-prosavana-contestado-em-mocambique-e-nao-so

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A produção de açúcar está aquém das necessidades de Angola

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As projecções apontam a necessidade de importação de açúcar em Angola atinja os cerca de 15 por cento em 2020, com a Biocom nesta altura a atingir as 256 mil toneladas por ano e a cobrir pouco mais de 85 por cento do abastecimento ao mercado interno.
Um dos principais focos do Projecto Biocom para a primeira fase é cobrir a procura no mercado interno.

Actualmente o mercado consome cerca de 300 mil toneladas por ano. A Biocom, que é o único produtor no país, prevê atingir este ano as 47 mil toneladas e aumentar progressivamente a oferta até às 256 mil toneladas anuais em 2020. Os dados correspondem a projeções para a primeira fase do projecto que se propõe reduzir para apenas 15 por cento a necessidade de importação desse produto.
Para a segunda fase, já com mecado interno consolidado em termos de cobertura, está reservada para a exportação do açúcar “Kapanda”. Por essa altura a produção anual da Biocom andará a volta das 500 mil toneladas.
Depois da Independência Nacional é a primeira vez que o país produz açúcar cristal branco, etanol e energia através do bagaço da cana-de-açúcar. O Projecto Biocom tem-se destacado como um dos “grandes exemplos da viabilidade do processo de diversificação da economia angolana”.
Desde que começou a fase de produção, a Biocom tem somado resultados positivos. Na colheita de 2015-2016 produziu 24.770 toneladas de açúcar, 10.243 metros cúbicos de etanol e gerou 42 megawatts de energia eléctrica.
Na campanha de 2016-2017, que começou em Junho deste ano, foi definida a meta de 47 mil toneladas de açúcar, tendo sido superada para 51.514 toneladas, a produção do etanol chegou a 16 mil metros cúbicos para garantir a co-geração de 155 mil megawatts de energia. Em 2020-2021, altura em que se prevê atingir a capacidade máxima de produção da primeira fase, vão ser produzidas 256 mil toneladas de açúcar, 235 mil megawatts de energia eléctrica e 33 mil de metros cúbicos de etanol.

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A produção do açúcar da Biocom nesta primeira fase é destina ao mercado nacional, já a energia eléctrica é comercializada pela Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT). O etanol hidratado vai atender a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas alcoólicas espirituosas.
A Biocom representa o maior investimento privado de Angola fora do sector petrolífero, para o início da produção foram investidos 750 milhões de dólares. Ao longo da implementação do projecto foram alocados outros recursos dada a dinâmica da produção, com aquisição de mais meios técnicos e outros recursos, já foram investidos cerca de mil milhões de dólares.
A Biocom é uma empresa privada que tem como sócios a Cochan, com 40 por cento do capital, a Odebrecht detém também a mesma percentagem, e a Sonangol Holdings tem 20 por cento.
O projecto emprega 2.047 trabalhadores nacionais, em cada emprego directo são criados dez indirectos, a mão-de-obra é 91 por cento nacional. No processo agrícola e industrial a empresa utiliza tecnologia moderna e de ponta, que permite produzir açúcar, etanol e energia tendo como matéria-prima a cana-de-açúcar.

Melhor tecnologia

A Biocom conta com o mais moderno laboratório agrícola do país, que faz 320 análises por dia. Com capacidade para analisar o solo, folhas, corretivos e adubos, que fornece informações necessárias para tomada de decisões técnicas que resultam numa melhor produtividade da cultura de cana.
É através da análise do solo que se  avalia a sua fertilidade química. Com os resultados obtidos é possível determinar as quantidades adequadas de calcário e adubo necessários para melhorar a produtividade de forma tecnicamente correcta e economicamente adequada, para evitar gastos desnecessários.
Pereira Panzo, natural de Luanda, técnico de laboratório há sete meses na Biocom, explicou que para a realização de qualquer análise é necessária uma amostra de 300 gramas de solo. Para a colecta ideal é necessário seguir algumas orientações, como a escolha dos talhões homogêneos, que identificam a proporção de argila, areia, pedras, declividade, a cor e a profundidade do solo, posição no relevo, características de vegetação e o histórico de uso e adubação.
A colecta deve ser realizada após o término da colheita ou em áreas que serão plantadas pela primeira vez. O resultado da análise e a recomendação da adubação e calagem devem estar em mãos antes da primeira etapa de preparo do solo.
Para plantios convencionais que possam requerer calagem, recomenda-se colectar 120 dias antes do plantio.
Os pontos onde não podem ser realizadas colectas são aqueles que existem a presença de salalé, formigas ou que tenham sinais claros de atividade animal, áreas de depósito de adubos e calcário, próximo de instalações, estradas e trilhas.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através de multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima.
Pioneira no uso de técnicas avançadas de manejo, a empresa começou este ano a pulverização agrícola, para controlo de praga e adubação, com o uso de aeronave.
Tércia Bento, 37 anos, trabalha há oito anos na Biocom na área do laboratório de produção industrial. Natural de Malanje, disse que está satisfeita com o trabalho que faz. A técnica vive com um filho de dois anos, contou que o seu sonho sempre foi trabalhar em laboratórios. “Fiz um curso no Brasil de seis meses, onde aprendi quase tudo que sei hoje. Sinto-me satisfeita pelo que ganho aqui, dá para sustentar a mim e o meu filho”.

Programa de produtividade

A Biocom está empenhada na aplicação de um programa de produtividade que tem como meta conquistar a eficiência a partir da consciencialização dos seus quadros, gestos simples como a manutenção da limpeza e organização no local de trabalho, são exemplos de atitudes que contribuem para gerar a eficiência, que é sinônimo de produtividade.
Na área agrícola, quando um integrante se mantém atento às ocorrências que geram perdas e comunica esse facto ao seu líder, ele está a ser produtivo. Na indústria é fundamental observar o funcionamento das máquinas. Os integrantes da área administrativa devem primar pela pontualidade, assiduidade e agilidade. A empresa cumpre todos requisitos impostos pela Lei Geral do Trabalho, nomeadamente o abono de família.
Recebem horas extraordinárias todos aqueles que não estão no turno rotativo e trabalham entre as 20h00 e as 6h00, o valor adicional é de 20 por cento por cada hora de trabalho.
Para garantir os direitos sociais e a Segurança Social de cada trabalhador, a Biocom paga uma taxa de 11 por cento ao INSS e é descontado ao integrante três por cento todos os meses. O imposto Sobre o Rendimento de Trabalho é descontado numa percentagem que varia de acordo com o salário. É também pago o subsídio de aleitamento para os filhos  entre os zero e os três anos.

Processo de transformação

A colheita da cana é 100 por cento mecanizada. Depois de colhida na lavoura, ela passa por várias etapas, até ser transformada em açúcar e etanol, que da queima do bagaço ainda é gerada a energia eléctrica. Bartolomeu Zumba, líder de produção do açúcar, explicou à ­reportagem do Jornal de Angola que o transporte até à indústria é feito por 20 camiões, depois a cana é picada e desfibrada até chegar à moagem. A cana passa pelo difusor onde é extraído o caldo para a fabricação de açúcar e etanol e nesta etapa o bagaço é separado.
Natural do Cuanza Norte, Bartolomeu Zumba disse que na fase seguinte o bagaço é processado nas caldeiras para gerar vapor,  enviado para as turbinas de geradores de electricidade. Depois do caldo ser clarificado passa por evaporadores que removem grande parte da água e o transformam em um “xarope”. Esse líquido é bombeado para os tachos de cozimento para a cristalização do açúcar (sacarose).
As centrifugadoras separam os cristais de açúcar do líquido açucarado, denominado melado, contou. Em seguida, o açúcar passa no secador para retirar a umidade contida nos cristais. Na saída do secador o produto é enviado até ao silo ou armazém de onde é feito o ensacamento ou expedição a granel. “Diariamente produzimos entre oito a dez mil sacos de 50 quilos”, disse.
Após a fermentação a levedura é separada do vinho e recuperada por meio da centrifugação, depois segue para o aparelho de destilação onde o álcool é separado, concentrado e purificado até 99,6 por cento para a produção do etanol anidro (isento de água), por último o biocombustível é armazenado em grandes tanques ou reservatórios, onde diariamente podem produzir até 20 mil litros.
A área de produção conta com 25 máquinas colhedoras, dez plantadoras, com quatro distribuidora de cana. Só no mês de Outubro, no sector produtivo foram consumidos um milhão e 400 litros de combustível, com uma média diária de 46 mil litros.
Samba Domingos, operadora de máquina colhedora, recorda como foi difícil e ao mesmo tempo enriquecedor o início da sua carreira no campo, principalmente pelo facto de ser mulher. Vive em Malanje e para chegar a horas ao trabalho tem de acordar às 5h00, e larga às 15h20.
“Sinto orgulho por fazer parte deste projecto, antes sofria discriminação, os colegas desincentivavam a dizer que este não era trabalho para mim, mas esta contrariedade deu-me mais força para aprender e superar as expectativas e hoje faço o trabalho normalmente sem sobressaltos”, revelou.

Maior investimento

A Biocom representa atualmente o maior investimento privado em Angola, fora do sector petrolífero, e é um importante activo de desenvolvimento nacional. ­
Localizada no Pólo Agro-Industrial de Kapanda, ocupa uma área total de 81.201 hectares, dos quais 70.106 são cultiváveis e 11.095 reservados à preservação da fauna e flora local. As atividades da empresa englobam duas áreas de produção agrícola e industrial.
Os trabalhos na área agrícola funcionam durante todo o ano e incluem a preparação do solo, plantio e replantio e colheita da cana-de-açúcar, que este ano teve início em Junho e terminou em Outubro.
O terreno utilizado para o plantio e replantio precisa de correcções e nutrientes que permitem maior produtividade agrícola. Nesta primeira fase, a plantação de cana-de-açúcar está a ser feita numa área de 42.500 hectares, dos quais 15 mil já plantados.
A atividade industrial funciona em tempo integral durante todo o período de colheita, produzindo açúcar, etanol e energia.
Nos demais meses do ano, a indústria opera com a produção de energia através da queima de cavaco de madeira oriunda do processo de supressão vegetal das áreas da fazenda. Este período também é aproveitado para proceder à manutenção de todos os equipamentos da indústria.
Este regime de operação é típico da indústria de álcool proveniente da cana-de-açúcar em qualquer parte do Mundo e decorre da impossibilidade de colheita no período de chuva.

Consumo de açúcar

O açúcar produzido pela Biocom é destinado ao mercado interno. Já o etanol hidratado tem servido a indústria nacional de produtos de limpeza e de bebidas espirituosas, tendo reduzido em mais de 60 por cento as importações. A energia eléctrica é negociada com a Empresa Nacional de Energia de Angola (RNT), estando actualmente a fornecer ao município de Cacuso e parte de Luanda.
A aposta forte em recursos humanos e estruturas físicas tem contribuído significativamente para a continuação da produção agrícola, estudos, pesquisas de laboratório, equipamentos de ponta e mão-de-obra qualificada.
A empresa mantém o seu próprio viveiro, onde são avaliadas as espécies de cana-de-açúcar mais adequadas às condições climáticas e de solo da região. O viveiro de mudas pré-brotadas da Biocom tem por objectivo acelerar, através da multiplicação rápida, as variedades com alto potencial de produtividade agrícola e alta qualidade da matéria-prima. São 36 as variedades de cana-de-açúcar importadas da África do Sul, Brasil e Índia, das quais dez já se encontram plantadas.
A produção em Malanje é multifacetada. Homens e máquinas tiram partido do potencial de desenvolvimento. No total, 2.047 trabalhadores dão suporte ao projecto.
O espaço onde exercem a atividade corrente correspondente a 50 campos de futebol.
Toda a produção agrícola tem como objectivo alimentar a indústria instalada numa área de 17 mil hectares para a produção de açúcar, etanol e energia eléctrica.

Projecto social

O incentivo ao desenvolvimento econômico e sustentável para a promoção de renda faz parte da política social da empresa. Mais de 300 famílias beneficiam de um programa de agricultura familiar, onde todos os produtos são vendidos directamente à Biocom. Existe também a fabricação de sabão neutro a partir do óleo de cozinha usado. Mais de 20 mulheres da comunidade de Cacuso beneficiam do programa e têm a oportunidade de se desenvolverem profissionalmente e contribuir para o sustento das suas famílias.
Existe também um programa de desporto, educação, cultura e lazer que beneficia centenas de pessoas. A escola Palancas Negras, agregada ao projecto, oferece aulas de judo, jiu-jitsu e actividades culturais para dezenas de crianças e jovens da região de Cacuso.

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Togo e Senegal em parceria com o Brasil em programas de Alimentação Escolar

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O Centro de Excelência contra a Fome avaliou por duas semanas as ações para fortalecer políticas de alimentação escolar no Togo e no Senegal, além de manter encontros com representantes dos governos locais e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas. O Centro é uma parceria do PMA com o governo brasileiro para troca de experiências e promoção da cooperação sul-sul.

Escola de Goiânia (GO) recebe alimentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Foto: Sergio Amaral/MDS

O Centro de Excelência contra a Fome avaliou por duas semanas as ações para fortalecer políticas de alimentação escolar no Togo e no Senegal, além de manter encontros com representantes dos governos locais e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas. O Centro é uma parceria do PMA com o governo brasileiro para troca de experiências e promoção da cooperação sul-sul.togo1

No Togo, o objetivo da missão – chefiada pelo consultor João Cavalcante – foi discutir a aprovação da Política Nacional de Alimentação Escolar e a realização de um fórum nacional sobre o tema. Já no Senagal, foram avaliados os custos dos programas de alimentação escolar. As visitas aconteceram no fim de outubro.

A Política Nacional de Alimentação Escolar do Togo foi formulada com apoio do Centro de Excelência contra a Fome e do escritório local do PMA. A política é essencial para implementar um programa nacional de alimentação escolar baseada na compra local e será discutida no 1º Fórum de Alimentação Escolar do Togo, que ocorrerá de 22 a 24 de novembro, com apoio do Centro e do PMA. O fórum contará com a participação de delegações do Brasil, Níger, Benim, Costa do Marfim, Senegal e Burundi, que compartilharão suas experiências com autoridades locais.

Caso seja aprovada, a política guiará uma ação multi-setorial envolvendo três ministérios: Agricultura, Educação e Desenvolvimento de Base. O objetivo é melhorar o desempenho dos alunos e os indicadores de saúde, além de promover o desenvolvimento local por meio do fortalecimento da agricultura. O Centro de Excelência e o escritório de país do PMA apoiaram o Togo em uma visita de estudos ao Brasil em 2014, viabilizaram a participação do governo no Fórum Global de Nutrição Infantil em 2015 e 2016 e disponibilizaram consultores para apoiar a formulação da política nacional.

senegalNo Senegal, o Centro apoia o governo num estudo sobre os custos dos diferentes programas de alimentação escolar implementados no país. A partir daí, serão propostos modelos, como um programa baseado na compra de alimentos produzidos localmente. A alimentação escolar foi incluída na Estratégia Nacional de Proteção Social do Senegal, com um orçamento previsto de 30 milhões de dólares. Em abril do próximo ano, o país realizará um fórum para discutir os resultados do estudo e planejar as etapas para a consolidação do programa.

Missão brasileira avalia ações para fortalecer alimentação escolar na África

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Libéria e Quênia interessados em programas brasileiros de segurança alimentar

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Em viagem ao Brasil dos dias 24 a 31 de outubro para conhecer políticas nacionais de nutrição, delegações da Libéria e do Quênia visitaram cooperativas e centros de ensino no Rio Grande do Sul, onde estudantes, professores e agricultores estão envolvidos em projetos de alimentação escolar. A missão foi conduzida pelo Centro de Excelência contra a Fome.

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A primeira parada na segunda-feira foi a Escola Municipal de Educação Infantil Humaitá. O colégio atende 106 crianças de um a cinco anos, que fazem quatro refeições por dia. Para entender como os alimentos são preparados, integrantes das delegações foram às cozinhas da instituição e participaram da hora escolar — momento em que docentes e alunos cultivam frutas e vegetais utilizados na merenda.

“Nosso objetivo é dar às crianças a oportunidade de experimentar a sensação de cultivar sua própria comida. A horta não consegue suprir todos os ingredientes de que precisamos para as refeições das escolas, mas nós a utilizamos como um espaço em que as crianças podem se familiarizar com o que comem, um espaço para aprender sobre a importância de uma dieta saudável”, explicou a diretora do colégio, Patrícia Freitas.

O centro de ensino apresentou ainda outras iniciativas, como um programa de aproveitamento de água que coleta chuva para irrigar a horta e também para uso nos lavabos. A escola Humaitá também orienta crianças sobre como manter uma dieta saudável e sobre os riscos de uma alimentação baseada em produtos ultra-processados.

No mesmo dia, no Antônio Giúdice, colégio municipal de ensino fundamental, representantes dos países africanos foram apresentados a um projeto de compostagem que transforma o lixo da cozinha em fertilizante para a horta escolar.

Após visita às escolas, estrangeiros conheceram um restaurante comunitário subsidiado pelo governo local que oferece alimentação saudável a preços acessíveis para populações vulneráveis. Ao final do dia, as delegações visitaram um banco de leite humano e conversaram com técnicos brasileiros sobre as estratégias nacionais de estímulo ao aleitamento para o fornecimento de leite a crianças cujas mães não podem amamentar.

Agricultura familiar

Na terça-feira, os representantes da Libéria e do Quênia visitaram uma cooperativa de agricultores familiares no município de Viamão, Rio Grande do Sul. O que foi um dia uma única propriedade de terra, hoje é o assentamento de 375 agricultores familiares devido à reforma agrária.

Atualmente, a cooperativa fornece arroz e vegetais para escolas da região. Toda a comida produzida pelos agricultores familiares é orgânica. “Ao prover alimentação para o programa de alimentação escolar, damos às crianças acesso à alimentação saudável e apoio aos agricultores locais”, afirmou o coordenador do empreendimento, Huli Zang.

A cooperativa também produz pães, bolos e biscoitos com ingredientes regionais. Cerca de 95% da produção da padaria da cooperativa é vendida para centros de ensino das redondezas. A maioria das pessoas trabalhando na padaria é de mulheres, o que ajudou a incrementar a renda média das famílias e o padrão de vida da comunidade.

Foco na atenção básica de saúde

A visita de campo foi concluída em um centro de saúde na capital gaúcha, onde as delegações puderam aprender sobre a Estratégia Saúde da Família do Brasil, voltada para o combate à mortalidade de crianças.

“Ao combinar o atendimento básico de saúde a outras políticas de proteção social, como a transferência condicional de renda, o Brasil reduziu suas taxas de mortalidade infantil e melhorou os índices de desnutrição”, explicou a coordenadora da atenção básica da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Vania Frantz.

Para atender às exigências de saúde e nutrição, crianças com menos de sete anos devem receber todas as vacinas obrigatórias e cumprir um calendário de monitoramento do crescimento e da situação de saúde. Mulheres grávidas e lactantes também devem comparecer a consultas pré e pós-natal, além de participar de atividades de educação em saúde e nutrição.

Intercâmbio de conhecimentos em nutrição

Compostas por representantes dos ministérios da Saúde e Agricultura, da sociedade civil e dos escritórios do Programa Mundial de Alimentos da ONU nos dois países, as delegações participaram também do XXIV Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), que aconteceu em Porto Alegre dos dias 26 a 29 de outubro.

Libéria e Quênia conhecem políticas brasileiras de nutrição em visita ao Rio Grande do Sul