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Agricultura africana precisa ser repensada radicalmente


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Os agricultores e agronegócios de África poderão criar um mercado de alimentos de um trilhão de dólares em 2030 se conseguirem aumentar o acesso a mais capital, eletricidade, melhor tecnologia e terras irrigadas para o cultivo de alimentos nutritivos e se os governos africanos conseguirem cooperar mais estreitamente com os agronegócios com vista a alimentar a população urbana da região em rápido crescimento, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado hoje.

De acordo com o relatório Growing Africa: Unlocking the Potential of Agribusiness, os sistemas alimentares de África, que atualmente representam USD 313 bilhões ao ano provenientes da agricultura, podiam triplicar se os governos e líderes empresariais repensassem radicalmente as suas políticas e o apoio à agricultura, agricultores e agronegócios que, no seu conjunto, são responsáveis por cerca de 50 por cento da atividade econômica de África.

Chegou a hora de tornar a agricultura e os agronegócios de África num catalisador para pôr fim à pobreza”, afirma Makhtar Diop, Vice-presidente do Banco Mundial para a Região África. “Nunca é demais enfatizar a importância da agricultura para a determinação de África no sentido de manter e impulsionar as suas elevadas taxas de crescimento, criar mais empregos, reduzir significativamente a pobreza e produzir suficientes alimentos nutritivos de baixo custo para alimentar as famílias, exportar os excedentes agrícolas, salvaguardando, ao mesmo tempo, o meio-ambiente do continente.

Agronegócios: fortes oportunidades de crescimento

Devido a uma combinação do aumento da população com um incremento dos rendimentos e da urbanização, a intensa procura está a fazer subir os preços globais dos alimentos e dos produtos agrícolas. Questões relacionadas com a oferta – abrandamento do rendimento dos principais cultivos agrícolas, redução de despesas com a investigação, degradação da terra e questões de escassez de água e alterações climáticas – significam, todas elas, que os preços  permanecerão altos. Neste novo clima do mercado, África tem um enorme potencial para expandir as suas exportações agrícolas e de alimentos.

África possui perto de 50 por cento da terra não-cultivada do mundo, própria para o cultivo de alimentos, compreendendo 450 milhões de hectares que não estão arborizados, protegidos ou densamente povoados. África utiliza menos de 2% das suas fontes renováveis de água, comparativamente a uma média mundial de 5%. É corrente as colheitas terem um rendimento bastante inferior ao seu potencial e, no que toca a alimentos básicos, como por exemplo o milho, essa lacuna no rendimento é da ordem de 60 a 80%. As perdas pós-colheita situam-se entre 15% e 20% para os cereais e são ainda mais altas para os produtos perecíveis por causa das deficientes condições de armazenagem e de outras infraestruturas agrícolas.

Os países africanos podem penetrar nos mercados florescentes de arroz, milho, soja, açúcar, óleo de palma, biocombustíveis e matérias-primas e emergir como principais exportadores destes bens nos mercados mundiais, a exemplo dos êxitos alcançados pela América Latina e Sudeste Asiático. Na África Subsariana, os setores mais dinâmicos são provavelmente o arroz, cereais forrageiros, aves, laticínios, óleos vegetais, horticultura e produtos transformados para abastecimento dos mercados nacionais.

O relatório chama a atenção para o facto de vir a ser necessária terra para alguns investimentos em agronegócios, podendo essas aquisições ser uma ameaça à subsistência das pessoas e criar oposição local, a menos que as compras ou arrendamentos de terras sejam conduzidos segundo padrões éticos e de responsabilidade social, incluindo o reconhecimento dos direitos dos utilizadores locais, consultas extensivas com comunidades locais e compensação ao justo valor de mercado pela terra adquirida.

O desenvolvimento dos setores da agricultura e dos agronegócios significa rendimentos mais altos e mais empregos. Permite também a África competir globalmente. Hoje em dia, o Brasil, Indonésia e Tailândia exportam mais produtos alimentares do que toda a África Subsariana junta. Isto tem de mudar”, afirma Jamal Saghir, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento Sustentável na Região África.

As Cadeias de Valor são essenciais  

Arroz: África tornou-se um dos principais consumidores e importadores de arroz e os africanos importam metade do arroz que comem e pagam caro, em torno de USD 3 500 milhões, ou mais, ao ano. Gana e Senegal são grandes importadores. O Senegal é competitivo entre os países vizinhos mas a sua capacidade está limitado pela dificuldade dos agricultores em terem acesso à terra, a capital, ao financiamento para expansão da irrigação e variedades de cultivos adequadas. O Gana produz menos variedades de arroz do que o Senegal mas a um custo consideravelmente mais alto e aplica tarifas de 40% e outras taxas sobre as importações. A fraca qualidade do cereal, as más condições de limpeza e de embalagem são grandes dissuasores junto dos consumidores, travando o desempenho do setor.

Milho: Produto alimentar essencial para muitos africanos, o milho ocupa uma área de 25 milhões de hectares ou 14% da terra cultivada. Na Zâmbia, onde as pessoas consomem em média 133 quilos de cereais ao ano, o milho fornece metade das calorias ingeridas na sua alimentação. No que toca às importações de milho, a Zâmbia é competitiva, o que já não é o caso para as exportações. Os elevados custos de transporte, o aumento dos custos laborais e os rendimentos mais baixos contribuem para um preço que é superior em 1/3 ao da Tailândia, um dos grandes produtores internacionais de milho irrigado pela chuva. O relatório defende que a competitividade futura da Zâmbia irá depender do aumento de rendimentos, da redução dos custos e da eliminação dos desincentivos ao setor privado nos mercados e no comércio.

O estudo analisou ainda as cadeias de valor do cacau no Gana e dos laticínios e feijão-verde no Quénia.

“É preciso capacitar os agricultores e negócios africanos através de boas políticas, maiores investimentos públicos e privados e fortes parcerias público-privadas”, afirma Gaiv Tata, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento do Setor Financeiro e Privado em África. “Um setor de agronegócios forte é vital para o futuro económico de África.”

Soluções

A agricultura e os agronegócios deveriam estar no topo da agenda de negócios e desenvolvimento da África Subsariana. O relatório apela a uma sólida liderança e a um compromisso firme do setor público e do privado. A título de comparação, o relatório cita estudos de casos do Uruguai, Indonésia e Malásia. Para se ter êxito, é fundamental o envolvimento de investidores estratégicos “com boas práticas”, assim como o reforço das salvaguardas, sistemas de administração das terras e rastreio de investimentos para um crescimento sustentável.

O relatório refere que África pode igualmente inspirar-se nos muitos sucessos locais para orientar os governos e investidores no sentido de resultados positivos no domínio económico, social e ambiental.

http://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2013/03/04/africas-food-markets-could-create-one-trillion-dollar-opportunity-2030

Agricultural Development Bank

Gana mostra como não fazer uma abertura de capital

 

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(Bloomberg) — Era para ser a maior venda de ações feita por uma empresa estatal daÁfrica Subsaariana em quase dez anos. Em vez disso, é uma lição de como não realizar uma privatização.

Mais de dois meses depois que o ganês Agricultural Development Bank (ADB) recebeu ofertas totalizando US$ 113 milhões em uma abertura de capital, e uma década depois do começo da discussão sobre o fim da posse estatal, a empresa reabrirá a venda, fato que essencialmente invalida o primeiro leilão. O governo, que já tinha desrespeitado dois prazos para aprovar a transação, controla pelo menos um dos possíveis novos compradores: o fundo de pensões estatais.

A abertura, iniciada pelo banco central em 2011, foi adiada por ações judiciais, por protestos de funcionários e por disputas no governo – em um momento, por exemplo, o órgão regulador de valores começou a investigar o assessor da transação. Na terça-feira, o regulador exigiu ao banco que reembolsasse os investidores que já tinham pagado pelas ações.

É tudo mais um sinal de que a África ainda tem muito o que fazer para se transformar em destino de investimentos.

“Claramente estamos vendo um caso de uma abertura de capital malsucedida”, disse Doris Ahiati, diretora de pesquisa do Databank Group, com sede em Acra, que comprou algumas das ações para clientes. “Vou exigir os juros em nome dos meus clientes”.

Potencial

Os reveses da transação podem prejudicar as tentativas dos países africanos de liberalizar seus mercados moribundos e atrair investimentos estrangeiros. As dez maiores bolsas da África Subsaariana respondem por apenas 0,71 por cento das ações globais, segundo dados compilados pela Bloomberg. Tirando a África do Sul, o número cai para 0,12 por cento.

As autoridades da Bolsa de Gana esperavam que a venda aumentasse os volumes de operações, o que ajudaria a gerar uma recuperação depois que o índice de referência caiu para bear market neste ano.

Agora, eles têm que esperar que o processo recomece.

“Todos esperamos que apareçam coisas que façam com que o mercado avance”, disse Elizabeth Matekole, diretora de atividade dos mercados secundários da bolsa. “Eu rezo para que a Comissão de Valores Mobiliários de Gana consiga resolver os problemas que existirem”.

‘Não há imparcialidade’

O governo, que venderá uma parte não revelada de sua participação de 52 por cento no ADB, descumpriu um segundo prazo para aprovar a transação no dia 5 de maio. Então, na semana passada, o credor disse que procuraria reabrir a venda para permitir que o fundo de pensões estatais e o Conselho do Cacao – nenhum dos quais participou da abertura – comprem ações em uma segunda rodada de ofertas. A empresa disse na segunda-feira que tinha rejeitado 435,1 milhões de cedis (US$ 111,6 milhões) dos 437,9 milhões de cedis que recebeu em ofertas.

“A mensagem transmitida é que no que diz respeito a emissão de valores de empresas públicas, não há imparcialidade”, disse Kisseih Antonio, diretor-gerente de gestão de ativosda Ecobank Capital, subscritora de algumas das ações. “Isso mostra que eles estão sendo parciais com certa classe de investidores. A pergunta que eu tenho que me fazer é: vale meu tempo ser subscritor de quaisquer aberturas de capital de entidades estatais no futuro?”.

 

Gana mostra como não fazer uma abertura de capital