Angola é o terceiro maior destino do financiamento chinês

 

Angola é o terceiro maior destino do financiamento chinês além-fronteiras, segundo a unidade de investigação AidData, que aponta que Pequim está perto de igualar Washington como principal fonte de empréstimos aos países em desenvolvimento.

Crédito chinês atinge mais de 16,5 mil milhões de dólares
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro
A pesquisa, difundida pela unidade de investigação AidData, da universidade norte-americana de William & Mary, analisa o financiamento oriundo da China, que publica poucos detalhes sobre os fluxos de capital para o exterior. Em 15 anos, e até 2014, Pequim doou ou emprestou 354,4 mil milhões de dólares a outros países.
Durante o mesmo período, os EUA doaram ou emprestaram 394,6 mil milhões de dólares. Angola surge no estudo da AidData como o terceiro maior beneficiário do financiamento de Pequim, apenas atrás da Rússia e Paquistão, dois países que fazem fronteira com a China. O país recebeu de Pequim um total de 16.556 milhões de dólares (14.011 milhões de euros).
A base de dados AidData, que reúne milhares de fontes, é analisada por acadêmicos da William & Mary e das universidades de Harvard e Heidelberg. “Ao nível mais alto, pode dizer-se que os EUA e a China são agora rivais nos gastos, no que toca às suas transferências financeiras para outros países”, escreve o director executivo da AidData, Bradley C. Parks.
A opacidade do financiamento chinês suscita preocupações de apoio a regimes corruptos e redução dos padrões de protecção ambiental e direitos humanos, que doadores ocidentais tentam reforçar. A maioria do financiamento chinês parece servir o crédito à exportação e outros critérios que visam promover os objectivos chineses, mas produzem pouco benefício aos países destinatários, segundo Parks.
“A maior fatia do financiamento não visa permitir um crescimento econômico significante para os países receptores”, afirma.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_entre_os_maiores__devedores_da_china

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São Tomé e Príncipe um país que ainda depende da generosidade internacional

São-Tomé-e-Príncipe-Evaristo-Carvalho-vice-presidente-da-ADI-candidato-presidencialSão Tomé e Príncipe vive dependente “da generosidade internacional”, diz presidente
O Presidente de São Tomé e Príncipe advertiu a classe política que a construção da democracia não é uma obra acabada e apontou o desacerto na execução de políticas adequadas ao longo dos anos. O discurso de Evaristo Carvalho foi feito, quarta-feira (12), por ocasião do 42º aniversário da independência do país.
Evaristo Carvalho disse que o pouco aproveitamento das oportunidades conseguidas ao longo dos anos” está na origem da atual situação de pobreza do país”.

O país vive “dependente da generosidade internacional” e a economia “continua desequilibrada e persistente” na sua relação de dependência com o exterior, afirmou o presidente do arquipélago, citado pela rádio norte-americana VOA.

“O dia-a-dia do nosso país depende da generosidade internacional pois as nossas despesas de investimento são financiadas em mais de 90 por cento com recursos externos, o que limita às autoridades a possibilidade de execução de uma política genuína de desenvolvimento sustentado”, sublinhou Carvalho.

Na sua intervenção, apontou o “desacerto na execução de políticas adequadas”, e enfatizou que o “pouco aproveitamento das oportunidades conseguidas ao longo dos anos” está na origem da atual situação de pobreza do país.

Noutro aspecto, lembrou o poder político que a edificação e a consolidação do estado de direito democrático no arquipélago ainda “não é uma obra acabada e defendeu um corajoso, profundo e descomprometido” processo de reforma “em todos os setores da sociedade”

Fonte acessada dia 14 de julho de 2017: https://africa21digital.com/2017/07/13/sao-tome-e-principe-e-dependente-da-generosidade-internacional-diz-presidente/

Moçambique convida pequenas e médias empresas japonesas a se instalarem no país

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O vice-ministro moçambicano da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, desafiou hoje as pequenas e médias empresas japonesas a investirem em Moçambique, apontando a produção de bens de consumo como uma oportunidade.

“Agora é a altura de as pequenas e médias empresas japonesas descobrirem Moçambique para produzir bens de consumo, principalmente”, afirmou Ragendra de Sousa.

O vice-ministro moçambicano falava à margem de uma conferência, organizada pela revista Exame e pelo banco Barclays, subordinada ao tema “Parceiros Económicos de Moçambique: Japão”.

Destacando as boas relações existentes, Ragendra de Sousa disse que Moçambique quer aprender com a experiência do Japão em várias áreas, com destaque para as novas tecnologias.

A melhoria do ambiente de negócios continua a ser um dos principais desafios do executivo moçambicano e a promoção do contacto entre o empresariado e o governo é apontado como condição para que se ultrapasse este problema.

“Existem dificuldades, obviamente, mas o Governo está aberto para ouvir o setor privado e, dentro das suas possibilidades, tentar resolver as dificuldades”, acrescentou o governante.

Por sua vez, o embaixador do Japão em Maputo, Toshio Ikeda, reafirmou a intenção do país nipónico em ajudar o povo moçambicano, classificando Moçambique como um país promissor, apesar de destacar dificuldades no ambiente de negócios.

“O Governo moçambicano tem de trabalhar para retirar algumas dificuldades que podem condicionar o investimento japonês no país”, observou o diplomata, sem, no entanto, fazer menção específica aos problemas.

O Japão é o nono parceiro comercial de Moçambique: as exportações de produtos e serviços japoneses totalizaram em 2016, um valor de 108 milhões de dólares, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística moçambicano.

As exportações de bens moçambicanos para o Japão foram de cerca de 31 milhões de dólares, logo a seguir a Portugal.

Em 2016, a empresa brasileira Vale vendeu uma parte minoritária da mina de carvão de Moatize e metade da participação no Corredor Logístico de Nacala à japonesa Mitsui, havendo também contactos na área do gás natural.

Noutro eixo, o governo do Japão tem apoiado a construção e reabilitação de pontes pelo país, programa ao abrigo do qual doou 12 milhões de dólares a Moçambique há um ano.

Na altura, o então embaixador nipónico, Akira Mizutani, referiu que “apesar da questão da dívida não revelada, o Japão irá continuar a realizar cooperação financeira não reembolsável com Moçambique”.

Os dois países assinaram um acordo bilateral de cooperação em 2014 para reabilitação do porto de Nacala, construção de centros de ensino e investigação em Nampula e Maputo e edificação do atual mercado do peixe na capital.

A conferência “Parceiros Económicos de Moçambique: Japão” juntou representantes do Governo de Moçambique, embaixada do Japão, JICA (cooperação japonesa), JETRO (organização para o comércio externo) e das firmas Mitsui e Sumitomo.

http://www.dn.pt/lusa/interior/governo-desafia-pequenas-e-medias-empresas-japonesas-a-descobrirem-mocambique-8631542.html

Empresas de Angola discutem crédito de dois milhões de dólares com Israel

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Israel tem disponíveis dois milhões de dólares (mais de 300 milhões de kwanzas) para ajudar empresas angolanas a elevarem as trocas bilaterais, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país.

 

Israel acredita no potencial existente em Angola e promete financiar projectos nos vários sectores da vida económica para realizar negócios

 

Oren Rosemblat disse no I fórum empresarial Angola-Israel que, apesar da baixa do preço do petróleo – que afetou em grande medida a economia angolana -, Israel considera haver em Angola oportunidades de negócio, pelo que “Israel vai ajudar a financiar e os bancos vão dar créditos para que os negócios se efectivem.”

Quinze dos sectores de serviços: energia, agricultura, defesa, segurança militar e social, imigração e comércio participam no encontro que encerra amanhã, inspirado pela declaração do embaixador que afirmou que se “os dois países têm boas relações, temos a obrigação de levá-los a fazer bons negócios.”
O fórum, promovido pela Câmara de Comércio Angola-Israel (CCAI) visa uma troca de experiências para elevar os níveis de conhecimento mútuo entre empresas dos dois países e assinar contratos de parceria.
O presidente da CCIA, Haim Taib, disse que o órgão tem como objectivo “construir pontes” entre os empresários e instituições empresariais dos dois países e constitui uma plataforma de promoção e desenvolvimento de relações comerciais bilaterais, através de missões empresariais e de entidades oficiais.
“A CCAI tem como prioridade o estreitamento de laços empresariais entre os dois Estados, a promoção de cooperação bilateral, a promoção das relações empresariais entre os dois países e a apresentação de áreas de interesse”, disse. Os últimos dados disponíveis, de 2014, indicam que o volume de negócios israelitas em Angola se cifrou em 64 milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de kwanzas), absorvidos pelos sectores de maquinaria, metais, transportes, plásticos e borracha, instrumentos, têxteis, vegetais, produtos alimentares e químicos.
O embaixador de Angola em Israel, Francisco dos Santos, afirmou que Angola está aberta para cooperar com empresas estrangeiras de vários países e que o fórum é uma oportunidade para criar parcerias, principalmente para a transferência de conhecimento. “A presença do CCAI vai impulsionar as relações já existentes nas diversas áreas e aumentar o volume de comércio entre os dois países”, sublinhou.
José Alentejo, do secretariado geral da CCAI, disse à delegação israelita que Angola é um bom destino para investir e que o mercado oferece oportunidades às empresas sediadas no país, para expandirem os seus negócios na região da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), um mercado com mais de 200 milhões de consumidores.
São razões para investir em Angola, continuou José Alentejo, o facto de ser o sétimo maior território de África, o quinto maior produtor mundial de diamantes, o segundo maior produtor de petróleo e gás do continente e ter acesso a 12 por cento dos lençóis aquáticos africanos nos principais rios: Kwanza, Zaire, Cunene e Cubango.
Angola é rica em fauna e flora, tem a segunda maior floresta do mundo, o Maiombe, e tem os 25 principais minérios, tais como diamantes, ferro, ouro, fosfato, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, tungsténio, titânio, crómio, mármore, granito e urânio, microclimas diversos além da estabilidade política e económica desde 2002.

José Alentejo acrescentou que Angola tem, no âmbito da estratégia da diversificação da economia, o Plano Nacional de Desenvolvimento PND 2013/ 2017, no qual são inventariados 390 projectos estruturantes para o desenvolvimento industrial.
A delegação israelita é liderada pelo ex-vice-primeiro ministro de Israel, Silvano Shalom, e integra potenciais parceiros interessados em partilhar conhecimentos e recursos tecnológicos.

A Câmara de Comércio Angola-Israel foi criada há um ano e tem 44 membros registados. O fórum aborda temas ligados às “Oportunidades de negócio em Angola”, “Investir em Angola” e “Áreas privilegiadas para o investimento em Angola”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/governo_de_israel_anuncia_financiamento

A Situação na Guiné-Bissau tende a degradar-se, diz ex-ministro das Finanças

Geraldo Martins, ex-ministro guineense das Finanças, afirma que instabilidade política no país logo após a Mesa Redonda de Bruxelas pôs em causa a estratégia de diversificação e crescimento da economia da Guiné-Bissau.

Guinea-Bissau Anti Regierungs Protest (DW/A. Kriesch)Manifestação contra o Governo da Guiné-Bissau (25.03.2017)

As instituições não funcionam na Guiné-Bissau. Não há prestação de contas. A Assembleia Nacional Popular (ANP) está bloqueada por causa da crise que se arrasta desde agosto de 2015, com a queda do executivo de Domingos Simões Pereira. Não há fiscalização às ações dos governos (inconstitucionais e ilegítimos) de iniciativa presidencial, que até então não conseguem apresentar e aprovar o seu programa no Parlamento. Contratos com empresas não são respeitados.

A manter-se assim, a situação tende a degradar-se, com reflexos na vida das populações. Quem o diz é Geraldo Martins, antigo ministro guineense da Economia e Finanças.

“Estes governos têm realmente tido problemas. Para já, não tem havido prestação de contas, a Assembleia não consegue fiscalizar, não respeitam contratos. São várias situações anómalas que estão a acontecer e que põem em causa os próprios fundamentos do Estado de direito democrático e desmobilizam os investidores que realmente tinham grandes expetativas em relação à Guiné-Bissau. Que queriam ir investir mas que agora estão com alguma reticência em relação à credibilidade do país, o que é mau”, destaca o ex-ministro guineense.

Governos ilegais

A situação das finanças públicas é crítica, diz ainda Geraldo Martins, para acrescentar que o país deixou de receber os apoios externos, “porque os últimos governos são ilegais”.

Guinea-Bissau Geraldo Martins, Finanzminister (DW/F. Tchumá)Geraldo Martins, ex-ministro das Finanças da Guiné-Bissau

E, segundo Martins, sem apoio externo as receitas internas não conseguem cobrir as necessidades da Guiné-Bissau. “Por isso mesmo o país está a atravessar uma situação bastante difícil. Hoje (25/03/17) completam-se dois anos depois da Mesa Redonda de Bruxelas, que foi um acontecimento espetacular não só porque o país conseguiu promessas de financiamento sem precedentes na sua história como também foi o momento de credibilização do país. O país passou a ter maior prestígio junto dos parceiros internacionais, mas infelizmente tudo isto foi estragado por causa de disputas políticas desnecessárias que continuam a travar o processo de desenvolvimento da Guiné-Bissau, o que é bastante lamentável”.

O ex-governante guineense também lamenta os atrasos no pagamento dos salários da função pública e afirma que “o problema que estes últimos governos tem estado a ter é que estão a ter muitas dificuldades para pagar os salários e estão a recorrer ao sistema bancário, aos bancos comerciais. Por exemplo, os últimos salários foram pagos com empréstimos contraídos junto da banca e, portanto, isso não é bom porque é um endividamento que é desnecessário. Se o país estivesse realmente numa situação normal, com a economia a funcionar como deve ser e o Estado a gerar receitas necessárias para o seu funcionamento e para a satisfação da demanda social.”


Esta engenharia financeira – adverte – poderá complicar a situação a médio prazo. As receitas que o Estado mobiliza com a produção e exportação do caju, uma das principais fontes de receitas do país, não são suficientes para responder a todas as necessidades.

“As receitas não chegam para cobrir as necessidades de despesas do Orçamento Geral do Estado. E por isso há duas coisas que são necessárias: uma é o aumento da capacidade de arrecadação fiscal, com o funcionamento da economia na sua normalidade – o que é difícil nestas circunstâncias em que há uma crise política; por outro lado também, os parceiros que costumavam apoiar o Orçamento, como a União Europeia e outros parceiros de desenvolvimento, decidiram que não vão fazê-lo enquanto não se voltar à normalidade. E o regresso à normalidade passa necessariamente pelo desbloqueio das instituições de modo a que possam voltar a funcionar normalmente.”

População guineense enfrenta momentos difíceis.

Geraldo Martins admite que a pobreza terá aumentado. Muitas atividades económicas empresariais estão paradas ou à espera de financiamento que não chega. Perante este cenário, acrescenta, “os índices de pobreza tendem a piorar”. Outra agravante – aponta –, é que este ano as regras de comercialização do caju foram alteradas e tudo leva a crer que o preço a ser praticado já durante a atual e a próxima campanha será bastante inferior comparado com 2015 e 2016, os anos de governação do PAIGC. É que a maioria da população é camponesa e vive da comercialização do caju.

Guinea-Bissau Cashew-Nüsse im Dorf Vila de Quisseth (DW/B. Darame)Caju

Se a situação é crítica, como entender as promessas à seleção nacional de futebol e os gastos que faz o Presidente JOMAV, alcunha de José Mário Vaz, durante as presidências abertas? Geraldo Martins considera tais “ações políticas totalmente descabidas” e imbuídas de “uma certa imoralidade”.

Segundo Martins, o Presidente guineense faz estas presidências abertas “não com o objetivo de ouvir as populações mas sobretudo para passar algumas mensagens de combate político contra o PAIGC, contra o seu líder etc., e com acusações gravíssimas não fundamentadas de corrupção, etc.. O grande problema é: até que ponto esta presidência aberta, além do aspeto financeiro – eu diria até que há uma certa imoralidade em estar a gastar-se agora numa altura em que há grandes dificuldades no país – que não vai dar em nada. Em que o Presidente da República passa mensagens de acusações contra os seus adversários políticos.”

O ex-ministro questiona: “até que ponto o próprio Presidente da República, que também no passado teve problemas na justiça por suposto desvio de fundos, tem legitimidade para estar a acusar permanentemente os seus adversários de desvio de fundos? Esta é uma situação absolutamente incompreensível” – afirma.

Todos vislumbram uma saída para a crise menos JOMAV

Geraldo Martins diz que toda a gente vislumbra uma saída para a crise na Guiné-Bissau, menos o Presidente da República.

“A saída passa necessariamente pelo cumprimento daquilo que foi acordado pelas partes, porque o Governo anterior, isto é o Governo de Baciro Dja, quando ultrapassou todos os prazos legais para a aprovação do seu programa, o Presidente da República entendeu que, ao invés de devolver o poder ao PAIGC, devia ir à CEDEAO talvez contando com a indulgência dos seus pares a ver se conseguiam uma solução que lhe favorecesse. Mas quando o Acordo de Conacri foi assinado, o Presidente terá entendido que o acordo não lhe favorecia e, portanto, decidiu pura e simplesmente fazer tábua rasa do Acordo de Conacri. Ora, o que hoje toda a gente diz, não só no país mas também os nossos parceiros de desenvolvimento (ONU, UA, CEDEAO), há um consenso generalizado de que o Acordo de Conacri é, de facto, a via para a saída da crise. Mas o Presidente da República não quer e não está interessado em cumprir com o Acordo de Conacri.”

Guinea-Bissau Jose Mario Vaz (Getty Images/AFP/S. Kambou)José Mário Vaz, Presidente da Guiné-Bissau

Para Martins, politicamente JOMAV não tem outra saída: “ou respeita a Constituição, dissolve o Parlamento e convoca eleições antecipadas ou respeita o Acordo de Conacri. Estamos à espera de ver o que é que o Presidente vai fazer. Mas terá que fazer alguma coisa. Ele é que despoletou a crise e só ele pode resolver a crise”, assegura o ex-ministro, que critica JOMAV de “estar a arrastar a situação” porque “não está a pensar no país” mas sim “nos interesses de um grupo de pessoas que sequestrou o poder”.

Devidamente acolhido pela comunidade internacional na Mesa Redonda de Bruxelas (25/03/2015), o Plano Estratégico do Governo de Simões Pereira, denominado “Terra Ranka”, identificou os principais pilares de crescimento económico e desenvolvimento social da Guiné-Bissau. Segundo Geraldo Martins, as promessas de então, que rondavam os 1,5 mil milhões de dólares, eram importantes para relançar o país. Infelizmente isso não aconteceu – lamenta o mestre em Gestão e antigo quadro do Banco Mundial.

“Boa parte dos fundos não entrou e provavelmente não entrará se esta situação de crise política prevalecer”, conclui Geraldo Martins.

http://www.dw.com/pt-002/situa%C3%A7%C3%A3o-na-guin%C3%A9-bissau-tende-a-degradar-se-diz-ex-ministro-das-finan%C3%A7as/a-38196172

Donald Trump poderá mudar a ajuda externa americana aos países africanos

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Donald Trump ,presidente dos Estados Unidos raramente  fala sobre Africa,  mas algumas pistas parecem certas. A ajuda americana aos países africanos diminuirá, e uma  cobrança pelo respeito aos  direitos humanos e governança democrático devera ser abandonada. Uma pista para entender essa mudança possa ser a nomeação de Rex Tillerson para Secretário de Estado americano.

Rex Tillerson, engenheiro e administrador,foi presidente da Corporação Exxon Mobil, e foi nomeado Secretário de Estado dos EUA.

O Secretário de Estado americano, Rex Tillerson, conhece bem o continente africano em  especial os países produtores de petróleo como: Nigéria, Guiné Equatorial, Angola  e Tchad. Países que não gozam de respeitabilidade na defesa e promoção dos direitos humanos. Organizações da sociedade civil como a Oxfam e  a Global Witness, há tempo vem criticando  Tillerson pela presença da Exxon Mobil  nos países africanos,  que  segundo elas contribui com a desigualdades social, pobreza, corrupção e o meio ambienter

Rex Tillerson, durante a arguição no Senado para o cargo de Secretário, fez uma declaração sobre a ajuda  externa americana aos países pobres. Esta ajuda americana , no valor de 50 bilhões de dólares, é traduzida em alimentos, ajuda militar, medicamentos, pessoal técnico entre outras formas

Rex Tillerson, Secretário de Estado dos EUA, afirmou que 70% de ajuda  americana é desviada pela classe dirigente desses países. Afirmou ainda que há forças militares que desviam os recursos, já no aeroporto. É preciso repensar esta forma de ajuda americana, pois 50 bilhões de dólares representam 1% do orçamento americano.

Especialistas que estudam a corrupção em países pobres do mundo, como o professor da Universidade de Copenhagen , Morten Broberg, afirma que não é possível confirmar esses valores sobre os desvios, pois são de difícil investigação.

Mas com a afirmação de Res Tillerson de que o desvio da ajuda externa americana pode chegar a 70%. Não é difícil  prever que haverá mudanças na forma de ajuda americana aos países pobres.

 

 

 

China estabelece relações diplomáticas com São Tomé e Príncipe

 

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A China estabeleceu oficialmente nesta segunda-feira relações diplomáticas com São Tomé e Príncipe, uma semana depois da ilha africana ter abandonado o pequeno grupo de Estados que reconhecem o governo de Taiwan como único representante chinês.

Os ministros das Relações Exteriores da China e de São Tomé e Príncipe, Wang Yi e Urbino Botelho, respectivamente, assinaram em Pequim um comunicado comum que anuncia o estabelecimento das relações.

São Tomé e Príncipe (200.000 habitantes) anunciou em 20 de dezembro o rompimento das relações diplomáticas com Taiwan.

A decisão reduz a 21 o número de Estados que reconhecem Taiwan, incluindo o Vaticano e os países africanos de Suazilândia e Burkina Faso.

Os demais são pequenos países da América Central, Caribe e Pacífico.

O ministro das Relações Exteriores de Taiwan, David Lee, afirmou que São Tomé e Príncipe exigia uma ajuda financeira “astronômica” para manter as relações diplomáticas, o que o governo taiwanês não aceitou

http://www.istoedinheiro.com.br/…/china-estabelece-r…/445021

A seca em Moçambique é uma tragédia desconhecida pelo brasileiros

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Moçambique atravessa um período de secas que tem levado milhões de pessoa a situações crítica, mas no Brasil isso não faz parte da pauta da política externa. Há uma insensibilidade e um desconhecimento sobre  esse drama. A recente decisão do governo brasileiro de suspender a doação de três aviões  à Moçambique, dá uma ideia do pensa o novo governo sobre Africa.

– Enquanto isso os australianos pensam diferente, pois Moçambique é um dos beneficiários do apoio adicional disponibilizado pelo governo australiano para a África Austral em resposta à escassez de alimentos devido a grave seca provocada pelo fenômeno de El Niño na região.

A disponibilização deste apoio, no valor de 10 milhões de dólares australianos (cerca de 7,7 mil dólares norte-americanos ao câmbio corrente), foi anunciada na semana passada pela ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, e será efectivada através do Programa Mundial de Alimentação (PMA).

Um comunicado do Alto Comissariado da Austrália recebido pela AIM adianta que o apoio vai servir para o fornecimento de alimentos e apoio nutricional para 11,9 milhões de pessoas afectadas pela seca nos países da África Austral.

Dos países mais afectados na região da África Austral, que irão beneficiar directamente deste financiamento adicional constam Moçambique, Lesotho, Malawi, Suazilândia e Zimbabwe

A crise actual causada pelo fenómeno El Niño resultou em uma das piores secas na África Austral dos últimos 35 anos, tendo deixado 32 milhões de pessoas sem acesso ao fornecimento adequado de alimentos, incluindo 2,7 milhões de crianças gravemente desnutridas.

A Austrália tem sido activa na resposta global ao impacto do El Niño, que também teve um impacto devastador no Indo-Pacífico.

A resposta da Austrália tem sido feita com base no financiamento para a aquisição de alimentos de subsistência, nutricional e meios de subsistência para os países mais afectados no Pacífico e Sudeste Asiático, bem como no Corno de África.

Através do seu programa de ajuda, o governo australiano também está a investir na melhoria da preparação e de capacidade de adaptação à mudança climática para ajudar comunidades a se prepararem para futuros períodos de seca.

Com este financiamento adicional, a contribuição da Austrália para os países afectados pelo El Niño irá aumentar para um total de 46 milhões de dólares australianos.

El Nino é um evento climático natural que ocorre no Oceano Pacífico, aquecendo suas águas e alterando a distribuição de calor e humidade em várias partes do globo.

Muitos climatologistas acreditam que o El Nino possa estar relacionado com o inverno mais quente na região central dos Estados Unidos, secas na África e verões mais quentes na Europa. Estes efeitos ainda estão em processo de estudos.

Em Moçambique, o El Nino está associado a seca durante o período mais chuvoso – Janeiro a Março. Este fenômeno também foi responsabilizado pela grave escassez de alimentos em grande parte das regiões sul e centro de Moçambique, em 2002, e pela grave seca que devastou o país, em 1992.

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11270708092016130141.html

Relatório da ONU sobre a Guiné-Bissau é preocupante

 

Nova Iorque – O relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação na Guiné-Bissau, que será apresentado hoje, em Nova Iorque, aos membros do Conselho de Segurança, recomenda a manutenção das sanções ao país. 

“Existe amplo consenso de que as sanções têm actuado como um impedimento ao envolvimento directo das forças de segurança e defesa na deteriorante situação política que o país enfrenta desde Agosto de 2015”, lê-se no relatório citado pela Agência Angola Press.

Uma destas sanções diz respeito à proibição de sair do país de 11 militares que estiveram envolvidos no golpe de estado de 2012, responsáveis que continuam a pertencer às forcas armadas e, à excepção de três, nas mesmas funções.

O relatório diz que os militares se têm mantido à margem da crise política, mas que “o risco de uma intervenção pode aumentar se a crise política persistir, se a reforma de sectores relevantes não for implementada e, em particular, se a precária situação orçamental impedir o pagamento de salários aos soldados.”

“O Conselho de Segurança deve manter a situação actual e enviar uma mensagem clara a todos os cidadão da Guiné-Bissau: o regime de sanções é aplicável a todos, independentemente da sua afiliação política ou institucional”, defende o secretário-geral Ban Ki-Moon.

O documento diz ainda que o Conselho de Segurança deve mostrar que está pronto para “fortalecer as medidas”, que deve considerar o estabelecimento de um comité que recolha informação para sanções mais dirigidas e eficientes e, finalmente, recomenda a visita do presidente do Comité de Sanções da ONU à Guiné-Bissau.

No geral, o relatório defende que “o inicial mas significante progresso feito na Guiné-Bissau após as eleições de 2014, através da formação de um governo legítimo, inclusivo e democrático, foi amplamente revertido” nos últimos 12 meses.

A Guiné-Bissau atravessa uma crise política sem que os dois principais partidos do país, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS), consigam chegar a acordo para marcar uma data para a continuação dos trabalhos parlamentares e debater o programa de Governo.

O documento garante que “três mudanças sucessivas de governo e um prolongado período de paralisia política enfraqueceram ainda mais as instituições do estado”, explica que “a implementação de reformas chave nos sectores da defesa, segurança e justiça foi suspensa” e que “a prestação de serviços básicos foi negativamente afectada.”

O relatório fornece ainda uma actualização sobre os principais acontecimentos políticos, de segurança, direitos humanos, e desenvolvimentos na área socioeconómica e humanitária na Guiné-Bissau desde o seu relatório mais recente, de 12 de Fevereiro de 2016.

Este é o primeiro relatório produzido sobre a supervisão do novo Representante Especial, Modibo Ibrahim Touré, que substitui Miguel Trovoada.

Outro aspecto evidenciado pelo relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação na Guiné-Bissau, tem a ver com a possível expansão no país do grupo terrorista Al Qaida do Magreb islâmico.

“Existem preocupações de que grupos como a Al-Qaida no Magrebe Islâmico podem aproveitar-se da instabilidade na Guiné-Bissau para ganhar presença e avançar a sua agenda de extremismo violento”, lê-se no documento. Os autores do relatório lembram que em Março deste ano quatro indivíduos, suspeitos de colaborar com organizações ligadas à Al-Qaida, foram perseguidos pelas autoridades no país e detidos enquanto tentavam cruzar a fronteira.

“Existem receios na região de que o país se possa tornar um alvo para excursões terroristas, visto que, no momento presente, a capacidade do governo responder a esta ameaça ou possíveis ameaças de crime organizado transnacional, como o tráfico de droga, continua limitada”, explica o documento.

O relatório lembra ainda que instituições como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e a União Europeia suspenderam o seu apoio orçamental ao país, uma situação que pode ter um “impacto devastante” no país, visto que 80% do seu apoio vem da ajuda internacional.

 

http://pt.radiovaticana.va/news/2016/08/30/relat%C3%B3rio_da_onu_sobre_a_guin%C3%A9-bissau/1254643

Angola precisa de investimento estrangeiro

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Angola necessita de aumentar em 15 por cento os influxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) para relançar o crescimento econômico, conclui um estudo apresentado em Abril pelo acadêmico e pesquisador angolano Paulo da Conceição Carvalho à Universidade de Harvard.
 
 
O economista cita a pesquisadora Monica Vargas Murgui que afirma que, em 2014, só a China – o maior investidor de IDE de África – concedeu a Angola crédito de 15 bilhões de dólares (2,5 trilhões de kwanzas).
 
O aumento dos fluxos de IDE, afirma Paulo da Conceição Carvalho no estudo, é o de viabilizar uma exploração “mais acentuada” de produtos e serviços com base em critérios competitivos.
 
O economista propõe reformas estruturais para captação do IDE, as quais ajudariam a compensar os desequilíbrios da economia angolana e resultariam na resolução da escassez de divisas, diversificação das fontes de influxo de capitais, no aumento do “know-how” tecnológico, transferência de tecnologia, criação e manutenção de empregos de remuneração elevada, capacidade empresarial e profissional de qualidade reconhecida, novas oportunidades de exportação de produtos resultantes e “uma panóplia” de competências administrativas e de inovação.
 
 
O objectivo do IDE, lembra, é gerar altos lucros e, para que tal aconteça, é necessária a existência de um ambiente de negócios favorável no país receptor, para que possa materializar-se e ser rentável para os investidores do projeto estrangeiro concebido.
Paulo da Conceição Carvalho define o IDE como “um investimento envolvendo uma relação de longo prazo que reflete um interesse duradouro de controlo e grau de influência do investidor sobre a gestão da empresa por uma entidade residente numa determinada economia, numa empresa registada numa economia diferente da do investidor”.
 
Paulo da Conceição Carvalho é técnico superior tributário de 2ª classe, colocado no Gabinete de Planejamento Estratégico e Cooperação Internacional (GPECI) da Administração Geral Tributária (AGT).
Tem mestrados em Administração de Empresas, com especialização em “Liderança e Sustentabilidade em Negócios Internacionais” pela Universidade de Cumbria e em Ciências das Finanças pela Universidade de Salford, ambas do Reino Unido.
 
Em 2015 foi selecionado pela Universidade da Harvard (EUA) e pela Universidade de Cumbria para reformular um modulo académico, integrando uma equipa de 22 pesquisadores internacionais liderados por personalidades como o renomado professor de Harvard Michael Porter e o ex-Presidente da Costa Rica, José Maria Figueres, quando elaborou o estudo em que apresentou estas propostas.