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Tanzânia vai exigir à Alemanha indenizações por crimes da era colonial

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O Governo da Tanzânia vai interpor uma ação judicial para obrigar a Alemanha, antiga potência colonial, a pagar indemnizações por alegadas atrocidades cometidas há mais de um século, anunciou hoje o ministro da Defesa.

O Executivo tanzaniano vai tentar obter compensações por dezenas de milhares de pessoas que passaram fome, foram torturadas e mortas pelas forças alemãs que tentavam dominar tribos rebeldes, disse o ministro, Hussein Mwinyi, no parlamento.

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“Vamos analisar os passos dados pelos Governos do Quénia e da Namíbia para obterem reparações dos Governos do Reino Unido e da Alemanha, respetivamente”, declarou.

A embaixada alemã em Dodoma não emitiu ainda qualquer reação a este anúncio.

A Alemanha governou a Tanzânia, então conhecida como Tanganica, de 1890 a 1919, e enfrenta pedidos de indemnização de outra antiga colónia africana, a Namíbia.

Em janeiro, a Alemanha disse que poderá fazer pagamentos à Namíbia pelo assassínio de 65.000 pessoas durante a sua ocupação colonial, um episódio que é considerado por alguns o primeiro genocídio do século XX.

Estão ainda em curso negociações com o Governo namibiano sobre esta questão.

Na Tanzânia, as forças alemãs foram acusadas de diversos crimes, entre os quais de fazer a população passar fome, após a revolta tribal conhecida como Maji Maji.

Ao exigir indemnizações, o país da África Oriental está a seguir o recente exemplo do vizinho Quénia, onde um grupo de cidadãos idosos foi indemnizado pelo Governo britânico por atos de tortura perpetrados pelas autoridades coloniais britânicas.

Em 2013, o Executivo do Reino Unido disse “lamentar sinceramente” os atos de tortura levados a cabo contra os quenianos que combatiam pela libertação do jugo colonial nas décadas de 1950 e 1960. Pagou também cerca de 21,5 milhões de dólares (20 milhões de euros) aos 5.200 quenianos que se provou terem sido torturados, ou cerca de 4.100 dólares por vítima queniana.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/738172/tanzania-vai-exigir-a-alemanha-indemnizacoes-por-crimes-da-era-colonial

 

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A tragédia do colonialismo e racismo alemão em Ruanda e Tanzânia

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Achado, em instituições alemãs, de mais de mil restos mortais das antigas colônias na África Oriental confirma cruel prática do início do século 20: em geral, finalidade era comprovar a inferioridade racial dos nativos.Quando, durante sua viagem pelo atual Ruanda, na virada do século 19 para o 20, o explorador alemão da África Richard Kandt encontrou um “pigmeu”, possivelmente da tribo dos twa, ele foi acometido da febre de colecionador. E então pediu que fosse morto o nativo, que se encontrava em mãos dos alemães, como prisioneiro de guerra dos senhores coloniais.
 
“Ele mandou separar a carne dos ossos e expediu o crânio do homem imediatamente para Berlim”, relata Markus Frenzel, jornalista da emissora MDR. “Kandt estava orgulhoso de haver encontrado um membro de um grupo étnico especialmente raro.”
 
 
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“Prova da inferioridade africana”
 
Essa história de terror da então África Oriental Alemã trata apenas de um crânio entre os milhares que chegavam de navio ao Império Alemão, vindo das zonas coloniais. Via de regra, a meta do exame dos ossos era provar que as raças africanas eram inferiores às europeias.
 
Não era comum a pesquisa envolver assassinato, como nesse caso: em geral, cadáveres sepultos eram exumados e suas cabeças, roubadas. Frenzel gostaria de descobrir onde se encontram, hoje, os restos do homenzinho de Ruanda. Há oito anos ele folheia os fichários de arquivos na Alemanha e vasculha os acervos de coleções médicas à busca de pistas dos crânios africanos e de sua procedência.
 
“Em 2008, encontramos na Universidade de Freiburg e no hospital Charité de Berlim algumas dezenas de crânios da Namíbia”, conta o jornalista. “Houve um escândalo, e alguns cientistas foram encarregados de investigar o assunto. Os crânios acabaram sendo devolvidos, mas apenas esses.”
 
Indignação nas redes sociais
 
Frenzel tinha indicações de que, nas coleções de institutos alemães, havia muitos mais restos mortais humanos oriundos das zonas coloniais. E, de fato, ele e a equipe do magazine Fakt, da TV ARD, fizeram um achado no depósito central da Fundação Patrimônio Cultural Prussiano (SPK, na sigla em alemão): 1.003 crânios da região da atual Ruanda e 60 da Tanzânia.
 
“Nós simplesmente não queremos, de jeito nenhum, ter essas coisas em nossas coleções, pois elas representam uma visão de ciência que não é a nossa”, declarou o presidente da SPK, Hermann Parzinger, à equipe televisiva. Por isso a origem dos ossos será detalhadamente pesquisada, a fim de devolvê-los. Essa foi também uma exigência do embaixador ruandês em Berlim, Igor Cesar, falando à MDR.
 
Os comentários dos usuários da DW da África Oriental na página do Facebook da redação suaíli revelam emoções fortes em relação ao tema. Ben Kazumba, da Tanzânia, exige: “Eles precisam nos devolver os crânios dos nossos antepassados”.
 
Miraji Mwana Kibinda ficou abalado com a visão dos ossos que ainda se encontram na Alemanha: “Todo o meu corpo treme ao ver esses crânios. Sinto-me ferido ao pensar no que fizeram com nossos ancestrais.” Já Dismas Komba discorda: “Seria melhor voltar a enterrar os crânios, eles não têm qualquer significação. Se têm, é só para despertar em nós o amargor perante os crimes contra o nosso povo”.
 
A devolução a Ruanda e Tanzânia poderá demorar, já que antes será preciso investigar as procedências exatas. Tempo demasiado, comenta o jornalista Frenzel: isso vai contra os interesse da Fundação Patrimônio Cultural Prussiano, que no futuro quer realizar grandes mostras com objetos não europeus no planejado Fórum Humboldt de Berlim.
 
“Eles precisam encerram esse capítulo rapidamente. Afinal, quem vai nos enviar coleções da África para Berlim, sabendo que os próprios ancestrais ainda podem estar no porão?”
 
 
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O uso de fertilizantes naturais em Angola

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Bokashi-EM é uma palavra japonesa que significa matéria orgânica fermentada. É um fertilizante composto de uma mistura balanceada de matérias orgânicas de origem vegetal, submetidas a um processo de fermentação controlado.
Explicações do engenheiro agrônomo Marques Zambo Bambi revelam que a ação mais importante do Bokashi tem a ver com a introdução no solo de microrganismos benéficos, que desencadeiam um processo de fermentação na biomassa disponível, proporcionando, rapidamente, condições favoráveis à multiplicação e atuação da microbiana benéfica existente no solo, como fungos, bactérias, actinomicetos, micorrizas e fixadores de nitrogênio, que fazem parte do processo complexo da nutrição vegetal equilibrada e da construção da sanidade das plantas e do próprio solo.
 
Este fertilizante, conta, é de uso fácil, aplicação indicada para o preparo natural do solo, jardins, hortas caseiras e proporciona a revitalização do solo, oferecendo um melhor aproveitamento da sua fertilidade natural.
O fertilizante Bokashi-EM oferece vantagens para os agricultores ou fazendeiros. O agricultor pode desenvolver a sua própria receita, substituindo os ingredientes de acordo com o material disponível na sua região. Todos os técnicos agrônomos formados no Centro de Formação Profissional Mokiti Okada aprendem a fazer o adubo orgânico, denominado Bokashi-EM.
 
 
 
 
O uso de Bokashi-EM, um dos fertilizantes naturais do conjunto de farelo de origem vegetal, fermentado com microrganismos eficazes, que alimentam a produção, e acautela o rejuvenescimento do sistema imunológico da saúde humana e aumenta a vitalidade do homem.
 
O relato de Bernardo Paulino sobre o tema teve outros resultados surpreendentes. O agricultor garantiu que padecia de asma durante 20 anos, de 1995 a 2015. Além disso, admitiu que era muito preguiçoso e tinha poucas horas de sono. Conforme explica, no primeiro dia em que comeu alimentos naturais, na escola Mokiti Okada, teve falta de apetite e não acabou a comida. “No segundo dia já me senti muito aliviado e notei uma grande diferença: tinha mais força, boa disposição e coragem”, frisou.
Como asmático, Bernardo Paulino não resistia a exercícios físicos, nem tinha força para trabalhar. Conta que era forçado a usar medicamentos e uma bomba manual, quando sentisse os sintomas da doença, garantindo assim mobilidade ao coração. O técnico agrônomo lembra as crises que teve, quando consumia alimentos com agrotóxicos. “A asma acabou quando comecei a comer os alimentos naturais por mim cultivados”, disse.
O agricultor explica ainda que a sua esposa, que padece de diabetes, também já sente alívio com o consumo de alimentos naturais do seu campo. “Quando retoma à alimentação convencional como frangos e carnes congelados os níveis de açúcar no sangue disparam, ao passo que com os alimentos naturais como couve, beringela, kizaca e outros a glicemia não ultrapassa os 130 miligramas, mesmo sem fazer recurso a medicamentos”, esclareceu.
 
Experiências comprovadas, de países onde já se pratica o método em alusão, como Alemanha, Japão, Brasil, França e Tailândia, mostram que os produtos da agricultura natural oferecem resultados fabulosos na proteção da saúde humana. Através do protocolo assinado ­entre o Ministério da Agricultura e a Africarte, o Centro Mokiti Okada pretende que o país todo adira ao método em questão, para que o desenvolvimento da agricultura natural seja inevitável, tal como disse o engenheiro Bambi.
Para ele, o método natural vai afastar, aos poucos, o modelo habitual, que consiste no uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos, muito nocivos à saúde humana.
 
 
 
Pela importância e dimensão que a escola Mokiti Okada encerra, um grupo de estudantes do segundo ano de Gestão da Universidade Técnica de Angola (Utanga), lançou-se numa pesquisa neste centro, para apurar os efeitos negativos dos agrotóxicos na agricultura convencional.
 
Henrique Diogo Victor, o estudante que falou em nome dos demais, informou que a essência do trabalho no Centro de Agricultura Natural Mokiti Okada baseia-se na criação de uma empresa de produção de fertilizantes orgânicos e inorgânicos, em função da necessidade dos agricultores da praça nacional. O objectivo, afirmou, é transmitir a experiência à população e abraçar o uso de Bokashi-EM, fertilizante de uma tecnologia puramente natural e de origem japonesa.
 
O estudante universitário reprovou o uso de fertilizantes inorgânicos por, segundo ele, quebrarem a longevidade do homem, através de substâncias nocivas do tipo nitrogénio, potássio e cálcio 12, 24, 12, propensos ao contágio de doenças vulneráveis, como trombose, pressão arterial alta e cefaleias.
 
Depoimento de um técnico da agricultura
 
“Eu aplicava num hectare 25 quilogramas de adubos e 50 quilogramas de ureia”, explicou o agrônomo, admitindo que no início foi alvo de desprezo de demais produtores, pela prática do método de agricultura com fertilizantes naturais. Para espanto dos demais, quatro ­meses depois do cultivo, os resultados começaram a ser bem visíveis, tendo-se os alimentos desenvolvido com muita vitalidade. Com isso, quatro outros camponeses acreditaram e decidiram juntar-se ao método, com o qual se produz alimentos até aos dias de hoje.
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Moçambique: Palco de disputa sangrenta na I Guerra Mundial

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Assinalou-se, em 28 de julho, 102 anos do início a I Guerra Mundial. Durante esse período, Portugal enviou mais de 20 mil soldados para Moçambique, onde morreram mais portugueses do que na frente europeia.

Quando eclodiu a I Guerra Mundial, a primeira preocupação de Portugal foi garantir a preservação do império colonial em África.

Desde o final do século XIX que países como a Alemanha olhavam com “permanente atenção” para os territórios portugueses, tentando invadi-los, conta o jornalista Manuel Carvalho. Moçambique, por exemplo, era um ponto estratégico, “uma base importantíssima para a carreira da Índia, que todos os anos ligava os portos indianos a Lisboa.”

“Para a Alemanha, como também para a Inglaterra e a França, era um contrassenso que um país pequeno, permanentemente no limiar da bancarrota, pudesse controlar, dominar tão vastos territórios em África” – em Moçambique, em Angola ou na Guiné, explica o autor de “A Guerra que Portugal quis esquecer”, um livro em que recorda os momentos mais críticos sofridos pelo exército português durante a I Guerra Mundial.

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Portugal vivia na altura uma crise econômica profunda, que provocou dificuldades depagamento aos soldados e oficiais. Além disso, o exército não possuía uma marinha minimamente operacional e não tinha disciplina interna.

Aliás, a Inglaterra recusara inicialmente a participação portuguesa na guerra sobretudo “por ter a perfeita noção das debilidades que Portugal apresentava em 1914”, afirma Manuel Carvalho.

Mas, face ao perigo da Alemanha, que se fixara na zona do Tanganica (atual Tanzânia), Portugal enviou expedições militares ao continente.

Participação portuguesa na guerra começou em África

“Os alemães estavam muito interessados quer na parte sul de Angola, quer na parte norte de Moçambique”, diz Manuel Carvalho. Sabiam que Portugal era o “elo mais fraco” nos seus planos expansionistas.

“Os portugueses [também] sabiam disso perfeitamente”, afirma o autor. E, antes de Portugal entrar oficialmente na guerra, em 1916, enviou logo as primeiras expedições para Angola e para Moçambique “com o intuito de se precaverem para um ataque alemão, que nessa altura era dado como muito provável”, lembra.

Mas em novembro de 1917, as forças portuguesas sofreram uma pesada derrota em Negomano, no norte de Moçambique, às mãos das tropas do Império Alemão. Os alemães avançaram e, sete meses depois, chegaram às margens do rio Licungo, a 40 quilómetros de Quelimane.

Revolta interna contra os portugueses

Ao desastre sofrido pelas tropas portuguesas junta-se a rebelião das populações locais, que se levantaram contra o colonialismo.

Manuel Carvalho explica que os conflitos entre a potência colonial e os nativos, quer de Angola quer de Moçambique, começaram quando a administração portuguesa se começava a intensificar, a partir de 1870 e 1880. A entrada de Portugal na I Guerra Mundial “foi uma oportunidade que as tribos mais organizadas da zona de Sofala e de Manica sentiram como válida para, de alguma forma, recuperarem e ressuscitarem as lutas de libertação”, esclarece Manuel Carvalho.

Assim, em 1917, há uma revolta em Barué, no centro de Moçambique, “muito sangrenta, onde nós não temos ideia de quantos moçambicanos morreram na altura, mas foram seguramente dezenas de milhares.”

História mal contada

Por outro lado, acrescenta o jornalista, “os alemães souberam utilizar muito bem a animosidade das tribos do norte de Moçambique e instigaram-nos à revolta permanentemente.”

Quando os alemães decidiram prolongar a guerra no território português (viriam a sair em novembro de 1917 da África Oriental) e invadiram Moçambique “encontraram nas tribos do norte do país, principalmente entre os macondes e os ajauas, ajuda preciosa para poder desenvolver a sua guerra de guerrilha que durou mesmo até para além do final do conflito já nos últimos dias de novembro de 1918”, sublinha Manuel Carvalho.

Esta é uma parte da História de Portugal que o regime do Estado Novo tentou apagar, submetendo-a ao esquecimento.

Aliás, como reconhece Manuel Carvalho, esse período nem sequer é estudado e aprofundado, não sendo dada muita importância ao conflito militar da época, principalmente em Angola.

“Convém recordar que morreram mais portugueses em Moçambique do que na frente europeia”, frisa o jornalista. Mas, em 1933, depois da I Guerra Mundial, o Estado Novo de António de Oliveira Salazar “consolida-se com uma Constituição e a partir daí há claramente uma pressão permanente por parte do regime para apagar aquilo que aconteceu no norte de Moçambique.”

Uma das razões é simples: Prende-se com a vergonha, explica o jornalista. É que o aparato militar dos portugueses no norte de Moçambique, quer a nível de homens quer a nível de armas, era muito superior e tecnologicamente mais avançado do que os alemães.

http://www.jornalfloripa.com.br/mundo/noticia.php?id=18566458

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Angola e Alemanha analisam cooperação bilateral

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Luanda – O estado da cooperação bilateral e as estratégias para novos rumos nos distintos domínios das relações entre as repúblicas de Angola e Federativa da Alemanha será o centro dos trabalhos durante a 2ª sessão da Comissão Bilateral Angola/Alemanha, que decorre terça-feira (26) na capital angolana.
 
 
Neste contexto, estará em Luanda entre os dias 25 e 26 de Abril o Secretário de Estado do ministério Federal das Relações Externas, Stephan Steinlein, para a 2ª Sessão da Comissão Bilateral entre os dois estados, sendo Angola o terceiro parceiro mais importante deste na África ao Sul do Sahara.
 
A delegação angolana será chefiada pelo Secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto, e será ainda integrada por representantes dos ministérios das Relações Exteriores, Economia, Energia e Águas, Petróleo e da Geologia e Minas.
 
De igual modo, a delegação alemã será incorporada por representantes dos ministérios Federal das Relações Externas, da Economia e Energia e representantes da economia alemã.
 
Numa nota da representação diplomática alemã, as autoridades deste país realçam os estados africanos como atores importantes na política internacional, com os quais pretende trocar mais intensamente experiências.
 
Acrescenta que o Governo Federal Alemão aprecia os esforços por parte dos países africanos para o estabelecimento de uma arquitectura africana de paz e segurança, salientando que não podem ser desconsiderados os riscos existentes como consequências de fracas estruturas estatais.
 
Durante a 2ª Sessão da Comissão Bilateral Angola – Alemanha serão abordados, nos vários grupos de trabalho, assuntos das relações bilaterais políticas e econômicas, com foco na situação econômica de Angola, no estado das relações comerciais e numa intensificação do comércio e de investimentos.
 
Também serão abordados assuntos financeiros e de formação profissional, além disso, serão abordados assuntos políticos, como questões migratórias, relacionadas com a Região dos Grandes Lagos, Golfo da Guiné, SADC, da política dos direitos humanos, da cooperação militar e da cooperação cultural e científica, bem como da cooperação no sector da energia.
 
 
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Chanceler alemã disponível para contribuir para paz em Moçambique

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje em Berlim, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que a Alemanha está disponível para apoiar o restabelecimento da paz em Moçambique.

© Lusa

A chanceler alemã considerou ser “muito importante” que o Presidente moçambicano se mostre pronto para o diálogo, assegurando que os governos de Berlim e Maputo vão prosseguir os contactos, envolvendo também a União Europeia.

“Vamos continuar em contacto e intensificá-lo, também ao nível europeu, e ver onde é que a Europa pode dar o seu contributo”, declarou Angela Merkel, ao lado de Filipe Nyusi, que tem previstas reuniões em Bruxelas com os titulares das principais instituições europeias na quinta-feira.

Moçambique vive um período de instabilidade política e militar, marcada pela exigência da Renamo em governar nas províncias onde reclama vitória nas últimas eleições, que considerou fraudulentas.

Os últimos meses foram marcados por um agravamento da crise, com registro de confrontos entre Forças de Defesa e Renamo, denúncias mútuas de raptos, assassínios e ações de intimidação, e emboscadas nas principais estradas do centro do país, atribuídas pelas autoridades ao braço armado da oposição.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, encontra-se algures na serra da Gorongosa, um bastião do seu partido, e condiciona a retoma do diálogo à mediação da União Europeia, África do Sul e Igreja Católica.

Após o encontro hoje em Berlim com a chanceler alemã, o Presidente moçambicano reafirmou a sua disponibilidade para o diálogo com a Renamo, estabelecendo uma relação entre o investimento no seu país e a estabilidade.

“Os investidores são exigentes e uma das coisas que exigem em primeiro plano é a paz, a tranquilidade e a segurança para ver se os seus investimentos são sustentáveis e duradouros”, declarou Filipe Nyusi, acrescentando, que, “com a paz tudo pode acontecer”.

Elencando como setores prioritários a agricultura, turismo, infraestruturas e energia, o chefe de Estado moçambicano afirmou que não pretende “dar o espaço de um centímetro de desordem e insegurança para que os investimentos possam fluir”.

Nyusi observou “Moçambique é um pais que tem muito por explorar” e destacou também o potencial das relações com a Alemanha, que “tem muito conhecimento, muita tecnologia e ciência”.

O setor agrícola foi destacado igualmente por Angela Merkel como uma área em que a Alemanha pode aumentar a sua cooperação, referindo-se também ao setor privado.

“As empresas alemãs estão interessadas em projetos de longa duração em Moçambique e num aproveitamento dos recursos naturais com base nos bons critérios de exploração dessas matérias”, assinalou a chanceler alemã.

Além da crise política e militar, a economia moçambicana está a ser abalada por uma forte desvalorização do metical, subida da inflação e diminuição das exportações, acompanhada pela redução da ajuda externa e do investimento estrangeiro.

Apesar de ser um dos principais parceiros internacionais na cooperação com Moçambique, em 2015, o número de projetos aprovados de investimento alemão em território moçambicano foram pouco expressivos.

No ano passado, a Alemanha saiu do grupo de países doadores do Orçamento do Estado moçambicano, canalizando o seu apoio de forma bilateral para outros setores, num volume estimado em 60 milhões de euros anuais.

Em novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeir, visitou Maputo e lamentou que, apesar de África ser uma prioridade para o seu país, não haja mais ações concretas, prometendo que ia trabalhar para melhorar a imagem do continente e valorizar “uma relação de igual para igual”.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/574661/chanceler-alema-disponivel-para-contribuir-para-paz-em-mocambique