ANC da África do Sul lamenta a readmissão do Marrocos à União Africana

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Maputo, 31 Jan (AIM) – O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na vizinha África do Sul, considera “lamentável” a decisão da União Africana (UA) de readmitir o Reino de Marrocos àquela organização continental.

A decisão foi tomada durante a 28ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), um evento de dois dias, em curso na cidade de Adis Abeba, capital etíope.

O regresso do Marrocos, que havia deixado a organização continental em 1984 para marcar o seu desacordo sobre a questão do Saara Ocidental, contou com o voto de 39 dos 54 países membros da UA.

Contudo, num comunicado divulgado hoje no seu portal da internet, o ANC considera que “Esta decisão representa um retrocesso significativo para a causa do povo saharawi e a sua busca pela autodeterminação e independência no Sahara Ocidental. O Sahara Ocidental é um dos últimos postos coloniais de África.

O ANC explica que goza de laços fraternais de longa data com a Frente Popular para a Libertação de Saguia el-Hamra e Rio de Oro (POLISÁRIO) e com a República Árabe Saharawi Democrática (RASD).

O ANC nota que esta decisão abre o caminho para o Reino de Marrocos tomar o seu lugar no seio da comunidade das nações e desfrutar os benefícios da adesão UA, enquanto o povo saharawi continuar a sofrer sob uma injusta ocupação de sua terra ancestral.

“Ao readmitir o Marrocos, a UA está tacitamente a apoiar a ocupação de longa data do Sahara Ocidental. Até à data, Marrocos não cumpriu com as sucessivas resoluções da ONU sobre a questão do Sara Ocidental, sobretudo para a realização de um referendo sobre a autodeterminação”, afirma o ANC.

Frisa que a maioria dos países que contestou o regresso do Marrocos é liderada por antigos movimentos de libertação, entre os quais a África do Sul, o Zimbabwe, a Namíbia, Moçambique, bem como o Botswana e Argélia.

O ANC conclui afirmando que respeita a decisão da UA, mas espera que nos próximos meses a UA não permita que a questão da independência do Sara Ocidental seja esquecida por conveniência política.
(AIM)
SG/LE
http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11462631012017121555.html

Como o apartheid prejudicou a educação na África do Sul

Quais os motivos de o país estar tão atrasado em relação às outras nações?

Como o apartheid prejudicou a educação na África do Sul
A diferença das notas dos testes entre 20% das melhores escolas e o resto é maior do que em quase todos os outros países (Foto: Pixnio)

Em uma pesquisa de avaliação de sistemas educacionais elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) em 2015, a África do Sul foi classificada em 75º lugar no ranking de 76 países. Em novembro, no Trends in International Mathematics and Science Study (TIMSS), um teste quadrienal de avaliação do conhecimento em matemática e ciências realizado com 580 mil alunos em 57 países, a África do Sul ficou na última posição ou quase na última em diversos rankings, embora sua pontuação tenha melhorado desde 2011.

O nível de conhecimento das crianças é inferior ao de outras regiões pobres do continente. Uma proporção de 27% dos alunos que frequentaram a escola durante seis anos não sabem ler, em comparação com 4% na Tanzânia e 19% no Zimbábue. Depois de cinco anos na escola quase metade dos alunos não sabe que o resultado da divisão de 24 por três é oito. Só 37% das crianças que se matriculam na escola são aprovadas no exame de seleção; apenas 4% concluem os estudos.

De acordo com Nic Spaull da Universidade de Stellenbosch, a África do Sul tem um sistema educacional mais desigual do mundo. A diferença das notas dos testes entre 20% das melhores escolas e o resto é maior do que em quase todos os outros países. Dos 200 alunos negros que frequentam a escola só um tem um desempenho suficiente para estudar engenharia. Dez alunos brancos têm o mesmo resultado.

Muitos dos problemas são originários do apartheid. Segundo a Lei de Educação Bantu promulgada em 1953, os brancos teriam uma educação melhor do que os negros. A segregação racial era tão forte que, na opinião de Hendrik Verwoerd, o futuro primeiro-ministro na época encarregado da educação no país, os negros receberiam uma educação suficiente para serem apenas “rachadores de lenha e carregadores de água”.

Os alunos negros recebiam cerca de um quinto dos recursos destinados aos estudantes brancos. No currículo deles o ensino de matemática e ciências era quase inexistente. Muitas das escolas independentes administradas pelas igrejas, que ofereciam uma boa educação nos bairros de negros fecharam.

Depois que Nelson Mandela foi eleito presidente em 1994, o governo expandiu o acesso à escolaridade. O governo também substituiu o sistema educacional baseado na segregação racial pela divisão de riqueza. As escolas em áreas mais pobres recebiam mais financiamento do Estado. As escolas em áreas mais ricas podiam cobrar uma mensalidade.

Em teoria, essas escolas tinham de aceitar crianças cujos pais não podiam pagar as mensalidades. Na prática eram fortalezas de privilégios. Ainda existem cerca de 500 escolas construídas com lama, sobretudo na província do Cabo Oriental. Por sua vez, a província do Cabo Ocidental tem um dos maiores campus do hemisfério sul, com gramados para o jogo de críquete e croquet.

No entanto, o dinheiro não é o responsável pela situação educacional lamentável da África do Sul. Poucos países gastam tanto com educação, com retornos tão medíocres. Os gastos com a educação no país equivalem a 6,4% do PIB; a média nos países da União Europeia (UE) é de 4,8%. Ainda mais importante do que o dinheiro é a ausência de cobrança de resultados e a péssima qualidade da maioria dos professores. O Sindicato Democrático dos Professores da África do Sul (SADTU), aliado ao Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido político do país, é um elemento decisivo no fracasso do ensino na África do Sul.

http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/como-o-apartheid-prejudicou-a-educacao-na-africa-do-sul/

Sul-africanas apoiam Zuma

 

Fotografia: Jaimagens | Edições Novembro

A presidente cessante da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini Zuma, foi proposta no domingo para próxima presidente do Congresso Nacional Africano (ANC) pelo movimento das mulheres do  partido que governa a África do Sul desde o advento da democracia no país.

O ANC vai designar o próximo líder durante o seu congresso a decorrer em Dezembro próximo, para substituir Jacob Zuma, ex-marido da presidente cessante da Comissão da União Africana.
“Depois de um estudo minucioso e um exame mais amplo possível, consideramos que Nkosazana Dlamini Zuma tem o melhor perfil para ocupar o cargo”, anunciou o movimento das mulheres (Women\\\’s League) num comunicado divulgado no domingo.
A Liga da Mulher do ANC entende que Nkosazana Dlamini Zuma tem experiência e aura “reconhecidas e inscritas nas páginas da história do nosso país e  além”, é referido no documento. De acordo com meios de comunicação social sul-africanos, Nkosazana Dlamini Zuma conta  com o apoio do presidente cessante do  partido de Nelson Mandela. Jacob Zuma já afirmou, de resto, que a África do Sul está pronta para eleger uma mulher na liderança do país.
O Vice-Presidente Cyril Ramaphosa é o mais temível adversário de Nkosazana Dlamini Zuma, com o apoio que obteve no ano passado de diferentes sindicatos.
O ANC organiza no domingo uma manifestação para comemorar, no Soweto, o 105.º aniversário da sua criação. As festividades de domingo vão igualmente comemorar o 100.º aniversário do nascimento do antigo presidente do ANC, Oliver Tambo, falecido em 1995.
Nas autárquicas realizadas no ano passado, o partido do líder histórico Nelson Mandela obteve o seu pior resultado nas urnas.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/sul-africanas_apoiam_zuma

Jacob Zuma escapa a mais uma tentativa de afastamento

Durante a reunião nacional da direção do Congresso Nacional Africano (ANC), alguns ministros e outros membros do partido defenderam que o chefe de Estado da África do Sul, Jacob Zuma, se deveria afastar da presidência.

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Jacob Zuma sobreviveu a mais uma iniciativa que visava o seu afastamento da presidência. Mas ficou evidente que o ANC está dividido. Membros do partido no poder já tinham anunciado que preferiam ver o vice-presidente Cyril Ramaphosa a assumir o poder ou até Nkosazana Dlamini-Zuma, atual presidente da União Africana (UA) e ex-mulher de Jacob Zuma. Mas desta vez a iniciativa veio do próprio partido.

No entanto, o secretário-geral do ANC anunciou esta terça-feira (29.11)  que a direção do partido acabou por decidir pela manutenção de Zuma no poder.

O analista Bheki Mngomezulu considera que o ANC não tem outro caminho senão segurar Zuma até às eleições internas, em dezembro do próximo ano. “Basicamente é um jogo de equilíbrio, em que antes de tudo se olha para os interesses do partido e depois para os interesses do país”, conclui.

defaultProtesto em Joanesburgo em setembro pela saída de Zuma

Mngomezulu acredita que o ANC quer evitar mais divisões internas, tal como quando o anterior Presidente Thabo Mbeki foi afastado em 2008, e quando o líder da Liga da Juventude do ANC, Julius Malema foi expulso do partido em 2012. Malema formou o partido Combatentes pela Liberdade Económica e participou nas eleições de 2014.

“O ANC tem de olhar para todos os factores e decidir qual será a melhor opção. Mas qualquer das opções vai gerar problemas”, considera o analista sul-africano. “Depois, os membros do partido têm de preparar o ANC, em primeiro, para as eleições internas e, depois, para as eleições de 2019”.

Reputação em queda

A reputação de Jacob Zuma, de 74 anos, está pelas ruas da amargura devido aos sucessivos escândalos de corrupção em que está envolvido. O último dá conta da alegada interferência da poderosa família Gupta no Governo sul-africano – acusações negadas tanto pelo Presidente como pela família.

Jacob Zuma escapa a mais uma tentativa de afastamento

Apesar de Zuma ter escapado a mais um golpe, a analista Karima Brown alerta que o ANC está fraturado, como se viu na reunião do partido com discussões entre as fações anti e pro-Zuma. “Estamos perante um Congresso Nacional Africano profundamente dividido. O que naturalmente vai ter repercussões no Estado”, diz Karima Brown. “Será interessante ver como o Presidente Zuma se vai agarra ao pouco poder que ainda lhe resta”.

Muitos membros do ANC culpam Jacob Zuma pelo fraco desempenho nas eleições locais, em agosto, quando o partido perdeu o poder em importantes municípios como Joanesburgo e Pretória. A crise da economia joga também contra o Governo.

Recentemente, o Presidente Zuma tinha já escapado a uma moção no Parlamento encetada pelo principal partido da oposição, a Aliança Democrática, que visava o seu afastamento. Para Karima Brown, a sobrevivência política de Zuma demonstra que o Presidente sul-africano é político astuto, com pessoas de extrema confiança em cargos chave do Estado.

http://www.dw.com/pt-002/jacob-zuma-escapa-a-mais-uma-tentativa-de-afastamento/a-36583846

Estudantes querem a descolonização das universidades na África do Sul

mediaBloqueio hoje junto da universidade de Witwatersrand, Joanesburgo.Reuters/ Siphiwe Sibeko

Entrou hoje na sua quarta semana o movimento estudantil contra a decisão governamental anunciada há cerca de um mês de aumentar em 8% do valor das propinas universitárias na África do Sul. Este movimento cujo epicentro se encontra na prestigiosa universidade de Witwatersrand em Joanesburgo tem sido igualmente activo em outras cidades do país, designadamente Pretoria, a Cidade do Cabo ou ainda na universidade de Free State, no centro da África do Sul.

Este movimento que tem sido marcado por vezes por alguma violência, confrontos com a polícia tendo eclodido ainda hoje junto da universidade de Witwatersrand, não fraquejou apesar de certas universidades terem decidido reabrir as suas portas depois de dias de bloqueio e apesar também do executivo de Jacob Zuma ter decidido ontem formar uma comissão específica para estudar meios de estancar a crise.

Na base do protesto que já tinha ocorrido no ano passado até ao governo ter que recuar no seu intuito de aumentar o valor das propinas, está a promessa feita há décadas pelo ANC no poder de oferecer uma educação gratuita para todos. Contudo, mais de vinte anos depois do fim do apartheid, as desigualdades sociais continuam bem patentes: dados oficiais datando de 2014 indicam que 27,5% de estudantes brancos obtiveram o seu diploma contra pouco mais de 5% de estudantes negros.

Neste contexto em que diferenças de tratamento continuam a ser sentidas pela parte mais desfavorecida da população sul-africana, as reivindicações dos estudantes vão para além da exigência da gratuidade dos estudos universitários e passam pelo que chamam de “descolonização” da faculdade, o que do ponto de vista de Thomas Hausen, professor universitário em Pretoria, dá um cariz político a este movimento.

 

http://pt.rfi.fr/africa/20161012-protesto-estudantil-na-africa-do-sul-entra-na-quarta-semana