Índia está comprometida em fazer parceria com a África

Armando Estrela| Nova Deli

A Índia está comprometida em fazer parceria com a África em áreas consideradas prioritárias pelos países do continente, num espírito de “parceirías em progresso”, disse ontem o ministro do Comércio e Indústria e Aviação Civil daquele país, Suresh Prabhu.

Participam no fórum representantes de 32 países africanos
Fotografia: Edições Novembro

Ao intervir 14ª edição do fórum do Banco CII-EXIM, sobre a “Parceria Índia-África”, Suresh Prabhu notou que a Índia e a África devem tomar medidas firmes para assinar um acordo de livre comércio ou um acordo de comércio preferencial. Para já, de acordo com o ministro, a indústria indiana deve estender todo o apoio aos países africanos, visando processar recursos naturais na própria África.
O governante indiano acrescentou que mesmo que a Índia se torne uma economia de 5 biliões de dólares, nos próximos anos, e uma economia de 10 biliões depois disso, o país se esforça para ajudar a África a manter o seu próprio ritmo de crescimento económico.
Suresh Prabhu referiu que a Índia recebeu influxos recordes nos Indicadores de Desenvolvimento Económico (IDE) no último ano fiscal e os fluxos de investimentos externos indianos também mantêm um contínuo aumento.“A África seria o destino preferido dos investimentos indianos”, sublinhou.
O ministro do Comércio e Indústria e Aviação Civil da da Índia referiu, ainda, que “embora a conectividade física entre as duas regiões esteja a ser fortalecida, a oportunidade de expandir a conectividade digital entre a Índia e a África poderia evitar a necessidade de conectividade de infra-estrutura física generalizada e intensiva em capital”.<br

República do Gana
O vice-Presidente do Gana, Mahamudu Bawumia, foi a principal figura africana presente no “Índia e África: criando parceria global para um mundo melhor”.Para Mahamudu Bawumia, tanto a Índia como o Gana foram motivados por desafios comuns de desenvolvimento num mundo cada vez mais globalizado, tendo referido que o seu país empreendeu várias reformas económicas nas áreas de facilidade de fazer negócios e promoção de investimentos privados, para alcançar a estabilidade no nível macroeconómico.
Segundo o vice-Presidente do Gana, “o comércio e o investimento, investimento em capital humano e digitalização ocupam a chave”, entre as di-
versas áreas prioritárias do país, acrescentando que a experiência da Índia em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são uma grande ajuda para o Gana atingir as suas metas.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/india-quer-livre-comercio-com-o-continente-africano

Angola tem quase 25.000 presos

No dia em que comemora 40 anos de existência, o Serviço Penitenciário vê-se hoje a braços com um dilema: todos os dias entram, nos 40 estabelecimentos espalhados pelo país, mais de 100 reclusos, mas apenas saem em liberdade entre 30 e 40. Numa altura em que existem 24.677 reclusos, a superlotação das cadeias é inevitável. Há, ainda, um esforço, para fazer com que os presos, ao saírem da prisão, tenham uma profissão para os ajudar a reintegrar-se na sociedade.

Fotografia: Edições Novembro

O barulho das máquinas de corte de madeira e o aglomerado de jovens a trabalhar dão vida aos pavilhões de artes e ofícios do Estabelecimento Penitenciário de Viana. Pedro José, 30 anos, condenado a dois anos por posse ilegal de arma de fogo, já cumpriu mais de me-tade da pena. Hoje aprende carpintaria.
Pedro é um dos quase 25 mil reclusos espalhados pelos 40 estabelecimentos prisionais existentes no país. Aconselhado várias vezes pela mulher para deixar o crime, Pedro José nunca ouviu. A justificação foi sempre a falta de emprego. Até que um dia, agrediu o segurança de um estabelecimento comercial, retirou-lhe a arma e passou a assaltar cantinas, no município de Cacuaco. Hoje está na cadeia e aprendeu a lição. “Não há coisa melhor do que viver em liberdade”, conta Pedro José, que não aconselha ninguém a cometer crime.
Encontramo-lo a preparar a madeira para fazer cadeiras, mesas, armários, mesas e portas. Além de aprender uma profissão, Pedro José ainda vê o seu esforço remunerado mensalmente. Ganha nove mil kwanzas que entrega à esposa, durante as visitas. “Na cadeia aprendi que a vida é importante e deve ser respeitada”, declara e acrescenta: “devemos trabalhar, nunca roubar o que é do outro. Estou a ser reabilitado e jamais penso em voltar a roubar quando sair daqui”. A mudança de atitude é também fruto do trabalho de reeducadores e religiosos.
O pavilhão de artes e ofícios movimenta centenas de formandos que aprendem uma profissão. A área de mecânica tem sete jovens a montar e desmontar motores. Outros reparam viaturas. Um sul-africano, 29 anos, detido por tráfico de cocaína e que pede para não ter o nome citado, hoje já vai na segunda profissão na cadeia. Condenado a seis anos, já cumpriu cinco. Aprendeu serralharia e, agora, mecânica, que considera grandes ganhos, além de ter aprendido a falar português. Hoje, só pensa em sair, voltar para o seu país e arranjar empre-go, se possível nas áreas da nova formação. Os conselhos dos reeducadores encorajam-no a lutar com sacrifício na vida.

Profissões para a vida
Os reclusos aprendem carpintaria, serralharia, mecânica e corte e costura. Em Viana, há ainda uma fábrica artesanal de fabrico de sabonetes, cremes e outros detergentes, que são comercializados no mercado nacional, por uma empresa especializada.
Apesar de privados de liberdade, os reclusos agradecem a oportunidade de aprender uma profissão, que os faz prever uma vida melhor, quando saírem da cadeia. É o caso de António Cachilingue, 33 anos, detido por furto de nove milhões de kwanzas de uma empresa. Antigo gerente de vendas, foi condenado a três anos. Cumpriu dois anos e dois meses. Agora carpinteiro, está ansioso em deixar a cadeia e ganhar dinheiro com a nova profissão. Assim também pensa Joaquim Adão, 23 anos. Sente saudades da família, mas o sofrimento é minimizado pelo desejo de sair e montar um negócio de carpinteiro. “Quero me afastar do mundo crime e ganhar a vida”, afirma.

Mulheres detidas
Entre os quase 25 mil detidos nas cadeias do país, também estão mulheres. A cadeia de Viana tem centenas, entre detidas e condenadas. Cada uma com o seu crime. A re-portagem do Jornal de An-gola, encontrou muitas a trabalhar no campo. Umas entregues à agricultura, outras a limpar zonas invadidas pelo capim.
Dentro dos pavilhões, existe uma área onde as mu-lheres aprendem a fazer de-tergentes. Ontem, lá estavam mais de 20, com idades entre os 20 e 40 anos. Aprendem a fazer sabonetes, produtos de higiene e limpeza. Cristina Paulo, 45 anos, foi condenada a 20 anos por morte de um homem. Já cumpriu oito anos. Diz-se arrependida e que sente saudades da família, que reduziu du-rante o tempo que está deti-da. No meio de lágrimas e aos soluços, lamenta que não vai mais poder mostrar ao pai e ao irmão como está mudada. Eles morreram há três anos.
Cristina Paulo aprendeu a fazer cremes, Betadine, óleo para a pele e cabelo, entre outros produtos. A matéria-prima vem de Portugal. O dinheiro ganho manda para os filhos. Outra coisa a tira-lhe o sono: o pagamento da multa de um milhão de kwanzas à família do malogrado, que pode atrasar a liberdade condicional.
No mesmo pavilhão está Marlene Santos, 33 anos. Chegou a Luanda transferida do Namibe, onde matou um jovem, durante uma confusão num bar. Condenada a 21 anos, vê no fabrico de sabonetes, Betadine e creme uma forma de passar o tempo, ganhar dinheiro e ainda preparar-se para a vida em liberdade.

Excesso de prisão preventiva

O Conselho Provincial da Ordem dos Advogados mobilizou mais de 80 advogados para durante dois dias prestarem assistência jurídica a mais de 700 reclusos, entre detidos e condenados, no Estabelecimento Penitenciário de Viana.
Katila Pinto de Andrade, advogada e membro do Conselho Provincial de Luanda da Ordem dos Advogados de Luanda, informou que o objectivo é sensibilizar os advogados para a função social da advocacia.
“Estamos a inteirar-nos da situação prisional do reclusos, saber quem está em prisão preventiva e há quanto tempo”, explica, sublinhando que a ideia é também saber quem já foi condenado, se interpôs recurso, e como estão a andar os processos nos Tribunais. “Se precisam que o advogado se desloque ao Tribunal para consultar um determinado processo, vamos fazê-lo em benefício dos reclusos”, sublinha.
Katila Pinto de Andrade afirmou que, pela conversa preliminar mantida com os reclusos, concluiu que há um número considerável de detidos com problemas de excesso de prisão preventiva.
Diante dessa situação, a Ordem dos Advogados vai indagar as autoridades prisionais sobre a situação, principalmente dos reclusos que não têm advogados constituídos.
Depois, junto do Procurador-geral adjunto para o Serviço Penitenciário, aferir a situação. Trabalho do género foi feito no ano passado nas províncias do Cuanza-Norte e do Bengo.

Quase 25 mil reclusos

O porta-voz do Serviço Penitenciário, Menezes Cassoma, detalha que Angola tem 24.677 reclusos detidos. Destes, 11.068 estão em prisão preventiva e 13.609 condenados.
Em média, segundo o porta-voz, entram diariamente 100 reclusos e saem entre 30 e 40. Em excesso de prisão preventiva estão 2.014 reclusos. Menezes Cassoma explica que o país tem vários estabelecimentos penitenciários com problemas de superlotação, principalmente nas gran-des cidades, como Luan-da, Benguela, Huambo e Cuanza-Sul.
Mais de dois mil reclusos estudam nas cadeias do país, do ensino primário ao médio. Quanto aos cursos técnico-profissionais, os reclusos podem escolher entre carpintaria, serralharia, mecânica, electricidade, corte e costura e electricidade.
Uma preocupação do Serviço Penitenciário tem a ver com a introdução de objectos proibidos, como drogas e telefone. Menezes Cassoma diz que a falta de detectores manuais e raio x tem impedido uma revisão rigorosa aos familiares que vistam os reclusos.
“Devido ao controlo que exercemos, algumas senhoras mudaram de táctica e decidiram levar objectos proibidos escondido nos órgãos genitais, como os telefones e drogas”, explica, sublinhando que todos os dias são detidos visitantes com objectos proibidos. Alguns efectivos facilitam a entrada desses objectos. Quando apanhados, são detidos e submetidos a processo disciplinar.
Menezes Cassoma explicou que os reclusos cujas as penas já expiraram, continuam detidos por falta de dinheiro para o pagamento das multas. “Temos reclusos com as penas expiradas. Quando não paga, o Tribunal converte e pena de prisão”, disse.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/mais-de-100-pessoas-entram-todos-os-dias-nas-cadeias

Angola é um dos países mais bem preparados em questões militares da África

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Augusto Cuteta

João Alexandre Paulo de Morais é um jovem luso-angolano, de 32 anos, nascido em Campo Grande, Lisboa. Licenciado em Desenvolvimento Global e Relações Internacionais pela Universidade de Leeds Beckett, no Reino Unido, e pós-graduado em Gestão de Recursos de Defesa para Oficiais Superiores, pela Universidade de Defesa da Roménia, e mestrando em Logística e Cadeia de Abastecimento, com especialidade em Logística Militar, pela Universidade de Northumbria. O jovem luso-angolano trabalhou para a Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), um órgão de segurança militar intergovernamental, criado a 4 de Abril de 1949, tendo integrado o Programa de Graduados da OTAN, depois de ter sido seleccionado de entre um vasto grupo de candidatos, para integrar o Departamento de Planeamento e Operações Logísticas no Comando do Estado Maior da NATO, em Mons, Bélgica, e, posteriormente, o Departamento de Planeamento Logístico das Forças Terrestres, na Turquia. O especialista recomenda a criação de uma indústria militar, para a garantia da auto-sustentabilidade das Forças Armadas Angolanas (FAA)

É formado em Logística Militar e Gestão de Recursos de Defesa. O que faz, concretamente, um especialista desta área?
O especialista em logística lida essencialmente com questões materiais e procura resolver problemas que estão associados a equipamentos e a bens de consumo em geral, que se destinam a criar condições para o emprego em operações militares, quer do pessoal, quer dos equipamentos. A logística constitui uma área de saber militar que, além de ter associado um corpo de conteúdos científicos, se qualifica essencialmente pela sua utilização na resolução de problemas reais do quotidiano das forças armadas. A serventia da logística mede-se pelo desenvolvimento das condições materiais para a aplicação de forças militares. Porém, vai para além da sustentação de forças, uma vez que apoia indubitavelmente a identidade das forças armadas, dando-lhe algumas particularidades estruturantes, tais como sistemas de armas, fardamentos e armamentos. O especialista deve também assegurar outras funcionalidades dentro da esfera logística, como o reabastecimento, movimento e transporte, manutenção, apoio sanitário, infra-estrutura, aquisição, contratação e até alienação de meios. O especialista em logística militar deve garantir que as carências materiais dos efectivos militares são colmatadas, tanto em tempo de paz, como durante os períodos de campanha militar, permitindo a qualquer dos ramos militares manter a sua capacidade combativa. É bom ressalvar que a logística militar está dividida em três escalões de operações militares: primeiro – Logística Estratégica. A este nível, as forças armadas são mobilizadas e empregues de forma a coincidir com outras ferramentas de poder para alcançar objectivos definidos a nível político-militar. Segundo – Logística Operacional. É mobilizada e utilizada para alcançar objectivos estratégicos e/ou de campanha numa área de operações atribuída. Terceiro – Logística Táctica. Por via da qual, são executadas tarefas militares e conquistados objectivos militares, cujo sucesso possibilita o alcance de efeitos operacionais.

 

Esta especialização em Logística Militar e Gestão de Recursos de Defesa conseguiu-a numa das maiores instituições de peso mundial, a OTAN. Como surgiu essa oportunidade?
A oportunidade surgiu através de um concurso público feito anualmente pelos vários órgãos afectos à OTAN. Tive a honra de ter sido seleccionado, num universo de centenas de jovens, oriundos das universidades mais prestigiadas, para integrar o Programa de Graduados da OTAN, tendo sido inserido no Departamento de Planeamento e Operações Logísticas no Comando do Estado-Maior da OTAN, em Mons, Bélgica. Finda a minha missão na Bélgica, dei sequência a esta experiência no Comando Terrestre da OTAN, em Esmirna, Turquia, tendo sido inserido no Departamento de Planeamento Logístico. A minha missão passava por apoiar o desenvolvimento do programa de optimização logístico e supervisão da sua implementação a nível das forças terrestres dos comandos operacionais e tácticos.otan

Depois da formação a nível da OTAN, que ocupações lhe foram confiadas?

A minha função primária passava pela gestão do Programa de Fundo de Desenvolvimento Militar das Forças Afegãs. Este Fundo da OTAN é uma das três fontes de financiamento usadas pela comunidade internacional, para canalizar o seu apoio financeiro às forças e instituições de segurança do Afeganistão. Os outros dois são a Lei e Fundo Fiduciário para o Afeganistão (LOTFA), administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e o Fundo para as Forças de Segurança do Afeganistão (ASFF). O fundo continua a concentrar as suas actividades principalmente no Exército Nacional Afegão. Porém, o mesmo pode, no entanto, ser também usado para fornecer apoio em algumas áreas a outros elementos das forças de segurança afegãs, o que contribui para aumentar a capacidade de diferentes elementos das forças de segurança afegãs para operar em conjunto. Além da função acima mencionada, também tinha a responsabilidade de apoiar a unidade de logística com a monitorização do sistema de fornecimento logístico das forças da OTAN destacadas nos diferentes teatros de operações.

Com essa passagem pela OTAN, que experiências traz para o país?
A passagem pela OTAN foi riquíssima em vários aspectos. Porém, o maior ganho foi, sem dúvida, a experiência de ter trabalhado lado a lado com alguns dos quadros mais brilhantes e qualificados a nível mundial. Estes efectivos são altamente competentes no exercício das suas funções, primando sempre pela perfeição na elaboração e execução das tarefas confiadas pelas chefias militares, obrigando-me assim a seguir os mesmos passos. A OTAN é uma organização que aposta fortemente no desenvolvimento intelectual dos seus quadros e, no meu caso, não fui uma excepção. No decorrer da minha missão, tive a oportunidade de frequentar na escola da OTAN em Oberammergau, Alemanha, as seguintes formações avançadas: Logística Estratégica e Planeamento Operacional de Movimento e Logística. Pela Escola de Comunicações e Sistemas de informação da OTAN, em Latina, Itália, tive a oportunidade de frequentar a formação na área de Serviços Funcionais de Logística (LOGFAS), que é, em suma, uma ferramenta de apoio à decisão na área de logística militar, permitindo o operador ter uma visão abrangente dos recursos disponíveis, assim como a movimentação dos meios e acesso às linhas de comunicação.

Como é trabalhar num ambiente de grande complexidade?
Acredito ter desenvolvido uma capacidade e desenvoltura mental elevada devido às missões nas quais estive inserido. As áreas de operações das missões da OTAN decorrem sempre em ambientes de grande complexidade e volatilidade política e de segurança, o que fez com que desenvolvesse uma outra capacidade de análise, mais eficiente e concisa. A experiência de estar inserido no Comando Supremo das forças, centro das tomadas de decisão das operações militares da OTAN, é sem dúvida uma experiência indescritivelmente enriquecedora, permitindo-me desenvolver conhecimentos do nível estratégico-militar, em teatros de operações de elevado grau de sofisticação. Esta experiência também possibilitou-me angariar conhecimento diferenciados a nível de desenvolvimento da indústria militar ao mais alto nível. Gostaria, contudo, de destacar o papel de Portugal durante esta minha experiência. Apesar de ter entrado através de um concurso de inserção directa e não através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, devo destacar o apoio incondicional que me foi prestado por efectivos portugueses destacados nos comandos em que exerci funções, permitindo uma integração plena, sempre com elevado espírito de camaradagem e patriotismo.

O que já conseguiu passar para as instituições do Estado angolano sobre as experiências adquiridas na OTAN?
Sempre foi desejo de um dia viver na terra que viu meus pais e irmãos nascerem. Este objectivo seria alcançado a médio ou a longo prazo. A oportunidade surgiu numa altura em que não esperava, pois tinha cá vindo para ficar somente duas semanas. Porém, foi-me feita uma oferta de trabalho muito tentadora, para trabalhar numa prestigiada empresa do sector privado como director de projectos e desenvolvimento. Acabei por abraçar o desafio, embora saiba que não posso perder de vista as minhas reais valências. Relativamente à sua pergunta, ainda não tive a oportunidade de transmitir os conhecimentos adquiridos às instituições angolanas. Porém, do meu ponto de vista, tal teria de ser feito a nível das instituições de ensino militar e não só, nas quais gostaria de trabalhar, auxiliando com pesquisas e estudos de temas pertinentes à realidade das forças de segurança angolanas. A Escola Superior de Guerra, assim como o Centro de Estudos Estratégicos, acabam por ser organizações em que gostaria um dia, se possível, vir a colaborar.

Além de si, sabe se já terão passado pela OTAN mais cidadãos angolanos?
Desconheço a existência de um outro angolano ou luso-angolano na OTAN ou com formação semelhante. Acredito que é somente uma questão de tempo até aparecerem outros jovens afrodescendentes que serão devidamente inseridos em organizações de prestígio, como a OTAN e a União Europeia.

Apesar da falta de oportunidade em Angola, para transmitir o que aprendeu na OTAN, tem projectos imediatos ou de médio prazo por materializar?
Pretendo, como já referi anteriormente, abraçar oportunidades a nível da docência e assessoria a nível da logística militar, podendo assim ajudar os técnicos e especialistas angolanos a aprimorarem alguns conceitos e trazer novos elementos às doutrinas angolanas, uma vez que Angola tem vindo adoptar as doutrinas da OTAN.

Já recebeu algum convite ou já bateu algumas portas?
Sim. De momento, tenho alguns processos a tramitar em instituições de ensino. Acredito que este desejo vai ser materializado.

Em função do currículo que tem, nunca tentou contactar as direcções do Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas Angolanas (FAA)?

Já. Quero colaborar em matérias de ensino militar. Acredito que existe espaço para colaboração, ou no Ministério da Defesa Nacional ou nas Forças Armadas Angolanas. Encontro-me disponível para auxiliar essas instituições, em matérias que sejam do meu domínio.

Caso seja admitido, o que é que Angola pode ganhar com a sua experiência?
A minha experiência pode ser uma mais-valia para Angola, devido à minha capacidade de execução, do ponto de vista técnico. Possuo uma boa combinação entre a área académica e profissional. Detenho conhecimento amplo dos três níveis da logística militar – Estratégico, Operacional e Táctico -, obtido na maior organização mundial no sector da defesa, a OTAN. A nível das Ciências Sociais, possuo formações avançadas de Gestão de Crise Internacional, Política de Segurança e Plano de Emergência Civil e Segurança, pela Universidade de Segurança Nacional do Reino da Suécia. Estas formações são um complemento à formação que fiz em Relações Internacionais, permitindo que faça uma leitura clara das volatilidades políticas nacionais e internacionais.

Quais são os momentos mais marcantes vividos na OTAN?
Foram vários. A OTAN pensa muito nos seus quadros. Pelo tempo que lá estive, senti que a aposta nos quadros está sempre nas suas grandes prioridades, daí ter feito várias formações. O encerramento da missão da OTAN, no Afeganistão, em 2015, foi dos mais distintos acontecimentos, pois fiz parte do grupo de trabalho que elaborou o actual Memorando de Entendimento da ANA-TF. Durante a missão na Turquia, destaco as participações nos exercícios Loyal Lance e Trident Lance, que culminaram com a certificação da capacidade das forças terrestres. Foi, sem dúvida, um momento marcante, que guardo com muito orgulho, por fazer parte de uma fase histórica deste comando da OTAN.

Embora tenha poucas possibilidades de acesso a documentos oficiais das Forças Armadas Angolanas, que analisa faz ao funcionamento da logística militar?
Existe uma clara necessidade de melhorar as classes I, que tem a ver com rações de combate, II, ligada aos fardamentos, e a III, ligada aos lubrificantes e combustíveis e óleos. É importante que Angola tenha uma indústria militar. Eu sei que as autoridades angolanas estão a trabalhar com muito afinco na criação de uma indústria militar, a fim de baixarem os altos níveis de importação, tendo em conta aquilo que é a nova conjuntura económica do país. A indústria militar nacional vai certamente baixar os custos orçamentais e contribuir para a diminuição do alto índice de desemprego na nossa sociedade.

O que deve ser melhorado para o êxito das missões de paz em que o país participa?
A harmonização doutrinária e o devido domínio da logística multinacional são aspectos que devem ser tidos em conta por Angola, para garantir o sucesso das missões internacionais. Devo sublinhar que Angola dispõe de uma classe de efectivos militares bastante experientes. É importante termos noção de que as Forças Armadas Angolanas continuam a ter um papel importantíssimo no que diz respeito ao desenvolvimento económico, pois são o garante da livre circulação de pessoas e bens em todo o território nacional.

Coloca Angola entre os países africanos mais bem preparados militarmente?

Angola gasta cerca de 975 mil milhões de kwanzas em defesa e segurança, o equivalente a 21,27 por cento de todas as despesas do Estado. Este alto investimento coloca Angola nos cinco países africanos que mais investem na área da defesa. Coloco Angola entre os países mais bem preparados em África a nível militar. O processo de modernização vai permitir a Angola alcançar outros níveis operacionais. O emagrecimento dos efectivos das Forças Armadas Angolanas vai ser a longo prazo uma realidade. Contudo, devido ao uso das tecnologias e ao melhoramento técnico-militar, o país vai manter-se entre os países mais bem preparados a nível do continente africano.
Como o país já vive uma paz efectiva, pessoas representativas da sociedade civil defendem que os sectores da Saúde e Educação deveriam receber mais verbas e não os órgãos de defesa e segurança. Gostaria de ouvir o seu comentário.
É um assunto bastante pertinente. Embora seja quase consensual que a Saúde e a Educação devam ter um orçamento maior, eu concordo, em parte, que não podemos deixar de investir nas Forças Armadas Angolanas, porque senão estaríamos a diminuir a prontidão combativa e operacional. Os meios de defesa são de natureza dispendiosa, mas fundamentais para a protecção e garantia da nossa soberania territorial (terra, mar e ar). As FAA encontram-se, neste momento, em fase de reestruturação e modernização. A Força Aérea Nacional, por exemplo, tem vindo a reforçar-se com sistemas de vigilância, rádios de localização e telecomunicações, radares de alta qualidade, meios de transmissões e instrumentos expectantes para a defesa anti-aérea, isto para manter o nível de operacionalidade necessária, de forma a manter sempre a soberania territorial. A Marinha de Guerra Angola encontra-se em progresso e modernização, resultado da importância que Angola tem vindo a adjudicar à defesa da soberania nacional, através do mar e das águas fluviais, numa fase em que o terrorismo internacional tem sido uma séria ameaça para a Região do Golfo da Guiné, onde Angola se insere. O orçamento na área da Defesa é tema de debate pelo mundo, mas, nos últimos tempos, os países membros da OTAN viram-se obrigados a investir no mínimo dois por cento do seu Produto Interno Bruto para o sector da Defesa, tendo em conta as novas ameaças globais.

Comparativamente aos outros países africanos, acha que o orçamento para as Forças Armadas Angolanas é exagerado?
Não concordo. Neste momento de modernização, é preciso um orçamento capaz de garantir esse processo, principalmente, destinado ao apetrechamento em equipamento. É importante este investimento.

A formação individual do militar é importante?

A formação académica é primordial para a progressão da carreira militar e tem um papel fundamental na transição para o mundo civil. As Forças Armadas Angolanas enquadram-se no quadro da diplomacia e são um factor de projecção de força, razão pela qual os seus quadros devem ter uma preparação intelectual adequada, tendo em conta que Angola é signatário de vários acordos internacionais. A educação é a ferramenta que permite ao homem elevar-se e ter maior controlo dos seus destinos.

Voltando ao seu caso, não acha que o facto de ser especialista civil seja a razão das dificuldades que encontra na pretensão de ser enquadrado numa instituição militar?

O civil, dentro da estrutura das FAA, parece-me que ainda não tem o seu devido enquadramento, talvez seja por causa do tipo de estruturas orgânicas de defesa que tivemos durante anos. A minha experiência internacional mostra que os civis são uma peça fundamental para o planeamento e execução das operações militares. No final de tudo, as forças armadas obedecem a objectivos políticos.

Há quem diga que Angola tem muitos oficiais generais. Qual é a sua visão?

Existe um número muito elevado de generais, devido aos longos anos de conflito armado. Acredito que, nos próximos tempos, esta realidade será alterada.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/angola-deve-apostar-numa-industria-militar-para-garantir-a-auto-sustentabilidade-das-faa

Intelectuais de Angola protestam contra a escolha de Fernando Pessoa para patrono de CPLP

PorEXPRESSO DAS ILHAS,11 fev 2019 13:04

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A escolha do poeta Fernando Pessoa como patrono de um programa de intercâmbio académico a nível da CPLP está a ser duramente criticada por algumas personalidade angolanas que apontam o racismo e a defesa da escravatura manifestada pelo autor português como motivo da rejeição.

O nome de Fernando Pessoa foi escolhido pela Comunidade os Países de Língua Portuguesa (CPLP), actualmente presidida por Cabo Verde, para patrono de um programa similar ao Erasmus, que visa a educação, formação e mobilidade de jovens do espaço de língua portuguesa, oferecendo-lhes oportunidades de estudo, aquisição de experiência e voluntariado por um período curto num dos países da CPLP à sua escolha.

Este fim de semana começaram a surgir reacções de desagrado, vinda por agora de algumas personalidades angolanas. É o caso de Luzia Moniz, presidente da PADEMA – Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana que num artigo de opinião publicado no Jornal de Angola expôs as ideias racistas e a apologia à escravatura em textos de Fernando Pessoa.

“Aos 28 anos escreveu: “A escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul) ou um landim (moçambicano) não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter. O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”. Em 1917, aos 29 anos continua: “A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada.”, escreveu a intelectual no artigo intitulado “CPLP escolhe escravocrata racista para projecto juvenil”.

E com a obra “Fernando Pessoa: Uma (quase) autobiografia” do investigador brasileiro José Carlos Cavalcanti Filho como referência Luzia Moniz prossegue com as citações de Pessoa para fundamentar que, aquele que é tido como um dos maiores poetas da língua portuguesa, era defensor de uma ideologia racista e pró-escravatura: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs?””.

Segundo a Angop, para a intelectual angolana a indicação de Pessoa por parte de Portugal faz parte de uma tentativa de “branquear” a imagem do poeta, tentativa essa que não a surpreende ao contrário da pronta aceitação por parte dos outros países membros, particularmente os países africanos “vítimas da escravatura”.

Luzia Moniz terá manifestado isto mesmo na Assembleia da República de Portugal, durante a cerimónia de abertura do ano da CPLP para a Juventude, na quarta-feira passada, perante deputados portugueses, governantes dos Estados da CPLP, jovens, activistas, intelectuais e académicos afro-descendentes, brasileiros, portugueses e africanos.

“Não sei se Pessoa é ou não bom poeta. Isso pouco interessa para o caso. A minha inquietação é o uso da CPLP para branquear o pensamento de um acérrimo defensor do mais hediondo crime contra a Humanidade: a escravatura”.

Também o médico angolano Miguel Kiassekoka considerou a escolha do nome de Fernando Pessoa como “uma pretensão de Portugal continuar como guia do novo império, sob a capa de uma comunidade que conservou o seu centro de decisão em Lisboa”. E acrescenta que o Secretariado Executivo da CPLP deveria consultar os países membros, antes de impor unilateralmente um “nome português indigno da história comum africana”.

Outro a manifestar-se foi o sociólogo angolano Manuel Luís Dias dos Santos para quem a atribuição do nome de Fernando Pessoa para o projecto/programa de mobilidade e intercâmbio académico na CPLP “faz parte da estratégia de Portugal, como Estado membro desta comunidade, de procurar liderar e nomear os processos comuns da mesma”.

Ainda segundo o portal Angop, o investigador angolano Eugénio Costa Almeida tem posição mais moderada sobre o assunto, já que consideraria “aceitável” a atribuição, pela CPLP, do nome de Fernando Pessoa, “se tivesse sido por vontade de todos os membros da comunidade”.

“Reconheço que umas das razões que leva algumas pessoas a manifestar a sua indignação se prendem pelo facto de Fernando Pessoa ter escrito em texto algo que pode ser indicador de alguma nódoa rácica contra a população negra africana”, disse Eugénio Costa Almeida àquela agência noticiosa angolana

Nomes como Eça de Queiroz – que era abertamente contra a escravatura –, Jorge Amado, Corsino Fortes, Alda Lara, Alda Espírito Santo, José Saramago e do académico angolano Mário Pinto de Andrade foram apontados por estes intelectuais como alternativa.

“Espera-se dos países africanos membros que revertam essa situação, opondo-se ao nome de Fernando Pessoa, mesmo que com esse digno gesto se crie um novo irritante. Os irmãos de Cabo verde, que neste momento presidem a CPLP, têm uma responsabilidade acrescida nesta questão. Se Portugal olha para a CPLP como um instrumento de dominação dos outros, cabe-nos a nós, africanos, impedir que isso aconteça”, exorta Luzia Moniz.

De intelectuais cabo-verdianos no país ou na diáspora ainda não se conhecem reacções.

 

Fonte:https://expressodasilhas.cv/cultura/2019/02/11/intelectuais-angolanos-contra-a-escolha-de-fernando-pessoa-para-patrono-de-projecto-da-cplp/62305

Alemães enviam deputados para apoiar investimentos em Angola

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O Presidente da República, João Lourenço, recebeu  no Palácio da Cidade Alta, membros da Comissão para os Assuntos Económicos e Energia do Parlamento alemão. A delegação de parlamentares alemães composta por vários partidos esteve em Luanda para inteirar-se da realidade e das oportunidades de negócios que o país oferece.
Em declarações à imprensa no termo da audiência, o presidente da Comissão para os Assuntos Económicos e de Energia do Parlamento alemão, Claus Ernst, disse que os parlamentares encontraram-se com empresários alemães a operar em vários setores no país para encorajar o reforço do investimento. “Temos interesse em apoiar que a cooperação entre Angola e Alemanha seja profícua e avance efectivamente. É nossa intenção contribuir no reforço de uma cooperação política e económica com Angola mais intensa”, disse Claus Ernst que reconheceu haver contactos significativos neste sentido.
Segundo o parlamentar, existem muitas possibilidades de os dois países intensificarem as relações económicas. Claus Ernst exprimiu satisfação pelo empenho do Presidente João Lourenço em prol da cooperação entre os parlamentos de Angola e Alemanha.

“Abordamos sobre áreas possíveis e desejáveis de investimento alemão que poderiam ser organizados para que fosse possível contribuir para o desenvolvimento de Angola”, sublinhou.
A Alemanha tem grandes projectos na construção, fiscalização e no fornecimento do equipamento das barragens hidroeléctricas ao longo do rio Kwanza, concretamente pelas empresas Voith, Andritz e Lahmeyer. Existem também empresas alemãs envolvidas em projectos de fiscalização de infra-estruturas, como estradas como é o caso da Gauff.

No setor de bebidas está a Krones e a Siemens, na criação de infra-estruturas, a Woermann no sector de equipamentos técnicos e a Bauer em fundações especiais.
Além disso, a Alemanha tem empresas como a Bosch, a Nehlsen, a DHL e outras que estão activas no país. A empresa LSG, do ramo de Catering para aviões do grupo Lufthansa, uma “joint-venture” com a TAAG, faz investimento directo em Angola.
Em 2008, as trocas comerciais entre Angola e Alemanha atingiram os 800 milhões de euros, superando os 500 milhões do ano anterior. Porém, o volume de negócios baixou por conta da crise económica. Actualmente, o volume das trocas comerciais é de cerca de 300 milhões de euros. Com o desenvolvimento positivo da economia angolana, este número pode crescer outra vez.
Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/deputados-alemas-incentivam-mais-investimentos-a-angola

40.000 Táxis em Luanda. Ninguém faz nada sem eles.

Luanda, der Hauptstadt der Republik Angola

Ana Paulo

Quem visitou Luanda . Sabe ,sem os táxis , você não faz nada. Circulam  actualmente pelas estradas de Luanda cerca de 40 mil veículos que exercem actividade de táxi, mas destes apenas 28 mil estão legalizados, dos quais 18 mil controlados pela Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA) e três mil pela ATL, o que permitiu 75 por cento de emprego directo a jovens dos 18 aos 40 anos.

Em diversas estradas da capital, milhares de taxistas lutam diariamente para transportar passageiros para os mais diversos destinos
Fotografia: Contreiras Pipas | Edições Novembro

O presidente da Nova Ali-ança dos Taxistas de Angola, Geraldo Wanga, que prestou a informação ao Jornal de An-gola, defende a necessidade de se realizar um novo cadastramento de taxistas por existirem milhares a exercerem diariamente, em Luanda e arredores, a actividade de transporte público de passageiros, fora do controlo das associações existentes.
Além dos veículos convencionais de transporte de passageiros, os chamados “azuis e brancos”, Toyota Hiace, Quadradinho, só para citar esses, existem os mini-autocarros, que efectuam rotas intermunicipais e interprovinciais, os “Girabairro”,  que circulam na periferia e casco urbano, sem falar das moto-táxi e moto-boy. Por Luanda, circulam também os veículos personalizados, com taxímetro, e paragens determinadas, entre o AeroPorto, porto, hotéis e supermercados, os chamados “táxi-turismo”, bem como aqueles que vão ao encontro do cliente mediante chamada telefónica, pertencentes a algumas empresas privadas.
De acordo com o dirigente associativo, todos esses servidores públicos chegam a atingir 40 mil viaturas em circulação nas estradas de Luanda, com 300 mil jovens inseridos na actividade, entre motoristas, cobradores e os chamados “lotadores”.
Geraldo Wanga defende um novo cadastramento, para saber ao certo quantos táxis circulam em Luanda e no resto do país, assim como um maior apoio do sector financeiro para que os agentes do sector possam obter créditos para adquirir meios de transporte  para satisfazer a demanda e aferir o número de veículos  existentes, seus integrantes e proprietários.
Os taxistas enfrentam inúmeras dificuldades na realização das suas actividades diárias, disse o líder da Nova Aliança enumerando o mau estado das vias principais, secundárias e terciárias, parque automóvel envelhecido, falta de acessórios de reposição, escassez de divisas para a importação de meios, entre outros.
A Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola controla em todo o país aproximadamente 24 mil associados, com maior realce para a província de Luanda, com 18.500 associados, seguido de Benguela, Huíla e Huambo.

Municipalização dos serviços 

Manuel Faustino, presidente da Associação dos Taxistas de Luanda (ATL), disse ao Jornal de Angola que a sua agremiação apoia a ideia do Executivo em municipalizar a actividade de táxi, para que os utentes efectuem o trabalho apenas na localidade onde for emitida a licença.
O veterano presidente da ATL, cuja agremiação nunca realizou renovação de mandatos desde que foi fundada, há mais de 20 anos, acha que ainda não é o momento certo para serem definidas as áreas de actuação, porque existem municípios com uma extensão territorial muito peque-na, o que não satisfaz o rendimento diário, semanal ou mensal dos profissionais.
Nesse ínterim, Geraldo Wan-ga, contradiz dizendo que com a implementação da municipalização dos serviços de táxi, as rotas seriam reduzidas, o que criaria transtornos não só aos profissionais, como também aos passageiros.
A homóloga  ATL queixa-se também da escassez de divisas no mercado financeiro, o que tem dificultado aos seus associados a aquisição de novos veículos e respectivos acessórios, já que a frota é antiga, inoperante e sem esperanças de recuperação.
A ATL controla cerca de três mil táxis devidamente licenciados, mas o presidente da agremiação afirma que o número de utentes que circula pelas várias artérias de Luanda é inversamente proporcional àqueles que estão legalizados e associados.
“Temos realizado campanhas de sensibilização, apelando aos proprietários  dos táxis e os próprios taxistas  a legalizarem-se e a  inscreverem-se nas associações existentes, para determinar o número de táxis  em circulação em Luanda”, disse Manuel Faustino.

Ensino superior a meta dos associados  

Fundada em 2012, a ANATA, está representada no Bié, Bengo, Benguela, Cabin-da, Cuanza-Sul, Huambo, Huíla, Malanje e Uíge e tem como objectivo desenvolver projectos de âmbito nacional em beneficio dos taxis-tas, e procurar soluções viáveis para os problemas dos associados.
Para o quinquénio 2018- 2021,  a associação tem como foco formar e transformar o profissional para melhor servirem a sociedade, tendo estabelecido uma parceria com o Instituto de Ensino Superior Uni-Belas para disponibilizar para o ano académico 2019- 2020,  um total de 50 bolsas de estudo, em regime de comparticipação.
Numa primeira fase, vão ser priorizados 30 profissionais para o curso de Direito, 10 para Psicologia, cinco para Gestão de Empresas e cinco para Medicina, solicitados pelos próprios associados, em função dos seus desejos.
Outra parceria foi estabelecida com a clínica privada Ango-Cuba, para um plano de saúde, para permitir aos profissionais do sector e seus agregados familiares contribuírem com uma quota de apenas 10 mil kwanzas por mês, para terem direito a assistência médica e medicamentosa.

Hiaces proibidos a longo curso  

Através de um Decreto Presidencial, o Executivo angolano proibiu os veículos com menos de 15 lugares, em particular, os de marca Toyota Hiace a efectuarem actividades de táxis nas rotas inter-provinciais, devido ao incumprimento das regras do có-digo de estrada, por parte de alguns utentes.
Além dos elevados acidentes de viação e mortes na sua  maioria envolvendo esse tipo de veículos, a falta de condições para o transporte de carga dos passageiros, numa distância de 300 quilómetros, foram as outras razões avançadas pelas autoridades para a proibição do uso de viaturas Toyota Hiace para serviço de táxi de longo curso.
O presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas aplaude a medida do Executivo, considerando-a correcta, aludindo que as autoridades pretendem apenas salvaguardar a vida dos seus concidadãos, já que os acidentes de viação são a segunda causa de morte no país, apenas superada pela malária.
A proibição do uso de veículos da série Toyota  Hiace para transporte de longo curso, contribuiu para o aumento de carros dessa marca em Luanda, gerando automaticamente  concorrência desleal, porque alguns meios de grande porte não cumprem as rotas obrigatórias.

Conflitos entre Hiaces e autocarros
Os autocarros e mini-autocarros estão hoje a competir com os taxistas dentro das localidades, e a praticar uma tarifa inferior à estipulada que é de 150 kwanzas, “o que não é correcto, por gerar conflitos entre os motoristas”, disse  Geraldo Wanga. A fonte do Jornal de Angola é de opinião que os utentes de autocarros e mini-autocarros devem circular apenas nas rotas inter-provinciais e inter-municipais, ou seja, fora das localidades, e deixarem as carreiras urbanas para os taxistas de veículos convencionais.
“Os autocarros de grande porte devem circular apenas nas rotas Cacuaco-Benfica , Estalagem-Catete, Benfica-Barra do Kwanza, Benfica-Zango 4, Mercado do Quilómetro 30-Catete/Cabala/-Muxima”, sugeriu o líder da Nova Aliança dos Taxistas.
“Hoje no troço Luanda-Viana, pela Avenida Deolinda Rodrigues, até ao Largo da Independência, circula  um grande número de autocarros e mini-autocarros a carregarem e descarregarem passageiros, o que devia ser evitado”, disse acrescentando que essa tarefa está apenas reservada às operadoras de transporte público privado que operam  no casco urbano, no caso da TCUL, TURA, Ango-Real e SGO.
“O Executivo deve analisar e definir os modelos de táxi que devem ser importados e os que  podem circular nas zonas urbanas e suburbanas das cidades do país”, sublinhou a propósito.

Taxistas trabalham 16 horas/dia 

A profissionalização dos serviços de táxi a nível do país, é um dos maiores desejos da ANATA, que pugna pela existência de um diploma legal para regular o exercício da actividade, inscrição na Segurança Social, para garantir a sua aposentação, bem como regularizar os turnos de trabalho.
Segundo Geraldo Wanga, os taxistas em Luanda trabalham durante 16 horas por dia e 96 horas por semana, e diariamente é-lhes  exigida a entrega ao proprietário da viatura 17 mil kwanzas, o que não é fácil arrecadar, “numa cidade engarrafada, com as vias em mau estado e muitos concorrentes”.  Para Geraldo Wanga, com a regularização dos serviços de táxi, os profissionais vão poder trabalhar por turnos, dividindo um grupo no período da manhã (das 6H00 às 15H00), e  o outro das 15H00 às 22H00.
A crise financeira tem causado transtornos ao sector dos transportes de passageiros, havendo, por isso, um parque automóvel envelhecido, e falta de peças de reposição, que coloca fora de circulação um grande número de veículos e muito desemprego no seio de muitos jovens.

Lotadores estão melhor organizados

Fruto do aperto económico do país, o serviço de táxis foi invadido por  um número crescente de jovens lotadores, que se concentram em centenas de paragens em busca de sustento familiar, renda de casa e propinas escolares.
Segundo Geraldo Wanga , a ANATA como parceiro social do Estado, e no intuito de ajudar no combate à delinquência, enquadrou como membros vários jovens para continuarem a exercer a actividade de lotador, mas de forma controlada e organizada, num total de 1.210 elementos distribuídos em várias paragens.
“Hoje, os lotadores reconhecidos pelas diversas associações de taxistas de Luanda, trabalham em várias paragens, trajando um colete de cor verde, com símbolo da associação, ajudando os cobradores na recolha de clientes”, disse a propósito. Instado a referir-se acerca do papel dos lotadores, o presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas, disse que esses jovens exercem também a função de activistas sociais e fiscalizadores da área onde actuam, organizando os vendedores ambulantes e quitandeiras a trabalharem de forma correcta e organizada nos diversos locais.
Como fiscalizadores, os lotadores colaboram com os agentes da Polícia Nacional, na identificação de alguns malfeitores que atormentam e furtam pessoas que pretendem apanhar um táxi, vendedores ou outros transeuntes.
“Com o enquadramento destes jovens, a desordem que se vivenciava nas paragens de Luanda diminuiu, sobretudo, os assaltados no interior dos táxis”, sublinhou Geraldo Wanga, reconhecendo que não foi fácil sensibilizá-los, “porque muitos deles faziam parte de grupos de meliantes que furtavam passageiros, sob efeito de drogas ilícitas”.

 Staf: novo modelo de identificação dos veículos

Para a melhor organização e identificação das viaturas que efectuam serviço de táxi, a ANATA implementou, em Luanda, um novo modelo de controlo denominado  “Staf”, composto até ao momento por 395 grupos de Viana, Cacuaco e Kilamba-Kiaxi, onde 80 por cento dos filiados fazem parte.
As “Staf’s”, são pequenos grupos de taxistas distribuídos por municípios, distritos e bairros, identificados por siglas, nomeadamente,  “Rádio Cazenga”, “Os 23 do Zango”,  “Potência Máxima de Viana”, “Os Confirmas do Rangel”, “Eu e Elas”, “FBI”, “Os Milionários”, entre outras designações, com rotas previamente definidas durante o dia e geralmente inalteráveis.
“As denominações dos grupos são estampadas no exterior dos táxis, em partes visíveis, para melhor identificação dos profissionais da área”, disse o líder da Associação Nova Aliança dos Taxistas, tendo frisado que a ideia da implementação das “Staf’s” visa facilitar os passageiros e órgãos da Polícia Nacional na localização do veículo e do seu utente em caso de ocorrência de uma acção criminal. No final da jornada laboral, as “Staf’s” reúnem-se num determinado ponto da sua área de jurisdição, montam tendas e realizam uma pequena tertúlia, onde cada profissional expõe os principais constrangimentos e ocorrências registadas durante a actividade. Para Geraldo Wan-ga, o serviço de táxi não é apenas para indivíduos com um nível de escolaridade baixo, como muita gente supõe, alegando ser uma actividade laboral onde muitos dos integrantes possuem formação superior, mas exercem essa profissão por falta de em-prego no ramo de formação.

Assaltos no interior dos táxis

Nos últimos meses registaram-se na cidade de Luanda inúmeros assaltados à mão armada no interior dos táxis, por presumíveis taxistas, que actuavam fora das localidades.
A ANATA, preocupada com a situação, colaborou com a Polícia Nacional na identificação dos supostos criminosos, tendo sido detidos alguns indivíduos residentes no município do Cazenga, entre taxistas e cobradores, que alegaram serem aliciados por meliantes, com 25 mil kwanzas por dia.
Os indivíduos furtavam os veículos no centro da cidade e actuavam nas áreas do Benfica, Kilamba, Vila de Viana, Primeiro de Maio e no final da actividade abandonavam os meios nos bairros.
“Com a intervenção oportuna da Polícia Nacional, em colaboração com os profissionais do sector, alguns casos já foram esclarecidos, estando de momento a situação sob controlo, e os meliantes a contas com a justiça”, afirmou Geraldo Wanga, satisfeito com o resultado.

Fonte:

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/40_mil_taxis_cacam_clientes_dia-a-dia_nas_inumeras_estradas_de_luanda#foto

Angola é um dos melhores lugares para investimentos em África

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A selecção é baseada na nossa pesquisa local, metodologia própria de previsões e cálculos relativamente ao risco quantitativo”, lê-se no relatório \’Africa Investment Risk Report 2019\’, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso.

A selecção, explicam os analistas liderados por Robert Besseling, “apresenta algumas das nossas previsões de risco para este ano e sinaliza potenciais oportunidades de negócio e novos investimentos”, num conjunto de estimativas que leva em linha de conta “os principais motivos para os riscos políticos e de segurança e económico, bem como outras tendências de mais longo prazo que podem determinar a trajectória de risco de um país”.

A consultora EXX Africa considera que Angola beneficia do programa com o FMI, levando a mais investimentos, com “oportunidades imediatas” no petróleo, mas apontou a banca e as dívidas da Sonangol como riscos de médio prazo.

De acordo com o \’Africa Investment Risk Report 2019\’, Angola, que aparece novamente na lista, desta vez em segundo lugar a seguir à Etiópia, quando no ano passado tinha estado em primeiro, é apresentada como um país cuja “economia vai recuperar em 2019 com a perspectiva de aumento dos níveis de produção de petróleo e apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI)”.

O programa de 3,7 mil milhões de dólares aprovado pelo Fundo Monetário Internacional vai “acrescentar legitimidade à trajectória reformista do Presidente João Lourenço”, o que fará com que, “aumentando o cumprimento das condições macroeconómicas e de abordagem às políticas, o optimismo do mercado face a uma já de si promissora economia, deve melhorar ainda mais”.

O início da recuperação económica em Angola vai beneficiar da presença do FMI para garantir políticas favoráveis ao mercado, “que vão facilitar o ambiente de negócios, que por sua vez levará a mais investimento e expansão, de um ponto de vista geral”.

Há, apontam os analistas, “oportunidades imediatas para o sector do petróleo e gás em Angola nas rondas de licitação deste ano, que são passos concretos para reverter a tendência decrescente de produção”.

Apesar da opinião positiva, a EXX Africa aponta também alguns riscos a médio prazo, nomeadamente as “dívidas massivas” da companhia nacional de petróleo, a Sonangol, e do sector bancário, que continua “exposto politicamente”.

Os bancos, afirmam os analistas, “precisam urgentemente de uma ronda de consolidação para melhorar a qualidade dos activos e os riscos sobre a moeda externa”, notando que “com a dívida pública em cerca de 70 por cento do PIB, o crédito interno é agora crucial para o financiamento do Estado”.

Outro dos riscos apontados por esta consultora tem a ver com a política contra a corrupção e favorável à liberalização económica: “Apesar de a política altamente popular de combate à corrupção e promoção de uma plataforma de liberalização económica ser dirigida para a diluição do domínio da antiga elite política e económica, os projectos de infra-estrutura vão estar em risco de cancelamento ou revisão”, concluem os analistas.

No sector da construção, aponta o director da consultora EXX Africa, “há grandes projectos de infra-estruturas, como o aeroporto internacional de Luanda, o projecto do porto de Caio ou a hidroeléctrica Caculo Cabaça, que deverão sofrer alterações de contratos por parte do Estado e riscos reputacionais para os empreiteiros, bem como prováveis atrasos, já que os acordos assinados pelo anterior Governo estão a ser reexaminados pelo actual”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/consultora_recomenda_angola_aos_investidores

Milho, feijão batata-rena, arroz e trigo Angola está autossustentável, não importará mais

van dunenMinistro da Agricultura ao falar à imprensa, após uma visita à fazenda Vinevala, Joffre Van-Dúnem afirmou que o investimento do sector privado permitirá que o país deixe de importar definitivamente o milho, feijão, batata-rena, arroz e trigo. Pediu para que os investidores privados apostem no cultivo destes e de outros produtos agrícolas, enquanto o Governo trabalha para melhorar as estradas e facilitar o escoamento dos produtos para os principais centros de consumo. Joffre Van-Dúnem anunciou a reabertura, dentro de 60 dias, das lojas da rede Poupa Lá, afectas ao Ministério do Comércio, construídas entre 2013 e 2017 e encerradas devido à conjuntura econômica que Angola vive. Na ocasião, o governador do Bié, Pereira Alfredo, disse que o Governo provincial definiu como prioridades, para este ano, o aumento da produção agrícola, apoiando os camponeses com cinco mil toneladas de fertilizantes compostos.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/quatro_produtos_agricolas_deixam_de_ser_importados

Republica Democrática do Congo dispara alerta na União Africana

O Presidente da República, João Lourenço presidente de Angola, participa hoje, em Addis-Abeba, Etiópia, numa cimeira com pelo menos 16 outros Chefes de Estado para consultas de alto nível a respeito da situação na República Democrática do Congo, que realizou eleições gerais a 30 de Dezembro último.

João Lourenço recebeu ontem cumprimentos de despedida
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

Segundo uma nota da Casa Civil do Presidente da República de Angola distribuída ontem, antes da cimeira africana, João Lourenço participa numa reunião da Dupla Troika da SADC.

Ontem, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o Chefe de Estado recebeu cumprimentos de despedida do Vice-Presidente da República, de Angola Bornito de Sousa, do governador de Luanda, Luther Rescova, de membros auxiliares do Poder Executivo, entre outras individualidades.

A Dupla Troika é composta pelos países que integram a Troika do Órgão de Defesa e Segurança e da SADC enquanto organização regional.

Os resultados das eleições gerais realizadas na RDC foram contestadas, no Tribunal Constitucional, pelo candidato Martin Fayulu, que ficou em segundo lugar. Fayulu reivindica uma recontagem manual dos votos. Ele garante que   a sua formação ganhou 61 por cento dos votos nas eleições de 30 de Dezembro e não 34,86 por cento, de acordo com dados da Comissão Eleitoral (CENI), que deu a vitória ao também opositor Félix Tshisekedi com 38,57 por cento.

O líder do Lamuka não é o único descontente com os dados publicados pela CENI. A Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) assegura que os números que tem não correspondem aos oficiais.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/africa_esta_preocupada_com_a_situacao_na_rdc-

República Democrática do Congo após as eleições preocupa a União Africana

 

O Presidente da República, João Lourenço presidente de Angola, participa hoje, em Addis-Abeba, Etiópia, numa cimeira com pelo menos 16 outros Chefes de Estado para consultas de alto nível a respeito da situação na República Democrática do Congo, que realizou eleições gerais a 30 de Dezembro último.

João Lourenço recebeu ontem cumprimentos de despedida
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

Segundo uma nota da Casa Civil do Presidente da República de Angola distribuída ontem, antes da cimeira africana, João Lourenço participa numa reunião da Dupla Troika da SADC.

Ontem, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o Chefe de Estado recebeu cumprimentos de despedida do Vice-Presidente da República, de Angola Bornito de Sousa, do governador de Luanda, Luther Rescova, de membros auxiliares do Poder Executivo, entre outras individualidades.

A Dupla Troika é composta pelos países que integram a Troika do Órgão de Defesa e Segurança e da SADC enquanto organização regional.

Os resultados das eleições gerais realizadas na RDC foram contestadas, no Tribunal Constitucional, pelo candidato Martin Fayulu, que ficou em segundo lugar. Fayulu reivindica uma recontagem manual dos votos. Ele garante que   a sua formação ganhou 61 por cento dos votos nas eleições de 30 de Dezembro e não 34,86 por cento, de acordo com dados da Comissão Eleitoral (CENI), que deu a vitória ao também opositor Félix Tshisekedi com 38,57 por cento.

O líder do Lamuka não é o único descontente com os dados publicados pela CENI. A Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) assegura que os números que tem não correspondem aos oficiais.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/africa_esta_preocupada_com_a_situacao_na_rdc-