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A busca pela solução sul africana para a Reforma Agrária

“Acredito que nesta questão, seremos capazes de encontrar o nosso próprio consenso (nacional) como país tal como o fizemos em 1994 sob a liderança capaz de Nelson Mandela”, afirmou Cyril Ramaphosa.

NIC BOTHMA/EPA

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O Presidente da África do Sul prometeu esta sexta-feira uma “solução sul-africana” para a reforma agrária preconizada pelo Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) que prevê expropriações dos proprietários, a exemplo do que fez com o ‘apartheid’.

“Acredito que nesta questão, seremos capazes de encontrar o nosso próprio consenso (nacional) como país tal como o fizemos em 1994 sob a liderança capaz de Nelson Mandela”, afirmou Cyril Ramaphosa.

O chefe de Estado sul-africano reuniu-se esta sexta-feira em Pretória com embaixadores, altos comissários, cônsules-gerais e encarregados de negócio de 139 missões e organizações internacionais representadas na África do Sul para dar a conhecer as prioridades do seu executivo, nomeadamente sobre a incerteza política que se acentuou no país após o congresso nacional do ANC em dezembro último.

Cyril Ramaphosa, que é igualmente presidente do ANC, partido no poder desde 1994, disse que está no “DNA dos sul-africanos” encontrar soluções para os problemas do país, tal como foi feito perante o “pesadelo do ‘apartheid’ no que a comunidade internacional julgava ser um problema intratável”.

“Uma solução será encontrada brevemente e vai ser uma solução sul-africana”, declarou Ramaphosa ao corpo diplomático, referindo-se à controversa questão da expropriação e redistribuição da terra de propriedade privada sem compensação financeira. O processo de reforma agrária, adiantou o chefe Estado, “será implementado ordeiramente, de maneira a que melhore os interesses do nosso povo no seu todo e não somente de alguns”.

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“Enquanto a África do Sul tenta resolver esta injustiça histórica que foi perpetrada durante anos de desgovernação colonial e do regime do apartheid, vamos tentar garantir, tal como o fizemos em 1994 quando elaboramos a nossa constituição, os interesses de todos os povos que habitam o nosso território amado”, adiantou Ramaphosa.

Neste sentido, o chefe de Estado disse que o processo de expropriação e redistribuição de propriedade privada “tem por objetivo fazer avançar o desenvolvimento económico do nosso país e visa especificamente, particularmente no que toca à terra agrícola, fazer aumentar a produção agrícola para garantir que haja segurança alimentar no nosso país, mas em termos gerais pretendemos usar isto como um processo que vai melhorar o crescimento da nossa economia”.

A comissão parlamentar de Revisão Constitucional terminou na semana passada o processo de consultas públicas que vai determinar se a alteração do texto do artigo 25 da constituição da República deve ser emendado para permitir a expropriação de propriedade privada pelo Estado sem compensação financeira.

“Esta é uma de uma série de medidas que estamos a implementar para acelerar a reforma agrária para corrigir esta injustiça histórica. Quando elaborámos a nossa constituição recebemos 1,2 milhões de pareceres de sul-africanos que insistiram em participar na elaboração do seu certificado de nascença, a Constituição, e desta vez recebemos 700 mil submissões com as pessoas a participarem a nível nacional”, explicou Ramaphosa.

No encontro de hoje com a comunidade diplomática estrangeira na África do Sul, o chefe de Estado destacou ainda a cimeira de investimento internacional que o executivo está a organizar de 25 a 27 de outubro de 2018, em Joanesburgo.

O encontro antecede também a participação da África do Sul, na qualidade de membro não permanente do Conselho de Segurança, na 73.ª Sessão Anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 18 de setembro a 05 de outubro de 2018 em Nova Iorque.

 

Fonte:https://observador.pt/2018/09/14/africa-do-sul-promete-solucao-sul-africana-para-reforma-agraria/

Presidente da África do Sul entrega 4586 hectares de terra para a comunidade KwaMkhwanazi

“Neste momento, o governo está totalmente capacitado para lidar com a questão da terra e agora estamos avançando com velocidade”, disse ele no campus KwaDlangezwa da Universidade de Zululand, onde entregou oficialmente 4 586 hectares de terras e títulos de propriedade à comunidade em Domingo.

“À medida que fazemos isso, admitimos que ao longo de vários anos temos sido bastante lentos e tardios e o processo foi retardado por uma série de razões. O que fizemos hoje [domingo] deveria ter sido feito há alguns anos, mas, como dizem, melhor tarde do que nunca ”, disse ele.

A comunidade KwaMkhwanazi foi removida à força de suas terras após a promulgação da Lei de Terras de 1913 para dar lugar ao retorno dos soldados da Primeira Guerra Mundial. Durante a década de 1940, a comunidade foi novamente movida para abrir caminho para fazendas comerciais de madeira e cana-de-açúcar.

A reivindicação de terras foi apresentada em 1997 e o Phalane Community Trust foi estabelecido pela comunidade de reclamantes em 2005 para administrar a terra. Algumas das terras já haviam pertencido ao departamento de agricultura, silvicultura e pesca, enquanto uma parte era usada para residências estudantis da universidade.

As florestas comerciais estão atualmente sendo arrendadas pela Siyaqhubeka Forests Limited, uma parceria entre a Mondi, seus parceiros negros, o governo e as comunidades locais. 

“Estamos fazendo história, celebrando hoje a terra do nosso povo nessa área. À medida que fazemos história, também estamos começando a distribuir massa em massa em nosso país – vamos devolver a terra de maneira massiva. A terra KwaMkhwanazi é a primeira ”, disse Ramaphosa.

“Houve muitos outros no passado, mas agora nesta fase, [a terra KwaMkhwanazi] é a número um. Existem 25 ou 27 outros para os quais vamos devolver a terra, este é o processo de restituição, uma das categorias do nosso programa de reforma agrária ”, disse ele.

Até dezembro de 2017, a confiança estava trancada em uma batalha legal de 13 anos no Tribunal de Reclamações de Terras sobre a legitimidade de certos membros da comunidade e seu direito a ser fiduciários e seu direito a desembolsos. 

“Como governo, estamos intensificando a implementação de programas de reforma agrária. Acreditamos firmemente que as comunidades devem ter grande interesse no processo de restituição da terra e em tudo o que acontece em suas terras ”, disse Ramaphosa.

Também era importante que as comunidades soubessem como seu dinheiro estava sendo gasto. “Quando devolvemos a terra ao nosso povo através de uma confiança, a confiança será usada para capacitar as famílias beneficiárias individuais, mas também deve levar ao desenvolvimento de toda a comunidade.

“Acreditamos que esta celebração hoje trará esperança às comunidades de todo o país [que sofreram o mesmo destino]. Para essas comunidades, dizemos que logo estaremos celebrando com você também. Hoje estamos dando vida à nossa constituição e nossa carta de liberdade ”, disse Ramaphosa.  

https://www.iol.co.za/news/politics/ramaphosa-hands-over-4-586-hectares-of-land-to-kwamkhwanazi-community-17472014

Entrega de terras a fazendeiros negros: começou a Reforma Agrária na Africa do Sul

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, procedeu no passado fim de semana à primeira entrega simbólica, a fazendeiros negros, das terras que lhes haviam sido retiradas na época do apartheid e prometeu acelerar a transferência de mais no quadro da sua futura reforma agrária.

Fotografia: DR

Na ocasião, o chefe do Estado sul-africano disse que ao devolver as terras aos seus detentores legais, estava-se a escrever uma história, naquilo que considerou a primeira de uma série de pedidos de recuperação de terras que vai ser acelerada nos próximos meses.

Há alguns meses, Cyril Ramaphosa iniciou uma reforma visando reequilibrar a estrutura da propriedade fundiária na África do Sul, ainda maioritariamente nas mãos da minoria branca, 25 anos depois do fim do apartheid. A alguns meses das eleições gerais, vários fazendeiros negros aplaudiram o projecto, ao contrário dos brancos que começam a dar sinais de preocupação.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/cyril_ramalhosa_faz__devolucao_simbolica_de_terras_a_fazendeiros_negros

Muito além de ser esposa de Mandela

 

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A maioria dos grandes homens da história quase sempre tem o dom raro de ser apoiada por mulheres fortes, mas muitas vezes complicadas. O falecido ícone sul-africano e um dos maiores homens do século passado, Nelson Mandela, não foi exceção. Sua ex-esposa, Winnie Madikizela-Mandela, que faleceu essa semana, era uma dessas mulheres. Sua fidelidade estóica a Mandela era talvez o vínculo mais forte que mantinha seu próprio compromisso vivo e continha aquela teimosa esperança de que, no final de seu sacrifício, esperá-lo seria um símbolo de amor e solidariedade permanente.

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Ao longo dos 27 anos que o falecido Mandela permaneceu em encarceramento, seu anseio por sua amada Winnie também se tornou simbólico de seu anseio pela amada pátria. Assim, em sua célebre coleção, “Cartas para Winnie”, é muito claro que ela era para Mandela tanto uma âncora emocional quanto uma personificação da esperança patriótica. Sendo humano, a longa ausência de Mandela testou a força de Winnie até os limites e o sistema fez muito para danificá-la.winnie-mandela

É instrutivo sublinhar que Winnie não era apenas mais uma mulher à espera de um marido preso. Ela abraçou e incorporou a luta contra o apartheid com força total. Ela permaneceu na linha de frente da luta contra o regime que oprimia os negros em seu próprio país. Seu papel como um dos líderes do Congresso Nacional Africano (ANC) não se restringiu ao papel das mulheres. Ela também liderou e apoiou a ala juvenil de tal forma que, no final, ela era muito mais do que a esposa de Mandela.

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Como era de se esperar, as maquinações malignas do regime do apartheid lutaram contra Winnie em igual medida. As acusações inventadas, inclusive por assassinato, foram levantadas contra ela. Mesmo onde a lei da evidência bruta forçou um veredicto de culpado, o contexto político de seus supostos crimes nunca foi perdido em seus seguidores e no resto do mundo. Sua seriedade política era mais importante do que os detalhes técnicos da invenção legal.

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Permanece historicamente significativo que quando Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, ele estava de mãos dadas com Winnie; o amor da sua vida e companheiro eterno na luta contra o apartheid e a impunidade racista. Mas então o dano havia sido feito em seu casamento. Tentou, como os dois, fazer o papel em cima da rachadura, os longos anos de separação e as pressões da luta cobraram seu preço. Eventualmente, eles tiveram que seguir caminhos separados. Mas a separação e o divórcio que naturalmente se seguiram se tornaram insignificantes contra o pano de fundo das lutas titânicas que eles suportaram e sobreviveram juntos. O que se seguiu foram entradas em uma mera nota de rodapé humana.

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Com certeza, Winnie tinha seus defeitos e ela nunca se dava bem com eles desde que ela estava sob constante holofote. O governo pós-apartheid liderado por seu ex-marido estabeleceu um Comitê de Verdade e Reconciliação para investigar abusos de direitos humanos no passado e várias atividades violentas foram creditadas a ela durante os anos 80. Mas ela manteve o carinho de muitos de seus apoiadores dentro do ANC que a apelidaram de “Mãe da Nação”. Como figura sênior do ANC, ela também ocupou vários cargos no governo, inclusive sendo vice-ministra de Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia antes de ser demitida por alegações de corrupção. No entanto, isso nem sequer a diminuiu aos olhos de seus partidários.

Como o mundo, portanto, lamenta a morte de Winnie Madikizela-Mandela, é seu papel como uma personagem histórica e os sacrifícios que ela fez por seu país e, de fato, pela raça negra que lega como legados. Como Shakespeare diz no rei Lear: “Após tais sacrifícios, os próprios deuses jogam incenso”.

 

http://allafrica.com/stories/201804030279.html

 

 

Winnie Mandela foi revolucionária, libertária e indomável

Indomável e carismática, Winnie Madikizela-Mandela, que faleceu aos 81 anos esta Segunda-feira, tornou-se um importante rosto da luta contra o Apartheid enquanto o marido, Nelson Mandela, estava na prisão. Mais tarde, acabou por cair em desgraça e chegou a ser acusada de tortura.
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O percurso de Nomzamo Winifred Madikizela Zanyiwe, mais conhecida por “Winnie”, é indissociável do primeiro presidente negro da África do Sul, com quem foi casada ao longo de 38 anos, incluindo os 27 que ele esteve na cadeia.winniw4

Nascida a 26 de Setembro de 1936 na província sul-africana do Cabo Oriental, no Sul do país, de onde Nelson Mandela também é natural, obteve um diploma universitário na área dos Serviços Sociais, o que, à época, era bastante raro para uma mulher negra.

O seu casamento, em Junho de 1958, com Nelson Mandela – ela tinha 21 anos, enquanto ele, já com 40, era divorciado e pai – tornou-se rapidamente atípico, devido ao envolvimento político do marido.

“Nunca tivemos uma vida familiar (…) não podíamos tirar o Nelson ao seu povo. A luta contra o Apartheid, pela Nação, vinha em primeiro lugar”, escreveu ela nas suas memórias.

Logo depois do casamento, Nelson Mandela passou à clandestinidade. Sozinha com as suas filhas, após a prisão do líder anti-Apartheid em Agosto de 1962, Winnie manteve viva a chama da luta contra o regime racista branco.

A jovem assistente social foi, então, vítima de intimidações e pressões. Viu-se presa, forçada a ficar em casa, banida pelas autoridades sul-africanas para um local distante de tudo e todos, isto enquanto a sua casa era alvo de dois ataques à bomba.

O radicalismo acabou por ir longe demais

winnie1aContudo, nada abalava a sua resistência. Contra todas as probabilidades, tornou-se uma das principais figuras do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa), o movimento que servia de ponta-de-lança na luta contra o Apartheid.

Em 1976 instigou os revoltados estudantes do Soweto a “lutar até o fim”.

Com o tempo, a radical “paixão dos townships” (as áreas urbanas, subdesenvolvidas, onde viviam os negros) revelou-se, porém, uma desvantagem e um constrangimento para a imagem política do ANC.

Enquanto supostos traidores da causa anti-Apartheid eram queimados vivos, com um pneu em chamas ao pescoço, Winnie dizia que os sul-africanos deveriam libertar-se através de “caixas de fósforos”. Tratava-se de um apelo à revolta por via da violência e do assassinato.

Winnie fez-se cercar por um grupo de jovens, os quais formavam a sua guarda pessoal, o “Mandela United Football Club” (MUFC), conhecido por recorrer a métodos particularmente brutais.

Em 1991 foi considerada culpada de cumplicidade no sequestro do jovem activista Stompie Seipei. Winnie foi condenada a seis anos de prisão, uma sentença mais tarde comutada para uma multa simples.bispo e winnie

Em 1998, a Comissão de Verdade e Reconciliação, encarregue dos crimes políticos do Apartheid, declarou Winnie ” política e moralmente culpada pelas enormes violações dos direitos humanos” cometidas pelo MUFC.

“Grotesco”, respondeu a apelidada “Mãe da Nação” face à decisão, mesmo quando existiam testemunhas que a acusavam de tortura.

Personagem de grandes contrastes e polémicas

“Ela foi uma formidável defensora da luta, um ícone da libertação”, disse Desmond Tutu, vencedor do Prémio Nobel da Paz e amigo de Nelson Mandela. “E, então, algo terrivelmente errado aconteceu”, reconhece.

Nomeada vice-ministra da Cultura após as primeiras eleições multirraciais de 1994, Winnie foi demitida por insubordinação pelo governo do seu marido, um ano depois.

Banida pela liderança do ANC, sentenciada novamente em 2003 por fraude, Winnie ainda retornou à política quatro anos depois, juntando-se ao Comité Executivo do partido, o corpo administrativo do ANC.

Multiplicam-se as contradições. Deputada desde 1994 e reeleita em cada eleição, a sua ausência no Parlamento chama a atenção.

Acaba por criticar severamente o acordo histórico assinado pelo seu marido com os brancos, para pôr fim à segregação. “Mandela abandonou-nos”, afirmou. “O acordo que ele fez é mau para os negros”, insistia.

A imagem do casal Mandela, marchando de mãos dadas após a libertação do herói anti-Apartheid em 1990, parecia uma cena do passado. Acabaram por divorciar-se em 1996, após um processo sórdido que revelou as infidelidades de Winnie.

A animosidade entre ambos continuou mesmo após a morte de Nelson Mandela, em 2013, sendo que o antigo presidente da África do Sul não deixou nenhuma herança à ex-mulher.

Furiosa, Winnie iniciou uma batalha jurídica para recuperar a casa da família em Qunu. Recentemente, a justiça sul-africana rejeitou as suas exigências

 

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/winnie-a-carismatica-e-terrivel-esposa-de-nelson-mandela

Nomzamo Winnie Madikizela-Mandela foi uma combatente que nunca fez acordo com o inimigo

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Milhares de sul-africanos prestaram ontem homenagem ao “espírito combativo” de Winnie Mandela com uma série de eventos dedicados à vida da lutadora contra o regime do apartheid e ex-mulher de Nelson Mandela, falecida domingo à tarde, por doença, aos 81 anos.

Apoiantes recordam Winnie com músicas de intervenção
Fotografia: DR

Muitas pessoas afluem à casa de Winnie Mandela, para homenagear a ex-mulher do ex-Presidente sul-africano, também já falecido.
Tanto o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que lidera o Congresso Nacional Africano (ANC), como o líder da oposição, Julius Malema, fundador dos Combatentes da Liberdade Económica (EFF, esquerda radical), que se tornou o confidente de Winnie Mandela nos últimos anos, saudaram a memória da militante do ANC.winie malema e cyril
As exéquias oficiais acontecem no dia 14 de Abril, anunciou Ramaphosa.
A liga das mulheres do ANC, que Winnie Mandela dirigiu no passado, organizou ontem uma marcha até ao seu domicílio, no Soweto.
Winnie e Nelson Mandela personificaram durante mais de 30 anos a luta contra o regime racista da África do Sul. A fotografia do casal, de mãos dadas, à saída de Nelson Mandela da prisão em 1990 após 27 anos atrás das grades, simbolizou uma vitória na luta contra o apartheid, que só foi oficialmente abolido em 1994.
Além de se destacar na luta antiapartheid, Winnie tornou-se uma figura controversa. A mulher que foi apelidada de “mãe da nação” encorajou a violência durante a luta contra o regime segregacionista e o seu discurso violento e as acusações de homicídio contra o seu guarda-costas afastaram-na do marido.
Nelson Mandela e Winnie, que se casaram em 1956, divorciaram-se em 1996, dois anos depois de Nelson Mandela se tornar no primeiro Presidente negro da África do Sul.
Frequentemente criticada pelo ANC, Winnie Mandela apoiava a actual liderança do partido, que o ex-marido levou ao poder após as primeiras eleições pós-apartheid em 1994.
Na segunda-feira à noite, logo após a fatídica notícia, o Presidente sul-africano, Cyrill Ramaphosa, deslocou-se à casa de Winnie Mandela no Soweto, onde os seus partidários estavam reunidos e cantavam músicas de intervenção.
“Na cultura africana, cantamos quando estamos feridos”, disse Winnie Ngwenya, 64 anos, líder da liga feminina do ANC, à agência AFP.
Uma das suas últimas aparições públicas remonta à última conferência nacional do ANC, em Dezembro, em Joanesburgo, onde foi saudada com aplausos.
Algumas semanas depois, foi hospitalizada devido a uma infecção renal e teve alta dez dias mais tarde antes de ser internada novamente no fim de semana passado.

Winnie Mandela :” Eu não tenho mais o sentimento do medo”

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Winnie Mandela, uma das mais destemidas ícones do combate ao apartheid que faleceu na segunda-feira, era conhecido por falar a verdade ao poder. Aqui estão algumas de suas citações famosas:

“Eu sou o produto das massas do meu país e o produto do meu inimigo.”

“Juntos, de mãos dadas, com nossos fósforos e nossos colares, vamos libertar este país.”

“Talvez se você tivesse tido um momento para se segurar e esperar o próximo golpe, suas emoções não ficariam embotadas como no meu caso. Quando isso acontece todos os dias da sua vida, quando essa dor se torna uma forma de Eu não tenho mais a emoção do medo. Não há mais nada que eu possa temer. Não há nada que o governo não tenha feito comigo. Não há nenhuma dor que eu não tenha conhecido. “

“Não permitirei que os esforços abnegados de meu marido e de seus amigos sejam esquecidos. Continuarei a lutar por uma África do Sul livre e igualitária”.

As citações seguintes apareceram em um jornal britânico em 2010, com Madikizela-Mandela depois negou:

“Mandela nos decepcionou. Ele concordou em fazer um mau acordo para os negros. Economicamente, ainda estamos do lado de fora. A economia é muito ‘branca’. Tem alguns negros simbólicos, mas muitos que deram a vida no país.” luta morreram sem recompensa “.

“Veja o que eles fazem ele fazer. O grande Mandela. Ele não tem controle ou diz mais nada. Eles colocam aquela enorme estátua dele bem no meio da mais rica área ‘branca’ de Johannesburgo. Não aqui, onde nós derramamos nosso sangue e onde tudo começou.

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“Sim, eu estava com medo no começo. Mas então há tanta coisa que eles podem fazer com você. Depois disso, é só a morte. Eles só podem te matar, e como você vê, eu ainda estou aqui.”

Fonte:http://allafrica.com/stories/201804030045.html

Apartheid do Brasil é maior do que na África do Sul e, é ignorado

Apartheid social está por trás da violência no Brasil, diz pesquisador
Segregação racial no Brasil é igual ao Apartheid na África do Sul, observa Julio Jacobo

POR MAURÍCIO FERRO

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz 

RIO – O professor, sociólogo e pesquisador Julio Jacobo, coordenador da área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), diz que o Brasil tem uma segregação racial “exatamente igual” à África do Sul no período do Apartheid e que essa divisão é o pano de fundo para as mais de 786 mil mortes no país num período de 15 anos. Especial publicado pelo GLOBO mostrou que, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2015, o Brasil teve mais homicídios que as guerras de Síria e do Iraque.

O GLOBO CHECOUPlano do governo está longe das metas

Jacobo afirma ainda que o sistema carcerário e as forças de segurança também contribuem para a média de uma morte a cada 10 minutos, como revelou o levantamento. E diz que a revogação do estatuto do desarmamento seria como institucionalizar a “teoria do faroeste”: “cada um por si, todos contra todos”. Confira abaixo a entrevista que o especialista concedeu ao GLOBO.

Em 15 anos, houve uma média de um homicídio a cada 10 minutos. No total, foram 786 mil mortes — mais que na Guerra da Síria e do Iraque. Como chegamos a esse ponto?

Por falta de planejamento e falta de vontade. É claro que a vontade política está para o outro lado, ou seja, para o lado de incentivar as contradições e conflitos. Tem uma questão que está no fundo de tudo isso: o Brasil é um país que tem uma enorme segregação. É um dos países do mundo que mais segrega. Falava-se que a África do Sul, em seu pior período, no Apartheid, segregava a população negra. No Brasil, acontece exatamente o mesmo.

Esse Apartheid social reflete, neste momento, uma guerra. Está na guerra às drogas, aos pobres, aos negros… Há uma série de guerras em andamento que contradizem um pouco a imagem do brasileiro. A imagem do brasileiro é o cara bonzinho, cantando em prosa e verso, “meu Brasil brasileiro”… Em prosa e verso, o Brasil real imagina um país sem conflitos raciais, sem segregação. Um país de gente boa. Mas não é assim. Em poucas partes do mundo se mata tanto. Nem na guerra da Síria.

Publico o Mapa da Violência há 20 anos. (A violência está) longe de melhorar. (Ela) piorou ao longo do tempo. O medo aumentou. Esse conflito não declarado mata muita gente. Entre 2007 e 2011, o número de mortos por homicídio no Brasil se equiparou a todos os conflitos armados no mundo, que foram pouco mais de 40. Entre eles, o conflito da Síria. Isso em um país que não tem conflito de fronteiras com ninguém. Não tem nenhum conflito aberto, não tem guerra racial (oficial). Enfim, não tem guerras declaradas. Mas tem uma guerra cotidiana que mata muito mais gente que todas as guerras declaradas do mundo.

Quais as possíveis soluções para o combate à violência?

Exigir políticas públicas de superação dos conflitos. Dê uma olhada: a polícia, o aparelho do estado que deveria tender a solucionar o problema, longe disso, incentiva o conflito. É uma polícia que mata e morre; é um Exército que, quando intervém, intervém contra a população. Todo o aparelho institucional, que deveria ser solução do conflito, incentiva. Nosso sistema carcerário incentiva o conflito; nosso sistema de segurança pública incentiva o conflito; nossa polícia, com elevada mortalidade, incentiva o conflito. As instituições que deveriam zelar pela paz do cidadão são instituições que incentivam a guerra cidadã.

 

O levantamento mostra que 70% das mortes acontecem por armas de fogo. Os números poderiam ser ainda maiores se não fosse pelo estatuto do desarmamento?

Exatamente. A partir de 2003, quando é implementado o estatuto, há uma regressão (do número de homicídios por arma de fogo), quando realmente há o controle das armas de fogo. Em 2007 e 2008, mais ou menos, (a taxa de homicídios) deixa de cair. E a partir de 2009 e 2010 voltam a subir com mais intensidade. Em 2011 e 2012, a taxa volta aos níveis anteriores.

O que explica isso?

Praticamente não há desarmamento da população neste momento. Não há entrega de armas, não há campanhas, etc. Deveríamos incentivar tudo aquilo que possa fomentar a resolução de conflitos. Mas não estamos fazendo isso ainda.

Temos iniciativas no Congresso que buscam a revogação dos estatuto…

Há vários deputados que estão sempre ameaçando submeter a revogação do estatuto do desarmamento à votação. A tese é de que o cidadão armado pode se defender, como não tem ninguém neste momento que o defenda dos bandidos armados. É a teoria do faroeste.

Seria um retrocesso a revogação do estatuto?

Na verdade, não (chegaria nem a ser) um retrocesso. Seria uma nova realidade. Uma nova realidade armada. O cidadão se armaria para proteger sua família, sua casa, seus filhos. Então, seria cada um por si e todo mundo contra todo mundo. Uma realidade muito pior. Por incrível que pareça.

A bancada a favor da revisão do estatuto do desarmamento afirma que o número de homicídios é crescente, mesmo com o estatuto aprovado. Como rebater esse argumento?

Basicamente, mostrando que o estatuto do desarmamento, praticamente, não existe mais por influência da própria bancada. No primeiro ano, foram retiradas de circulação aproximadamente 500 mil a 600 mil armas de fogo em um ano, um ano e pouco. A partir daí, praticamente acabou o estatuto. Não se vê postos de retirada. Ninguém neste momento devolve arma de fogo.

Quais as alternativas que o Brasil tem para enfrentar as mortes violentas?

Retirar armas de circulação, desarmar a cidadania. Criar uma nova consciência na juventude, que, neste momento, é quem mais mata e mais morre com armas de fogo. Criar uma nova consciência, uma nova ideologia de pacificação social — algo que se conseguiu naquela época (2003). Por que não se consegue hoje? Porque tem muitos interesses em jogo; muito dinheiro em jogo. A indústria de armas de fogo do Brasil é uma das mais poderosas do mundo. É uma indústria muito poderosa, que continua financiando deputados, senadores…

O Brasil tem Ministério dos Direitos Humanos. Esse peso institucional tem efeito prático na defesa dos direitos humanos no país?

Eu penso que é melhor que tenha do que não tenha. Mas não tem muita incidência. No entanto, há um crescimento da consciência brasileira sobre os direitos humanos. Avançou-se muito nos últimos 15 a 20 anos nesse sentido.

Apesar disso, as pessoas têm dificuldades de entender que direitos humanos são para todos.

Exatamente. A cidadania brasileira, a República brasileira, é uma das mais recentes na América Latina. Foi um dos últimos que se declarou republicano. É um lapso histórico. Algumas coisas são mais novas que em outros países. Não comparemos com Europa, mas comparemos com outros países da América Latina. Nosso problema democrático, nosso entendimento de democracia, é muito recente.

Existe relação direta entre o fim recente da ditadura e a abolição tardia da escravidão com o entendimento da população sobre os direitos humanos?

Exatamente. Questões da cidadania, direitos humanos. É uma sociedade que não pratica muito os direitos humanos. Foi um dos últimos do mundo a abolir a escravatura. Nossa consciência cidadã é uma questão muito recente. E o respeito ao próximo também é uma questão muito recente.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/apartheid-social-esta-por-tras-da-violencia-no-brasil-diz-pesquisador-22182370#ixzz51B1Ws9GJ
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Toivo Ya Toivo, herói da independência da Namíbia

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Ativista recebe homenagens neste domingo de companheiros de resistência e organizações da sociedade civil.

Andimba Toivo ya Toivo (centro), Hage Geingob (direita) e outro líder aterrisam para encontro com Anton Lubowski (Foto: John Liebenberg via University of Cape Town Libraries)

Companheiros de resistência e organizações da sociedade civil estão rendendo homenagens neste domingo (11) na Namíbia e na África do Sul ao emblemático ativista Herman Andimba Toivo Ya Toivo, um dos pais da independência de seu país e companheiro de prisão de Nelson Mandela.

Toivo Ya Toivo morreu na sexta-feira (9) aos 93 anos de idade, na Namíbia, deixando para trás uma vida de comprometimento político que o levou a passar 16 anos na cadeia e que, por fim, lhe rendeu cargos de ministro no governo do país.

Organizações como a Fundação Ahmed Kathrada – que leva o nome de outro ícone da resistência ao Apartheid na África do Sul que morreu este ano – se juntaram às homenagens e às condolências.

Toivo Ya Toivo foi um dos fundadores da Swapo (Organização do Povo do Sudoeste da África), o movimento de guerrilha que combatia a dominação colonial da África do Sul na Namíbia (chamada então de África do Sudoeste) e que governa o país desde a sua independência em 1990.

O histórico líder foi um dos 36 namíbios detidos em 1966 pelo governo segregacionista sul-africano e encarcerados na ilha-prisão de Robben Island, onde Nelson Mandela passou 18 anos.

Toivo Ya Toivo – que participou de greves de fome na prisão e passou nove meses em regime de isolamento por agredir um guarda – foi libertado em 1984 e continuou o seu trabalho político ao assumir o cargo de secretário-geral da Swapo e vários ministérios após a independência da Namíbia.

O Congresso Nacional Africano (CNA) – partido de governo na África do Sul e aliado da Swapo durante a luta contra o Apartheid – lembra Toivo Ya Toivo como “um lutador pela liberdade” e um “pan-africanista e internacionalista progressista” que também defendeu a causa dos trabalhadores.

Uma das ações que o herói da história da Namíbia fez na clandestinidade foi enviar à ONU depoimentos gravados de trabalhadores sul-africanos do setor da mineração sobre as duras condições de vida nos jazigos do país, uma ação que lhe rendeu represálias por parte do regime de Pretória.

 

 http://g1.globo.com/mundo/noticia/morre-toivo-ya-toivo-heroi-da-independencia-da-namibia-e-companheiro-de-prisao-de-mandela.ghtml

Um século depois, Namíbia exige justiça à Alemanha pelo seu primeiro holocausto

De 25 de novembro de 2016 a 12 de março de 2017, o Museu do Holocausto em Paris, França, organizou uma exposição dedicada ao genocídio de dois povos da Namíbia, os hereros e os namas, aquele que é hoje amplamente considerado o primeiro genocídio do século XX.

Após a Conferência de Berlim de 1884, quando as potências europeias dividiram a África entre si, a Alemanha governou o Sudeste Africano Alemão (atual Namíbia) até 1915.

Entre 1904 e 1908, os colonizadores alemães perpetraram um genocídio contra os povos hereros e namas, exterminando 65 000 hereros e 10 000 namas. Num detalhe particularmente macabro, os crânios de algumas vítimas foram levados até a Alemanha para investigação científica acerca da suposta desigualdade racial.

Por fim, sob a liderança de Samuel Maharero, membros das duas tribos organizaram uma revolta bem sucedida contra os alemães, recuperando as suas terras e pondo fim à violação em massa e a outras formas de degradação perpetradas pelos ocupantes alemães. Lutaram numa guerra de guerrilha que levou à situação que Véronique Chemla descreve no seu blogue como «um conflito maior». Véronique Chemla, jornalista de assuntos internacionais da American Thinker, da Ami e da FrontPage Mag, explica:

  • hereros e os namas

A 12 de janeiro de 1904, «ao mesmo tempo que as tropas alemãs tentavam sufocar a «revolta» dos nama Dondelswartz a sul, os herero Okahandja, exasperados pelas injustiças cometidas por Zürn (Comandante de Estação, tenente Ralph Zürn) e pela progressiva perda de território, atacaram explorações agrícolas e empresas alemãs e a infraestrutura colonial. Estes ataques resultaram numa brutal repressão por parte dos soldados e dos colonos, que levaram a cabo linchamentos e represálias indiscriminadas».

Na Alemanha, no seguimento das «descrições exageradas destes ataques, nasceu um verdadeiro desejo de guerra».

Ao mesmo tempo que a violência continuava a crescer, o levantamento local transformou-se num grande conflito, o que obrigou Maharero a colocar-se do lado dos «rebeldes». Para grande enfado dos políticos de Berlim, os homens de Maharero triunfaram, num primeiro momento, na sua resistência às tropas do (administrador colonial Theodor) Leutwein com técnicas de guerrilha. Leutwein foi dispensado do seu comando e substituído pelo implacável general Lothar von Trotha, que havia chegado à colónia em junho de 1904 com milhares de homens.

O general Lothar von Trotha dirigiu 15 000 homens numa implacável campanha de repressão. A 2 de outubro de 1904, deu ordens aos seus oficiais para realizarem o extermínio sistemático de membros das duas tribos, como se descreve numa publicação do Le Blog de Daniel Giacobi, professor francês de História:

Os hereros não são mais súbditos alemães. Se não aceitam isto, ser-lhes-á imposto pelas armas. Devem sair do país ou expulsá-los-ei com o «groot Rohr» [canhão grande].

Todo herero que se encontre dentro das fronteiras alemãs [namíbias], esteja armado ou não, será executado. Mulheres e crianças serão removidas do país — ou serão abatidas a tiro. Não serão levados quaisquer prisioneiros homens. Serão mortos a tiro. Esta decisão respeita os hereros. Dentro das fronteiras alemãs, matar-se-á todo o herero, armado ou não, com gado ou não. Não receberei mais mulheres ou crianças. Enviá-los-ei de volta sozinhos, ou ordenarei que os executem.

A minha política foi sempre no sentido de controlar a situação com terror brutal e até crueldade. Usarei toneladas de dinheiro para aniquilar os membros da tribo revoltosos, em torrentes de sangue. Somente desta semente crescerá algo novo e estável.

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Em agosto de 1904, na Batalha de Waterberg, os hereros e os namas viram-se rodeados «e a única saída era através do deserto Kalahari, onde os pontos de água estavam envenenados».

O que aconteceu depois foi, no entanto, mais trágico:

Por fim, colocou guardas e deu-lhes a ordem formal de matar todo e qualquer herero, independentemente de idade ou sexo. O resultado foi um massacre sistemático que alguns estimam ter feito entre 25 000 e 40 000 mortos (outros falam de 60 000 vítimas).

Vincent Hiribarren, professor catedrático de História Africana e Universal no King’s College de Londres, responsável pelo site libeafrica4.blogs.liberation.fr, publicou uma entrevista de Jean-Pierre Bat com Leonor Faber-Jonker, historiadora de Universidade de Utrecht, que descreveu os métodos de extermínio usados pelos alemães:

Esta era a política que von Trotha havia seguido, ainda que subentendida, desde o ataque de Waterberg. Durante a batalha, qualquer herero que tinha conseguido escapar do círculo de alemães que os rodeava, fugiu para Omaheke. Von Trotha ordenou que os perseguissem, que procurassem o terreno metodicamente e que eliminassem os pontos de água. Os hereros, obrigados a dirigirem-se ao deserto, morreram em grande número de desidratação e fome. Esta perseguição teve também repercussões para os alemães.

Foram exibidas cópias da ordem escrita aquando da captura dos hereros e estes foram obrigados a assistir à execução de vários dos seus camaradas prisioneiros, antes de serem enviados para o deserto para serem testemunhas do que haviam visto e dissuadirem outros hereros de voltar.

Os colonos tiveram um comportamento execrável, roubaram terras e violaram as mulheres hereros e namas. O sítio web do Museu do Holocausto realçou que a maioria dos colonos que se apoderaram das terras e do gado dos hereros trataram os africanos sem o mínimo respeito.

A violação era uma prática comum e era exacerbada pela falta de mulheres alemãs. O temor do povo alemão (Volk) pela degeneração racial levou à proibição de matrimónios inter-raciais em setembro de 1905. As ideias sobre diferenças raciais baseavam-se na antropologia alemã do final do século XIX, que propunha uma distinção entre raças consideradas «civilizadas» e raças consideradas «primitivas». Esperava-se ter uma compreensão da espécie humana através da observação objetiva dos «primitivos», como as pessoas exibidas em zoológicos humanos (muito populares na Europa nessa época).

Em 2011, descobriram-se onze crânios do genocídio na Namíbia. Até então, esta atrocidade havia permanecido oculta, como é referido no site do Museu do Holocausto:

O Blue Book (Livro Azul), um relatório oficial do governo britânico que enumerava as atrocidades cometidas no Sudeste Africano Alemão, e, pouco tempo depois, recompilou a conquista da colónia durante a Primeira Guerra Mundial, foi censurado em 1926, pensando no interesse da nova unidade. Depois, a perspectiva alemã do genocídio como uma heróica guerra colonial literalmente dominou o âmbito comemorativo da antiga colónia e esta viu-se inundada por monumentos e ruas com nomes que comemoravam o esforço bélico alemão. Depois de 1945, o passado colonial não ficou esquecido na Alemanha. No Sudeste Africano, a repressão do regime do apartheid sufocou qualquer debate público sobre o genocídio. Os descendentes das vítimas tiveram a tarefa de manter viva a memória do genocídio, com atos comemorativos e com a tradição oral.

Por fim, em julho de 2015, o governo alemão acordou enumerar os “acontecimentos que ocorreram” como um genocídio oficial, no seguimento do reconhecimento do genocídio arménio. No entanto, o governo não conseguiu proferir uma desculpa formal, nem mostrou vontade de dar uma compensação. Esta situação levou a um encontro em outubro de 2016 no Centro Francês de Berlim, que juntou partidários de vários países que afirmavam o direito das comunidades dos hereros e dos namas a participarem diretamente na negociação de uma resolução que inclua o reconhecimento do genocídio, um pedido de desculpas formal, apropriado e sincero às comunidades afetadas e a atribuição de uma compensação justa às duas comunidades, que continuam a sofrer os efeitos do genocídio.

Desde que a Namíbia conseguiu a sua independência em 1990, os descendentes das vítimas — juntamente com grupos de direitos humanos (sobretudo simpatizantes judeus) da Alemanha, dos Estados Unidos, de Botsuana e da África do Sul — têm batalhado pelo reconhecimento do genocídio e estão próximos de uma importante vitória judicial. Em julho de 2017, a juíza federal de Nova Iorque, Laura Taylor Swainouvirá uma queixa contra Berlim por parte dos descendentes das vítimas.

 

https://pt.globalvoices.org/2017/05/11/um-seculo-depois-namibia-exige-justica-a-alemanha-pelo-seu-primeiro-holocausto/